Blind

3 "Criminosa"


Notas iniciais
Queria agradecer de coração a todos vocês que comentaram. Mesmo sendo poucos ainda, a história continua ganhando vida ao passo que o incentivo de vocês também. Espero que gostem e se envolvam nesse capítulo.

Annabeth estava em um dos becos de Nova Iorque procurando pela tal porta n°66. Ela não acreditava que depois de tanto tempo teria que voltar a encontrar Billy Adams. O desgraçado e filho da mãe, por muito tempo foi a salvação da garota. Isso até ele colocar as cartas na mesa e abrir o jogo dizendo que precisava de alguns "favores" dela. Annabeth foi criada com o seu pai. Sua mãe tinha morrido no parto dela. E pra piorar a situação de uma família fragmentada, com 8 anos de idade, ela teve que assistir o pai desfiando e sofrendo nas mãos do câncer. Era um tumor simples que depois de uma cirurgia tinha sido tirado de dentro do estômago de Frederick Chase, mas que depois de 3 meses tinha se espalhado pelo corpo inteiro o deixando esquelético e incapacitado de simplesmente ir ao banheiro. A garota aprendeu a ter responsabilidade e cuidar do pai ainda pequena.
Então quando completou 10 anos, conheceu um homem alto de olhos amedrontadores e calvo. O homem era simpático e depois de 2 horas e meia tentando tirar algo de Annabeth, conseguiu descobrir toda a tormenta que ela passava com o seu pai doente em casa. Ele lhe disse que seu nome era Billy e estava disposto a ajudar a garota com as despesas que seu pai poderia dar com o tratamento da doença. Billy realmente gostava da garota, não tinha a intensão de introduzi-la no mundo do crime. Ele dava a ela livros, conversava com ela e sempre que podia fazia uma prece na cabeceira da cama do pai da garota — não que ele acreditasse em Deus, mas a menina ficava tão feliz quando ele pedia a "pai do céu" para salvar o pai. De nada adiantou as preces ou os remédios caros que ele comprou, Frederick faleceu no dia 16 de julho, um dia antes do aniversário de 11 anos de Annabeth.
Sabe-se Deus como, Billy conseguiu a guarda da garota e começou a cria-la como filha. Mas se deu conta de que um dia precisaria de um herdeiro para seus negócios. Ele não podia ter filhos e nem queria ter que engravidar uma vadia pra isso. Então quando Annabeth completou 12 anos, ele decidiu dizer a verdade a ela e lhe pedir uns "favores". Com o passar do tempo ela aprendeu a arte de enganar, roubar, persuadir, ser discreta, sair de uma situação de risco, mentir pra polícia e bancar a inocente.
Ao lembrar do passado, Annabeth entende que o "monstro" que ela havia se tornado não tinha nada a ver com Billy. Ele sempre dizia a ela que se ela quisesse parar de levar essa vida ela poderia. Mas a questão era que ela nunca foi um anjinho, vivia brigando na escola, gritando com professores e não tinha medo de nada e de ninguém. Quando Billy lhe apresentou a um novo mundo, ela odiou o antigo e amou essa nova versão da vida. A verdade é que ela gostava de ser má, rebelde e criminosa.
Mas quando ela terminou o colegial, sua forma de pensar mudou um pouco. Ela queria ir pra faculdade e fazer arquitetura. Abriu o jogo com Billy e pediu uma grana a ele. O velho traficante quase chorou quando aquele demônio loiro disse que iria embora e começar uma nova vida. Ela continuou a ser quem era, só que dessa vez os crimes não tinham lugar em sua vida.
Porém, lá estava ela de novo procurando Adams. Ele disse que precisava de apenas um favor e que se ela cometesse esse último delito, ela teria dinheiro suficiente para terminar a faculdade e abrir a sua empresa de arquitetura e urbanismo. Ela aceitou na hora.
E lá estava, a porta n° 66 daquela rua fedida e abandonada. Ela bateu na porta e uma voz, que ela reconheceu ser a de Billy, lhe perguntou quem era.

–Annabeth Chase. — respondeu ela.

–Entre.
Poderia um rato procurar um esgoto mais nojento pra se esconder? Sim, poderia. Billy era a prova disso. A sala era um cubo, com dois homens imensos, negros e usando dreads no fundo da sala. Outros dois capangas, que possivelmente eram latinos, estava um de cada lado de Billy. Annabeth teve que engolir o riso ao perceber que Billy estava mais careca e agora barrigudo. Era a visão do inferno aquele cara.

–Querida, a quanto tempo.- cumprimentou Billy a abraçando. Ela se esquivou logo do abraço.

–O que você quer, seu porco desgraçado?

–Isso é jeito de tratar alguém que melhorou a sua vida?. — perguntou Billy

–Cara, você disse que ia me deixar em paz. Será não que não tem capacidade de achar outra pessoa pra fazer seu trabalho sujo? — como sempre, Annabeth era direta como um gancho de direita do Mike Tyson.

–Não, não existe ninguém capaz de executar o que eu quero tão bem quanto você.

–Billy, esses homens cheios de bomba injetada nos braços não vão me impedir de te dar um soca na cara se você não começar a falar.

–Sempre impaciente, não é? Vamos lá, sente-se. Eu vou te explicar o que está acontecendo.

–Espera, por quê você está nesse lugar cheirando a merda? — Annabeth estava acostumada a casas de luxo com prostitutas em cima de Billy e não seguranças latinos calados ao lado dele.

–Dívidas e outro traficante na área. Meu negócios estão a um passo de acabar. Mas você não veio aqui pra ouvir sobre meus fracassos, não é? — Annabeth balançou a cabeça em negação.- Então garota, eu preciso que você se case.

– O QUEE? VOCÊ TA LOUCO É? — Annabeth gritou.

– Da pra você não me interromper? Eu vou te explicar, apenas acalme-se. — Ele esperou Annabeth terminar de jorrar os palavrões em cima dele. — Bom, já que você se acalmou, acho que eu posso te explicar. Pois bem, esse é Perseu Jackson.- Ele lhe entregou uma foto do cara para ela dar uma olhada.

–Tá, ele é bonito e rico. Mas o que eu tenho a ver com isso? E porque tenho que me casar?

–Jackson é dono de uma fortuna avaliada em 2 bilhões de dólares. O que eu quero que de você é que o seduza e de um jeito de se casar com ele. Depois de 1 mês de casados, eu irei mata-lo e você ficará com toda a herança. Não dois temos que fazer serviço sujo, então vai ser 50% pra cada. Grana avaliada em 1 bilhão de dólares pra cada um. E posso refazer meus negócios e você pode fazer a sua empresa com o numero de arquitetos que você quiser. E nunca mais vai ter que participar de nenhum de meus planos. Ahh, tem um porém. Perseu Jackson é cego.

–Eu sabia que você estava louco! Enganar um bilionário tudo bem, mas um cara cego não dá. Não sou o tipo de pessoa que abusa de deficientes.

Billy levantou da cadeira e com uma força desconhecida agarrou os cabelos de Annabeth.

–Olha aqui sua vadia, eu te tirei da merda a muitos anos atrás. Eu poderia ter te transformado em uma das minhas prostitutas, mas eu decidi cuidar de você. Não me importa se esse desgraçado é cego, eu conheço esse filho da mãe e a família dele. O que vamos fazer é pouco pro que ele merece. E você vai fazer o que eu estou pedindo ou eu dou um tiro na sua cabeça e acabo com essa marra que você tem.- A essa altura Billy já estava gritando e cuspindo de raiva com o rosto rente ao de Annabeth. Ela deu um jeito de se soltar e empurrar o velho.

–Tudo bem, eu faço. -Ela já tinha visto ele ameaçar uma pessoa de morte naquele tom, sabia que quando ele dizia que iria matar, a pessoa sempre morria. — Mas se algo der errado ou se esse cara descobrir, a culpa vai ser sua.

–Você tem 3 meses pra se casar com ele. -Billy disse.

–Tudo bem, mas Billy você nunca foi assim. Nunca abusou de uma pessoa fraca ou incapacitada. Por que tem tanta raiva desse cara?

–Digamos que o pai dele me subestimou. O dinheiro que ele tem me pertence. Não vou explicar nada pra você agora, apenas faça o seu serviço.

–Ta ok. você tem alguma informação de onde eu posso encontra-lo?

–Ele vai todas as manhã de sábado em uma cafeteria pra ficar lendo aqueles livros de cegos.

–Isso significa que amanhã eu já começo o serviço.

–Annabeth? -chamou Billy.

–Sim?

–Não se apaixone por esse desgraçado! — ele respondeu ríspido.

Annabeth saiu de lá com a consciência um pouco pesada. Enganar cafetões, policiais e professores tudo bem, mas um cara cego? Ela não sabia se poderia fazer isso. Mas teria que tentar, ela queria o dinheiro e queria ainda mais não ser morta pelo velho careca e barrigudo. No dia seguinte ela conheceria o tal Perseu Jackson. Ela deu mais uma olhada na foto e murmurou pra si mesma:

–Desculpe cara, mas eu tenho que fazer isso.

Notas finais
No próximo capítulo Annabeth e Percy irão se conhecer. Fiquem com Deus e até a próxima. "That's all folks."