Blind
4 "Apenas se tornando amigos"
Notas iniciais
Aquela era uma linda manhã de sábado. O sol ainda estava um pouco laranja no estilo por do sol já que era às 08:30 am. Mas como de costume dois amigos conversavam animadamente sobre coisas aleatórias na cafeteria Sunshine na rua 42nd street.
Percy estava tomando café com Léo Valdez, amigo de poucos anos dele.
Eles haviam se conhecido de uma forma estranha após se envolverem numa briga em um dos estádios de futebol americano de Nova Iorque. Alguns caras bêbados tinham começado a implicar com Percy porque ela havia tropeçado em uma pilha de cerveja do grupo. Como os idiotas já estavam meio chapados começaram a querer arranjar briga com Perseu, que na época tinha 19 anos. No meio desse cenário pré confusão, surge um garoto mirrado que provavelmente tinha a mesma idade que o jovem bilionário. O garoto com toda certeza era latino, de cabelos encaracolados, muito parecido com um elfo e com uma expressão engraçada que na hora expressava raiva, mas que poderia facilmente ser confundida com aquela expressão usada para indicar quanto se está com vontade de ir ao banheiro. O moleque magrelo se envolveu na briga, resultado: Tanto o garoto latino e Percy levaram umas boas porradas naquele dia. Depois de um tempo o garoto havia reparado em Percy e viu que ele continuava deitado no chão procurando seus óculos escuros e o boné que estava usando. Léo se deu conta de que o cara era cego.
–Ei companheiro, é isso que você estava procurando? — disse Léo lhe entregando os óculos e o boné de Percy.
– É sim, obrigado. Você poderia pegar a minha bengala também? — Percy odiava parecer incapacitado, mas caramba, ele havia levado uma surra e estava com medo daquele cara que tinha lhe ajudado. E se o garoto também quisesse se aproveitar dele?
Léo pegou a bengala e deu uma olhada nela.
–Puxa, que bengala diferente! — Ele olhava vidrado pra bengala azul com alguns leões pratas espalhados por seu comprimento.
–Obrigado, meu tutor fez pra mim. Ele disse que toda vez que eu encostasse nela era pra mim lembrar de que eu era um leão. — Percy lembrou nostálgico das palavras de seu velho amigo que tinha ido embora a um ano e nunca mais voltara. — Um cara com uma fera interna capaz de fazer qualquer coisa independente das suas limitações.
–Nossa, que filosófico. Um cara pobre como eu jamais pensaria uma coisa dessas. Você sabe que quem vem do gueto só pensa em sobreviver e não em ficar dizendo frases bonitas por aí. — o garoto latino deu uma risadinha pra mostrar que estava brincando. — Meu nome é Léo Valdez. Como se chama, cegueta?
–Sou Perseu Jackson, me chame só de Percy mesmo. — Ele estendeu a mão para cumprimentar seu novo amigo, e acabou descobrindo que Léo era muito baixo e com a mão um pouco magricela.
–Então Percy, o que um cara cego como você faz num estadio de futebol arranjando brigas?
–Apenas queria vir sozinho e mostrar pros outros e pra mim mesmo que sou independente. Acabei tropeçando na pilha de cervejas daqueles caras e isso iniciou a briga.
–Bom, já que estamos ferrados e acabamos de levar uma surra, você se importaria de tomar uma cerveja com um latino sem grana? — perguntou Léo sendo amigável com o garoto cego.
–Claro!
–Hã, Percy?
–Sim?
–Lembra que eu te disse que sou um cara pobretão. Então, eu sou mesmo!
–Tudo bem, eu pago as bebidas. — respondeu Percy rindo e entendendo o recado. Léo sorriu e encontrou o amigo que precisava: do tipo que lhe pagava uma cerveja depois de uma briga.
Depois daquele dia os dois se tornaram amigos íntimos, daqueles que contam tudo um pro outro e que brigam sem nenhum pudor por causa dos seus times de futebol. E lá estavam eles cumprindo com o seu habitual cafezinho no sábado pela manhã. Eles estava numa conversa animada sobre esportes, quando Léo decidiu interromper Percy e perguntar algo que lhe estava incomodando:
–Cara, fiquei sabendo que Walter foi te visitar ontem pela manhã. Isso é verdade?
– É sim. — respondeu Percy um pouco ríspido.
–E o que ele queria?
Percy lhe contou toda a história da manhã anterior.
–Cara que treta! Mas Percy, você sabe que ele sempre cuidou de você. Se ele esteve esse tempo fora é porque realmente queria descobrir se tinha algo te ameaçando. Acho que você deveria escuta-lo.
–Valdez, eu não acredito em nenhuma palavra que aquele cara disse. E além do mais, ele me abandonou. Alguem que realmente se preocupa não faz isso. E vamos terminar esse assunto, o dia começou bem e eu não estou afim de estraga-lo.
–Okay, não está aqui quem falou.
Nesse momento Percy percebeu que Léo havia ficado mudo e que o sino da porta havia anunciado que alguém tinha acabado de entrar, o que era estranho porque pouco gente vai ali a essa hora da manhã. Ele ouviu uma voz feminina chamando o garçom do local. E decidiu perguntar ao amigo o que estava acontecendo:
–Valdez, porque ficou mudo? Quem é a pessoa que acabou de entrar que despertou tanto seu interesse?
–Ah cara ... — Aquilo significava que era uma gostosa de primeira no recinto. — Uma mulher espetacular, a mulher mais linda que já vi na vida, uma divindade grega vinda diretamente do harém das nove musas de Apolo.
–Vish, quanta bobagem Valdez. Me dê a descrição.
–Alta com provavelmente 1,75. Cabelos loiros e ondulados. Um rosto maravilho e um corpo de desbancar as brasileiras. Um rosto lindo e delicado. E olhos que eu nunca tinha visto na vida ... cara, são olhos cinzas cor de tempestade.
–Nossa, se apaixonou foi? — disse Percy rindo um pouco do amigo.
– Fique queto, se você pudesse ver também estaria assim. — Léo achava a garota linda demais, mas ela era provavelmente 7 cm mais alta que ele. Ele tinha uma ideologia de só paquerar garotas mais baixas, só pra parecer o ser dominante da relação. Então ele olhou para o seu amigo cego ali com idade para se casar e olhou de novo para a mulher loira. Eles eram um casal perfeito. — Cara, acho que você deveria ir falar com ela.
–E porque você acha isso? — perguntou Percy bebericando um pouco do seu café.
–Você está a um milênio sem namorar ninguém. Cola naquela gata e casa logo de vez!
–Valdez, porque não vai você mesmo ir falar com ela?
–Ela é mais alta do que eu. Você sabe o que eu penso disso.
–Tudo bem, eu vou lá falar com ela. Mas se isso for uma furada, cara eu juro que te mato.
–Vai logo lá. Ela está em um daqueles sofás da entrada lendo uma revista. Na direção do ...
–Não precisa me dizer. Eu estou ouvindo ela pedir uma caputino pequeno ao garçom.
–Caramba, as vezes essa sua audição aguçada de cego me dá medo. Bom, boa sorte.
Percy andou em direção a voz melodiosa que agora havia se calado indicando que já havia feito o seu pedido ao garçom.
–Olá, você poderia me dar uma dessas revistas que provavelmente está ao seu lado?
–Porque você mesmo não pega, por acaso é cego? — Logo que a mulher levantou os olhos se arrependeu do que tinha dito. — Ah meu Deus, me desculpe eu não tinha percebido que você é cego. Perdão, olha tome essa revista.
–Tudo bem — Percy se permitiu sorrir daquela situação. — Não me importei, acredite. Posso me sentar ao seu lado?
–Claro que sim, me desculpe mais uma vez. Meu nome é Annabeth Chase.
–Perseu Jackson, mas pode me chamar somente de Percy.
Annabeth ficou surpresa. Depois de ligar milhares de vezes pra Billy para que ele descobrisse qual é a cafeteria certa que o tal Perseu Jackson sempre ia (afinal Nova Iorque tem centenas de cafeterias), ela havia conhecido o alvo de seu mais novo e último crime.
Ela estava impressionada. O homem era realmente bonito. Era alto com rosto exibindo uma expressão linda e uma barba a fazer. Tinha o cabelo um pouco bagunçado jogado para o lado. Usava óculos escuros, o que lhe causou curiosidade para saber como era os olhos pro trás dele. Parecia ser um bom homem, não daqueles fáceis de enganar, mas daqueles que não merecia ser enganado.
–Então, porque você veio aqui puxar papo comigo? — disse Annabeth.
–Como sabe que vim aqui puxar papo com você?
–Você é cego, possivelmente só lê textos em Braile. O que me diz que está interessado em puxar papo com a minha pessoa. — disse Annabeth em um tom brincalhão.
–Caramba, você é uma mulher esperta. Ta legal, está vendo o meu amigo na terceira mesa bem a nossa frente?- Percy estava apontando um pouco para a direção errada, mas como Annabeth já tinha visto o outro cara, preferiu não comentar. — Então, ele disse que você era uma mulher linda e que eu deveria vir conversar com você.
–Ah sim. Espero que você saiba que eu não sou uma mulher tão fácil assim, senhor Jackson.
–Por favor, me chame apenas de Percy. E eu não estava esperando uma mulher fácil, senhorita Chase. Tudo que vem fácil vai fácil. Não gosto de coisas passageiras. Se quero ser seu amigo, quero ser por muito tempo.
–Por favor, me chame apenas de Annabeth. Então quer dizer que você não veio aqui com segundas intenções? Apenas quer realmente ser meu amigo?
–Claro, não que você não seja uma mulher bonita e indigna de receber uma boa cantada. Mas eu só quero meu amigo ali pare de me encher o saco pra arranjar uma namorada.
–Espere, como você sabe que eu sou uma mulher bonita se você não enxerga?
–Uma mulher feia não é confiante e muito menos banca a difícil quanto um homem vem até ela para puxar assunto. Uma mulher desprovida de beleza estaria tímida e seria envolvida por qualquer conversa torta que eu jogasse pra cima dela. Esse tipo de mulher jamais diria "que é difícil".
"Wow, esse cara vai ser osso pra enganar" pensou Annabeth.
–Tudo bem, já vi que você também é um cara bem esperto. — disse ela.- Mas já que veio até aqui, sobre o que você quer conversar?
–Bem, na verdade não quero lhe interromper mais. Apenas me dê um numero qualquer escrito em um papel e eu posso não vou te perturbar mais. Já vai ser o suficiente pro meu amigo ali pensar que me dei bem.
–Olha eu não vou fazer isso. Não quero simplesmente fazer parte de uma farsa e sair como a garota fácil que caiu na sua conversa.
–Caramba, você é realmente uma mulher difícil.
Percy estava começando a ficar impaciente e satisfeito com o rumo da conversa. Impaciente porque já não tinha mais o que dizer e satisfeito porque o papo de ser apenas "amigos" tinha colado.
–Então tá, senhorita. Se quer bancar a difícil, deixe-me ser capaz de conseguir o seu numero verdadeiro e sem trapacear?
–Porque você acha que eu aceitaria?
–Porque se você não aceitar eu posso te processar por ter feito descaso e insultado um deficiente ocular. E você sabe que posso fazer isso, ainda mais se eu usar o meu amigo sentado ali como testemunha.
–Cara insistente você, não? Pois bem, faça por merecer. — disse Annabeth pegando o copo pequeno de caputino deixado a um minuto atrás pelo garçom na mesa onde ficavam as revistas. Ela se levantou e começou a andar em direção a porta para ir embora.
–Espere, como posso lhe encontrar de novo? — Percy perguntou a seguindo.
–Bem, eu venho aqui aos domingos. Hoje que por algum acaso decidi vir aqui. Você pode aparecer nesse mesmo local amanhã. Percy, seja criativo, ok? Eu não hesito na hora de dar um pé na bunda de caras que tentam me fazer de otária.
–Não estou tentando te fazer de otário, sou um bom moço. — respondeu ele dando um sorriso tão lindo que não teve como Annabeth não retribuir.
–Tudo bem, bom moço. Te vejo aqui amanhã. Adeus.
–Adeus e até.
Percy voltou imediatamente para a mesa onde Léo estava e começou a lhe relatar o que havia acontecido.
Annabeth assim que saiu da cafeteria pegou seu celular e ligou para Billy. Ele atendeu.
–O que é? Já é a milésima vez que você me liga hoje.
–Só estou ligando pra te avisar que ocorreu tudo bem. Mas vamos ter que ser cautelosos com esse cara, ele percebe as coisas de uma forma rápida.
–Não quero saber como ele percebe as coisas logo de cara. Dê seu jeito. Apenas faça ele assinar uma certidão de casamento em menos de 3 meses. — Billy provavelmente estava com o seu mau humor matinal, não costuma falar tão grosseiramente com Annabeth nem quando queria ser repreendedor.
–Tudo bem chefe.- ela respondeu a toda ironia. — Amanhã tenho um novo encontro com ele. Era só isso, tenha um bom dia.
Billy nem ao menos foi educado e falou adeus. Desligou o telefone deixando Annabeth cheia de raiva.
Ela sabia que não seria fácil enganar Percy, ainda mais porque havia gostado dele. Ele parecia ser um cara simpático e gentil com as mulheres, tipo de homem que Annabeth nunca conheceu vivendo a vida que levava. Mas era tudo uma questão de tempo.
Ela não queria ter que engana-lo, mas até o dia que Billy o matasse, ela poderia tirar um proveito do cara lindo e bilionário.
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