Blind
5 "Olhos verdes mar"
Notas iniciais
Estava sendo uma noite divertida de sábado. Como a mansão Jackson era bastante espaçosa, Percy se sentia um pouco sozinho naquele casa enorme. Então sempre que podia chamava seus únicos amigos confiáveis no mundo — A verdade que Percy sempre fora um pouco paranoico em relação a ter amigos, já que pensava que qualquer ser humano que se aproximava dele apenas queria se aproveitar do seu dinheiro ou lhe oferecer um pouco de pena.
Lá estavam eles: Piper, Jason, Leo, Frank e Hazel. Comendo pizza, sentados no chão da enorme sala e rindo das piadas de Léo. Eram a melhor compania que Percy poderia ter, sem falar que foram as únicas pessoas no mundo que nunca tiveram pena dele, mas que o tratavam como igual. Vez ou outra faziam piada com a cegueira do rapaz e isso era reconfortante porque mesmo exibindo o problema, eles mostravam que ao passo que o problema de Percy era a cegueira o deles era outras limitações da vida. Eles conversavam animado sobre o possível noivado de Frank e Hazel, quando Leo (classificado sempre como o estraga prazeres das conversas interessantes) decidiu falar algo não tão desinteressante assim para o grupo:
–Gente se liga, Percy vai sair com uma loira gostosa amanhã! — Ele gritou para que todos ouvissem com clareza.
–Seu desgraçado, vai ter um encontro e nem me avisa? — Piper estava realmente indignada. — Mulheres gostam de saber os detalhes da vida amorosa de seus amigos poxa ...
–Isso não é bem um encontro, vamos apenas bater um papo e se conhecer. — disse ele se explicando.
–Percy, você sabe que faz muito tempo que não sai com uma garota. — disse Hazel em expectativa.
–E verdade, meu amigo. Concordo plenamente que você deveria investir nessa garota. — Frank também estava feliz pelo amigo.
–Gente é só uma ida ao Central Park. Eu gostei dela e tal. Realmente é uma mulher interessante, mas não quero criar muitas expectativas. — disse Percy.
Nesse momento Jason, que apenas observava a conversa, decidiu se pronunciar:
–Percy você está completamente certo em ser cauteloso. Nunca se sabe quando alguém pode estar apenas interessado em te enganar. Você se lembra do que ouve da última vez.
Jason estava se referindo ao último relacionamento de Percy, que acabou de uma forma um pouco trágica já que todos esperavam que desse certo. Nesse momento os outros se calaram um pouco e ficaram pensativos.
–Percy, eu não posso acreditar que você vai leva-la ao Central Park. Você sabe que isso é muito clichê. Quase todos os casais vão lá. Seja criativo cara! — Enquanto todos estavam pensando se era uma boa ideia Percy investir nessa mulher misteriosa, Piper como uma boa amiga estava pensando em como Percy poderia bancar o cara interessante para a garota, levando-a a um lugar tão comum quanto o central park.
–Bem galera, acho que essa conversa já chega, não é? — disse Percy. Ele não queria de forma nenhuma comentar que estaria saindo com uma garota, ele sabia que alguém poderia lembrar do que ouve. Sempre lhe machucava quando ele lembrava de seu último realacionamento.
Todos mudaram imediatamente de assunto.
Quando já se aproxima das 23:00 da noite, seus amigos começaram a se despedir dele e ir embora. Quando Piper foi se despedir dele o chamou para um canto perto do balção da cozinha.
–Percy, leve ela na galeria da Madson Gardner. Acho que já está na hora de você levar uma garota até lá.- Piper estava sorrindo só de perceber que havia chegado a hora de seu amigo mostrar aquele lugar a uma garota.
–Está louca? você sabe que aquele lugar revela muito de mim. Não posso simplesmente mostrar isso a uma mulher que acabei de conhecer.
–Amigo, lembra o que você me disse sobre levar uma mulher até lá?
–Sim, me lembro. Disse que a mulher que eu levasse lá seria a minha futura esposa.
–Então cara, isso pode ser um bom pressentimento. Quem sabe ela não acaba se casando com você.
–Piper, não sei se posso fazer isso. Eu a conheci hoje. — vendo que amiga estava apenas tentando ajudar , Percy logo se apressou em dizer: — Mas eu posso tentar, ok? Mas só por você, sua coisinha insistente.
–Sabia que eu poderia colocar algo criativo nessa sua cabeça de vento. — Piper sorriu para o amigo e bagunçou seus cabelos. Jason a estava chamando lá fora. — Tenho que ir agora.
–Tudo bem, eu te acompanho até a porta. — disse Percy andando ao lado da amiga em direção a porta. Ele sabia o caminho de cor, mas ela sempre insistiu em agarra-lo pelo braço e guia-lo até a porta.
–Boa sorte, amigo. — Ela disse lhe dando um abraço e um adeus.
–Vou precisar mesmo. — Ele sorriu e ficou ouvindo ela entrar no carro e Jason dar a partida.
Percy foi dormir pensativo. No que ele estava se metendo? Alguma coisa dentro dele estava lhe dizendo que tudo naquela garota estava errado. Que ela iria lhe enganar como da última vez em que confiou de verdade em uma garota. Mas estava disposto a ouvir o conselho de Piper e levar Annabeth Chase a galeria na Madson Gardner.
Ele foi dormir pensando em como seria se pudesse ver. Se pudesse olhar a mulher com quem iria sair no dia seguinte e pudesse constatar por si mesmo o quão linda ela de fato era. Talvez algum dia ele pudesse tocar seu rosto ou quem sabe até mesmo o seu corpo (afinal ele era homem, e queria sim fazer sexo com aquela mulher), e pudesse ver da sua forma cega a beleza que ela possivelmente deve ter.
Annabeth estava deitada no sofá, no apartamento cedido por Billy, lendo um livro gigantes sobre a primeira guerra mundial. Sua mente estava trabalhando a mil pensando no que estava fazendo. Ela estava fazendo parte de um plana para se casar com um cara que mal sabia quem era. Não que ela já não tivesse se envolvido com nenhum cara antes. Na verdade se envolveu com mais caras do que deveria. A maioria com quem ela saia era somente para descobrir planos ou locais de cofre onde continham grandes continhas de dinheiro. E lógico, tinha Luke Castelian, que trabalhou para Billy por certo período. Um desgraçado que dizia que a amava e que simplesmente a traía com todas as vadias que Billy lhe apresentava.
Ela e Luke se conheceram quando ela tinha 15 anos e ele 19. Ela sempre teve uma queda por ele, e dois anos após terem se conhecido eles começaram a namorar. Luke foi o primeiro com quem Annabeth dormiu, depois de ter se decepcionado com ele que ela começou a dormir com outros caras. Ela não acreditava em amor, acreditava em troca de interesses. Ela não sabia se essa forma de pensar mudaria, mas seria difícil alguém convence-la do contrario. Ainda mais porque as experienciais com os homens não foram muito boas. Eles sempre eram agressivos e nenhum deles a tratavam com ao menos gentileza. Luke foi o único que pelo menos disfarçou algum afeto.
E lá estava ela, fazendo com Perseu Jackson tudo aquilo que odiaria que que fizessem com ela. Aquele cara era simplesmente lindo, mas ela gostaria de saber qual era a cor de seus olhos que estavam sendo escondidos pelos óculos escuro. Ela realmente gostaria de saber como é o desempenho de um cara cego na cama. Talvez não fosse tão trágico quando pensar nisso parecia.
Ela dormiu com esse último pensamento.
Na manhã seguinte Annabeth estava caminhando até a cafeteria que tinha ido na manhã anterior. Ela estava atrasada, mas até isso fora planejado. Ela não poderia chegar na hora marcada, isso poderia significar para Percy que ela realmente tinha criado expectativas com isso. Mas assim que chegou no lugar, viu Percy sentado na mesma mesa que estava na manhã anterior.
Ele usava uma blusa polo vermelho vinho, seus óculos escuros, calças jeans e tênis All Star. Uma vestimenta um pouco incomum para um bilionário. Mas de qualquer forma ele estava bonito vestido assim. A medida que ela se aproximava, ele exibia um sorriso no rosto. Com a luz do sol batendo no rosto dele, ela percebeu uma cicatriz curiosa em cima de seus olhos. Ela puxou a cadeira em frente dele e esperou para ver se ele tinha a reconhecido.
–Pensei que você não vinha. — Ele disse ainda sorrindo.
–Como sabia que era eu? — Ela perguntou intrigada.
–Seu perfume, ele é um pouco forte e com um cheiro bom. Você também usou ele ontem.
–Estou começando a achar que você não é cego.
–Como você está, senhorita?
–Muito bem e você? — Será que ele continuaria com essa conversa monótona? Mal chegou e Annabeth estava ficando entediada.
–Melhor agora, já que o café daqui sempre me deixa feliz. Então, ontem eu não te perguntei algo, quantos anos você tem?
–23, faço aniversário no dia 12 de julho. — É, pelo visto a conversa continuaria monótona.
–Você está preste a se tornar arquiteta, supondo que complete o próximo período na faculdade. — Ele disse em uma afirmativa correta.
–Como você sabe disso? — a voz de Annabeth vacilou um pouco mostrando o quanto é perigoso ele saber demais de sua vida.
–Eu pesquisei sobre você antes de vir pra cá. — Ele deu uma gargalhada ao perceber o silencio preocupado da mulher a sua frente. — Fique Tranquila, era apenas isso que o Google me revelava sobre você. E foi bom porque quero que você mesma me diga.
–Bom, você sabe meu nome, sabe minha profissão e sabe minha idade. — Ela relaxou um pouco ao perceber que ele realmente não sabia de nada a mais sobre ela. — O que mais você quer saber?
–Na verdade eu apenas quero saber de uma coisa: sobre seu maior sonho.
–Porque está perguntando isso?
–Minha mãe dizia que só de saber qual é os sonhos das pessoas você pode saber como elas são. — disse Ele bebericando seu café e dando de ombros. — Ah meu Deus, que falta de educação a minha. Você quer algo para comer ou beber?
–Sim, um suco e panquecas por favor. — ela estava com fome já que o apartamento que Billy havia lhe arranjado mal tinha comida. — Meu maior sonho é me formar e quem sabe criar uma firma com um grupo de arquitetos para trabalhos em vários projetos pelo mundo. — Um pensamento distante e até esquecido passou pela cabeça de Annabeth. — E quem sabe um dia ter uma família.
Aquela afirmação tinha surpreendido Percy. E estranhamente feito Annabeth passar no primeiro teste que ele havia planejado. Ter uma família era tudo o que ele algum dia no passado havia almejado.
–Você é bem esperto, senhor Jackson. Descobriu mais do que deveria de mim e não me contou nada sobre você. — disse Annabeth em um tom um pouco irônico.
–Bem, eu quero levar você a um lugar antes. Lá eu te conto algumas coisas sobre.
Mas não foi isso o que aconteceu. Ali mesmo na cafeteria em que eles estavam tomando o café da manhã, Percy contou que era bilionário, tinha 25 anos, administrava suas empresas das nove da manhã às cinco da tarde, que ficou cego aos 6 anos e que assumiu os negócios de seu pai quando tinha 19. Annabeth, é claro, fingiu surpresa a tudo o que ele dizia.
Eles sorriram um pouco e os dois contataram que conversar um com o outro era algo agradável. Conversaram sobre música, livros, cultura e filmes. Quando terminaram de comer Percy foi andando até a porta e Annabeth o seguiu.
–Como vou saber se você está me levando ao lugar certo?
–Eu sempre andei por aqui, sei contar os passos e os vãos do chão usando a minha bengala.
Annabeth reparou na bengala, que por sinal era diferente e muito criativa.
–E eu também tenho um motorista particular parado bem ali. — ele apontou para o lado errado, mas Annabeth viu um Ford Falcon 70 parado a sua frente com um motorista vestido a caráter na sua frente. Será que Percy tinha a mania de sempre apontar para o lado errado?
–Você é um cara podre de rico e anda em um carro com um modelo antigo? Convenhamos que ali poderia estar estacionado uma Limousine ao invés daquela velharia. — Ela gargalhou um pouco.
–Ei, não ria de mim. Sou apenas um cara modesto e amo esse carro.
Eles entraram no carro e Percy ordenou a Chad, seu motorista, que fosse para a galeria na Madson Gardner.
–Espero que goste de arte, senhorita Chase. — Ele sorriu para Annabeth.
Ficaram em silêncio no carro, mas não aquele silêncio do tipo desconfortável. Depois de uns 30 minutos eles haviam chegado a um lugar com uma arquitetura no estilo greco-romano e estatuas de deuses antigos na frente. Annabeth deduziu que aquela era a galeria, o que era meio obvio já que bem na fachada do lugar exibia o nome "Olimpian's Gallery".
Eles entraram e Percy pediu para que Annabeth pegasse um guia do lugar. Ele foi ditando as obras que achava interessante e Annabeth o levava aos lugares que ele dizia. Annabeth aproveitou a situação para criar um tipo de confiança dentro de Percy para com ela. Segurou a mão dele e o guiou até as obras. Ela estava achando muito interessante o lugar, afinal ela iria se tornar uma arquiteta e é quase impossível um arquiteto não apreciar arte. Depois de um tempo Percy fez um pedido com a voz um pouco nostálgica:
–Annabeth, você poderia por favor me levar ao quadro 5 na corredor 8?
–Claro Percy, vamos.
Ela achou o corredor 8 e achou também o quadro 5. Era umas das artes mais linda da Galeria, se não a mais bonita. A arte exibiu um menino que o lado direito do seu corpo era normal, mas o lado esquerdo estava se dissipando em fumaça. O menino aparentava ter 5 anos de idade, tinha cabelos negros e olhos verdes mar. Era um moleque bonito na opinião de Annabeth. O menino estava na praia e a área estava com a sua habitual cor amarela, mas o mar estava em várias cores como um arco — irís.
–Nossa,que quadro lindo.
–É não é? Leia pra mim quem escreveu, por favor.
–Bem, aqui diz que foi Sally Jackson no ano de 1994. E o menino na foto é .. -Ela engoliu em seco antes de terminar a frase.- Perseu Jackson.
Percy sorriu ao lembrar da história do quadro.
–Minha mãe fez esse quadro inspirado em mim um ano antes de eu perder a visão. Eu vivia chorando pelos cantos por não poder enxergar direito, eu via tudo embaçado. A única coisa que eu conseguia enxergar plenamente era o azul e o contorno do mar, por isso ela e meu pai me levavam sempre a praia. Então em um dia quente de agosto eu disse aos meus pais que já não consegui mais distinguir as cores. Então minha mãe fez esse quadro para me ajudar a passar por essa fase. O lado esquerdo do menino sumindo em fumaça significa que eu iria sim ficar cego algum dia que já estava se aproximando, o mar significa que mesmo a ultima coisa que eu veja ainda pode conter esperança e várias cores para que eu possa visualizar. Meu pai amou tanto o quadro que decidiu mostra-lo ao seu amigo Hermes dono da galeria na época. Hermes amou o quadro e prometeu sempre deixa-lo aqui, para que mesmo depois que eu ficasse cego eu sempre pudesse encontra-lo no mesmo lugar. Aliás acho que ele morreu no ano passado, mas isso não vem ao caso. Mesmo na época eu sendo muito pequeno, me lembro de cada detalhe da história. As únicas pessoas que trouxe aqui foram meus 5 amigos, minha prima Thalia e meu primo Nico que acabaram se casando a 3 anos atrás.
Annabeth ficou surpresa, não imaginou que ele fosse lhe mostrar uma coisa tão pessoal.
– Porque me trouxe aqui e me mostrou algo tão importante pra você? — perguntou ela um pouco intrigada.
– Porque eu sempre tive medo de trazer pessoas aqui. Porque esse quadro mostra uma ferida no meu coração que precisa ser fechada, ele me lembra o fato de eu ser cego. Eu preciso vencer esse medo e a linda arte da minha mãe precisa ser mostrada pra mais pessoas. Ela sempre teve o dom para desenhar, sabe? Mas nunca teve a oportunidade de mostrar isso ao mundo. Eu com a posição de destaque que tenho poderia mostrar ao mundo inteiro o trabalho dela.
Ele tirou os óculos escuros pela primeira vez em que esteve com Annabeth. Ela perdeu o folego ao ver que as cor dos olhos dele era a mesma do quadro, ela sabia que a maioria das pessoas que ficavam cega perdiam a coloração dos olhos, mas com Percy foi diferente, o verde mar ainda estava ali. O olhar dele estava direcionado para o ombro direito de Annabeth. Ela segurou o rosto dele e o movimentou para que ficasse de fato olhando pra ela. Os olhos verdes mar meio em desfoque estava na direção dos olhos dela. Era uma sensação boa que aquilo produzia.
–Pronto, agora sim você está olhando para o meu rosto. — Ela sorriu e ele retribuiu o sorriso.
–Vem, acho que já está na hora de finalizarmos nosso passeio.
Eles saíram da galeria e mesmo Annabeth achando arriscado, permitiu que Percy a deixasse em casa, afinal ele era cego e apenas o motorista sabia onde era o lugar. Na hora de se despedirem. Ele deu um abraço apertado nela, o que a surpreendeu.
–Acho que podemos ser bons amigos. Obrigado por hoje.
Ela sorriu e lhe estendeu a mão para que ele a cumprimentasse. Percy sentiu um papel na sua mão, mas não teve tempo de analisa-lo porque na mesma hora Annabeth lhe deu um beijo no rosto.
–Tchau Percy, até a próxima.
Ele ouviu ela dando um pequena corrida até a portaria do prédio onde ficava seu apartamento. Ele abriu e percorreu os dedos e sentiu números escritos de uma forma tão forte no papel que ao minimo esforço ele poderia se rasgar. Mas ele entendeu que ela tentou fazer um tipo de Braile improvisado para que ele pudesse sentir os números.
Era o numero do telefone dela. Ele havia conseguido de forma honesta e melhor do que esperava.
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