–Você faz de conta que não sabe de nada, e quando te contarem o que aconteceu finja que está surpresa e se rolar lagrimas é melhor ainda. -Disse Dean.
– Vai conseguir? -pergunta Sam.
– Acho que sim.
Estou saindo do carro, me aproximando, consigo escutar a repórter "... Jennifer Taylor, filha do casal continua desaparecida. Ou será foragida? Isso que a polícia está investigando aqui na cena de um crime misterioso..."
Vamos lá, Jenn você consegue!
– Com licença senhor, o que houve aqui? -perguntei para um homem aleatório.
– Os Taylor foram achados com a garganta cort... — Ele olhou dentro dos meus olhos- Você não é a filha deles?
–Sou... a filha deles. -disse eu chorando tentando parecer completamente surpresa, acho que a tristeza que estou sentindo está me ajudando.
A repórter está se aproximando de mim — "... Aqui está Jennifer Taylor. O que você sabe sobre o ocorrido? -Disse a enxerida apontando o microfone para mim. Com as lagrimas escorrendo em meu rosto digo:
– Não sei direito, acabo de chegar.
– Mas onde você estava? -Insiste ela.
– É... Eu... É...
– Ela estava comigo. Eu sou o namorado dela. -Disse Dean, que nem vi como se aproximou tão rapidamente.
Nos entreolhamos e ele me deu uma batida forte com o cotovelo.
– AAi!!
–Desculpa... amor.
– Sim... Eu estava com meu namorado — respondi a repórter.
A policia se aproxima de nós e faz quase as mesmas perguntas que a repórter enxerida. Sam se aproxima do policial de terno e com um distintivo do FBI.
– Agente Smith. Tenho algumas perguntas — Essa foi a nossa brecha para sairmos logo daqui. Ainda escuto Sam dizendo -... Houve outros casos parecidos em Transilvania e Illinois, podemos descartar a senhorita Taylor como suspeita...
Voltamos ao carro esperando a volta de Sam. Ele chega e retornamos a casa do Bobby.
– Não conseguimos pegar minhas coisas. -reclamo eu.
– Pelo menos limpamos sua barra, parecia que você era a suspeita número um. — disse Sam.
Descemos do Impala. A porta da casa está semi aberta. Isso me dá um aperto no coração. Escuto barulho de batidas. Dean pega a faca que mata demônios e entra rapidamente para ajudar Bobby. Sam me da uma garrafinha de água benta e diz:
– Fique perto de mim.
Ele entra e eu entro também. Há vários demônios. Bobby e Dean estão praticamente se acabando os matando. Assim que dou alguns passos, todas essas coisas param de lutar e ficam me encarando e vêem em minha direção. Apavorada e sentindo tontura pego na mão de Sam, e ele segura forte. Tive uma rápida visão praticamente da vida toda dele, dos fatos mais importantes que já o aconteceu. Nesse mesmo segundo ele me olha estranhamente como se ele tivesse tido alguma visão também.
Dean e Bobby aproveitam que alguns demônios estão vulneráveis e os matam. Mas muitos outros ainda estão se aproximando.
Fecho meus olhos, na esperança de ser apenas um pesadelo. Agora os abro e estou no quarto que me arrumaram na casa do Bobby. Então era só um pesadelo? Vou descer e conferir se todos estão aqui ainda. Me levanto, estou com uma tontura intensa, onde está a escada? Achei. Há algo escorrendo dos meus olhos. Seja lágrimas, seja lágrimas! Merda! É sangue. Estou descendo, meio cambaleando. Avisto Sam e Dean, que logo interrompem sua conversa para ficarem me olhando. Avisto nas paredes marcas pretas como carvão em formato de homens.
–Mas... mas o que aconteceu aqui? — Está tudo tão confuso. Quase caio dos últimos degraus da escada, Sam me segura e me ajuda a ir até o sofá.
–Você não se lembra? -pergunta Dean parecendo confuso também.
–Poderiam me contar o que aconteceu?
Dean e Sam se entreolham e sentam ao meu lado.
–Você começou a levitar e seus olhos estavam com um brilho branco, estendeu suas mãos e todos os demônios foram mandados ao inferno, igual como fazemos com as bombas feitas para eles. -explicou Dean ansiosamente levantando do sofá — Foi incrív... quero dizer foi sinistro.
– E o que houve depois?
–Você apagou. -disse Sam- E como você está?- perguntou ele olhando em meus olhos e para minha boca. Isso é muito constrangedor, mas eu não consigo evitar de o olhar também.
–Já tive dias melhores. — ele continuou me olhando.
–Detesto atrapalhar o romance, mas parece que tem um caso dos nossos em Ohio.- disse Dean mexendo no notebook.
Dean sempre deixando algo que é naturalmente vergonhoso mais vergonhoso ainda.
–Que tipo de caso? -pergunta Sam.
–Parece que o coração de um tal de James Adams explodiu. -responde Dean colocando o seu casaco- você vai ficar aqui com Bobby.- disse ele apontando para mim.
–Sem chance. Eu quero ir junto, eu posso ajudar vocês. -disse tentando me defender.
–Mas se alguma coisa acontecer e te capturarem? — perguntou Sam.
–Eu sei me virar.
–Não sei não — disse Dean angustiado. -Melhor não, você é a nossa responsabilidade e não permitiremos que nada a aconteça.
Que merda!!! Eu quero os ajudar, sinto que tenho um tipo de dívida com eles, pois eles me acolheram e me salvaram. Se não fosse por eles, nem sei aonde estaria ou o que eu seria agora.
–E quem vai me impedir? — digo eu irrita me aproximando de Dean, que o deixa sem palavras.
Sam me puxa pelo braço e me prende no mastro da lareira com algemas.
DROGA!!! Nada me deixa mais irritada do ser contrariada, sei que isso é uma atitude uma garota mimada, mas foda-se.
–Hasta la vista, babe. -diz Dean tentando ser engraçado. Só tentando, porque não tem
Disseram para o Bobby não me soltar e saíram pela porta. Tento puxar minhas algemas para soltar, mas é inútil. Quanto mais penso que eles não me deixam os ajudar mais nervosa eu fico, mais vontade de bater neles eu fico.
–Bobby por favor me solta.
–Garota eu não queria fazer isso com você, mas é para seu próprio bem. Só te soltarei daqui umas 5 horas.
Passa-se mais ou menos 3 horas. Bobby está distraído nos livros e bebendo.
Estou sentindo aquela mesma tontura que eu senti na hora que me levantei da cama, preciso aprender como controlar isso. Fecho meus olhos. Acho que sei o que está acontecendo. Posso usar meus poderes, me concentro, penso em Ohio, penso na cena do crime de, como que é nome daquele cara do coração explodido? É...é... James Adams, isso James. Penso, imagino que estou lá. Agora vou abrir meus olhos.
ISSO!!! Consegui! Droga que merda de dor de cabeça. Consigo avistar uma casa com duas viaturas policiais, muitas pessoas e a imprensa. Vou me aproximando e vejo o Impala de Dean. Esses filhos da... acham que eu sou otária.
Estou tentando os localizar no meio de tanta gente. Achei. Eles estão perto de uma das viaturas conversando com o policial. Me aproximo, não muito, numa distância que possam me ver. Deu certo. Aceno e parecem pedir licença ao policial e vem em minha direção.
–Oi rapazes.
–Como você chegou aqui? -pergunta Sam confuso.
–Mesmo que Bobby te soltasse não teria como você ter chego tão rapid...- diz Dean-Droga! Você usou ...
–Meus poderes seus tolinhos. O que conseguiram?
– A mulher de James infartou a menos de uma semana, e ele ficou com o seguro de vida dela e de repente o coração dele explode. -responde Sam me empurrando até o carro.
– Eu e Sam vamos consultar o corretor do seguro da família, parece que James iria ficar com o seguro da mulher. -disse Dean- e você vai ficar no carro esperando.
Concordo com a cabeça. Enquanto eles vão ao escritório de seguros fico aqui entediada no carro. Acho que James matou a mulher, mas como ele fez para parecer um infarto? Vou pesquisar na internet, já que o notebook deles está aqui. Encontrei algo, é tipo de uma poção de magia negra, que mata a pessoa da maneira que você quer, mas tem um detalhe aprisiona o espírito e faz ele se vingar de todos aqueles que o fizeram mal.
Sam e Dean voltam. E conto o que encontrei. Fomos ao hotel que eles tinham alugado pegar as coisas deles e agora estamos a caminho do cemitério para queimar o corpo da falecida.
Já anoiteceu, e nós chegamos. Os rapazes pegam suas pás, sal grosso, querosene e o isqueiro, eu pego a lanterna e uma barra de ferro para dar cobertura a eles.
Achamos o tumulo dela, e Dean e Sam começam a cavar. Estou sentindo calafrios. Acho que o espírito dela está por perto, posso sentir. A meio dos barulhos de terra sendo escavada escuto uma voz:
–Malditos!
Os Winchester parecem escutar também e param o serviço por um minuto.
–Rápido, terminem logo, quero sair daqui. -suplico a eles.
De repente, a mulher aparece atrás de Sam. Eu a acerto com a barra antes de ela o encostar. Quando me viro ela está bem na minha frente e ela me empurra fortemente para perto da mata que fica ao lado desse cemitério. Me levanto, acho que estou muito fraca, não consigo usar meus poderes, deve ter sido o tele transporte. Corro para perto dos rapazes, ela está prestes a atacá-los.
–Venha me enfrentar sua velha!!! -tento chamar atenção dela, com sucesso. Ela se vira e vem em minha direção. Sinto a mão dela entrando no meu peito, consigo escutar as batidas disparadas do meu coração, ela vai arrancá-lo. Avisto Sam, com os olhos cheios d'água largando a pá. Não sei como, mas consigo gritar:
–Não parem, eu estou bem! Terminem rápido.
Meus olhos estão pesados, não quero fecha-los, mas não posso controlar isso.
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