Blessing or Curse?
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Notas iniciais
POV JEN
Eu odeio ver o Sam desse jeito. Desde aquele dia, o dia que aconteceu aquela coisa, eu não gosto de mencionar isso, o dia que Crowley maldito me enfiou aquela faca e me matou, (ele ainda me paga por isso, quando eu o encontrar o farei picadinho) Sam mal come, mal dorme e fica o tempo inteiro aqui, no seu quarto, não sai dessa casa. Ele não vive mais, parece um tanto obcecado. Ele chora umas duas ou três vezes por dia e passa o tempo inteiro avoado. Eu daria tudo para ter o antigo Sam de volta, aquele Sam sorridente, que viva zoando seu irmão e tentando fazer de tudo para que nada desse errado.
O dia em que eles colocaram meu corpo na terra, foram para a casa do Bobby, e Sam bebeu uma garrafa inteira de Whisky. Por que ele fez isso? Não percebe que isso só torna as coisas piores? Ele subiu e tomou banho, ficou um tempão lá se acabando em lágrimas. Eu não sei como consegui aguentar ver ele daquele jeito. Eu me sentei de seu lado e tentei fazê-lo sentir melhor mas não adiantou, se nem consigo tocá-lo. A água caindo em mim mas passando através do meu "corpo", melhor dizendo, da minha matéria. Isso é tão deprimente! Saber que você está morta, e que não consegue ir a lugar algum e ficar vendo quem você mais ama sofrendo por causa disso, nem todas aquelas facadas que levei doeram tanto quanto ver o Sam assim.
Andei observando a Dean também. Ele continuou vivendo, mas eu percebi que ele diminuiu a quantia de suas cervejas, nem foi a bares e nem flertou com ninguém. Isso é muito sinistro. Além de ele chorar vendo novelas mexicanas. Credo! Acho que esse é o jeito dele sofrer.
Eu não sei como, mas eu consegui entrar na cabeça do Sam, entrar em seu sonho. Quando fiz isso minha energia ficou quase toda gasta, estou muito fraca. Pelo menos eu conseguir falar a ele para parar de fazer isso consigo mesmo. Só espero que ele siga e não seja teimoso, uma coisa que eu duvido.
Durante esse semana inteira Cas não apareceu. Os rapazes chamaram, eu tentei chamar, mas foi inútil. O que será que deve ter acontecido? Isso me deixa muito abismada. Será que ele tá bem? será que ele ta´com problemas? Que droga Cas! Por que não aparece só um pouco, só para dizer que tá tudo bem.
Mais esse dia se passou, já é noite. Desde que Sam acordou ele não chorou, não ficou daquele jeito, todo pra baixo. Será que é um bom sinal? Se bem que a expressão de seu perfeito rosto não está de indiferente e muito menos de felicidade, na verdade sua expressão está séria e fechada. O que me deixa muito intrigada, pelo que conheço ele, deve estar planejando algo.
Ele se veste como se fosse sair, pega algumas coisas na gaveta do criado mudo e sorrateiramente passa pelo pequeno corredor e desce silenciosamente as escadas. Observa Bobby e Dean, no que parece checando se estão dormindo. E eles estão. Bobby como sempre entre livros e bebida, "desmaiado". Quando Bobby disse aquela coisa para o Sam, para não começar a beber no sentido para não virar um alcoólatra como ele, isso me tocou. Fiquei pensando quão ruim é passar o resto da vida sozinho, tentando superar a perda de alguém que amou. E imaginei Sam em seu lugar, não que eu não admira Bobby e que ele não seja uma boa pessoa e tudo mais, não é nada disso, mas é que eu só não queria que Sam passasse pelo o que o coitado passou. Jen esses pensamentos de novo? PARA!
Quanto a Dean, ele está cochilando sentado no sofá segurando o controle e na televisão passando mais novela mexicana, ele deve ter se viciado nessas porcarias.
Samuel Campbell Winchester? O que o senhor vai aprontar?
Ele pega a chave do Impala em cima da mesinha do que tem vários aparelhos telefônicos em cima e também próximo dessa mesinha, na parede tem mais aparelhos com etiquetas, numa delas "FBI" e na outra que pude ler "Agencia ambiental".
Sam coloca a faca da Ruby no bolso do lado de dentro de sua jaqueta em seguida entra no carro. Dirige muitas quadras, quando para ele pega uma pequena caixa e coloca umas coisas dentro, não consigo ver o que é. Miro sua face e escorre uma lágrima de um de seus olhos. Sai do carro, faz um pequeno buraco na estrada e enterra a caixinha. Seja lá o que ele esteja fazendo eu não estou gostando nadinha. Percebo que as estradas se entrelaçam. Uma encruzilhada. Droga Sam! O que você ta fazendo?
–Ora ora, Sam Winchester... -diz uma voz feminina. Sam se vira e eu também. Vejo uma bela moça, com um vestido todo preto. Cabelos bem escuros e lisos, lábios delicados e finos, seus olhos castanhos esverdeados por um segundo se tornam negros como a de um demônio. Bosta! Mata ela Sam! Está esperando o que? -O que posso fazer por alguém como você?
–Traga a Jennifer de volta! -ele responde com tom mandão. Não! Espera um minuto! Ele esta fazendo um pacto? Não não Jen, ele ta fazendo a dança da garrafa. Claro que ele tá fazendo um pacto sua otária.
–SAM NÃO FAZ ISSO SEU IDIOTA!–berro, mas para variar não me escuta.
–Com as condições que ela se encontra, vai ser meio difícil querido...
–Dá pra traze-la ou não?
–Claro...-ela dá uma volta em torno dele. Não sei por que, mas tenho a sensação que ela está blefando. -Só vai custar mais caro.
–Quanto?
–Você vai poder ter mais 1 mês de vida.
–2 meses! -ele diz com sua voz um pouco fraquejada e seus olhos estão brilhando.
–Só 1 mês! É pegar ou largar...
–Não Sam, por favor...-digo tentando tocar sua mão, mas eu não consigo. -não faça isso, por favor!
–T-tudo bem...
Eles se aproximam, para o que eu suponho selar o pacto, eles estão prestes a se beijarem. Eu não posso deixar que ele jogue fora a sua vida, muito menos por mim. Não posso permitir que ele faça isso, eu não suportaria viver minha vida sabendo do que ele fez. Quando seus lábios estão há um centímetro de se tocarem, eu me coloco entre os dois e tento empurrar a demônia. Sei que desde que morri não consegui tocar em nada, mas eu tenho que tentar impedir, afinal eu já consegui quebrar um vidro e entrar no sonho do Sam.
Se eu não conseguir eu nunca vou me perdoar. Eu tenho que conseguir! Me concentro, um aperto toma conta do meu peito, começo a pensar no Sam, em seus belos olhos, o jeito que ele olha para mim, naquele seu sorriso encantador, a sua voz adorável, de quando ele fala sorrindo, ai é tão maravilhoso! Penso também no calor de seus braços, no quanto ele me deixa bem, o quanto ele me deixa feliz, o quanto ele me fez lutar para eu não me tornar o que tanto temia, ele é a melhor pessoa que eu conheço, tão doce, tão generoso. Um grito me faz reabrir os olhos, a demônia deu um grito de dor. A miro e vejo que ela esta caída perto do Impala.
–Jen?!? -diz Sam assustado.
–Você ta me vendo? -pergunto impressionada. Ele concorda com a cabeça enquanto seus olhos escorrem lágrimas. Eu o abraço e sinto ele retribuindo me apertando forte. -Por que você ia fazer isso Sam? Você é burro?
–Eu não consigo mais ficar sem você e....
–Ah... o amor! Como é bonito! -me viro e vejo a demônia se levantando. -Quem diria que hoje é meu dia de sorte hen? A vadiazinha estava se escondendo e agora eu a achei.
–Vai embora sua vagabunda! -digo.
–Ou o que? -ela gargalha e estende a mão e quando vejo estou bem ao lado dela. Sem conseguir me mexer, presa, encurralada. Ah se eu estivesse viva eu acabaria com a raça dela em segundos, e também estou mais fraca mesmo por conta do sonho.
–DESGRAÇADA!–berra Sam, correndo até nós com a faca em punhos. Quando ele estava quase a atingindo, tudo some. Fico no repleto escuro. A imagem de Sam quase atacando a demônia vadia se repete em minha cabeça. O desespero e o arrependimento em seus olhos transbordavam em lágrimas. Eu não consigo entender por que ele tem que sofrer tanto assim? Se eu pudesse eu daria tudo que tenho e daria um jeito de conseguir até mesmo o que não tenho para que Sam nunca precisasse sentir essa dor.
Eu tenho a sensação de se ter passado dias ou até mesmo semanas, e ainda continuo no escuro. Eu não sei realmente quanto tempo se passou. O escuro é uma coisa tão intimidadora, que parece que faz décadas que estou aqui quando na verdade deve ter se passado alguns minutos. Forço meus olhos para abrir, mas eles já estão bem apertos. Desejo gritar, chamar o Sam, mas nada sai da minha boca. Me toma conta a angústia de ficar sozinha, isolada e num lugar desconhecido que ao menos posso ver do que se trata. A solidão, o medo, a tristeza, a saudade, a dor, sofrimento, são pouco para definir o quão mal eu estou me sentindo. E ainda mais a preocupação, como será que meu Sam esta? Sera que ele voltou para a casa de Bobby? Será que ele não está bebendo? Como será que ele está? Oh céus como eu queria vê-lo e faze-lo se sentir melhor. Será que o sofrimento dele nunca vai ter fim?
Como eu gostaria acabar caindo no sono para que eu parasse com esses pensamentos, ou apenas para sonhar com Sam, para ve-lo somente mais uma vez, mas eu não consigo. Me sinto tão vazia e tão perdida. Depois de mais tempo quase morrendo -de novo- em pensamentos perturbadores e quase enlouquecedores, uma luz se faz a minha frente batendo direto no meu rosto, parece mais uma porta e nela há uma sombra com um semblante de um homem.
–Olá querida! -diz ele. MERDA! CARALHO! Essa voz! Crowley! -Quanto tempo não? Estava farto de saudades suas.
–SEU DESGRAÇADO! MALDITO! EU VOU TE MATAR SEU FILHO DE UMA PUTA!
–Ficar um mês no escuro te deixou agressiva meu bem.
–UM MÊS?
–Pode relaxar, que agora você vai para um lugar melhor. Você merece, afinal nem reclamou nesse período!
–SEU MALDITO!–avanço para cima dele e o acerto um soco em seu olho, que fica inchado e roxo na hora.
–É, tudo bem eu mereci isso... -diz ele passando a mão no olho e em seguida o inchaço e a coloração roxa some. -Mas agora você vai para um outro lugar querida! Você vai adorar... — ele toca no meu braço e num piscar de olhos, apareço numa fila enorme.
Maior que qualquer outra que já vi antes em toda minha vida. Ao meu redor vejo que estou num comprido corredor, que nem consigo ver seu fim. As paredes parecem com aqueles castelos antigos dos tempos medievais, com tochas nas paredes. Sinto um calor tão insuportável que parece que vou evaporar. Além disso, esse lugar é muito barulhento, diversas vozes de gemidos, reclamações, gritos se misturam formando um grande e perturbador zunido.
–CROWLEY SEU DESGRAÇADO VOLTA AQUI!–começo a berrar. –VOCÊ AINDA NÃO SENTIU O QUE MERECE!
Continuo berrando, começando a entrar em desespero, ninguém parece se importar com isso. As pessoas a minha frente continuam paradas organizadas na fila e o máximo que elas fazem é ficar tentando olhar para o final disso e ficarem reclamando. Olho para trás, e que no antes eu era a última, agora devo estar no meio, por que já apareceram muitas outras pessoas. Suas expressões amendrontadas e exaustas. Que porra de lugar é esse? Onde eu estou? E pra onde leva essa droga de fila?
Passa um bom tempo, e para variar não sei quanto. Sei que já estou quase no começo da fila. Finalmente vou saber o que tem lá.
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