Blessing or Curse?
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P O V JEN
Quando eu chego no inicio da maldita fila não vejo nada. Não tem nada, literalmente. Um lugar branco sem absolutamente nada. Eu não acredito, fiquei tanto tempo esperando aqui pra isso? E por que fiquei naquela fila? Eu deveria ter simplesmente saído.
Pisco os olhos e apareço no fim da fila. Não! Não pode ser! Aqui de novo! Que castigo é esse? Eu odeio esperar.
Sinto alguém se aproximando atrás de mim, me viro e vejo um homem. Ele não é como as pessoas da fila, ele não parece acabado e ainda tem um ar muito superior. Cabelos castanhos quase loiros, um pouco mais alto do que eu, um sorriso assustador no rosto e seus olhos castanhos que rapidamente trocam para negros, outro demônio. Legal, ótimo, tudo que eu precisava agora. Ele pega meu braço violentamente e me puxa para fora da fila.
–Emocionante! -digo ironicamente. -O que um ser repugnante quer?
–Chefia me mandou vir te buscar para sua próxima fase.
–Crowley né? -reviro os olhos. -Fase de que? Que porra de lugar é esse aqui? -digo irritada e soltando meu braço de suas mãos nojentas.
–Não sabe lindinha? Seu lar natural. O inferno!
–I-inferno? -estremeço. Não creio que vim parar aqui. Crowley é um desgraçado. O que ele ganha comigo aqui? Além de me ver sofrer, de ver o meu Sam e Dean sofrer. É, pode ser que isso seja o suficiente para ele.
Ele pega no meu braço de novo e quando pisco os olhos outra vez, apareço num outro corredor, dessa vez não tinha ninguém formando fila. Tem portas de ferro, como aquelas cadeias antigas, cadeias para loucos. Conforme o demônio ia me puxando, nas grades da minima abertura de cada porta, sou examinada atenciosamente, pelo que julgo ser pessoas.
Quase no fim do corredor, alguém vem até a grade e fica me fitando com um sorriso de canto. Eu o reconheço, não é uma pessoa, é um demônio. Evan! Numa aparência muito pior do que costuma ser, mas é ele sim.
–Oi amorzinho! -ele diz debochando. -Finalmente um companhia para atormentar...
Eu o encaro com a cara fechada até ser jogada pela delicadeza em forma de demônio na última "sela" do corredor.
–Divirta-se! -diz o demônio rindo, em seguida ele fecha a porta de ferro. Me levanto rapidamente e vou até a grade. O vejo andando pelo corredor gargalhando até sumir.
Examino o lugar. Uma pequena, melhor dizendo, uma micro sala vazia, escura e suja, cheira a dor e umidade. Me sento em um canto e meus pensamentos retornam. Eu precisava saber urgentemente como Sam está. Só de pensar que ele pode estar pior do que antes, começo a chorar de tanta angustia.
Se tivesse uma maneira de sair daqui. Me levanto, vou até a porta de ferro de novo e a empurro, a forço, a chuto para que abra, mas é completamente inútil.
–Ah Jennifer...-escuto a voz de Evan. -não seja patética, não tem como fugir, sua alma vai apodrecer aqui.
–CALA A BOCA MALDITO!
Volto a me sentar no chão. Fecho os olhos e me concentro, do mesmo jeito que eu fazia há algum tempo atrás quando eu queria me locomover. Como aquela vez que o Sam me algemou na casa do Bobby e eu consegui me transportar para onde eles estavam. Ai que saudades! Abro os olhos e ainda estou no mesmo lugar nojento.
Fico observando a porta a espera que um demônio a abra para que eu o empurre e corra até achar a saída, mas durante muito tempo nada acontece, acabo caindo no sono (o que é estranho, não sabia que espirito dormia). Com um estrondo acordo assustada. A porta foi aberta. Miro a figura curiosamente, não acreditando no que estou vendo. Lágrimas escorrem e minhas pernas tremem. É o Sam! Corro até ele e o abraço.
–Como chegou até a-aqui? -pergunto embargando minha voz, enquanto o solto e olho sua face.
–Foi moleza. -ele responde e seus olhos se tornam completamente negros. Outro desgraçado! Chorando o empurro longe e ele gargalha fechando a porta com apenas um gesto de estender a mão, antes que eu pudesse passar por ela e fugir.
Escuto Evan rindo.
–Eu já disse pra você calar a boca seu filho da puta!
–Desde que você me fez voltar pra esse lugar eu não me divertia assim!
–Vai se ferrar!
Ele ri mais. Desgraçado! Quando silencia vou até a abertura e vejo a porta de Evan sendo aberta por um outro demônio que diz:
–Hora da festinha diária! -ele puxa Evan, que está com uma expressão de ódio. Em seguida o demônio me mira. -Não se preocupe! Vai ter para você também!
Ele se vira e continua levando Evan até sumirem.
Merda! Não quero nem imaginar que festinha que me espera aqui no inferno. Eu já estou sentindo tanta dor emocional, não seria necessário outra coisa.
Se passa mais tempo, nunca vou saber o quanto, mas sei que fiquei me torturando psicologicamente com pensamentos tristes, até escutar barulho de passos. Olhando pela grade vejo aquele mesmo demônio jogando Evan em sua "sela". Ele parece muito mais acabado do que antes, todo ensaguentado, seus olhos mal se abriam e nem conseguia se mexer. Eu não consigo entender o por que eles mantem esse merdinha do Evan aqui e ainda o torturando. Será que ele tem informações?
A porta se abre e o demônio me puxa.
–Sua vez gracinha!
Pisco os olhos e começo a sentir uma dor horrível nos pulsos e nos tornozelos, olho e vejo que estou presa na parede com correntes com símbolos estranhos enfiadas através da minha pele. Olho para frente e vejo Crowley com um avental e mexendo com o que parece ferramentas sobre uma mesa.
–Ta gostando daqui querida? O inferno não é tão ruim como dizem não é? -diz ele com deboche.-É que eu sou mais bonzinho.
–Quando eu sair daqui eu vou acabar com você!
–Se eu fosse você não contava com isso...-ele continua enquanto pega uma serrinha parecida com aquelas de dentista. -Daqui a algum tempo tudo vai mudar.
–Do que você ta falando seu sujo?
–Essas suas perguntinhas idiotas me cansam. -ele rola os olhos e se aproxima de mim com a serrinha. -Eclipse. Ritual. Essas palavras refrescam sua memória?
–Se eu fosse você...-imito sua voz. -bolava outro plano, por que esse ritual não funcionou.
–Até eu que não possuo virtudes estou tendo paciência. -responde alterando o tom de voz. -Fique calma minha cara, é um processo mais lento.
Antes que eu pudesse questiona-lo, ele passa a serra na minha barriga. Berro e grito de dor. Não achei que espíritos pudessem sentir dores físicas, mas como ele é o reizinho daqui eu creio que pode fazer o que quiser. Assim que ele termina de me "serrar", pega uma faca com um lâmina bem fina e começa lentamente a tirar a minha pele. Eu grito até quase não ter mais voz. Ele fica rindo.
–Isso só é uma amostrinha do que esta por vir.
–Por que ... -forço o que restou da voz. -você ta fazendo isso comigo?
–Não fique chateada amor, não é nada pessoal. Isso só é para você nunca se esquecer quem é o rei.
Ele estrala os dedos e apareço naquele corredor das selas. Caio de joelhos no chão de tanta dor, alguém puxa meu braço sem pele me fazendo berrar e me levantar. Aquele demônio que me trouxe anteriormente para cá. Ele me leva até a sela e me joga.
Me arrasto até um canto e começo a chorar, entre suspiros chamo Castiel, mas sem resposta alguma. Quando desisto percebo que minha pele já estava reconstituída e o ferimento da barriga já havia sumido. Isso deve ser parte das torturas de Crowley, hoje ele faz isso e amanhã ele pode fazer tudo de novo.
Fecho os olhos e os forço para mante-los assim, na esperança de quando abri-los tudo isso ser só um pesadelo. Quando eu os abrir quero estar numa cama daqueles quartos de hotel que Dean e Sam alugavam. Quero poder me levantar e ver o meu Sam dormindo como um anjo na cama ao lado e o Dean do outro. Quero poder acorda-los e depois nós irmos numa lanchonete. Quero chamar o Cas e confirmar que tudo está bem. Quero poder acordar e ver que tudo não passou apenas do meu pior pesadelo.
Tomo coragem, respiro fundo e finalmente abro os olhos. E nada! Tudo isso é real. Só de pensar que vou passar tudo que já passei hoje todos os dias, até quando Crowley decidir que não tem graça, minha cabeça gira de agonia.
Não sei se vou aguentar. Será que é possível uma alma enlouquecer? Porque se for, creio que isso que vai acontecer comigo.
Nessa escuridão silenciosa e perturbadora, sinto uma presença. Forço a vista a procura de quem poderia ser. Me levanto e me aproximo até quase a porta, onde está a figura, que está de costas para mim parecendo olhar pela grade. Por favor seja uma ilusão! Por favor! Calafrios percorrem meu corpo inteiro, meus olhos se enchem de lágrimas. Estendo um de meus braços e toco seu ombro.
Instantaneamente a figura se vira com um largo sorriso.
–Princesa! -ele diz. -Quanto tempo não? Saudades? Diz que sim por favor. -recuo rapidamente até minhas mãos sentirem a fria e úmida parede. Isso tinha que ser uma ilusão, mas estava mais real do que nunca. Eu não consigo acreditar que Lúcifer está diante a mim. -Isso é jeito de tratar seu pai? -ele estende seus braços e eu sou arrastada até ele, que me abraça. Seu calor é de tamanho ódio que me sinto queimar. Parece que estou entre altas chamas de fogo, berro de dor. Quando ele me solta consigo soprar algumas palavras.
–C-como que você pode estar aqui? Você não pode ser real!
–Querida nós já conversamos sobre isso! Eu posso ficar na sua mente o quanto eu quiser e agora que você está mais pertinho de mim, está mais fácil...
–SAIA DAQUI AGORA!–grito e escuto o eco da minha voz.
–Alguém já ta pirando! -ecoa a voz de Evan, em seguida suas gargalhadas.
–Olá Evan! -diz Lúcifer, mas ele não responde. Claro! Ele só ta na minha mente. -Ah filhota não seja ranzinza, nós vamos nos divertir muito. Você nunca vai ficar entediada! -eu o ignoro e me sento num canto. -Fazendo o mesmo joguinho do nosso Sammy, não é? -Ele se senta ao meu lado e puxa violentamente um dos meus braços, e começa a fazer cortes na minha pele fazendo desenhos. -Olha que eu fiz! Um cachorrinho. -ele diz rindo enquanto me cortava mais. Eu não consigo reagir, como tomar meu braço ou empurra-lo, só fico chorando. Quando ele termina, começa a cantar sem parar por muito, mas muito tempo mesmo. Eu não aguento mais, até já comecei a arrancar as minhas próprias unhas da carne, que depois de certo tempo e de muita dor voltavam ao normal.
Ele continuou me atormentando até a porta se abrir novamente. Sim, já estava na hora da festinha do Crowley.
–Até mais tarde pimpolha! -ele diz cantarolando.
Como a vez anterior, as correntes enfiadas na minha pele e Crowley com um avental. Eu não falo uma palavra a ele,mas pelo ao contrario ele fica me provocando.
–Você sabia que eu fiz um trato com o emplumadinho? -ele diz, eu o ignoro. -Ah qual é! Vai me ignorar? Tudo bem, eu vou continuar falando mesmo assim. Ele precisa de poder para matar um outro coleguinha do céu que quer mandar em tudo. E então decidimos que hoje a noite vamos abrir o purgatório e vamos dividir o poder das almas.
–Eu não confio em você, não adianta ficar caluniando. -digo.
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