P O V SAM

Quando termino de contar o pesadelo que me parecia tão real, a expressão de Jen fica apavorada e seus olhos brilham se enchendo de lágrimas. Dean também aparecia assustado, sua expressão fica muito séria.
–Nessa Sexta-Feira: As premonições de Sammy! -debocha Dean disfarçando seu estado. -Relaxa Sammy, é só um pesadelo. Você só deve estar preocupado. -ele se espreguiça e levanta indo ao banheiro.
–É Sam. -Jen diz acariciando meus cabelos. -Não deve ser nada, só preocupação.
–É... vocês devem estar certos. -digo um pouco inseguro.
–O que vocês fazem quando não tem casos para resolver? -pergunta Jen se levantando da minha cama.
–Bem...-diz Dean saindo do banheiro. -costumo a ir a um clube de strippers.
Jen revira os olhos e vai ao banheiro.
–Não tem ligação nenhuma do Bobby. -diz Dean se jogando na cama mexendo em seu celular.
–Vou conferir na internet. -digo indo até a mesa e ligando o notebook, depois de alguns minutos procurando não encontro nada fora do comum. Um tempo livre sem caçar e matar monstros faz bem. -E por incrível que pareça temos um dia de folga!
–Fora clube de strippers...-diz Jen saindo do banheiro, levemente rolando os olhos -Vocês fazem o que?
–Boa pergunta. -sorrio.
–O que você sugere? -questiona Dean.
Ela dá de ombros insinuando que também não sabe.
–Que tal acharmos um lugar para almoçar? -sugestiono.
–Boa ideia Sammy! To morto de fome.
–Você vive com fome Dean. -digo rindo. Ele e Jen riem também.
Uso o banheiro e me arrumo. Logo saímos e rondamos a cidade a procura de um lugar para nos alimentarmos. Não sei se é impressão minha, mas a cidade está estranha. Estaria completamente vazia se não fosse umas pessoas e outras, que conforme passávamos com o Impala nas ruas nos observavam. Jen parece ter essa mesma sensação, o que me conforta um pouco, pois já passou pela minha cabeça de eu estar ficando paranóico.
Finalmente Dean encontra um restaurante muito simpático, não muito longe do hotel. Entramos e os clientes param de comer e as garçonetes param de servir para misteriosamente nos fitar. Eu e Dean nos entreolhamos, com o nosso olhar conhecido para ficarmos alertas. Jen segura forte minha mão, ela parece muito desconfortável.
Sentamos a uma mesa e em seguida uma das garçonetes nos atende. Quando ela vai buscar nossa comida percebo que as pessoas daqui pararam de nos encarar.
Mais uma vez um clima tenso paira entre nós, Dean como sempre puxa assunto para descontrair, e eu o acompanho. Jen não fala nada, de vez em quando da um sorriso. Ela realmente parece incomodada.
–Prontinho docinho. -a garçonete coloca os pratos na nossa mesa, eu a olho e assinto com a cabeça em agradecimento. Dean como nunca perde uma oportunidade de flertar dá uma pescada para a garçonete, que dá um sorriso de canto.
Olho novamente para a Jen e ela está com os cotovelos sobre a mesa segurando sua cabeça parecendo estar sentindo dor.
–Você ta bem Jen? -pergunta Dean tocando seu ombro.
Miro para o balcão onde as garçonetes pegam as refeições e a garçonete que nos serviu e mais alguns clientes estão nos observando com sinistros sorrisos em seus rostos.
–Não comam essa comida...-murmura Jen.
–Por que? Eu to cheio de fome. -reclama Dean.
–Eles são...-ela se esforça para dizer enquanto levanta sua cabeça.
–demônios. -eu completo sua frase.
–Incrível! -diz Dean.- Nossos amiguinhos de olhos pretos estão aqui!
–Ainda não entendo o por que de não nos atacarem...-digo. -Ou tentarem algo, como eles faziam antes.
–Eles estão mantendo uma garota presa na cozinha. -diz Jen com sua voz trêmula.
–O que? -indaga Dean. -Como você sab... -antes que ele pudesse continuar Cas aparece em seu lado.
–Jen não! -escuto a voz do anjo, mas sua boca não abre, parece que ele esta falando na minha mente. -É uma armadilha.
Nos entreolhamos confusos com a situação de Cas falando telepaticamente.
Miro para o balcão e os demônios que estão nos corpos dos clientes e das garçonetes parecem mais alegres ainda com a presença de Castiel.
–Mas a vida daquela garota vai ser sacrificada por mim. -murmura Jen. -Mais uma vida sacrificada por mim!
–Ela está certa Cas, uma vida inocente está em jogo. -sussurro.
–Eles estão esperando qualquer movimento de vocês para atacarem. -responde telepaticamente Cas. -Vocês preferem arriscar que Crowley consiga ter Jen a sacrificar uma única vida?
–Me dêem cobertura. — diz Jen se levantando da mesa. Eu e Dean nos levantamos rapidamente.
Cas aparece na frente dela e ficam se entreolhando.

P O V JEN

Eu e Cas ficamos nos entreolhando. Agora ele não diz nada, por que antes ele estava se comunicando conosco pela mente.
–Se não for nos ajudar é melhor ir embora. -sussurro. -Não quero que se machuque em vão.
Sinto os olhares dos Winchester. Avanço passando Castiel e alguns demônios que me miravam como se eu fosse algum tipo de alimento. Adentro o balcão e avisto lá perto das mesas alguns dos demônios os atacando. Eles se defendem entre socos e chutes eles jogam água benta e faz alguns exorcismos. Os outros demônios continuam me observando e a Cas também, que vinha logo atrás de mim.
Chegando a porta escancarada da cozinha vemos uma garota desmaiada muito ferida presa com muitas cordas numa cadeira, do jeito que vi alguns minutos atrás, quando estava sentada na mesa com os rapazes.
Adentramos a cozinha e corri até ela para soltá-la. Cas se ajoelha e coloca a mão na testa dela, a curando. De repente escutamos um grave som de porta se batendo. Assustados nos viramos e vemos que há 4 demônios parados nos olhando. Foram eles que nos fecharam. Gargalham.
–Pegamos uma arma e de brinde um anjinho. -diz um deles. Eu escutei direito? Ele me chamou do que? De arma? Eu mereço.
–Cas pega a garota e fuja. -sussurro.
–Eu não posso te deixar aqui. -ele diz "mentalmente"–Uma de minhas responsabilidades e você.
Um dos demônios seguram uma faca, não sei daonde tiro essa ideia, mas pela minha cabeça passa que essa faca seria para matar anjos. Esse demônio se aproxima de Cas e tenta ataca-lo, mas ele se defende e acaba o matando.
Dois demônios se aproximam de mim, eu puxo a garota para atrás de mim. O terceiro vai pra cima de Cas. Um deles eu consigo jogar na parede e surpreendentemente o mato fazendo seu peito se abrir, exatamente como no pesadelo de Sam. Droga! Desde que ele me contou isso eu não consigo tirar da minha cabeça. E perceber que pode não ser apenas um sonho, me deixa mais perturbada.
O outro ainda está perto de mim, ele assistiu todos os meus movimentos e estava sorrindo. Cas ainda está lutando com o terceiro demônio, que agora no caso é o segundo. A garota que está atrás de mim não para de chorar e fica apertando um de meus braços, me deixando mais nervosa.
O demônio continua parado e eu também. Fico tentando imaginar o que ele vai fazer. Me matar? Não acho que esse seja o grande plano de Crowley. E falando no diabo, onde ele está? Claro que aqui ele não está. Covarde.
De repente o demônio arranca uma das mangas da minha roupa e enfia uma agulha em meu braço e tira um tanto de sangue. A garota atrás de mim berra mais ainda. Se eu não tivesse tanta paciência eu daria um tapa nela. O demônio ri e logo some. Cas consegue matar o outro demônio.
Eu e ele nos entreolhamos. Antes que ele pudesse falar algo Sam e Dean arrombam a porta. Eles se aproximam.
–Levem a garota. -digo friamente enquanto saio da cozinha. Demoro um pouco para digerir o que acabou de acontecer.
No chão de perto do balcão e das mesas há vários cadáveres que serviam de cascas para aqueles repugnantes.
Saio para fora do restaurante e vou para perto do Impala. Olho para trás e Dean está vindo em direção do carro também e colocando seu casaco nos ombros da garota. Sam e Cas vem logo atrás conversando sobre algo e em seguida me encaram.
–Eu vou levar ela para sua casa e vocês me esperam aqui limpando a bagunça falou? -diz Dean tirando duas pás e alguns galões de gasolina do porta malas e depois entrou no carro. Assentimos e ele partiu.
–Você fez o certo. -diz o anjo tentando me fazer sentir melhor. Ele deve ter percebido que me sinto mal, eu arrisquei muito por uma pessoa só e no fim eles conseguiriam o que queriam. Mas eu não podia deixar que mais um inocente morresse por minha causa.
–Eu não sei...-tento dizer sem tremer a voz, mas falhei. Droga!
–Você não parece bem. -diz Sam tirando o cabelo do meu rosto. Está tão óbvio assim o quão mal me sinto?
–Eu to bem Sam... -forço um sorriso e selo seus lábios macios -obrigada.
–Então é melhor começarmos a limpar...-diz ele conformado. E agora ele olha para trás e depois para os lados. -cadê o Castiel?
–Anjo folgado! Deve ter se mandado. -reviro os olhos e Sam sorri.
Como era de se esperar a bagunça ficou inteira para nós. Sam pega uma das pás e vai para trás do restaurante cavar. Eu me abrigo a arrastar os corpos e limpar a sangueira. Ah se eu pudesse controlar meus poderes para me ajudar numa hora dessas. Sorte que Dean chegou um tempinho depois para acabarmos logo com isso.
Anoitecendo finalmente podemos voltar ao nosso quarto. O que era para ser um dia de folga, virou mais um dia de trabalho. Depois dessa, decidimos que quando houver outro dia como esse não iremos sair do quarto.
Como não comemos o dia inteiro e queríamos evitar restaurantes, pedi a Dean para ir ao mercadinho do outro lado da rua para comprar ingredientes para comida caseira mesmo. E adivinha quem iria ter que fazer? Isso mesmo. Eu. Ainda bem que minha mãe me ensinou a cozinhar.
–Vai demorar muito o rango mamãe? -pergunta Dean debochando.
Meus olhos rolam e logo os sirvo. Enfim começamos a jantar, e Dean esfomeado que é, repete duas vezes. Os olhando comendo e com suas expressões felizes algo ruim passa em meu coração. Sinto um aperto como se fosse a última vez que os veria, como se fosse nosso último momento juntos. Eu estou tão melosa. Credo! Uma lágrima cai em meu rosto. Ainda bem que os rapazes estão muito bem entretidos se deliciando com a comida, e não viram a minha ceninha ridícula. Eu acho que me embolaria inteira para contar o motivo dessa lágrima e acabaria desabando em mais delas.
Quando terminamos, um Dean entediado corre para o notebook, aposto que foi ver seus desenhos pornô. Sam senta em sua cama e liga a televisão, sua mente parece distante.
–Se importa? -pergunto para me sentar ao seu lado, ele faz que não com a cabeça. Me sento e ele logo me abraça e me dá um beijo na testa. Noto um revirar de olhos de Dean. Sim,ele tem inveja de nós. Mentira. É que nós somos melosos. É eu sei. -Pensando em que senhor Sam?
–Em algumas coisas, mas não é nada com que se preocupar.
Olhamos um no olho do outro. Com certeza eu já devo ter mencionado que eles são maravilhosos e os mais belos que já vi. Ele coloca a mão em minha face e me trás para perto de seus divinos lábios, aquecendo o gelo que eu tinha acabado de causar em minhas veias. Nos deitamos na cama, eu coloco sua cabeça em meu peito e acaricio seus cabelos macios e logo ele adormece.

Notas finais
Mais um capítulo pra vcs meus amores :3 Espero que gostem! E por favor não deixem de comentar o que acharam. Muito obrigada