Eu não consigo falar, abro minha boca mas não sai uma palavra. É o pavor me consumindo. Estou aqui, parada em pé, com minhas pernas bambas, sem reação alguma, nem agradecer consigo.

– Vamos, aqui não é seguro. — Disse Castiel tocando em meu ombro.

Em um piscar de olhos apareço numa casa. Tenho duas hipóteses para esse acontecimento: devo estar chapada, e to numa viajem muito, mas muito louca; ou isso é um dos meus pesadelos. Mas tudo isso está parecendo real. — Onde estou? Quem são vocês? Como que me salvaram? Por que? -Começei a perguntar sem uma trava na língua, eu ainda estou apavorada.

– De nada — Disse o homem de cabelos claros.

– Me desculpem, até parece que não tenho modos. Obrigada por terem me salvado. — Disse eu muito envergonhada, não sei porque não agradeci antes. Que droga!

– Meu nome é Sam Winchester, e esse é o meu irmão Dean, e aquele é o Bobby e Castiel. — Disse o rapaz de cabelos castanho gentilmente com um belo sorriso.

Winchester??? Já ouvi falar. Mas como? Deve ter sido num desses meus pesadelos, ou de algum outro jeito. Estou confusa.

– Segundo Castiel, você é um tem um tipo de dom, que tem sonhos com coisas que ainda vão acontecer. — disse Dean

– Os demonios vão te caçar sem descanço, -disse Castiel — para te usarem com ou sem seu pressentimento.

Não pode ser. Num instante tudo era um pesadelo, e em outro é tudo vida real. Até hoje a tarde eu estava pensando que essas horas eu estaria a caminho do meu maior sonho, mas estou encurralada, sou literalmente um valioso pedaço de carne que irá ser perseguido pelo resto de minha vida.

Sentando em uma poltrona mais próxima, com os olhos cheios de lágrimas e trêmula, pergunto:

– E agora? O que eu faço? Vou fugir para onde?

– Infelizmente não tem para onde fugir -disse Bobby engulindo direto do gargalo um generoso gole de whisky — você vai ter que ficar á nossa proteção.

Todos ficaram calados.

Sam subindo as escadas, quebrou o estranho e constrangedor silêncio dizendo:

– Vou arrumar um lugar para ela dormir.

Eles fizeram o gesto com a cabeça concordando. Até Sam voltar ninguém disse se quer uma palavra.

– Tudo pronto. Jennifer -avisou Sam — é o quarto á direita.

– Bem... acho que vou descançar. — Disse eu, queimando de vergonha, devo estar vermelha como um camarão — Me desculpem por tudo, obrigada. — Subi as escadas rapidamente de cabeça baixa,sem dar chances de responderem.

Entrei no quarto, as janelas todas tampadas com jornal e com as beiradas com sal grosso. Deitei na cama. A casa está em silêncio, devem estar esperando eu adormecer. Estou tão exausta, mas não consigo dormir.

Passa-se mais ou menos meia hora, escuto alguém subindo. Finjo que estou em sono profundo. Escuto descendo as escadas. E Sam diz:

– Ela dormiu.

Saí da cama, tentando não fazer barulho, estou muito curiosa para saber o que vão fofocar. Me agacho no topo da escada atrás das colunas que sustentam o corrimão. Dean questiona:

– Castiel, você ainda não nos disse que tipo de dom que ela tem e porque o grande interesse dos demonios de a usarem, ela é uma profeta?

– Ela não é uma profeta. Ela é filha de um anjo caído.

Como que meu pai é um anjo? Eu o vi com a garganta cortada na cama. Pelo que eu entendo -não sei como, só entendo- anjos precisam de uma faca especial para serem mortos.

Todos ficam se entreolhando, e Sam diz:

–O homem que foi morto junto com mãe dela não é o pai biologico, certo? Então, onde está o pai anjo?

– E mais uma coisa,ela é humana ou anjo? -Dean faz outra pergunta.

–Ninguem sabe onde ele está, ninguem consegue localiza-lo. Ela é humana, e morre como uma, por isso temos que protege-la. A exceção é que ela tem alguns poderes como nós anjos -Disse Castiel antes de sumir.

Já ouvi o bastante, melhor eu sair daqui antes que me descubram. Volto ao quarto, queria parar de pensar sobre tudo isso, queria poder fechar os olhos e descançar mas não consigo. É muita informação para digerir de uma só vez. Viro de um lado ao outro na cama, esperando que o dia logo amanheça.

Através dos jornais da janela percebo a luz do dia. Me levanto e desco até a sala, onde Dean está praticamente desmaiado no sofá, Bobby no meio dos livros e Sam acordado no computador.

– Você não dormiu? — perguntei gentilmente.

Ele sorriu e disse:

–Muitas vezes eu não consigo.

Sentei na cadeira a frente dele. — Me desculpe pela grosseria de ontem.

– Tudo bem, nem foi tão rude. Você quer um café?

Fiz que sim com a cabeça. Ele escreveu um bilhetinho e deixou na mesa próxima a Dean. E fomos até o belo Impala. Paramos numa cafeteria. Ele me fez esperar dentro do carro igual uma criança.

Ele foi bem rápido, no máximo 5 minutos ele já voltou com dois cafés. Tomamos os primeiros goles em silencio, até que ele puxa assunto. Ele não falou sobre família, o que é uma coisa boa, pois se começar a falar posso desmoronar em lagrimas. Ele esta falando de situações engraçadas que ele ja passou, o que me faz rir e esquecer que estou bem ferrada.

– Bem, vou comprar torta e bebidas, quer ir junto? -Pergunta ele meio que sem jeito.

– Claro.

Compramos e estamos indo ao carro para retornar a casa do Bobby. Sam coloca as coisas no banco do Impala, avisto um homem se aproximando de nós, seus olhos negros como escuridão. Um demonio.

– CUIDADO SAM!

No mesmo segundo que eu disse isso, o demonio o joga longe, e vem em minha direção. O que eu faço?!? Corro? Quando me viro para correr há outro demônio bem atrás de mim.

– Achou que estava livre vadia?

Estou sentindo algo no meu coração. Estiquei minha mão próximo ao demonio e fechei meus olhos, e logo os abri, ele estava caido no chão. Me viro novamente para localizar Sam. Ele acabou de dar uma facada no outro demônio.

Sam e eu entramos no carro e rapidamemte saimos dali. Ficou um silencio quase até chegar a casa do Bobby.

– Como você fez aquilo? — pergunta Sam abismado.

–Eu não sei... — Agora veio em minha mente Castiel falando que eu sou humana com alguns poderes de anjo. Sam deve ter se lembrado disso também.

Finalmente voltamos. Dean esta assistindo a televisão e Bobby ainda nos livros. Sam solta a torta na frente de Dean que logo fica alegre e diz olhando para mim:

– Você sabe que temos que voltar na sua antiga casa, não sabe?

– Mas para que? — Acho que deu para perceber o pavor através dos meus olhos. Voltar ao local onde foi tirado o meu bem mais precioso em todo o mundo.

–Para comunicar a policia sobre você sabe... seus pais, e pegar suas coisas.

Nos preparamos e voltamos a casa. Estamos nos aproximando. Há uma grande aglomerado de pessoas, uma viatura da policia e a imprensa.

– E agora qual é o plano? -disse eu nervosa.

Notas finais
Por favor me incentivem a continuar ... estou aberta a sugestoes, criticas :3