Bleach: O Surgimento de uma Nova Era - Reboot
1 Prólogo: Saindo da Rotina
Notas iniciais
A luz irradiava vagarosamente a manhã da pequena cidade de Karakura. O Sol ascendia lenta e timidamente por detrás das montanhas ao leste, invadindo as casas, por entre as frestas das janelas e portas, com seus luminosos raios matinais.
As nuvens afastavam-se uma das outras, como se estivessem de despedindo da noite anterior, em que ficaram juntas o tempo todo, não dando sequer chance da Lua e das estrelas se deslumbrarem com seu brilho.
Pássaros voavam aleatoriamente pela grande imensidão azul, pousando ora no telhado das casas, ora no parapeito das janelas, trazendo seus cânticos como um aviso de que já havia amanhecido. Um desses pousara na janela do andar superior de uma casa que continha uma placa ao lado de fora escrita: Clínica Kurosaki.
Incomodado pela claridade que ousava invadir seu quarto, Kurosaki Ichigo revirou-se pela confortável cama de lençóis azul claro, colocando seu travesseiro branco sobre o rosto para bloquear a claridade. Funcionara. Mas não tinha efeito algum contra a alta melodia que parecia infestar o local.
– Maldito pássaro! – resmungou, coçando brutalmente seus olhos com as costas de sua mão direita.
Com o humor prejudicado por ter sido acordado, Ichigo resmungou e bufou enquanto saltou da cama, dirigindo-se ao chuveiro para um banho despertador. Tal ato feito, saiu entre os vidros (antes azuis, agora embaçados) que formavam a porta do boxe, com uma toalha branca enrolada até a cintura, parando em frente ao quadriculado espelho e retirando com o braço o embaço causado pela alta umidade da água quente. Notou grandes bolsas roxas sob seus olhos, que contrastavam com seu rosto angular, deixando-o com aparência de cansaço (o que contradizia com sua nova rotina: parada, silenciosa e altamente tediosa). Alcançou a torneira com uma das mãos, enquanto matinha a outra apoiada sobre o balcão da pia do banheiro, deixando que uma grande quantidade de água fosse liberada, antes que a pegasse com ambas as mãos e a lançasse de modo nada carinhoso contra o próprio rosto, sentindo o prazer momentâneo da água gelada refrescando a face.
Vestiu-se; um jeans, uma camiseta branca básica amassada e All Star calçado nos pés. Passou a mão entre os cabelos de cor laranja molhados, retirando apenas o excesso de água. Afastando as cortinas brancas, abriu a janela, deixando com que a luz penetrasse de uma vez no ambiente, dando brilho aos seus móveis: uma mesa de escritório bege ao lado da cama, com uma luminária cinza sobre ela e um quadro de mesma cor na parede à frente, uma pequena cômoda que ficava entre o espaço da mesa e a parede, onde estavam guardados seus materiais escolares (que não estava usando devido estar em férias), também bege e finalmente seu guarda-roupas embutido na parede com as portas de mesma cor que os outros objetos; o guarda-roupas que, só de olhar para ele, já jazia as lembranças de um passado quando Rukia era hóspede. Ah, Rukia, shinigamis, Soul Society..., suspirou Ichigo perdido em seus pensamentos. Desde a derrota de Aizen e os Espadas, nunca mais vira ninguém e nem ao menos podia exercer seu trabalho de shinigami substituto, já que outro shinigami já havia sido enviado para a cidade para cuidar dos hollows.
– Ichi-nii! – gritou Yuzu da cozinha, sua irmã mais nova, tirando Ichigo de seu devaneio. – O café já está na mesa.
– ‘Tô descendo! – gritou ele em resposta.
Desceu calmamente as escadas de madeira que davam acesso ao piso inferior, sendo surpreendido ao final delas por uma bizarra figura que parecia estar tentando imitar um dos golpes de Jet Li.
– Ichigo, seu preguiçoso! – gritou seu pai, Kurosaki Isshin, voando em sua direção em uma voadora aérea.
– Lá vamos nós de novo – suspirou Ichigo, abaixando-se e deixando com que o pai passasse por cima dele e atravessasse a janela ao outro lado do cômodo, caindo do lado de fora em meio aos vidros despedaçados.
– E lá se foi mais uma janela – resmungou Karin, sua irmã do meio, sentada à mesa e apoiada sobre os cotovelos com uma expressão de tédio total. – Bom, vamos comer – disse enfim, voltando seu olhar a comida e destacando seu hashi.
Ichigou sentou-se à mesa, puxando o prato mais próximo para perto de si. Ainda podia ouvir Yuzu ao lado de fora da casa dando um sermão em seu pai, mais um sermão.
Karin, percebendo a quietude do irmão, resolveu quebrar a tensão.
– E então, como vão as coisas? – questionou, fazendo com que Ichigo levantasse as sobrancelhas, como se ele não a tivesse percebido até então.
– Tudo normal – respondeu ele, — quero dizer, há tempos que não acontece nada, então dessa vez tudo está realmente normal.
– E Rukia, tem falado com ela? – voltou a questionar, após engolir o arroz que mastigava.
– Não – respondeu ele secamente. – Não tenho visto ninguém ultimamente.
– Bom, espero que ela e os outros estejam bem – relatou Yuzu.
Eu também, pensou Ichigo, enquanto levava mais um pouco de arroz a boca.
O dia passara rápido como um trem bala. O Sol já havia repousado, dando espaço para Lua que assumia seu lugar refletindo o brilho em grande escala. Estrelas entravam em sintonia, brilhando todas, uma mais forte que a outra, em seus devidos pontos, e pequenas e fracas nebulosas podiam ser vistas no vasto céu escuro, criando uma paisagem excepcional para quem parasse para observá-la na Soul Society.
Mas duas pessoas, que andavam aos arredores do grande muro que protegia a cidade, pareciam estar tão apressadas que não haviam notado a beleza sobre eles.
– Vamos Renji – disse a pequena shinigami de cabelos negros como o céu acima e olhos cor de violeta, andando em passos largos.
– Espere Rukia! – gritou Renji, um shinigami de cabelos longos e vermelhos, tentando alcançar a companheira. – Pra que tanta pressa? – questionou ofegante.
– Hoje é a noitada das mulheres, Rangiku convidou todas as tenentes para se reunirem! – revelou com brilho nos olhos, que o companheiro não notou já que ao menos tinha se virado para falar.
– De todas as patrulhas que fizemos, você sempre foi a mais lerda, agora quer dar uma de apressadinha? – resmungou Renji, virando o rosto e notando uma rachadura no muro, mas ignorando-a e seguindo em frente. – E desde quando essas terras andam tão esburacadas? – irritou-se ao quase tropeçar em um pequeno buraco.
– Ora Renji, é só hoje – disse Rukia, ignorando a última pergunta do amigo. – E também, você está me devendo um favor, esqueceu? – disse virando-se ao companheiro, mas ainda continuava a andar de costas. E, ao voltar-se para frente, paralisou repentinamente como uma estátua.
– Eu sei! – resmungou com certa irritação no tom de voz, olhando para baixo para não tropeçar em nenhum buraco. – Você não precisa jogar na minha cara o tempo... – estava dizendo, mas foi interrompido ao bater seu nariz na cabeça de Rukia, que estava de costa. – Ai! Rukia, qual é seu problema? – resmungou, colocando a mão sobre o local da batida que estava vermelho, mas a companheira parecia sequer ter notado no que tinha acontecido, permanecia ali parada, estática.
Renji notando o estranho comportamento de Rukia, aproximou da mesma, colocando a mão sobre seu ombro e tomando a frente.
– O que foi, até pareceu que viu um fantasma – disse, e, ao olhar para frente notou uma poça de sangue e algo que parecia ter forma humana deitada sobre.
Um choque parecia ter percorrido sua espinha naquele exato momento, pois seus olhos se arregalaram e todo seu corpo parecia estar paralisado. Após alguns segundos, finalmente conseguiu se mover e foi em direção ao corpo.
– Renji! – exclamou Rukia despertando e seguindo-o.
Rukia abaixou-se ao lado do companheiro, notando que o corpo era de um rapaz. Os cabelos curtos e vermelhos espalhados sobre a cabeça, como um arco-íris de cor única e sua vestimenta (um shihakushou semelhante ao dos shinigamis, diferenciando-se por ser meio branco – agora tingido de vermelho sangue – e meio preto dividido em uma linha vertical) era tudo que estava visível sob a noite e o sangue naquele local de terra mal iluminado.
Renji pegou cuidadosamente o pulso da vítima, analisando se ainda havia pulsação.
– Ele está...? – questionou Rukia notando a expressão do outro.
– Sim, está morto. – completou Renji, soltando o pulso do rapaz.
Rukia levou as mãos à boca, seu estômago revirava brutalmente, se tivesse comido algo, com certeza teria colocado para fora.
– Rukia, vamos – disse Renji, que já havia levantado e colocara a mão sobre o ombro da companheira. – Temos que reportar ao comandante. – disse com firmeza.
Rukia fez um aceno que sim com a cabeça, como se ainda não estivesse em condições de falar. Levantou-se lentamente e seguiu o companheiro. Mas, após alguns passos, um som incomodou seu ouvido, algo como um barulho de líquidos, como alguém engasgando, virou-se para ver do que se tratava...
– Mas isso é...? – questionou espantada.
Renji virou-se logo em seguida, seguindo o olhar da companheira e notando a estranha cena a sua frente: sangue escorria da boca do rapaz que estava deitado, e tossia engasgado, seu peito parecia mover-se no movimento de inspiração e expiração...
Os olhos de Renji e Rukia arregalaram-se igualmente... ele estava vivo!
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