Notas iniciais
Yoo minna! Cá estou com mais um capítulo. Ia postar mais cedo, mas tava sem net por causa de uns fios na rua. Contudo ela voltou agora no finzinho da tarde o/ Enfim, é isso, chega de enrolação. Espero que gostem do capítulo! Boa leitura!

Guizos vibravam ao vento quando o shinigami de cabelos espetados se mexia. Um hollow ousou pular em sua direção e foi cortado ao meio sem piedade. Outro apenas soltou grunhidos monstruosos e irreconhecíveis, ameaçando avançar a qualquer instante.

– Venham, seus vermes! — gritou Zaraki Zenpachi, apontando sua lâmina de forma ameaçadora aos monstros.

O hollow respondeu a ameaça avançando ferozmente contra o capitão, que com facilidade o eliminou com apenas mais um corte de sua zanpakutou.

– Vamos, cadê a diversão?! — gritou ele aos ventos. — Esses hollows não servem de nada — sussurrou.

– Ken-chan, não acha que devemos avisar os outros esquadrões que estamos sob ataque dos hollows? — questionou Yachiru, surgindo detrás das costas do capitão, com o dedo indicador sobre os lábios numa pose pensativa.

– E ter que dividir toda a diversão? De jeito nenhum! — respondeu ele, sorrindo ferozmente.

– Mas, você não acabou de dizer que isso não tem nenhuma diversão? — questionou Yachiru, sem entender.

– Cadê o Ichigo? Estou doido para ter uma batalha de verdade!

– Mudou de assunto… — sussurrou Yachiru para si, uma gota escorrendo de sua têmpora.

Três hollows aproveitando o momento de distração — por puro instinto -, pularam em cima do capitão, que rapidamente girou, cortando dois com sua lâmina e, ainda sem sequer se mexer, esticou o braço para o lado e agarrou o terceiro pela cabeça.

– Fracos demais — disse ele, friamente, e esmagou a cabeça do monstro com força bruta. — Viu só, isso não tem diversão alguma — disse ele a Yachiru.

– Ken-chan você é tão confuso — disse Yachiru.

Um outro hollow então, surgiu repentinamente pelas costas de Zaraki e enfincou seus grandes dentes em seu ombro.

Sangue começou a escorrer do capitão.

Um pequeno sorriso surgiu em seu lábios, que olhou de soslaio para o hollow que ainda permaneceu o mordendo.

– Vamos brincar um pouco — disse ele, aumentando sua reiatsu em grande escala, fazendo com que o hollow se dissipasse por tamanha pressão.

– O que está acontecendo? — questionou Rukia, seguindo Ichigo e Renji, que saltavam nos telhados das casas usando passos de shunpo.

– O portão norte está sob ataque dos hollows — relatou Renji, seriamente.

– O portão leste? Mas assim, de repente?

– Não temos mais informações ainda, apenas que já há um capitão no local.

– Qual capitão? — questionou Rukia.

Uma enorme pressão tomou conta do ar. Os passos dos shinigamis começaram a ficar mais densos e pesados. Aquilo claramente era uma pequena parte de um grande poder.

– Zaraki! — disse Ichigo sorrindo, mais para si do que para os outros.

– Vamos, isso é tudo que vocês têm!? — gritou Zaraki, enquanto atravessou o crânio de um Hollow com sua lâmina.

Outro hollow pulou a sua esquerda e, mal havia o eliminado, quando virou e girou sua Zanpakutou em movimento decrescente com enorme força, fazendo com que o barulho de duas lâminas se chocando preenchesse o ar.

– Ichigo! — disse Zaraki, sorrindo entredentes.

– Ei! Não sou eu que sou o inimigo aqui — disse Ichigo, defletindo o golpe do capitão.

– Esperei tanto tempo por uma revanche, e vai ser agora que a terei! — retrucou Zaraki, deixando todos os três shinigamis abismados.

Mas, antes que pudesse retirar o seu tapa-olho para uma luta séria, Rukia se pronunciou.

– Capitão Zaraki, não acha que devemos cuidar dos hollows primeiro? Eles provavelmente atrapalhariam sua luta com Ichigo — disse a shinigami, apontando para a enorme quantidade de hollows que pareceu surgir repentinamente.

– Tudo bem — disse ele, voltando-se para os hollows. — Mas só porque não quero interferências na batalha — sorriu, liberando um ruído de empolgação do fundo de sua garganta.

– Obrigado, você salvou minha pele — sussurrou Ichigo para Rukia.

– Não me agradeça ainda — respondeu Rukia, posicionando-se para batalhar.

Ichigo seguiu para a linha de frente, junto a Zaraki. Rukia e Renji ficaram na retaguarda protegendo o portão.

– Está pronto Ichigo? Só vê se não morre antes de acabarmos com isso — provocou Zaraki.

– Você também. — retrucou Ichigo.

A batalha então começou. Quatro shinigamis contra incontáveis hollows.

Zaraki saiu em disparada à um grupo de hollows próximos, dilacerando-os com sua Zanpakutou e esmagando-os com sua mão livre. Ichigo seguiu logo atrás, partindo inimigos ao meio com sua grande espada.

– Vamos Ichigo, você está mole demais! — zombou Zaraki, enquanto partiu para cima de mais hollows que se aproximavam.

– Não enche — resmungou Ichigo, enfiando e percorrendo com sua lâmina todo corpo do hollow semelhante a uma centopéia que estava a sua frente

Shakkahou! – gritou Rukia, liberando uma grande bola de fogo da palma de sua mão, que acertou em cheio dois hollows do enorme grupo que se aproximava do portão — Renji!

– Já sei — respondeu Renji — Hoero, Zabimaru! – invocou sua shikai, atravessando o restante dos hollows do grupo com a flexibilidade de sua espada. Mas, antes que pudessem comemorar, uma quantidade ainda maior de inimigos surgiu instantâneamente.

Horas de batalha se passaram, não importava quantos hollows eles matassem, sempre mais e cada vez mais surgiam de lugar nenhum. Nenhum reforço aparecera no local, o que fez com que os três shinigamis — fora Yachiru que estava sentada sobre uma rocha assistindo a luta e Zaraki que parecia não se cansar nunca — ficarem exaustos.

– Renji, minha reiatsu está no fim — disse Rukia, exaurida, retirando sua zanpakutou, antes enfincada em hollow que estava desaparecendo a seus pés. — Não sei se vou aguentar por muito mais tempo.

– Não podemos desistir — disse Renji, eliminando um que se aproximava da companheira. — Aguenta só mais um pouco — requisitou, suando frio.

Na linha de frente Zaraki pareceu não se esgotar nunca.

– Vamos Ichigo, já está cansado? — zombou, após ter eliminado dezenas de hollows em poucos instantes.

– Nunca — brandou Ichigo, tentando conter a respiração ofegante.

Ao longo do portão uma sombra pareceu brotar do chão, estava acompanhada, e, apenas quando uma nuvem cobriu o forte Sol acima de sua cabeça, que Renji conseguiu reconhecer os grandes chifres.

– Capitão Mayuri!

– Ora, ora — disse Kurotsuchi Mayuri, acompanhado de sua tenente e assistente, Nemu. — Parece que vocês estão tendo problemas por aqui — ironizou.

– O que você está fazendo aqui, Mayuri? — resmungou Zaraki, da linha de frente. — Ninguém precisa da sua ajuda.

– Bom, eu posso ir embora agora se é o que você quiser — respondeu ele. — Mas não estarei aqui para selar o portal quando você estiver sem reiatsu.

– Droga — Zaraki deu-se por vencido. — Vá em frente — e dirigiu-se para a entrada da Seireitei, sendo seguido por Yachiru. — E Ichigo, não pense que vou esquecer que temos uma batalha pendente — disse, sumindo cidade adentro.

– Alguém aqui tem mais alguma reclamação? — disse Mayuri, mas apenas o barulho do vento e dos hollows, que estavam surgindo novamente, pôde ser ouvido. — Foi o que pensei — e tirou um frasco de seu bolso e os estraçalhou em suas mãos, fazendo com que os hollows retornassem imediatamente para onde quer que eles haviam saído. — Nemu, faça.

Sua tenente então se dirigiu para perto de uma das poucas árvores que existiam naquele campo a céu aberto, esticando suas mãos e pronunciando palavras inaudíveis; provavelmente algum tipo de bakudou. E em poucos instantes, os hollows, antes infinitos, pararam de surgir.

– O que foi isso? — questionou Renji, espantado.

– Um portal — relatou Mayuri. — E isso aqui — disse, segurando outro do mesmo pequeno frasco em suas mãos. — É uma espécie de repelente contra hollows.

– Então esse tempo todo os hollows estavam surgindo através de um portal? — questionou Rukia. — Mas não parecia haver nada aqui.

– Não é o mesmo portal que os hollows normalmente usam para atravessar para o mundo dos humanos — Nemu se pronunciou. — Este é um tipo diferente, um portal implantado.

– Um portal implantado? — foi a vez de Ichigo falar.

– Sim, e não só aqui, como nos portões Norte, Sul e Oeste.

– Um portal implantado em todos os portões da Seireitei?! — espantou-se Rukia. — Então é por isso que não houve reforços nesse lado, provavelmente estavam cuidando das entradas principais… — sussurrou.

Mayuri e Nemu já estavam voltando para o Departamento de Pesquisas e Tecnologia, quando Rukia sentiu um aperto no coração. Parecia um chamado, como o de seu sonho. Olhou em volta, desesperada, procurando o que fosse que seu coração quisesse lhe alertar...

E avistou.

Yuzuke aparecera próximo ao portão, parecia desnorteado e fora de si, como se estivesse procurando alguém. E, próximo a ele, um último hollow, enorme e com braços gigantescos, avançava em sua direção ferozmente.

– Yuzuke! — gritou Rukia, correndo automaticamente em sua direção. — Yuzuke, fuja!

O rapaz, ao reconhecer a voz familiar, parou e olhou em direção a Rukia, que continuava a gritar algo que ele não conseguia entender, devido a distância, tornando-se assim um alvo fácil para o hollow que pulou em cima dele, derrubando-o com força no chão.

O desespero percorreu todo seu corpo, e, antes que pudesse se mexer, o hollow já estava em cima de si novamente. Yuzuke gritou, e o hollow abriu a boca pronto para devorá-lo…

Mas foi desintegrado por um enorme raio vermelho que saiu das mãos do rapaz. Mayuri abriu um longo sorriso após notar a semelhança do raio com o Cero.

– Parece que nosso novo amiguinho tem conexão com os Arrankars, interessante!

– Esse lugar me dá arrepios… — sussurrou Rukia, passando por um tubo que continha líquido verde e uma mão flutuando.

Estavam no Departamento de Pesquisas e Tecnologia, a pedido de Mayuri, que insistiu parecendo estar entusiasmado para fazer alguns exames no rapaz. O local era soturno e silencioso, podendo-se ouvir apenas o barulho dos líquidos nos tubos que em todos os cantos e do digitar dos outros shinigamis que ficavam a frente de grandes e diferentes computadores. O lugar cheirava a formol e carne humana.

– Deite-se na mesa — disse Mayuri a Yuzuke. — Vou lhe aplicar uma anastesia, você não irá sentir nada — disse, carregando consigo um bisturi e uma agulha de injeção.

– O quê?! — disse Yuzuke em desespero.

– Ei, isso não era para ser apenas exames?! — questionou Ichigo, desconfiado.

– Eu estava apenas brincando, apenas brincando. Eu não dissecaria uma pessoa viva — disse Mayuri, porém o seu sorriso demonstrava controversa.

– Senhor Mayuri, a câmara está pronta — disse Nemu, surgindo de uma pequena porta de metal aos fundos.

Yuzuke paralisou, olhando desesperado ao redor até encontrar o olhar de Rukia, que acenou positivamente com a cabeça como um recado de que ele poderia confiar e tudo ficaria bem.

O rapaz entrou em silêncio na câmara de vidro, mantendo seu olhar fixo em Rukia, que parecia estar angustiada de vê-lo naquela situação.

– Iniciem o exame — ordenou Mayuri.

O barulho de máquinas entrando em trabalho preencheu todo o local, e uma forte luz branca emergiu da cabine, vetando todos os olhares que estavam sobre o rapaz. Os líquidos verdes dos tubos ao redor começaram a borbulhar e entraram em fervura. Ichigo olhou de soslaio para Rukia, que pareceu estar se controlando para que não corresse até a porta de metal e apertasse o portão para abrí-la.

Após alguns minutos o barulho das máquinas suavizou e a luz foi aos poucos perdeu a intensidade, tornando-se possível ver um Yuzuke atordoado dentro da câmara.

Enquanto Ichigo e Renji ajudaram a retira-lo de dentro da cabine, Nemu apareceu com alguns papéis em sua mão e entregou-os para o Mayuri.

– Mas isso é…! — sussurrou ele, impressionado.

– O que houve, o que o exame revelou? — questionou Yuzuke, estonteado.

– Esse rapaz… ele… — disse Mayuri, para os três shinigamis.

– Ele…? — questionou todos, curiosos.

– Ele… — disse Mayuri, olhando seriamente para os três. — Ele não tem nada demais.

– O quê?! — disseram todos em uníssono, chocados.

– É isso que vocês ouviram, ele não tem nada demais, agora por favor se retirem que tenho trabalho a fazer.

– Venha, vamos embora desse lugar! — resmungou Rukia, puxando Yuzuke pelo braço até que estivessem do lado de fora. — Não acredito que ele fez tudo isso para falar que o exame não deu em nada! — disse, exasperada.

– Ei, calma — disse Ichigo. — Isso é um bom sinal pelo menos.

– É verdade, Rukia — Renji se pronunciou. — Pelo menos sabemos que Yuzuke é normal — disse ele, fazendo com que Yuzuke o olhasse com expressão de desentendimento. Era quase possível se ver um ponto de interrogação sobre sua cabeça.

– Eu preciso ir — disse Yuzuke — Obrigado pela ajuda.

– Aonde você vai? — questionou Rukia.

– Preciso ir ao quarto esquadrão — disse ele. — Na verdade, não deveria nem ter saído de lá.

– Por falar nisso — Renji deu um passo a frente. — O que você estava fazendo no portão leste?

Todos os olhares se direcionaram ao rapaz.

– Eu não sei… — explicou ele. — A última coisa que me lembro é de estar em minha cama e quando percebi já estava caído com aquele monstro sobre mim.

– Estranho… — sussurrou Ichigo, pensativo — Talvez seja alguma coisa relacionada a sua perda de memória.

– Bom, eu também preciso ir, tenho um relatório a fazer — disse Renji. — Vejo vocês depois — e então saiu em direção ao 6º esquadrão.

– Eu vou com o Yuzuke para a quarta divisão — disse Rukia. — Você vem, Ichigo?

– Claro.

– Nemu — disse Mayuri, sua assistente rapidamente se aproximou. — Fique aqui, eu preciso apresentar este relatório ao comandante.

– Sim, senhor — respondeu ela.

– Tenho certeza de que ele vai se espantar — disse, com olhares tentadores sobre os papéis. — Nunca vi nada parecido em toda minha vida.

– Então, chegamos — disse Rukia, parando em frente a quarta divisão. — Você vai ficar bem? — questionou, preocupada.

– Está tudo bem — respondeu Yuzuke. — Provavelmente eu leve uma bronca, mas não é nada demais. — disse, rindo modestamente. — Obrigado por tudo Rukia, e obrigado Ichigo — despediu-se, Rukia e Ichigo acenaram com a cabeça, e seguiu para dentro do esquadrão, onde Isane o esperava desesperada.

– Para onde você vai agora, Ichigo? — questionou Rukia.

– Eu vou voltar e contar tudo para o Urahara, talvez ele descubra algo sobre esses tais portais implantados.

– Certo, nos vemos por aí — despediu-se Rukia.

– Ei, Rukia — chamou Ichigo, fazendo com que a garota virasse novamente na direção dele. — O que você acha que vai acontecer com o Yuzuke?

– O que vai acontecer com ele? — questionou ela, sem entender.

– É, você sabe — disse ele. — Ele apareceu há algumas semanas, sem parentes, sem pertences, sem memória. E sequer é um shinigami para que continue a viver aqui na Seireitei.

A última frase fez com que Rukia o olhasse com descrença.

– Quero dizer, você melhor do que ninguém sabe como as regras são rígidas aqui. Sabe o que quero dizer.

– Eu sei, Ichigo, mas eles não podem simplesmente despejar alguém que não tem nem como se defender por aí.

– Rukia, você já foi uma moradora de Rukongai. — disse ele. — Se eles não fazem nada por eles, quem dirá por alguém que nem sabe quem é ou de onde vem. Ele não tem nem ao menos um lugar para ficar…

– Ele vai ficar na minha casa — disse Rukia, antes que Ichigo pudesse terminar de falar. — Eu sei que o que acontece em Rukongai e é exatamente por isso que não vou deixar que aconteça com ele.

– Rukia, acho que você não dever…

– É a minha decisão Ichigo! — gritou Rukia, exasperada.

– Tudo bem — disse Ichigo. — Eu tenho que ir agora — então desapareceu em passos de shunpo.

– Droga… — sussurrou, percebendo o que havia acabado de fazer.

Rukia não sabia ao certo porque agira daquele jeito, tudo o que queria era que Yuzuke estivesse a salvo, seguro e perto de si. Era um sentimento de proteção, parecido com de uma mãe com seu filho, mas de uma forma diferente. Seu coração sequer suportava a ideia de perdê-lo assim, sem ao menos lutar. Estava tão confusa e preocupada que não notara o sentimento que estava crescendo dentro de si. Um sentimento maior e mais poderoso que qualquer coisa...

O amor.

Notas finais
E aí gostaram? Não gostaram? Não deixem o autor aqui no vácuo y.y Deixe seu comentário! Ele me inspira, além de me ajudar a escrever mais e melhor. Jya na!