Bleach: O Surgimento de uma Nova Era - Reboot
5 A decisão
Notas iniciais
Yuzuke estava em seu quarto, deitado de forma relaxada. Após ter “fugido” da quarta divisão, Isane desesperara por ter perdido um paciente, o que resultou em uma enorme bronca quando retornou. Porém, depois que contara a ela o que havia acontecido, que entrara numa espécie de transe, fora obrigado a fazer mais exames e ficar em repouso verdadeiramente dessa vez.
Estava pensando em como sua vida mudou em apenas algumas semanas. Quando foi encontrado mal lembrara de seu próprio nome, e agora estava lá, praticamente parte da Seireitei, de um esquadrão. Talvez depois que tivesse alta poderia treinar para se tornar um shinigami. Não sabia ao certo quando, mas a ideia surgira e agora ocupava grande parte da sua mente, mas não completamente. Uma outra parte era ocupada por Rukia, a shinigami que o salvara e cuidara dele desde então.
Estava perdido em seu devaneio, quando um estranho e barulhento som o despertou.
“Atenção, todos os capitães acompanhados de seus tenentes deverão comparecer a primeira divisão imediatamente para uma reunião.”, soou a voz de uma mulher, que parecia vim de dentro de sua própria cabeça.
– Ei, Yuzuke — Isane apareceu na porta do quarto. — Você ouviu o recado, eu vou ter que sair.
– Então você também…? — disse ele, apontando para a cabeça.
– Sim, não estranhe, isso é apenas um bakudou de comunicação. Ele serve para transmitir recados para todos numa grande área simultaneamente.
– Bom, então tudo bem — disse ele. — Eu vou ficar aqui e descansar mais um pouco, acho que não tenho muitas opções — seu tom era de receio, lembrando de como Isane ficara nervosa por ele ter saído.
– Acho melhor você vestir isso — disse ela, jogando um shihakushou em cima da cama.
– Mas isso é…
– Sim, roupas de shinigami. — interferiu ela. — Eu pedi autorização para a capitã para que pudesse te levar. Talvez um passeio pela Seireitei é tudo que você precisa para recuperar sua memória. E você não pode andar por aí sem uma roupa apropriada. — disse, apontando para as roupas hospitalares de Yuzuke.
– C-certo! — respondeu ele, ainda incrédulo.
– Volto em cinco minutos para te buscar — disse Isane, então saiu pelo corredor.
Uma shihakushou…, pensou Yuzuke segurando a vestimenta em suas mãos. Talvez ele estivesse realmente sendo aceito como parte da Seireitei. Com um enorme sorriso estampado no rosto, vestiu-se e notou uma silhueta parada à porta.
– Eu já estou pronto Isa… — disse, virando-se, mas notou que não era Isane quem estava ali. — Rukia?
– Você está usando… — disse ela.
– Sim, um shihakushou, Isane me emprestou um temporariamente, ela disse que seria bom eu ir com ela nessa reunião, talvez ajudasse a recuperar minha memória. — explicou ele, sem graça.
É isso, essa é a abertura que eu precisava para fazerem aceitá-lo aqui!, pensou Rukia, abrindo um pequeno sorriso.
– Algum problema? — questionou ele, ao ver a expressão da shinigami. — Se você não concorda eu posso ficar aqui no quarto.
– N-não! — disse ela, despertando de seu devaneio. — Eu concordo com Isane, isso pode te ajudar.
Yuzuke assentiu, sorrindo singelamente.
Saíram e seguiram ao longo do corredor, encontrando Isane, que explicou que Unohana já havia ido na frente pois os capitães eram os únicos que poderiam comparecer a reunião, tenentes e outros shinigamis teriam de esperar do lado de fora.
Andaram pelas tortuosas ruas da Seireitei, apontando para as divisões que passavam pelo caminho e explicando sobre os outros capitães e tenentes, na esperança de que pelo menos um resquício de memória pudesse ser recuperado.
Estavam se aproximando do primeiro esquadrão, quando encontraram com Ichigo. Que não estava sozinho dessa vez.
– Ichigo, Inoue, Sado, Ishida! — disse Rukia, animada.
– Rukia, Isane! — disseram eles, em uníssono.
– O que estão fazendo por aqui? — questionou a shinigami.
– Urahara nos mandou para ver se estava tudo bem por aqui, e conseguir algumas informações — disse Sado, dando um passo a frente.
– Ele está com um pressentimento muito ruim sobre a aparição desses portais — Ishida se pronunciou dessa vez. — Ele acha que tem a ver com a misteriosa aparição de Yuzuke — exitou ao falar a última frase, arrumando seus óculos desconfortavelmente.
– Comigo? — Yuzuke pareceu ter acordado de um transe. — Quem são vocês? — questionou, arisco.
– Calma — disse Ichigo. — Esses são meus amigos, Inoue, Sado e Ishida — explicou, apontando para cada um.
– Mas são apenas suspeitas — disse Inoue, receosa. — Ele não acha que você tem culpa de nada.
– Não se preocupa — disse Rukia, olhando diretamente nos olhos de Yuzuke. — Vai ficar tudo bem.
Continuaram em seu caminho, acompanhados dos quatros amigos, e em poucos minutos já estavam em frente ao seu objetivo.
Rukia apresentou Yuzuke a todos que estavam ali: Ise Nanao, Marechyio Oomaeda, Kira Izuru, Momo Hinamori, Tetsuazaemon Iba, Matsumoto Rangiku e Jusajishi Yachiru. Fora Renji que ele já conhecia e Ikkaku e Yumichika que sempre se reuniam com os outros tenentes, apesar de não fazerem parte.
– Então este é o rapaz que atrapalhou a noitada das mulheres? — questionou Matsumoto, examinando-o de cima a baixo. — Até que ele é bonitinho — disse, fazendo-o corar instantaneamente.
Todos riram com a reação do rapaz, o que o fez ficar com mais vergonha de início, porém se rendendo a situação e gargalhando junto.
E assim Yuzuke passou o resto da tarde, rindo, conversando e se divertindo, como parte dos shinigamis, como ele e Rukia tanto esperavam.
Sombras eram projetadas nos inúmeros pilares pelas luzes. O local, apesar de ser dia, era pouco iluminado, com janelas altas. Estavam em um grande salão, em fileiras de cinco capitães um ao lado do outro, de frente a outra fileira que continham o mesmo número. Ao meio, um tapete vermelho, e à frente das duas fileiras, o comandante. As paredes eram de cor vinho, e o chão, lustroso e polido.
Um capitão se adiantou, após ouvir o que o comandante havia acabado de falar.
– O que você está dizendo?! — questionou Komamura, incredúlo. — Isso é inaceitável!
– Comandante, com todo respeito, o senhor deveria repensar a sua decisão — pronunciou-se Soi Fong.
– Isso não é certo… — sussurrou Histugaya, em meio aos murmúrios de incredulidade que preenchiam a sala.
– Comandante, ele pode ser um capitão, mas ele não é confiável! — disse Komamura, exasperado.
– SILÊNCIO! — gritou Yamamoto Genryuusai, o comandante, batendo com seu cajado no chão. — Eu sou o comandante aqui, vocês não tem o direito de questionar nenhuma das minhas escolhas!
A mensagem pareceu percorrer como um choque, paralisando todos os capitães presentes.
– Esse caso não me diz respeito, eu tenho coisas mais importantes a fazer — continuou ele. — Estou deixando no comando o capitão Kurotsuchi Mayuri e não quero questionamentos! — disse, olhando para o capitão que estava ao seu lado. — Reunião encerrada, voltem a seus postos.
Komamura foi o primeiro a sair, claramente indignado com a decisão. Depois, pouco a pouco todos os capitães saíram, ficando apenas Mayuri e Yamamoto na sala.
– Lembre-se do nosso combinado — disse o comandante. — Eu o coloquei no comando desse caso porque você sabe a verdade.
– Não se preocupe — sorriu Mayuri; um grande sorriso amarelado. — Eu farei tudo como planejado — disse, e então se retirou, abrindo e fechando a grande porta dupla de madeira.
– Eu não posso deixar que aquilo aconteça de novo, pelo bem da Seireitei… — sussurrou Yamamoto, amassando o relatório em suas mãos.

– Yamamoto largou o caso? Mas assim, de repente? — questionou Ichigo.
Estavam na sala de recepção da mansão dos Kuchiki. Um espaço grande, pintado em cores que variavam entre marrom, marfim e vinho, grandes cortinas vermelhas e móveis no estilo vitoriano. Após o fim da reunião, todos os capitães, juntamente aos tenentes, voltaram a seus postos. Rukia, por outra vez, arrastou Yuzuke, Ichigo e os companheiros atrás de Byakuya, em busca de respostas, pois havia percebido a reação dos capitães ao saírem da reunião.
– Olha o respeito, ele é o comandante, idiota! — indignou-se Rukia, dando um cascudo no companheiro.
– Ai, ai! — resmungou ele, colocando a mão sobre a cabeça. — Você não tem mais informações? — questionou, voltando-se ao capitão.
– É tudo o que posso dizer — disse Byakuya.
– Primeiro a aparição de Yuzuke naquela noite, depois os portais misteriosos que foram implantados e agora isso — pensou Renji, em voz alta. — Tem alguma peça faltando nessa quebra-cabeça.
– Eu não sei — disse Ishida. — Mas eu não confio muito naquele capitão — disse, arrumando seus óculos.
– Nós podemos ir até a décima terceira divisão — observou Rukia. — Talvez o capitão Ukitake tenha mais informações.
Todos assentiram com a cabeça.
– Ei, borboleta, volta aqui! — gritou Inoue, do jardim de inverno. — Não seja má, volta aqui! — disse, correndo atrás do inseto, mas uma barreira enorme e sombria surgira em seu caminho.
– Inoue, não corra na casa dos outros — disse Sado, em frente a garota, com os olhos cobertos pela sombra do próprio rosto, aparentando totalmente sombrio.
– Sado-kun, não seja tão mal comigo! — disse ela, cruzando os braços e fazendo bico.
Uma chuva de risadas percorreu o local, quebrando o clima tenso. Até mesmo Byakuya, o capitão que nunca sorria, abriu um pequeno sorriso no canto de sua boca.
– Bom, eu preciso voltar — disse ele. — Renji, você está dispensado, fique a vontade para ir com eles, se quiser.
– Certo. — respondeu o tenente. — Vamos? — disse, olhando para os companheiros, que o seguiram.
Rukia estava saindo quando notou Yuzuke, ainda parado em um dos cantos da sala, como havia ficado durante toda a conversa.
– Você... está bem? — questionou ela, aproximando-se.
– Eu? — disse ele, despertando de seu devaneio. — Eu estou bem. Só estava pensando no que Ishida disse, sobre esse tal de Urahara achar que os portais tem alguma conexão comigo.
– Yuzuke… — começou Rukia.
– E se isso for realmente verdade — disse ele, interrompendo-a. — Então o que está acontecendo agora também é por minha causa… — sussurrou, decepcionado consigo mesmo.
– Ei, se acalma — disse Rukia. — Se isto tem alguma a ver com você, então nós vamos descobrir, eu prometo — disse, com pesar nas palavras.
– Então, esse capitão Ukitake, é o capitão da divisão onde você trabalha, Rukia? — questionou Yuzuke, andando junto aos demais em direção a 13ª. divisão.
– Sim, tenho certeza que ele irá nos ajudar — disse ela. — Ele sempre me ajudou, até mesmo quando eu sofri risco de morte.
– Risco de morte? — questionou ele, espantado.
– Longa história — disse Ichigo, sorrindo e olhando de soslaio para Rukia, que abriu um pequeno sorriso.
– Um dia eu te conto — considerou Rukia. — Chegamos — disse, parando em frente a construção de concreto e madeira, semelhante as antigas construções japonesas.
Tudo estava quieto demais, quando dois shinigamis pareceram brotar do chão.
– Rukia, você apareceu! — disse um shinigami alto, de pele morena clara, cabelos pretos levantados, um cordão branco em sua testa e barbicha.
– Ei, Rukia! — cumprimentou outra shinigami, tomando a frente. Esta era baixinha, pele clara, cabelos curtos e loiros. Trajava luvas e o que parecia ser uma camisa social por baixo de seu shihakushou.
– Kotsubaki, Kotetsu, é bom ver vocês. — respondeu Rukia.
– Quanto tempo — disse Kotsubaki, o homem, jogando Kotetsu para trás e tomando a frente novamente. — Você anda vindo trabalhar tão pouco que eu mal te vejo — disse, deixando Rukia encabulada com tal afirmação.
– É… é… que… eu… — engasgou-se Rukia.
– Não liga pra ele — disse Kotetsu, pulando em cima do companheiro, intencionalmente, e derrubando-o. — E então, o que faz por aqui? Vejo que trouxe companheiros — disse, notando pela primeira vez as outras pessoas.
– Eu vim ver o capitão, estamos precisando de algumas informações — respondeu Rukia.
– Isso se o capitão ainda se lembrar de você — sussurrou Kotsubaki.
– Cala a boca! — gritou Kotetsu, dando um cascudo no companheiro. — Desculpa Rukia — disse ela, se ajeitando. — Mas o capitão está descansando, hoje ele não está muito bem e um tumulto só pioraria.
– Kotetsu, Kotsubaki — disse uma voz masculina, que Rukia notou estar na entrada do esquadrão. — Está tudo bem, deixe-me conversar com eles — disse Ukitake, aproximando-se dos shinigamis.
– Sim, senhor! — disseram os dois em uníssono.
– É tudo culpa sua! — resmungou Kotetsu, empurrando seu companheiro.
– Minha nada, a culpa é sua! — retrucou Kotsubaki.
E os dois sumiram de vista enquanto se batiam e empurravam-se.
– Desculpe por isso. Esse dois são um pouco… difíceis — disse o capitão, sorrindo gentilmente. — O que os trouxe aqui?
– Capitão Ukitake — Rukia tomou a frente. — Nós descobrimos que o comandante abandonou o caso, você tem mais alguma informação sobre isso?
– Infeliizmente não — disse ele. — Acho que é a primeira vez que algo assim acontece. Capitão Yamamoto nunca abandonou um caso.
– Você acha… — disse Rukia. — Acha que isso tem alguma coisa a ver com o Yuzuke?
– Rukia… — começou a dizer Ukitake, mas uma forte explosão a distância fez com que tudo balançasse.
Antes que alguém pudesse se dar conta do que havia ocorrido, uma outra explosão, mais forte dessa vez, fez com que a atenção de todos voltasse para os locais que estava entrando em chamas.
“Atenção, estamos sob ataque nos portões leste e oeste, repito, estamos sob ataque nos portões leste e oeste!”, a voz de uma mulher soou novamente.
– Um ataque?! — questionou Rukia, espantada.
– Droga, terminamos essa conversa depois — disse Ichigo. — Precisamos nos dividir em dois grupos. Ishida, Sado e Renji, vocês vão para o portão oeste, eu e Rukia vamos para o leste. Inoue, você cuida dos feridos.
– Certo! — afirmaram todos.
– E-espere! — gritou Yuzuke, antes que partissem. — E eu? Eu também quero ajudar!
Ichigo virou-se para o rapaz, que acompanhou seu olhar e entendeu o que ele queria dizer.
– Por favor… — implorou Yuzuke. — Talvez isso me ajude a recuperar a memória.
– É muito perigoso — disse Ichigo, inflexível.
– Tudo bem — disse Rukia, e, antes que Ichigo pudesse sequer se pronunciar, ela continuou. — Eu tomo conta dele.
– Certo — disse Ichigo. — Tome cuidado, Yuzuke.
– Agora vamos — disse Rukia. — Não temos tempo a perder.
Suas últimas palavras serviram como um tiro de largada. Cada grupo seguiu para um lado, Inoue indo junto ao outro grupo para o portão oeste onde as explosões estavam mais frequentes.
– Rukia, você tem alguma ideia de quem está atacando? — questionou Ichigo, enquanto movia-se em passos rápidos de shunpo.
– Eu não sei — respondeu ela, seguindo-o logo atrás, ajudando Yuzuke. — Mas eu tenho a sensação de que vamos encontrar a peça que estava faltando nesse quebra-cabeça.
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