Blank Pages

34 #34 Feliz aniversário, Blank Pages!


Notas iniciais
E se eu falar que ontem essa fanfic fez exatamente UM ANO? poisé, até parece que foi ontem que eu tive a ideia de escrever sobre um kurt cego, incerta se daria certo ou não! só tenho a agradecer a vocês, leitores fieis a ainda continuarem lendo essa maravilhosidade do nyah! particularmente é uma das minhas favoritas, e espero que seja a de vocês! e em clima de comemoração, capítulo novo e revelador, hihi (resolvi pular a cirurgia porque eu faço direito e não medicina, então não sei detalhar uma operação... andei lendo a última e achei horrível, então dessa vez eu escrevi o pov apenas de quem estava do lado de fora da sala)

Os corredores estavam vazios e Quinn pôde jurar que passaria uma bola de feno a rolar ali em alguns instantes. O tédio enfestava a sala de espera. Depois de horas de choradeira e discussões — uma delas vinda por Burt e Carole que gritavam por causa da escolha da mulher em deixar Kurt em coma, mas acabaram se cansando de tanta briga e decidiram esperar.

Fazia incansáveis onze horas de cirurgia. Os parentes e amigos do paciente tiveram que alternar entre irem para o hotel, tomarem um banho, comerem alguma coisa, descansarem e voltarem para a maldita sala onde a espera parecia nunca terminar.

Dessa vez quem estava no hospital eram Rachel, Quinn e Carole. Os homens estavam em casa descansando para daqui a algumas horas voltarem para seus lugares. Rachel e Carole, mesmo tendo descansado um pouco no hotel, cochilavam no sofá da pequena sala. Já Quinn não conseguia pregar os olhos e tinha horríveis olheiras e bolsas em baixo deles.

A cirurgia durará dez horas...– Imitou a voz do médico zombando do profissional. — Dez horas uma ova!

O relógio marcava intensas treze horas dentro daquele maldito hospital. Jurou para si mesma que jamais voltaria em um, mesmo que sua vida dependesse disso. Vira muitas paredes brancas e pessoas de jaleco nos últimos meses, o equivalente para a vida toda. Suspirou ao se lembrar do último sorriso que Kurt dera para si.

Um médico caminhou lentamente pelo corredor chegando até a sala de espera. Quinn que observava tudo do lado de fora interviu quando viu o profissional colocar a mão na maçaneta da porta.

– É melhor nem tentar. Estão todas dormindo. — Sorriu torto. — A notícia é sobre Kurt?

– Sim. — Andou até a loira com uma prancheta em uma das mãos. — Creio que como você veio com a família possa te dar algumas informações.

– Sim, por favor.

– Kurt está bem... Ele ainda não saiu do coma, mas paramos de induzí-lo. Se tudo ocorrer como o planejado ele deve acordar em algumas horas.

– E-então a cirurgia foi um sucesso? — Perguntou tentando esconder a euforia.

– Sim. — Sorriu fraco. Tinha olheiras do mesmo que tamanho que as de Quinn. — Contamos com a ajuda dos melhores médicos da área, alguns até internacionais. Durante a cirurgia aconteceram alguns erros que fizeram a equipe reformular toda a operação, mas o final ocorreu como o planejado.

– E-então... — Prosseguiu. — ...Isso significa que Kurt voltou a enxergar?

– N-não! Ele está com uma córnea nova e sem um arranhão, muito diferente da sua antiga. O azul dos olhos de Kurt também estão mais vivos, a íris está mais aberta... Sobre o fato da visão, não podemos afirmar. A cirurgia não tinha nem metade de chances de dar certo e aconteceu, então não sei o que dizer sobre a volta da visão.

– Mas isso é mais pra sim, ou mais pra não? — Quinn tinha seu jeito doce, com um enorme sorriso nos lábios.

– Mais pra sim. — Sorriu para a loira, que pulava de alegria. — Com o tempo ele voltará a ter sensibilidade, mas tudo depende do esforço de Kurt de querer voltar a enxergar.

O homem não disse mais nada pois foi impedido por uma visitante maluca que estava pendurada em seu pescoço. Seu coração batia forte como se fosse sua própria cirurgia. As lágrimas escorriam lentamente sobre seu rosto.

– O que está acontecendo aqui? — Burt perguntou chegando descansado ao hospital, fazendo a loira largar do médico.

– Kurt! — Gritou como se fosse óbvio. — Deu tudo certo!

– Mesmo? — Burt abriu um sorriso enorme, do mesmo tamanho que a loira.

– Bom, na verdade ele ainda está em coma e não sabemos quando irá acordar, mas... — — Foi interrompido novamente.

– O que está acontecendo aqui fora? — Carole apareceu no corredor branco apertando os olhos, acabando de acordar.

– Kurt está bem! — Burt gritou.

– Na verdade... — O médico tentou completar a frase, mas ao ver a felicidade da família inteira se abrançando desistiu. Deu de ombros e saiu andando lentamente como da primeira vez. Voltaria mais tarde para explicar que o estado de Kurt ainda era crítico.

QUATRO HORAS DEPOIS DA CIRURGIA

– OK. — Disse Rachel irritada, cansada de andar em círculos. — Fazem exatamente quatro hora e quinze minutos que o médico veio dar a notícia que Kurt tinha saído da cirurgia bem. Porque este homem não apareceu aqui ainda?

Finn e Quinn deram de ombros. Os amigos estavam sentados juntos brigando pela última latinha de coca-cola da geladeira. Burt havia ido no térreo comprar um café para a mulher e Carole tentava manter os olhos abertos de tanto sono.

Toda vez que passos eram ouvidos no corredor a família (incluindo Rachel e Quinn, porque eram consideradas da família) corria até a porta para verificar se era o médico vindo trazer boas notícias, mas as vezes eram apenas visitantes, ou pacientes ganhando alta, ou até mesmo a senhora que distribuía o almoço pelos quartos (almoço qual Finn bajulou a velha mulher e ganhou um).

Dessa vez passos foram ouvidos mas ninguém se importou. Pensaram em desta vez ser apenas uma enfermeira, ou talvez a senhora que distribuía o café da tarde... Finn arregalou os olhos e lambeu os beiços.

Finalmente o Dr. Hans entrou na sala, assustado pelo fato de todos estarem ali ainda. Fazia quatro horas. Quatro horas.

– E então? — Perguntaram em coro.

– A notícia da cirurgia de Kurt se espalhou, vazou por algum funcionário, e nesse momento temos alguns repórteres na parte de fora do hospital, mas tudo controlado. — Disse o médico e todos assentiram. — Porém vim trazer notícias boas. Kurt saiu do coma, não consegue falar porque parece que agora a anestesia veio fazer efeito. — Deu ênfase no "agora". — Mas em alguns minutos a sedagem irá passar e ele poderá falar normalmente como está se sentindo... Pedi para que apertasse minha mão se estivesse dolorido a parte dos olhos e ele a apertou, o que é um sinal de que ele está com menos dosagem de anestesia, e isso é bom também. — O médico via a felicidade no rosto dos familiares. — Apenas um de vocês podem entrar lá por enquanto... -

– Eu vou! — Gritou Burt.

– ...Porém... — O médico havia sido interrompido, mas agora continuava. — Ele conseguiu sussurrar o nome da srta. Fabray, então creio que seja a vontade de Kurt.

– Tudo bem. — Bufou Burt.

Quinn passou a mão nos ombros do velho homem que sentou impaciente e acompanhou o médico até a sala de repouso, onde Kurt estava. A loira passou pela porta e jurou ter visto uma múmia na cama, com faixas cobrindo toda a cabeça de Kurt e tampões enormes nos olhos.

– Olá, cleopatra. — Brincou chegando perto da cama de Kurt e apertando sua mão.

[...]

Os dias se passaram depressa e Kurt já estava falando e se alimentando como antes, só não entendia porque os médicos não haviam tirado aquelas malditas talas de seus olhos. Elas estavam tão apertadas que Kurt não poderia saber se havia voltado a enxergar ou não. E o mal humor do paciente havia voltado.

– O almoço chegou. — Disse a velha senhora trazendo um prato morno para a cama de Kurt. Quinn apenas gargalhou baixo com a carranca que Kurt fizera.

Burt, Carole, Finn, Rachel e ela estavam revezando em ficar com Kurt no hospital, e, após passar a manhã inteira com Rachel, Kurt agora aproveitava a companhia da amiga loira.

– Eu poderia comer terra que daria o mesmo gosto. — Resmungou, ignorando a comida no lado de sua cama.

– Você está com o mesmo mal humor de quando Blai...- — Quinn se calou ao ver que falaria demais e entregaria alguma coisa ao castanho. Kurt deu um sorriso torto e foi inevitável perguntar.

– V-você teve notícias dele? — Pigarreteou.

– Não. — Engoliu seca.

– Ok.

– Ok. — Concluiu Quinn vendo como Kurt havia ficado. — Agora vamos parar com essa de Hazel e Gus e vamos alimentar essa criança crescida.

– Não... — Falou relutante.

– Ou você come ou eu te prometo que vou chamar Rachel aqui. — Kurt se lembrou da manhã que teve com a amiga, com Rachel falando, e falando... e também falando.

– Tudo bem. — Deu de ombros e Quinn sorriu em vitória.

– Você acha que devemos contar para Kurt? — Carole perguntou preocupada.

– Acho melhor nos divertimos um pouco. — Quinn sugeriu e Burt concordou com uma risada gostosa.

Tudo que Kurt e os familiares se perguntavam era quando que Kurt poderia tirar aquela maldita tala dos olhos e finalmente poderia voltar para o hotel, ou para Lima. Estavam em Nova Iorque por uma semana, uma maldita semana que nunca terminava para o castanho.

O castanho havia dado uma entrevista para o jornal local de Nova Iorque e para uma revista de medicina, apenas. O hospital pediu para que todos os paparazzis e repórteres que ficaram na entrada do mesmo fossem embora, e que, quando Kurt estivesse bem para se pronunciar, seria em público, para todos.

Kurt recebeu a notícia pela manhã que no turno da tarde seriam tiradas as talas de seus olhos, vendo assim a veracidade da cirurgia. As dores continuavam, assim como as dores de cabeça. Alguns psicólogos passaram pela sala do castanho para tentar convencê-lo que, talvez, não fosse bom criar muitas expectativas. Kurt sabia.

Sinceramente, Kurt achava que ainda estava cego. Algo lhe dizia que a cirurgia apenas serviu para Kurt dar valor às coisas que ele não dava antes, como os amigos, sua família e um bom amor. Suspirava ao se lembrar do antigo médico. No fundo estava orgulhoso por ter sobrevivido à cirurgia, assim Blaine poderia ver pelas tvs e pelos jornais que o castanho tinha razão e bom... Poderia um dia vir visitar o ex-paciente.

A tarde chegou mais rápido que o esperado e Kurt estava sentado em sua cama, esperando a chegada do Dr. Albert Hans. No quarto também estavam Burt, Carole, Finn, Rachel, Quinn, os diretores do hospital, Dr. Whil (sim, Kurt permitiu que o médico participasse desse momento) e os envolvidos na cirurgia de Kurt.

A porta foi aberta pelo médico e todos sorriram fraco. O velho homem não disse nada para oficializar e achava desnecessário aquela recepção apenas para tirar as talas de Kurt, apenas caminhou até o paciente e o perguntou se estava pronto.

– Sim. — Falou com receio. Estava mesmo?

O médico passou uma pequena tesoura pela gaze que circulava os olhos do castanho e lentamente começou a desenrolá-las. Uma volta, duas voltas, três voltas e logo o rosto de Kurt, marcado pela faixa, começou a ser revelado.

– Feche os olhos. — Ordenou o médico e Kurt obedeceu.

Os dedos delicados do Dr. Hans descolaram os esparadrapos com delicadeza, revelando o olho direito. Fez o mesmo com o esquerdo. O local ainda estava com uma roxidão por causa do fluxo do sangue, mas logo voltaria ao normal.

– Kurt, agora eu quero que você abra os olhos lentamente... — O médico pediu e Kurt assentiu demoradamente. Estava com medo de quê? Nunca pensou que pudera ser tão covarde assim.

O castanho pressionou os olhos antes de abrí-los. Assim que abriu sentiu uma luz branca invadir e foi obrigado a fechá-los novamente, com força. Uma dor de cabeça enorme atingiu Kurt.

– As luzes. — O médico assentiu e Quinn correu para desligar o interruptor. — Kurt, você está bem?

Todos na sala suavam frio.

– S-sim. A-apenas a claridade... M-mas eu... E-eu estou enxergando uma luz branca... — Burt abriu um sorriso de orelha à orelha. — E-eu voltei a enxergar.

Os enfermeiros, diretores e familiares se abraçavam forte em comemoração. Kurt tentou mais uma vez abrir os olhos, e agora sem a luz a claridade era menor (mas ainda fez o castanho piscar algumas vezes).

Os olhos azuis de Kurt brilhavam, e o castanho não via nitidamente. Ele via borrões, não conseguia enxergar os traços das pessoas ali, mas poderia contar quantas estavam. Poderia distinguir as roupas escuras das cores brancas da parede. Levou as mãos até a frente de seu rosto e as movimentou. As lágrimas do paciente não ajudavam na acomodação da nova córnea.

– Você deve estar vendo uma imagem distorcida, mas isso deve acontecer apenas nas primeiras horas. — Disse o médico. — Seu cérebro passou tanto tempo sem processar imagens que a informação está sendo passada distorcida ainda... Mas parabéns, Sr. Hummel. Sua visão está de volta.

Kurt desabou em lágrimas e sua família correu para abraçá-lo.

Havia se esquecido como era enxergar, como era a coisa mais mágica do mundo. Viu o borrão de uma pessoa loira correndo até si para abraçar seu pescoço, viu o vulto dos demais familiares vindo até ele e fechou os olhos, vendo finalmente o famoso "preto". Se julgou a pessoa mais feliz do mundo naquele momento.

Duas horas depois Kurt, inacreditavelmente, conseguia enxergar como antes do acidente (não como antes do acidente, mas essa é uma maneira de eu lhes contar que ele estava enxergando como qualquer pessoa normal). Passou horas observando o rosto do pai, em como o seu homem preferido tinha envelhecido, em como Carole havia aprendido um novo corte de cabelo, como Rachel havia ficado com os lábios mais grossos e com o cabelo mais sedoso, em como Finn... Bom, Finn estava igual. O que mais surpreendeu o paciente foi Quinn, que passou de cabelos longos e loiros para cabelos curtos, revirados e com mechas escuras. Ainda linda, mas surpreendente.

Quando Kurt se viu no espelho pela primeira vez depois de muito tempo, a única coisa que conseguiu soltar foi "como vocês me deixaram com esse cabelo?", que provocou risos em todos do quarto. Kurt estava feito criança pequena, queria olhar tudo e todos ao mesmo tempo.

– Iremos te dar um tempo sozinho então, kiddo. — Burt arrastou as outras pessoas para fora do quarto, com um plano muito maior em mente.

Kurt finalmente suspirou. Havia ficado sem dormir a noite passada apenas para ficar olhando os ponteiros do relógio, associando-os com o som. Aquilo era maravilhoso, Kurt nunca se sentiu tão preenchido em toda sua vida. Um sorriso estampava seu rosto em todos os momentos. Esperou ter certeza que seus familiares não voltariam para o quarto e correu até a janela, abrindo a cortina e encarando a maravilhosa Nova Iorque.

De início as luzes da Time Square quase cegaram o paciente, mas logo se acostumou com o tumulto. Via as dezenas de taxis amarelos percorrerem as ruas da cidade e a noite caindo apenas deixava tudo mais bonito. Era igual aos filmes, mas mil vezes melhor porque Kurt estava ali. Suspirou fundo e abriu um sorriso maior do que o mundo. Ficou observando a janela por alguns segundos, até completar.

– Eu posso ter recuperado minha visão, mas como um bom cego sei quando escuto passos silenciosos. — Falou sem tirar os olhos da janela. Esperou alguns segundos para se virar e encontrou um homem desconhecido a alguns passos depois da porta do quarto, encarando Kurt como se ele fosse a coisa mais bonita do mundo. — Posso lhe ajudar?

O homem não disse nada, apenas deu um sorriso sem mostrar os dentes. Deu mais dois passos, ainda sem tirar os olhos brilhantes de cima de Kurt. Poderia secá-lo se quisesse. Kurt sentiu o clima ficar tenso.

– M-me desculpe, mas creio que seja um desses paparazzis que está esperando uma exclusiva do "ceguinho que voltou a enxergar"... — Fez as aspas com os dedos. Pretendeu voltar a falar, mas percebeu que o homem vestia branco e tinha um estetoscópio no pescoço. — Dr. Hans?

– Tente mais uma vez. — Disse o homem fazendo a espinha de Kurt arrepiar.

– Blaine... — Falou quase sem voz.

Notas finais
PORRA, PQ ACABOU NESSA PARTE? porque simples, eu sou mal e só vou continuar quando der tempo (tempo, uma palavra rara no vocabulário de um estudante de direito, porque eu tenho uma professora vaca que me deu QUARENTA FUCKING PAGES de um livro pra ler pra amanhã, e eu escrevendo fanfics)... bom, é isso por enquanto... não me matem! u_u AINDA ESTOU SEM CORRETOR ORTOGRÁFICO, ENTÃO NÃO ME JULGUEM PELOS ERROS DE GRAMÁTICA E CONCORDÂNCIA!