Blank Pages

35 Epílogo: Páginas em branco


Notas iniciais
itálico -> flashbacks

Foi a primeira vez que Kurt viu Blaine.

O castanho pôde jurar que teve um pequeno infarto e que seu cérebro parou de funcionar por alguns segundos. Sentiu um frio na espinha e borboletas na barriga de um jeito que nunca havia sentido antes. E de repente parecia que, em todos os momentos que esteve com Blaine, a imagem misteriosa fora preenchida por aquele rosto.

Lembrou-se do dia em que tocou o rosto do médico pela primeira vez, tentando adivinhar como seria sua aparência, os traços. A visão de Kurt não estava cem por cento, via embaçado e distorcido ainda, mas pôde sentir que viu Blaine por inteiro.

O castanho deu alguns passos para trás, batendo contra a parede. Era como se estivesse vendo um fantasma em sua frente. Logo o sorriso no rosto de Blaine se foi, e o médico manteve a distância que Kurt havia estipulado.

– V-você está bem? Me desculpa, eu — — Kurt o interrompeu.

– N-não. E-está tudo bem. Preciso de um tempo para... Para absorver isso. — Sorriu torto, fazendo Blaine sorrir para o chão, coisa que Kurt achou adorável.

Blaine era lindo. Blaine era mais do que lindo, se existisse um adjetivo para isso. Embora sempre tivesse a melhor imagem de Blaine em sua mente, sempre teve o receio de que o médico parecesse a mistura do Chucky com a boneca Emmanuelle, mas não. Blaine era exatamente como Kurt imagina os príncipes em sua infância. Os olhos com as luzes de Nova Iorque refletidas, uma boca maravilhosa com um sorriso lindo exposto. Kurt queria apenas correr até o ex-namorado e roubar um beijo do moreno. Era, com certeza, o homem mais bonito que Kurt já havia visto. E se achou a pessoa mais sortuda do mundo no momento em que percebeu que o médico era todo seu.

As borboletas no estômago de Kurt se mexiam desesperadamente. Blaine o encarava com um olhar apaixonado, sabendo que aquela seria a reação de alguém que via o namorado pela primeira vez. Blaine sentiu suas bochechas queimarem e seu corpo tremer, queria saber o que se passava na mente do namorado, mas não conseguia decifrar através de seu olhar. Apenas esperou, ansioso.

Esperou alguns segundos, então deu alguns passos até Blaine. O médico continuou estático, encarando Kurt com seus olhos com cores que o ex-cego não conseguia decifrar quais eram. O castanho pegou a mão do moreno na sua, apertando-a lentamente. É claro que aquele era Blaine, mas Kurt queria gravar o rosto do ex-namorado enquanto fazia essas coisas, para que nas memórias tudo fosse gravado como realmente deveria ser.

Lentamente levou as mãos até o rosto do médico, tocando como se continuasse cego. Blaine tentava evitar um sorriso, mas não tinha muito sucesso.

– Ok? — Perguntou o médico calmo.

– Ok. — Suspirou Kurt, soltando Blaine mas continuando com a falta de espaço entre os dois. Kurt tentou segurar algumas lágrimas, ficando apenas com os olhos marejados. Blaine percebeu, mas não falou nada. Estava na mesma situação. — Hã... Hm... — Kurt procurava palavras, enquanto olhava para Blaine. Quinn tinha razão, ele era baixo demais. — Pensei que você não vinha.

"- Pensei que Kurt tivesse sido bem claro em não querer você aqui."

– Pensou mesmo? — Blaine sorriu mais uma vez enquanto Kurt negava com a cabeça. O médico pegou o celular no bolso de seu jaleco e o entregou para Kurt. O castanho estranhou mas observou o objeto que tinha aberta uma notícia do jornal local. As letras demoraram para se encaixar e parecia que Kurt não lia há séculos.

O artigo dizia "O CASO HUMMEL. Hoje, o jovem Kurt Hummel, 19, que ficou nacionalmente conhecido por submeter-se à cirurgia de Recuperação de Fluídos entra na sala de cirurgia. O hospital e a equipe de médicos não liberaram nenhuma informação para a impressa, e apenas o que sabemos é que o famoso oftalmologista Dr. Blaine Anderson já está a caminho de Nova Iorque para participar da operação."

– V-você...? — Não conseguiu terminar a frase.

– Não achou que eu deixaria você sozinho nas mãos de médicos desconhecidos, achou? — Kurt tentou evitar um sorriso. — Peguei o avião mais próximo para Nova Iorque, depois do seu, claro.

"Discou, com dificuldade, o número de Blaine e esperou chamar. Infelizmente não chegava a dar o primeiro toque e já desligava, indicando fora de área."

– E Katie? — Kurt perguntou.

"- Malas prontas, celular, passaporte e documentos em mãos... — Blaine corria pela casa. Estou esquecendo alguma coisa? Meu cabelo está bom? Não posso perder este voo e — — Katie o interrompeu.

– Blaine, calma! Você vai pegar este avião, vai operar Kurt e vai dar tudo certo!

– Tudo bem. — Fechou os olhos e respirou firme. Pegou a chave do carro e da casa em mãos e caminhou até o carro, onde colocou sua mala no porta-malas. — Onde estão suas malas? — Katie permaneceu em silêncio. — Katie...

– Você não precisa de mim, Blaine. Eu sou uma mulher crescida, na cidade com mais apoio à cegos no mundo. Nossa casa é toda adaptada e eu finalmente estou feliz aqui. — Suspirou, caminhando até o irmão. — Não sou mais uma criança, não preciso que você cuide de mim.

– Mas... — Blaine não tinha palavras. Realmente, Katie estava crescida e um dia precisaria começar a viver longe do irmão, mas Blaine não pensou que isso fosse acontecer tão cedo. — T-tudo bem, mas assim que eu resolver minhas coisas nos Estados Unidos eu volto e — — Agora quem o interrompia era Katie.

– Não, você não vai voltar e sabe disso. Desde que chegamos, aqui nunca foi o seu lugar. Os Estados Unidos é. Você ganha uma fortuna trabalhando aqui, você finalmente teve o emprego que sempre quis e é reconhecido nacionalmente, mas Blaine, me responda, onde você gostaria de estar agora?

"Ao lado de Kurt" pensou o moreno. Blaine suspirou fundo, deixou algumas lágrimas caírem a puxou a irmã para um abraço apertado.

– Não pensei que te daria adeus tão cedo.

– Não é um adeus, apenas um "até logo". Você e Kurt podem me visitar quando quiserem, tudo bem? — Blaine assentiu ainda no abraço. Katie beijou sua testa e se afastou. — Agora vá, antes que você perca esse voo e fale que foi por minha culpa.

– Te ligo assim que chegar lá.

– Com o sinal horrível de telefonia naquele país? — Gargalharam. — Eu também te amo, pandinha!"

– Katie ficou. — Kurt ficou surpreso. — Finalmente foi hora de a deixar livre, mesmo sendo esse irmão babão que sempre fui. Irei visitá-la frequentemente, mas agora seguimos caminhos diferentes.

– Isso significa que você irá morar aqui agora? — Ficou com medo da resposta.

– Significa. — Sorriu para o chão, novamente.

– M-mas você não está fazendo isso por mim, certo? D-digo, isso é algo muito grande para ser feito e caso não dermos certo você sempre irá ficar com aquela imagem de mim na cabeça como "o cara que me fez mudar de país duas vezes" e — — Blaine o interrompeu.

– Não, não. Não foi por você. — Deu de ombros, estava mentindo, mas precisava confortar Kurt. — Eu já estava cansado de ver tantos cangurus mesmo.

Kurt gargalhou e finalmente abraçou o ex-namorado. Fechou os olhos rapidamente e sentiu como se tivesse ficado cego novamente, mas não se importou, desde que tivesse Blaine sempre ao seu lado.

– S-senti tanta sua falta. — Blaine suspirou conforme abraçava o castanho. Ele havia sentido mesmo. Kurt sorriu e desvencilhou do abraço, encarando o mais novo.

– Eu também. — Kurt abriu seu sorriso ainda maior e capturou os lábios do médico nos seus. Circulou seus braços na cintura do médico, que suspirava durante o beijo. Finalmente.

DOIS ANOS DEPOIS

– Eu não acredito que estou realmente fazendo isso. — Kurt gargalhou enquanto colocava uma caixa de papelão no chão. Blaine veio por trás e abraçou o namorado, depositando alguns beijos em seu pescoço.

– Isso o quê?

– Vindo morar com você. Parece tão... Adulto. — Sorriu, se virando para Blaine e depositando um selinho em sua boca. Caminhou até o corredor do apartamento e trouxe, finalmente, a última caixa.

– Você pode mudar de ideia se quiser... — Falou Blaine receoso, se encostando no batente da porta e vendo Kurt limpar o suor que tinha em sua testa. O castanho usava um óculos, devido à recente cirurgia (não toda a hora, apenas para descanso).

– Nunca. — Kurt sorriu e fez sinal para Blaine vir até ele. — Você não teria sorte o suficiente para se livrar de mim. — Puxou o namorado pela cintura e sorriu para o mesmo.

– É, eu sei. — Capturou os lábios de Kurt novamente.

– Mmh, — Kurt tentou falar durante o beijo, mas só conseguiu assim que separou as bocas. — Você precisa fazer essa barba. — Se referiu à pequena barba de Blaine que começava a roçar durante o beijo.

– Uma vez homem das cavernas, sempre homens da caverna. — E se jogaram no sofá, observando o antigo apartamento de Blaine, que agora seria não só de Blaine, mas também de Kurt.

Kurt observava o lugar com um sorriso no rosto, imaginando como seria viver ali de agora em diante. Rolou os olhos sobre cada canto da casa, mas parou em um item em especial que estava repousando na mesinha de centro.

– O que é isso? — Pegou o livro na mão.

– Veja você mesmo. — Blaine sorriu para o namorado.

Na capa tinha os dizeres "O amor não enxerga com os olhos, de George P. Whil." Kurt observou um Blaine gargalhando antes de abrir o livro e ler a sinopse. "Anne Mcbell era uma linda jovem que tinha todo o ensino médio pela frente, quando em uma viagem com o pai acaba em um acidente terrível. As consequências da tragédia são perceptíveis e Anne acaba perdendo a visão, assim como a vontade de continuar viva, mas com o passar dos dias descobre em um hospital uma razão para sorrir todos os dias. Apesar de seu médico — e também amante -, Dr. Brad Johnson, não recomendar uma cirurgia em que Anne possa voltar a enxergar, a menina é relutante, o que acaba gerando uma confusão entre os dois. Será que Anne voltará a enxergar, e será que conseguirá o amor de Brad de volta? Baseado em fatos reais."

– Ele não fez isso... — Kurt lia com calma, não acreditando nas coisas que estavam escritas naquele livro.

– Ah, ele fez. — Blaine gargalhava baixo. — É um dos livros mais comprados, segundo o New York Times. Dizem que a história é bem envolvente, sabia?

Kurt ainda tinha os olhos no livro.

"Anne e sua melhor amiga Trisha, seu pai Gary, sua madrasta Melissa, seu meio-irmão Barry e sua cunhada Lisa. Brad e sua irmã cega Jen", mas isso é a coisa mais doente que eu já li. — Blaine gargalhava cada vez mais.

– Olhe a última página.

O castanho virou, tentando não ficar mais irritado do que já estava. No epílogo do livro, uma pequena dedicatória. "Agradeço aos meus companheiros de trabalho e, especialmente, às duas pessoas que me fizeram mudar o rumo dessa história e inspiraram o livro, Kurt e Blaine. Obrigado, e pedirei desculpas mil vezes se precisar."

Blaine continuava gargalhando devido à expressão de Kurt. O castanho segurava o livro com força, como se aquele fosse o pescoço de George e o escritor estivesse ali naquele momento.

– Relaxa. — Tirou o livro das mãos do castanho e o colocou na mesa novamente, abraçando o namorado. — Deixa rolar. Vai até virar filme. — Kurt encarou Blaine com a feição "está ajudando muito", e o moreno gargalhou mais ainda. — O que eu quero dizer é que deixe. Deixe que nossa história domine o mundo, deixe que todos vejam o que passamos e o que ainda vamos passar. Não devemos nada à ninguém e o dinheiro que você vai ganhar com direitos autorais vai fazer tudo valer à pena, apenas aproveite, ok? — Kurt estava em dúvida em assentir. — Ok? — Blaine beijou o topo de sua testa.

– Ok. — Disse tentando parecer bravo.

– Aliás, essa Anne Mcbell me parece uma beleza, hein?! — Brincou, sendo atingido por uma almofada.

.:.

Começaram bem e estavam bem.

Quem foi que disse que precisa ter um final?

Notas finais
poisé, amores... FIM!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!