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32 #32 Que merda é essa de fila de espera do céu?


Notas iniciais
capítulo que prometi pra lindinha da giovana! NHAW (>*-*)> teve gente que pediu, mas não, não vai ter mais plot em Atlanta, hehehehe he hehe

– E-eu tenho que sair desse avião.

23 HORAS ANTES DA CIRURGIA

– K-kurt, o que você está fazendo? — Quinn se assustou ao ver o amigo pulando por cima de sua poltrona para chegar ao corredor. Seria Kurt capaz de fazer o que a loira achou que iria?

– O avião não decolou ainda. E-eu ainda tenho chance. Preciso falar para Blaine que acredito nele, e que... E que eu sinto muito! — Kurt parecia desesperado, e não havia motivo para menos.

– Desculpe, mas o que está acontecendo aqui? Peço para que fique sentado. — Uma aeromoça aparece ao lado de Kurt, o empurrando delicadamente até sua poltrona.

– Não, você não entende. E-eu preciso descer desse avião. — Disse como se fosse a coisa mais fácil do mundo. A aeromoça deu um sorriso, interpretando como brincadeira.

– Senhor, as escadas já foram retiradas e as portas estão lacradas. Queira se sentar, sim?

– Você não entende. — Kurt pegou a mulher pelos braços. Finn e Rachel perceberam a confusão do outro lado do avião. — E-eu preciso descer do avião e contar para o meu ex-namorado que eu sinto muito, e que eu ainda o amo.

– Senhores passageiros, aqui é o piloto Dean Coticov. O avião decolará em alguns minutos. Apertem os cintos e fiquem a vontade. A American AirLines agradece sua escolha para voar conosco.

– Você poderá fazer isso uma vez que o avião pouse em Nova Iorque. Vou pedir apenas uma vez para o senhor sentar, ou então terá problemas com o co-piloto. — Falou com os dentes cerrados.

– Merda! Ok! — Kurt gritou, ignorando todos do voo o encarando. Quinn sentou-se ao lado da janela agora e Kurt ficou com o corredor.

O castanho apertou os cintos e recostou sua cabeça no encosto, suspirando forte. Uma vez que o avião decolasse para Nova Iorque, nunca mais veria Blaine. Poderia tentar convencer o moreno a voltar para os Estados Unidos, mas tinha praticamente certeza que Blaine não iria. Largar o emprego de seus sonhos, sua irmã, sua nova vida apenas por um paciente qual sequer acreditou em suas palavras?

– Vai ficar tudo bem... — Quinn segurou a mão de Kurt.

O cego queria acreditar naquelas palavras, porém simplesmente não conseguia. Sabia que alguma coisa iria dar errado, e que sua última lembrança com Blaine seria naquele quarto de hospital, com Kurt duvidando de suas palavras. Por um momento quis correr até o outro compartimento do avião e socar o rosto de George.

A viagem durou longas horas, Kurt dormiu a maioria delas. Quinn alternou de ficar observando o oceano em baixo do avião e assistindo um filme, mas acabou ficando no tédio de qualquer jeito. Uma ótima maneira de ver o tempo passar foi encarar Kurt dormindo, imaginando que, talvez, o castanho voltaria a enxergar.

Kurt poderia ver o quanto ela tinha mudado. De cabelos loiros na altura do ombros presos em um rabo de cavalo para cabelos rebeldes na altura do ombro. De vestidos românticos para calças jeans e camisetas... Poderia ver como Rachel mudara de polainas para botas e mini-saias, ou como Finn havia crescido alguns centímetros. Como a casa em que morava havia sido pintada de outra cor, ou como era o carro que seu pai comprara depois do acidente. Mas, o mais importante Kurt jamais veria: Blaine.

É claro que a loira se certificou de tirar inúmeras fotos de Blaine durante o namoro do casal, mas não esperava que Kurt sentisse o mesmo ao ver Blaine por foto e ver o moreno ao vivo. Tentaria convencer o moreno, mas o mesmo já havia dito que não voltaria para os Estados Unidos por ninguém, nem mesmo Kurt.

Sabia que Kurt iria sofrer mil vezes mais, mas pensou por alguns instantes em jogar todas as fotos de Blaine fora e fazer de tudo para que as fotos do médico na internet também sumisse. A missão era tentar fazer como se Blaine nunca tivesse existido, por mais que isso doesse mais ainda. Um dia iria parar, não iria?

17 HORAS ANTES DA CIRURGIA

– Kurt? — Quinn chacoalhou o amigo que se mexeu um pouco na poltrona do avião. A loira sorriu e sussurrou no ouvido do castanho. — Kurt, chegamos nos Estados Unidos.

– C-chegamos? — Perguntou ao mesmo tempo que bocejava.

– Sim. Vamos, bela adormecida. Temos um hotel para dar check-in e um hospital para nos preparamos para uma cirurgia.

– Você fala como se você fosse ser operada. — Sussurrou saindo do avião com a ajuda da loira. Realmente, era os Estados Unidos.

Por um minuto pensou que Quinn tivesse o enganando e assim que pisasse em terra firme, estaria na Austrália novamente e Blaine correria e o abraçaria, mas não. Sentiu o ar pesado e poluído, ouviu as pessoas falarem o mais correto inglês e ouviu as músicas locais tocando no saguão do aeroporto. Era, infelizmente, os Estados Unidos da América.

Seguiram até o hotel em mais perfeito silêncio. Os amigos pediram para Finn e Rachel não comentarem com Burt e Carole sobre o incidente no aeroporto e depois de muita chantagem, finalmente conseguiram. O hotel não era uma das melhores coisas, pois foi escolhido em cima da hora. Kurt dormiria com Quinn, Rachel dormiria com Finn e Burt com Carole.

– Será que eu posso tirar um cochilo antes de ir para o hospital? — Perguntou no corredor para seu pai.

– Claro, filho. Mas lembre-se que daqui a algumas horas temos que ir para o hospital fazer sua cirurgia. Dessa vez não sairei do seu lado por um segundo, tudo bem?

Kurt assentiu e entrou no quarto e logo franziu o cenho ao ver apenas uma cama de casal. Quinn não estranhou o fato de Kurt querer dormir ainda mais depois de ter dormido oito horas na viagem, pois estava morta de cansaço também. Apenas trancou a porta do quarto e caiu na cama, babando nos lençóis.

O castanho fez questão de esperar alguns minutos até perceber o silêncio no quarto e levantou da cama, pegando o telefone do hotel em mãos. Não se importaria em gastar milhões de reais, afinal, não era George quem estava pagando? Aproveitaria e ligaria para alguns parentes distantes.

Discou, com dificuldade, o número de Blaine e esperou chamar. Infelizmente não chegava a dar o primeiro toque e já desligava, indicando fora de área. Provavelmente mais um problema comum na Austrália. Tentou mais uma vez, e outra, e outra. Felizmente tentou ligar para Katie (se lembrasse o número da cega), porém chamava e ninguém no outro lado atendia. Ficou umas cinco horas consecutivas tentando fazer uma ligação sequer. Para o escritório de Blaine, para Sebastian, para Katie, para Blaine e até para Mark... Nenhum atendeu o telefone e o cego começou a pensar que talvez o problema fosse no telefone do hotel.

Kurt desistiu, derrotado, e jogou suas costas contra o colchão. Tentou chorar, tentou deixar as lágrimas rolarem mas a faixa não permitia. Realmente quis arrancar aquilo fora e desistir de toda essa cirurgia. Queria ligar para George e o xingar de tudo que conhecia, de o bater e tudo mais, mas não faria. Aliás Quinn havia contado que Blaine havia feito isso, com um belo soco no rosto deixando roxo até agora. Um sorriso brotou em seus lábios.

Suspirou pela última vez, deixando-se levar pelos pensamentos e desejos, imaginando nas coisas que diria para Blaine quando o ligasse e o médico atendesse. Pensou em um jeito de economizar dinheiro e viajar até a Austrália, pensou de tudo um pouco, mas logo foi levado pelo sono incontestável. Dormiu com um sorriso no rosto, já que poderia "ver" Blaine em seus pensamentos.

Inconsequentemente abraçou Quinn na cama, acordando a loira. A cristã nem se importou, apenas abraçou Kurt novamente e voltou a cochilar. Nada de mal poderia acontecer por enquanto.

[...]

"- Kurt, você pode me ouvir? — Uma voz angelical soava pela mente de Kurt. O estranho era que Kurt poderia enxergar em seus sonhos, via imagens vivas como se nunca tivesse ficado cego. Era a melhor parte de dormir.

Não conhecia aquela voz, mas ao mesmo tempo sonhava que sim. Conhecia ela das suas lembranças mais profundas, dos seus sonhos mais escuros. Era aquela a voz de alguém muito querida que partira em sua infância?

– M-mãe? — Se engasgou. Kurt estava perdido em uma sala branca. Deduzia ser uma sala, mas não havia paredes. Apenas luzes e fumaça branca. Kurt estava todo vestido de branco (é claro, com seu estilo). Sentia como se tivesse morrido e estava visitando o céu, mas não pela primeira vez.

– Sim, meu anjo.

– M-mãe. O que é aqui?

– Depende o que você vê, meu amor. — Finalmente Kurt viu um rosto ao longe, bem perto da luz. Esse rosto sorria para Kurt e era exatamente como os rostos nos porta-retratos da parede de sua casa.

– Uma imensidão, fumaça, nuvem... — Disse dando breves passos.

– Aqui é o paraíso, meu filhote. — A mulher se aproximava de Kurt e o castanho pôde ver que ela vestia um lindo vestido branco de cauda longa. — Cada um vê como o sub-consciente imagina que é o céu.

– E-eu morri? — Kurt arregalou os olhos, preocupado. — E-eu não posso morrer, mãe. Eu tenho que cuidar do meu pai, e tem Quinn... Eu acho que Quinn estava com problemas com o namorado e ela precisa de mim. E tem o Finn que mal consegue vestir uma calça jeans sozinho, e também tem Blaine... Eu tenho tanta coisa não resolvida e... — Molly sorriu e interrompeu o filho.

– Não, Kurt. — Sorriu mais um pouco antes de continua. Aproveitou que estava perto do filho e segurou suas mãos, fazendo Kurt sentir uma paz que nunca havia sentido antes. — Aqui é a sala de espera. Se você tivesse morrido já estaria passando pelos portões do céu.

– Sala de espera do quê, exatamente? — Parecia irritado. Nenhuma de suas respostas eram respondidas.

– Você está em coma, Kurtie.

– Como?! — Perguntou um tanto quanto debochado. — Mas eu acabei de dormir. E-eu estava no meu quarto de hotel ligando para Blaine... Isso não pode ser real. É um sonho. Só preciso me beliscar e... — Kurt tentou. — ...AU! Isso realmente dói.

– Você não vai acordar, Kurt.

– Eu ainda não entendi como vim parar aqui. — Saiu do aperto das mãos da mãe, desconfiado de toda essa história de "sala de espera do céu".

– Você foi dormir mas seu despertar nunca chegou. Quinn acordou, tentou te animar mas então percebeu que era inútil. Seu pai e todos seus amigos estão no hospital agora. Sua cirurgia em Atlanta foi de um risco enorme e a pressão que o avião acabou danificando as veias que ligavam ao cérebro. Bom, eu não entendo termos médicos, meu amor. — Realmente, Molly tinha um sorriso que iluminava o ambiente inteiro. — Você está em coma, nesse momento está no hospital.

– Isso parece um sonho.

– Kurt, não é um sonho.

De repente, todo o cenário onde Kurt estava se virou na sala de cirurgia. Podia ver os médicos correndo e seu corpo desacordado em uma mesa de cirurgia. Por um momento esqueceu que estava podendo enxergar novamente.

– E-eu estou enxergando. — Disse com um sorriso enorme.

– Eu acho que você não está compreendendo, filho. Você pode morrer aqui, isso depende de você.

– De mim? — Porque diabos ela não tinha falado isso antes?

– Sim. Você precisa tentar acordar, faça a força que puder. Você precisa acordar ou então a cirurgia poderá não acontecer e não funcionar; e olhe seu pai... — Logo Kurt e Molly estavam na sala de espera, onde Quinn, Finn, Rachel, Burt e Carole estavam. O clima era incontestável. Era o lugar mais triste que Kurt poderia ter ido. — Ele está desolado, meu amor. Nem Carole está conseguindo confortá-lo. Você só conseguirá sair daqui se quiser.

– M-mas, como eu faço isso?

– Essa é a pergunta que todos os pacientes em coma se fazem.

Molly deu um beijo molhado na bochecha de Kurt e sumiu, assim como todo o cenário. Kurt agora estava deitado na sala de cirurgia. Novamente não podia enxergar, mas isso era o que menos se importava naquele momento. Kurt tentou abrir os olhos, tentou mover o braço ou a perna, mas era fisicamente impossível. Precisava tirar forças de algum lugar, mas de onde?

Que lembrança traria força o suficiente para Kurt se levantar daquela maldita cama e sair daquele maldito coma?"

Notas finais
MUAHMUAHMAUHMAMUHA!!!! não me persigam na rua e não me matem, por favor! (quaisquer semelhanças entre esse piloto e o piloto da minha história FAME são meras coincidências, ou não)