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27 #27 Aviões frequentes à Austrália


Notas iniciais
dormi durante quatro dias, pensei que o inverno tinha chegado e hibernei ATUALIZADA: o nyah tirou todos os travessões desse capítulo! já estou dando um jeito :T

– Kurt, espera! — Quinn correu atrás do amigo pelos corredores do prédio.

– Porque essas coisas só acontecem comigo?! — Perguntou quase berrando, para todos escutarem. — E-eu achei que já tivesse superado, mas de repente a vida vem e esfrega Blaine em mim novamente e eu... E-eu não quero vê-lo... — Colocou as mãos na cintura, tentando esconder o quanto estava abalado.

– Mas não era isso que você queria, afinal? — O castanho suspirou fundo. — Eu te conheço até demais, Hummel. — Quinn caminhou até o amigo, o abraçando. — Você acha que eu não leio o que restou do brilho dos seus olhos? Há um ano você conheceu aquele médico por quem se apaixonou, então não venha querer falar pra mim que não quer vê-lo, porque sei que você quer.

– Quinn... — Afundou o rosto na curva do pescoço da loira.

– Precisamos ir para Atlanta. — Kurt levantou seu rosto com o cenho franzido. — Sim, eu sei que você achava que eu iria te falar para seguir em frente e esquecer esse médico que abalou seu mundo, mas isso vem com o tempo. Baseado nas coisas que sei, precisamos saber por que ele te abandonou. Então, vai aceitar as passagens?

– Quinn... — Falou com um sorriso estranho no rosto, que Quinn não decifrou se era bom ou ruim. — Quando eu penso uma coisa, você faz exatamente outra. Talvez seja por isso que eu te odeio.

– Você me ama. — Corrigiu a loira, tirando um sorriso do rosto do castanho. — Mas agora precisamos dar um jeito de contar para seus pais...

O sorriso de Kurt se desfez.

[...]

Finn e Rachel acharam um apartamento perfeito na parte rica de Nova Iorque, a alguns minutos da Broadway. Kurt particularmente amou o apartamento, Quinn só sorriu quando viu seu quarto com uma cama de casal enorme e televisão à cabo. O aluguel era um pouco salgado, mas por um lugar daqueles valia à pena. A semana toda Kurt não havia comentado nada sobre Atlanta com os pais, ou com Rachel e Finn, mas já havia confirmado seis passagens para Atlanta com o doutor Whil.

O avião aterrissou em Ohio depois de um voo tranquilo. Kurt dormiu a viagem inteira, mas em seus sonhos pode ouvir Quinn tagarelando com Rachel sobre Atlanta, sobre cangurus, animais bizarros e qualquer outra coisa que se relacione à Austrália. Burt foi buscar os jovens no aeroporto, e Kurt ficou calado a viagem toda. Seu pai foi o único a perceber, e quando o Hummel menor era perguntado sobre a consulta ele apenas respondia um rápido "foi legal". Quinn se recusava a contar alguma coisa.

Foi no almoço quando as coisas explodiram.

– E a consulta, como foi, filho? — Carole perguntou enquanto servia os brócolis.

– Foi bom. — Quinn completou, ironizando Kurt.

– Foi legal. — Finn também entrou na brincadeira.

– Nada de mais... — Rachel gargalhava baixo.

– Na verdade, foi um pouco estressante. — Burt levantou os olhos encarando o filho terminar de contar. — O doutor George (Clooney) é bem simpático, e disse que a cirurgia de reconstrução, recuperação, ou sei lá, é recomendada por ele e por outros médicos. Mas antes dela, preciso fazer uma pré-cirurgia, pequena e de pouco risco. — Assentiu enquanto comia seu pedaço de frango.

– I-isso é maravilhoso. — Burt tinha lágrimas nos olhos. Queria mencionar o quanto Blaine foi idiota por não ter deixado Kurt fazer a cirurgia, mas desde que o moreno se foi, seu nome não era mais tocado naquela casa. O fato era que, tirando Kurt, todos ainda estavam bravos com o moreno, e com razão. Acharam Kurt perdido, aos prantos no meio da rua e Blaine? Havia ido embora. Não atendia ligações, não respondia mensagens e não mantinha mais contato. Se Burt visse Blaine na frente... Honraria o nome dos Hummel.

– Porém... — Kurt sussurrou e Burt não gostou nem um pouco desse tom de voz. — Essa pré-cirurgia precisa ser feita com uma semana de antecedência da outra, porque precisam pegar uma réplica de córnea, compararem com meus exames e tudo mais. Coisas de médico.

– E qual é o porém disso? — Perguntou Burt.

– É uma cirurgia muito rara... — Kurt hesitou. Quinn percebeu que o castanho quase gritava por ajuda.

– E também é muito cara. Mas o médico falou que sua clínica irá pagar, já que é uma cirurgia que faz um médico ficar conhecido por séculos. E como é tão rara e especial, só tem um lugar que ela possa ser feita com total acompanhamento e ajuda médica. — Quinn assentiu e Burt já viu onde isso iria chegar.

– E por acaso esse lugar é do outro lado do Oceano? — Perguntou pressionando as têmporas, tentando associar uma coisa à outra.

– Sim... — Kurt sussurrou. — M-mas não tem nada a ver com Blaine. É que Atlanta ficou conhecida como a capital da oftalmologia e lá tem as melhores máquinas, e os melhores consultórios e... — Burt o interrompeu.

– Me pergunto por que Blaine se mudou pra lá. — Falou irônico e Kurt se sentiu mal por um momento. — Kurt, eu te amo, você é meu filho e quando surgiu com essa ideia maluca de cirurgia para voltar a enxergar eu te apoiei, mesmo tendo a mesma opinião que Blaine. Se isso pode te matar, não é uma coisa boa. Como todo pai te apoiei, mas você tem certeza que está fazendo isso por você?

– S-sim, pai. — Engoliu seco. — Ser cego é um saco. Sei que aprendi coisas, sentidos e braille, mas que é um saco é. Sinto falta de enxergar coisas simples, nem que seja Finn andando de cueca pela casa...

– Ei!

– Mas é algo que antes eu sequer me importava e agora são coisas pelas quais eu mataria para ter novamente. Eu quero volta a enxergar, quero ser uma pessoal normal de novo! — Suspirou, desabafando.

– O que vocês acham? — Burt perguntou, ainda sem expressar nenhum tipo de opinião.

– Eu acho que se isso for fazer Kurt calar essa boca e parar de resmungar, está tudo bem. — Quinn gargalhou baixo ao levar um chute do castanho.

– Se é algo que ele quer, e se isso for trazer o velho sorriso de Kurt novamente... — Rachel falou sincera e Finn assentiu.

Carole apenas lançou um olhar de conforto para Burt, que se deu por vencido.

– Então, o que posso fazer? — Ergueu os braços.

– Isso é um "sim, vamos à Atlanta"? — Kurt perguntou com um sorriso nos lábios.

– Parece que sim.

Kurt sentiu como se fosse pular por cima da mesa e dar um abraço no pai, mas guardou o sentimento para si. Apenas soltou um sorriso enorme de satisfação e continuou o almoço. Burt não era tolo, sabia que Anderson estaria lá e sabia que isso mexeria com o emocional do seu pequeno menino, mas que tipo de pai seria se proibisse o filho de voltar a enxergar?

Mas quero ter uma conversa com esse tal médico de Nova Iorque.

– Qual é o nome dele mesmo? — Finn perguntou curioso.

– George Whil.

[...]

"George Whil é o nome dele." Finn falou por telefone. — "Se Kurt descobrir que ainda mantenho contato com você ele vai colocar fogo no meu corpo, assim como Burt e minha mãe. Mas você é o único que pode ajudar."

"Eu entendo, Finn." Blaine colocou o telefone no viva-voz e terminou de vestir seu (novo) jaleco branco. — "Nunca ouvi falar desse tal George Whil, aliás."

"Kurt diz que ele soa como o George Clooney, e que não só aceitou ser o cirurgião, mas como falou que recomendaria a cirurgia meses atrás... Eu pesquisei, li os e-mails que me mandou. Essa cirurgia é praticamente um suicídio." Blaine ignorou a parte de seu cérebro que tendia por ciúmes e tentou ser o mais racional possível.

"Finn, essa cirurgia é arriscada, e falei todas aquelas coisas porque me preocupo com Kurt. Agora tenho que desligar porque meu turno me chama, mas irei pesquisar melhor sobre esse Doutor Whil e depois conversamos." Blaine hesitou. — "E Finn, obrigado por todas essas informações, de Kurt e de vocês..."

"Eu ainda não entendo porque você foi embora. Ainda tenho um pé atrás com você por ter deixado Kurt tão quebrado e sozinho, mas não vou te julgar sem antes saber os motivos. Cada coisa com seu tempo. Bom trabalho, te mando mensagem quando Kurt não estiver por perto e você puder me ligar e..." Finn congelou do outro lado da linha. Blaine pode ouvir outra voz ao fundo do telefone. "Com quem está falando, Finn? ..." Blaine congelou ao ouvir Kurt. Sua voz parecia diferente, parecia distante. "...Com os pais de Rachel. É-é melhor levá-la para casa... Adeus, Hiram." E Finn desligou o telefone.

Blaine se lembrava como era a voz de Kurt, mas nunca havia a ouvido tão distante e fria, como se Kurt tivesse passado por muita coisa, ou por algo muito ruim, capaz de o abalar de forma intensa. Suspirou. Era o culpado por tudo isso.

– Você não precisava ter feito isso por mim. — Katie estava na porta do quarto de Blaine. — Você não queria vir para Atlanta.

Blaine caminhou até a irmã e beijou sua testa. Ela era tão indefesa, tão frágil e Blaine podia ver em seus olhos o brilho perdido feito por Mark. Ele não podia conviver com a ideia de ter feito o mesmo que Mark fez com Katie, com Kurt. Era abominável a ideia de abandonar alguém, mas ele o fez.

– Você vai para a instituição hoje? — Perguntou o médico ainda com os lábios colados na testa da irmã.

– Sim, daqui a pouco. Ethan vem me pegar... — Katie sentiu no ar Blaine maliciando a coisa. — Nem começa, pandinha!

– Nos vemos mais tarde. — E Blaine caminhou até seu carro, dirigindo até o hospital onde era o oftalmologista geral.

Blaine podia ter o maior cargo dali, receber quase o triplo de salário que recebia antes e ser um dos mais famosos médicos que ainda vivem, mas tudo ia embora quando andava por aqueles corredores. Sebastian fazia de tudo para que Blaine não ficasse mal, ou sentisse saudades, mas o que mais machucava era saber que não foi naquele hospital que conheceu Kurt.

Blaine já havia sofrido de coração partido e saudades antes, mas nunca como agora. Sentiu na pele quando seu primeiro namorado se foi por causa de trabalho, doeu, mas nada se comparava à saudades que sentia agora.

[...]

ALGUNS DIAS DEPOIS

– Cadê minhas malas? — Kurt gritava escada abaixo.

– Estão no carro. — Burt falava enquanto tentava andar e colocar o calçado ao mesmo tempo. — Carole, onde estão meus óculos?

– No seu rosto. — Gargalhou. — Onde estão Finn, Rachel e Quinn?

– No carro.

Kurt chegou no primeiro andar vestindo suas melhores roupas, usando seu melhor perfume e vestindo seu melhor sorriso. Tinha duas malas em mãos, mesmo já tendo carregado o carro com duas.

– Kurt, é Atlanta, não é a abertura da Fashion Week. — Falou o pai sincero, mas conhecia o filho então deu de ombros e carregou as malas no carro.

– Se o avião ter excesso de bagagem, todos irão saber que a culpa é do Hummel. — Gritou Quinn do lado de fora da casa, fazendo Kurt gargalhar baixo.

Carole terminou de fechar as janelas e finalmente trancou a porta da frente. Minutos depois todos os seis já estavam sentados dentro do avião, que decolava com destino à Atlanta, Austrália. Kurt suspirou, levando em mãos um pequeno panda de pelúcia. Estaria mentindo se falasse que não se vestiu assim na possibilidade de encontrar o ex-namorado.

Notas finais
tá parecendo final de novela que fica > uma semana depois > cinco dias depois > quatorze meses depois > ... a companhia aérea tá lucrando com minhas fics, pfvr esse capítulo foi só pra encher linguiça, não me culpem