Notas iniciais
mas olha que coisa, meu notebook estragou de novo! to postando esse capitulo do notebook da minha irmã :(

Kurt acordou com uma dor insuportável em seu corpo, mas ao mesmo tempo tinha um sorriso novo nos lábios. Ele não havia esquecido o que tinha acontecido no dia anterior, e como poderia se sonhou a noite toda com as mãos de Blaine o pegando e marcando seu corpo inteiro? Suspirou contente e saiu de cima do braço do namorado, se sentando na cama. Tomou coragem de tatear o quarto e procurar o banheiro, achando também o chuveiro. Virou lentamente a válvula e a agua começou a cair ligeiramente.

O médico havia acordado, apenas não tinha vontade de abrir os olhos. Blaine era um preguiçoso nato e deveria estar horas atrasado para seu trabalho, mas se pudesse ficaria em casa apenas curtindo a mordomia e seu namorado gostoso. Ouviu o barulho de agua vindo direto do banheiro e caminhou até lá encontrando Kurt debaixo do chuveiro, com a agua quente batendo em seu corpo, apenas apreciando a sensação.

– Olá pra você também, Blaine. – Falou reconhecendo a presença do namorado.

– Você está ficando bom nisso... – Sorriu Blaine sem graça enquanto coçava os cabelos e seus cachos. Ficou um tempo admirando o corpo branco e marcado do namorado.

– Digamos que eu tenha melhorado cem por cento desde que estou com você... – Respondeu tímido enquanto abria o boxe. – Você não vem tomar banho comigo? – Perguntou mordendo os lábios.

Blaine abriu um sorriso enorme e atacou a boca vermelha de Kurt, fazendo suas costas se chocar contra a parede enquanto a agua quente escorria pelos dois corpos. Desde que começara a namorar Kurt, Blaine sabia que o namoro dos dois deveria ser algo puro e lento por Kurt ainda ser um mero adolescente, mas na noite passada e principalmente agora, Kurt havia se mostrado um homem e tanto. E isso não era Blaine dizendo, e sim as mãos vorazes de Kurt procurando alguma pele para apertar e marcar.

O beijo era selvagem, um sugava a língua do outro em uma dança de sobrevivência e o fato de ambos estarem pelados apenas ajudava o fogo aumentar. Não fizeram amor novamente, mas aproveitaram aquele banho como nenhum outro.

Depois da ducha Kurt vestiu uma camiseta azul marinho de Blaine e uma calça jeans emprestada do namorado, enquanto Blaine vestia seu uniforme do hospital. Desceram as escadas de mãos dadas e Katie já esperava os dois no andar de baixo.

– Bom dia, princesas. – Ironizou. – O hospital ligou umas quinze vezes já, Blaine. O que vocês fizeram lá em cima pra se desligar do mundo desse jeito?

Silencio constrangedor.

– V-vou ligar pra eles e inventar alguma desculpa. Volto em alguns minutos. – Disse um pouco envergonhado e quase correndo pra fora do cômodo.

– Bom... – Katie começou a rir e Kurt se sentou do lado da cunhada. – Kurt, meus pais ligaram agora a pouco, e me precipitei e marquei um almoço hoje, e o pior, prometi que Blaine iria.

– Katie, você perdeu o juízo?

– Eu quero tanto ver minha família unida novamente, K. – Ela apertou as mãos do cunhado fortemente. – O que você sentia antes de seu pai se casar com Carole? Eu sei que ela não vai e nunca irá substituir a sua mãe, mas você não se sentiu bem, completo? É assim que quero me sentir todos os dias ao me acordar. Quero poder sentir o cheiro de cookies escada abaixo e na noite de sexta-feira quero um maldito jantar em família. Só queria viver em uma casa onde os presentes ficassem embaixo da arvore no natal e os pais não deixassem os filhos abrirem... – Lagrimas escorriam pelo rosto da baixinha.

– Katie, eu não posso dizer que sei como é, mas acho que te entendo. Significaria muito pra você Blaine aceitar seus pais de volta?

– Sim... – Suspirou, limpando as lagrimas. – Não estou pedindo que ele abra as portas dessa casa que conquistamos e deixe os Sr. e Sra. Anderson virem morar aqui como se fosse deles, mas um dia na semana ter a família reunida seria bom quanto.

Kurt fechou os olhos tentando resolucionar esse problema. Era perito nisso desde criança, e também gostava de se sentir útil. Acabou acontecendo que o útil se uniu ao agradável.

– Para a minha sorte o Dr. O’Neal foi trabalhar hoje, o que me torna dispensado no dia. – Blaine se jogou no sofá. – Então o que faremos? Estou morrendo da fome.

– E-eu vou pro meu quarto. – Katie disse antes de sumir escadas acima numa velocidade alta.

– O que aconteceu? Interrompi a conversa?

– Praticamente sim, mas foi bom. Precisamos conversar. – Kurt disse alcançando a mão do namorado.

– Sobre ontem à noite? – Blaine sorriu. – Eu também acho... Kurt, você foi incrível e nem de longe eu poderia jurar que foi sua primeira vez. Nunca fui do cara romântico, mas só tocar de nossas peles pra mim já teria sido o máximo de prazer que eu poderia ter em uma noite e... – Kurt o interrompeu, corando.

– N-não era sobre isso que eu queria conversar...

Geez, Kurt. Você está vermelho! – Blaine riu trazendo Kurt para um abraço, onde ficaram sentados no sofá assim. – Sobre o que você queria conversar?

– Seus pais.

– Não, não não. – Blaine se levantou. – Não quero conversar sobre isso, não hoje.

– Sim, você quer, e precisa. Daqui a algumas horas iremos almoçar com eles.

– O que?! De jeito nenhum.

– Blaine, você me prometeu que tentaria!

– Não, Kurt. Apenas não. Eu não estou pronto para ouvir suas desculpas, não quero chegar com um sorriso falso no meu rosto e abraça-los e mentir sobre quão legal foi minha vida nesses anos. Estamos quase no natal e eu não mereço esse presente!

– Blaine. – Falou firme fazendo Blaine se calar e prestar atenção no namorado. – Não peço que faça isso por você ou por mim, mas faça isso por Katie. – Blaine colocou as mãos na cintura, suspirando forte. – Preciso lhe dar o sermão eu-preciso-de-uma-mãe novamente? Ela só quer ter a sensação de que, pelo menos uma vez na vida, a família dela não vai sair no braço quando se encontrar. É pedir muito você engolir seu orgulho mesquinho e encontrar aquelas pessoas?

– Wow.

– Desculpe, eu falei demais.

– Sinceramente, eu acho que falou. – Blaine encarou o chão. – Me desculpe, Kurt. Acho que você deve ir embora.

– Okay.

Kurt alcançou o telefone e ligou para Finn que chegou na casa do médico em poucos minutos, preocupado com o que havia acontecido para Kurt querer ir para casa assim tão cedo. Apesar de o castanho continuar negando, Finn tinha uma das sobrancelhas arcadas e mandou um olhar ameaçador para o doutor, que se jogou no sofá assim que ouviu o ronco do carro desaparecer.

– Aonde Kurt foi? – Katie perguntou descendo as escadas.

– Embora.

– Por quê? – Perguntou preocupada. – Vocês brigaram de novo?

– Não. – Passou as mãos pelo cabelo. – Apenas eu que sou um idiota.

Blaine caminhou até a irmã e lhe beijou a testa.

– O que...?!

– Vou me deitar.

E subiu as escadas lentamente, com um peso enorme na consciência. Porque sempre tinha que estragar tudo, afinal, havia prometido para Kurt que daria uma chance para os Anderson, não? Talvez não estivesse pronto para brincar de casinha, ou de família feliz. Queria apenas o aconchego de sua cama (e talvez dos braços do seu namorado).

Assim que entrou no quarto e viu as roupas de Kurt no chão e a roupa de cama desarrumada quis desesperadamente sacar o celular e ligar para Kurt, pedir desculpas e prometer que nunca mais brigariam, mas não faria, e Kurt sabia disso. Blaine era orgulhoso, e esse era o maior motivo de não ir almoçar com seus pais.

Toc toc, fez a porta. Atrás dela estava Katie.

– O que você quer, pandinha?

– Estou indo almoçar com o papai e a mamãe... – Falou receosa, mas o irmão apenas a abraçou. – Você não quer vir?

– Não, obrigado. Mas, hey, se divirta por mim, ok?

– Tudo bem, eu acho.

Antes de Katie sair do abraço, Blaine a puxou mais pra perto e depositou um beijo longo na testa da morena que sorriu sincera. Logo desceu as escadas e Blaine pôde ouvir a porta da frente ser aberta.

Não viu que horas eram, nem a cor do céu, mas se jogou na cama e ali ficou por algumas longas e boas horas aonde apenas encarou o teto e fez planos na sua cabeça. Quem nunca deitou na cama e ficou imaginando o que aconteceria e o que faria no dia de amanha? Nos planos de Blaine ele compraria uma única flor para Kurt e iria até sua casa pedir desculpas, aceitaria o convite de almoço dos pais e em alguns meses estariam em um grande almoço de família. Os Anderson e os Hummels. Suspirou quando teve que acordar do mundo dos sonhos ao ouvir o celular tocar com o toque do numero de Kurt... O que havia acontecido?

Atendeu o celular um pouco preocupado.

– Kurt, você está bem?

– E-eu não sei responder... Eu não sei onde estou, pra falar a verdade.

– Como assim? Onde está Finn? – Se sentou na cama. Seu relógio marcava exato meio-dia.

– Passamos na casa de Rachel e viemos até o shopping almoçar, mas acabei me perdendo deles. Tentei falar com algumas pessoas, pedir informações, mas parecem que todas têm medo de um adolescente de óculos escuro e bengala em um ambiente externo... – Falou quebrando o coração de Blaine.

– Que shopping você está?

– No NorthHill, eu acho. Ouço o som de chafarizes e sinto cheiro de carvalho, e é o único shopping de Lima que já está decorado para o Natal...

Blaine se levantou rapidamente, causando até uma breve tontura, e capturou as chaves do carro na mão. Que tipo de irmão Finn era, a fim de largar o irmão cego em pleno shopping center em plena temporada de compras de natal?

– Chego aí em um minuto!

– Apenas... Apenas chegue rápido. – Falou quebrado e Blaine assentiu, como se Kurt pudesse ver através do telefone.

O transito não facilitou, mas em alguns minutos estacionava no estacionamento do shopping. O elevador então... Demorou décadas para subir até a praça de alimentação, mas finalmente parou no segundo andar.

A musica de natal lembrou Blaine dos natais passados, aonde sequer conhecia Kurt. Lembrou-se da infância com Katie, aonde gastava seu pouco dinheiro em bonecas de presente para a irmã, mas nunca se arrependeu de um centavo gasto nesse feriado. O cheiro de carvalho e visgo estava impregnado por todo o local. Assim que chegou à praça de alimentação levou um susto. Como acharia Kurt perdido diante de tantas pessoas? Sacou o celular e ligou para o amado (que havia ganhado de Burt um celular especial para cegos).

– Kurt, onde você está? – Perguntou rodando, procurando pelo namorado.

– Se meu olfato está tão bom como eu acho, devo estar do lado da loja de produtos naturais...

– Okay, fique na linha. – Blaine andou rápido até a loja, procurando por todos os lados algum sinal de Kurt, ou Finn e Rachel. – Pronto, estou aqui.

– Agora olhe para frente, na quinta mesa.

– Mas...

Blaine olhou na direção que Kurt mandava e levantou as sobrancelhas em espanto. Não, ele não havia feito isso. Na mesa estavam sentados Katie, e ninguém mais, ninguém menos que seus pais, o encarando, esperando um abraço ou um soco, talvez. Blaine sentiu seu estomago revirar e uma enorme vontade de gritar com Kurt. Levou o celular até a orelha novamente, mas nenhuma palavra saiu de sua boca.

– Onde você realmente está? – Perguntou seco.

– Em casa. – Kurt suspirou. – Blaine, saiba que eu vou fazer de tudo pra te tornar uma pessoa melhor. Você é maravilhoso. Olhe o que faz pelas pessoas, olhe o que fez por mim! Talvez se você não tivesse no seu plantão de 68 horas no dia do meu acidente, eu nem estaria aqui... Você é uma pessoa maravilhosa e seria uma pena se deixasse seu orgulho interferir nisso. Você é bom demais pra isso, Blaine. – O médico suspirou. – Eles estão pedindo apenas uma chance, uma só, e você vai mesmo quebrar a confiança da sua irmã, que te pediu com tanto carinho para apenas almoçar com eles?

– Kurt... – Disse sem palavras, ainda com os olhos fixos na mesa onde seu pai e sua mãe estavam sentados, o encarando.

– Você vai realmente mentir pra mim? Eu te conheço, Blaine Anderson. Sei que a dedicação que você dá no seu trabalho salvando vidas é apenas para que a pessoa que você está salvando possa chegar em casa na sua família e ser feliz, uma coisa que você sempre quis ser, e agora está me falando que não quer dar uma chance para talvez ter o que sempre sonhou? Isso é ser mesquinho.

– E-eu... Como você pode fazer isso?

– Faria novamente se fosse possível. Como eles se parecem? São iguais na sua lembrança? Porque do jeito que Katie me falou sobre eles, eles mudaram totalmente. Você dá uma chance todos os dias aos seus pacientes de terem uma vida nova, e não quer ter a sua própria chance?

– Mas Kurt...

– Aproveite o que a vida te dá, Blaine. – Kurt suspirou e desligou o celular. Estava com um sorriso de dever cumprido do outro lado da linha.

No shopping, Blaine ainda encarava seus pais. Katie sabia que ele estava ali em algum lugar desde que o silencio se instalou ali por alguns minutos. Sabia que Kurt honraria com a promessa e faria Blaine ir até o almoço.

As pernas de Blaine queriam dar meia-volta e irem embora, correr pra bem longe dali e nunca olhar pra trás, afinal, não foi isso que seus pais fizeram? Mas o médico respirou firme, pensou nos dois amores da sua vida e então caminhou até a mesa no centro da praça de alimentação.

– Blaine... – Falou Katie sentindo a presença do irmão.

– Pandinha... Pai, mãe...

Notas finais
KURT, VOCE É MAIS MADURO QUE O DOUTOR ANDERSON!!!! hehe