– Pronto. — Disse Kurt desligando o celular. — Já avisei meu pai e Carole que passarei a noite aqui, e eles falaram que qualquer coisa que acontecer, ou briga... — Kurt sorriu. — ...é só ligar que eles vem me buscar.

– E eles concordaram com isso numa boa? — Perguntou o médico surpreso.

Kurt assentiu com a cabeça e caminhou até a cozinha, esbarrando no balcão que separava os dois cômodos. Blaine correu até seu namorado e o pegou do chão, beijando sua testa preocupado. Insistiu em perguntar se estava tudo bem, e Kurt disse que sim, mas no fundo não estava. Estava cansado daquilo, cansado de ser dependente de alguém.

Com a ajuda de Blaine tomou um copo d'água e se encostou no balcão.

– Você acha que eu nunca vou enxergar novamente? — Perguntou fazendo Blaine engasgar com a própria saliva. O médico realmente não sabia responder.

– Kurt... — Buscou palavras e o castanho apenas suspirou. É claro que existia maneiras de fazer uma pessoa enxergar depois de um grave acidente, mas não eram eficazes o suficiente, ou pelo menos, confiáveis o suficiente. A verdade era que Blaine tinha medo de acabar perdendo o namorado em uma cirurgia improvável.

– E então?

– Tem algumas cirurgias a quais você pode recorrer, mas elas não funcionam na metade das tentativas.

Kurt deu um gole de sua água e acabou se lembrando de todos os dias ao acordar, a insatisfação que tinha ao enxergar o nada em sua frente. Com todas as suas forças, seu maior desejo era poder ver novamente.

– Já é tarde, deveríamos ir para a cama. — Falou dando mais um gole de sua água. Um calor estranho invadiu o corpo de Blaine.

– Claro. — Segurou as mãos do castanho. — Vamos.

Durante o caminho passaram no quarto de Katie para ver se estava tudo certo, e a morena dormia com um sorriso no rosto, certamente lembrando-se de Mark. Blaine depositou um beijo na testa da mais nova e voltou ao corredor onde Kurt esperava.

– Eu acho absolutamente linda essa sua amizade com Katie. Digo, eu tenho meus momentos com Finn, mas nada se compara.

– Eu apenas cuido de quem quero manter perto. — Falando essas palavras, o médico puxou Kurt para um beijo curto.

Deram mais alguns passos e finalmente estavam no quarto de Blaine. Kurt nunca havia entrado ali antes, nunca teve a oportunidade. O local cheirava o perfume de Blaine, com um toque amadeirado do assoalho. O mais velho deixou Kurt andar e tatear tudo, querendo que o castanho se sentisse em casa, porque afinal, era.

Kurt finalmente achou a cama e se sentou na beirada. Diferente do modelo da maioria das casas americanos, a cama de Blaine ficava no meio do quarto sem precisar encostar em qualquer parede ou móvel. Kurt pode ver que ela era muito macia, e provavelmente Blaine já havia se divertido muito em cima dela.

Espera, que pensamentos eram esses? Balançou a cabeça e percebeu que não sentia mais a presença do namorado na sala.

– Blaine? — Perguntou receoso.

– Oi. — Gritou do banheiro. — Você precisa de alguma coisa?

– Não, só estava checando onde você estava. Você pode me emprestar algumas roupas, não é?

– Sim, fique à vontade se conseguir achar o guarda-roupa. Katie coloca etiquetas em braile em cada cabide para saber o tipo de lavagem que cada uma merece. — A voz de Blaine era abafada pelo barulho da torneira aberta.

Kurt caminhou com as mãos esticadas na altura do peito, depois de passar pelo escritório e prateleira de livros finalmente alcançou o guarda-roupas. Pegou uma blusa comprida de moletom e resolveu só vestir isso. Aproveitou que Blaine estava no banheiro e se vestiu. Deixou suas roupas dobradas em cima de uma cadeira e se sentou na cama, apenas de cueca boxer e camisão.

– Você quer usar o banheiro? — Perguntou Blaine saindo do mesmo, sem se dar conta que Kurt vestia menos roupas. — Sei que seus cremes não estão aqui, mas eu alguns bons também e... — E finalmente se deu conta.

Kurt Hummel era sexyas fuck.E Blaine não se sentiu nem um pouco culpado pelas imagens maliciosas que passaram pela sua mente, afinal Kurt era seu namorado e ele tinha o direito de imaginar.

– E-eu vou... Me vestir. — Se recompunha ao tentar tirar os olhos das pernas de Kurt.

Blaine balançou a cabeça, com um sorriso no rosto e foi até o guarda-roupas. Pegou uma calça de moletom (que completava o conjunto que Kurt usava) e meias pretas. Blaine sentia frio nos pés. Nos pés.

– Acho que podemos nos deitar então... — Falou receoso.

– Acho que sim. Posso escolher? — Blaine respondeu com um som, então Kurt se deitou do lado esquerdo da cama. Realmente, o lado direito era o preferido de Blaine.

Ambos não sabiam como agir nessa situação. Claro que Blaine já havia trazido homens para dormir em sua casa, mas aquele era Kurt, seu namorado adolescente que dera seu primeiro beijo em um médico atencioso. Kurt era... Seu precioso; já o mais novo não sabia como agir, não fazia ideia se Blaine tentaria alguma coisa, e se Blaine tentasse não sabia se resistiria.

Deitaram, puxando o cobertor na altura dos ombros. Os primeiros segundos foram estranhos, mas logo a timidez foi passando e Kurt juntou seu corpo ao de Blaine na cama, o que fez o médico suspirar com a imagem das pernas de Kurt o tocando. Circulou seus braços em Kurt, que tinha a cabeça apoiada no peito cabeludo do médico.

Kurt olhou pra cima e capturou a boca do namorado. O beijo foi lento e longo, o suficiente para começar a ficar calor ali. Blaine não conseguia pensar em mais nada além da imagem das pernas de Kurt, em sua boxer preta.

– Você precisa se barbear. — Sorriu Kurt tocando o rosto do mais velho, que tinha a barba espetada. Na verdade, estava reclamando de brincadeira, porque jurava que a barba dava a Blaine o ar de homem maduro.

– Sério? Eu gosto tanto assim. E é melhor você se acostumar, porque durante as férias de agosto eu fico parecendo um homem das cavernas. — Kurt gargalhou. — De verdade. O rosto lisinho pertence ao Doutor Anderson, e às vezes eu preciso ser somente Blaine.

– Entendo. E o gel? — Brincou. Blaine usava gel, e muito gel, mas não era algo rotineiro. O médico era de lua: se acordasse com vontade, colocaria gel, senão iria com os cachos à mostra para o hospital.

– O gel... — Pensou. — O gel faz parte de mim. Não me faça escolher entre você e o gel. — Brincou.

– Não, certamente não. Você escolheria o gel, e eu certamente ficaria sem namorado e sem médico.

Gargalharam e Blaine puxou Kurt para si em um abraço mais apertado. Os braços pálidos do castanho agora circulavam Blaine e sua perna estava entrelaçada com a do namorado.

– Que horas são? — Kurt perguntou, bocejando. — Eu veria eu mesmo, mas minha vista está tão cansada... — Brincou, fazendo Blaine soltar uma gargalhada gostosa.

– Onze e quarenta.

– Você tá brincando... — Kurt sorriu. Estava acostumado a ir dormir depois das duas da manhã, geralmente. Se perdia no mundo dos livros em braile que Katie havia o emprestado.

Blaine olhou o castanho abraçado em seu peito e tinha certeza: o amava. Mas seria a hora certa de falar? Kurt era do tipo de cara que merecia romance épico. Flores, piqueniques, uma primeira vez que fizesse jus ao seu primeiro amor... E seria Blaine seu primeiro amor?

– No que você está pensando? — Perguntou Kurt, tirando Blaine de seus devaneios.

– Em nada.

– Você tem que ser sincero...

– Sinceramente, eu acho que você não se sentiria confortável em saber. — Sorriu.

– Tarde demais, já despertou minha curiosidade. Você vai falar ou vou ter que tirar isso de você à força?

– E como você faria isso? — Blaine perguntou desafiador. O que Kurt Hummel poderia fazer que pudesse o convencer tão rápido?

– Greve de beijo. — Sorriu também.

– Você não se atreveria...

– Tenta.

Blaine gargalhou e aproximou seus lábios dos do namorado, porém Kurt apenas virou a cabeça. Em qualquer ângulo que Blaine tentasse roupar um beijo do castanho, Kurt sempre achava uma maneira de escapar.

– Ok, você ganhou. — Kurt sorriu em vitória. — Eu estava pensando no quão sexy você ficou com o meu moletom.

– Okay...

Um pequeno rubor começou a surgir na bochecha de Kurt. Seu cérebro automaticamente selecionou a resposta"fico ainda mais sem ele, quer experimentar?",mas Kurt achou que aquilo não soaria nem um pouco algo que o castanho falaria.

Blaine depositou outro beijo na testa do amado. Kurt brincava com os dedos em cima do abdome do namorado. Se sentia tão calmo e seguro que só uma palavra descreveria aquilo: amor. Estaria Kurt pronto pra falar o que realmente sentia para Blaine?

– Nós... — Kurt começou a falar, mas desistiu.

– O quê? Fala.

– Não é nada.

– Olha... Quem fará greve de beijos agora sou eu. — Sorriu. Kurt se sentiu bem para abrir seu coração.

– Nós temos que fazer sexo hoje à noite?

Blaine engoliu seco aquelas palavras. Seu cérebro pensou em responder"é claro, porque com você vestindo apenas meu moletom, eu não preciso nem de ajuda", mas desistiu da ideia de responder algo positivamente.

– Bom... Nós nãotemos que, mas... — Procurava palavras. — Se isso for algo que ambos quiserem, acho que seria... Plausível.

"Plausível, Blaine? Você está no quarto com seu namorado sem calças, e não em uma maldita palestra"pensou o moreno.

– Você quer? — Kurt perguntou temendo a resposta do namorado.Blaine respirou fundo e afagou o cabelo do namorado.

"Oh god, yes. Sim, pelo amor de deus. Você está louco em me perguntar isso usando essa roupa? Sim, eu tenho meus desejos. Sim, totalmente sim. É claro que sim."

– Eu adoraria. -"Eu adoraria? Mesmo, Blaine?"– Mas não vou me sentir confortável fazendo algo que você não se sinta confortável.

– E-eu gostaria de experimentar... — Kurt falou totalmente corado, provocando uma onda quente de calor ao corpo do namorado assim que chegou mais perto.

– Okay... — Blaine falou em um tom quase inaudível.

– Então nós...?

Kurt não fazia a mínima ideia do que fazer até chegar lá, mas Blaine com um sorriso no rosto ao ver o rubor em suas bochechas o ajudara. Segurou seu queixo e puxou para um beijo calmo. A boca dos dois se conectavam inexplicavelmente. Blaine tinha seus olhos fechados e suspirava forte cada vez que Kurt trazia sua perna um pouco mais pra cima.

O beijo foi ganhando força e potência e o calor que havia no corpo de Blaine agora passava para o corpo de Kurt. É claro que como um adolescente, Kurt já havia passado por momentos aonde havia conhecidoseu corpo, mas aquela sensação era mil vezes diferente; mil vezes melhor.

Blaine se virou, agora ficando frente a frente com o namorado. As bocas ainda não haviam desgrudado, para a felicidade de ambos. O beijo se tornava algo que era preciso, ambos precisavam um do outro naquela altura. Blaine puxou Kurt mais pra perto, fazendo seus membros se tocarem por cima das roupas. Kurt percebeu certo volume na calça de Blaine e se assustou no começo, mas logo se acostumou.

Tudo era novo para o castanho. Seus braços brincavam com o peito nu de Blaine, fazendo círculos com os dedos. Até agora o beijo só havia sido parado poucas vezes à procura de ar para continuar com aquilo. Os namorados nunca tiveram momentos assim.

Kurt começou a sentir seu corpo, começou a sentir seu membro se enrijecer dentro de sua cueca boxer preta e por um momento lamentou a estada dela ali. Arriscando, passou seus braços do abdome do médico até suas costas, e depois até o cós da sua calça de moletom. Atreveu-se a tentar tirar, recebendo um sorriso do namorado.

"Uma hora que você está nisso, não pode mais sair."As palavras de Burt ecoavam pelo cérebro do castanho. Kurt estava desesperado agora. E se Blaine não gostasse do sexo? E se Kurt fizesse algo de errado? E se...? As possibilidades eram inúmeras e Kurt só se fez por pensar nelas agora.

Assustado, Kurt se afastou durante o beijo, fazendo agora Blaine ficar preocupado.

– Fiz algo de errado? — Perguntou acariciando de leve o rosto do namorado. Kurt era absolutamente lindo, tanto no dia-a-dia como na hora de ir dormir. Seus olhos verdes azulados procurando desesperadamente alguma imagem, o vermelho em suas bochechas, os lábios roxos de tanto serem sugados por Blaine... Ele era absolutamente lindo.

– Não, é que... Eu não sei se estou realmente preparado pra isso, entende? — Falou tirando o peso de suas costas.

– Você não é obrigado a fazer amor comigo só porque estamos dormindo juntos, você sabe, não é? — Kurt assentiu com a cabeça. — Bom.

– É que você é um namorado tão perfeito, e a cada dia eu me encontro mais apaixonado por você. Seu toque, seu cheiro, tudo me faz te amar mais. Acontece que eu ainda sou jovem, e realmente me sinto mal não me sentindo a vontade com toda essa intimid- — Blaine levou um dedo à boca de Kurt, fazendo-o se calar.

– E-eu também te amo. — Falou, tirando um sorriso sem graça do castanho. — Você não precisa fazer isso hoje, agora. Mas saiba que quando fizer, eu vou me sentir o cara mais sortudo do mundo por ter algo que ninguém mais,jamais, irá ter. — Blaine segurou as mãos de Kurt, fazendo todos os pelos do seu corpo se arrepiar. — Eu te amo, é isso. Parece que finalmente falar isso me tira um peso das costas. Eu acho que sempre soube isso, de qualquer jeito. O dia que entrei naquela sala de cirurgia e vi você deitado na maca, eu sabia que precisava te salvar de todas as maneiras que conseguisse. Eu sabia no fundo que acabaríamos aqui, juntos.

Kurt respirou fundo que por um momento achou que fosse tirar todo o ar do ambiente. Blaine estava ali, abrindo seu coração, e ele sentia a necessidade de abrir mão de outra coisa para o médico. Se inclinou e capturou os lábios de Blaine, suspirando.

– Estou pronto.

Notas finais
ESSA FOI A PRIMEIRA PARTE DO CAPÍTULO DE HOJE, hehehe. Notaram a capa nova? Foi feita especialmente pelo meu mamigo Jão, então agradeçam à ele o novo design da fanfic!