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Notas iniciais
– Você está gostando dele. — Quinn gargalhava alto, até ser atingida por um travesseiro em sua direção. A loira fez biquinho, porém voltou a gargalhar.
– Não, não estou. — Kurt cerrava os dentes.
– Sim, você totalmente está. — Katie gargalhava também.
– Maldito dia que fui convidar vocês duas pra dormirem aqui. — Kurt cruzou os braços, tentando imaginar o rosto de Katie e o de Quinn gargalhando. As lágrimas escorrendo por seus olhos, de tanto rir.
– Assuma, Kurt. — Quinn agora tinha uma voz firme. — Assuma que tudo que você imagina é seu médico te abraçando com aqueles braços fortes, e te beijando, te levando ao paraíso... — Quinn foi acertada por um travesseiro novamente.
– Vocês duas vão pro inferno. — Kurt levou seu outro travesseiro à cabeça, escondendo seu rosto. Ele não podia negar, que atualmente, aquilo era tudo que ele queria.
– Eu estou adorando isso. — Katie gargalhava. — Você sabe, que... Se você confessar pra gente, eu posso te contar o que ele fala de você...
– Ele fala de mim? — Kurt quase pulou da cama. Depois de alguns segundos percebeu como estava sendo ridículo, e voltou a esconder seu rosto embaixo do travesseiro.
Batidas na porta acordaram os três jovens daquele sonho de noite. A porta se abriu lentamente e a cabeça de Carole foi vista pela brecha.
– Querida, seu irmão está aí. — Carole se referiu à Katie.
– Bom, eu vou indo. — Quinn se levantou do chão e pegou sua bolsa que estava descansada na poltrona. — Amanhã eu venho reforçar matemática pra você, tudo bem? Se cuida, carinha.
Quinn deu um breve beijo na testa de Kurt e saiu do quarto. A mão de Katie se encontrou com a de Kurt.
– Eu vou, mas ainda precisamos conversar sobre algumas coisas... — Katie gargalhou. — Se cuida, Kurt. Venho assim que Blaine desocupar um pouco a agenda.
Com a ajuda de Carole, Katie desceu as escadas. O castanho suspirou, tentando absorver o fato de que até Katie queria o juntar com Blaine. Repousou a cabeça no travesseiro e fechou os olhos, tentando dormir.
– Oi? — Kurt ouviu a voz de Blaine, junto com o ranger da porta se abrindo. Seu coração acelerou e suas mãos começaram a suar.
– O-oi. — Falou quase sussurrando.
Blaine abriu um sorriso enorme, e, coincidentemente, seu coração também batia mais forte que antes. Caminhou ainda sorrindo até Kurt, e se sentou na cama, sem antes segurar sua mão.
– Você está melhor?
– Por que você sempre me pergunta isso? Digo, faz algumas semanas que eu já tirei meu gesso... — Kurt apertava, inconscientemente a mão do médico.
– É meu jeito de começar uma conversa. Digamos que eu não converso muito com pessoas a não ser meus pacientes... — Blaine estava corando, porém Kurt não conseguia ver. Talvez ele sentia.
– Blaine, posso perguntar uma coisa?
– Qualquer coisa. — As mãos agora tinham os dedos entrelaçados e o quarto estava preenchido pela respiração pesada dos dois. Naquele momento, o coração de Blaine começou a bater mais rápido.
– O-o que nós temos?
– Como assim?
Kurt voltou sua cabeça para o colchão. Será que tudo o que ele imaginava que Blaine sentia, era mentira? E aquele almoço? E aqueles abraços? Kurt teria feito tudo em sua cabeça?
Logo, a mão de Blaine repousava no canto do rosto do mais novo, como se pedisse que Kurt voltasse a olhar para si. Blaine se sentia confortável com os olhos azuis do castanho sob si.
– Digo, eu sinto algo... Mas... — Blaine procurava palavras.
– Você sente?
– Você não sente?
Agora a insegurança tomava conta de Blaine. O doutor estava dando passos de bebês quando o assunto era Kurt, e apesar de seu coração sentir uma coisa muito maior do que o planejado, doía saber que talvez Kurt não sentisse o mesmo.
– E-eu sinto. — Kurt alcançou a outra mão de Blaine.
– Bom. — Um sorriso brotou no rosto de Blaine. Ele sentia seu coração bater mais rápido do que antes, se isso era possível ainda. Foi naquele silêncio do quarto, com ambos sorrindo que o coração de Kurt também ficou acalorado com o momento.
– Eu vou te beijar agora, ok? — Kurt gargalhou baixinho.
– Ok. — Blaine assentiu calmamente e fechou seus olhos.
Kurt imitou o ato e foi se inclinando, esperando alcançar os lábios de Blaine, quais sempre tinha sonhado em ter nos seus.
– Ai! — Gritou Blaine gargalhando baixo ao sentir a testa de Kurt bater com tudo na sua. Kurt se afastou rapidamente, arrependido.
– Desculpa, é que eu sou meio novo nesse lance de imaginar... — Kurt corava, olhando para baixo.
– Eu cuido disso.
Blaine disse sorrindo, e então alcançou o rosto de Kurt com uma das mãos. A outra acabou demorando alguns segundos para repousar do outro lado.
O doutor suspirou ao ver Kurt fechar os olhos lentamente e então se inclinou, finalmente acabando com o espaço que tinha entre os dois.
O lábio macio de Kurt tocando o seu era tudo que Blaine conseguia pensar naquele momento. Já Kurt pensava nas mãos de Blaine que agora percorriam seus braços, tentando desesperadamente alcançar suas mãos. O beijo começou meio desajeitado, porém longe de ruim. Foi a língua de Kurt que pedia passagem, e Blaine não seria maluco de recusar. As bocas entraram em sintonia no momento que se tocaram, e agora estavam em um rítmo só.
O beijo conseguia ser lento e molhado, e de se apaixonar. Não que fosse preciso, já que ambos os garotos se encontravam no último estado de paixão. As mãos de Kurt agora estavam na nuca de Blaine, o puxando para perto. Eles não iriam se separar tão cedo. O castanho estava adorando ter seu primeiro beijo com Blaine.
Já o moreno não estava tendo o primeiro beijo com Kurt, mas era com certeza um dos melhores beijos que já tivera. Estava ficando sem ar, porém não queria ter que separar seus lábios dos de Kurt, que dançavam com os seus em uma pequena luta de dominância.
Terminaram aquele beijo doce com um selinho, e assim que se separaram, Kurt e Blaine sorriram feito crianças. Os dois homens estavam abraçados na cama, perto demais. Um podia sentir o ritmo cardíaco acelerado do outro. A respiração dos dois estava afetada, e não era possível se pensar naquele lapso de tempo.
Demorou alguns segundos. Foi Kurt quem quebrara o silêncio no quarto.
– Você tem que levar sua irmã pra casa.
– Eu sei... — Arfou Blaine, não querendo se separar de Kurt. Seus braços estavam rodeando o mais novo em um abraço quente, que curaria qualquer doença ou carência. O médico sorriu e selou os lábios novamente com o de seu "paciente".
O beijo dessa vez foi um pouco mais rápido que o anterior, e ambos Kurt e Blaine trocavam sorrisos durante o ato. Novamente, o beijo fora cortado com um breve selinho. Seguido de um ataque deles.
– Blaine, Blaine... — Kurt tentava não suspirar muito ao falar o nome do homem que tinha nos lábios.
– Minha irmã, eu sei... — Blaine foi se levantando da cama, sem separar seus lábios do de Kurt. Hesitou e voltou, começando outro beijo.
– Não que eu não goste... Por mim você ficaria aqui a tarde inteira... — Kurt tentava falar, enquanto Blaine o beijava. — Sua irmã, Blaine.
– Ok, ok. — Terminou com um selinho demorado. — Vou indo, mas amanhã dou um jeito de voltar.
– Tudo bem. — Kurt assentiu, quase sussurrando.
O barulho de porta se fechando foi o suficiente para Kurt jogar sua cabeça contra o travesseiro, tentando relembrar o gosto da boca de Blaine na sua. Ele precisava de um tempo para raciocinar que o que ele tanto desejou, estava finalmente acontecendo.
– Eu esqueci uma coisa. — A porta foi aberta novamente e Kurt levantou sua cabeça ao ouvir a voz de Blaine preencher o quarto.
Antes que o castanho pudesse perguntar o quê, Blaine já tinha seus lábios no de Kurt, em um beijo lento e molhado, não tanto como o primeiro, mas o bastante para relembrar.
– O quê? — Sussurrou Kurt ao sentir Blaine se afastar novamente. — Tchau, Blaine. — Sorriu.
– Tchau. — Deu um selinho, seguido de outro e outro.
Demorou mais alguns minutos, porém finalmente Blaine havia ido embora. O barulho do ronco do motor do carro indicava o médico levando sua irmã para casa, e aquele silêncio no quarto indicava que o castanho estava sozinho.
Kurt abriu um sorriso enorme, tentando imaginar, ver que era real. Levou sua cabeça para atrás, até atingir um travesseiro e levou seus dedos até sua boca. Tentando relembrar o sabor, o momento que havia acontecido.
– Blaine, Blaine... O quê você faz comigo?
E fechou os olhos. Imaginando o melhor conto de fadas possível, com ele e seu médico perfeito.
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