Blam?

11 O Casamento - Parte 3


Tive que ficar de costas para ele no pequeno cubículo em que estávamos. Foi ele mesmo quem desafivelou meu cinto e abaixou as minhas calças, com a mesma rapidez com que fez o mesmo com as próprias roupas.

– Põe a mão na privada – pediu.

– Na privada? – Não me parecia certo. Muita gente tinha mijado ali e eu não queria ter que me apoiar nela.

– Na caixa de água.

Aquilo, sim, era mais apropriado.

Curvei-me para me apoiar na caixa de água do vaso sanitário e o ouvi cuspir. Cuspia nos próprios dedos, que levou à entrada do meu ânus e o esfregou, lubrificando-o. Eu ri por um instante ao pensar no que estávamos fazendo. Aquela era a droga de um casamento!

Sam abaixara as calças, mas não retirara os sapatos. Passou uma das pernas pelo lado do meu corpo e apoiou o pé calçado na privada. Seu pau entrou em mim de uma só vez, provocando uma dor que me fez gritar por uma fração de segundo, mas que logo passou quando a coisa já estava feita. Mesmo assim, Sam insistiu em se curvar sobre mim para tampar a minha boca com a mão. Fez “Shhh!” no meu ouvido e se afastou. Aquilo me fez ter uma lembrança nostálgica.

Fiquei feliz de ter o apoio da caixa de água da privada, porque foi ela que me permitiu ficar em pé enquanto ele me fodia, o pênis entrando e saindo de tempo em tempos, fazendo com que gemidos baixos rompessem minha garganta afora. Quando ele ficava mais rápido e se segurava nos meus ombros imagino eu para que ele próprio não caísse, a dor atingia um nível que era ao mesmo tempo prazeroso e assustador. Eu refreava a vontade de pedir para que ele parasse e mordia os lábios, mantendo os olhos apertados enquanto o pau fazia seu trabalho dentro de mim. Eu queria poder ver o que Sam via agora, o seu pênis entrando e saindo de mim. De vez em quando, ele se dobrava sobre mim e distribuía beijos pelas minhas costas.

– Quanto você gosta disso, Blaine? – ele perguntou.

Minha testa agora estava encharcada de suor.

– O quê? – perguntei por força do hábito. Mas a pergunta, por si só, fazia pouco sentido.

– Gosta desse meu novo passo de dança?

– Oh, meu Deus! – Nem quando falava as investidas paravam. Na verdade, elas adquiriam o mesmo ritmo da sua fala, que, se fosse rápida, fazia com que seu pau penetrasse em mim mais fundo e com mais rapidez. – Que passo de dança?

Esse!

O pau foi mais fundo do que eu podia imaginar, tocando algo dentro de mim que sentiu e reclamou com uma dorzinha leve. Eu quase bati a cara na parede e, mais uma vez, agradeci o apoio da caixa da água, que foi quem me impediu de me automutilar. O contato da pele de Sam contra a minha fazia aquele barulho característico que só pele batendo contra pele pode fazer. Minhas pernas começavam a fraquejar. Eu sentia a minha bunda suada.

– Eu amo esse passo de dança! – disse, rindo com nervosismo. – Como ele se chama?

– Eu não sei como chamá-lo.

Foda-se!, foi o pensamento que tive, com aquela conversa sem sentido. Ou melhor, continue a me foder!

Se não fosse tão rígida, eu tinha certeza de que minhas unhas teriam aberto sulcos na superfície branca da caixa de água, tamanha era a força que eu fazia ao me apoiar nela.

– Agora diga, Blaine – Sam voltou a sussurrar. – Eu não sou como o seu último cara, sou?

– Do que está falando? – Eu não conseguia pensar direito. Havia suor demais na minha testa e ele escorria para próximo dos meus olhos, então eu mal conseguia abri-los. Era coisa demais para prestar atenção.

– Qual era o nome dele mesmo?

– Seb...

Não é importante! – Quando falava com agressividade, isso se refletia no movimento que fazia enquanto me fodia: ficava agressivo também. Era uma sucessão muito grande de momentos de prazer, mas, depois de tanto tempo, eu começava a me perguntar se aguentaria aquilo muito mais. – Não é isso o que você pensa agora? Hum? – Não esperava resposta, e eu nem sabia se tinha algum para aquelas perguntas. – Vai dizer que ele era melhor que eu? Vai dizer que ele fodia melhor do que eu?

Sebastian não fazia feio quando íamos para cama, mas, definitivamente, havia algo em Sam que o tornava melhor. Talvez fosse o fator surpresa, essa expectativa que vinha em estar na sua presença e nunca saber quando ele iria me provocar. Com Sebastian, tudo era parte de um ritual consolidado, porque éramos namorados, então sabíamos que, em algum momento, quando o filme que assistíamos ficasse chato, sua mão ia tocar minha perna em um pedido silencioso de carícia. Eu me curvaria sobre ele e faríamos o que já tínhamos feito algumas outras boas vezes.

Mas com Sam dificilmente era igual. Dificilmente acontecia no mesmo lugar ou até do mesmo jeito. Sam sabia surpreender, e essa surpresa era justamente o que me fazia sentir tão apaixonado por ele. Era o que eu achava tão fascinante sobre ele.

– Eu sou melhor do que ele, Blaine! – Sam continuava a falar, e ria. – Sou melhor do que qualquer cara que você conheceu ou vai conhecer! Você não vai encontrar ninguém como eu! Você nunca vai encontrar alguém como eu!

E ele não precisava repetir aquilo mais uma vez para que eu entendesse, porque eu já sabia disso. Sam era único, com todos os seus fatores surpresas e maneiras de causar prazer que eram difíceis de encontrar em mais alguém. Mas quando a dor que eu sentia por conta das investidas do seu pau no meu cu começou a ficar mais evidente do que o prazer do ato em si, eu comecei a me perguntar se isso era necessariamente uma boa coisa.

Quer dizer, mesmo para alguém que era ótimo com surpresas, elas um dia teriam fim. Mesmo se eu passasse minha vida morando no Maine com Sam sempre disponível, as opções de novidades um dia terminariam e então tudo ficaria monótono. Sua beleza me cansaria, como agora me cansava. Seus lábios carnudos não seriam mais um diferencial e sua mão boba seria recebida por mim como um gesto já corriqueiro, esperado como é o beijo de uma mãe quando chegamos em casa depois da escola.

Que tipo de pensamento é esse, Blaine?, minha consciência rebateu, como um pensamento que não fosse meu, na verdade. Você gozou. É por isso que está pensando essas coisas, você gozou. Olhe para baixo, veja o que ele fez você fazer. O Sam sempre vai ser o homem que você vai querer pelo resto da sua vida, e esses pensamentos medíocres que você está tendo agora só estão aí porque você gozou. Espere uma meia hora e verá. Sam voltará a ser o homem da sua vida e você vai perceber que...!

Um restante de esperma escorria pela cabeça do meu pau e os jatos principais da ejaculação já tinham atingido a caixa de água do vaso sanitário há muito tempo. Por isso eu estava enjoado, e eu já devia ter percebido isso. Era assim que eu me sentia quando já não estava mais excitado e por isso que eu estava tendo pensamentos tão estranhos.

– Sam, eu gozei – eu o avisei, sem pensar muito nas implicâncias disso. Não pensei, por exemplo, no fato de que Sam era tão bom no que fazia que me fizera ejacular sem que eu sequer estivesse me masturbando, mas em breve eu pensaria nisso, depois de uma meia hora.

– Eu estou quase. – Fez uma pausa que deixava claro que ainda tinha algo para dizer. E de fato tinha, uma pergunta: – Posso gozar dentro?

– Sam, eu...

– A gente já fez isso, Blaine, cara, por favor, eu prometo que... Ah!

E estava feito mais uma vez.

Senti algo quente me tocar por dentro e tive certeza de que era o esperma do Sam. Se já não estivesse certo o bastante, o fato de ele ter diminuído o ritmo com que me fodia teria passado a mesma mensagem. De repente, ele simplesmente parou e retirou o pênis gotejando de dentro de mim. Usei o apoio da caixa de água para voltar a ficar em pé.

– A gente fez uma sujeira e tanto – disse Sam, segurando um pau amolecido com uma expressão de tristeza tocante, como se lhe fosse um infortúnio vê-lo daquela forma. – Vamos ter que voltar para a festa. Vão dar falta de nós dois?

– Vão mesmo? Alguns dos seus amigos nem sabem o meu nome.

– Mas sabem o meu e sabem que eu trouxe alguém.

Aquele momento estava sendo interessante não só porque Sam estava com as calças abaixadas e segurando seu pênis amolecido com certo fascínio, mas porque estávamos tendo uma conversa momentos depois de ele gozar. Aquilo, sim, era inédito, uma prova de que mesmo quando não estávamos mais transando Sam sabia como surpreender. Era a primeira vez que ele se dispunha a conversar depois de me foder, ao invés de sair correndo e tombar para o outro lado, visando seu tão importantíssimo sono. E eu estava disposto a prolongar aquele momento.

Mas o Sam não estava.

– Se eu te erguer por cima da porta, você consegue ver se tem alguém ali fora? – ele perguntou, afivelando o próprio cinto.

E que diferença faria se tivesse alguém do lado de fora do box? Depois de tudo o que fizéramos, qualquer sujeito que quisera usar o banheiro nos últimos minutos nos teria ouvido, cenário que eu achava constrangedor, mas, ao mesmo tempo, excitante.

Quanto tempo de meia hora será que já tinha passado?

– Como você vai me erguer? – perguntei.

Sam agachou em frente ao vaso sanitário e subi nos seus ombros. Ele se levantou e, agarrado à borda da porta, guiei-me para cima, evitando uma queda. Olhei por cima da porta e o banheiro estava tão vazio quanto nos era pertinente. De relance, vi a imagem que era a minha cabeça por cima da porta pelo reflexo do espelho e consegui rir, embora muito rapidamente.

– Limpo – informei.

Uma vez do lado de fora, paramos um instante na pia para lavar as mãos. No meu caso, lavei o rosto também, tirando um pouco do suor. Sam tinha os fios de cabelos mais próximos da testa enegrecidos de suor também, mas preferiu usar papel-toalha para secar um pouco dele.

– Sam, a gente estava procurando por você, cara!

Era um dos amigos dele, o mais barulhento, aquele estranho de cara demasiadamente vermelha por causa da bebida.

– Tem um casal fodendo nesse banheiro aqui, você acredita? – disse o amigo, batendo na porta do box em que antes estávamos, mas encontrando-a aberta. – Quer dizer, tinha. Falei pro Mark voltar com uma câmera para filmar os malditos, nem sei se ele filmou! Mas você precisava ver, cara, quero dizer, ouvir, foram os gemidos mais bonitinhos que já ouvi na minha vida!

O amigo do Sam gargalhava.

Eu sentia meu corpo inteiro ruborizar, dando destaque especial ao meu rosto, onde meu nariz ardia como se estivesse prestes a expelir chamas. Eu fitava uma parte qualquer da pia e ainda ouvia o amigo de Sam falar suas asneiras sobre o “casal” que estivera no box e sobre como estava empolgado para mostrar as filmagens do Mark, se ele realmente tivesse aparecido por lá. A água da torneira que eu abrira caía sem parar enquanto eu me mantinha estático.

– É mesmo? – ouvi a voz de Sam dizer. Não notei o desespero que esperava nela e, mesmo que só pudesse vê-lo pelas costas, eu podia imaginar seu semblante de confiança. Mas por que estava tão confiante? – Deve ser uma imagem e tanto!

– Espero mesmo que ele esteja com ela! – o amigo disse, gargalhou por mais algum tempo e ainda gargalhava quando se retirou banheiro afora.

– A gente não tem mais o que fazer aqui, Blaine – disse Sam se voltando para mim, retomando a tarefa de limpar o suor da testa.

– Ah, não? E aquele papo dos seus amigos e...?

– Você não quer ficar para o bolo, quer? Faz questão?

Eu estava chocado demais para fazer questão de um bolo e até me perguntava quando voltaria a ter apetite.

– Sam, sei que, normalmente, não falamos de alguns assuntos, mas a gente precisa falar desse: e se o tal do Mark realmente filmou a gente?

Sam se aproximou, estalou um beijo nos meus lábios, voltou a se afastar e, com olhos sedutoramente semicerrados, disse:

– Foi uma noite incrível com você, Blaine, me diverti muito. Fico feliz que tenha aceitado vir. Quanto ao vídeo – ele disse, voltando-se agora para o espelho –, não precisa se preocupar. Nada vai acontecer.

– Não mesmo?

– Não mesmo. Eu te dou carona até a sua casa, vamos?

Fomos. A meia hora já tinha passado, mas, mesmo assim, eu não sentia mais nenhuma excitação na presença de Sam. Mas não era como se eu tivesse perdido o encanto por ele, longe disso.

Era a perspectiva de ter um vídeo íntimo meu circulando por aí.