Blackwhite
24 Fuga
Notas iniciais
…Normal POV:…
– Eu estou com fome… — a garota de cabelos pretos geme, olhando para sua companheira de cativeiro.
– Eu também. – Amu concorda – Você acha que se a gente pedir comida para eles, eles vão dar?
– Não sei. Mas vale a tentativa. HEY! – Hikari grita o mais alto possível – HEY! Seus babacas sequestradores! Será que dá para trazer comida para a gente?!
– Caramba! – um rapaz aparece e Amu o encara, curiosa – Vocês não conseguem ficar quietas por um minuto não é?!
– Quem é você? – Amu pergunta. Aquele garoto não estava ali antes.
– Não é da sua conta. — ele responde de modo seco.
– Cadê aqueles outros dois?
– Lá nos fundos vigiando.
– E você está sozinho aqui?
– Claro que não, garota burra. – Amu o lança um olhar irritado. Que garoto mais arrogante. – Você acha que a gente é idiota?
– Então tem mais alguém com você?
– 4. Além dos dois lá nos fundos.
– Então vocês são 6? Dois nos fundos e quatro na frente?
– Si… — o garoto parou de falar, percebendo o que a garota havia feito – Há, muito boa essa.
– Não sei do que está falando. – Amu sorri inocentemente.
– Bem que o Aniki falou que era para tomar cuidado com você.
– Então o Akira-kun mandou vocês 6 para vigiarem 2 garotas? Duas garotinhas fracas e famintas? – Amu riu – Bela confiança ele tem em vocês.
– Cala a boca. Eu só estou aqui porque o Aniki tinha que encontrar o chefe sobre… Mas que droga!
– Chefe? Então o Akira-kun não é o chefe? – Amu olha para Hikari que a lança um olhar interessado.
– Bem, não é uma surpresa. – Hikari fala sarcasticamente, entrando no jogo de Amu – Ele é um fracote.
– Aniki não é fracote! – o garoto se exalta ao escutar as duas garotas falando mal dele – Ele vai controlar toda a operação quando o chefe sair do país!
– Chefe isso, Aniki aquilo. Aposto que esse tal de chefe nem existe e que ele só está blefando para controlar vocês. – Amu e Hikari riem.
– É claro que existe! Ele acabou de sair da prisão e é o pai do Aniki! Vocês deveriam estar agradecendo pelo Aniki deixar vocês duas vivas. Outras não tiveram tanta sorte. – o garoto sorri malignamente.
– Espera ai. Você quer dizer que o Yamamoto Takashi é o pai do Akira-kun? — Amu arregala os olhos, surpresa.
– Sim! E o Aniki vai ser o único a cuidar dos negócios aqui no Japão quando o chefe for embora.
– Para os Estados Unidos? – a garota palpitou.
– Isso! O Aniki disse que eu vou ser o segundo no comando quando isso acontecer! O chefe vai controlar o Mercado americano e o Aniki vai controlar aqui!
– Aposto como você e seus amiguinhos aqui vão ser todos eliminados quando chegar a hora.
O garoto se aproxima furioso e puxa os cabelos da garota, arrancando um gemido dela.
– Aniki nunca faria isso!
– Isso é o que você pensa. – Amu fala entredentes — Ele já apresentou você ao pai dele? Ele já deixou algum de vocês controlar alguma coisa importante? Vocês são só peões descartáveis.
A garota lançou um olhar para Hikari, que a olhou sem entender. Enquanto o garoto estava em pé, Amu havia percebido o canivete em seu bolso prestes a cair e quando o garoto havia se mexido bruscamente em sua direção, havia caído e ele não havia percebido.
Hikari olhava para a cena sem saber o que falar, então finalmente viu o pequeno canivete a poucos centímetros de seus pés e teve que reprimir um sorriso. Aproveitando a chance que Amu havia criado para ela, a garota deslizou o corpo para baixo, quase deitando-se e com os pés, arrastou-o o suficiente para poder pegar com as mãos. Os idiotas haviam amarrado as mãos das duas na frente do corpo. Será que eles podiam ser mais idiotas do que isso?
– Você não sabe de nada! Você é só uma garotinha estúpida que deu azar em ser a namorada do Tsukiyomi! O Aniki vai acabar com ele e junto dele, todos os seus amiguinhos idiotas.
– Pfft! – Amu virou o rosto tentando esconder a risada, mas logo essa escapou, fazendo não só o rapaz, mas a garota ao seu lado se assustarem.
– Q-qual a graça? Pare de rir!
– Vocês são mesmo um bando de idiotas. O Ikuto não vai vir. E mesmo que ele viesse, ele pode acabar com a raça de vocês seis com as mãos amarradas nas costas.
– Nós vamos mata-lo antes que ele possa sequer chegar perto de você!
– Por favor, eu poderia acabar com você. Você sequer sabe como lutar? – Amu provoca mais ainda e Hikari apressa seus movimentos o máximo que pode sem o rapaz perceber. Faltava muito pouco para cortar a corda que prendia suas mãos.
– É claro que eu sei! Eu posso acabar com você em um segundo!
– Ah é? Quero ver você tentar. – Amu estica os braços – Me desamarra e a gente pode ver quem é o mais forte aqui.
– Eu não vou desamarrar você!
– Por que? Medo de perder? Não sabia que o Akira-kun estava contratando covardes.
– ...Eu vou bater tanto em você garota que vai se arrepender de ter dito isso. – o rapaz falou furiosamente, começando a desatar os nós nos pés e mãos de Amu, que sorriu e lançou um olhar para Hikari. A garota sorriu de volta.
~~Enquanto isso~~
– É isso não é Ikuto? – Nagihiko pressiona o amigo, que simplesmente fica calado.
– Então… Ele mentiu? – Utau pergunta, abobalhada – Ele mentiu para poder proteger a Amu? Ele nunca quis acabar com ela? Mas… Para que dizer tudo aquilo? Você poderia ter simplesmente dito a ela que queria acabar. Não precisava ter inventado toda aquela loucura sobre uma aposta!
– Eu tinha que dizer alguma coisa que a fizesse ficar longe de mim! – Ikuto grita, assustando a irmã – Eu tinha que fazer ela me odiar e não querer sequer olhar para a minha cara! Era para o imbecil do Akira acreditar que ela me odiava e que eu a odiava.
– Para ai ele perder o interesse nela e ela ficar fora de perigo. – Nagihiko completa.
– Era! Mas a Amu… Meu Deus, aquela garota… Droga! Eu não sei se ela é boa demais ou simplesmente estúpida! Por que diabos ele não ficava longe de mim?! Sempre sorrindo para mim quando me via, me fazendo gostar mais ainda dela! E quando eu menos percebi a gente já era amigo de novo!
– Ikuto. – o garoto olha para a irmã, bufando em raiva e medo. Medo pelo que Amu poderia estar passando. – Você é muito estúpido.
– Utau-chan!
– O que? Ele é. Ao invés de ele mesmo protege-la, nããão, ele manda outra pessoa fazer. E ainda machuca a Amu e a ele mesmo no processo.
– Utau. – Kukkai a chama – Você não entende, não é? O Ikuto ama a Hinamori. Ele sabia que não podia ficar o tempo todo perto dela para protegê-la. Ele prefere sofrer mil vezes antes de colocar a Hinamori em perigo.
– Mas…
– Ele está certo Utau-chan. – Tadase sorri – Ikuto-nii-san ama a Amu-chan demais para colocá-la em perigo por causa dele. Eu nunca me perdoaria se algo acontecesse com a Lulu por minha causa.
– Aloo! – Rima chama a atenção de todos – Okay, o Ikuto é o mocinho da história! Oba! Mas será que dá para focar na situação aqui? A Amu foi sequestrada! Não deveríamos estar atrás dela?
– Rima-chan está certa. – Nagihiko concorda – Então, Ikuto? O que o Haru-kun falou?
– Ele disse que pegaram ela em frente a casa dela. – o rapaz responde, sua expressão tão séria que alguém que o visse pensaria que ele estava resolvendo um problema de vida e morte. Talvez estivesse. – Eram três. Ele tentou impedir, mas um dele o acertou com um taco de baseball.
– Ele está bem?
– Sim. A dona dos apartamentos o achou de manhã e o levou ao hospital. Ele tinha acabado de acordar quando me ligou.
– Então a gente não sabe de nada?
– Nós sabemos que o Akira-kun é quem está por detrás disso.
– E você quer ir até a casa dele, bater na porta e pedir a Amu de volta? – Ikuto pergunta sarcasticamente.
– Claro que não. Mas isso deve dar uma pista sobre onde ela está. Eu não acho que ele a colocaria em um lugar que não fosse completamente confiável para ele, o que significa que a Amu-chan deve estar em algum do sul da cidade. Provavelmente perto da base dele.
– Vamos. – Ikuto pega o capacete.
– ESPERE!
…:Amu’s POV:..
– Você é idiota?! – reviro os olhos ao escutar um deles gritando com o outro – Como é que você deixou uma delas escapar?!
– Eu já disse que foi um acidente! Essa garota ficou me provocando e eu não percebi a outra pegando meu canivete.
– Acidente o caramba! Vai me dizer que foi um acidente também você ter apanhado dela?!
Amu sorriu ao escutar isso. Quando o garoto tinha soltado suas cordas, ela pulou para cima dele, distraindo-o enquanto Hikari se escondia entre as caixas. Foi a fuga mais fácil que Amu já vira. E a luta mais fácil também. Quando ela socou o garoto no rosto, ele gritou, o que fez com que os dois que estavam nos fundo viessem ver o que havia acontecido, dando a chance perfeita para Hikari escapar. Amu continuou batendo no que estava embaixo de si, até os outros dois chegarem e a arrancarem de cima dele. Claro que ela ainda deu uns bons chutes nos dois antes de parar de se debater e deixar eles a amarrarem de novo.
– ...apanharam também! Ou esse sangue ai na sua cara surgiu milagrosamente?!
– Aniki vai nos matar quando ele descobrir. — um deles coloca as mãos na cabeça, desesperado e eu sorrio.
– Ele não tem que descobrir. A gente diz que fez a troca da que fugiu. Ele só se importa com essa daqui mesmo.
– Tem razão. – os outros concordam e eu reviro os olhos. Eles são um bando de idiotas.
– Vocês estão perdendo o tempo de vocês. Eu já disse que o Ikuto não vai vir.
– Cala a boca! – o que apanhou de mim grita e antes que eu pudesse me esquivar, ele me da um tapa, me fazendo cair no chão com o impacto. Olho para ele furiosa. Você acabou de se tornar o primeiro na minha lista de vingança para quando eu sair daqui. Tem sorte de eu ainda estar bancando a boazinha. Se eu quisesse, teria saído daqui junto com a Hikari, mas não quis. Esses bestas dão informações importantes sem nem se tocarem.
– Você ta louco?! O Aniki disse para a gente não tocar nela!
– Ela mereceu! – ele grita, ainda furioso de ter perdido para mim.
– Ele ta certo. Acho que ele merece me bater pelo menos uma vez depois de ter apanhado de uma garotinha como eu. – sorrio maliciosamente e, incrivelmente, os amigos dele riem da cara dele.
– Espera só até eu contar isso para o Hino. Ele vai morrer de rir.
– Vocês também apanharam dela! — ele grita, embaraçado.
– Porque a gente estava tentando tirar ela de cima de você.
– Ei, já que vocês tem tempo de rir um da cara do outro, será que da para me trazer comida? E água?
– … É, acho que você merece depois de dar uma surra nele. – um deles fala e os outros riem, acompanhando-o para fora.
Eu suspiro. Eu queria estar em casa. Eu queria que o Ikuto viesse me salvar. Me encosto na caixa e imagino ele vindo me salvar. Será que ele sequer sabe que eu estou aqui? Duvido muito. Por que isso tinha que acontecer comigo? Por que coisas ruins sempre acontecem comigo?
– Aqui está garota. – olho para o lado ao escutar a voz de um dele e me ajeito. Ele coloca a comida na minha frente e eu encaro. – O que você está esperando? Coma.
– Eu não consigo. Minhas mãos estão amarradas, lembra? – olho para ele, fazendo minha melhor expressão de filhotinho sem dono, com direito a lágrimas nos olhos e tudo e ele suspira.
– Vou soltar suas mãos. Mas só enquanto come. E nada de tentar nenhum gracinha, ok? – concordo com a cabeça, sorrindo.
– Então? Para quem vocês vão vender as drogas dentro dessas caixas? – tento puxar assunto e quase rio da expressão de pânico dele quando escuta a minha pergunta.
– Como você sabe?! – ele me olha apavorado.
– Não sabia. Mas você acabou de me dizer. Por favor, você ao menos sabe o quanto pesaria uma caixa cheia de pedras? Essa daqui pesa pelo menos metade. Além disso, pedras? Sério mesmo? O chefe de vocês é muito estúpido se acha que isso ai enganaria alguém. – massageio meus pulsos e franzo as sobrancelhas. Estão feridos. Não tinha percebido isso antes.
– Apenas coma! – ele senta em cima de uma das caixas, me vigiando.
– Qual é, o que eu poderia fazer se você me dissesse? Contar para a policia? Como se eles fossem acreditar em mim. – falo de um jeito como se a ideia fosse ridícula.
– Coma.
– Okay, okay. Só mais uma pergunta. – ele suspira e eu sorrio. Sou muito boa em irritar os outros – Vocês querem me trocar pela rendição do Ikuto. Mas como vocês vão fazer isso se ele sequer sabe que vocês estão comigo?
– Aniki vai ligar para ele amanhã.
– Amanhã? E por que não hoje?
– Ele disse que o Tsukiyomi merece sofrer um pouco antes.
– Hm… Bem malvado. Vocês se conhecem a muito tempo?
– Dois anos. O pai dele me salvou.
– Ahh. E agora você trabalha para ele. – mastigo o último pedaço do meu sanduiche e pego o outro – Você sabia que o Akira-kun vai tomar controle das coisas por aqui?
– Claro que sim. Eu vou ser o segundo no comando. – ergo uma sobrancelha.
– Que engraçado. O seu amigo disse a mesma coisa.
– Aniki mentiu para ele. Ele me disse que assim que o pai dele der a ordem, vai se livrar deles. Ele disse que eu sou o único capaz de ajuda-lo.
– Hm… e quem garante que ele não mentiu para você também? – sorrio ao ver ele hesitar. Não tinha pensado nisso, não é, garotão?
– A-Aniki não faria isso. Ele disse que eu sou como um irmão para ele.
– Nossa, que coincidência! O seu outro amigo disse a mesma coisa! – minto — Que engraçado, será que ele fala isso para todo mundo?
– Ele só está controlando eles. – ele fala e percebo a confusão dentro dele e a dúvida. Sorrio. Vai ser como tirar doce da boca de criança.
– Mas ele não precisava falar isso não é? Era só dizer que eles seriam recompensados. Dizer para todos vocês que vão ser o segundo no comando… Hm, parece que ele está enganando todos vocês.
– E-ele não faria isso. N-não há razão. – ele murmura.
– Bem, você tem o que? 19 anos? É uma criança, não? Por que o pai dele deixaria uma criança cuidar dos assuntos dele? O Akira-kun eu entendo, já que é o filho dele. Mas você? Os outros? Não são nada para ele.
– M-mas… Mas ele me prometeu… Ele disse que eu era como um filho!
– Eu não quero ser a vilã aqui – falo, levantando os braços em sinal de rendição – Só estou tentando ajudar você. Você não acha estranho?
– E-eu...
– Ele deve estar planejando colocar a culpa em vocês se algo der errado, não? Afinal de contas, o pai do Akira-kun controla todo o mercado de drogas daqui. E ele vai para os Estados unidos. É um passo bem grande e eu não acho que a policia não vá perceber. Ele deve estar pensando em usar vocês como distração.
– Eu sei onde é a base dele! Ele não faria isso comigo, porque senão eu posso contar a policia tudo sobre o plano dele!
– A base? Você quer dizer aquela casa no monte ao lado do templo?
– Claro que não garota! Ele não é burro de fazer a própria casa de base! Ele tem um esconderijo subterrâneo embaixo do templo e tem túneis secretos que levam para todos os pontos de comércio e de armazenamento. – sorrio. Finalmente ele caiu na minha.
– Nossa, ele é muito esperto! Aposto como a policia nem desconfia. Ninguém suspeitaria de um templo.
– Claro que não! Yamamoto-sama é o melhor no que faz!
– Mas você acha que ele vai conseguir fugir do país? Quero dizer, ele acabou de sair da prisão.
– Não seja idiota! Ele tem um plano! Ou você acha que a briga no terreno abandonado é só porque o Aniki quer território? – ele ri – Ele só está juntando essas gangues para que a atenção da policia seja desviada. Eles vão ser pres…
– Hey, Jin! Vem aqui! – um dos garotos grita e eu respiro fundo, desejando poder gritar com o idiota que acabou de nos interromper. Ele revelou tanta coisa sem nem se tocar e provavelmente falaria muito mais se o idiota do amigo dele não tivesse interrompido!
– Estou indo! – ele grita de volta – Vamos, vou amarrar você de novo. Junta as mãos. – obedeço direitinho – Agora fica quietinha ai.
– Posso dizer só mais uma coisa?
– O que?
– Se eu fosse você, me afastaria do Akira-kun.
– Ele não vai me trair. Eu confio no Aniki. Você é quem deveria se afastar do seu namorado. Olha só no que deu você ficar com ele. – ele me olha por um instante e então vai embora.
Fico quieta por alguns minutos, pensando em tudo que ele me falou. Então sorrio. Hora de sair daqui.
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