Blackmail
4 Proposal
Notas iniciais
Fazia mais de 4 horas que Tommy digitava furiosamente no notebook, já se passava das 2 da manhã. Erick não desviava o olho da tela, estava junto dele desde que começaram a invadir os sistemas de telefonia; estava eufórico. Só tinha se levantando uma vez que foi para trocar de roupa, agora usava um moletom branco da GAP e uns shorts de cor preta da Nike.
O quarto estava escuro. A única luz vinha da tela do computador. O ruivo acendeu um cigarro, já era o décimo que fumava. Estava ansioso e a nicotina fazia ele se acalmar um pouco. Queria dar logo um ponto final nessa história.
Tommy soltou um muxoxo de frustração, parou de digitar e abaixou a tela do notebook.
-Esse é de um celular descartável. -Tommy informou receoso. -Não dá para rastrear.
-Celular descartável? -O ruivo perguntou confuso.
-É um celular que geralmente os estrangeiros compram, ele tem validade de dois meses. -Explicou o moreno. -Ele não pode rastreado porque diferente dos nossos. Ele não é de conta.
Essa era a única chance que Erick tinha de descobrir quem o chantageava. Não tinha o dinheiro para pagar. Sua família é rica, mas seus pais não lhe dariam 50 mil, sem querer saber o motivo.
-Por que um estrangeiro estaria te mandando mensagens estranhas?-Perguntou Tommy. -E o que estava escrito?
-Ah sei lá, essa pessoa deve ser louca. -Mentiu Erick. -Me manda mensagens do tipo estou com saudades e quero foder sua boca hoje. Queria descobrir, estou de saco cheio, sabe?
-Deve ser uma bichinha que ta te mandando essas mensagens. -Disse Tommy rindo.
-É, deve ser. -Erick forçou o riso.
-São duas e quarenta. -Tommy disse verificando seu celular. -Vamos pro Village; naquele clube que a gente frequenta. Entraram umas meninas novas.
-Num to muito afim. -Erick disse em um tom desanimado.
-Está bom... Se mudar de ideia, me liga. -Disse Tommy se levantando.
O moreno guardou suas coisas na mochila e saiu do quarto deixando o ruivo preocupado para trás. Erick apagou o cigarro e o jogou no chão. Não estava no clima pra sair, beber e ver garotas fazendo strip tease.
Aquela foto não saía da sua mente, sabia que tinha muito a perder se seu pai a visse. O senhor Jones, era um homem que sempre quis que tudo saísse do seu jeito, e com certeza não estava em seus planos ter um filho com fama de gay.
Deitou-se na cama; o quarto estava mergulhado na escuridão. Queria que ela pudesse engoli-lo, assim não teria de enfrentar o mundo. Se pudesse, permaneceria assim para sempre. E foi com esses pensamentos que adormeceu.
Acordou ao som de Psycosocial do Slipknot, levantou-se o mais rápido que pode e procurou pelo seu celular. Começou a tatear pela cama a procura de onde vinha o som, encontrou aparelho estava embaixo do travesseiro. Quem o ligava era de um numero restrito, tocou a tela do celular touchscreen e atendeu a chamada.
-Erick é o Tommy. -A voz de Tommy saia abafada, por um som de música alta.
-O que você quer? -Perguntou em um tom sonolento porem mal humorado. -E que horas são?
-Erick, minha carteira foi roubada por uma prostituta e eu só fui perceber isso agora. Estou na Deep Hole. Eu o Chuck estamos lisos, será que você podia dar uma ajuda? -Perguntou Tommy.
-Idiotas, deixa eu falar com o Sam. — O ruivo ordenou impacientemente.
-Sam? -O moreno perguntou.
-O gerente. -Esclareceu Erick. -Rápido ou eu vou desligar.
Em menos de dois minutos, o ruivo já tinha cuidado da situação. Sam, o gerente da Deep Hole, já o conhecia, então ele disse que depois iria acertar a conta dos amigos e eles puderam ir pra casa.
Erick voltou a deitar-se, nem eram sete horas ainda. Era um domingo, então ele queria permanecer no conforto de sua cama o máximo possível. Mas, mais uma vez seu celular começou a tocar e mais uma vez era um numero restrito. Tocou na tela touchscreen e respondeu a chamada.
-Quero minha recompensa, pode pagar a garota mais cara pra mim hoje. -Erick disse.
-Alô?Erick? -Uma voz masculina inquiriu.
-Quem é? -Perguntou se envergonhando da gafe que havia cometido.
-Sou eu Jason, dormimos juntos sexta-feira. -Jason disse em um tom impaciente. -Ou vai dizer que não se lembra de novo?
Estava surpreso com a ligação dele, não esperava que o moreno tivesse seu número e que ainda o ligaria algum dia.
-O que você quer? -Perguntou o ruivo, sua voz não soava firme.
-Tem alguém querendo 50 mil, pra não mostrar aquela foto nossa se beijando. -Disse Jason impaciente. –Olha, eu já te disse que não tenho nada a perder se foto vazar, então vamos parar com essa brincadeirinha.
-Você acha que eu tenho algo haver com isso? -Erick estava pasmo. -Eu também estou sendo chantageado e diferente de você, eu tenho muito que perder, se tiver 50 mil pra me emprestar agradeço.
-Não tenho esse dinheiro, mas esse tal chantagista me irritou. Acho que eu sei o que fazer pra te ajudar com isso. -O moreno disse em um tom pensativo.
-O quê? -Erick perguntou a excitação em sua voz era notável.-Falamos pessoalmente, me encontre na minha casa. -O moreno ditou em um tom malicioso- Se minha ideia for boa, vou querer uma recompensa.
Erick sabia muito bem qual recompensa ele queria. Ele já não tinha mais esperanças, sabia que essa foto iria ser divulgada, mas talvez o moreno o ajudasse.
Só de pensar na recompensa que Jason queria, sentiu seu corpo se eriçar. A ideia de ele estar se excitando com homem o assustava, mas iria colocar seu medo de lado e ir até o moreno.
-Ok, me passa seu endereço. -Disse Erick com uma ponta de esperança na voz.
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