Blackfyre

43 Winterfell


Notas iniciais
Oi, amores. Não me odeiem por ter sumido u.u Eu posso explicar Eu viajei pra uma cidade muito pequena e lá não tinha internet, mas eu levei o meu notebook, na intenção de escrever e adiantar a fanfic. Mas adivinhem... meu notebook estragou. Deu pau na memória... Então eu tive que esperar voltar, pro meu amigo (o mesmo do HD) arrumar meu pc pra mim (Tchelo, te amo ♥ ) Ele arrumou o pc, eu voltei a escrever e fui olhar os banners que eu tinha encomendado antes de viajar, mas eles não ficaram prontos (justiça feita, um ficou e tá lindo) Ai eu resolvi esperar, mas eu pensei: A galera quer fic, não banner. Então aqui vai o capítulo, sem banner, mas com muita treta ♥ Espero que vocês gostem!! ♥ Beeeeijos! Comentem, tá? Eu vou responder os comentários de vocês hoje a noite!! =D Beijos da Tia! #PartiuLer

Winterfell

Norte tremia de frio. Ou talvez fosse nervosismo. Estavam às margens do ramo ocidental do rio Faca Branca, o mais importante rio do Norte. O Faca Branca possuía dois ramos que se juntavam ao sul, uma vinda do Lago Longo e outra das Colinas Solitárias. Em seguida, ele seguia seu curso para sul, tendo Winterfell a oeste e Forte do Pavor e Hornwood em direção leste. Ao sul de Winterfell, outro afluente do Faca Branca se juntava ao rio principal, nascendo no interior da Matadelobos, o Castelo Cerwyn ficava localizado nas margens desse afluente e eles estavam há poucas horas de viagem do castelo.

O Faca Branca continuava para sul até encontrar sua foz junto a Porto Branco, na Dentada. Sem dúvidas, era o rio mais frequentado no Norte. Eram utilizadas embarcações longas e delgadas para atravessar suas águas. Todo o comércio entre Porto Branco e os castelos que ficam ao redor do Faca Branca, aconteciam por ele. Lorde Wyman Manderly, Lorde de Porto Branco, detinha o título de Guardião do Faca Branca.

Olhando o rio seguir seu rumo para o Sul, para Porto Branco, Norte sentia o coração pesar. O som da água corrente o assustava de leve e não sabia dizer o motivo disso. Mas sempre que ficava disperso em pensamentos, sentia uma aflição e se colocava a procurar por alguém, seguindo o som do rio. Então, depois de muito andar, caía de joelhos, sem nunca encontrar o que procurava. Acabara sozinho no meio das árvores tantas vezes que algumas vezes cogitara simplesmente não voltar.

No entanto, a cada dia ficavam mais próximos da Matadelobos, então seria simplesmente suicídio ficar sozinho. Todos sabiam da enorme matilha que rondava a Matadelobos. Escutara pela primeira vez sobre ela quando estava nas terras fluviais. Um lobo gigante que liderava uma enorme matilha. Uma loba que não temia humanos. E essa matilha parecia segui-los desde Harrenhal. Norte achava que os lobos eram espíritos antigos, do norte, que buscavam vingança. Mas Thoros dizia que isso não existia. Que eram apenas lobos, buscando comida fácil.

Norte estava na beira do rio, dessa vez acompanhado pela Irmandade que montava acampamento. Estava escuro e a noite não tinha lua. Chegariam em Castelo Cerwyn no dia seguinte. Tinham escutado rumores terríveis vindos de lá. Que o bastardo de Roose Bolton esfolara o Lorde Cerwyn por ele se recusar a dobrar o joelho para os Bolton. E o fizera na frente do filho pequeno e herdeiro da Casa Cerwyn. Lembrava-se brevemente que Lorde Cerwyn queria levar a filha junto do acampamento e que Lady Shiera ficara enciumada com isso. Ao se lembrar disso, acabou sorrindo, sem entender o motivo. Norte coçou a barba ruiva, com vários fios brancos, que enfeitavam precocemente seu rosto. A cada dia que passava, estava mais perto de onde julgava ser sua casa. O Norte. Winterfell. Estavam a um dia de lá.

Escutou o som de galhos quebrando e se virou. Thoros se aproximava com um orde de rum, e lhe ofereceu um gole. Norte aceitou e provou gostando do sabor, para então devolver ao sacerdote vermelho.

—Novamente olhando o rio? – perguntou Thoros.

—Estou sempre a olhar o rio, buscando o passado... enquanto você olha o fogo, buscando o futuro. – resmungou Norte e Thoros sorriu – Me conte quem eu sou.

—Sabe por que olha para o rio? – perguntou Thoros com um sorriso enigmático. Norte olhou novamente o rio e suspirou.

—Não é a visão das águas que me atinge. É o som. O frio. A noite. – murmurou Norte se enrolando melhor em sua capa de viagem. O chão estava coberto por uma alta camada de neve e a marcha, a cada dia que passava, se tornava mais árdua – Aconteceu algo comigo, no passado. Algo de que me esqueci, mas que me marcou.

—Não faz ideia do que seja, Norte? – perguntou Thoros e Norte fechou os olhos, tentando se lembrar.

—Eu estava buscando alguém. Na floresta... a noite. Eu me lembro do desespero e do sentimento de culpa... – murmurou ele – Então eu... eu acho que eu buscava minha esposa, Lyssandra. – respondeu ele e Thoros riu de novo.

—Ela se afogou no rio? – perguntou ele e Norte concordou – Sabe quem se afogou num rio? – perguntou Thoros e Norte o olhou curioso – A Rainha do Norte.

—Shiera Stark não morreu! – disse Norte sentindo-se zangado – Ela está liderando uma resistência contra Bolton, na Muralha. Nós vamos encontrá-la e ajudá-la.

—Ela se afogou no rio, mas não morreu. Ficou desacordada por um tempo. O Rei do Norte partiu de volta para a Guerra e nunca pode se despedir dela...

—E então o mataram, nas Gêmeas. – murmurou Norte, soltando um suspiro pesaroso – Vocês deveriam tê-lo salvo. – disse angustiado – Eu sou apenas um soldado.

Thoros riu de novo e olhou para o rio.

—Que rio é esse? – perguntou ele mirando a água e Norte suspirou novamente.

—Faca Branca. O rio mais importante do Norte. Qualquer nortenho sabe disso. – explicou.

—E o que você sabe sobre esse rio? – perguntou Thoros. Norte bufou aborrecido por Thoros nunca ser direto e ser sempre cheio de caminhos tortos. Mas tentou acompanhá-lo naquele jogo, na esperança de aprender um pouco sobre si mesmo.

—Sei que o Rei Jon Stark construiu a Toca do Lobo para defender a foz do Faca Branca, após expulsar invasores vindos do mar. Já o Rei Brandon Stark recuperou a Toca do Lobo quando o Rio Congelou, durante um inverno rigoroso. – explicou.

—Toca do Lobo? – perguntou Thoros.

—Era uma fortaleza, mas hoje em dia está reduzida a uma masmorra... Winterfell enviou algumas pessoas para ajudar a reformar o lugar, quando Lorde Eddard Stark partiu para o Sul... Robb Stark cedeu os homens para isso. – explicou Norte – A Toca do Lobo fica em Porto Branco, a única grande cidade de verdade que existe no Norte.

—Porto Branco? O que sabe de Porto Branco?

—Que é a sede da Casa Manderly. – respondeu dando de ombros.

—Qual é o brasão da Casa Manderly? – perguntou Thoros.

—Um tritão branco com cabelo verde escuro, barba e cauda, carregando um tridente preto, sobre um campo azul-verde. – respondeu prontamente, ligeiramente surpreso consigo mesmo.

—Que deuses os Manderly seguem? – questionou Thoros.

—Os Sete. Eles têm origem ândala. Foram expulsos, há muitos anos, dos arredores do rio Vago, no sul, pela extinta Casa Gardener... eles fugiram para o Norte, onde os Stark os receberam como seus vassalos. – explicou e Thoros sorriu parecendo se divertir – Algo mais? – perguntou fechando a cara.

—Já se perguntou o motivo de saber tudo isso? Um reles soldado não sabe essas coisas.

—Qualquer nortenho sabe disso. – resmungou Norte, voltando seu olhar para o rio. Thoros deu um sorrisinho e se virou para o acampamento, para assoviar em seguida. Alguns irmãos olharam para eles e Thoros acenou.

—Hei! Harwin! – griou o sacerdote – Venha cá um minuto. – adicionou ele.

O homem que antes estava ajudando a fortalecer a fogueira veio correndo, mas assim que colocou os olhos em Norte, pareceu congelar. Como sempre. Era um homem magro e de barba emaranhada, mas que parecia ter perdido muito peso muito rápido. E apesar da língua afiada e fala ousada, sempre que ia se dirigir a Norte, parecia ficar acanhado e assustado, provavelmente por ver alguém que antes estava morto, viver de novo.

—Senhor... – murmurou ele com os olhos evasivos.

—Você nasceu e foi criado em Winterfell, não foi? – perguntou Thoros e Harwin concordou com um aceno trêmulo de cabeça – Me diga, qual é o brasão da Casa Manderly?

Harwin o olhou com o cenho franzido, pego de surpresa por aquela pergunta.

—Hum... caranguejos? – perguntou ele e Thoros deu uma gargalhada.

—Tente de novo. – pediu ele.

—Um urso? – arriscou ele e Norte deu uma risada.

—Os Mormont são ursos. – disse ele e Harwin estremeceu, encolhendo no lugar – Eles moram num lugar chamado Ilha dos Ursos, sabe?

—Que rio é esse, Harwin? – perguntou Thoros.

Harwin olhou para o rio e coçou a cabeça por um momento, parecendo confuso com aquele interrogatório.

—Oras, o Faca Branca.

—E o que sabe desse rio. Onde é a foz dele? Quem o conquistou para o Norte?

—A foz é... – Harwin franziu a testa novamente – Por que? – perguntou ele confuso.

—Não sabe? – perguntou Thoros – Não estudou isso quando era jovem?

—Eu não tive um meistre para me ensinar isso. – ralhou Harwin – Eu mal sei ler, senhor. – riu Harwin. Norte sentiu algo estranho em seu estômago e Thoros passou o braço forte por seus ombros. Sentiu-se guiado até a enorme fogueira que ardia, para iluminar a noite e aquecer os homens, além de servir para assar a pouca comida que tinham.

Harwin aproveitou para esgueirar-se para longe, mas Thoros não lhe deu importância. Ele sorria e olhava o fogo.

—Olhe as chamas, garoto. E me diga o que você vê. Me diga, pra onde devemos ir. – pediu o sacerdote e Norte o olhou enfadado.

—Você quem vê nas chamas, Thoros, não eu. – ralhou sem paciência – Apenas me diga quem eu sou! – pediu já sem paciência.

—Olhe nas chamas e peça que o Senhor da Luz responda. Ele te trouxe de volta, garoto. Ele quem vai te dar todas as respostas. Olhe as chamas. Me diga o que você vê.

Norte soltou um muxoxo e olhou para o fogo, mas nada via além das línguas tremeluzentes amarelas e vermelhas.

—Vejo fogo e nada mais.

—Olhe de novo. Busque suas respostas, garoto. – pediu Thoros e Norte olhou novamente. E então seu estômago se remexeu. Ele via um rapaz, de joelhos, na neve. E ele estava cercado por vários homens... atrás dele havia uma enorme muralha de gelo, que se extendia até o céu. Norte sentiu o coração apertar e viu a vida esvair-se daquele rapaz – O que você está vendo?

—Um... um homem, está sendo assassinado. – murmurou sentindo o coração pesar.

—Quem? – perguntou Thoros.

Norte engoliu em seco, mas a visão mudou. Ele viu a Rainha do Norte, nas chamas. Ela usava uma pele de lobo gigante, na cabeça, que cobria quase todo seu corpo, mas então um homem a despiu de todas as roupas e lhe arrancou a pele, deixando-a em carne viva... e o que sobrou por baixo foi um dragão que voou até a Muralha. Outros dois dragões se uniram a ela e cuspiram fogo para os céus, chamas vermelhas, saindo de suas escamas negras. Mas então, um deles caiu lá embaixo, explodindo em vários pedaços de gelo. Outro foi atingido no coração por um homem de roupas negras, fazendo com que jorrasse fogo de sua ferida. E o último voou para o sul, para um castelo vermelho.

Em seguida a fogueira desmoronou, fazendo brasas voarem num rodopio, formando claramente a Muralha.

Norte engoliu em seco, sem entender coisa alguma. Mas a Muralha ainda brilhava no ar, feita pelas brasas que subiam rodopiantes.

—Vocês viram? – perguntou Anguy, lá atrás, assombrado – É a Muralha.

—Devemos ir para a Muralha, Norte? – perguntou Thoros – Ou para Winterfell? – perguntou o sacerdote.

—Shiera será morta em Winterfell... – disse Norte baixando os olhos – E alguém importante será morto na Muralha. – adicionou ele – Duas pessoas vão morrer... eu não posso deixar a rainha morrer. – sibilou ele dando as costas para a fogueira. O coração batendo acelerado.

—O que você vai fazer? – perguntou Thoros enquanto Norte marchava até o seu cavalo.

—Vocês vão para a Muralha. Devem salvar Jon Snow. – disse com um sentimento de desespero no coração. Reconhecera o bastardo de Winterfell. Costumavam ser amigos... a treinar juntos. E ele também se apaixonou por Lyssandra. Eles dançaram juntos em Harrenhal. Mas ela o escolhera para casar, deixando o bastardo para trás. Lembrava disso. Lembrava de amá-la numa cama simples, dura, embaixo de uma pele de urso. Lembrava dos beijos doces, do cheiro de lavanda e grosélia. Os olhos púrpuras, Lyssandra tinha os olhos púrpuras... prendeu a sela no cavalo com firmeza, sentindo o coração bater acelerado – Eu estou indo para Winterfell.

—Você vai morrer! – gritou Harwin – Não conhece essas trilhas! – adicionou ele – A neve está profunda demais, está frio demais, escuro demais. Vamos esperar o nascer do dia!

—Estamos há meio dia de Winterfell. – disse Norte sentindo um delírio louco tomar sua mente. Lembrando-se de Lyssandra deitada à margem do lago, no Bosque Sagrado de Winterfell. Os cabelos negros formando cachos delicados. Os dedos finos a brincarem com uma folha vermelha, na superfície da água. Suas memórias confusas misturando o rosto dela com o da rainha... – Eu estou indo para lá.

Seus homens tentaram argumentar, mas Norte esporeou o cavalo e partiu, voltando para a Estrada do Rei. Galopou por horas tentando forçar a memória. Lembrava dos sonhos de Lobo, em que sonhava com Shiera Stark. Ela estava muito próxima do Lorde Comandante da Muralha, o Bastardo de Winterfell... Eles eram amigos. Eu lembro que eles foram amigos, certa vez, em Harrenhal.

Ele conhecera Lyssandra em Harrenhal. Ela contara que era filha de uma prostituta, que tinha se deitado com o próprio Rhaegar. Ela disse que podia muito bem ser uma princesa perdida. Ela dançou com Jon aquele dia. Eu dancei com a amiga dela, Genna Blackwood. Nós conversamos e as acompanhamos até o castelo. Deixamos as garotas e depois nós as vimos no banquete... E então se lembrou dela... num vestido bonito e aberto, à moda Sulista. Os cabelos negros, os olhos púrpuras e os lábios avermelhados. Na mesa dos senhores. Ela lhe contou sobre a briga entre Lorde Bracken e Lorde Blackwood e perguntara se Winterfell fora construída por gigantes. Ela dançou novamente com Jon Snow e ele sentiu ciúmes. Ela usava um vestido negro, cravejado de rubis, com detalhes em vermelho que lembravam o desenho de fumaça. E um colar de ouro com diamantes vermelhos e negros. Norte fechou os olhos, deixando o cavalo seguir a estrada sozinho. Lembrava... lembrava de brigar com ela em Winterfell, porque ela tinha um gênio terrível. E lembrava de entrelaçar os dedos com os dela, assustados com os Lordes do Norte. Lembrava do sorriso dela. Da maneira como ela veio até ele, enquanto esperava em frente ao Represeiro. Assustada, com os olhos baixos, cheia de nervosismo. Lembrava dos lordes despindo-a na tradição da noite de núpcias. Lembrava dela pedir que ele não seguisse em frente na hora de consumar o casamento, mas também recordava de quando ela cedeu e ele se obrigou a segurar todo o desejo que sentia na intenção de não machucá-la. Lembrava de quando ela veio com o arco para ajudá-lo no Bosque dos Murmúrios. Se lembrava de deitá-la num tapete em Harrenhal, para amá-la, olhando-a nos olhos. Lembrava de dormir abraçado a ela, a afagando no ventre inchado. Lembrava de deixá-la para trás, em Winterfell, para expulsar os homens de ferro do continente. E se lembrava da carta que dizia que ela decapitara sua mãe.

Lembrava do filho que teve com ela. Tão pequeno, ruivo, mas com os olhos dela... lembrava de se desculpar com ele, porque ele a fizera tentar se matar. Abriu os olhos para notar que eles já estavam cheios de água, ao se lembrar de quando a encontrara, fria, imóvel, na floresta. As mãos feridas, cheias de sangue. Morta. Nunca mais a vira sorrir. Nunca mais recebera seus beijos doces e seus afagos. Nunca mais sentira seu cheiro. Lavanda e groselha. Gritou alarmado enquanto galopava e instigou o cavalo a galopar mais. Foi quando os ouviu. Olhou para os lados e viu os lobos. Eles o cercavam e seu cavalo assustou, empinando-se. Segurou-se com firmeza e conseguiu não cair, mas os lobos apareceram. Inúmeros. Incontáveis. Respirou fundo segurando a rédea e o maior deles se adiantou, rosnando. Piscou surpreso, pois conhecia aquele lobo. O vira ainda muito pequeno, a correr pelo pátil com Arya. Sua irmã, Arya.

—Nymeria? – perguntou, chocado. A loba rosnou – Nymeria... sou eu... – engoliu em seco, achando loucura o que estava para dizer. Desceu do cavalo olhando o lobo nos olhos – Sou eu, Nymeria. Robb Stark. – disse inseguro. Nymeria rosnou de novo e ele respirou fundo – Eu sou Robb Stark. Filho de Eddard Stark e Catelyn Stark. Sou o lorde legítimo de Winterfell. Sou o Rei do Norte. Eu preciso ir para Winterfell... eles tomaram Winterfell, eles tomaram a nossa casa, Nymeria. – disse nervoso. Nymeria, que estava numa posição agressiva, se empertigou e o olhou nos olhos – Me deixe passar. Eu sei quem eu sou e eu sei o que eu preciso fazer. Eu preciso voltar pra casa. – disse decidido – Podemos voltar pra cas juntos!

E então Nymeria olhou para trás, na direção de Winterfell, para em seguida ir embora, deixando-o sozinho. Robb suspirou, pensando que provavelmente Nymeria já estava se sentindo em casa...

**

Winterfell era um enorme complexo, consistindo de duas grandiosas muralhas e uma vila localizada logo ao lado, chamada de Vila de Inverno. Ela sabia que o castelo fora construído ao entorno de um antigo Bosque Sagrado e próximo a uma área termal. A água quente era canalizada por dentro das paredes e cômodos do castelo para aquecê-los, fazendo de Winterfell mais confortável que outros castelos durante os duros invernos do Norte. Forte Pavor também era confortável, mas o motivo era um pouco diferente. Forte Pavor está localizado próximo a uma abertura vulcânica, o que mantinha o castelo sempre confortável. Mas mesmo assim, não se comparava com a grandiosidade de Winterfell, que de acordo com as lendas, tinha sido construída por gigantes.

No interior das muralhas, o complexo era composto por dezenas de pátios e pequenos espaços abertos, onde alguns treinavam e praticavam com armas, como espadas e arcos, além de montaria. Dentro de Winterfell ficava o Castelo Interno, que comporta a Grande Fortaleza e o Grande Salão. E era dentro desse salão, sentado no cadeirão do senhor do castelo, que Roose Bolton esperava pela bela Lady Stark.

Shiera Blackfyre tinha despertado seu interesse já há muito tempo, quando ainda era uma jovem menina, por sua semelhança incrível com a mãe. Rohanne Blackfyre fora a mulher mais bela que ele tinha conhecido, quando ainda era jovem. E ver Shiera era como vê-la novamente. Ambas pareciam ter fogo em seu interior. Ambas tinham um olhar desafiador, uma personalidade forte e uma mente afiada. Mas Shiera parecia ser ainda mais bela, seus traços pareciam ligeiramente mais delicados e ela tinha aqueles olhos violetas que pareciam duas ametistas. Seu cabelo negro contrastava com sua pele alva e seus lábios carnudos e vermelhos pareciam um convite para algo mais.

Shiera Stark entrou no Grande Salão rodeada de alguns poucos lordes, que tinham concordado em fazer a paz: Maege Mormont, Richard Karstark, o filho caçula de Lorde Manderly, Wylis Manderly, Tytos Blackwood, Zoltan e Petyr Baelish, que representava os interesses da coroa. Mas havia algo estranho ali. Não via o herdeiro de Robb, nem Theon Greyjoy, nem a bastarda que Shiera levara, ou Jon Umber, Rickon Stark, Brandon Stark, e a arqueira cujo nome não recordava. E ele imaginava que ela teria mais homens também, mas apenas uma guarnição de três mil homens estava com a rainha, basicamente suas presas de prata e alguns outros lordes do rio. As forças nortenhas se restrigiam aos Karstark, Mormont, uns poucos Manderly e alguns poucos Starks.

—Suas forças diminuíram, Shiera. – disse Roose Bolton e Petyr a olhou com interesse.

—Stannis as levou. – disse ela com mágoa na voz. Via no rosto dela o retrato da infelicidade – Quando eu decidi fazer a paz com os Lannister por querer dar um fim às batalhas para criar o meu filho... Theon me traiu. Ele levou meu filho para as Ilhas de Ferro. Stannis levou o que sobrou das minhas tropas. Apenas alguns poucos leais ficaram comigo. – disse ela cabisbaixa e infeliz. Roose a viu respirar fundo e recebeu um olhar desesperado dela – Eu quero o meu filho de volta! Theon Vira Casacas o roubou de mim. Eu o quero morto! – exigiu ela com os olhos cheios de água. Mas ela não deixou as lágrimas caírem. Shiera levantou o rosto, com determinação, olhando para cima, tentando conter a água de seus olhos – Eu quero meu filho de volta.

—Onde estão os irmãos de Robb? Onde estão Brandon e Rickon? – perguntou Roose sem se deixar comover pela dor dela. Ele já perdera um filho antes. Sabia que era uma ferida que jamais fecharia, mas não poderia perder tempo. Precisava ser pontual e certeiro.

Shiera engoliu em seco antes de responder.

—Bran não sobreviveu à fuga. Está morto. – respondeu ela – Rickon está na Muralha. Ele não pretende sair de lá. Encontrou o meio irmão e agora pretende se tornar um membro da Patrulha da Noite.

Roose semicerrou os olhos e mirou Petyr, que avançou um passo.

—Tudo o que ela diz é verdade, Lorde Bolton. – disse Petyr – Fui testemunha da ira de uma mãe que perdeu um filho e de uma rainha que perdeu seus vassalos. A guerra terminou para os Stark. Shiera concordou com os seus termos desde que Rickon ficasse na Muralha, impossibilitado de ter filhos ou de exigir heranças. Desde que fosse feito algo para recuperar o filho dela e que...

—Eu quero o direito de fazer luto a meu marido. – disse Shiera com firmeza – Me dê um mês para chorar a morte dele, rezar por ele e enterrá-lo. Quero mandar construir uma estátua dele, para repousar seus ossos na cripta dos Stark, como é a tradição deles. Depois disso... – Shiera Stark respirou fundo, ainda parecendo completamente melancólica e infeliz, mas isso lhe dava um semblante ainda mais belo – Eu aceito casar com você. Para selar a paz no Norte. O Inverno está chegando. É hora de parar de lutar uns contra os outros e nos preparar para a estação. Será um longo inverno.

Roose Bolton a olhou desconfiado e negou com a cabeça.

—Quanto tempo até Stannis nos atacar? – perguntou Roose – Ele não vai aguardar um mês, ainda mais agora que recebeu um bom aumento em suas forças. – Roose se levantou e se aproximou dela. A olhou no fundo de seus olhos violetas e viu que ela tinha medo, por mais que tentasse fingir que não tinha. Ela estremeceu minimamente, mas não recuou, nem desviou o olhar – Nos casaremos amanhã.

—Não me casarei com você antes de fazer luto por Robb. – disse Shiera com firmeza – Me dê ao menos vinte dias. – disse ela, com a voz trêmula.

Roose suspirou e a afagou no queixo, de leve, a achando bela. Depois ele se afastou um passo e a olhou nos olhos novamente.

—Ramsay. Venha cá. – disse ele. Shiera olhou para alguém que se aproximava e fez uma careta de desagrado. Ramsay Snow, seu bastardo se aproximou com um sorrisinho divertido – Esse é meu filho bastardo, Ramsay. – sentiu uma leve satisfação ao ver o sorriso do filho vacilar de leve – Ramsay, Lady Shiera deve estar sentindo falta de suas damas de companhia. Leve-a até elas. Lorde Karstark, Lady Mormont. Vocês podem ficar para jurar sua lealdade a mim, o Protetor do Norte. Wylis, você ficará aqui até que seu pai venha fazer o mesmo. Lorde Baelish, meus homens o guiarão para seus aposentos. – disse Roose voltando para o cadeirão do senhor.

Ramsay ofereceu o braço para Shiera, tendo um radiante sorriso no rosto. Shiera o olhou com desgosto, mas Ramsay a segurou sem muito pudor e a puxou de maneira quase rude em direção às masmorras.

Roose olhou para os dois lordes, que o olhavam com desprezo. Mas ambos sacaram as espadas e se colocaram de joelhos, para em seguida jurarem lealdade a Winterfell. Não se importou. Ele era Winterfell. Wylis se aproximou e ergueu uma carta para ele.

—Senhor... meu lorde. Meu irmão mais velho voltou para Porto Branco, para avisar que Lady Shiera resolveu se render. Meu pai em breve deve marchar para Winterfell. Eu vim como prova de lealdade. – disse o jovem de maneira submissa. Roose Bolton pegou a carta e notou que era basicamente isso que ela dizia. Concordou satisfeito e ordenou que o filho de Lorde Manderly fosse bem tratado.

Dispensou Lady Mormont e Lorde Karstark, que pediram para irem até o Bosque Sagrado, rezar por seus filhos mortos. Roose não se importou com isso. Ficou resolvendo os detalhes sobre a acomodação das forças da rainha. Depois foi desfrutar de um pouco de rum com Lorde Baelish, que tinha notícias da Muralha e de Stannis.

—Ele vai tentar se unir a Theon. O rapaz fugiu da Muralha antes de tentar uma negociata. Enquanto o jovem Eddard estiver vivo, Stannis terá boas chances de conseguir uma boa aliança com o Norte. Shiera Stark vai ajudá-lo, Lorde Bolton, mas o filho dela precisa morrer.

—Ele não vai viver para ver o verão. O Inverno no Norte é impetuoso com crianças. – disse calmamente e Petyr concordou com um aceno de cabeça.

—Cersei não exigiu que o garoto morresse. Mas eu acho o mais sensato. Ela queria que tanto ele, quanto Rickon fossem enviados para Porto Real, mas não teve o que ser feito. Stannis estava muito poderoso e eu não tive como forçar a retirada do último irmão de Robb. – disse Petyr e Roose concordou – Mas creio que se Stannis deixar a Muralha, podemos pegar o garoto sem muita dificuldade. Ele não vai obrigar Jon Snow a entregar o garoto. E mesmo se tentasse, seria mais fácil que o garoto enfiasse uma faca no pescoço da pequena Shireen caso alguém tentasse forçá-lo a algo. Ele é bem agressivo, o menino. Lembra o irmão de Eddard, Brandon Stark. – Lorde Baelish passou a mão sobre o peito, onde ficava a cicatriz que Brandon deixara nele, muitos anos atrás – Eu posso dizer com propriedade que os dois se parecem...

Roose deu de ombros e bebeu um gole longo de rum.

—Como Robb Stark morreu? – perguntou calmamente.

—Ele levou muitas flechadas, mas o rapaz era forte e sobreviveu. Então os Frey o enforcaram. – Petyr suspirou com um sorriso sarcástico – Nem o mais forte dos homens pode sobreviver a um colar de corda. – disse ele e Roose concordou. Pouco depois a porta se abriu e Ramsay entrou, trazendo Lady Shiera. Ele a jogou com brusquidão no chão e Roose a escutou arfar, em meio ao choro.

—Monstros. Vocês são monstros. – rosnou ela com o rosto molhado e vermelho. Mesmo assim continuava bonita. Petyr olhou dela para ele e então para o bastardo, parecendo curioso. Roose pegou um lenço e secou os lábios, para então se levantar.

—Pensou melhor na minha proposta? – perguntou calmamente.

—Lady Shiera concordou em se casar em três dias. Três dias serão suficiente para chorar pelo marido que morreu. Depois ela estará pronta para casar, pai. – riu Ramsay, parecendo satisfeito. Shiera ainda estava no chão e não retrucou, parecendo irada em meio às lágrimas.

—Darei dez dias. – disse Roose se levantando e indo até ela – Dez dias para chorar, enterrá-lo e se aprontar para nosso casamento. Estamos de acordo, Lady Shiera? – Shiera o olhou do chão, parecendo muito pequena e jovem. Lembrava dela na noite de núpcias... do desejo que sentira por ela... ela suspirou parecendo derrotada e fechou os olhos, concordando com um fraco balançar de cabeça. Roose então a contornou e parou já ao lado do filho – Lady Shiera deve ser tratada com delicadeza. Ela deve poder ir até as criptas e até o Bosque, sempre acompanhada. Um guarda Bolton deve estar ao lado dela em todos os momentos. Tenho certeza que saberá apontar uma escolta apropriada, Ramsay.

—Sim, meu pai. – riu o bastardo.

—Ótimo.

**

Theon respirou o ar noturno, sentindo as gotículas de água salgada atingirem seu rosto. O mar estava agitado, mas as ondas não estavam fortes ao ponto de oferecer perigo. Já que o céu não tinha lua, era um alívio, pois as ondas quebrando denunciavam algum obstáculo, como pedras ou grandes pedaços de gelo, que se desprendiam do Norte e vinham descendo até Pyke. O estandarte do lobo cinza no fundo azul tremulava sem parar nas velas de seu navio e ele estava contando as horas para chegar nas Ilhas de Ferro. Já tinha deixado a Ilha dos Ursos com as devidas instruções de Lady Maege e de Lady Shiera. Agora só precisava chegar em Pyke. Mance estava ao seu lado, pensativo e calado, já que o filho dormia finalmente. O garoto odiava o balançar do navio e enjoava e vomitava e gritava e chorava, todo o tempo. Mas Mance o olhava com a devoção de um pai que amava cegamente seu filho. A esposa dele havia morrido no parto, então Jon Snow enviara uma ama de leite com eles. O que era bom, pois Ned ainda precisava mamar. Ele era o mais velho dos bebês, mas ainda era muito pequeno e jovem. Precisaria de peito durante muitos meses ainda.

Escutou o gordo rapaz da Patrulha da Noite vomitar mais uma vez e deu uma risadinha do infortúnio dele. Jon Snow o mandara também. Ele pegaria um navio em Pyke e rumaria para a Cidadela, em Vilavelha, para se tornar um meistre. Apesar de toda sua banha, Theon acreditava que ele estava enfiando o pau na ama de leite dos príncipes. Um príncipe de um lado da Muralha e outro príncipe Stark. Dividindo o peito com um garoto qualquer, filho de uma selvagem qualquer. Quando alguém iria imaginar algo assim?

O ventou uivou mais forte, fazendo o navio acelerar e Theon calculou que não demoraria até chegarem em Pyke. Olhou para trás, para os outros navios. Oito dracares de guerra, antigamente pertencentes aos Blackfyre. Agora estavam ao serviço do Norte. Uma das últimas vitórias de Robb...

Theon engoliu em seco e seu sorriso morreu por um momento. Robb era um irmão caçula para ele, mas agora estava morto. Todos seus irmãos estavam mortos. Apenas sua irmã Asha estava viva. Se perguntava se ela o perdoaria por ter fugido e se unido aos homens que foram responsáveis pela morte de seus irmãos e de seu pai. Balon Greyjoy fora executado por Robb por suas rebeliões e Asha fora consagrada regente das Ilhas de Ferro enquanto Theon estava servindo a rainha.

Theon sentia que estava voltando para uma casa estranha. Seu lar era Winterfell, por mais que jamais fosse admitir isso em voz alta. Resolveu sair dali para averiguar se o príncipe estava bem. Dois soldados Umber vigiavam a cabine onde Goiva, a selvagem, cuidava das crianças, com a ajuda de Talisa. Talisa Whent, pois fora legitimada por Shiera por seus anos de lealdade. E Theon sentia que a cada dia que passava estava mais enfeitiçado por seus beijos doces e olhos verdes. Amava brincar com os caracóis de seus cabelos castanhos e amava o modo como ela o compreendia em todos os sentidos na cama. Nunca vira uma mulher tão safada quanto ela. Nem mesmo as putas dos bordéis de Winterfell... nem mesmo Ros... Talisa era perfeita para ele e agora era uma Lady.

Talvez eu a faça minha esposa de ferro... ela aceitaria?

Abriu a porta, pois os guardas não tentaram impedi-lo de entrar. Ele era o soldado número um da rainha. E ela lhe confiara o que tinha de mais precioso no mundo. Ela lhe confiara Ned. O futuro do Norte. Vou criá-lo. Vou ensinar a ele tudo o que Lorde Eddard me ensinou. Ele será um homem honrado como Robb foi. Ele será o maior dos reis. Farei isso por Robb e por Shiera.

O príncipe dormia abraçado com o filho de Mance. A criança não tinha nome, como ditava a tradição dos selvagens. Dava azar nomear a criança antes dos quatro anos, ou qualquer coisa assim. Goiva dormia com o filho, que chupava o dedo tranquilamente. O pequeno Ned estava tranquilo também, com os cabelos vermelhos reluzindo sobre a parca luz dos archotes. Aparentemente estava tudo tranquilo.

—Theon? – chamou alguém. Se virou e viu que era Talisa. Sorriu travesso para ela e moveu as sobrancelhas, indicando a porta. Talisa bocejou, mas em seguida sorriu, entendendo o que ele queria. Ela se levantou e caminhou até ele, para então lambê-lo no pescoço. A abraçou ao redor da cintura e a puxou para fora. Saíram aos risinhos, recebendo olhares censuradores dos guardas Umber. Mas nenhum dos dois ligou. Foram até a cozinha e então se enfiaram no depósito de comida, para começarem a se beijar, buscando pelo corpo um do outro. O fogo dos dois parecia sem fim e logo estavam naquela dança que ambos estavam já acostumados a dançar. Os minutos passaram rápidos, como sempre passavam quando estava com ela. Deitaram seminus entre os sacos de batatas e cenouras, dando beijos mais calmos e carinhosos. Nunca tinha sido de ficar dando beijos em mulheres, mas não conseguia se conter quando estava com ela – O que está olhando? – perguntou ela divertida.

—Estou vendo o quanto é bonita. – riu ele e Talisa o beijou de novo. Suspirou o perfume de suor dela e escutou o som de sinos. Parecia que estava uma confusão lá fora. Trocou um olhar preocupado com ela e ficou de pé em um pulo, para voltar a se vestir. Talisa o imitava, parecendo nervosa. Prendeu o cinto e a espada firmemente e averiguou se o arco estava armado corretamente. Sua aljava estava no quarto do príncipe – Vamos. Te deixarei na cabine. Quando eu sair, tranque a porta e tenha muito cuidado para quem for abri-la, entendeu?

—O que deve estar acontecendo?

—Talvez piratas, talvez homens de ferro. Talvez homens Lannister...

—Devo torcer para que seja quem? – perguntou ela nervosamente e Theon não soube responder a aquela pergunta. Talisa entendeu o que ele sentia e o puxou para um beijo assustado. A beijou de volta e a olhou nos olhos – Volte para me fazer gritar de prazer novamente, ouviu?

—Ouvi. – prometeu e os dois subiram as escadas. A deixou no quarto, pegou a aljava e ordenou que os homens Umber ficassem a postos. Depois subiu os degrais e notou que a noite parecia clara demais. Olhou ao redor e viu que os homens estavam se preparando para lutar. Mais adiante duas frotas diferentes pareciam lutar. Uma delas tinha o símbolo da Lula Gigante. A outra tinha o símbolo de um dragão. Num primeiro momento imaginou que eram frotas Blackfyre e isso lhe arrancou um sorriso. Mas as cores... as cores estavam diferentes. Não tinha certeza se o dragão Blackfyre era vermelho ou preto – Não... deve ser outra coisa. Os dragões dos Targaryen morreram. – disse dando de ombros, mas então algo passou muito próximo da vela de seu navio. Algo enorme, brilhante. E esse algo enorme soltou uma baforada de fogo num navio com o símbolo da lula gigante. Theon ficou boquiaberto e olhou para o lado, para Mance – O que foi aquilo?

—Ela não mentiu. – riu Mance, olhando admirado para o vulto que rasgava o céu. Theon sabia o que era, mas seu cérebro não parecia querer aceitar aquilo – Ela disse que o irmão dela traria uma frota. Que ele traria dragões. – riu ele e Theon engoliu em seco.

—Aegon voltou para Westeros? – perguntou Theon – E está destruindo o que restou da frota de ferro?! – perguntou ainda mais indignado. Aqueles navios eram de Shiera! Mas algo naqueles navios lhe pareceu estranho. A Lula Gigante tinha um olho estranho. O brasão de sua família não era assim – Capitão! – gritou para Hoster. O rapaz o olhava assombrado – Eu preciso buscar Aegon. Você vai comigo. – disse de uma vez. Hoster negou com a cabeça.

—Se está achando que eu vou sair daqui, só pode estar louco! Vamos dar meia volta e tentar sair de fininho! – disse ele – Estamos com o príncipe de Winterfell aqui. É perigoso demais se aproximar. – o dragão soprou fogo dourado novamente, em cima de outro dracar Greyjoy e Theon caiu no chão quando o navio pareceu explodir. As chamas que saíam dele eram verdes e brilhantes e pareciam subir numa altura ridicularmente alta – Theon! Eu estou indo embora!

Theon concordou com um aceno de cabeça. Seus navios voltaram-se para leste e se afastaram da batalha que parecia perdida para os Greyjoy. Teria que negociar com Aegon no lugar da irmã. Mas sinceramente, não sabia o que seria pior. O rugido do dragão pareceu segui-lo por todo o caminho. As velas estavam esticadas ao máximo, para aproveitarem o vento, mas logo Hoster diminuiu o ritmo.

—O mar está agitado, mas está escuro demais. Estamos perigosamente próximos das Ilhas de Ferro para navegarmos assim. – lamentou ele.

—Acha que eles nos alcançarão? – perguntou Theon – Ambas as frotas tinham mais navios que nós. – lamentou Theon. Hoster não respondeu. Apenas coçou seu bigode e fechou os olhos para rezar. Theon rezou em silêncio para o Deus Afogado, pedindo que ele não exigisse seus homens e seus protegidos aquela noite, mas o Deus não pareceu escutá-lo. Estavam para zarpar com o iniciar do amanhecer, quando a frota com o dragão vermelho começou a a persegui-lo – Acha que Aegon vai nos dar tempo de explicar? – perguntou Theon. Hoster o olhou preocupado.

—Eu não sei. Acho que sim. Mas há algo errado. Aquele é o dragão dos Targaryen, não dos Blackfyre. O dragão Blackfyre é negro. – respondeu Hoster – Mas o mais correto é nos entregarmos. – continuou ele – Vamos recolher as velas e levantar algo branco, em sinal de rendição. E vamos torcer pros Targaryen serem mais honrados no mar que os homens de ferro. – alfinetou Hoster. Theon concordou com um aceno de cabeça e foi até a proa. Os navios eram diferentes dos navios westerosi, era fácil de notar. Certamente era a moda de Essos. Navios maiores e mais resistentes, porém mais lentos. Poderia chegar a Pyke antes deles, mas de que valeria? Podia contar mais de setenta navios e ainda parecia que tinham muitos outros lá atrás. Haviam estandartes diferentes. Alguns eram Targaryens, outros eram Blackfyre. Outros tinham estandartes dourados com lanças e crânios negros. Outros ainda ostentavam símbolos que ele desconhecia. Havia alguns com a lula gigante, com aquele olho que ele não reconhecia – Esteja pronto, Theon. – pediu Hoster.

Concordou com um aceno de cabeça e ficou a esperar. O maior dos navios o alcançou e ele viu um homem do outro lado. Só o tinha visto uma vez, há anos atrás, em Harrenhal. Daquela vez ele rira e o aconselhara a fugir para se divertir com Robb e Jon, fugindo das chatices dos adultos. Mas agora ele estava sério, com a barba cobrindo seu rosto, os cabelos mais compridos, um corte do lado do rosto, uma armadura toda branca, com detalhes em ouro. Ele tinha os olhos mais escuros que os de Shiera e ele era muito forte. Ao lado dele havia outro homem, de joelhos. Os cabelos escuros, um cavanhaque bem feito e um tapa olho. O reconheceu pelo tapa olho mais do que pelo rosto. Haviam anos demais desde a última vez que vira o tio. Euron Greyjoy, Olho de Corvo.

Aegon Blackfyre acenou para seus homens, que trouxeram uma enorme prancha. Os marinheiros dele ligaram os dois navios e Theon subiu na madeira no mesmo momento que ele. Os dois se aproximaram, encarando-se firmemente. Aegon tinha um olhar mortal e olhos penetrantes. Podia ver nele traços que lembravam Shiera, mas sem dúvida o que mais chamava atenção eram os olhos, por mais que os dele fossem num tom mais escuro. Ele era mais alto e mais forte e ainda tinha uma espada de aço valiriano na cintura. O dragão dourado voou sobre eles e Theon encolheu-se de medo, sem conseguir evitar. Mas em seguida olhou para Aegon, que seguia sério, com um ar intimidador e assassino.

—Quem é você? – perguntou ele. Theon engoliu em seco e respirou fundo.

—Sou Theon Greyjoy. Filho de Balon Greyjoy, lorde das Ilhas de Ferro, Senhor de Pyke, homem de confiança da Rainha do Norte, sua irmã. – disse ele e Aegon pareceu se acalmar. Seu semblante ficou menos assassino e mais interessado.

—Minha irmã? Onde ela está? – perguntou ele.

—A essa altura em Winterfell. Ela me deu uma missão. – explicou Theon tirando um pergaminho com o selo do lobo gigante de dentro da armadura. O dragão deu um rasante perto deles e quase que a carta caiu na água. Respirou fundo o entregando a Aegon, que pegou o pergaminho de uma vez. Ele quebrou o selo e leu a carta, parecendo se enfurecer novamente.

—Ela quer que eu cuide do filho dela? Ela quer que eu o tire de Westeros? Como assim? – perguntou Aegon e Theon engoliu em seco.

—Sua irmã pretende recuperar Winterfell dos Bolton. Eles traíram os Stark.

—Robb Stark sequestrou minha irmã e a obrigou a se casar com ela! – rosnou Aegon – No que depender de mim, todo Stark que cruzar meu caminho irá sentir o sabor da minha lâmina.

—Sua irmã amava Robb. Ela quem sugeriu que eles deveriam se casar! – disse Theon. Aegon o olhou descrente – Eu juro, meu senhor. Ela o amava. Ela quer vingá-lo.

—Robb Stark está morto? – perguntou Aegon parecendo surpreso.

—Fomos traídos, meu Lorde. – explicou Theon – Sua irmã me pediu para reunir uma força em Pyke e procurá-lo em Volantis.

—Não podemos voltar a Volantis. – disse Aegon calmamente – Escute, Lorde de Pyke. – riu Aegon e Theon não gostou do tom debochado dele, mas ao menos, agora, ele parecia com o Aegon que conhecera em Harrenhal há anos atrás – Vamos até Pyke. Lá nós conversaremos. Temos muito o que falar. Principalmente porque seu tio é meu prisioneiro e os navios dele agora são meus.

—Certo, vamos para Pyke, conversaremos lá. Só peço que não nos afunde assim que eu voltar para o navio e você estiver no seu. – Aegon o olhou divertido – Porque seu sobrinho, o filho da sua irmã, está aqui. E ele é apenas um bebê de peito, além de ser o príncipe do Norte.

—Escute garoto... não há rei, rainha, príncipe ou princesa do Norte. Só existe Rainha Daenerys I Targaryen, Nascida da Tormenta. Rainha dos Ândalos e dos Primeiros Homens. Senhora dos Sete Reinos e Protetora do Reino. Mãe dos Dragões e Quebradora de Correntes. – disse Aegon e Theon o olhou ligeiramente confuso.

—Boa sorte em convencer sua irmã disso.

**

-Olá, Lady Shiera. – cumprimentou com um sorriso no rosto. Trazia para ela uma refeição saborosa para o desjejum, numa travessa de prata, mas a senhora não o olhou – Espero que tenha tido uma noite agradável e com bons sonhos. – riu Ramsay com desdém. Mas novamente a mulher não o olhou. Ela o desprezava, mas ele não ligava. Ela não viveria muito. Pretendia matá-la antes que ela desse um herdeiro legítimo a seu pai. Todos que conheciam a relação dos dois sabiam que isso iria acontecer, inclusive o próprio Lorde Bolton. A ele só restava se divertir com aquela mulher enquanto ainda havia tempo. Tinha que admitir, ela era muito bonita. Tinha um corpo atraente e um rosto atraente, além de um perfume envolvente e um gênio divertido. Lembrava dela quando ainda fingia ser Fedor. Ela o desprezara desde aquele tempo – Trouxe o café da manhã, mãe. – disse ele jovialmente e ela não se moveu. Continuava de pé, mirando a janela, sem dizer uma palavra que fosse – Sabe, já se passaram dez dias. Hoje as aias vão vir e vão lavar você, vão enfeitar você, te colocarão num vestido bonito e então, quando a noite cair, depois de um banquete, você abrirá as pernas pro meu pai. Teve seu tempo para chorar por seu marido morto. Agora tem que ser uma garota mansa e obediente, ou... – ele soltou um suspiro como se sentisse muito – Vou ser forçado a machucar suas amigas de novo... – nem assim Shiera abriu a boca para falar. Ela nem se mexeu – Sabe o que acontece quando se esfola o dedo de alguém? – perguntou ele, a provocando – A dor é tanta que a pessoa acaba implorando para que se arranque o dedo de uma vez. A dor de ter o dedo arrancada é um alívio perto de um dedo esfolado... e sua amiga... restam tão poucos dedos nela... Linda Frey... ninguém nunca mais chamará aquela ali de linda de novo. – disse pegando um pedaço de linguiça e dando uma mordida. Estava saborosa e suculenta e um pouco de óleo escorreu por seu queixo – E a mais nova... aquela ali nunca fora chamada de linda de qualquer maneira... mas ela já foi menos grotesca... e ela realmente é muito chorona. Quando os rapazes a estupram, ela sempre chora, chamando pela mãe. – ele suspirou, mas Shiera seguiu calada – Foi muita crueldade sua deixá-las pra trás... até mesmo Walda... e eu achando que ela era sua amiga... – riu Ramsay e Shiera se virou para olhá-lo com profundo desprezo. Deu mais uma mordida na linguiça e a jogou meio comida no prato da garota – Foi baixo até para um ato de guerra... essa é a minha opinião... a mais nova tem quantos anos? Seis? Sete? – Shiera andou até ele, para pegar o copo de vinho quente e jogá-lo em seu rosto. Sorriu sentindo o líquido pingar em suas roupas e em seguida agarrou o pulso da garota com força – Já foi estuprada, Lady Stark? Sabe como é? Ter um homem enfiando o pau na sua boceta, ainda seca, sem que você queira. Mordendo você, suando em você, sem se importar com o que sente? Gozar no seu corpo e então deitar em cima e ficar lá, quente, suado, pressionado contra sua pele, ainda dentro de você, enquanto você chora de dor, medo, vergonha e desgosto? Sabe como é? Agora imagine isso todos os dias. Imagine que não é apenas um homem. São vários. E que mais tarde os cães vêm para lamber seu corpo ferido, e você já está sem forças, tão fraca, que não consegue nem mesmo afastar a língua dos cães de suas partes. Consegue imaginar, Lady Stark? – perguntou apertando o pulso dela com força e ela acabou caindo de joelhos, tentando se soltar, com uma feição de dor no rosto – Agora imagine que está num lugar estranho, longe de sua família, longe de seus amigos. E que nenhuma ajuda vai vir. E agora imagine que só tem oito aninhos. Você sabia que isso iria acontecer, por isso deixou todas as Frey aqui. Um ato de vingança contra Lorde Frey, por ele ter matado o seu marido. – ele deu uma risadinha e Shiera Stark soluçou tentando se soltar – Você não tem um pau, Shiera, mas você estuprou todas as suas amigas. E em breve os Bolton farão justiça com você. Não se preocupe. – Ramsay mordiscou dolorosamente um dos dedos dela e Shiera gritou de dor – Coma direitinho, logo as aias virão aqui para te arrumar e te deixar bonita.

A soltou e se virou, indo até a porta.

—Você acha que vai terminar bem? – perguntou Shiera e Ramsay a olhou com um sorrisinho – Você não passa de um bastardo. – rosnou Shiera – Eu vou dar um filho legítimo a seu pai e ele não vai precisar mais de você. Vou pedir sua cabeça numa travessa. – prometeu ela. Ramsay sentiu aquela ira que sempre sentia quando o chamavam de bastardo, mas sorriu cruelmente para ela.

—Você acha mesmo que eu vou te deixar viver para dar um filho pro meu pai? – perguntou ele sorridente – Não se engane, Shiera. Winterfell logo enterrará você. Ninguém que se coloca no meu caminho vive muito tempo. Você não vai ser exceção. Meu irmão não foi, o que dirá você?

Se virou para sair, mas escutou a voz dela novamente.

—Bastardo. – ela o estava chamando. Sentiu o sangue ferver, novamente, mas a olhou tentando parecer calmo. Shiera Stark deu um sorrisinho divertido e levantou de leve o vestido, mostrando parte do calcanhar. Havia um pequeno rastro de sangue ali, ligeiramente discreto – Avise seu pai que não podemos nos casar hoje. Meu sangue lunar desceu. É contra as leis dos deuses casar-se em dias de sangue. – disse ela. Theon deu um sorrisinho.

—Tanto quanto é contra a lei dos deuses enforcarem seus convidados depois deles comerem e beberem de sua comida... mas todos nós sabemos como isso terminou para o Jovem Lobo, não é?

—Nas, Gêmeas, no Sul. As coisas no Norte não funcionam assim. Avise ao seu pai ou ele vai passar um grande embaraço quando for tarde demais. E a quem ele vai culpar por isso? – ela largou a barra do vestido – Talvez me presenteie com sua cabeça antes mesmo que eu lhe dê um filho.

Ramsay perdeu o sorriso e bufou, antes de avançar na direção de Shiera. Ela o olhou com desprezo e ele a segurou com firmeza no pulso. A mulher o olhou no fundo dos olhos, sem recuar e ele enfiou a mão livre por dentro das saias dela. A viu ruborizar e tentar afastá-lo, mas sua mão procurou o sangue nas coxas dela e notou que realmente vinha de onde as mulheres sangravam a cada lua. A mulher realmente menstruara.

Shiera o olhou com desgosto e ele retirou a mão, mirando os dedos sujos de sangue. Depois, com a mão suja, a segurou pelo pescoço.

—Vou mandar o recado para o papai. Mas se continuar me tirando dos nervos, eu quem vou arrancar sua cabeça. – sibilou para ela. Shiera tentou segurar seus dedos, para livrar-se de seu aperto, mas lhe faltou forças para tanto – Eu sou Ramsay BOLTON! E eu serei o único herdeiro que meu pai irá ter. – a empurrou com força, a derrubando no chão. Ainda podia ver os calcanhares dela sujos de sangue. Bufou indignado por precisar ser a pessoa a dar o recado para o pai, mas se virou para sair de uma vez do quarto. Quanto mais o tempo passava, menos conseguia aturar Shiera Stark – Se eu tiver sorte, levarei a puta pra caçar qualquer dia. – disse pra si mesmo, pensando em suas cadelas de caça – Minhas meninas irão adorar o exercício. – adicionou baixinho, sorrindo divertido.

Notas finais
Shiera tá numa situação foda Gente, tadinhas das meninas Frey... Shiera mostrando que não é só amor XD Isso é guerra, isso é GoT. O negócio aqui é mais embaixo O que vocês acham que vai acontecer? Deixem suas teorias ai! =D E aqui vai uma prévia! =D "-O que temos aqui? – perguntou Ramsay Snow abrindo a porta de ferro e se aproximando de sua cela. Robb não o olhou. Aquela voz lhe era ligeiramente familiar, mas não conseguia lembrar de onde a conhecia. Sabia que era a voz do homem que liderava as torturas, mas nada mais conseguia tirar da memória para ajudá-lo a recordar – Você parece que já teve dias melhores. – riu Ramsay Snow." FUCK! O que será que vai acontecer com o Robb?!?!?!?!?!? HSuahsuahsuahs Vejo vocês nos comentários! Próximo capítulo sai dia 25, mas se chegarmos a 8 comentários, eu posto dia 18 (ou se rolar uma recomendação, sabem como é) Beijos ♥ Titia ama vocês Ps.: Na série, o único Fedor que existiu e que apareceu, foi o Theon. Mas nos livros é diferente. Ramsay tinha um amigo que chamavam de Fedor. Depois de obrigar a senhora Hornwood a se casar, estuprá-la e deixá-la numa cela para morrer de fome, Ramsay é condenado a morte. Para ser poupado, ele troca de roupa com Fedor, que morre em seu lugar. Nos livros, inclusive, é ele quem dá a ideia a Theon de esfolar os filhos do fazendeiro, para que pensassem que eram Bran e Rickon (Na série os meninos são queimados) E aqui na fic, como o Ramsay não foi responsável por recuperar o Fosso Cailin, Roose não pediu para que ele fosse legitimado. Por isso ele ainda é um bastardo. Roose realmente tinha um filho, chamado Domeric, mas o garoto tentou se aproximar de Ramsay quando descobriu sobre ele. O meistre disse que Domeric ficou doente e morreu, mas Roose desconfia que foi Ramsay quem o matou. O Ramsay é RUIM mesmo, gente hsaushaus