Blackfyre

29 Uma Lição Com Vinho Tinto


Notas iniciais
OMG! Hoje é dia de postar, mas hoje também é dia de alegria, porque Blackfyre recebeu mais uma recomendação. Então vai ter capítulo hoje, vi ter capítulo amanhã e vai ter capítulo na sexta! E vocês podem agradecer à Clarysse por isso! Obrigada, sua linda! Eu amei! O Aegon é mesmo um herói, o Valerion é um príncipe que vale todos o suspiros e a Shiera é a garota mais foda desses Sete Reinos (ou ao menos uma das... ahsuahsau)! Espero que goste desse capítulo, porque ele é dedicado a você ^^ Beeeijos e partiu ler, porque tem treta a vista xD

Uma Lição Com Vinho Tinto

Um, dois, três golpes. Seus reflexos falharam e Loras o acertou com força nas costelas. Caiu no chão como um saco de batatas, sentindo que tudo dentro de si parecia doer.

—Está distraído, Sor Valerion. – riu Loras. Valerion não se levantou.

—Estou. – sussurrou e Loras deu uma risadinha. Seus cabelos cacheados e loiros estavam pregados sobre sua testa e ele tinha um sorriso divertido.

—Sua distração tem cabelos vermelhos? – perguntou ele e Valerion se levantou, pegando sua espada de treino.

—Não. – respondeu honestamente – Pronto? – perguntou voltando a posição de luta. Loras deu um sorriso debochado e negou com a cabeça.

—Está passando mais tempo aqui do que com suas atribuições com o Conselho.

—O Conselho é problema do meu pai. – respondeu atacando Loras. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete golpes. Loras defendeu a todos – Eu preciso melhorar minha esgrima.

—Já é um lutador competente. – disse Loras o atacando. Nove golpes que foi capaz de conter – Mais do que a maioria.

—Mas ainda não sou tão bom. – disse empurrando Loras com o ombro, para conseguir mais espaço e voltar a dançar com ele e com as espadas. Loras era um excelente espadachim, mas ele não lutava melhor que o irmão mais velho, mesmo que fosse melhor lanceiro – Quero um dia ser tão bom quanto Aegon.

—Não vai conseguir se ficar pensando o tempo todo em Lady Lannister. – debochou Loras. Estava cansado das alfinetadas dele.

—Por isso nunca conseguiu ser melhor que o seu irmão? Por pensar o tempo todo em Renly Baratheon? – devolveu e Loras travou de leve, dando tempo o suficiente para acertá-lo com muita força nas lateral do corpo. O rapaz caiu sem ar e Valerion bufou, andando ao redor dele, esperando que ele se levantasse – O que foi, Loras? Não consegue suportar um pouco do próprio veneno?

—Oh, cale-se. – resmungou o rapaz se levantando. Valerion voltou a fazer pose de luta, e logo estava em outro embate com o rapaz. O som do ferro cego chocando-se tomava todo o lugar. Vários jovens praticavam naquela manhã ensolarada e Valerion sentia tanto calor que suas roupas grudavam pelo suor em sua pele.

—Sor Valerion. – chamou seu escudeiro. Valerion e Loras se interromperam e olharam o garoto, que estava de pé ali na entrada, todo metido em roupas elegantes e renda – Lorde Tywin e o Rei exigem sua presença na Sala da Mão. – explicou ele. Concordou com um aceno de cabeça e deu de ombros.

—Creio que vamos deixar nosso embate para depois, Sor Loras. – disse calmamente. Loras deu de ombros e Valerion se virou.

—Devo preparar o seu banho, senhor? – perguntou Bry, mas Valerion negou. Pegou seu cinto e o amarrou na cintura, testando para ver se sua espada estava realmente bem presa. Depois foi marchando de volta para o castelo – A Rainha está presente, senhor. Não convém... – começou Bry.

—Nunca pensei que um dia teria um garoto da Baixada das Pulgas me dizendo como me portar diante da rainha. – riu Valerion e Bry corou completamente sem jeito, temendo tê-lo irritado – Não se preocupe, Bry. Isso só mostra como você aprende rápido. Vai ser um bom cavalheiro um dia. – disse bagunçando os cabelos do garoto, dando um sorriso – Mas não se preocupe. Lorde Tywin me chamou às pressas e nenhum deles merecem que eu me banhe por eles.

Subiu os degraus para a Torre da Mão e entrou, ainda pingando suor. Os cabelos platinados estavam ligeiramente bagunçados, pregados em seu rosto. Não usava uma roupa adequada, também. Apenas uma camisa de algodão branco e uma calça comprida, além de uma cota de malha, para mantê-lo protegido dos golpes de Loras. Antes de entrar na torre, tirou a cota de malha e a entregou para Bry. Em seguida finalmente entrou, pisando forte, com os olhos atentos.

Tywin, Pycelle, Cersei, Joffrey, Varys e Mace. Sorriu desdenhoso e se sentou ao lado da rainha, apenas para incomodá-la com o cheiro de seu suor, além do mais, ela estava no lugar que deveria ser seu, ao lado da Mão. Ela o olhou desgostosa e ele pegou uma taça de vinho para beber. A esvaziou de uma vez e então a encheu de novo. Todos o olhavam com reprovação, menos Varys, que parecia achar até alguma graça.

—Isso é jeito de aparecer numa reunião? – perguntou Joffrey, o olhando com desdém.

—Pelo menos eu vim. Não fui me esconder debaixo da cama, enviando outra pessoa em meu lugar. – devolveu – Lady Margaery ainda gosta de te ouvir narrar meus feitos heroicos na Batalha de Água Negra? – perguntou com um sorriso insolente. Joffrey corou de raiva e Valerion deu mais um gole em seu vinho – Estava praticando com Loras. – disse para Mace Tyrell – Seus filhos são impressionantes com a espada. Todos os dois.

Mace sorriu um pouco sem jeito e pigarreou de leve, tentando se recompor.

—Ah... sim... os dois treinam bastante. Levam a esgrima muito a sério. – disse Mace, desconcertado.

—Você deveria levar seu trabalho como conselheiro do Rei mais a sério, Sor Valerion. – censurou Pycelle, como sempre querendo diminuí-lo. Nunca iria entender o motivo para Pycelle o desprezar tanto – Foi uma grande honra que o trouxe aqui e...

—Quer conselhos, Joffrey? – perguntou com um sorriso ácido – Se livre desse velho e coloque alguém mais ágil no lugar dele. Pycelle deu péssimos conselhos para os últimos dois reis. Deveria tentar se atentar a esse fato. – disse com um sorriso quase angelical, mas cheio de veneno. Pycelle corou tanto que teve uma crise de tosse – Além do mais, só tem um Lannister que ele gosta menos de você. Tyrion. O que não significa grande coisa. Quem é que gosta do Tyrion? Ele só liderou a defesa da cidade, mantendo todos a salvo enquanto Lorde Tywin e Lorde Mace não chegavam, não é mesmo? – Cersei bufou de leve – E mais uma coisa. Na próxima vez que tiver belas mulheres na sua cama, enfie o pau nelas. O seu. Não uma surra. Ou vão começar boatos estranhos sobre o senhor... até faria sentido, levando em consideração o modo como costumava tratar Lady Sansa... o senhor já ouviu as histórias, Lorde Mace? – perguntou venenoso e Tywin pigarreou no exato momento em que Tyrion abriu a porta, entrando.

Valerion respirou fundo, mas não olhou o amigo. Doía olhar o amigo. Bebeu mais uma taça de seu vinho e suspirou, sem jeito.

—Desculpem o atraso. – disse Tyrion – Quem construiu o castelo nunca imaginou que um anão precisaria subir todos esses degraus sempre que tivesse que participar de alguma reunião da Mão... – suspirou ele parecendo realmente cansado, antes de se colocar em sua cadeira. Valerion sentiu o olhar de Tyrion, mas se recusou a olhá-lo, apenas enchendo mais uma vez sua taça – Sobre o que isso se trata? – perguntou Tyrion depois de suspirar, aparentemente desistindo de fazer algum contato visual.

Foi quando Joffrey deu um sorriso contente. Daqueles que significavam que alguém provavelmente estava sofrendo. Pensou na irmã e em Hoster, se perguntando se ele chegara a tempo. Só podia esperar que sim.

—Mostre-lhes. – disse Joffrey, parecendo muito animado... o que normalmente era má notícia.

Meister Pycelle, com suas irritantes mãos trêmulas, pegou um pergaminho pequeno e o estendeu fracamente para Valerion, que revirou os olhos para aquilo. Quando estendeu a mão para pegar o pergaminho, Pycelle o deixou cair no chão, com um sorrisinho sacana.

—Oh... desculpe, meu senhor... – disse ele fingindo que fora um acidente – Meus dedos velhos... – Valerion sorriu e mirou Joffrey.

—Viu o que eu disse? – perguntou sabendo que todos esperavam que ele se curvasse para pegar o papel, afinal Pycelle era um velho. Era o esperado e era o que ditava as boas maneiras. Mas a última coisa que queria era demonstrar boas maneiras – Um dragão não se curva a um velho decrépito como você. – disse arrogante, sabendo que aquilo irritaria Tywin Lannister – Sinta-se a vontade para pegar, afinal, foi você quem derrubou, Ratazana. – adicionou com um sorriso cruel.

De seus irmãos, Valerion era o único que seguia de verdade a Fé dos Sete e era o menos desconfiado com os Meistres, apesar da desconfiança sempre estar presente. Mas ele não seria mais educado. Nenhum pouco. Apenas ficou sentado, bebericando o vinho, esperando que Pycelle pegasse o papel.

Porém, o velho não parecia disposto a isso. Ele o olhou ultrajado, enquanto Valerion apenas sorriu acidamente para ele. Tywin acabou por perder a paciência.

—Pegue o maldito pergaminho. – rosnou ele e Valerion o olhou com desdém.

—Não sou obrigado. – respondeu – Sinta-se a vontade para me expulsar do Conselho por isso.

Todo mundo ficou tenso. Valerion tinha a absoluta certeza que Tywin não faria isso. Não antes do casamento com Margaery. Desdenhar a amizade dos Blackfyre antes de oficializar a aliança com os Tyrell era idiotice.

—Tyrion, pegue o pergaminho. – sibilou Tywin, com uma veia pulsando na têmpora. Valerion sorriu com desdém para Pycelle, e Tyrion veio bufando para pegar o pergaminho. Ele bufou quando o rapaz se recusou a olhá-lo e voltou para sua cadeira, desenrolando o pedaço de papelote.

—Roslin pegou uma grande truta. – leu Tyrion – Seus irmãos lhe deram uma magnífica pele de lobo como presente de casamento. – continuou ele enquanto Cersei e Joffrey trocavam sorrisos felizes e cheios de excitação. Valerion suspirou, tentando entender aquilo. Roslin era a quinta filha de Lorde Walder Frey, filha de Bethany Rosby, uma das poucas Frey que eram bonitas. O casamento dela com Edmure deve ter sido bem sucedido, pois ele provavelmente era a grande truta. E a pele de lobo era fácil de entender. Robb Stark finalmente estava morto. Isso significava que, ou sua irmã não tinha conseguido fugir, ou Hoster chegara a tempo de alertá-la. Mas provavelmente ficaria sabendo em pouco tempo – Assinado, Walder Frey... – terminou Tyrion, franzindo a testa – Isso é poesia ruim ou significa algo? – perguntou ele num tom descontraído.

—Robb Stark está morto. – explicou Joffrey e Valerion deu mais um grande gole em sua taça. Se dependesse de mim, teríamos voltado para o norte e eu teria me unido a Robb, com todo o poderio de Harrenhal. Duvido que Walder teria tido a coragem de fazer algo contra a causa de Robb... e quando conquistássemos Porto Real, eu pediria Sansa em casamento para Robb. Ele não me negaria isso, já que se casou com a minha irmã...— Isso não é ótimo? – perguntou Joffrey parecendo cruelmente feliz. Oh, maravilhoso... o garoto se voltou para Meister Pycelle – Responda a Lorde Frey. Agradeça-lhe pelo bom serviço e mande-o enviar-nos a cabeça de Robb Stark. Eu a servirei a Sansa em meu casamento. – disse ele pomposamente e Valerion bufou, servindo mais vinho para si mesmo. Foi quando notou que a jarra já estava quase no fim.

—Majestade. Lady Sansa é sua tia, agora. – disse Mace parecendo um tanto sem jeito e Tywin respirou parecendo zangado, com as narinas dilatadas. Valerion preferiu o silêncio.

—Joffrey só estava brincando. – riu Cersei, querendo melhorar a imagem do filho.

—Não estava. Eu falo sério. – rebateu Joffrey e Valerion sorriu com desdém, sem fazer barulho, bebericando seu vinho – Vou servi-la em meu casamento.

—Não. – disse Tyrion e dessa vez Valerion o olhou. Ele mirava o sobrinho com um semblante sombrio – Ela não é mais sua vítima.

Por um momento se perguntou se Tyrion a defendia para agradá-lo ou se ele estava se afeiçoando a ela. Não sabia qual das opções embrulhavam mais seu estômago. Só de pensar em sua adorável e inocente Lady Sansa tendo que satisfazer Tyrion em suas obrigações matrimoniais... desviou o olhar, sem querer se meter na briga dos dois.

—Todos são. – disse Joffrey caminhando até o tio e Valerion o seguiu com os olhos atentos, ainda com o cálice na mão – Faria bem em não se esquecer disso, seu monstrinho.

—Oh... se eu sou um monstro... talvez fosse sábio que tivesse cuidado com a maneira que fala comigo. – disse ele e Valerion deu um sorrisinho desdenhoso – Monstros são perigosos... e atualmente reis estão morrendo como moscas.

Um silêncio constrangedor pairou na sala da Mão, todos estavam muito sérios. Menos Valerion, que sorria se divertindo. Joffrey olhou para todos eles e se irritou profundamente ao receber o sorriso desdenhoso de Valerion.

—Eu poderia cortar sua língua por isso. – sibilou o moleque, completamente furioso. Valerion revirou os olhos.

—Esqueça as ameaças dele. – pediu Cersei segurando a mão de seu filho, com um amável sorriso no rosto – Ele é só um homenzinho amargo.

—Lorde Tyrion deveria desculpar-se imediatamente. – sugeriu Pycelle.

—Eu acho que vocês perdem tempo demais. – riu Valerion – Tyrion apenas disse que reis estão morrendo e que Joffrey deveria ser mais educado. Ele não fez ameaças. – adicionou e então deu uma risada – Cuidado, Vossa Graça... Aerys, o Louco, via ameaças em tudo também, perto do fim.

—O que quer dizer com isso? – sibilou Joffrey, mas Valerion apenas riu.

—Que ninguém está ameaçando tão bela cabeça dourada, senhor. Quem seria louco para isso? – perguntou daquela maneira angelical e venenosa.

—É um absurdo que esses dois fiquem tratando o rei de maneira tão desrespeitosa. – continuou Pycelle.

—É um absurdo que esse velho ainda esteja falando. – debochou Valerion com pouco caso – Nos faça um favor e morra logo, assim substituiremos você por alguém que tenha algo verdadeiramente útil para dizer. – adicionou e Pycelle corou furioso.

—Pycelle tem razão! Eu sou o rei e...

—E não precisa ficar lembrando disso a todo momento. – cortou Valerion – Ninguém aqui é capaz de se esquecer disso, Vossa Graça.

—Vocês não me respeitam! Eu sou o rei e devo ser respeitado. Eu punirei todos vocês por esse...

—Quem precisa dizer “eu sou o rei” não é um verdadeiro rei. – disse Tywin como se estivesse com preguiça daquela conversa. Joffrey engoliu em seco, encarando o avô, ligeiramente surpreso – Eu o farei entender isso quando vencer a guerra para você.

—Não vencemos ainda? – perguntou Valerion – O Rei do Norte está morto. Stannis foi completamente derrotado e quase ninguém permaneceu com ele... com a aliança entre a coroa e os Tyrell, além da não participação de Harrenhal... o que mais falta?

Aquilo era apenas uma maneira discreta de instigar Lorde Tywin a falar da situação de sua irmã, mas foi Joffrey quem falou.

—Meu pai venceu a guerra de verdade. – rosnou o pequeno rei, em seu ataque de fúria – Ele matou o príncipe Rhaegar! Ele tomou o trono, enquanto você se escondia em Casterly Rock! – adicionou ele.

Mais uma vez todos ficaram em silêncio. Olhando de Tywin para Joffrey. Valerion se perguntou se Tywin teve que engolir aquele tipo de comportamento de Aerys, no passado, e o quanto aquela cena lhe era nostálgica de maneira ruim. Joffrey não contara nenhuma mentira. A verdade era essa. Por isso todos ficaram em constrangido silêncio por vários segundos.

—O rei está cansado. – sibilou Tywin com um olhar cortante para o neto – Acompanhe-o aos aposentos dele. – adicionou o homem.

Cersei se levantou, por mais que o pai não lhe tivesse dirigido o olhar.

—Venha, meu querido. – disse ela para Joffrey, que ainda encarava o avô, parecendo surpreso com a própria audácia.

—Não estou cansado. – murmurou ele para a mãe.

—Temos tanto para celebrar... – disse Cersei o afagando nos ombros, o olhando com carinho. – Um casamento para planejar... – adicionou ela enquanto Joffrey encarava o avô sem parecer feliz – Você precisa descansar. – insistiu Cersei o puxando pela mão e puxando o rei da Sala da Mão.

Valerion se acomodou melhor em sua cadeira e todos dirigiram seus olhares para Tywin, enquanto Cersei caminhava para a porta.

—Grande Meistre. Talvez um pouco de sombra da noite para ajudar o rei a dormir seja uma boa ideia. – disse a Mão do Rei.

Joffrey se virou de uma vez, vermelho de raiva.

—Eu não estou CANSADO! – gritou ele. Mas Tywin o continuou encarando com indiferença. Cersei puxou o filho e o Meistre se levantou para segui-los. Mas antes ele pegou o pergaminho que estava ao lado de Tyrion.

Quando a porta fechou, Tyrion deu uma risadinha.

—Você acabou de mandar o todo poderoso de Westeros para a cama sem comer. – riu ele. Valerion riu também.

—Você é um tolo se o acha o todo poderoso. – resmungou Tywin com desinteresse.

—Uma declaração traiçoeira. – brincou Valerion encarando a própria taça de vinho, sentindo-se ligeiramente tonto – Joffrey é o rei.

—Acha que uma coroa traz poder? – perguntou Tywin.

—Não. – riu Valerion – Robb tinha uma coroa. Assim como Stannis e Balon Greyjoy. Um morreu, o outro está amuado em seu quarto e Balon Greyjoy... – deu de ombros com um sorrisinho – Confesso que não faço ideia do que ele está fazendo...

Tyrion concordou.

—Acho que exércitos trazem poder. – disse ele.

—Não necessariamente... Robb tinha um bom exército e nunca perdeu uma batalha. – disse Valerion sem olhar o amigo – Mas foi derrotado assim mesmo.

—Boa observação... como fez isso, pai? – perguntou Tyrion, mas Lorde Tywin apenas deu uma curta e quase imperceptível risadinha – Ah, claro... Walder Frey ficará com os méritos... ou a culpa, eu suponho, dependendo de sua lealdade... – Tyrion soltou um suspiro, enquanto Mace, Valerion e Varys permaneciam em silêncio – Walder Frey pode ser muita coisa, mas corajoso...? Não...

—Ele não teria arriscado sem certas garantias. – disse Valerion.

—E eu as dei a ele. – concordou Tywin – Vocês dois desaprovam? – perguntou ele com bom humor.

—Não faz diferença pra mim. – disse Valerion. Não seria tolo de dizer o contrário, por mais desonrado que tenha sido.

—Aceito ardis em guerras... mas chaciná-los num casamento... – comentou Tyrion.

—Explique-me por que é mais nobre matar dez mil numa batalha do que uma dúzia num jantar.

Claro... duvidava muito que o motivo de Tywin tivesse sido altruísmo.

—Foi por isso que o fez? – perguntou Tyrion, apesar disso – Para salvar vidas?

—Para acabar com a guerra. – respondeu Lorde Tywin – Para proteger a família... – disse ele – Quer compor uma ode aos Starks caídos, fique a vontade para compor uma... – por um momento sentiu o estômago saltar de susto, mas fingiu que nada tinha acontecido. Será que ele sabia de Hoster? – Estou aqui há mais tempo... para defender os Lannister. Para defender meu sangue.

—O Norte jamais esquecerá. – murmurou Valerion.

—Ótimo. – prosseguiu Tywin – Que lembrem o que acontece quando marcham contra o Sul.

—Certo... falando nisso... em algum momento alguém pretende falar sobre a minha irmã? – perguntou Valerion soltando um suspiro – Sabe... entre todo esse papo sobre proteger a família e tudo o mais. – adicionou tentando parecer descontraído. Mace até acabou dando uma risadinha.

—Sim. Esse é o motivo por eu ter exigido sua presença aqui. – disse Tywin com a voz contínua – Sua irmã fugiu do castelo, levando o filho com ela... curiosamente suspeito, levando em consideração que Roose manteve seus planos em segredo absoluto. Você tem alguma ideia de como isso pode ter acontecido? – perguntou a Mão do Rei o olhando com um olhar cortante. Valerion apoiou o cotovelo na mesa e descansou o rosto no punho.

—Sim, mas você não acreditaria se eu contasse. – disse tranquilamente, mas o semblante de Tywin não mudou em uma ruga que fosse. Valerion endireitou a postura e suspirou – Minha irmã sonha com o futuro. Provavelmente previu alguma coisa.

—Ela sonha com o futuro? – perguntou Mace Tyrell.

—Sangue valiriano corre por nossas veias. Quando meu pai chegar para o casamento de Joffrey, fale com ele, meu Lorde. Ele tem o mesmo dom. – adicionou calmamente.

—E você tem tal habilidade? – perguntou Varys, com curiosidade.

—Não. Apenas Shiera tem. Aegon sempre achou que era superstição dela... mas eu acredito. – disse Valerion, calmamente – Mas não acho que Lorde Tywin acredite em tais ideias, não é? – perguntou calmamente, suspirando por conta do vinho. Lorde Tywin se levantou e coçou o queixo.

—Eu acredito. Já tive conversas sobre isso com o seu pai. – disse ele andando até uma prateleira e pegando outra jarra de vinho. Valerion ficou inquieto e a Mão do Rei lhe serviu outra taça. Era a segunda vez que ele fazia isso e não deixava de ser estranho – Eu quero saber como a avisou.

—Eu não a avisei. – insistiu Valerion – Pergunte a Loras. Eu passo todo o tempo com ele, ultimamente. – disse Valerion soltando um suspiro.

—Sim, todos nós estamos ciente de seu entusiasmo com a espada. Todos comentam de sua amizade com o jovem Sor Loras. – disse Tywin e Valerion sentiu o rosto corar, mirando Mace, que também parecia ligeiramente constrangido – Os comentários quase nos fazem esquecer de sua cena no casamento de Lady Sansa. – ele caminhou até seu lugar e encheu sua própria taça – Algo bem estranho para quem não tinha nenhum interesse pela menina, além de pura diversão... mas eu escutei outros rumores. Rumores sobre sua recente amizade com Lady Margaery.

—Tywin... onde quer chegar com tudo isso? – perguntou Mace Tyrell e Valerion disfarçou bebendo de seu vinho.

—Estou interessado sobre essa visão de Lady Shiera e sobre a lealdade dos Blackfyre. Sua postura mudou bastante nos últimos tempos, Sor Valerion. – disse Tywin o encarando. Valerion suspirou e deu de ombros.

—Você sabe o motivo, Lorde Tywin. Quer mesmo que eu me humilhe falando deles? – perguntou amuado, para receber um olhar quase divertido de Lorde Tywin. Não era exatamente um sorriso. Mas o olhar de um gato ao encurralar um ratinho contra a parede. E ele não parou de encará-lo daquela maneira até que ele falasse – Eu me apaixonei por Lady Sansa e não soube lidar com o casamento dela e de Tyrion, está bem? Mas eu não tive nada com a fuga de minha irmã... inclusive... como ela fez isso? – perguntou curioso.

—Pelo que soubemos, Lady Stark decidiu no último segundo que iria liderar seus homens para a guerra, deixando seu bebê aos cuidados de suas damas de companhia. – explicou Varys – Apenas quando ela já estava relativamente longe, as damas notaram que não era o mesmo bebê. Mas um impostor... uma menina. – explicou ele – Uma grande desatenção por parte de Roose Bolton. Lady Shiera fugiu, mas os meninos Stark morreram. Isso faz com que Sansa Stark seja a herdeira do bebê de colo que Lady Shiera levou consigo.

—Shiera sempre foi esperta demais. – resmungou Tywin – Mas isso não me desce a garganta. Beba seu vinho, Sor.

Valerion olhou para o cálice e suspirou.

—Estou satisfeito, meu Lorde. – murmurou desconfiado, mas Lorde Tywin deu gole de sua própria taça e disse com firmeza.

—Beba.

Engoliu em seco e obedeceu.

—Um bom vinho. – murmurou depois de dar um bom gole.

—Como avisou sua irmã?

—Eu não avisei minha irmã. – disse sentindo o vinho esquentar seu corpo. Respirou fundo, piscando muito, e encarou o Lorde.

—Beba. – disse ele se aproximando novamente e pegando a jarra. Valerion engoliu em seco – Tudo. – obedeceu e pegou o cálice, para beber todo o conteúdo. Respirou fundo, sentindo o mundo girar. Estava cansado e tinha treinado bastante. Precisava comer. Não estava certo de que conseguiria mentir por muito tempo. Então tentou fingir que já estava bastante embriagado, mas Lorde Tywin voltou a encher sua taça – Beba.

—Senhor... eu realmente...

—Beba. – insistiu Lorde Tywin com firmeza.

—Pai. Isso é mesmo necessário? – perguntou Tyrion com a voz preocupada – Valerion já não provou o suficiente que está do nosso lado?

—Beba. – insistiu Lorde Tywin ignorando o filho caçula. Valerion respirou fundo e pegou o cálice, sentindo vontade de vomitar. Desde o casamento de Sansa estava muito fraco para a bebida. Virou o conteúdo e quase entrou em pânico quando Lorde Tywin encheu sua taça novamente – Como avisou a sua irmã? Você não foi mais ao porto, nem mandou corvos. Tive gente te vigiando todo o tempo. Soldados de minha confiança. Como avisou a sua irmã?

Respirou fundo sentindo-se demasiado tonto.

—Meu Lorde... eu não... – soluçou sentindo o estômago contorcer-se – Eu não avisei a minha irmã. – repetiu desesperado.

—Beba.

—Eu não consigo... – murmurou olhando par Tywin.

—Lembre-se disso na próxima vez que se achar intocável. Beba. – ordenou ele e Valerion engoliu em seco, olhando o cálice de vinho. Pegou mais uma vez e virou todo o conteúdo de uma só vez, fazendo careta. Mas foi demais para seu estômago. Só teve tempo de se jogar no chão, antes de vomitar. Sentiu-se fraco e tonto, tentando se afastar do próprio vômito, mas o terrível som de vinho enchendo seu cálice foi desesperador.

—Não... não quero... – murmurou completamente zonzo.

—Beba. – disse Lorde Tywin o puxando pelos cabelos e o forçando a se sentar novamente em sua cadeira – A menos que queira me contar como avisou a sua irmã.

—Eu não... não... avisei... meu Lorde... o dragão negro... obedece... – murmurou zonzo, com a cabeça pesada, sentindo o corpo mole. Fechou os olhos, pois as pálpebras pesavam. Não sabia se Tywin iria forçá-lo a beber de novo, por isso fingiu desmaiar.

Escutou Lorde Tywin mandar que o tirassem dali. Foi carregado para fora e acabou vomitando de novo. Depois disso, de pouco se recordou. Apenas se lembrava de ter se esforçado muito manter-se calado. Shiera tinha fugido, seu plano dera certo. Era tudo o que importava. Continuou passando mal, enquanto lhe lavavam. Sentia as aias passarem panos em seu corpo, enquanto o mergulhavam em um tonel. Apenas ficou muito quieto e fraco, tentando recuperar-se do porre de vinho.

Sua mente acabou distanciando de seu corpo e ele acabou sonhando com Sansa. Com seu toque gentil, com sua voz doce. Sorriu sentindo uma carícia em seu rosto e suspirou, deixando o nome dela escapar por seus lábios. Não a via há tanto tempo. A evitava com todas as forças, pois não aguentava vê-la casada com outro homem, com aquele manto carmesim... a obrigavam a desfilar por aí, exibindo que agora era uma Lannister... sabia que Tyrion não a trataria mal, mas ele tinha um dever para cumprir. Sabia que o amigo não iria deixar de cumprir com suas obrigações.

Mais uma vez sentiu a carícia em seu rosto, por isso levou a mão até o queixo. Quando abriu os olhos, notou que não era Lady Sansa. Mas Lady Margaery. Normalmente se assustaria, mas estava fraco demais para isso. Provavelmente era apenas mais um sonho estranho.

—Meu Lorde... como se sente? – perguntou Lady Margaery e ele simplesmente desmaiou novamente.

Acordou em sua cama, não sabia dizer quanto tempo depois. Sua cabeça explodia e seu corpo estava mole. Escutou barulhos vindo de sua esquerda e isso o fez abrir os olhos. Tinha uma aia Tyrell ali trazendo uma travessa com suco e muitas frutas. Ao lado dela estava Loras, que o olhava com um sorrisinho.

—Está na hora de acordar, Valerion. – disse ele. Valerion suspirou, afundando o rosto no travesseiro – Deixe-nos. – disse Loras e a aia saiu. Continuou deitado, ainda muito mole, afundando o rosto no travesseiro – Valerion, força. Precisa levantar. – riu Loras se sentando na beirada da cama. Resmungou sentindo a cabeça doer, mas se virou.

—Eu odeio os Lannisters. – resmungou se sentando, segurando a cabeça, que pesava. Loras sorriu achando graça e lhe servindo um líquido escuro como vinho. Seu estômago se revirou só de olhar.

—Meu pai me contou o que aconteceu. E não é vinho. É suco. Você precisa beber para melhorar. – riu Loras lhe oferecendo a taça – Coma bastante frutas. Vai ajudar.

—Já teve problemas com isso? Parece experiente. – resmungou pegando a taça e Loras suspirou.

—Tive quando Renly morreu... ele era meu... melhor amigo. – disse ele com a cara deslavada. Deu um gole no suco, achando-o agradavelmente doce, e sorriu para o rapaz.

—Sim, Sansa era minha melhor amiga também. – retrucou e o sorriso de Loras vacilou – Não julgo você. – disse calmamente – Não escolhemos por quem nos apaixonar. – adicionou e pegou um figo na travessa – Obrigado pelo suco.

—Não... não fale sobre isso...

—Não vou. Somos amigos. – disse dando de ombros, mordendo o figo. Depois o comeu de uma vez e deu outro gole no suco. Pequenos goles, para que seu estômago não revirasse de novo – Não tocarei no assunto sensível se não tocar no meu.

—Eu sinto muito sobre Sansa e você... soube que considerava Tyrion seu amigo.

—Ele ainda é... só não sei... lidar com isso ainda. – disse cabisbaixo.

—Bem... se te consola... as fofocas dizem que Lady Sansa ainda é virgem.

Estava a meio caminho de comer um enorme pêssego alaranjado, quando mirou Loras, surpreso.

—O que?

—Não se fala em outra coisa. – riu Loras – Achei que você não estava sabendo mesmo. Mas Lady Sansa segue virgem. – explicou Loras e Valerion não conseguiu sorrir – Não está feliz?

—Por que deveria? Não muda nada. – murmurou tristemente.

—Enquanto ela for virgem, o casamento pode ser cancelado. – riu Loras.

—E por que o casamento seria cancelado? – perguntou Valerion – Sua avó tem outra ideia revolucionária? Porque por ela eu casaria com Margaery e ficaria no Trono de Ferro.

—Você tem um irmão mais velho, não tem?

—Aegon? – perguntou franzindo a testa – Não sei nem se está vivo... – era mentira. Sabia que ele estava muito bem vivo, com a garota Targaryen, conquistando cidade atrás de cidade em Essos, com um exército de Imaculados – E mesmo se tivesse, ele não casaria com Margaery para ficar com o Trono de Ferro... ele seria um rei tão ruim quanto Robert fora. – disse seguro e Loras suspirou.

—Mas vocês Blackfyre são difíceis de agradar. – resmungou ele se deitando ao seu lado, de maneira relaxada. Valerion não se importou. Apenas comeu aquele pêssego que ainda estava em suas mãos.

—Por que não colocam Garland como rei? – perguntou com um sorrisinho e Loras sorriu.

—Pelo mesmo motivo que você não apoia Aegon no Trono? – perguntou Loras – De nós, a única que realmente nasceu para isso foi...

—Margaery. – concluiu Valerion, pegando outro pêssego.

—Sim... eu, Willas e Garland não nascemos pra essas coisas... e não podemos conquistar isso sozinhos. Precisaríamos de uma boa aliança.

—Vocês têm uma boa aliança... com os Lannisters. – riu Valerion sentindo o suco da fruta lhe escorrer pelo queixo. Limpou o fino rastro com uma das mãos e mirou Loras, que parecia distraído, comendo algumas uvas verdes.

—Estamos preocupados com Joffrey. – explicou ele e Valerion concordou – Joffrey não será um bom rei. E muito menos um bom marido. – Loras suspirou – Eu amo a minha irmã. Ela é muito querida... – murmurou ele – Estamos bastante preocupados... bem... nem todos. Meu pai é um tolo que nem se atenta a esses detalhes... mas minha mãe e minha avó...

—É, mas Margaery parece tranquila.

—Ela está convencida de que conseguiria domar Joffrey... mas...

—Entendo. – cortou – Eu me pergunto onde minha irmã está...

—Meu pai me contou que ela fugiu... você quem a avisou? – perguntou Loras parecendo muito curioso.

—Não. – respondeu. Jamais contaria a verdade, pra quem quer que fosse – Eu imagino que ela viu uma emboscada em sonho. Por isso resolveu fugir na última hora. Sem ter nem tempo de salvar os irmãos de Robb... – Valerion soltou um suspiro – Eu gostava bastante dos dois... eram bons garotos...

—A guerra sempre leva os inocentes primeiro. – murmurou Loras se sentando e Valerion concordou. Escutaram alguém bater na porta e os dois se separaram um pouco. A maçaneta girou e Lady Margaery entrou, acompanhada de Lady Sansa. Valerion sentiu o rosto ferver ao encontrar os olhos azuis de Sansa a lhe encararem, vermelhos e inchados, como os olhos de quem estivera chorando bastante – Irmã... – cumprimentou Loras – Lady Sansa.

—Loras. Não deveria estar com o rei? – perguntou Margaery colocando as mãos na cintura – Você é da guarda Real, agora!

Loras o olhou como se tivesse sido pego fazendo algo constrangedor e se levantou.

—Eu já vou. Espero que recupere a força o quanto antes, Sor. – disse Loras com um sorrisinho sem jeito. Valerion se perguntou o motivo para aquilo e então a ideia de que Lady Margaery poderia pensar que os dois estavam tendo algum tipo de relacionamento secreto lhe ocorreu. Suas bochechas arderam de vergonha e ele e Loras tossiram constrangidos, sem olhar um para o outro.

—Obrigado... – murmurou completamente sem jeito.

—Sim, eu... eu já vou. Irmã... Lady Sansa. – murmurou Loras se retirando.

Fez-se um momento de constrangido silêncio e Valerion notou que Lady Margaery se sentou ao seu lado, na cama.

—Olá, Sor Valerion. Sente-se melhor? – perguntou ela. Apenas concordou com um aceno de cabeça, ainda terrivelmente constrangido pelo suposto mal entendido – Espero que não se importe que eu tenha trago minha amiga Sansa. Sei que sempre foram amigos e ela estava muito triste. Achei que uma visita poderia melhorar o humor dos dois. – disse Margaery com gentileza. Tentou sorrir, mas sentiu uma pontada de dor nas têmporas, por conta do vinho e seu sorriso morreu antes mesmo de se formar.

—Obrigado. – murmurou. Depois suspirou e mirou Lady Sansa – O que houve, minha senhora? – perguntou para ela. Sansa respirou fundo.

—Creio que saiba o que os Lannister fizeram com a minha família... – disse ela com a voz gélida. Valerion engoliu em seco, pois Sansa nunca lhe dirigira aquele tom de voz. Ela me culpa? Pelo que raios ela poderia me culpar?

—Poderia ser mais clara, Lady Lannister? – perguntou franzindo a testa, sem a olhar, mas então ficou de pé, mesmo que estivesse apenas de calça e sem camisa – Porque eu não estou...

—Sabe o que a sua irmã fez com a minha mãe? – cortou ela, parecendo ainda mais zangada. Ele engoliu em seco. Margaery olhou surpresa de um para o outro e ele imaginou que as coisas não estavam tomando o rumo que ela imaginou que tomariam.

—Sim. A decapitou por traição, por libertar seu cunhado, o maior refém que eles tinham, até onde eu sei. – devolveu sentindo-se sem humor para aquilo. Sua cabeça ainda doía terrivelmente.

—Você é igual a todos eles. – disse Sansa, mas a voz dela engasgou. Valerion notou que ela tentava segurar o choro e que estava tendo bastante dificuldade pra isso – Sempre com palavras doces e promessas, mas sempre me manipulando. Sempre mentindo e me escondendo coisas. Você sabia, não sabia? Quando planejava me contar?! – chorou ela desistindo de manter-se firme.

—Sansa... – começou Lady Margaery, mas Valerion a cortou.

—Quando planejava me contar que estava planejando fugir com Sor Dontos? – devolveu e Sansa o olhou chocada. Margaery olhou de um para o outro – Sim, eu sei o que estavam planejando, Sansa. E eu sei que ele era um dos homens do Mindinho. – disse indo até um armário para pegar uma roupa – De que iria adiantar contar tais coisas? Você ficaria sabendo de qualquer maneira. E não haveria nada que eu ou você pudéssemos fazer. E por um acaso esqueceu que minha irmã está numa situação péssima por conta da sua família? Mas não me recordo de já ter jogado a culpa disso em você, alguma vez. – sibilou com a cabeça explodindo. Sansa o olhou com mágoa no olhar e lhe deu as costas, deixando o quarto. Valerion suspirou, vestindo alguma coisa para cobrir seu peito nu e então olhou para Lady Margaery – Senhora. Não seria sensato ficar só comigo no quarto. Já correm rumores sobre nossos encontros. Não deixaria que Cersei tivesse motivos para desconfiar da senhora. – adicionou – Ou então razões para afastá-la de Joffrey. Ela sabe o quanto...

Quando se virou, Lady Margaery estava extremamente próxima. Acabou esquecendo o que iria dizer. Ela se aproximou mais um passo e Valerion engoliu em seco.

—Você está bem, Sor Valerion? – perguntou ela docemente – Me parece muito... aflito. Talvez fosse melhor que se deitasse. – murmurou ela. Valerion negou com um aceno de cabeça.

—Já dormi o suficiente, minha senhora.

—Então caminhe comigo. Por favor. – pediu ela com um sorriso meigo. Apenas concordou.

Saíram do castelo, para passear pelos jardins. Margaery lhe contou sobre suas primas, sobre Jardim de Cima, sobre a infância e Valerion falou sobre Pedra do Dragão, Harrenhal, a Batalha da Água Negra, o dia que Porto Real teve um revolta e ele teve que resgatar a filha da senhora Tanda. Depois ele contou sobre o Torneio de Harrenhal, sobre Volantis e sobre Pentos e sobre Braavos. Lady Margaery o olhava como se não houvesse nada mais interessante para conversar. Quando finalmente chegaram na tenda onde a família dela ficava, foi convidado para ficar.

Almoçou com os Tyrell e quase se sentiu em casa. Mas sua mente continuava preocupada. Ainda não tivera notícias de Shiera. Ela estava em terrível perigo. Ao cair da noite, jurou a si mesmo que deixaria Porto Real depois do casamento de Joffrey, reuniria os vassalos e iria para o norte, resgatar a irmã. Para o inferno com todos os Lannisters...

E quando ele e Shiera estivessem juntos novamente, ele iria ir atrás de Aegon.

**

—Vossa Graça... – murmurou Jon cabisbaixo, molhado e sujo de lama, preso por uma corda, ferido, com uma pele de ovelha escondendo muito fracamente suas vestes negras da Patrulha da Noite.

—Oh, Jon... – disse ela, parecendo angustiada, sem se importar com o quão encharcado ele estava, já que seguia abraçada a ele.

—Deixaremos a rainha a sós com o convidado. – disse a mulher que o tinha prendido, se retirando.

Shiera afastou-se de Jon e Talisa entregou uma manta para Shiera, para que se secasse.

—Precisam ficar secos ou então vão adoecer. Está fazendo bastante frio. – disse Talisa colocando o bebê em cima da cama – Vou providenciar roupas para Jon, Vossa Graça.

—Eu sou um homem da Patrulha... – ele começou a dizer e Talisa o cutucou nas costelas.

—Cale a boca e seja agradecido por não estar morto. – ralhou ela – Tire essas roupas. Vamos. – disse ela decidida. Jon piscou, constrangido e Shiera sorriu maneira tímida.

—O-o que? – perguntou ele corando furiosamente.

—As roupas. Tire as roupas. – disse Talisa – Vamos. – insistiu ela indo desamarrar a pele de ovelha dele, mas Jon recuou.

—Não...

—Vossa Graça. Será que dá pra ajudar? – perguntou Talisa com um sorrisinho. Jon corou de novo e a olhou. Shiera sorriu e deu de ombros.

—Precisa tirar essa roupa molhada, Jon. Não precisa ficar constrangido. Talisa já viu muito disso.

—E você também, não é, meu bem? Era uma mulher casada... – disse ela e Shiera engoliu em seco, desviando o olhar, parecendo ficar completamente infeliz. Ela se virou e se sentou numa cadeira, segurando uma manta de lobo nas mãos, com um olhar melancólico. Vento Cinzento entrou na tenda e se sacudiu, jogando água para todos os lados. Depois ele chorou baixinho, indo para junto de Shiera, para lhe lamber as mãos – Desculpe, Shiera... – murmurou Talisa, mas Shiera continuou em silêncio parecendo infeliz.

—O que aconteceu? – perguntou Jon, sentindo um aperto no peito. Talisa suspirou e o encarou, parecendo triste.

—Vamos, Jon. Tire essa roupa molhara. Trarei roupas secas para você. – disse ela deixando a tenda, entrando embaixo da chuva pesada.

Olhou novamente para Shiera, que parecia completamente infeliz. O que ela estava fazendo ali? Por que ela estava com um pequeno exército? Por que ela não estava em Winterfell? Ou com Robb? Escutou um barulhinho e viu que vinha do bebezinho. Uma pontada de ciúmes lhe atingiu e ele suspirou. Se aproximou do pequeno embrulho, que tentava colocar os pés nas bocas, notando seus cabelos vermelhos e os olhos violetas.

—É o herdeiro de Robb... – murmurou Jon engolindo em seco – O que está fazendo com ele aqui? Tão ao Norte? O que está acontecendo? – perguntou ele confuso. Shiera suspirou.

—O que você está fazendo, Jon? – perguntou ela o olhando com um pouco de mágoa – Por que está aqui? Como um prisioneiro? – perguntou ela – Por que não está na Muralha? – ela se levantou e o olhou soltando um suspiro – Pela lei eu deveria executá-lo...

—Eu posso explicar. – murmurou Jon. Shiera o olhou com seus olhos violetas e se aproximou para desamarrar suas peles. Escutou cada uma cair no chão, num barulho molhado, até ficar apenas com as roupas finas, coladas ao seu corpo. Seus cachos negros grudaram em seu rosto também, pingando água. Shiera suspirou e lhe retirou a camisa, o deixando apenas com as botas e o calção. Quando as mãos dela desceram para os cordões de seu calção, a segurou com firmeza no pulso – O que está fazendo?

—Te tirando das roupas molhadas. – respondeu ela sem encará-lo no rosto, mas havia uma expressão melancólica em seu rosto bem feito.

—Onde está Robb? – perguntou confuso. Ela estava casada com ele, não estava?

—O que acha? – perguntou ela com mágoa e raiva na voz – Morto. – respondeu ela e Jon piscou em choque.

—Morto? – perguntou sem querer acreditar.

—Por favor. Apenas fique quieto. – pediu ela, se afastando enquanto desamarrava seu calção. Ela se virou e lhe jogou uma pele de urso, que ele usou para se cobrir, enquanto terminava de se despir, ficando completamente nu. Shiera ainda estava de costas, se enrolando na manta que Talisa lhe entregara – Robb foi traído. O levaram para uma emboscada e o mataram. Não conseguiram vencê-lo em batalha, então... – Ela suspirou, tristemente – Descobri que os Frey e os Bolton tinham feito uma aliança, para trair Robb... eu consegui fugir de Winterfell com minhas tropas e com Ned, com um plano arriscado.

—Ned? – perguntou confuso.

—Eddard Stark. Meu filho e de Robb. – explicou ela.

—E Bran? E Rickon? – perguntou Jon, sentindo um aperto no peito.

Shiera respirou fundo e se sentou, sem olhá-lo nos olhos.

—Eu pude salvar Rickon. Ele está com alguns seguranças em outra tenda. – explicou ela calmamente – Mas Bran...

—O que houve com Bran? – perguntou Jon, angustiado.

—Nós marcamos um ponto de encontro. Ele estava com outra parte de meus homens, numa carroça. – explicou Shiera o olhando, finalmente, com seus tristes olhos violetas – Mas nós nunca os encontramos no ponto de encontro. Meus homens acharam a carroça vazia. Sem sinais de luta.

—Quem estava com Bran? – perguntou Jon.

—Os irmãos Reed, Osha e Hodor. – explicou Shiera – Eu os avisei que estaria rumando para a Muralha. Minha última esperança era encontrá-los lá.

—Está indo para a Muralha? – perguntou Jon, lembrando-se de outros problemas. Lembrando-se de Mance e os selvagens.

—Sim. – respondeu ela o olhando – Achei que os seus irmãos ficariam mais calmos lá, com você. E seria um bom lugar para me reestabelecer. – adicionou – Preciso saber quem ainda é um aliado e quem é inimigo. E preciso de um lugar para escrever para meu pai e para Aegon. Para mim a guerra não terminou. Eles matam Eddard se eu me render. E matam Rickon, pois logo vão saber que ele está vivo. – Shiera colocou a cabeça nas mãos, parecendo exausta – Tudo deu errado. Tudo...

—Acalme-se. – murmurou Jon – Tem coisas que você precisa saber. – adicionou ele. Shiera o olhou cansada e ele falou sobre a situação da Muralha, da falta de homens para protegê-la. Então falou de Mance Rayder e do exército de selvagens que marchava para o sul. Contou como Meia-Mão o instruiu a se passar por um deles, mas tomou especial cuidado para não mencionar Ygritte. Shiera concordou com um aceno de cabeça e outro trovão fez o ar tremer, assustando o bebê de peito dela. Jon desviou o olhar, constrangido com ele. Seu sobrinho, que chorava a plenos pulmões. Shiera se enrolou direito na manta e o pegou, para acalmá-lo – Ele parece com Robb... – murmurou Jon. Shiera concordou com um triste aceno de cabeça – Sinto muito... por tudo o que aconteceu. – disse Jon e ela suspirou.

—Eu também sinto muito. Seu pai. Seus irmãos... – murmurou ela, tristemente, acalentando o bebê, que chorava, ainda assustado.

Talisa chegou momentos depois com roupas mais quentes, enroladas em couro de ovelha. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, ela jogou as roupas no chão e saiu da tenda, voltando a se molhar. Jon suspirou e Shiera lhe deu as costas novamente. Muito envergonhado e constrangido, pegou as roupas secas e se vestiu.

—Jon. – chamou ela. A olhou curioso – Fique comigo, até a chuva passar, se não se importa. – disse ela colocando o bebê em cima da cama, para então se curvar sobre um baú e pegar outro vestido simples. – Vire-se, por favor. – pediu ela. Jon concordou e se virou para a entrada da tenda. Numa situação normal, ficaria tentado a se virar para espiar. Mas não havia clima para isso. Só se virou quando a rainha tocou seu ombro, vestida num vestido simples e fino, porém comportado, negro, com bordados vermelhos – Pronto.

Jon suspirou ao ver a mulher. Ainda tinha um grande sentimento confuso por ela, de intensidade assustadora, mas o luto era maior nos dois. Via isso nos olhos dela... se perguntava como seria, quando o luto passasse e os dois tiverem sobrevivido...

Sou apenas um bastardo. E um irmão juramentado... ela está fora do meu alcance para todo o sempre.

**

Notas finais
Alguém hippa Margaery e Valerion? xD Esperem só a confusão que vai ser a vida desse jovem quando Myrcella voltar pra Porto Real ahsuahsuahsuahsau xD Jon e Shiera.... ♥ Eu sei que tem gente que não gosta... mas quando eu comecei a escrever a fic, eles eram o cassal principal. Agora tá tudo em aberto xD Beeeijos! Comentem, ok? Até amanhã!