Blackfyre

30 Dragões, Leões, Rosas e Lobos


Notas iniciais
SHuahsuashau estou adorando. Enquanto tem gente amando uns shipps, tem outros detestando ahsuashaus As opiniões estão bem divididas aqui =] Gente, eu estou sem internet, então estou usando a internet do celular pra postar (que não é lá essas coisas) Então eu vou responder os comentários depois (JURO!) Inclusive, quero agradecer a todas as pessoas que comentaram. Foram muitas! =3 Valeu mesmo, suas lindezas! Beijos e partiu próximo capítulo!

Dragões, Leões, Rosas e Lobos

Os Imaculados estavam lado a lado enquanto Aegon escoltava Daenerys, junto de Sor Jorah e Sor Barristan. Para seu contentamento, Daario não estava a vista. Odiava o modo como ele olhava para Daenerys e isso o enchia de ciúmes.

As forças da Rainha estavam cada vez maiores a medida que marchavam para Meereen. Estavam conquistando todos os lugares pelos quais passavam, numa campanha que deixaria qualquer Khal com inveja. A cada conquista o exército de Daenerys crescia, assim como seus dragões. Olhou para cima com um sorriso no rosto e viu os três dragões voarem sobre suas cabeças, chiando e fazendo aqueles sons deles, que deixava a maioria dos homens com medo.

Mas Aegon não era como a maioria e o som dos dragões o deixava ansioso para lutar.

—Onde estão Daario Naharis e Verme Cinzento? – perguntou Daenerys enquanto andavam por entre as tropas, assim que alcançaram Missandei.

—Apostando, Vossa Graça. – respondeu Missandei e Aegon revirou os olhos.

—Apostando? – perguntou ela, parecendo indignada. Missandei baixou os olhos, concordando com um aceno tímido de cabeça. Trotaram em seus cavalos até onde os dois estavam e Aegon bufou, aborrecido. Já poderiam estar em marcha, mas precisaram procurar os dois no lugar disso. Os encontraram sentados, de pernas cruzadas, os braços estendidos, retos, segurando cada um sua espada – Há quanto tempo estão nisso? – perguntou Daenerys.

—Desde meia noite, Vossa Graça. – respondeu Missandei. Aegon bufou novamente, pela perda de tempo daquilo. Assim que se aproximaram o suficiente, Daario falou.

—Verme Cinzento tem os braços mais fortes do que imaginei, confesso. – riu Daario com aquele sorriso dele – Mas seu braço está começando a tremer.

—Qual o prêmio por essa competição estúpida? – perguntou Daenerys.

—A honra de ir ao seu lado na estrada para Meereen, Vossa Graça. – riu Daario e Aegon riu com desdém.

—Quanta perda de tempo. – resmungou.

—Essa honra é de Sor Aegon, Sor Jorah e Sor Barristan. – riu Daenerys – Já que nenhum deles me deixou esperando esta manhã. – disse ela. Daario e Verme Cinzento o olharam rapidamente, mas logo voltaram a mirar a Khaleesi – Vocês irão na retaguarda e protegerão o gado. – ela virou o cavalo e trotou para longe. Aegon lançou um olhar desdenhoso para os dois antes de segui-la. – Sor Aegon, já esteve em Meereen alguma vez? – perguntou ela enquanto seguiam para liderar a marcha.

—Algumas vezes, Vossa Graça. – respondeu Aegon, calmamente.

—E o que achou? – perguntou ela, lhe lançando um olhar divertido. Aegon sorriu.

—Vivi muito tempo em Westeros... então eu diria que a maior impressão que eu tenho da cidade é o quanto ela é limpa. – disse ele calmamente – Mesmo as ruelas menores são muito mais limpas e organizadas que Porto Real.

—Mesmo? – perguntou a rainha – Viserys sempre disse que nenhuma cidade no mundo se comparava a Porto Real. – Aegon sorriu desdenhando da opinião de Viserys e Daenerys sorriu – Mas o que mais sabe sobre a cidade?

—Soube que mais de mil escravos morreram para construir uma de suas pirâmides. – respondeu sentindo uma lufada de vento morno acertar seus cabelos compridos – Mas agora um exército de ex escravos marcha contra a cidade...

—Acha que os Grandes Mestres preocupam-se? – perguntou ela e Aegon concordou com um aceno de cabeça.

—Deveriam, Vossa Graça. – respondeu ele e Daenerys sorriu.

—Não precisa me chamar assim. – disse ela e ele a olhou curioso – Pode me chamar de Daenerys, ou apenas Dany. – disse ela e Aegon sorriu divertido.

—Sinto-me honrado, Vossa Graça. – disse e Daenerys sorriu para ele, corando de leve. Pouco depois voltou um batedor, Rakharo. Ele parou em frente a uma placa de orientação e os esperou ali. Aegon esporou sua égua e Daenerys o imitou, apressando o passo. Logo notou o que era.

A placa tinha uma garota pregada, apontando o caminho da estrada para Meereen. Uma garota escrava, já acinzentada, cercada de pássaros mortos. Provavelmente tinham passado algum tipo de veneno em sua pele, para evitar que fosse devorada antes de passar sua mensagem.

—Há um a cada quilômetro daqui até Meereen. – informou Rakharo. Aegon respirou fundo, achando aquilo no mínimo repulsivo. Aqueles homens não davam valor nenhum à vida daquelas pessoas... mirou Daenerys, que estava com a pele lívida de raiva.

—São quantos quilômetros daqui até Meereen? – perguntou ela.

—Não sei ao certo, Dany... – murmurou Aegon e Jorah o olhou semicerrando os olhos, sem gostar da intimidade que demonstrara – Só visitei as cidades pelo mar...

—Direi para irem na frente e enterrá-las. – disse Jorah, se aproximando da placa.

—Você não precisa ver isso. – concordou Barristan.

—Vocês não farão isso. – decretou Daenerys. Todos a olharam confusos – Vou ver o rosto de cada um deles. – disse ela, com fúria na voz. Fez uns segundos de silêncio enquanto a Khaleesi mirava o corpo magro da menina – Tire o colar dela antes de enterrá-la. – adicionou Daenerys, se referindo ao colar que marcava os escravos. – Vamos. – ela continuou a marcha e Aegon lançou um último olhar para a menina, antes de seguir a rainha – Conte-me mais sobre Meereen, Sor Aegon. – pediu ela obviamente querendo se distrair. Aegon concordou.

—A cidade é tão grande quanto Astapor e Yunkai juntas. – disse acompanhando o trote preguiçoso da rainha – Também é feita de tijolos, mas as cores são diferentes. Enquanto Astapor é vermelha e Yunkai é amarela, Meereen é feita de tijolos de mil cores. – disse falando do que se lembrava da cidade – É a cidade mais poderosa entre as três, cercada de maciços muros... muito altos, pelo que me lembro... mas não altos o suficiente para esconder as grandes pirâmides.

—Parece que teremos problemas para tomar a cidade. Não temos navios...

—Daremos um jeito. – garantiu ele com um sorriso – Mas vamos tomar a cidade, resgatar os soldados, conseguir os navios para voltar para Westeros e então você conquistará o Trono de Ferro.

—Sim... – ela o olhou com um sorriso – Serei a primeira rainha a governar sem um rei. – disse ela e Aegon deu de ombros, pois nunca fora bom na história dos Sete Reinos. Valerion quem saberia ver a verdade ou mentira daquelas palavras – Acha que terei problemas com isso? – perguntou ela – Por não ter um rei?

—Eu duvido muito, Dany. Você tem três dragões. Por que precisaria ter um rei pra governar, tendo três dragões?

—E o que fará quando voltarmos? Vai se tornar o Lorde de Harrenhal quando seu pai morrer? – perguntou ela e ele negou com um aceno de cabeça.

—Minha vida é sua. Minha espada é sua. Eu sou seu, Dany. Serei da sua Guarda Real. Harrenhal irá para Valerion. – garantiu ele. Dany sorriu o olhando.

—E quando minha vida chegar ao fim, quem irá me suceder? – perguntou ela. Aegon franziu o cenho.

—Seu filho mais velho, imagino. – respondeu ele.

—Como se não terei um rei? – perguntou ela e Aegon sentiu um arrepio lhe subir a espinha. Ele a olhou curioso e recebeu um sorriso gentil – Pense nisso, Aegon. Talvez eu precise de mais do que sua espada... e pelo que Sor Barristan me falou, o poder de Harrenhal pode ser muito bem vindo. – ela esporeou a égua com força e se distanciou dele. Aegon piscou e sorriu, antes de instigar a própria égua a alcançar Daenerys.

—Isso foi um pedido de casamento, Vossa Graça? – perguntou sentindo o coração acelerar pelo momento, mas Daenerys sorriu e negou com a cabeça.

—Não mais. Me chamou de Vossa Graça. Meu rei deve ter intimidade comigo. – provocou ela começando um galope e Aegon sorriu.

—Espere só até acamparmos, Dany... – disse satisfeito.

Marcharam durante todo o dia e quando acamparam, ele foi ver a tenda da rainha. Era o turno de Barristan, mas Dany o dispensou, por querer conversar assuntos particulares.

Barristan os olhou com um sorrisinho, dando a entender que sabia muito bem que tipo de assuntos particulares seriam esses. Daenerys lhe serviu uma taça de vinho e suspirou.

—Tire a armadura, Sor Aegon. – disse com um sorriso travesso, enquanto até Missandei deixava a tenda. Bebeu seu vinho de uma vez e então pousou a taça sobre uma pequena mesinha. Começou a tirar a armadura e Daenerys se contentou em assistir.

—Assim está bom, Khaleesi? – perguntou com um sorrisinho.

—Não. – riu ela se sentando num amontoado de fofas almofadas – Tire as roupas. – ordenou ela com aquele sorriso que ele ainda não tinha se acostumado a receber. Respirou fundo sentindo a excitação do momento tomá-lo por completo. Retirou a cota de malha, depois a proteção de couro. Então a camisa encardida, as botas e por último o calção. Daenerys olhou com um sorriso satisfeito para seu membro viril, que já estava pulsando de desejo pelo momento. Os olhos dela subiram por seu abdômen e então pararam em seu sorriso convencido – Precisa de mais ordens, Sor? – perguntou ela com divertimento e ele negou com a cabeça, se aproximando.

—Não, minha rainha. – disse tirando o copo de vinho da mão dela e o jogando no chão.

—Eu não tinha terminado de beber aquilo! – disse ela com divertimento e ele lhe rasgou o vestido ao meio. Ela o olhou entre o divertimento e a raiva – E eu realmente gostava daquele vestido.

—Te comprarei um melhor. – prometeu a pegando pelas coxas e a deitando nas almofadas. Admirou o belo corpo de sua rainha, esculturalmente forjado. Não era daquelas mulheres magricelas, as carnes estavam perfeitamente distribuídas. O corpo dela ficara ainda mais tentador depois da gravidez.

Mergulhou os lábios nos dela, desesperado por aquilo. Não queria ir com pressa. Queria aproveitar cada segundo daquilo. Já tinha tido tantos sonhos com aquela situação e agora que a vivenciava, não queria fazer feio. Beijou sua rainha desbravando seu carnudo corpo com as mãos, a apertando contra si, a conhecendo com os dedos, apreciando a suave textura de sua pele macia e quente. Daenerys era quente como uma rocha que ficara o dia todo embaixo do sol.

Seus lábios logo não ficaram satisfeitos apenas com o doce sabor dos dela. Logo precisou apreciar mais dela, então desceu os beijos pela alva pele do pescoço, a mordiscando de leve, adorando o modo como ela se contorcia embaixo de si. Seguiu baixando os beijos para provar os dois deliciosos seios firmes que ela tinha. Provando cada mamilo com tanto desejo quanto provava o vale entre os dois seios redondos. Também deu mordidinhas nas auréolas cor de rosa e os sugou como se desejasse provar do leite já inexistente dela.

Mas logo precisou de mais. Desceu seus lábios pelo tentador caminho entre as costelas e um umbigo, passeando sua língua por aquele local, num formato circular, roubando um gemido quase sofrido da rainha. Retirou então a pequena roupa debaixo que ela usava e então subiu novamente para olhá-la nos olhos. Aqueles olhos violetas tão típicos daqueles que herdaram o sangue valiriano.

Com uma das mãos, procurou o caminho por entre as grossas e torneadas coxas de Daenerys, apreciando a umidade deixada pelo desejo de ambos. Primeiro fez uma carícia, a olhando nos olhos, apenas experimentando a textura. Então, aos poucos, colocou um de seus dedos, para explorar o tão sonhado caminho que pretendia trilhar em breve. Daenerys jogou a cabeça para trás, arqueando as costas, soltando um gemidinho baixo. Isso lhe roubou um sorriso e ele colocou mais outro dedo, para brincar com a intimidade dela, procurando pelo ponto que a fizesse sentir mais prazer.

Por mais que estivesse louco para se satisfazer nela, naquele momento, sua maior preocupação era agradá-la. Brincou com os dedos, algumas vezes admirando o rosto dela se contorcer de prazer, outras vezes se deliciando nos maravilhosos seios dela. Quando estava prestes a perder a razão, finalmente se enfiou dentro dela, da maneira como desejava, mas com poucas investidas, Daenerys empurrou seu peito.

Num primeiro momento a olhou confuso, mas ela apenas o fez se deitar, para então sentar-se em seus quadris.

—Eu sou sua rainha. – disse ela o olhando de cima. A mais maravilhosa visão que ele já tinha tido.

—Sempre será. – jurou. Ela moveu-se sensualmente em seus quadris e ele gemeu louco de tesão, pelo momento.

Dany continuou naquela cavalgada, soltando os mais deliciosos gemidos, levando as mãos aos próprios cabelos, permitindo que ele tivesse uma visão privilegiada de seu corpo. Logo ela jogou a cabeça para trás, ainda se mexendo de um jeito serpentiliano e maravilhoso, soltando um gemido mais alto, num ritmo mais acelerado e ele entendeu que ela estava para chegar ao ápice do prazer.

Aquela era a maior armadilha para um homem. No exato momento que notou que sua rainha estava para perder-se em prazer, alcançando o clímax, aquilo que ele tinha certeza que demoraria para chegar, acabou mostrando que chegaria mais rápido. Se concentrou para que demorasse o suficiente e quando Dany começou a desacelerar, encerrando os gemidos, ele se permitiu explodir dentro dela, soltando um gemido cheio de alívio.

Os dois se encararam com sorrisos divertidos e os corpos suados. Daenerys se deitou ao seu lado e descansou a cabeça em seu braço, soltando um suspiro de satisfação.

—Espero tê-la servido bem, Vossa Graça. – brincou e ela o olhou semicerrando os olhos. Mas então os dois riram do momento e trocaram um beijo mais calmo. Quando ela se afastou de leve ele a admirou completamente apaixonado – Case comigo. – pediu sem pensar. No mesmo momento jurou escutar seu pai falar que o Dragão Vermelho era o dragão conquistador. O Dragão Negro obedece, Aegon. Mas as palavras já tinham sido pronunciadas e o pedido havia sido feito. Daenerys suspirou, parecendo levemente abatida e se sentou, desviando o olhar – Eu a aborreci?

—Não é isso... é só que... – ela suspirou – Eu não posso me casar de novo.

Aegon franziu o cenho, confuso.

—É claro que pode. Por que não poderia?

—Eu sou infértil. – lamentou ela. Aegon se sentou também, sem entender nada.

—De onde tirou isso? Você já teve um filho... ele só não...

—Mirri Maz Duur me amaldiçoou. Eu jamais terei filhos novamente... não posso... não posso permitir que tenha a mesma sina comigo. – disse ela e Aegon sorriu lhe afagando o queixo.

—Eu não acredito nisso. Sua magia é muito mais forte que a dela. – explicou lhe afagando o rosto e Daenerys sorriu o olhando nos olhos – E mesmo que já não sejas mais capaz de engravidar... que se dane... a outra opção é que eu me torne membro de sua guarda real, lembra? Não terei filhos tampouco.

Daenerys sorriu novamente e lhe afagou o rosto.

—Vamos apenas... aproveitar esse momento, tudo bem? Deixemos o futuro para o futuro...

**

Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove... um jogo de pés, mais um golpe defendido. Empurrar com o corpo, fazer o oponente recuar. Recomeçar a contar. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez, onze. As espadas brandiram, os dois empurraram, com sorrisos cheios de amigável rivalidade. Recuaram juntos, corrigir a postura, atacar. Um, dois, três, quatro golpes.

—Você está melhorando, Valerion. – arfou Loras andando num semi círculo. Valerion o acompanhou e os dois voltaram à postura de combate novamente.

—Estou. Mas você não. – provocou e Loras o atacou novamente. Defendeu-se de um golpe, dois, três, quatro. Contava sempre os golpes. No oitavo Loras sempre cansava e era sua vez de atacar. Um bom movimento de pés era tão necessário quanto a força nos braços e ele aprendera a refinar suas passadas. Quando Loras deu o nono golpe, sua resposta foi um segundo mais lenta do que deveria e Valerion atacou com força. O jovem defendeu, mas no terceiro golpe seus braços cederam e o Blackfyre o jogou no chão, fazendo-o rir – E Jardim de Cima cede diante de Harrenhal. – provocou e Loras se sentou.

—Jardim de Cima se rende. – concordou Loras e Valerion estendeu a mão para ajudá-lo a levantar. Escutaram palmas animadas e os dois se viraram. Não estavam treinando no lugar de sempre, mas nos jardins, à vista das donzelas da corte, principalmente Lady Margaery. Seus olhos correram sem que pudesse evitar até o decote da moça, mas ele se repreendeu e foi até um servo, pegar um pouco de água – Você está muito bem. Evoluiu muito. Eu quase nunca o derroto mais. – disse Loras bebendo água também. Valerion sorriu satisfeito.

—Um dia, talvez, eu derrote Garland.

—Não sonhe tão alto. – riu Loras, jogando água gelada sobre sua cabeça e correndo em seguida.

—Ora, seu... – rosnou, largando sua taça e correndo atrás de Loras, sentindo as gotas geladas de água entrarem por sua armadura, fazendo com que se arrepiasse. Quando o alcançou, recuperaram a pose de luta e logo estavam brandindo espadas novamente. Depois de derrotar Loras de novo, escutaram mais uma vez os aplausos e escutou passos a se aproximar – Lady Margaery. – disse fazendo uma reverência – Desculpe por bater tanto no seu irmão. – disse em tom de brincadeira e Loras lhe deu um tapa doloroso no topo da cabeça.

—Está tudo bem. – disse ela, com um sorriso amável – Seu talento com a espada é impressionante, Sor. – disse Margaery e Valerion sorriu convencido.

—É muito gentil, senhora.

—Eu gostaria muito que viesse fazer um pequeno lanche conosco. – disse Margaery abraçando seu braço. Mirou Loras, que sorriu, o incentivando. Deu de ombros e seguiu a futura rainha – Tem notícias do senhor seu pai? – perguntou Margaery enquanto o guiava em direção às mulheres Tyrell.

—Ele já deixou Harrenhal. Deve chegar a qualquer momento com Myrcella.

—O amor de sua vida. – riu Loras e Valerion fez uma careta – A princesa pelo menos é bastante bonita. Deve estar ainda mais, depois de todos esses meses.

—Provavelmente. – murmurou dando de ombros. Lady Margaery afagou o braço em que estava abraçada e sorriu.

—Seremos irmãos em breve, então. Você com sua princesa e eu com o rei Joffrey. – disse ela com um sorriso. Valerion concordou com um aceno de cabeça.

—Valerion! – chamou uma voz e o rapaz sentiu seu estômago contorcer-se. Se virou e notou que era Tyrion e Pod. Margaery o soltou e Valerion esperou que Tyrion se aproximasse – Mais um treino de espadas?

—Lady Margaery pediu que eu e Loras fizéssemos algumas demonstrações. – respondeu simplesmente, ainda desconfortável. Mas precisava admitir que, agora que sabia que Tyrion e Sansa ainda não tinham consumado o casamento, se sentia menos incomodado com a presença do amigo.

—Fantástico. Ele é tão bom quanto Varys anda dizendo que ele é? – perguntou Tyrion parecendo de bom humor, mas Valerion notou os olhos pesados dele e soube que aquilo não era verdade. Tyrion estava preocupado com algo.

—Melhor, meu Lorde. – respondeu Margaery com um sorriso divertido.

—Ótimo. – riu Tyrion – Valerion, posso ter um minuto de sua atenção? Andaria comigo em nome de nossa velha amizade? – perguntou o anão e Valerion suspirou, dando de ombros.

—Claro... Não é certo nos ater apenas aos novos amigos. – disse se referindo a Loras e Margaery. Retirou sua armadura de treino e a entregou a Loras, para então seguir Tyrion pelos jardins – O que posso fazer por você?

—Parar de me ignorar seria um bom começo? – pediu Tyrion e Valerion desviou o olhar enquanto andava ao lado do anão. Um grupo de damas de companhia da rainha passou e os dois ficaram em silêncio até que elas se afastassem – Sabe que não desejei meu casamento com Sansa e que tentei esquivar-me disso. Mas conheces meu pai... – Tyrion suspirou – Não é fácil dobrá-lo... para não dizer impossível. Quando ele decide uma coisa, você simplesmente...

—Aceita. – murmurou sombrio, lembrando-se de sua última conversa com Sansa. Aquela briguinha idiota. Não falara com ela desde então.

—Exatamente. – disse Tyrion – O considero um bom amigo. Você salvou minha vida na batalha de Água Negra e nossa aliança nos fez mais fortes aqui. Não se engane, Valerion... juntos somos mais fortes... você pode estar se aproximando dos Tyrell, mas...

—Eles me cercam por todos os lados. – cortou Valerion, num tom baixo, e Tyrion o olhou com interesse – Parece que estão me vigiando. Eles tomam praticamente todo meu tempo. Loras sempre me pede para ser sua dupla nos treinos, Margaery quer que eu passe tempo com ela e suas primas. Fica jogando as garotas pra cima de mim, algumas vezes até Margaery começa um jogo de flerte comigo. Lady Olenna sempre tem algo para me falar. Quando não estou com eles, estou fazendo minhas atribuições como membro do Pequeno Conselho. Eles vigiam cada passo meu.

—Meu pai colocou mais de uma pessoa atrás de você. Sempre tem pelo menos um guarda te vigiando... como avisou Shiera? – perguntou Tyrion e Valerion acabou sorrindo.

—Acha que eu teria como avisá-la? – perguntou feliz por ninguém ter conseguido pensar numa maneira dele ter avisado Shiera. É claro que sempre estava com pelo menos um guarda Lannister por perto. Esse guarda sempre era Hoster. E quando ele partiu, teve outros para vigiá-lo, mas já não estava fazendo nada de demais – Como você mesmo disse, eu estava sendo sempre vigiado.

—Shiera me disse uma vez sobre o dom que tem. Eu acredito nela. – disse Tyrion – Devo pensar que ela teve sorte?

—Pense o que desejares. Não me importa. O que quer de mim, Lorde Tyrion? – perguntou de maneira mais seca, devido a insistência do anão. Tyrion desviou o olhar, um tanto sem jeito.

—Varys me alertou que uma das espiãs de Cersei me viu com Shae. Preciso que a tire de Porto Real ou meu pai irá enforcá-la. Ele prometeu enforcar a próxima prostituta com quem eu me envolvesse...

—Qual o problema do seu pai com putas? – perguntou Valerion franzindo o cenho – Todo homem se envolve com uma em algum momento da vida.

—Mas não são todos os que casam com uma. – lamentou Tyrion – Pode fazer esse favor pra mim? – perguntou Tyrion – Você é conhecido no porto. E de todo modo, você fingiu que Shae era sua por um tempo, não é?

—Sim, mas agora eu já não posso ir no porto. Seu pai me proibiu. – resmungou Valerion.

—Seu pai chegará a qualquer momento, antes do casamento. Com a chegada dele você ficará mais livre. Não é?

—Vai correr o risco de esperar? – perguntou arqueando as sobrancelhas – Não seria mais prático pedir ajuda para Bronn?

—Sim, mas eu queria ter uma desculpa para falar com você. – disse Tyrion. Valerion suspirou, incomodado, novamente – Gostaria de te pedir mais um favor.

—O que seria? – perguntou ele.

—Lady Sansa. – respondeu Tyrion e Valerion o olhou curioso – Ela não come desde que soube da mãe e do irmão. Está cada vez mais fraca. Shae já tentou falar com ela, assim como eu. Mas ela não nos escuta. Está triste demais para comer... eu prometi que iria cuidar dela e protegê-la, mas a verdade é que Sansa não deseja o meu cuidado ou a minha proteção.

—Nem a minha, tampouco. Ela já deixou isso bem claro. – sibilou lembrando-se de sua última conversa.

—Você é o melhor amigo que ela tem aqui, Valerion. Talvez o único que ela considere um amigo, afinal, para ela, eu sou apenas mais um Lannister. Você é o mais apto para o trabalho. – pediu Tyrion o olhando com súplica.

Valerion suspirou, mirando os altos arbustos verdes que formavam verdadeiras paredes de folhagem brilhante de cada lado da pequena calçada de areia batida cor de pérola. Um silêncio cheio de expectativa pairou sobre os dois enquanto Valerion era acometido por tristes lembranças do passado. Lembranças de quando viu Aegon chorar como um garotinho, abraçado com ele e com Shiera. Quando foi obrigado a entrar num barco para ser separado de seus irmãos. Quando foi enviado ao assustador Pedra do Dragão. Lembrava de não sentir fome, também. Por mais que todos insistissem que ele deveria comer. Sozinho, solitário, com um buraco no peito que jamais seria preenchido novamente. Tais lembranças o deixaram ligeiramente melancólico e Tyrion respeitou seu silêncio. Se era por saber o que se passava em seu interior, ou se era apenas por não saber o que falar, não sabia.

—Verei o que posso fazer. – murmurou entristecido. Tyrion suspirou parecendo aliviado – Mas não há nada que eu possa fazer por Shae. Mande Bronn cuidar dela. – disse simplesmente, dando meia volta e voltando para junto dos Tyrell. Lady Margaery se levantou com um sorriso gentil, feliz por seu retorno. Sorriu para ela, sentindo uma pequena vertigem.

—Fico feliz que tenha retornado, meu senhor. – disse ela e Valerion a apertou na bochecha, num sinal absoluto de intimidade. As primas de Margaery deram risadinhas e Valerion pegou parte de sua armadura.

—Bry. Vamos para o quarto. Me prepare um banho. – disse calmamente e Bry veio correndo para ajudá-lo. Os Tyrell soltaram suspiros tristonhos e Margaery pediu que ele ficasse um pouco mais, mas ele negou gentilmente.

Quando chegou em seu quarto Bry preparou seu banho, com a água quase escaldante, que era o modo como gostava. Esfregou-se com uma pedra porosa para tirar o grosso da sujeira. Depois passou um pano perfumado pelo corpo. Bry lavou seus cabelos com perfumes e óleos e quando saiu do banho, tinha a pele corada, limpa e perfumada. Escolheu roupas bonitas, de veludo vermelho escuro, bordado com o dragão negro da casa Blackfyre, contornado com fios de ouro mole. Penteou os cabelos e colocou um pouco de perfume nos pulsos, atrás da orelha e no pescoço. Depois vestiu o restante das vestes e colocou uma meia capa em seu ombro, completamente negra, com o dragão de três cabeças pintado de ouro. As roupas estavam um pouco apertadas no peito, ombros e braços, mas não ligou.

Depois de mirar seu reflexo no espelho, prendeu a espada no cinto, sua adaga na bota, um punhal do outro lado do cinto e então saiu de seu aposento, com Bry logo atrás de si, em seus calcanhares. Andou a passos decididos para a sacada do quarto de Tyrion. Lá encontrou Lady Sansa, sentada em uma mesa repleta de doces, bolos, tortas, entre outros quitutes. Sua donzela tinha um ar melancólico, distante e infeliz, enquanto Shae oferecia refeição atrás de refeição, incluindo os bolos de limão, os favoritos de Sansa.

Assim que se aproximou, as duas notaram sua presença, mas Sansa não o olhou por mais de dois segundos. Passou direto por ela, mirando o mar, sentindo o ar triste que pairava ali. Se perguntou se Shae sabia que Tyrion pretendia mandá-la embora, mesmo que para sua segurança. Dois casais infelizes, com as bênçãos de Lorde Tywin Lannister.

Sentiu a brisa marinha acertar seus cabelos, fazendo aquele som que sempre o deixara entristecido. Aegon amava o mar e dizia que o som das ondas era mais acalentador do que qualquer canção que já tivesse escutado. Mas Valerion não gostava tanto do mar. O mar fazia com que se lembrasse de Pedra do Dragão e daqueles anos infelizes que passou longe da família logo depois da morte de sua mãe. Por um momento lembrou-se dela, mas suas lembranças ficaram estranhas e embaçadas. Sempre que pensava na mãe, acabava vendo o rosto da irmã, pois as duas se pareciam. E isso o incomodava bastante...

—Já te contei sobre minha mãe, minha senhora? – perguntou Valerion, calmamente. Sansa não respondeu – Ela era muito bonita... com uma voz harmoniosa. Sempre cantava para mim quando eu era pequeno. Me chamava de “meu pequeno príncipe”... lembro que ficava comigo e com Shiera até que caíssemos no sono. – ele lançou um sorriso triste para o mar, o mesmo tipo de sorriso que dera, anos atrás, ao usar as memórias como aconchego, para se livrar da dor da perda. Mas tanto quanto daquelas vezes, de nada adiantou. Já tinham se passado anos, mas a ferida abriu e sangrou como sempre sangrava quando se permitia pensar demais no assunto – Eu e Shiera éramos muito apegados a ela. Aegon era o filho mais velho e passava mais tempo com o nosso pai. Ele já ia para as caçadas, ou estava treinando montaria ou esgrima... mas nós estávamos sempre com nossa mãe. – ele suspirou lembrando daqueles dias em Harrenhal – Eu ainda lembro da risada dela... uma risada doce, que antevia beijos cheios de carinho em minha testa... eu ainda lembro do cheiro de flor que ela tinha, mesmo sem perfume. Ela era a mulher mais incrível do mundo. Nos ensinou a atirar com arco e a primeira vez que montei a cavalo, foi com ela. Mesmo que tivesse os braços finos, me sentia seguro entre eles, por maior que o cavalo fosse. – escutou Sansa fungar da mesa e ele soube que ela estava ouvindo – Ela era forte, acordava cedo todos os dias e conseguia me colocar em suas costas e correr. Ela gostava de cavalgar pela manhã e quando eu e Shiera estávamos indo para a mesa para o desjejum, ela já tinha voltado com flores para enfeitar os cabelos de Shiera. Perto dela, até Aegon parecia um rapaz manso. E meu pai era apenas sorrisos. Sorrisos apaixonados, cheios de alegria e felicidade... – ele soltou um suspiro triste e baixou o olhar – Mas um dia eu e Shiera fomos tomar o desjejum e nossa mãe não apareceu com flores e ninguém entendeu o que se passou. Nosso pai disse que ela estava cansada e nós passamos o dia sem ela. E no dia seguinte não foi diferente. E nem o outro e nem o outro. Nossa mãe começou a reclamar de dores nas juntas e nos ossos... e então começou a emagrecer e a ficar fraca. Definhava cada vez mais. Aegon começou a procurar pergaminhos mágicos na nossa biblioteca e colocava os ovos de dragão ao redor dela, dizendo que ela voltaria a ficar forte por conta deles. “Os dragões lhe darão força”, ele prometia... para nós, pra ela... para ele mesmo, não sei... – soltou um suspiro, sentido aquela tristeza gelada que sempre sentia ao relembrar aquele passado doloroso – Shiera começou a ler tudo sobre ervas medicinais. Aprendeu a fazer chás que aliviavam a dor de nossa mãe, mas ela nunca recuperou a força para se levantar. Aegon apelou pra magia, minha irmã para o conhecimento dos Meistres. Ela chorou muito para que meu pai arrumasse um, até que ele cedeu, mas nenhum Meistre foi capaz de ajudá-la... nem o de Riverrun... nem o das Gêmeas, ou o de Solar Corvarbor, ou o de Barreira de Pedra. Nem o de Solar de Bolotas ou o de Guardamar. Aquelas ratazanas cinzentas vinham e iam, mas minha mãe não melhorava. Sua pele amarelou, assim como o branco dos olhos, a carne murchou e a pele pareceu grudar nos ossos, manchada, seca e quebradiça... e quando ela não estava dormindo, estava gritando e chorando de dor... – ele engoliu em seco, lembrando de um dia, onde ele e Shiera estavam sentados abraçados no chão, escutando a mãe gritar, pedindo para morrer logo. Os dois tremendo de medo, completamente aflitos. Então Aegon, sempre forte, abriu a porta e se sentou com eles e os abraçou. Achou que ficaria mais calmo, mas quando escutaram o grito de sua mãe, implorando que seu pai a matasse logo, nem mesmo Aegon foi capaz de aguentar e os três choraram juntos a noite toda, por mais que Aegon já fosse um homem feito – Perto do fim ela passou a dormir todo o tempo, graças ao leite de papoula. Eu, Shiera e Aegon ficávamos de vigília, querendo que ela acordasse, nem que fosse para que pudéssemos nos despedir... mas ela simplesmente parou de respirar e a última vez que escutei a voz dela, foi num grito de lamento, pedindo para morrer... – ele engoliu em seco, completamente infeliz – Aegon fugiu para o mar, parando de acreditar em magia, em deuses, ou no que quer que fosse. Meu pai não quis ficar no castelo, mas não quis negligenciar minha educação ou a de Shiera. Então nos mandou para outros lugares, para que outros nos criassem... Shiera veio pra Porto Real. Eu fui enviado para Pedra do Dragão... – ele deu um sorriso infeliz e deu as costas para o mar se sentando ao lado de Lady Sansa, pegando uma uva escura – Perdi as contas de quantas vezes eu andei até a ponta de uma das torres, para olhar o mar lá embaixo, me sentindo abandonado por todos... quantas vezes eu pensei em simplesmente pular, para quem sabe voltar a ver a minha mãe... não daquele jeito horrível que foram os últimos meses dela... mas o jeito que ela realmente era. Forte, risonha e amorosa... – ele engoliu em seco – Mas sempre que eu estava para fazer, alguém aparecia e dizia que não era aquilo que ela iria querer... e eu ficava revoltado. Como qualquer um deles poderia saber o que ela iria querer? Nenhum deles jamais a tinham visto! E eles me mantinham lá. Preso. Longe da minha família. Dos meus irmãos, do meu pai. E eu segui lá, abandonado. Tentando aprender qualquer coisa com Stannis. Passando as noites em claro, abraçado com o travesseiro, me sentindo desprezado e sozinho... sem comer direito, sem beber direito, sem aprender direito, sem estudar direito... sem fazer nada direito. Apenas respirando. Apenas continuando a existir... sobrevivendo no lugar de viver. – murmurou mirando a uva, para então apertá-la na mão, sentindo o suco morno escorrer para a mesa – Mas então... eu sonhei com ela. Com a voz dela. Com o toque dela. Me chamando de “meu pequeno príncipe”. Acordei ainda procurando pela voz dela e fui seguindo... não sei... o instinto... não sei... realmente não sei... – fez uma pausa, suspirando tristemente – Fui parar no septo, em frente a uma estátua da Mãe e dormi lá. E sonhei com a Mãe... a minha, ou uma das face dos Sete... sonhei com ela me acalentando, pedindo para que eu não me entregasse... pois ela tinha vivido por mim e seria muito egoísmo simplesmente jogar todo o esforço dela fora, simplesmente porque eu estava infeliz. – calou-se por um momento e pegou um lenço para limpar a mão da uva amassada. Depois pegou outro lenço. Um seu, com o brasão Blackfyre – Então... pare de sobreviver e viva, Sansa. – murmurou estendendo o lenço para secar as lágrimas dela – Perdoe-me por não ter te contado sobre a sua mãe, Sansa... mas... eu não tive estômago para isso... para falar que ela tinha morrido, pelas mãos da minha irmã... é um assunto delicado pra mim. Sempre foi e sempre vai ser. – murmurou entregando o lenço para ela – Mas eu nunca menti pra você, Milady. Eu não tive participação em nada disso... e pelo o que eu conheço da minha irmã, ela o fez porque não tinha escolha. Ela jamais escolheria matar a mãe de alguém apenas por crueldade. Ela sabe como é... ser órfã de mãe... e de pai, levando em consideração o que o nosso fez. – murmurou triste, se sentando de maneira mais confortável em sua cadeira – Então coma. Mesmo aos poucos. Mesmo que seja difícil... faça um esforço. Você precisa ser forte, porque você é uma Stark de Winterfell e por honra aos seus entes queridos caídos, você deve ser forte e mostrar a todos que os Stark são fortes. E que o Norte jamais vai esquecer. – disse ele. Sansa o olhou desolada, chorando em silêncio, segurando seu lenço com força. Então ela suspirou e pegou uma colher, para provar a torta de pombo. Sorriu gentilmente para ela e ficou a observá-la comer. Sentiu o olhar de Shae e notou que ela parecia grata pelo que ele tinha feito. Apenas acenou positivamente com a cabeça e acabou pegando mais uma uva, para experimentar o sabor – Tyrion é bondoso com você? – perguntou depois de uns minutos de pesaroso silêncio.

—Ele tenta. – confessou Sansa – Mas... mas... ele é um deles... ele é um Lannister. – chorou ela, enquanto se obrigava a comer. Notou que ela tentava segurar o choro também – Eu nunca mais vou me permitir confiar neles. Em nenhum deles.

—Tyrion não é má pessoa.

—Eu não me importo. – disse Sansa com mágoa na voz – Eu odeio todos eles.

—Não julgo. – murmurou baixinho – Tenha uma tarde agradável, minha senhora... não vou incomodá-la...

—Não... por favor. – pediu ela segurando sua mão­ – Fique... fique e eu comerei tudo. – disse ela.

—Está bem. – murmurou. Sansa comeu aos poucos, num silêncio cheio de pesar. Não falaram muito, pois estavam bastante emocionados e sensíveis. Quando sair daqui, irei ao septo... acenderei velas para os Sete...— Lady Sansa... ainda lembra do que prometi a você no dia que me consagrei cavaleiro? – perguntou calmamente. Sansa o olhou e compreensão tomou seus maravilhosos olhos azuis – Pretendo cumprir aquela promessa.

Ela sorriu um sorriso cheio de esperança, mas ele durou apenas alguns segundos e ela voltou a comer.

Só saiu de lá quando Tyrion chegou e quando Sansa tinha comido consideravelmente bem. Se despediu de maneira polida e cortês, como se fossem pessoas importantes que ele não conhecesse bem, depois deixou a sacada. Saiu da Fortaleza Vermelha, dispensou Bry e se dirigiu ao Septo de Baelor. Comprou algumas velas com um vendedor do lado de fora e quando entrou no Septo se lembrou que a última vez que entrara ali fora no casamento de Sansa e Tyrion, quase um mês atrás.

Acendeu uma vela para o Guerreiro, pedindo que ele protegesse Aegon e a si mesmo, pois a cada dia que passava se tornava mais como o irmão e menos como o pai. Depois acendeu uma vela para a Donzela, pedindo para que ela abençoasse seu amor e o de Sansa, abrindo o caminho para que um dia os dois pudessem ficar juntos. Outra vela para a Mãe, para proteger sua irmã, onde quer que ela estivesse. Outra para a Velha, para que ela o abençoasse com sua divina sabedoria. Depois acendeu uma para o Pai, para que ele guiasse sua mente e seu coração. Não acendeu uma para o Ferreiro e nem para o Estranho, pois não via o que poderia pedir para eles. Então deu meia volta e saiu. Suas orações tinham levado muito tempo e já estava escuro quando voltou para a Fortaleza Vermelha.

Caminhou pesaroso até seus aposentos, sentindo-se muito velho. Suspirou e abriu a porta, pronto para deitar-se e apreciar uma boa leitura, quando notou que havia duas pessoas em seu quarto. A primeira delas lhe dirigiu um sorriso de imensa satisfação e se jogou em seus braços, lhe roubando um beijo. Pensou em afastá-la, mas a segunda pessoa lhe lançou um olhar muito autoritário. Por um momento lembrou-se de Tywin e notou que não tinha muita opção. Apenas envolveu a cintura de Myrcella e a beijou de volta. Quando ela o soltou, ele pode olhá-la melhor.

O tempo que Myrcella estivera em Harrenhal lhe fizera muito bem. Pelos Sete... Já faz um ano que não a vejo... Ela estava mais alta e mais bonita, com o corpo mais carnudo e maduro. Minha noiva... por que não consigo olhar pra ela com os mesmos olhos que miro Sansa?

Myrcella notou que ele não parecia feliz e corou completamente sem jeito.

—Oh, meu senhor... eu o aborreci?

—Não, minha senhora. – murmurou cabisbaixo – Apenas não estou em um bom dia. – murmurou sem esconder seu pesar – Permita-me descansar e logo lhe darei a atenção que merece. – prometeu segurando as mãos da princesa. Ela o olhou com os olhinhos verdes e apaixonados.

—Pareces tão triste, meu senhor... o que passou?

Valerion tentou sorrir, mas achou que soaria falso, então desistiu no meio do caminho. Apenas negou com a cabeça e beijou a noiva na testa, para então rumar até o pai.

—Você cresceu, Valerion. – murmurou Lorde Haegon o olhando de cima a baixo – E está mais forte também. Suas roupas parecem estar justas. – adicionou ele e Valerion concordou.

—Estou passando muito tempo treinando a espada. – murmurou sem olhá-lo nos olhos. Tinha certeza que ele já deveria ter escutado sobre a maneira que tinha se portado no casamento de Sansa – Isso fortaleceu meu corpo.

—Bem... parece cansado. Não iremos incomodá-lo. – disse Lorde Haegon calmamente – Por que não vai descansar. Conversaremos pela manhã. Tenho que entregar uma certa donzela para a mãe, antes que Cersei resolva me ter morto por traição, por esconder a senhora sua filha.

—Sim, meu pai. – murmurou sem entusiasmo, retirando a capa e a colocando em cima da cadeira.

—Valerion. – chamou seu pai e o garoto o olhou – Antes de me retirar, eu tenho um presente para você. Por ter sido consagrado cavaleiro. – Valerion o olhou curioso e seu pai lhe mostrou algo em cima da mesa. Algo enrolado numa manta vermelha, num tom escuro, com o dragão negro desenhado, com bordados bonitos em fios de ouro. Era grande como uma perna e ele ficou curioso olhando para tal embrulho. O segurou e notou o peso e a textura. Algo duro. Desenrolou a manta e viu um bonito cinto de couro, pintado de vermelho, incrustado de diamantes negros. Uma bainha belamente trabalhada, com um relevo que lembravam escamas. O punho era bonito, com entalhes que lembravam asas e o final do cabo da espada era, sem dúvidas, a cabeça de um dragão. Entre o punho e a lâmina havia um rubi maior que um olho, brilhante e reluzente. Olhou para o pai, surpreso, e tirou a espada da bainha. O aço valiriano, diferente dos outros aços, brilhou reluzente e belo, com as marcas típicas do material – O que acha?

—É a sua espada? – perguntou em choque. Seu pai não era de usar Blackfyre, mesmo antes de entregá-la a Aegon. Ele tinha a própria espada, feita do aço valiriano que ele havia resgatado de Valíria. A primeira entre as que ele tinha feito. Dragonblood. Valerion engoliu em seco, admirando a bela lâmina. Sempre a tinha achado mais bela que Blackfyre, que era maior e mais pesada, com três cabeças enfeitando o punho e o cabo, simbolizando as três cabeças do dragão – Por que está me dando sua espada? – perguntou chocado. Foi quando olhou o pai de verdade. Lorde Haegon lhe deu um sorriso fraco e Valerion notou as manchas em seu rosto. As rugas e o cabelo já completamente branco. Ele tinha uma barriga que não costumava ter, inchada, como a de uma grávida, mas o resto do corpo era fino e fraco. Com mãos enrugadas e esqueléticas por baixo dos belíssimos trajes em negro e vermelho.

—Eu queria ter a chance de te entregar a espada pessoalmente. Mas conversaremos depois. Dragonblood é sua, Valerion. E em breve Harrenhal será também. Agora fique aí e descanse. – disse seu pai lhe dando tapinhas nos ombros – Eu irei providenciar roupas para você. Trouxe algumas de Harrenhal, é claro. Acho que caberão. Não pode ir ao casamento de Joffrey com roupas apertadas.

Valerion observou seu pai se retirar, ainda segurando a espada em mãos. Myrcela saiu junto com ele. Engoliu em seco e admirou por mais um momento, tendo ciência de que tinha se interessado muito mais pela lâmina do que pela noiva. Mas sinceramente, não se importava. Quando a porta se fechou, jogou a bainha em cima da mesa e moveu a espada de um lado para o outro, admirando sua leveza e seu brilho. Por um momento se sentiu um moleque e até esqueceu-se de seus pesares. Tudo o que queria era encontrar Loras e mostrar seu presente. Mas achou melhor não. Não podia ser um idiota. Ainda mais agora com o pai ali. Guardou sua espada e pegou um de seus livros para ler e foi o que fez até sentir sono e se preparar para dormir.

Teve um sonho agitado, onde brandia sua espada contra um monstro gigante, observado por várias pessoas sem rosto. Acordou no meio da noite sentindo alguém tampar sua boca. Piscou, surpreso e notou que era Margaery, segurando uma vela num pires. Quando respirou se recompondo, ela retirou a mão. Margaery usava um vestido muito simples, de dormir, mas seus ombros estavam cobertos por uma manta grande e pesada verde e ouro, com várias rosas douradas desenhadas em alto relevo. Os cabelos dela estavam soltos, sem penteados e ela estava só, sem a companhia de suas primas.

—Milady? – perguntou confuso. Ela sorriu e colocou sua vela em cima de uma pequena cômoda ao lado de sua cama.

—Não consegui dormir. – murmurou ela – Estou ansiosa... por causa do casamento. – Valerion suspirou e se sentou, concordando com um aceno de cabeça – Eu estou com medo... de Joffrey. – disse ela o olhando com aqueles olhos cor de mel. Valerion engoliu em seco e respirou fundo, concordando com um aceno de cabeça.

—Seria tola se não estivesse. – sussurrou – Milady, o que faz aqui? – perguntou ele, curioso. Lady Margaery suspirou e sentou-se mais próxima dele.

—Já disse... estou nervosa, por conta do casamento. Faltam poucos dias. – disse ela e ele concordou – Logo terei que ser apenas de Joffrey... até o fim dos meus dias... – suspirou ela e Valerion concordou com um aceno de cabeça. Lady Margaery tocou seu peito e ele respirou fundo, sentindo seu corpo reagir ao toque dela. Não deveria se deixar levar assim, mas tinha uma bonita moça em sua cama, o olhando nos olhos e tocando seu peito nu. E Margaery nunca lhe parecera exatamente inocente... – Eu sei que jamais poderei esperar carinho de Joffrey. – disse ela e Valerion concordou – Queria saber, pelo menos uma vez... o que seria... – ela se aproximou um pouco e ele a segurou pelo pulso.

—Minha senhora. Está noiva do meu rei e eu estou noivo da princesa... – disse desesperado, tentando ignorar o volume que se formava dentro de seu calção de dormir – Isso é extremamente inapropriado.

—Por favor. Uma noite. Uma noite apenas. – disse Margaery se aproximando e o empurrando de leve no peito. Sentiu o corpo dela engatinhar por cima do seu e notou que tinha se deitado. Margaery baixou o vestido, lhe mostrando os delicados seios e ele respirou fundo, admirando o desenho do corpo dela.

—Milady... – murmurou tentando pensar num bom motivo para não seguir com aquilo. Mas sua cabeça não conseguia encontrar nada – Isso... isso não é... uma boa ideia.

Mas Margaery estava desatando seu calção, com velocidade. Ele engoliu em seco, novamente e quando Margaery desatou o nó, seu membro viril pareceu saltar para fora, completamente pronto para aquela loucura. Margaery colocou três dedos na boca e os chupou de maneira sensual, fazendo com que Valerion engolisse em seco. Depois ela levou as mãos para o meio das pernas, ainda escondido pelo vestido. Notou que ela estava umedecendo o local e ele entendeu que não teria nada que o fizesse desistir do momento. Ela seria sua futura rainha, seria uma péssima ideia contrariá-la. O quão pior que Cersei ela pode ser? Lady Margaery levantou o quadril e então o segurou com firmeza, o olhando nos olhos. Ela o guiou para dentro de si e então se sentou, roubando um gemido baixo de Valerion. Ela não era a primeira mulher que ele tinha, mas ao contrário de Tyrion ou Aegon, ele nunca tivera muitas. Apenas algumas poucas putas. Margaery era a primeira dama com quem fazia aquilo. A primeira mulher que não esperava moedas em troca. Se sentou de uma vez, a olhando nos olhos e a segurando na cintura. Ela se remexeu lentamente e ele engoliu em seco, gostando mais do que poderia imaginar. Ela segurou seu rosto com as duas mãos e lhe roubou um beijo gentil e sensual. Um beijo que combinava com sua maneira lenta de mover o quadril.

Os dois respiraram fundo, como se ainda estivessem assimilando o que estavam fazendo e Margaery moveu novamente o quadril, obrigando-o a segurá-la com firmeza, como se ela fosse mudar de ideia e fosse deixá-lo ali. Se beijaram de novo, mais um pouco, mas com um dos movimentos de quadril dela, foi a vez dela sussurrar um gemido, jogando a cabeça para trás. A beijou no pescoço com cuidado, pois não poderia deixar marcas, e se deixou levar pelo momento de loucura. Gostou quando ela sussurrou seu nome e ele sussurrou o dela também. Ficaram muito tempo naquilo, envolvidos em beijos molhados e sussurros secretos, abraçados um no outro. Sentiu o cheiro de flores dela e o brasão das flores pareceu extremamente apropriado.

Em determinado momento ela abriu a boca, formando um círculo perfeito, tremendo em cima de si e ele entendeu que ela tinha alcançado as nuvens. Sorriu feliz e esperou que ela terminasse e quando ela o fez, continuaram do mesmo jeito, até que fosse a vez dele. Depois, suados e ainda com muitos beijos para trocar, deitaram-se sob o cobertor, para continuarem o que não queriam terminar. Lady Margaery só foi embora quando o dia estava para amanhecer e Valerion se sentiu completamente confuso e perdido... o cheiro dela estava em seus lençóis, seu travesseiro e em si mesmo. Alguns fios de cabelos castanhos ficaram presos em sua cama.

Aquilo era prova absoluta que não passara de um sonho maluco. Mas agora a responsabilidade daquilo o atordoava. Ela era uma dama. Não era uma qualquer. Era a filha do grande Mace Tyrell e ele a tinha possuído. Ela era sua futura rainha, mas eles tinham transado... poucos dias antes dela casar. Procurou pela cama por sinal de sangue, mas não encontrou. Mas isso não o acalmou de forma alguma. Se arrumou da melhor maneira possível e prendeu sua nova espada na cintura. Olhou-se no espelho e ficou sem saber o que pensar de seu futuro. Estava apaixonado por Sansa, que se casara com Tyrion, colocada longe de seu alcance. Estava noivo de Myrcella, a irmã de Joffrey, mas foi pra cama com Margaery, a noiva do rei, em breve rainha dos Sete Reinos... e pra piorar tudo, seu pai estava no castelo. Seu estômago se contorceu com força.

—Estou perdido... – resmungou pressionando a ponte do nariz.

Notas finais
Eeeeeeeeeeeeeita! E agora, heim?! xD Valerion e Margaery, coisa de uma noite apenas, ou terá futuro? Em breve, no Globo Reporter E o Aegon FINALMENTE conseguiu o tão desejado momento com a Dany ♥ Ele está tão apaixonado ahsuahsuahsua xD O que estão achando? O que acharam do Valerion contando sobre a mãe dele? A história deles é tão triste. A doença que ela teve foi algo como um câncer ósseo =/ Muito triste, muito triste. u.u Bem... vou colocar umas prévias, só porque eu não coloquei no último e nesse capítulo eu não tive tempo pra arrumar o banner "-Afinal em breve serei uma Blackfyre. – disse ela com um sorriso feliz – Apesar de minha mãe não gostar muito disso. – Valerion a olhou curioso – Ela disse que você se apaixonou por Lady Sansa. – adicionou ela num discreto tom censurador. Não perdeu tempo negando aquilo e apenas desviou o olhar – Mas tudo bem, porque você será meu e eu serei sua. Sansa está bonita, mas eu estou mais, não estou? – perguntou ela e Valerion suspirou, tentado a dizer que não gostava de loiras." Saia justa, Valerion shuashuahsa Tem treta no próximo capítulo também, além de umas pistas sobre um personagem querido, que não aparece já faz algum tempo...