Blackfyre

46 Um Sentimento que Cresce


Notas iniciais
Olá, meus amores! Tudo bem? Venho aqui postar mais um capítulo, nesse feriado. Estou presa numa aula muito chata e não sei se vou ter tempo amanhã. Então vou postar hoje mesmo! Eu espero que gostem! Beijos!

Um Sentimento que Cresce

Valerion se levantou de uma vez suado e assustado. Ele ficou sentado em sua cama, respirando rapidamente. Myrcella o olhou curiosa e se sentou também, com o cobertor escorregando de seus ombros nus.

—Meu amor? O que houve? – perguntou sonolenta. Tinha escapado para o quarto dele novamente. Sua mãe estava ciente desse hábito e decidiu por não criar caso. Certamente pensava que Valerion e ela estavam transando, mas nada poderia estar tão longe da verdade. Valerion tinha caído em tentação uma vez, e uma vez apenas. Por mais que o provocasse e instigasse, ele insistia em “não macular sua honra”. Em sua opinião o que havia para ser maculado já tinha sido e ele podia parar com aquele zelo todo. Estava pegando fogo – Um pesadelo?

Valerion levantou da cama olhando ao redor e andou até a janela para abri-la. Um vento frio entrou e Myrcella se escondeu sob o cobertor. Ele se curvou, olhando lá embaixo e então sacudiu a cabeça.

—Sonhei que estava caindo. – resmungou ele parecendo se acalmar e se virando para encará-la – Odeio sonhos assim. – adicionou ele cruzando os braços – E o que a senhorita faz no meu quarto novamente? Sua mãe vai mandar cortarem minhas bolas qualquer dia desses. – adicionou ele. Myrcella suspirou e deu de ombros.

—Mamãe sabe que eu venho passar as noites com você. – disse calmamente e Valerion a olhou parecendo surpreso – Ela não gostou muito, mas concordou em não fazer isso virar um problema. – adicionou – Ela sabe que eu te amo e que é importante para nós que você se case comigo.

—Ela não se importa em te usar dessa maneira? – perguntou Valerion coçando a barba que crescia ao redor de seu rosto quadrado.

—Não está me usando. Eu quero isso. – riu Myrcella dando uns tapinhas no colchão – Esclarecido isso, poderias voltar para cama, futuro marido? – perguntou travessa. Valerion suspirou e olhou para Myrcella com alguma intensidade.

—Você é uma constante tentação para mim sabia? Eu tento ser um bom servo fiel aos Sete, mas você... – ele deu uma risadinha, revirando os olhos – Só me complica.

—Qualquer dia desses vou achar que não te apetece certas complicações.

—Hum?

Ela se deitou esticando a mão para a perna e saindo de debaixo da coberta, para exibir seu corpo adolescente. Sabia que era bonita e sabia que ele a desejava. Só queria que ele parasse de resistir ao desejo.

—Já começam a sussurrar nos corredores, meu amor. Como te encantas mais os momentos com Loras do que os comigo. E sabes o que sussurram sobre Loras. – adicionou maldosamente e Valerion deu de ombros.

—Confesso que ele é bem jeitosinho, o Loras. – disse ele tentando parecer distraído, mas ele não aguentou a própria piada e caiu na risada. Myrcella, que num primeiro momento tinha ficado em choque, logo o acompanhou na risada – Não. Não tenho o menor interesse em Loras Tyrell... – ele veio se aproximando e se ajoelhou na cama, vindo a ficar entre seus joelhos – Não desse tipo, pelo menos. Ele é meu amigo.

—E não te preocupas de que algum dia possa conquistar mais do que afeição da parte dele?

—Loras sabe que eu não gosto desse tipo de coisa. – disse Valerion alisando suas pernas. Ele estava usando uma calça folgada de dormir e ela logo notou o volume do interesse dele – Existem muitos capazes de retribuir o interesse dele, não apenas na corte, sabes? – perguntou ele segurando sua perna e mordiscando seu pé. Myrcella sorriu e se sentou, com seus dedos indo ágeis até o cordão da calça – Myrcella. Não somos casados ainda. É pecado. – disse ele num tom censurador.

—Não é pecado maior do que mentir em nome dos deuses em um tribunal. – alfinetou ela e ele fez uma careta.

—Conto com o perdão dos deuses, já que minhas intenções eram as melhores: salvar um homem inocente. – adicionou ele – E se eles não me perdoarem por isso, tenho que me manter na linha para não desagradá-los mais. – disse ele segurando suas mãos com firmeza – Escute, meu amor, em breve estaremos casados e eu irei acalmar todo esse fogo que sentes. Mas por enquanto vamos manter as boas...

—Oh, cale-se, Valerion. – ralhou o beijando. Sentiu o homem se arrepiar e o arranhou nas costas – Eu quero agora. – disse o abraçando aos pouquinhos, passeando as unhas de leve pelo pescoço e nuca dele. Ele respirou fundo, como que tentando se conter – Uma ordem, da sua senhora. Me ame. – pediu ela o olhando nos olhos – Como naquele dia, antes de sua luta com o Montanha. Quando me possuiu toda a noite e despejou sua semente em mim, olhando em meus olhos. Vamos, Valerion. Por favor. – disse ela e Valerion engoliu em seco – Eu sou uma princesa implorando que você me ame. Por favor.

—Os deuses... – disse ele como que procurando uma desculpa – Ah, que se dane. – resmungou ele a deitando de uma vez. Myrcella sorriu vitoriosa e quando Valerion a penetrou, foi tão de repente que ela gemeu bastante alto. Ele a olhou em pânico e os dois deram uma risadinha – Olhe as coisas que me fazes... – ralhou ele enquanto a beijava cheio de desejo no pescoço.

—Eu te faço fazer o que desejas fazer. – riu Myrcella. Valerion parou no mesmo momento e a olhou travesso.

—Andas muito convencida, princesa. – disse ele e Myrcella o arranhou nas ancas.

—Cale a boca. Eu quero ação, senhor Lorde de Harrenhal. – Valerion sorriu um sorriso triste e ela se deu conta que tinha tocado num ponto sensível. Fazia pouco tempo que ele se tornara o Lorde de Harrenhal. Lamentou-se pela brincadeira e estava para se desculpar, quando bateram na porta. Valerion rolou para o lado num salto e Myrcella se escondeu nos cobertores.

—Lorde Blackfyre. – disse a voz fina e sonolenta de Bry – Lamento por acordá-lo. – disse o rapaz.

—Se não for um chamado do rei ou da rainha, deixe para amanhã, Bry. – ralhou Valerion.

—Mas é um chamado da rainha... – disse Bry e Myrcella jogou a cabeça para trás, em desânimo.

—Entendo... eu já vou. Não abra a porta, Bry. – disse Valerion a olhando enfadado – Fique aí, pense nesse momento que estávamos tendo e não se distraia dele em momento algum. – disse ele se levantando para voltar a se vestir.

—Eu não corro risco de desistir. Quem sempre inventa desculpas es tu e não eu. – ralhou Myrcella e Valerion corou de leve.

—Eu tento ser um homem devoto. – disse Valerion. Myrcella sorriu e abraçou o travesseiro – Mas tu es um poço de tentação. – sorriu ele ficando de quatro na cama para morder-lhe o traseiro – Eu volto e continuaremos, certo?

—Cobrarei seus votos, meu amor. – disse Myrcella o puxando para um beijo. Valerion veio molemente para beijá-la de volta, mas logo voltou a se arrumar. Quando ele saiu, Myrcella ficou sozinha no quarto. Suas partes estavam muito molhadas pelo desejo que sentia. Tocou-se de leve, gostando de se afagar na região. Gostando de como seus dedos deslizavam por sua fenda, lhe causando calafrios. Mas esperou e esperou.

Suspirou e ficou rolando na cama. Queria que Valerion voltasse logo. Mas ele não voltou. Ficou contando os segundos e acabou dormindo. Acordou no dia seguinte, sentindo o corpo quente dele a lhe abraçar. Piscou revoltada por ter caído no sono e se virou para olhá-lo. Ele dormia profundamente. Provavelmente não desejou acordá-la. Praguejou mentalmente por ter perdido a oportunidade e se sentou para observar seu futuro marido. Quando ele passava, as donzelas suspiravam. Todas riam tolamente quando ele lhes dirigia uma palavra ou outra. Mas Myrcella podia beijá-lo sempre que quisesse. Ele era completamente dela.

Puxou os cobertores, e notou que Valerion novamente estava apenas com a calça de dormir. E os cordões estavam desamarrados, provavelmente porque chegara cansado demais da reunião para se vestir. Se perguntou que tipo de coisa tão urgente sua mãe desejara conversar com ele tão tarde da noite. Suspirou olhando o rosto bonito dele e o beijou na testa. Depois no queixo que estava coberto por macios fios platinados. Beijou-lhe o pescoço, colocando um pouco mais de língua, além dos lábios. Beijou o prometido no peito forte e depois na barriga. Valerion remexeu-se no sono e ela o lambeu na altura do umbigo.

—Minha senhora... – murmurou ele. Não tinha certeza se ele estava acordado ou dormindo. Baixou as calças dele, o acariciando e Valerion soltou um longo suspiro. Então notou o cheiro de vinho. Piscou se perguntando o motivo, mas decidiu não pensar nisso naquele momento. O acariciou até deixá-lo duro. Valerion piscou confuso e a olhou, mas não reagiu mais do que isso.

—Meu amor... – murmurou ela e Valerion sorriu ainda sonolento – Quero cobrar o que me prometeste.

—Claro... não esqueci, minha senhora. – murmurou ele ainda parecendo estar dormindo – Vamos nos casar em Harrenhal. Meu coração é somente seu. – prometeu ele e Myrcella sorriu. Subiu em cima dele, como um cavaleiro monta um cavalo. Segurou o membro de seu prometido e o guiou para dentro de si. Valerion fez uma cara de satisfação e piscou, parecendo acordar de fato – Princesa Myrcella... – murmurou ele um pouco desorientado.

—Claro, quem mais seria? – perguntou Myrcella se perguntando se ele estivera sonhando com outra, mas Valerion se sentou, um pouco desengonçado e a abraçou, escondendo o rosto em seus seios.

—Achei que era apenas um doce sonho. – murmurou ele – Lamento, estou bêbado. – disse ele com a voz arrastada – Tua mãe está furiosa.

—Não quero conversar sobre minha mãe. Quero que...

—Meu irmão voltou para Westeros. – disse Valerion a interrompendo e Myrcella sentiu um frio lhe subir a espinha – Ele tem um exército mortal e bem treinado. Dez mil homens e um dragão.

Myrcella piscou sem entender e fez Valerion olhá-la. Os olhos dele estavam fundos e os dentes escuros pelo vinho.

—Desculpe... dez mil homens e o que?

—Um dragão. – riu Valerion parecendo feliz – Meu irmão tem um dragão, Myrcella. – ele riu de novo – Tua mãe me fez escrever uma carta para ele. – Valerion engoliu um arroto, franzindo o cenho – Exigindo que ele viesse jurar lealdade a Tommen... eu disse que era mais fácil ele queimar a cidade e reduzi-la a cinzas. – Valerion sorriu de novo – Então ela mandou uma carta, falando que se Aegon não deixasse Westeros, ela iria me matar, e mataria Shiera também. – Valerion se deixou deitar na cama a acariciando no quadril – Nosso noivado está cancelado, por enquanto.

—O que?! – rosnou ela – Não mesmo! – disse ela pulando da cama e indo procurar suas vestes – Vou falar com mamãe nesse exato momento.

—Não percas tempo. – riu Valerion e ela o olhou se perguntando se ele se daria por vencido tão facilmente – Não precisamos da ordem da sua mãe. Precisamos de uma ordem do rei. – Valerion se sentou e apontou para a mesinha – Faça seu irmão ler e assinar. – disse ele apontando para um pergaminho.

—O que é isso? – perguntou Myrcella.

Valerion suspirou bêbado novamente.

—Minha nomeação como Mão do Rei... e uma ordem, mandando a sua mãe para Casterly Rock. – disse Valerion de cenho franzido – Fale com Tommen quando ele estiver com Margaery. Ela vai ajudar a convencê-lo. – disse Valerion – E então venha me dizer como foi. Estou cansado da sua mãe ameaçar me matar uma vez a cada semana. – ele resmungou e abraçou o travesseiro – Peça para Bry me preparar um desjejum e um banho. E quando você voltar... – ele suspirou com os olhos fechados, parecendo muito bêbado – Eu vou terminar o que começamos ontem a noite. – disse ele e Myrcella engoliu em seco.

—Você quer que eu traia a minha mãe? – perguntou segurando o pergaminho e Valerion a olhou muito bêbado.

—Foi sua ideia, não minha...

—Fazer de você Mão do Rei... não mandar minha mãe embora. – lamentou Myrcella. Valerion se levantou e suspirou.

—Como quiser. – disse ele parecendo ainda muito sonolento e bêbado – Mas se sua mãe ficar aqui, ela vai continuar se colocando entre nós e jogando conosco. Eu não suporto isso. – resmungou ele e Myrcella apertou ainda mais o pergaminho contra o peito – Estou abrindo mão do meu passado, da minha família e... – ele respirou fundo – Eu não fui ver minha irmã até hoje... – ele franziu o cenho – Sua família só me trouxe dor e tristeza. Seu irmão me atormentou, sua mãe me atormentou, eu arrisquei a vida pelo seu tio e pelo seu irmão. – Ele soluçou de novo, por conta da bebida – E você me fez passar ridículo aquele dia... – sentiu as bochechas corarem por seu descontrole – E fui compensado com ameaças, desconfianças e ingratidão. Com facas nas costas e com desrespeito. Tudo o que eu peço é que você tire sua mãe daqui para que ela não fique no nosso caminho. Ela usa você e seu irmão, não sei como não notaram isso. – ele deitou novamente – Mas faça como quiser. Eu fiz todos os sacrifícios por nós e você?

—Está dizendo que eu não fiz?! – perguntou sentindo um pouco de raiva e Valerion não respondeu, já deitado novamente, abraçado com o travesseiro – Ah, não! Nada de dormir! Nós vamos terminar essa conversa.

—Já terminamos. – disse ele abraçado com o travesseiro – Me deixe dormir um pouco. Em breve sua mãe me coloca numa cela, do mesmo jeito que seu avô fez. Quem sabe então você me escute.

—Eu vou falar com a minha mãe. – disse Myrcella colocando a carta de Valerion em cima da mesa – Eu vou convencê-la que precisamos de você são e salvo, ou vamos instigar a raiva do seu irmão...

—Me conte como foi depois. – riu Valerion se aconchegando no travesseiro – Só esconda a carta ou a queime... caso contrário, além de uma cela, ainda me decapitam por conspiração. – resmungou ele. Myrcella pegou a carta e a jogou na lareira, imediatamente. Valerion não reagiu.

Ela saiu do quarto dele e foi tentar conversar com a mãe, mas ela estava ferrada no sono. Achou que seria uma péssima ideia acordá-la. Resolveu procurar Bry, para orientá-lo sobre o banho de Valerion. Quando o encontrou, ele estava muito agitado, andando de um lado para o outro.

—Bry. – disse se aproximando – Valerion está muito bêbado. Ele precisa de um banho e de uma refeição... – começou e Bry a olhou assustado.

—O mestre foi levado daqui. – disse ele e Myrcella piscou, em choque.

—Levado?! – perguntou ela – Por quem?

—Guardas Lannisters. – disse Bry – Disseram que ele precisava ir para as...

Mas ela não deu tempo para ele terminar. Correu até as masmorras e quando Payne tentou impedi-la de entrar, ameaçou arrancar os olhos dele da mesma maneira que arrancaram sua língua. Com um olhar cruel, ele deu passagem e ela procurou Valerion pelas masmorras. O achou numa cela qualquer, deitado no chão, completamente apagado. O carcereiro, um homem gordo e mole grunhiu quando ela se aproximou.

—Solte-o. – exigiu, mas o homem se negou – Solte-o! É uma ordem da princesa! Sou irmã do rei, amiga da rainha Margaery. Juro que terá uma morte violenta se me desobedecer! Abra essa cela imediatamente.

O homem soltou um suspiro pesado e se levantou, mancando. Depois foi até a cela e a abriu. Myrcella correu até Valerion e tentou acordá-lo. Ele abriu os olhos, zonzo e sorriu.

—Princesa Myrcella... bela como a Donzela. – murmurou ele – O que disse a rainha, sua mãe?

—Não consegui falar com ela. – lamentou Myrcella – Mas eu estou libertando você agora! – disse assustada.

—Não acho que seja sensato. – riu ele, com sarcasmo.

—Não me importa! – disse zangada – Levanta, Valerion. Vamos! – disse autoritária e Valerion suspirou, tentando se levantar. Acabou por ajudá-lo a ficar de pé e no processo sua mão levantou de leve a camisa dele. Havia um grande hematoma ali, logo embaixo das costelas dele – Como conseguiu isso?

—Rapazes sempre se machucam em treinos, não se impressione com isso. – riu Valerion ficando de pé e tentando dar um passo, mas as pernas dele vacilaram e ele quase caiu. Ele caiu na gargalhada, muito bêbado – Eu te contei que Oberyn quer me apresentar a sobrinha dele? – perguntou Valerion enquanto Myrcella o ajudava a deixar a própria cela – Ele falou que ela é de uma exótica beleza dornesa... e herdeira de Dorne... mesmo que o irmão dele tenha um filho. O gênero não importa na sucessão em Dorne. – ele riu de novo – Já que Aegon ficará com Harrenhal, Dorne me parece um bom prêmio de consolação. – ele disse e ela o olhou furiosa.

—Como é!? – perguntou indignada e Valerion suspirou.

—Não vamos nos casar. – riu ele se desvencilhando dela – Sua mãe não permitirá. – ele suspirou de novo – Apenas aceite, Myrcella. – ele se apoiou numa parede rochosa e foi escorregando até o chão, muito bêbado – Uma pena... eu... eu estava apaixonando-me por ti. Meu dia é sempre uma espera longa demais pela primeira oportunidade de deslumbrar teu sorriso... – ele suspirou de novo – Mas... mas acho que... nunca... – ele calou a boca e ela o olhou confusa. Ele tinha dormido. Sempre soube que ele era fraco com o vinho. Mais de uma vez tinha sido visto a passar vexame por conta da bebida, então não se surpreendeu.

Myrcella se virou e correu até o quarto da mãe, para esmurrar a porta. Foi Taena Merryweather, dama de companhia de sua mãe quem abriu a porta, com um sorriso encantador.

—Princesa... que adorável...

—Cale a boca. – disse furiosa a empurrando e entrando no quarto. Myrcella procurou pela mãe e a viu sentada em frente à penteadeira, trançando o cabelo. Sua mãe respirou fundo, como que já sabendo o motivo dela estar ali – Não quero meu noivo preso. Não quero meu noivado desfeito! – disse autoritária e sua mãe sorriu.

—Você cresceu. É uma leoa, como eu. – riu ela erguendo as mãos. Myrcella segurou as mãos da mãe e se ajoelhou no chão, com os olhos cheios de água.

—Mamãe, eu o amo. O amo já faz tanto tempo. E ele me ama de volta, eu sinto.

Sua mãe sorriu de maneira gentil, e lhe afagou o rosto.

—Valerion Blackfyre conquistou seu coração, mas você não conquistou o dele. – disse sua mãe com carinho.

—Ele me ama, mamãe. Eu sei. Ele me disse. Estava completamente bêbado quando me disse. – disse Myrcella com um aperto no coração. Sua mãe suspirou e ela sentiu o hálito de vinho que se desprendia dela.

—Myrcella. Eu só estou cuidando de...

—Eu sei o que eu quero e eu sei os riscos. E eu quero ser uma Blackfyre! Eu quero me casar com ele. Um dia eu serei senhora de Harrenhal e eu darei filhos a ele. Dragões orgulhosos e belos! – insistiu e sua mãe suspirou – Tu mesmo disseste que eu deveria conquistá-lo e que casar-me com ele seria uma maneira de proteger o trono de Tommen! Por que mudaste de ideia agora?

—Porque recebi um corvo, das Gêmeas. – respondeu sua mãe – Aegon voltou e ele...

—Tem um dragão, sim, Valerion me contou. Ele sempre me conta tudo, ele confia em mim, mamãe. – cortou Myrcella – Ele me contou que ameaçaste a vida dele novamente.

—E ele a está usando contra mim. – disse sua mãe – Ameaçou fazer-te infeliz por toda a vida. – adicionou ela – Ameaçou partir teu coração...

—Estás a mentir. Ele jamais faria isso. – disse se levantando – Ele me ama.

—Ele não ama você. Ele só está tentando te usar. – disse sua mãe levantando-se também – E eu jamais deixaria que alguém como ele usasse minha garotinha...

—Eu não sou uma garotinha! – rosnou Myrcella – Ele me ama e quer casar-se comigo. Disse que iria pagar dois terços de todo o gasto de nosso casamento! Ele dividiu comigo todos os documentos de Harrenhal. Me mostrou tudo que ele tinha, para pedir que eu decidisse quais atrações teríamos em nosso casamento. Ele quer uma cerimônia ainda maior que a do casamento de Margaery e Joffrey! Não percebes todas essas provas de afeição por mim?

—Planos... palavras sem valor escritas em um papel qualquer, Myrcella. – disse sua mãe.

—Não! Por que não entende? Ele me ama, mamãe! Desde o dia em que o pai dele morreu, ele se abriu mais e mais. Ele finalmente esqueceu Sansa Stark. Ele me deseja, mas me respeita. Ele é doce, gentil e nobre comigo...

—Joffrey o era com Sansa também. – retrucou sua mãe – Mas a desprezava. Não compreendes, Myrcella? Para ele, você não passa de um degrau que ele vai usar para subir.

—Subir? Subir onde? – perguntou franzindo o cenho.

—No Trono de Ferro. É o que ele quer. É o que todos eles querem. – explicou sua mãe – Ele e seu tio Tyrion, junto com o príncipe de Dorne... eles conspiram juntos, para nos derrubar. Para destruir a nossa família.

—Tio Tyrion é nossa família, mamãe! Ele jamais faria algo para nos destruir.

—Seu tio sempre foi menosprezado. – disse sua mãe andando pelo quarto e lançando um olhar para a senhora Taena. A mulher compreendeu e saiu, fechando a porta – Ele sempre foi um miserável invejoso. Tinha inveja de mim, de Jaime... por ser um pequeno monstrinho deformado. E na primeira oportunidade que teve, ele fez de tudo para me ferir. Ele machucou e humilhou Joffrey, ele te levou para Harrenhal, te prometendo a aquele rapaz que só quer te usar. – sua mãe mirou seus olhos logo antes de servir uma taça de vinho para si mesma – Ele matou minha mãe, quando ainda era apenas um monstrinho perverso, a rasgando ao meio quando saiu de dentro dela...

—Mamãe! Tio Tyrion não teve culpa! – ralhou – E ele tentou civilizar Joffrey, que era louco. Só a senhora se recusa a ver isso! – disse Myrcella e sua mãe a olhou surpresa – Nossos aliados suspiraram aliviados no dia em que ele morreu, porque ele era perverso. Ele era meu irmão e eu entendo isso. Joffrey era cruel e louco. Ele iria destruir todo o reino no lugar de mantê-lo. Quanto a minha ida a Harrenhal... eu agradeço por ter ido! Não apenas por Valerion. Eu odeio Porto Real. Essa cidade fede a esterco e putas. Ela fede. Harrenhal é fresco, belo, de uma riqueza que eu nunca sonhei ver. Eu já visitei o Rochedo. Em nada se compara com Harrenhal. O senhor Haegon sempre foi gentil comigo, me mostrou milhões de coisas, inclusive o Olho de Deus, onde os represeiros ficam. Onde o esqueleto de um dragão ainda jaz ali, um lembrete do que acontece quando dois dragões lutam. Tio Tyrion, mesmo sendo um anão, colocou uma armadura e foi lutar pela cidade para proteger Joffrey. Valerion, mesmo machucado, escondeu meu irmão e trocou de armadura com ele, para fazer a moral de Joffrey subir. Arriscou a vida para ajudar a nossa família. Contra Stannis! Ele foi escudeiro de Stannis. Sabe o quanto foi difícil para ele fazer isso? Ainda mais porque ele sempre odiou Joffrey! E quando o nome da nossa família foi sujo com aquela acusação horrível contra meu tio, foi Valerion quem abraçou a culpa, mesmo sendo inocente. Ele não tentou matar Joffrey, eu sei não porque ele tenha me dito, porque ele nunca me disse. Eu sei porque ele passou todo o tempo comigo. Ele fez o que fez apenas para salvar nosso tio e tirar a fama de regicidas do nosso nome. Ele aceitou ficar como refém aqui, trabalhou bem por nós, ajudou a manter a população feliz, está nos ajudando a não depender tanto dos Tyrell. Ele não pode ver a irmã dele, não pode voltar pra casa... a cada momento ameaçamos a ele ou a irmã dele, ou o sobrinho dele... e por que? Só porque não sabes confiar em ninguém? Quando foi que te tornaste tão amarga? Por que não consegue ver quando duas pessoas se amam? Por que acha sempre que todos são nossos inimigos? Mamãe, creio que estás a ficar louca! Enxergas rebeliões em todos os cantos. Acham que os Tyrell querem nos destruir, assim como os Blackfyre. Por favor, mamãe... pare com isso...

Ficaram em silêncio por alguns momentos e sua mãe suspirou.

—Você é tão inocente, Myrcella... – disse sua mãe parecendo olhá-la com decepção – Acho que te protegi demais. – sua mãe suspirou – Acho que eu sempre quis te proteger das aflições pelas quais eu precisei passar, que acabei estragando você...

Myrcella piscou, em choque e sentiu-se furiosa.

—Pensas que eu sou estragada? Joffrey era um monstro e Tommen um frouxo! E eu sou a estragada? – perguntou Myrcella e sua mãe a olhou zangada.

—Pare de insultar Joffrey!

—Não! Não irei parar. Ele era um monstro. Pergunte a qualquer um que não tenha medo de você. – respondeu – Eu vou tirar meu prometido das celas das masmorras e eu vou me casar com ele! Porque nós nos amamos e não vamos deixar nem você e nem ninguém se colocar entre nós!

—Você não fará isso. Você é minha filha e fará como eu disser!

—Tenho certeza que o vovô disse o mesmo pra você, tempos atrás. Mas isso não te impediu de trair o rei com Jaime Lannister, não é? – perguntou a olhando intensamente e Cersei Lannister respirou fundo – Somos todos frutos de incesto. Tio Jaime na verdade é meu pai, não é? Ele é pai de Joffrey e ele é pai de Tommen. E é por isso que Joffrey era louco. Pelo menos Tommen não o é. Só é inseguro e tímido, porque foi criado sendo torturado por Joffrey. Então pare com essa hipocrisia. Eu me casarei com quem eu quiser e você não vai me impedir. E se tentar, eu juro que me lançarei ao mar, como Ashara Dayne fez, anos atrás, quando teve seu coração partido.

Myrcella não deu a mãe tempo para responder. Apenas deixou o quarto e avisou os guardas que pegassem Valerion e o levassem para o quarto. Avisou Bry que ele precisava comer e precisava de um banho. Depois foi falar com o irmão e Margaery. Engoliu em seco, sabendo que a mãe jamais iria perdoá-la... mas se ela ficasse ali, iria fazer Tommen infeliz e paranoico.

Seguindo o conselho de Valerion, primeiro foi onde a Rainha normalmente ficava com suas damas de companhia. Não estava muito bem arrumada, mas não se importou. Quando Margaery a viu, ficou ligeiramente surpresa por estar em vestes tão simples e com os cabelos levemente despenteados.

—Princesa. A que devo a honra? – perguntou Margaery com um sorriso gentil. Myrcella respirou fundo e foi até ela, para segurar suas mãos.

—Preciso de um favor teu. – disse deixando que sua agitação ficasse bem clara em sua voz. Margaery piscou e ficou mais séria, com um semblante preocupado. Duvidava que ela realmente se preocupava, mas fingiu acreditar.

—O que houve? O que posso fazer?

—Primeiro ande comigo. Só nós duas, por favor. – disse aflita e Margaery concordou. Andaram apressadas, pelo corredor, deixando as daminhas de Margaery para trás, cheias de sussurros – Precisamos falar com o meu irmão. – disse Myrcella – E ele a tem em grande estima, principalmente depois que se casaram. – disse olhando para frente, decidida. Queria dizer “depois que começaram a transar”, mas achou melhor o eufemismo.

—Eu amo o seu irmão, com todo meu coração. – disse Margaery. Eu sinceramente duvido.

—Mamãe acha que só quer usá-lo. – disse prontamente e Margaery ficou sem graça, provavelmente sem saber a quem adular.

—Bem... é normal que uma mãe tente sempre proteger seu filho caçula. Ela provavelmente acha que...

—Ela acha que você é uma vadia que vai controlar meu irmão para reinar no lugar dele. – disse sem rodeios e Margaery a olhou surpresa – Sem joguinhos aqui, está bem? Não temos tempo pra isso. – disse Myrcella – Podemos nos tornar amigas um dia, mas antes temos que ser aliadas. E nós temos um problema em comum.

Margaery soltou seu braço, já que estiveram caminhando de braços dados e a olhou muito seriamente.

—Cersei Lannister. – disse ela deixando a máscara de rainha-amor-perfeita para trás – O que ela fez com você?

—Ela quer prender Valerion, cancelar meu noivado com ele e talvez matá-lo.

Margaery respirou fundo e concordou.

—É... Loras me contou algumas coisas sobre isso... Valerion não tem descanso com a sua mãe... o que tem em mente? – perguntou ela a olhando novamente.

Myrcella olhou para os lados e baixou o tom de voz.

—Ela precisa se afastar do governo. Tommen não tem uma boa mão por causa dela. – explicou Myrcella – Se minha mãe for para Casterly Rock, meu tio Kevan poderia se tornar a Mão de Tommen... ou então o Mestre das Leis... – a olhou com atenção e Margaery sorriu.

—E Valerion seria a nova Mão? Ou seria enviado para Harrenhal, dispensado de seus afazeres?

Myrcella respirou fundo.

—Ele seria uma boa Mão. Marido da princesa, jamais trairia Tommen. Melhor amigo do seu irmão, faria de tudo para apoiar a sua família. Teríamos uma perfeita aliança Blackfyre-Lannister-Tyrell. Não haveria quem pudesse nos derrotar. Nem mesmo Aegon com um dragão.

—Dragão? – perguntou Margaery.

—Sim. Um dragão. – concordou Myrcella – Com minha mãe agindo por Tommen, provavelmente iríamos ir contra Aegon e perderíamos milhares de soldados. Mas tendo Valerion como Mão do Rei, negociar com Aegon será muito mais fácil. O mesmo vale para o Norte de Shiera. Mantendo minha mãe em Casterly Rock, chamaríamos Shiera para viver aqui em Porto Real, ao lado do irmão dela. Ela criaria o filho dela aqui e quando ele tivesse idade, ele regeria Winterfell. Os Bolton voltariam para Forte do Pavor. Podemos ter paz. Poderíamos fazer uma boa aliança e nos colocar no topo. Só precisamos que minha mãe deixe o poder e vá embora de Porto Real. – disse Myrcella e Margaery sorriu novamente. Ela segurou suas mãos e olhou em seus olhos.

—Eu gostei. Tem toda razão. Podemos ser amigas de verdade um dia. Mas primeiro vamos ser aliadas. Eu já estava plantando essa semente sobre sua mãe no Rei. Com sua ajuda, a ideia irá germinar e crescer bem mais rápido. Vamos.

—Vamos.... antes que minha mãe faça algo para nos atrapalhar. – disse Myrcella e Margaery concordou.

O Rei estava em seu momento de treino. Era Loras e Jaime quem o ajudavam e orientavam. Loras tentava atacá-lo e seu tio/pai, como Senhor Comandante da Guarda Real, supervisionava.

—Tommen, precisa se atentar ao jogo de pés. – explicou Jaime Lannister sacando a espada e mostrando o movimento corretamente. Valerion era bom com os pés, mas seu tio era bem melhor. Todos no reino falavam que ele era o melhor espadachim de Westeros. Ele só não tinha lutado contra Valerion em agradecimento por ter ajudado Tyrion – Vê? Se não conseguir andar direito, vai perder o equilíbrio. Mas com a pisada firme e correta... – ele avançou contra Loras e aplicou golpes poderosos, pegando o rapaz de surpresa. Loras provavelmente o tinha subestimado, pois com cinco golpes a espada do Tyrell caiu no chão com estrépito – Um espadachim deve saber trabalhar com maestria a parte de cima do corpo tão bem quanto a de baixo. Observe o movimento dos quadris. – Jaime fez outra demonstração enquanto Tommen olhava com atenção, mas Loras notou Myrcella e Margaery e pigarreou.

—Desculpe, senhor. Mas temos visitas. – disse ele apontando com a cabeça para as duas. Jaime e Tommen se viraram e os dois sorriram, Tommen mais que Jaime.

—Minha senhora, minha irmã. – disse Tommen gentilmente. Tudo nele era muito gentil e era muito estranho vê-lo de armadura com uma espada na mão. Para Myrcella, ele era o mesmo garotinho que chorava sempre que seus gatinhos sumiam – O que fazem aqui? – perguntou Tommen.

—Precisamos conversar com você, Tommen. É importante. – disse Myrcella e Jaime apoiou a ponta da espada no chão, descansando as mãos no punho.

—O Rei está em um momento importante agora. – disse ele. O cativeiro o envelhecera bastante, mas ele ainda continuava muito bonito. Margaery suspirou, olhando para Margaery, que sorria agitada.

—Mas o que temos para falar com ele é muito importante também. – disse ela – Tenho certeza que irão nos perdoar e entender.

Jaime e Loras se entreolharam, com Loras dando de ombros. Tommen embanhou a própria espada, que herdara de Joffrey, e foi até Margaery.

—No que posso lhe atender, Margaery? – perguntou ele gentilmente.

—Vamos, meu amor. Ande conosco. – pediu Margaery.

**

—Pulgas? – perguntou zangado – Mas só fiquei lá uma hora, talvez duas... não sei... desmaiei. – resmungou Valerion e Oberyn deu uma risadinha.

—Sim, são pulgas. – resmungou Bry, pegando o inseto e lhe mostrando. Valerion rosnou e mergulhou na tina, sentindo a cabeça latejar. Quando saiu de dentro da água, bufou – O melhor a fazer é raspar o senhor... inteiro.

—Aqui não é a Baixada, Bry. Fale com Meistre Pycelle... ele saberá como me ajudar. – resmungou.

—Pensei que não gostasse de Meistres. – riu Bry.

—Não gosto. Mas gosto menos ainda da ideia de ficar careca e sem barba. – resmungou Valerion pegando um pano e se esfregando para se limpar. Bry saiu do quarto, sempre muito eficiente e Oberyn sorriu de novo. Valerion respirou fundo enquanto se lavava e o príncipe de Dorne veio se aproximando. Ficou ligeiramente constrangido com a curiosidade no olhar do príncipe, mas fingiu não notar. O homem ficou de pé ao seu lado, tentado obviamente espiá-lo e isso foi a gota d’água. Se escondeu com as mãos, arrancando uma gargalhada dele – Com licença?

—Não dê atenção a ele, Valerion, só vai piorar. Ele vai achar que está se fazendo de difícil. – brincou Tyrion, que bebia um pouco de vinho, sentado em sua penteadeira. Ele também admirava sua espada, Dragonblood, que estava ali em cima – Essa espada é uma obra de arte. – disse ele.

—É porque não viu a Blackfyre. – disse Valerion – Aquela é a espada mais bonita que eu já vi. – resmungou voltando a se limpar, já que Oberyn tinha se jogado em sua cama, descontraidamente.

—Hum... que delicioso cheiro de mulher. – riu Oberyn cheirando seu travesseiro – Acho que reconheço o aroma da princesa Myrcella.

—Deveria parar com isso. – ralhou Tyrion – Se ela engravida, Cersei vai querer sua cabeça.

—Para engravidá-la, precisaria fodê-la. O que não está acontecendo.

—Claro. Estão apenas dormindo juntos. Esqueci o quanto você é um rapaz virtuoso. – riu Tyrion brindando com ninguém. Valerion deu de ombros e Tyrion interrompeu o gole que estava dando – Espere... você realmente só dorme?

—O que houve? – perguntou Oberyn – A boceta dela fede? – perguntou ele se sentando – Eu já vi uma puta, em Vilavelha, que a boceta cheirava tão mal, que eu não fui capaz de fodê-la. E olha que ela cobrava muito barato.

—Myrcella é completamente adorável e cheirosa. Incluindo as partes dela. – riu Valerion limpando as costelas – Mas eu pretendo transar com ela só depois do nosso casamento... apesar que acho que minhas bolas vão explodir antes.

—Que diferença faz? Você já descruzou as pernas dela uma vez. Por que todo esse zelo? – perguntou Oberyn e Valerion suspirou pensando em Sansa. Céus, que saudades da minha adorável Lady Sansa... preciso voltar a Harrenhal o quanto antes...

—É uma questão de princípios. Não vou perder meu tempo explicando para vocês dois, já que são dois depravados, pervertidos e libertinosos. – ralhou Valerion e Oberyn sorriu.

—Só existe um motivo para não estar trepando com ela. – riu Oberyn – Amor. – Valerion o olhou sentindo a cabeça latejar mais ainda, para coçar o pescoço e matar uma pulga, que estava ali – Se é amor pela princesa, misturado com culpa... ou se é amor a outra donzela... bem... tenho minhas dúvidas. – riu ele e Valerion sentiu um frio na barriga.

—Não me diga que ainda tem sentimentos por Sansa Stark. – ralhou Tyrion.

Valerion engoliu em seco e mergulhou de novo, coçando a cabeça, querendo afogar as pulgas. Mas sabia que era mais fácil se afogar do que afogá-las. Quando levantou a cabeça, escutou a porta abrir e se virou. Myrcella estava lá, com um pergaminho e um ar vitorioso.

—Meu amor, posso conversar, a sós, contigo um momento? – perguntou Myrcella.

—Sempre, meu amor. – respondeu ele calmamente. Sua cabeça latejava e ele queria muito poder dormir um pouco. Mas não queria deitar na própria cama antes de se livrar por completo das pulgas – Só não se aproxime muito... – disse com uma careta.

—Ele está infestado de pulgas. – riu Oberyn. Myrcella lançou ao príncipe de Dorne um grando olhar de desprezo e bufou.

—Está bem. Vai demorar muito pra se retirar ainda? – perguntou ela sem muita cortesia e Oberyn assoviou com um sorriso zombeteiro.

—Hum... alguém não levantou muito bem hoje. Acho que a história da castidade é verdadeira, Tyrion. Tyrion pulou da cadeira, pegando seu vinho e então foi até a sobrinha para beijar-lhe a mão.

—Não deixe Oberyn implicar com você. Ele é um cretino, mas é um bom amigo. – riu ele. Os dois se retiraram do quarto e Valerion suspirou.

—Sabe... não seria correto você esperar eu terminar o banho e... – começou ele, mas ela o cortou.

—Não há nada aí que vá me surpreender. O que havia para ser visto já foi visto. – riu ela e Valerion concordou.

—Em minha defesa, sempre esteve muito escuro. Estamos no meio do dia. – disse ele, querendo ser cauteloso. Não queria que Myrcella ficasse com má fama na corte... e isso era mais por ela do que por qualquer outro motivo. Por mais que a estivesse usando e por mais que não fosse perdidamente apaixonado por ela, sentia pela garota uma grande gratidão e bastante carinho. Algumas noites, abraçado com ela, pensava no quanto poderia ser simples simplesmente se casar com ela, como o pai desejara. Em alguns momentos se sentia confuso sobre o que sentia por Myrcella, apesar de ter absoluta certeza de que não se comparava ao que sentia por Sansa. O que sentia pela ruiva era algo sobrenatural e inexplicável, enquanto seu sentimento por Myrcella estava sendo construído aos poucos de maneira racional e de mérito dela – Desculpe por hoje mais cedo. Mas sua mãe me deu muito vinho. Sabes que sou fraco para vinho, mas não ousei desobedecê-la.

—Não foi nada. Tudo o que disseste era verdade. – disse Myrcella indo até a cama e pegando um pano de algodão – Tome, saia e se seque, preciso te mostrar uma coisa. – disse ela. Valerion engoliu em seco, ligeiramente constrangido, mas concordou. Ficou de pé e saiu da tina, para aceitar a toalha. Myrcella o devorou com os olhos, por um momento, parecendo aprovar o que via e isso o deixou ligeiramente constrangido, por mais que alimentasse seu ego – Eu avisei os guardas que você não deve ser preso de novo. E coloquei alguns guardas Blackfyre a mais na sua porta.

—Está dando ordens aos meus homens? – perguntou com um sorrisinho, se secando. Myrcella se sentou onde antes estivera Tyrion e se serviu um pouco de vinho, com os olhos ainda sobre seu corpo nu.

—Eles não acham ruim proteger você por ordem minha, afinal nós somos prometidos.

—Sua mãe...

—Não importa o que minha mãe diz. – disse Myrcella e Valerion se interrompeu.

—Bem... ela é a Rainha Mãe... – murmurou enrolando o pano ao redor dos quadris e se aproximando de Myrcella – O que ela diz costuma importar para bastante gente.

—Não mais. – riu Myrcella, com os olhos verdes brilhando belamente contra a luz que entrava pela janela. A loira deu um bom gole no vinho e lhe estendeu o pergaminho que trazia consigo. Ele estava lacrado com selo real – Para você.

Sentiu um frio lhe subir a espinha. A olhou, em choque e depois olhou o papel. Rompeu o selo e abriu o pergaminho.

—Um pedido real de desculpas? – perguntou surpreso.

—Minha mãe será enviada em breve para Casterly Rock. – riu Myrcella – Ela vai perder todos os poderes que tinha e nos deixará em paz.

Valerion, por um momento, pensou que era sua nomeação a Mão do Rei, mas saber que Cersei não o incomodaria mais era alegria o suficiente. Tyrion amaria a notícia, certamente. Olhou para Myrcella e sorriu, contente e suspirou.

—Obrigado, Myrcella... eu sei o quanto isso deve ter sido difícil... – começou.

—Não foi. – garantiu ela ficando de pé e deixando o copo de vinho em cima da penteadeira – Eu quero você. Eu te amo, Valerion. E qualquer um que tentar tirar você de mim vai ser retirado do caminho. – riu ela e ele a abraçou ao redor da cintura.

Engoliu em seco e suspirou. Myrcella ficou nas pontas dos pés e lhe deu um beijo lento e cheio de carinho. A beijou de volta sabendo que estava gostando demais dos beijos dela. Myrcella tinha os lábios carnudos e doces e ele adorava ser beijado por ela. A puxou mais para perto, ainda com o vinho anuviando sua cabeça. Myrcella o arranhou de leve na nuca e ele estremeceu. Subiu as mãos pelas costelas dela até encontrar os pequenos e redondos seios da loira. Os apertou de leve e gostou do modo como ela gemeu em sua boca. Ela se aproximou mais, apertando o corpo contra o seu e o pano que rodeava seus quadris caiu no chão.

Aprofundou o beijo, sabendo que não conseguiria resistir a Myrcella por muito tempo. As desculpas esgotavam-se. As mãos dela arranharam suas costelas e suas ancas, o puxando mais para perto e ele se obrigou a interromper.

—As pulgas... – tentou falar.

—Danem-se as pulgas. – riu ela o puxando novamente – Dane-se o mundo, Valerion. Pare de fugir de mim. – pediu ela o olhando nos olhos. Engoliu em seco.

—Myrcella. – disse olhando para ela – Vem cá. – disse a puxando e a pegando pelas coxas. A levou até a porta, a apoiando contra a madeira. Ela abriu o vestido com as mãos trêmulas, enquanto ele a beijava no pescoço. As pernas dela rodearam seus quadris e ele não resistiu mais. Não havia espaço para resistir. Sabia que haveriam consequências para aquilo. Consequências complicadas de se lidar. Mas ele era jovem, estava bêbado, estava nu, e uma linda princesa insistia por ele há meses – Eu não aguento mais. – murmurou colocando os dedos na fenda molhada dela.

—Me leve para cama. – pediu ela.

—Vou apenas trancar a porta. – disse girando a chave pesada. Depois levou Myrcella para a cama e a beijou – Você me deixa louco. – rosnou a apalpando com força. Myrcella gemeu de leve e ele se colocou entre as pernas dela entrando com cuidado. A beijou nos lábios e ela o puxou com vigor, gemendo baixinho.

—Valerion... – sussurrou ela num gemido gostoso e ele aumentou a velocidade e a força. Ela gemeu mais alto e chamou seu nome mais alto. Apertou a coxa dela com força e parou um pouco. Ela o olhou confusa e ele colocou uma perna dela em cima de seu ombro forte. Depois a penetrou de novo e Myrcella se contorceu de prazer, gemendo mais alto. Gostou de observá-la remexer-se sob seu corpo, com um sorriso de sublime satisfação. Os cachos loiros esparramados pela cama. Até os pelos na intimidade dela eram dourados. Myrcella parecia banhada a ouro. Tão pequena e delicada que parecia ter sido feita pelo melhor artesão do mundo. Os olhos eram duas pedras de esmeralda e os lábios eram de um rosa tão belo que deixaria o mais caro dos quartzos com inveja. E a voz dela era doce e gentil. Provocativa e macia. As mãos dela eram de um toque gentil e leve, como se fossem pequenas folhas caindo sobre a superfície de um lago. A observou completamente entregue ao momento e suspirou desejando amá-la. Desejando do fundo do coração dar as costas para seus planos passados. Era grato a ela. Gostava dela. Não queria usá-la. Não mais. Queria quer aquilo fosse verdadeiro, mas simplesmente não era. Fechou os olhos, movendo o quadril, escutando Myrcella chamar seu nome. Mas o rosto que conseguiu mentalizar foi diferente. Os olhos eram azuis e os cabelos eram vermelhos como as folhas no outono. Os lábios eram mais finos, o nariz mais pontudo. Lembrou da noite em que entrou no quarto dela pela janela, onde ficaram se beijando por horas e horas, fazendo juras de amor. Queria pensar que aquilo eram pensamentos de um menino. Ele era um homem feito agora. Ele era um Lorde. O Lorde de Harrenhal. Aegon é o Lorde de Harrenhal. É o direito dele como o mais velho. Myrcella se remexeu e deu um grito, fechando os olhos e abrindo a boca. Um sorriso satisfeito brotou no rosto dela e ela ficou tensa, tremendo sob seu corpo. Sorriu por vê-la tão mergulhada em prazer e a achou belíssima ali. Logo ela amoleceu e o olhou com carinho e devoção. Se deitou sobre ela, colocando a perna dela no colchão e a beijou com carinho. Continuou o sexo até que fosse sua vez de se satisfazer – Consegues fazer o chá, certo? – perguntou quase no ápice.

—Consigo. – disse ela o abraçando apertado, num sinal de que ele não se preocupasse. Despejou sua semente dentro dela e gemeu baixinho, sentindo o êxtase do momento. Ficou deitado em cima dela por uns segundos, gostando do afago que ela lhe dava na nuca. Suspirou no pescoço dela e se levantou de leve, apenas para beijá-la mais um pouco – Eu te amo... – sussurrou ela o olhando nos olhos. Valerion sorriu e suspirou.

—Acho que eu também te amo.

—Acha? – perguntou ela franzindo o cenho.

—Eu certamente estou apaixonado, mas para mim o sentimento é novo. Não sou o tipo de homem que vulgariza a expressão amar. Direi quando estiver certo de que é amor... e não uma profunda amizade mergulhada num tesão enlouquecedor. – riu ele e Myrcella supirou – Você é meu sol em Porto Real, Myrcella... sem você eu provavelmente estaria morto... se não no corpo, certamente em alma. – disse ele – Você é muito importante pra mim e eu tenho um carinho gigantesco por você. E sinto uma paixão avassaladora também. E certamente não falta muito para que eu possa falar com toda a certeza do mundo que eu te amo. Sinto se te magoei... mas eu estou apenas sendo sincero contigo.

Ela sorriu e o abraçou.

—Estou feliz que o seja, meu amor. – riu ela o olhando nos olhos – Tenho certeza que iremos sentir o mesmo um pelo outro, em breve.

—Eu também... – disse querendo que aquilo fosse verdade. A beijou novamente e ficaram assim por um bom tempo, trocando beijos e afagos. Mas logo a juventude de ambos gritou mais alto, assim como Myrcella, momentos depois.

**

Myrcella jogou o prometido contra a parede e ele a beijou apaixonadamente. O beijou de volta, gostando da maneira como ele fazia.

—Oh, Myrcella... você me deixa louco. – resmungou ele enquanto ela ria em seus lábios. Estavam nos jardins, tentando se esconder – Não, não faça assim... oh... pelos Sete... Myrcella! – o estava afagando por cima das roupas – Hoje a noite. Juro. Agora não... – pediu ele enquanto ela ria e tentava colocar as mãos dentro das calças dele – Pelo menos um lugar mais fechado. Alguém pode nos ver... – disse ele num tom quase desesperado. Myrcella retirou as mãos e o mordeu no lábio.

—Onde? – perguntou ela.

—Onde desejares. Só seja rápida, pelos deuses. – resmungou ele. Myrcella sorriu e o puxou para o castelo. Desceram os degraus, se escondendo nas câmaras onde os dragões do passado exibiam seus crânios. Valerion a empurrou contra a parede, enquanto abria o calção. Ela levantou o vestido e sua voz ecoou pelas paredes.

**

Os guardas abriram caminho e ela entrou no quarto do prometido. Ele estava sentado, lendo um enorme livro e fazendo anotações.

—Um pouco tarde para trabalhar, não acha? – perguntou sorridente.

—Tenho que recuperar o tempo perdido. – riu ele fechando o livro – Tive muitas distrações hoje. – adicionou ele – Sabe, Bry veio me contar que os servos estão dizendo que as câmaras dos dragões está assombrada. Falaram que um fantasma estava fazendo muito barulho por lá.

Myrcella sentiu o rosto queimar e os dois deram risadas.

—Pronto pra me fazer gritar aqui? – perguntou desamarrando o vestido. Ele sorriu e a olhou com desejo.

—Estou. – disse ele se aproximando.

**

O dia nasceu e ela não fugiu para o próprio quarto. Normalmente fugia antes do sol nascer, mas a noite tinha sido mais exaustiva que o de costume. Tentou se levantar, mas Valerion resmungou a puxando para perto e ela sorriu feliz.

—O sol já nasceu, meu amor. – sussurrou para ele. Valerion resmungou de novo e continuou abraçado com ela – Eu preciso ir. Vão notar e vai ser um escândalo.

—Hum... – ele resmungou e a contragosto a soltou. Myrcella se sentou e Valerion sorriu para ela – Quando casarmos, eu nunca mais vou trabalhar de novo. – riu ele – Só vou querer ficar na cama contigo.

Myrcella sorriu e o beijou na testa.

—Mas enquanto não acontece, é melhor mostrar serviço. Não terminaste o trabalho de ontem.

—Não, não terminei. – confessou ele – E tenho muitas contas pra fazer. Chegou mais um carregamento de comida Tyrell e outro Blackfyre. Tenho que colocar tudo nos registros. – resmungou ele. Myrcella se curvou e o beijou nos lábios rapidamente.

—Hoje não vou atormentá-lo...

—Oh, Fantasma das Câmaras... por favor, não pare de me atormentar. – disse a abraçando, fazendo-a rir – Eu gosto tanto da sua risada. – riu ele se sentando – Eu gosto tanto de você. – admitiu ele a olhando nos olhos. Gostava dos olhos dele. Eram diferentes de tudo o que já tinha visto. Ele a afagou no rosto e suspirou – Eu realmente tenho muita coisa pra fazer hoje... mas podemos almoçar juntos, o que acha?

—Só almoçar? – perguntou divertida e Valerion sorriu.

—Provavelmente é o que vai dar tempo de fazer. – admitiu ele.

Myrcella sorriu e concordou.

—Te esperarei para almoçar, então. Venha até meus aposentos.

—Está bem. – disse ele a beijando com carinho.

Myrcella se vestiu e escapuliu do quarto. Algumas aias a viram e isso fez suas bochechas corarem. Marchou até seu quarto e pulou na cama para dormir mais um pouco. Quando acordou, ainda faltava muito para o almoço e a manhã pareceu se arrastar. Chamou suas aias para que a arrumassem. Elas pentearam seus cabelos, e arrumaram o vestido que escolhera para o dia. Depois elas a ajudaram a escolher a joias e Myrcella colocou novamente o colar Blackfyre que ganhara do pai de Haegon. A cada dia que passava, via o sonho de ser uma dracena cada vez mais próximo.

Passou um pouco de perfume e então resolveu procurar Margaery. Se juntou ao grupinho Tyrell e tiveram uma manhã agradável tagarelando sobre as fofocas da corte.

—Eu escutei que uma certa leoa foi vista deixando o quarto de Valerion Blackfyre hoje pela manhã. Cedo demais para ter sido uma simples visita. – riu Elinor, melhor amiga de Margaery. Myrcella sentiu as bochechas corarem – Aliás, não se fala em outra coisa, em toda a corte.

—Não julgo. – riu Megga – Se ele fosse meu prometido, eu estaria fazendo o mesmo. Ele é tão bonito e gentil. Fico com tanta inveja. – lamentou ela e Myrcella sorriu.

—Já que somos as duas que têm experiências desse tipo, princesa... – Margaery deu risadinhas e suas primas riram também, se curvando para ficarem mais próximas – Valerion é tão bom nesse dever quanto nos outros?

Myrcella sentiu o coração acelerar e lembrou-se da noite passada, com ele. De todas as vezes em que quis gritar de prazer. Pegou uma uva verde e sorriu sonhadoramente.

—Bem... me parece que sim. – confessou – Algumas vezes acho que vou enlouquecer e que meus miolos vão explodir, de tão bom que é. – disse ela e as damas de Margaery deram gritinhos esganiçados, escondendo sorrisinhos com as mãos. Margaery ficou do mesmo modo e Myrcella a olhou – Espero que Tommen seja competente nesse aspecto também.

—Oh, o rei é muito dedicado. – riu Margaery – Sempre preocupado em saber se me machucou ou se estou gostando. Ele é muito gentil. – respondeu ela – E tem muito fôlego. Algumas vezes eu preciso pedir que ele me dê uns minutinhos para descansar. – riu ela.

—Comigo é o contrário. – disse sem tento na língua – Valerion quem pede para descansar, mesmo quando eu fico por cima. Normalmente ele dá conta do meu fogo, mas vez ou outra... – as meninas deram risadas.

—Bem... dizem que os veados são mesmo muito viris. – disse Elinor e as meninas riram juntas – Assim como os leões. O rei e a princesa são uma mistura dos dois... não é pra menos que tem todo esse vigor. – riu ela, sendo acompanhada pelas meninas.

—Mas e o casamento de vocês? – perguntou Margaery com um sorriso gentil – Eu soube por Loras que Valerion não vai poupar recursos. Vai ser a maior festa que os Sete Reinos já viram.

—Valerion disse que eu posso escolher tudo o que teremos na festa. Ele vai gastar uma pequena fortuna... e teremos um torneio de justas, espadas e arco, antes do casamento. Vai ser uma celebraçõ de dias.

As mulheres piscaram, surpresas, e trocaram olhares atônitos.

—E ele vai ter dinheiro para tudo isso? No meio da guerra e tão próximo do inverno? – perguntou Elinor.

—Ele me explicou que a família dele não foi para guerra e quase não gastou recursos. E Harrenhal é um castelo muito rico. Eles têm muito dinheiro, apenas nunca ostentaram isso. E uma das preocupações dele foi garantir que teriam condições de alimentar o povo durante o inverno, então ele está tomando especial cuidado com isso. Ele é muito prudente em relação a dinheiro. – explicou ela orgulhosa do prometido – E para nós é importante mostrar o quão poderosas são as Casas que apoiam meu irmão. Ostentar toda essa fortuna num momento como esse é de fundamental importância. – Myrcella suspirou – Vamos nos casar em breve. Em um ou dois meses. – garantiu ela e Megga suspirou.

—Estou com mais inveja ainda. – lamentou ela fazendo todas caírem na gargalhada.

Depois da manhã agradável, mandou as aias avisarem as cozinhas que teria companhia para o almoço. Valerion chegou minutos antes da comida. Aproveitaram para trocar alguns beijos, mas algo bastante comportado. Depois começaram a comer, enquanto Valerion trabalhava, lendo e lidando com tantos papéis ao mesmo tempo que ela se impressionou por ele conseguir manter tudo tão organizado.

Ele certamente nasceu para essas coisas. Para as intrigas, para a burocracia, para a corte.

—Sua mãe fez Tommen assinar muitos documentos... – disse ele distraidamente. Myrcella estava se deliciando com algumas geleias de frutas, mas parou de lamber os dedos para mirá-lo com curiosidade – Por mais que ela tivesse os problemas dela, ela até que fez coisas interessantes. Ela aumentou a frota Real... mas gastou dinheiro que não temos pra isso... Lorde Tyrell, como Mestre da Moeda deve estar louco da vida. – riu ele.

—Meu tio era um Mestre da Moeda muito melhor. – resmungou Myrcella.

—Certamente, mas Cersei fez questão de tirar todo e qualquer poder e influência que ele tinha... – concordou Valerion – Uma pena... você sabe como ficou, no fim das contas, a questão da sucessão de Rochedo Casterly?

—Basicamente é minha mãe quem está no comando de todas as forças Lannister...

—Não toda. – discordou Valerion e ela o olhou mais curiosa – O irmão de Lorde Tywin, Sor Kevan, está com uma boa parte dos homens Lannister... principalmente porque ele voltou para Casterly Rock. – Valerion suspirou – Eu disse que Tyrion deveria voltar para Casterly Rock e cultivar influências por lá, afinal, ele deveria ser o legítimo herdeiro de Lorde Tywin... não sua mãe e não Sor Kevan.... mas ele insiste em permanecer em Porto Real, pelo menos por enquanto.

—O que ele espera? – perguntou Myrcella.

—Talvez ele tivesse imaginado que eu ou Margaery iríamos dar um jeito de mandar sua mãe embora... ou até mesmo Kevan... por isso ele não quis ficar em Casterly Rock... claro, que no fim das contas, quem conquistou isso foi você e não eu... mas bem... – Valerion deu de ombros – De qualquer modo... além da Frota, ela criou mais impostos, para arrecadar ouro para o cofre de Tommen... por um lado isso é muito bom, afinal estamos devendo uma fortuna para o Banco de Ferro.

—Estamos? – perguntou Myrcella, preocupada.

—Sim, desde o seu pai. – respondeu ele mexendo em mais papéis e lhe entregando um. Ela leu uma cobrança do Banco, num valor de milhões de dragões de ouro. Ela o olhou em choque.

—Estamos devendo tudo isso? – perguntou ela, em choque.

—Bem... oficialmente é o Trono quem deve... e o Trono é de Tommen... então nós não devemos nada. – riu Valerion – Meu pai passou muito tempo em Braavos, ele sempre me explicou muita coisa sobre o Banco de Ferro... se alguém deve a eles e não paga, o Banco financia os inimigos desse alguém, a juros muito baixos. Então ninguém é tolo de se negar a pagar o Banco... mas a sua mãe... – ele fez uma careta.

—O que minha mãe fez?

—Bem... – ele olhou outros papéis – Ela poderia ter deixado de aumentar a frota, para pagar uma parte da dívida, e deixar o Banco feliz... afinal, ela tem uma boa frota Blackfyre disposta a navegar pelo Trono... – ele suspirou – Ela poderia estar direcionando uma porcentagem do dinheiro dos impostos para o pagamento da dívida... ou até mesmo usando o dinheiro que vai receber dos Lordes do Rio por eles terem se rebelado ao lado de Robb, para isso... mas pelo o que eu estou vendo aqui... ela estava querendo contratar mercenários. Provavelmente porque notou que as forças Lannister não estão tão garantidas a apoiá-la... – Valerion suspirou – E sua mãe fez algo que eu achei muito estranho.

—O que, dessa vez? – perguntou com um aperto no peito.

—Ela armou a Fé. – respondeu ele – A última vez que a Fé foi armada, foi no início do governo de Jaehaerys I... A Fé Militante estava em guerra com os Targaryen, no governo de Maegor I, o Cruel...

—Sim, sim. Conheço a história. – cortou Myrcella e Valerion a olhou surpreso – A Fé Militante não apoiava o incesto e o casamento com duas mulheres, que era costumes comuns aos Targaryen, que trouxeram sua cultura Valiriana. Maegor, antes de virar rei desposou uma segunda esposa e Aenys, o sobrinho dele e que era o rei, casou seus dois filhos, Rhaenyra e Aegon. Isso enfureceu a Fé e eles entraram em guerra. Maegor foi exilado para tentar aplacar as rebeliões, mas quando o sobrinho dele morreu e por ele ser filho do grande Aegon, o Conquistador, a rainha viúva, Visenya, coroou o filho antes de Aegon, filho de Aenys. Maegor passou todo seu reinado lutando contra a fé, de maneira sangrenta e violenta. E quando ele morreu, quem herdou a coroa foi Jaehaerys I, quarto filho de Aenys. Ele ofereceu anistia à Fé, desde que ela se desarmasse, findando um conflito de longa duração e muito sangrento. Por isso ele recebeu o título de Jaehaerys I, o Conciliador. – narrou ela e Valerion a olhou parecendo ligeiramente impressionado – O que? Eu sou uma princesa. Eu tive uma excelente educação, sabe? Ao contrário de Joffrey, que não se interessava por essas coisas... e de Tommen, que não era muito bom em guardar essas informações. Eu sempre gostei de história. Tommen era melhor com números... e Joffrey era melhor abrindo gatos para ver o que tinha dentro. – adicionou ela e Valerion se levantou para puxá-la para um beijo.

—Eu já disse que acho inteligência muito sensual? – perguntou ele e Myrcella caiu na risada antes de ser beijada de novo.

Notas finais
Quem shippa? SHuahsuahsaus Não tenho muito o que falar não. Além de: MDS, COMO ESSE VALERION É MALANDRO ahsuahsuahsa EU amo ele ♥ Muito bem, vamos para as prévias? Próximo capítulo tem Norte de novo =D "-Como ela está? – perguntou Robb. Lorde Karstark fez uma careta. —Nada bem. – confidenciou ele" D= "-Eu prometi que o Norte se curvaria a Stannis... – murmurou Shiera. Robb suspirou concordando com um aceno de cabeça – Você vai se ajoelhar a ele?" Eeeeita Próximo capítulo sai dia 13! Beeeijos! Comentem!! =D