Blackfyre

47 Rei e Rainha do Norte


Notas iniciais
Olá, amores! Gostaria de agradecer a todos os que comentaram! Fiquei muito feliz. Inclusive porque tinha umas pessoinhas que tinham dado uma sumida e que voltaram! Por favor, continuem comentando. A fic vai dar uma guinada meio louca daqui uns capítulos ahsuhasuha Mas vamos que vamos! Desculpe a demora pra postar, eu sei que tava combinado de postar dia 13, mas a vida anda aquela bagunça. Desculpem mesmo Então, sem mais delongas... #PartiuLer

Capítulo 47

Rei e Rainha do Norte

—Como ela está? – perguntou Robb. Lorde Karstark fez uma careta.

—Nada bem. – confidenciou ele – Ela não fala. Acho que está em choque. Ver você voltar da morte não deve ter sido fácil pra ela... para nenhum de nós, na realidade... mas para ela certamente foi mais difícil. – Robb Stark bufou, angustiado e mirou Lorde Umber.

—E Stannis? – perguntou para o enorme Lorde, que tinha o rosto ferido por um corte profundo.

—Vai sobreviver. Ele se feriu na batalha, mas estão cuidando dele. – garantiu Jon Umber – Mas ele está impaciente para falar com você. Não gostou nada dessa reviravolta... do Norte ter um rei de novo. Shiera tinha concordado em dobrar o joelho.

—Shiera achava que você tinha morrido. – disse Maege Mormont.

—Eu tinha morrido. – disse com um sorrisinho.

—É... mas talvez fosse melhor não sair repetindo isso por aí. – riu Lorde Umber, logo antes de dar uma estridente gargalhada – Nem a morte consegue segurar o nosso Rei! O inferno vai congelar antes que o Norte se curve a um rei do Sul. Ah... aquele Stannis vai ficar danado da vida. Ah, como vai.

—Com quem vai lidar primeiro, Robb? – perguntou Maege Mormont – Antes que responda... – ela o cortou antes mesmo que dissesse algo – Você já colocou a coroa antes da sua família uma vez. – disse ela cutucando a cicatriz que a corda deixara em seu pescoço. Robb respirou fundo e concordou com um aceno de cabeça.

—Não me ocorreu em momento algum tratar com Stannis antes de falar com ela. – disse honestamente – Ela quase morreu de susto. – disse sem saber se poderia rir da tentativa de Shiera de pular a janela. Por sorte, o sangue ainda estava quente pelo combate e seus reflexos foram ágeis o suficiente para puxá-la antes que ela caísse – Eu vou falar com Shiera.

—Seja delicado com a menina, Vossa Graça. – pediu Lorde Bracken – Ela passou por maus bocados.

—Sim, por momentos difíceis. – disse Maege – Mas ela lidou muito bem com as dificuldades... mas esses últimos dias certamente foram horríveis. Então seja muito gentil.

—E compreensivo. – pediu Lorde Karstark – Por mais que... – ele olhou para os outros lordes – Sabe... ela fez o que tinha que fazer. Hum... ela achava... todos nós achávamos que você tinha morrido, garoto.

—Estão falando de Bolton ou de Jon Snow? – perguntou Jon Umber e Robb desejou estar em qualquer outro lugar menos ali – Porque eu sempre fui contra empurrá-la para o irmão do nosso Rei. Se queriam casá-la com um Stark, que fosse com Rickon. O que Jon Snow poderia fazer?

—Ele tinha os selvagens... – começou Maege.

—Selvagens! Nossos inimigos históricos! – ralhou Jon Umber, para em seguida cuspir no chão – No dia que um Umber lutar ao lado de um selvagem fedorento a Muralha vai derreter em pleno inverno!

—Pare com isso, Jon. – ralhou Maege – Você escutou o que Mance e Jon Snow falaram. E Shiera também.

—Ah sim... o bastardo que queria salvar o próprio pescoço por deserdar. O desertor que queria se explicar por ter-se feito rei... e a menina que sonha e acontece... não acredito que vocês vão botar a fé de vocês nessas histórias para assustar crianças.

—Mais fantásticas do que um rei que volta dos mortos? – perguntou Lorde Blackwood – Eu fui cético sobre o dom de Haegon uma vez... mas aprendi a respeitar... se Shiera diz que tem o mesmo dom dele... eu não vou duvidar. E se ela diz que os mortos estão voltando a vida para matar, pois bem... eu vi Robb Stark aparecer vivo, depois de ser morto. E ele matou uma boa quantidade de Boltons e Freys.

Um silêncio constrangido pairou sobre todos e Robb respirou fundo.

—Bem... é hora de falar com Shiera. – disse Robb sentindo-se nervoso. Se despediu dos Lordes e foi caminhando até o quarto do senhor. Abriu a porta lentamente e lançou um olhar para ela. Shiera estava de pé, olhando a janela. Duas arqueiras estavam ao lado dela, postas ali para impedir que a rainha do Norte tentasse outra manobra suicida. Fez um sinal para as duas e elas concordaram com acenos de cabeça, saindo do quarto e deixando o casal a sós. Shiera não se virou para olhá-lo. Ela ficou mirando a janela sem falar uma palavra que fosse. Robb se aproximou o suficiente para tocá-la no ombro, mas a mulher se desvencilhou dele no mesmo momento. Suspirou, angustiado, morrendo de saudades dela. Sentindo que nunca antes estiveram tão distantes um do outro. Segurou um dos cachos dela e o levou até o rosto, para aspirar o perfume. O cheiro dela... – Meu amor...

—Você morreu. – disse ela, com mágoa na voz – Você me deixou sozinha com ele.... marchou para o sul e morreu. – disse ela e ele teve certeza de que a esposa estava chorando – Eu fiz luto por você. Eu assumi suas responsabilidades e me sacrifiquei por sua guerra... e você estava vivo. As coisas que eu precisei fazer... e você estava vivo... – ela se virou para olhá-lo e ele engoliu em seco. Ela estava com o rosto inchado, um olho roxo, o lábio cortado e uma mancha esverdeada na lateral da face. As bochechas dela estavam mais magras, o rosto encovado. O cabelo menos sedoso. Baixou o olhar para as mãos dela e notou que as unhas estavam quebradiças e havia um dedo com um hematoma também. Roose a maltratara cruelmente e ela provavelmente o culparia por isso – Por que não me avisou que estava vivo?

—Eu não estava. – respondeu com derrota na voz – Eu morri. – explicou para ela – Assim como você morreu. Quando caiu no rio. – ele engoliu em seco – Eu entrei na floresta procurando por você a noite toda. Mandei todos procurarem por você. Todos gritavam seu nome, na esperança que você respondesse... mas chegou um momento em que apenas eu gritava, porque eu só podia me abraçar a esperança de que você estava viva... enquanto todos os outros se conformaram em procurar seu corpo frio. E fui eu quem te achei. Gelada. Fria. Sem respirar... morta. – ele engoliu em seco – Nunca, nada foi tão frio e infeliz do que aquilo. Nem quando eu recebi a notícia de que meu pai havia morrido... nem quando eu recebi a notícia de que você executara a minha mãe... nada se comparou a achar você morta. Eu quis morrer também. – disse tristemente – Porque a vida não faz mais sentido sem você. – disse ele tentando afagá-la no rosto, mas Shiera lhe deu um tapa na mão, com o olhar infeliz e cheio de mágoa – Eu te trouxe para Winterfell e implorei que cuidassem de você. Theon fez com que você voltasse a respirar... eu precisava marchar. Eu precisava continuar... mas eu não queria sair do seu lado... eu queria ficar com você... mas eu precisei ir embora. Era minha responsabilidade. Eu jamais mandaria meus homens para guerra para ficar aqui, seguro, ao seu lado. Eles lutam por mim, Shiera. Como eu poderia pedir isso a eles? – ela desviou o olhar – Eu sinto muito, meu amor. – murmurou sentindo-se culpado por todas as desgraças que ela tinha passado – Quando eu estava nas Gêmeas, para o casamento de meu tio... só pensava em você. Como eu queria que você estivesse comigo. E quando me acertaram as flechas... tudo o que eu pensava era em como eu não podia morrer. Eu queria ver você. Eu queria me desculpar com você... eu precisava ver seu sorriso pra mim uma vez mais. A cada flecha, eu nem sentia dor. Era só o desespero de sentir a vida ir embora, sem que eu tivesse a oportunidade de te ver de novo. Meus pensamentos eram todos para você. – garantiu para ela, mas ela não respondeu. Ela lhe deu as costas e cruzou os braços – Meu amor por você não me deixou morrer. Falaram que era a minha força que me mantinha vivo. A força do Norte, mas não tinha nada a ver com o Norte, ou com minha força física, ou com o fato de eu ser um Stark. Eram meus pensamentos em você que não deixaram meu coração parar de bater... e então eles me enforcaram. – disse Robb engolindo em seco – Meu pescoço não quebrou na queda, então eu sufoquei até morrer... e mais uma vez meus pensamentos eram todos sobre você. Eu morri cheio de culpa e lamento e saudade... e desespero. Fiquei boiando na inexistência por muito tempo. Era apenas nada. Eu não existia mais... um lugar tão silencioso, frio e vazio, que nem mesmo você pode chegar... e então veio uma luz e eu voltei. Mas voltei quebrado. – explicou desesperado para que ela entendesse – Faltavam partes de mim mesmo. Não físicas, mas aqui. – disse apontando para a própria cabeça – Eu não sabia quem era. Não sabia meu nome... as coisas foram voltando muito devagar. Sabiam quem eu era, mas ninguém quis me contar. E mesmo se contassem, eu provavelmente não acreditaria. Me chamavam de Norte. Me contaram o que aconteceu. Mas eu não lembrava. Achei que era apenas um soldado. E eu lembrava de você, só não lembrava quem era eu. Eu pensei que era casado com uma Lyssandra. – ele fez silêncio, esperando que ela fizesse algum questionamento, mas ela não o fez – Você se lembra? Quando nos conhecemos? Você... você disse que se chamava Lyssandra Rivers. – disse baixinho, sentindo um nó na garganta – Você chamou Jon pra dançar... lembra? – mas ela não respondeu – Eu tentava me lembrar de você... de Lyssandra, mas tudo era confuso. Eu sonhava com aquele dia, no Bosque Sagrado... com você deitada na relva, a brincar com folhas na água. Mas sempre que eu fazia você se virar... tudo quebrava, como um cristal de gelo, quando tocamos nele com força demais. Eu só conseguia ver suas costas. Algumas vezes sonhei com você na Muralha, mas nesses sonhos eu via seu rosto e te reconhecia como Shiera Stark... eu não entendia como Shiera e Lyssandra poderiam ser a mesma pessoa... e eu lembrei que minha esposa tinha morrido. Que ela se jogara no rio. Eu lembrei disso e lembrei que a culpa era minha... e eu fiquei preso, sem memórias, sem saber de nada, apenas sentindo aquela culpa toda... e quando eu finalmente me lembrei de tudo... no exato momento que lembrei quem eu era e quem você era... eu peguei um cavalo e vim direto pra cá... mas eu fui capturado pelos homens de Vargo Hoalt. E fiquei preso, ouvindo que você iria se casar com Roose... aquele traidor... – ele engoliu em seco – Que você foi obrigada a concordar com uma proposta de paz... e eu só conseguia me lembrar do quanto você nunca gostou dele... – segurou mais um cacho dela, com todo o cuidado – Me trouxeram para Winterfell...mas eu era só um prisioneiro. E demorou muito até que eu conseguisse falar com alguém que poderia me tirar de lá... demorou demais. Eu não pude ajudar você... eu não pude impedir que... ele te machucasse. – o nó em sua garganta era apertado demais e ele não aguentou – Me perdoe, Shiera... por favor. – mas ela não respondeu. A escutou fungar, mas só recebeu silêncio da parte dela. A abraçou por trás e a sentiu ficar tensa entre seus braços. Como se seu toque a incomodasse. A beijou no topo da cabeça, desesperado pelo perdão dela – Me diga, meu amor... o que eu preciso fazer para conquistar o seu perdão? Por favor... me diga... fale comigo por favor... – pediu ele. Mas ela não respondeu. Ela se desvencilhou dele e se afastou, chorando em silêncio. Robb sentiu-se perdido e sem chão. Ela não o perdoaria? – Eu voltei dos mortos pra você, Shiera. Por favor, me perdoe. Acho que eu não poderei ter paz em minha vida ou morte, antes de escutar que você me perdoa. Não só pelo que você teve que fazer depois que eu morri... mas pelo que eu fiz a você, quando voltei das Ilhas de Ferro... quando...

—Quando nosso filho nasceu e você nem se deu ao trabalho de olhá-lo? – perguntou ela e a voz dela era mais afiada que todas as flechas que lhe atiraram nas Gêmeas – Passei meses sonhando com o momento em que eu lhe daria um herdeiro. Imaginava que você me olharia com orgulho e pegaria nosso filho no colo... que você me daria ao menos um sorriso. – ela engoliu em seco – Mas no lugar disso você me amaldiçoou e disse que desejava que eu nunca mais tivesse paz. Que os fantasmas do Norte me assombrassem pra sempre. Você me machucou e saiu do quarto sem nem mesmo olhá-lo. – disse ela com mágoa na voz – E partiu, me deixando pra trás, com Roose... de novo com Roose. – chorou ela.

—Me perdoe, por favor.

—Não. – chorou ela – Eu achei que você estava morto. Então eu fui para a Muralha. Eu entreguei meu filho para Theon e o mandei embora. Meu pequeno bebezinho. Eu o mandei embora, porque você tinha morrido. Eu concordei em casar com Bolton, porque você tinha morrido. – Shiera começou a abrir o próprio vestido e Robb não conseguiu se mover. Ela se despiu e ele viu o quanto ela estava machucada. Marcas de pancadas, cortes, mordidas... – Ele fez isso comigo! – chorou ela – Porque você tinha morrido. Mas você estava vivo!

—Por que voltou pra cá? – perguntou Robb sem conseguir encará-la – Por que não ficou na Muralha, com Jon? – perguntou ele sentindo-se péssimo – Foi com ele que você sempre quis estar. Ele quem deveria ter casado com você e não eu. Nunca fui mais do que uma sombra dele pra você. Você poderia ter ficado lá, com ele. Deveria ter ficado lá com ele... – lamentou Robb – Estaria mais feliz lá... e... e nada disso teria acontecido...

—Eu não poderia ficar com Jon, Robb. Porque no dia em que eu falei diante dos nossos lordes e dos deuses que eu aceitava você, eu concordei em deixar Jon Snow e tudo o que eu sentia por ele para trás. E eu abracei a responsabilidade de ser sua esposa. E no início você poderia ser apenas uma sombra dele... mas não foi pra sempre assim. Eu amei você, Robb. De verdade. Eu amava tudo em você. Eu estava feliz ao seu lado. Quando você estava longe, eu sentia sua falta. Quando você estava perto, eu queria que o momento nunca acabasse... e quando eu escutei aquela maldita música sobre nós, eu chorei. E quando Mindinho me entregou uma caixa onde supostamente estariam seus ossos, eu entrei em profunda melancolia. Eu amei você, Robb e eu estava disposta a lutar pelo seu legado até morrer... – ela engoliu em seco.

—Me perdoou quando eu estava morto, mas agora que estou vivo, não me perdoa mais? É isso? – perguntou com o coração doendo.

—Não me peça para ser racional, Robb. – disse ela se enrolando no lençol – Me deixe em paz. – pediu ela evitando olhar para ele – Eu queria nunca ter casado com você. Deveria ter ficado em Winterfell até o dia em que meu pai me buscasse. A essa altura eu estaria sã e salva em Harrenhal. – ela suspirou e Robb sentiu que provavelmente nunca mais sentiria calor novamente – Um casamento é até que a morte separe... nós dois morremos. Eu sou Shiera Blackfyre. Eu não quero mais saber de Boltons, Snows ou Starks... – ela fungou e se abraçou – Eu não aguento mais... eu... eu quero ir pra casa. – chorou ela, fechando os olhos, parecendo mergulhada em dor – Eu quero voltar para Harrenhal e esquecer de tudo o que aconteceu. Eu quero deixar Winterfell e nunca mais pisar no Norte novamente.

Robb a olhou sentindo-se perdido. Shiera se curvou chorando sem parar e ele não soube o que fazer. Ela sempre fora uma mulher forte e decidida. Mas agora... ela parecia tão quebrada quanto ele estivera ao ser ressuscitado. Ela estava fragilizada e vulnerável.

—Você é minha Rainha. – murmurou indo até a cama, para ficar de joelhos – Sua casa é aqui. – disse o mais gentilmente que pode. Segurou as mãos dela e não deixou que ela as puxasse – Shiera, meu amor. Permita-me cuidar de ti. – disse com carinho. No Norte, não era costume falar daquele jeito. Era uma maneira mais Sulista, mas quando conheceu Shiera, sempre falava com ela daquela maneira. – Por favor, meu amor. Me dê mais uma chance. Nunca mais deixarei ninguém machucá-la. Eu lhe dou minha palavra. Permita-me tentar conquistar seu amor e seu perdão, Shiera. Eu lhe imploro. – pediu beijando os dedos dela – Meu coração é seu, não importa o que tenha acontecido aqui ou na Muralha... meu coração é seu. Sempre foi, sempre será. Volte pra mim, Shiera. Eu te amo tanto. – murmurou ele – Eu vi nosso filho. Ele se parece com Bran, mas tem os seus olhos. Ele é tão lindo. – disse Robb, engolindo em seco – Ele era tão pequeno quando eu o vi... eu o amo demais, assim como amo você. Shiera, por favor... vamos tentar de novo. Se acreditas que nosso casamento não é mais válido, eu cortarei a cabeça de Roose Bolton e pedirei aos deuses para que nos casem de novo. Não existe mulher no mundo com quem eu gostaria de estar, que não seja você. Então, por favor, por favor... volte pra mim, me dê outra chance. Você me tem de joelhos. A única pessoa no mundo que me tem de joelhos...

—Eu prometi que o Norte se curvaria a Stannis... – murmurou Shiera. Robb suspirou concordando com um aceno de cabeça – Você vai se ajoelhar a ele?

—Não importa, Shiera. Políticas, guerras, tramas... não me importo com nada disso nesse momento. Você é minha maior prioridade. – disse se levantando e sentando ao lado dela. Ela o olhou nos olhos, o rosto vermelho e inchado pelo choro e pelos ferimentos – Eu amo você.

—Não me ame, Robb... – pediu ela – Como pode me amar? Eu traí você...

—Eu estava morto para todos os efeitos. Você fez o que julgou...

—Eu me deitei com Jon Snow. – disse ela com dor na voz. Robb engoliu em seco e ela desviou o olhar – Eu deveria estar fazendo luto por ti... mas...

—Não importa. – disse a interrompendo. Shiera o olhou com os olhos assustados e brilhantes – Não importa. – disse ele colocando uma pedra sobre aquele assunto. A afagou no rosto e sorriu – Não importa, está bem?

—Mas...

—Shhh... – a puxou gentilmente e lhe beijou os lábios com todo o carinho do mundo. Apenas um beijo gentil e rápido. Shiera caiu no choro de novo e o abraçou.

A escutou chorar muito alto, e ficou a tentar consolá-la. A cada ferimento no corpo dela que notava, sua ira contra Roose Bolton aumentava. Shiera chorou até dormir e ele achou melhor deixá-la repousar. Deveria ir tratar com Stannis, mas não o fez. A abraçou com carinho e ficou deitado com ela. Passaram o dia assim e Shiera só acordou no dia seguinte. Não tentou beijá-la de novo. Escolheu a cautela, sabendo que ela passara por momentos muito difíceis. A afagou no rosto com carinho e entrelaçou os dedos com os dela.

—Robb... Roose mandou matar Meistre Luwin... – murmurou ela. Ele concordou com um aceno de cabeça – Ele pensava que o Meistre era muito apegado aos Stark...

—Eu sei. Já fiquei sabendo disso... escrevi uma carta para a Cidadela, pedindo que assim que fosse possível, mandassem um Meistre para Winterfell. – explicou ele. Shiera respirou fundo e engoliu em seco.

—Eu preciso de um Meistre o mais breve possível... ou pelo menos um herbalista. – disse ela parecendo completamente infeliz. A olhou sem entender – Stannis precisaria de um mês para percorrer o Norte e reunir os homens... eu tentei enrolar Roose... para dar tempo para Stannis. Coloquei bexigas de gato entre as pernas, cheias de sangue, para fingir que era meu sangue de lua... e eu consegui ganhar bastante tempo com isso. Mas... a verdade é que meu sangue já deveria ter descido. – ela engoliu em seco – Eu prefiro morrer a dar um filho a Roose Bolton.

Robb engoliu em seco e a olhou com compreensão.

—Maege Mormont poderá te ajudar com isso, talvez.

—Talvez... – concordou Shiera. Robb se levantou e suspirou.

—Vou falar com ela. Pedirei que ela venha aqui, está bem? – perguntou com suavidade. Shiera concordou com um aceno de cabeça e respirou fundo, se escondendo melhor embaixo do cobertor – Shiera... existe a menor possibilidade desse bebê ser de Jon?

Ela engoliu em seco e respirou fundo.

—Faz diferença? – perguntou ela. Robb respirou fundo também.

—Pra você, talvez faça... – murmurou ele. Shiera negou com a cabeça.

—Não é de Jon. – garantiu ela. Robb concordou com um aceno e se virou para a porta, sentindo-se aliviado com aquelas palavras. É só mais um Bolton que vamos matar.

**

Robb pediu uma semana para se reorganizar em Winterfell, dar tempo para Stannis se recuperar de seus ferimentos e para mandar um grupo de senhores para Forte do Pavor. Eles tomaram o castelo, que estava praticamente sem guarnição, renderam os homens e os fizeram jurar lealdade aos Stark de Winterfell novamente. O castelo foi pilhado e quase todo o ouro foi levado para Winterfell. E tudo o que poderia lembrar que aquele castelo algum dia pertencera à Casa Bolton foi queimado. Brasões, escudos, troféus antigos, como as peles de inimigos. As roupas e armaduras com os brasões Bolton. Todas as bandeiras. Tudo. Tudo queimado e destruído. O castelo ficou vazio e Robb se perguntou o que faria com ele. Talvez o desse como prêmio a algum cavaleiro menor, que brilhasse em combate. Talvez deixasse para sua família. Talvez um dia, se os deuses fossem bons, poderia ter mais filhos com Shiera e o mais novo se tornaria o senhor de Forte do Pavor, assim como Karl Stark se tornou senhor de Karhold, anos atrás.

Nomeou um castelão pro castelo, que seria responsável por mantê-lo. Preferiu não lidar com Bolton, Baelish e todos os muitos Frey que tinham capturado. Os deixou nas masmorras, dobrou a guarda e executou todos aqueles que se recusavam a aceitar que os Stark comandavam o Norte. Stannis aguardou com bastante paciência, até que tudo estivesse resolvido, mas a tensão era muito grande. Todos sabiam que ele queria que o Norte dobrasse o joelho e os Lordes do Norte não estavam muito dispostos a isso. Nem Robb, na verdade. Não que ele gostasse da responsabilidade de ser Rei. Ele odiava ser rei. Ser rei destruiu toda sua família, ser rei o matou. Ser rei fez Shiera querer morrer. Ser rei matou seu irmão Bran e mandou Rickon para a Muralha. Ser rei fez com que seu filho Ned fosse mandado para longe, por segurança. Se perguntava o quanto ele deveria ter crescido desde a última vez que o vira, meses atrás. Ser matou sua mãe, também.

Ele e Shiera não estavam tão bem. Maege conseguiu as folhas que ela precisava e o sangue dela desceu. Mas naquela semana, Shiera não sorrira nem uma única vez. Ela nem ao mesmo saía do quarto. Lorde Cerwyn providenciara o Meistre de seu castelo para cuidar de Shiera, pois o castelo do Lorde ficava a menos de um dia de Winterfell.

Robb dedicou todo o tempo que pode à esposa, mas sentia que por mais que ela não negasse seu toque, ela ainda estava repleta de mágoa e tristeza. Queria fazer algo para tirá-la daquele estado de infelicidade, mas não conseguia pensar em nada. Por isso ordenou que parassem de alimentar Roose Bolton. Ele deveria ficar nu e só na cela, sem receber visitas, sem receber comida, sem ninguém que trocasse seu pinico. O deixaria assim durante três dias, para que ele soubesse o que era frio e fome. Para que ele aprendesse o que era dor.

Shiera pediu que ele permitisse que ela executasse Pequena Waldra. A dama de companhia mais jovem dela.

—Ninguém merece viver depois do que ela passou. Deixe-a morrer. Por favor? – perguntou Shiera.

—Faça como quiser. – disse Robb.

Então Shiera fez um chá e foi até a torre das prisioneiras. Ela ofereceu o chá a todas elas, explicando o que aconteceria caso elas tomassem. Todas desejaram tomar, menos Walda. A mesma que um dia ele pensara que era Genna Blackwood. Ela escolheu viver. E a garota não pediu clemência pelos parentes. Pelo contrário.

—Mate todos eles, Shiera. – pediu a garota, que estava bem parecida com Shiera. Ferida, magra e melancólica – Eles estavam aqui e não moveram uma palha por nenhuma de nós. Que morram todos. Sorrirei no dia que não houver mais um Frey que seja sobre a terra.

—Você é uma Frey. – acusou Shiera sem doçura na voz. Parecia que a doçura dela tinha sumido e apenas amargura ficara no lugar.

—Quando todos os outros tiverem morrido, irei morrer contente também. Porque eu terei sido aquela a extinguir essa casa amaldiçoada. – rosnou Walda.

Robb não dormia mais com a esposa. Ela pedira a ele que não dormisse. Que precisava de um tempo. Walda quem passou a dormir com ela e as duas ficavam juntas todo o tempo. Seus homens as viam conversar sempre, algumas vezes choravam. Provavelmente estavam tentando ajudar uma a outra a superar todo o terror daqueles últimos dias.

—Por que as deixou pra trás? – perguntou Robb um dia, quando ficaram sozinhos. Era o sétimo dia. No dia seguinte teria que lidar com Stannis – Por que não as levou com você?

—Os Frey eram aliados dos Lannister, assim como os Bolton. Walda e Linda falaram que estariam seguras... e se eu levasse todas minhas damas de companhia para a guerra, não teria ninguém para cuidar do bebê falso que eu “deixava pra trás”. – Shiera suspirou, infeliz – Mais um erro da minha parte. Acho que só cometi erros desde que meu pai organizou aquele torneio em Harrenhal. – lamentou ela. Robb não gostou de ouvir aquilo e a abraçou com carinho.

—Não diga isso. – disse ele, mas Shiera não o abraçou de volta – Você fez sempre o melhor que podia.

—Mas nunca foi o suficiente, foi? – perguntou ela secamente – Estou cansada, Robb... tenha uma boa noite. – era o sinal de que ela queria ficar sozinha e que estava voltando para o quarto. Shiera voltara a dormir no quarto que ele tinha preparado para ela. O quarto em que sua mãe passara os últimos dias.

Robb suspirou e negou com a cabeça.

—Nunca, nada é suficiente, Shiera. A vida é injusta. – disse para ela – Eu também penso isso algumas vezes. Nunca somos o suficiente. Sempre precisamos perder um pouco de nós, para ganhar um pouco de nossos inimigos. Por isso guerras são tão caras. – a soltou por um breve momento, mas logo segurou as mãos delas – Venha comigo, por favor.

—Para onde? – perguntou Shiera. Robb beijou as mãos dela.

—Para as Criptas de Winterfell... eu ainda não as visitei. Quero prestar meu respeito à minha mãe e ao meu pai. – disse Robb – E significaria muito pra mim ter minha amiga e esposa comigo lá.

—Eu não quero... – disse ela, parecendo assustada – Eu... eu jurei a mim mesma que nunca pisaria lá de novo. – disse ela. Robb a olhou confuso –Eu te enterrei lá. Eu fui ver se o escultor fez seu rosto de maneira adequada. Ele te conhecia bem... eu... – ela engoliu em seco e os olhos brilharam cheios de água – Eu não quero ir lá novamente. É ver você morto mais uma vez.

—Mandarei esconder a estátua em algum lugar até que ela seja necessária novamente. – garantiu ele – E eu estarei bem vivo lá, ao seu lado. – entrelaçou a mão dela entre as suas – Segurando a sua mão, como todas as vezes que precisávamos enfrentar os Lordes, antes dele me aceitarem como suserano deles.

Shiera respirou fundo, sem parecer confiante, mas concordou. Os dois desceram e andaram a sós pelas criptas. Fora Shiera quem decidira os lugares onde Lorde Eddard Stark e sua senhora, Catelyn Tully, seriam enterrados, então ela quem liderou a marcha. Fora bem próximo de onde Lyanna, Richard e Brandon Stark foram enterrados muitos anos atrás. Ela até fizera uma pequena lápide para Bran. Não haviam encontrado nem mesmo o corpo dele, então era meramente simbólica.

Robb e Shiera ficaram em silêncio em frente à estátua de Eddard Stark. Não havia estátuas para Catelyn Tully, mas os ossos dela estavam ali, na mesma caixa que as do marido. Para que descansassem juntos. Robb entrelaçou os dedos com os de Shiera e ela apertou sua mão. Baixou o rosto, sentindo falta dos pais. De todos os seus irmãos, o único que estava seguro era Rickon... mandaria um corvo para que ele deixasse a Muralha e voltasse para Winterfell. Robb sentiu o peso de ser um senhor e aproveitou que estava sozinho com a esposa para deixar as frustrações escorrerem por seu rosto. Chorou um pouco, mas logo se recompôs. Shiera soltou sua mão e foi até a estátua de Lyanna, sua tia. Andou até ela e suspirou mirando a estátua.

—Eu já sonhei várias vezes com esse lugar. – confidenciou ela.

—O que acontecia? – perguntou Robb.

—Estou sempre seguindo Jon pelos corredores... ele sempre desaparece aqui. – disse Shiera. Robb desviou o olhar, incomodado e com ciúmes – Sempre escuto uma música, vindo daqui. – ela apontou para a caixa onde os ossos de sua tia repousavam – O que tem aí?

—Os ossos dela. – disse apontando com a cabeça, para a estátua da irmã de seu pai.

—Você já olhou? – perguntou Shiera.

—Nunca foi necessário. – disse Robb – Eu nunca violei nenhuma tumba. Nunca foi uma curiosidade da minha parte. – explicou ele e Shiera suspirou dando a volta na estátua para mirar a caixa.

—Sonhei com seus irmãos, Robb. – murmurou Shiera e Robb sentiu o estômago saltar.

—Sonhou com o que? – perguntou Robb.

—Nada bom. Sonhei com todos vocês, Starks... formavam a estrela de Sete Pontas, da Fé... Seu pai estava no lugar do Senhor, do Pai. Sua mãe no lugar da Mãe. Sansa era a Donzela... e ela estava presa numa tempestade, num navio, gritando e pedindo socorro. Arya... – ela engoliu em seco – Arya era o Estranho e tudo o que ela tocava morria. Você era o Guerreiro, invencível em batalha. Sua espada experimentava o sangue dos inimigos, inderrotável... então sombras tramavam sua morte no escuro... – Ela suspirou se abraçando e olhando a tumba de Lyanna Stark – Rickon era o Ferreiro, em cima da Muralha, construindo a defesa do Reino – ela fez uma pausa – Mas Corvos o atacavam e ele morria. – Shiera respirou fundo e o olhou com os olhos cheios de água – E então Jon...

—Jon vai morrer. – disse Robb – Eu sonhei com isso.

—Eu também. – disse ela se abraçando – Eu sonhei que todos vocês se tornavam um só em Jon Snow. – explicou ela – E então ele... ele vinha até mim e... – ela desviou o olhar.

—O que? – perguntou Robb. Shiera passou as mãos na tampa que selava a tumba de sua tia.

—E então... Fogo e Sangue. – disse ela misteriosamente.

—Eu sonhei com você e seus irmãos, também. – murmurou Robb. Shiera o olhou curiosa – Eu os vi no fogo. Vi você deixar de ser uma Stark, para se tornar um Bolton... e então uma Blackfyre de novo. Eu vi você e seus irmãos irem até a Muralha. E dois de vocês morriam por lá, enquanto o último voltava para Porto Real... – Robb suspirou e colocou suas mãos sobre o rosto dela – Não vá mais para o Norte. Winterfell é o limite, está bem? Nunca mais vá até a Muralha. – pediu Robb – Prometa-me. – Shiera abriu os olhos como se estivesse surpresa – Prometa-me, Shiera.

—Prometa-me? – perguntou ela olhando para tumba – Você ouviu isso? – perguntou ela. Robb negou com a cabeça e Shiera pegou a tocha que eles tinham trago, para iluminar o caminho – Eu ouvi uma voz. Uma voz de mulher. – disse ela.

Robb olhou ao redor, mas não viu ninguém.

— Segundo um costume antigo, uma espada de ferro sempre é colocada no colo de todos os que tinham sido senhores de Winterfell, para manter os espíritos vingativos em suas criptas. Mas a mais antiga já enferrujou até sua inexistência. Eu e Jon, quando éramos mais novos, falávamos para Sansa, Arya e Bran que isso significava que os espíritos desses Starks estariam livres para passear pelo castelo.

—Então acha que eu escuto os espíritos? – perguntou Shiera.

—Acho que está cansada e precisa repousar. – disse Robb. Shiera o olhou e voltou a prender a tocha na parede.

—Pois eu acho que sua maldição me pegou e eu estou sendo assombrada pelos fantasmas de Winterfell.

Robb negou com a cabeça e andou até ela. Shiera encostou as costas na parede e ele a afagou no queixo.

—Eu sou o único Fantasma de Winterfell... por acaso eu estou te assombrando? – perguntou a olhando nos olhos.

—Um pouco. – murmurou ela. As mãos dela tocaram seu rosto, um tanto trêmulas. Não se mexeu. A ficou mirando nos olhos, enquanto ela o estudava sob a luz da tocha – Você envelheceu...

—Morrer não é uma experiência fácil. – murmurou ele a alisando no rosto – Você também envelheceu, mas não tanto. – garantiu ele – Olho pra você e quase não enxergo aquela garota que eu conheci em Harrenhal... de sorrisos fáceis, olhares doces e gênio difícil.

—O que enxergas ao olhar pra mim? – perguntou ela abandonando o sotaque nortenho e falando como uma sulista. Robb suspirou a afagando no rosto.

—Dor. Tristeza. Amargura. – respondeu – Coisas que eu nunca quis ver em você. – Shiera suspirou desviando o olhar – Vejo medo, também. E muitos arrependimentos. Mas... – ele a fez virar o rosto, para que ela mirasse seus olhos – Também vejo esperança, força e amor.

—Amor? – perguntou ela com descrença – Como podes ver amor em mim, Robb? Não sobrou nada disso em minha alma.

—Talvez seja reflexo dos meus olhos... talvez esteja ficando louco... mas eu ainda vejo amor em você. – disse ele com um sorriso tímido – Caso contrário não estaria aqui comigo. – disse baixinho, num sussurro. Shiera suspirou e ele se curvou para beijá-la no rosto. Ela virou a face, minimamente, aproximando os lábios. Tocou os seus nos dela, muito lentamente, sentindo o coração bater acelerado. Suas mãos foram até os ombros dela, para puxá-la com delicadeza. Shiera se entregou ao beijo por um segundo, mas no seguinte o empurrou de leve, virando o rosto – Perdoe-me. – murmurou. Ela o olhou parecendo confusa e infeliz.

—Eu sinto muito... é só que... eu não estou...

—Está tudo bem. – sussurrou para ela – Está tudo bem... – murmurou de novo. Shiera fechou os olhos e o abraçou, soltando soluços e Robb a abraçou de volta. Ficaram ali por alguns minutos e ela se afastou – Vamos voltar?

Andaram de mãos dadas, até o quarto onde Shiera normalmente dormia. Robb a olhou com carinho e a beijou na mão novamente.

—Tenha uma boa noite, meu amor. – murmurou. Shiera suspirou e concordou com um triste aceno de cabeça. Desejou ardentemente dormir com ela, mas compreendeu que ela precisava de um tempo. Se virou, indo para o próprio quarto, se perguntando quanto tempo seria isso.

Notas finais
Gente, a Shiera tá quebrada e vai demorar um pouquinho pra ela voltar ao normal. Sorry... Bem... Vamos às prévias do próximo capítulo? "-Espera... vocês acham que mamãe é responsável por isso? – perguntou Tommen finalmente largando os talheres e se levantando. Myrcella estava parada, mas Margaery andava de um lado para o outro, bufando furiosa." HSuahsuahsuashuas O que será que a Cersei aprontou? xD "-E então, Robb Stark. – disse Stannis, impaciente. Sua voz rouca e seu rosto sem humor tão característicos quanto quando ela o conheceu depois da Muralha – Eu lhe dei os sete dias que me pediu. Esperei mais do que poderia me atrever. E agora? – perguntou Stannis e Robb suspirou." O Norte vai se ajoelhar pro Stanis? 8D Última prévia: "-Dobre o joelho, Robb Stark. É sua última... – mas as últimas palavras de Stannis foram abafadas por um berro monstruoso." E é isso! Espero que tenham gostado do capítulo! O próximo sai dia 22! =D Beeeeijos Titia ama vocês ^~