Blackfyre

48 Artimanhas


Notas iniciais
Oooooi! Hoje não é dia de postar, mas vejam bem. Blackfyre recebeu DUAS recomendações!!! DUAS! AAAAH! Obrigada, Skadi Mantell e Gardênia Acco! Amei as duas recomendações. Esse capítulo e o próximo serão dedicados a vocês! Milhões de beijos!!! Obrigada também a todos os que comentaram! Se eu não respondi todos ainda, eu vou responder, tá? É que eu tô muito corrida hsaushausha Beijos! ^^

Artimanhas

Valerion a apertou com força contra si e Myrcella o mordeu no lábio. Ele respirou fundo, cansado e pingando suor e ela o afagou na nuca ainda desejando mais.

—Só um minuto... me dê... só um minuto. – pediu ele com um sorriso no rosto. Ela concordou com ele e os dois sorriram nos lábios um do outro, arfando sem fôlego. Valerion a beijou com urgência e ela o arranhou nas costas com força. Ele estremeceu gostando das unhadas e a apertou na coxa com força – Oh, você me deixa louco, Myrcella.

—Você também me deixa louca. – sussurrou no ouvido dele. Valerion suspirou e a beijou de novo, a deitando na mesa e se ajeitando melhor entre as pernas dela. Myrcella jogou os braços para cima, apertando o quadril dele com as coxas e Valerion a olhou com puro desejo em seus olhos púrpuras – Você me quer?

—Demais. – riu ele a estocando novamente.

—Espere... – pediu se remexendo.

—O que? – perguntou ele.

—Acho que estou deitada sobre as tabelas de trigo Tyrell. – disse retirando alguns papeis de cima da mesa.

—Eu espero profundamente que o rei não venha conferir meu trabalho. – riu Valerion fazendo careta e Myrcella gargalhou.

—Tommen acabou de perder a virgindade. Melhor que ninguém ele vai entender. – riu ela e Valerion concordou com um sorriso no rosto.

—Obrigado, Rainha Margaery, por ter enfeitiçado nosso rei com seus quadris, quase tão maravilhosamente bem quanto a princesa fez comigo.

Myrcella se sentou e lhe deu um tapa no ombro, mas Valerion apenas sorriu, se ajeitando dentro dela, para continuarem. Minutos depois de muitos gemidos e posições diferentes, Myrcella voltou a se vestir, com Valerion a lhe ajudar com todos os cordões. Ele já estava tão hábil para vesti-la quanto para despi-la.

—Acha que vai conseguir terminar de fazer tudo o que tinha para hoje? – perguntou divertida e Valerion bufou.

—Mais um treino de espadas com Loras terá que ser cancelado. Se eu tiver que lutar pela minha vida e estiver fora de forma, a culpa será toda sua. – ralhou ele e Myrcella deu uma risadinha.

—Se quiser que eu pare de vir te visitar, é só falar.

—Oh, pelos Sete, não pare de vir me visitar. – disse ele a puxando, para apalpar seus seios enquanto afundava rosto em seu pescoço para enchê-lo de beijos.

—Isso é Blasfêmia, Valerion. – ralhou e ele riu.

—Sou o mais satisfeito dos pecadores. – disse ele lhe beijando o pescoço.

—De Campeão dos Deuses a pecador desvirtuado...

—É que você é um pedaço de mau caminho... – disse ele a beijando ainda no pescoço e Myrcella estava quase desistindo de ir embora.

—Valerion... eu vim aqui para te pedir uma coisa. – pediu ela – Mas como sempre, toda vez que te vejo acabamos tirando a roupa antes de conversar.

—Sim, já notei esse hábito que vem se tornando nosso... – riu ele a abraçando com força, respirando em seus cabelos – O que gostaria de conversar, minha senhora?

—Sobre nosso casamento. – disse ela se virando para olhá-lo nos olhos – Eu quero algo simples e discreto. – Valerion piscou surpreso.

—Sério? – perguntou ele. Myrcella concordou e andou até a mesa do prometido, pegando um pergaminho e anotando os dados que os dois tinham coletados juntos. Valerion se apoiou na mesa a observando, de braços cruzados e olhar curioso – O que está fazendo?

—Aqui está, tudo o que planejávamos gastar no nosso casamento, com os prêmios dos torneios, músicos, atrações, comida, materiais, etc... – disse ela e Valerion concordou – Temos que pagar o tributo ao Septo, como de costume... e eu planejava gastar pelo menos isso com o meu vestido. – disse ela e ele concordou – Quero pegar todo o dinheiro que gastaríamos com prêmios e uma festa de três dias...e gastar apenas dois décimos do que planejamos.

—E guardamos o resto do dinheiro? – perguntou Valerion.

—Não. O usamos para pagar uma parte da dívida do Trono de Ferro com o Banco de Bravos. – disse Myrcella e Valerion torceu o nariz – Ninguém nunca mais iria atacar sua lealdade se fizesse isso. E seria muito mais interessante do que gastar com coisas superficiais. Não precisamos de uma festa exagerada. Só dois décimos do que estávamos planejando gastar já será mais do que o casamento de Margaery e Tommen.

—E menos que o de Joffrey.

—Foda-se Joffrey. Ele está morto e enterrado, enquanto você está vivo e fodendo a irmãzinha dele. – riu Myrcella.

—Myrcella Baratheon! Que modos são esses? Você beija a sua mãe com essa boca?! – ralhou Valerion e os dois caíram na gargalhada – Escute, minha senhora. Se quer dar o dinheiro ao Trono de Ferro, que seja... mas poderíamos gastar quatro décimos no casamento, doar três décimos para o Trono e que sobrou, podemos deixar em Harrenhal.

—Não seja tão sovina. – brincou Myrcella e Valerion revirou os olhos.

—Desculpe por não querer pagar a dívida do Trono. Se um dia você virar rainha, pagarei até o último centavo. Mas como a coroa caiu no colo dos Tyrell, eles que se virem.

—E eu achando que você era superamigo deles. – brincou Myrcella balançando a pena, enquanto Valerion dava risadinhas.

—Amigos? Amigos... mas negócios a parte. – disse Valerion – E é assim que nos manteremos ricos. – Myrcella concordou e suspirou.

—Você disse uma coisa... que não gostei.

—O que?

—Sobre eu ser rainha um dia... eu espero que isso não aconteça. – respondeu ela.

—Por que? – perguntou seu prometido com as sobrancelhas arqueadas – Você seria uma monarca muito melhor que Tommen ou Joffrey. – garantiu ele e Myrcella suspirou.

—Sim, mas para eu ser rainha, Tommen precisa morrer em breve.

—Claro que não. É só ele não conseguir ter filhos. – riu Valerion – Você é a herdeira dele se isso acontecer. E caso ele morra muito velho e você já tenha falecido, nossos filhos herdarão o trono.

—Começo a pensar que está planejando isso. – semicerrou os olhos e Valerion sorriu.

—Claro, bolei um plano super estratégico para que Tommen se torne... – começou ele, mas a porta se abriu. Valerion e Myrcella olharam descontraídos e curiosos. Pessoas muito má vestidas entraram na sala, com clavas e maças. Todos tinham uma cicatriz na testa, com a estrela de sete pontas. Sentiu um calafrio e Valerion se levantou, colocando-se entre os recém-chegados e ela – Normalmente batem na porta antes de entrar na sala do Mestre das Leis. – disse ele com cautela.

—Valerion Blackfyre? – perguntou um dos homens. Valerion concordou com um aceno de cabeça. Myrcella olhou discretamente para o lado e notou que a espada dele estava no chão. Eles tinham voltado a se vestir, mas Valerion não se dera ao trabalho de prender a espada no cinto novamente – Você está preso, acusado de perversão, blasfêmia e do assassinato do Rei Joffrey.

—O que? – perguntou Myrcella – Ele já provou a inocência dele. – disse Myrcella.

—Perversão? Blasfêmia? Do que vocês estão falando? – perguntou Valerion e os homens se aproximaram o segurando pelos braços – Tirem as mãos de mim.

—Soltem ele! É uma ordem! – rosnou Myrcella. Mas ninguém lhe deu ouvidos. Tentou avançar contra um deles, mas foi empurrada com força contra o chão.

—Não ouse machucar a princesa... – rosnou Valerion parecendo enfurecido. Ele conseguiu livrar um braço e socar o homem que a empurrara, mas em seguida levou uma pancada de bastão na cabeça, desmaiando imediatamente.

—Valerion! – gritou assustada.

—Não se meta, princesa. Nós temos a permissão do rei Tommen para castigar e prender os infiéis e pecadores. – disse um deles. Myrcella quis pegar a espada de Valerion e atacá-los, mas não foi tola. Pegou a espada dele e correu até Tommen, completamente assustada. No caminho cruzou com Margaery, que parecia simplesmente furiosa. As duas entraram no quarto de Tommen, que as olhou surpreso.

—Por que meu irmão está preso? – perguntou Margaery. Myrcella piscou, surpresa e se virou para o irmão.

—Por que meu prometido foi preso? – perguntou abraçando a espada dele. Tommen as olhou idiotamente confuso. Ele estava no meio de uma refeição e tinha as mãos a meio caminho de cortar um pedaço de cenoura.

—Não sei... – respondeu ele olhando para as duas, parecendo completamente perplexo. As duas seguiram olhando para ele e o rapaz encolheu na própria cadeira – Eu não fiz isso. – disse ele quase em pânico.

—Nós dois sabemos muito bem quem fez. Ou melhor, nós três. – rosnou Margaery, sem parecer por um segundo a personagem que ela sempre interpretara – Myrcella não é estúpida. – disse ela e Myrcella engoliu em seco, se lembrando que Valerion comentara que sua mãe tinha armado a Fé Militante – Você falou que ela voltaria para Casterly Rock. – disse Margaery.

—Espera... vocês acham que mamãe é responsável por isso? – perguntou Tommen finalmente largando os talheres e se levantando. Myrcella estava parada, mas Margaery andava de um lado para o outro, bufando furiosa.

—É claro que acho. – disse Margaery – Ela está com ciúmes por você não ser mais dela. – Myrcella sabia que era muito mais do que isso – E ela está se roendo porque Myrcella e Valerion estão tendo um romance. Não é, Myrcella?

—Sim. – disse furiosa com a situação – O que vai acontecer com Valerion? O estão acusando de ter matado Joffrey, de novo.

—Mas... bem... ele confessou ter matado Joffrey. – disse Tommen.

—Ele se provou inocente! – disse Myrcella

—Sua mãe está sendo ciumenta e está se vingando de mim e de Valerion! – disse Margaery, furiosa.

—Espera... – ele se virou para a esposa – Vocês não estão se dando bem? Pensei que tinham se tornado amigas.

—Céus, Tommen. Você caiu de cabeça quando era criança? – perguntou Myrcella – Margaery até tenta se dar bem com a nossa mãe, mas ela é paranoica e acha que todo mundo quer te dar uma rasteira, que todo mundo está nos usando, que todo mundo quer o nosso poder... quando é ela quem faz tudo isso.

—Mamãe não é assim. – disse Tommen, nervosamente. Margaery andou até ele e o olhou com os olhos brilhantes.

—Meu doce, doce rei... você tem um pingo de afeto por mim e por sua irmã?

Tommen ficou de joelhos aos pés de Margaery no mesmo momento e Myrcella revirou os olhos atrás dele.

—É claro que tenho. Es minha rainha. – ele se levantou e olhou para Myrcella – E tu, minha doce irmãzinha.

—Imagine como se sentiria se soubesse que me trancaram numa cela imunda. – disse Myrcella olhando o irmão com os olhos brilhantes. Margaery fez o mesmo.

—Ou se soubesse que eu fui presa injustamente. E que estou sozinha, sem ninguém para me socorrer. – disse ela e Myrcella deu graças aos deuses por ter feito Margaery sua aliada.

Tommen respirou fundo e concordou com um aceno de cabeça.

—Libertarei os dois por vocês. – garantiu ele.

—Promete? – perguntaram juntas.

Tommen acenou que sim e saiu eficientemente pronto para servi-las. Myrcella, que tinha chorado falsamente, secou as lágrimas e olhou para Margaery.

—O que fizeram com o seu irmão? – perguntou curiosa.

—Ele estava fazendo minha guarda, enquanto eu caminhava pelos jardins com minhas primas. Então um monte de homens estranhos, com a Estrela de Sete Pontas desenhadas na cabeça apareceram e prenderam ele. O levaram embora e quando eu tentei dar ordens para que o libertassem, simplesmente me ignoraram... oh, Myrcella. Estás a sangrar. – disse Margaery segurando seu braço. Notou que tinha esfolado o cotovelo, mas deu de ombros.

—Espero que Tommen resolva isso. – disse abraçando a espada de Valerion – Não quero que meu doce Valerion fique preso. É a segunda vez no último mês que mamãe o joga numa cela.

Margaery deu uma risadinha, mas em seguida fungou, tentando disfarçar. Myrcella a olhou zangada, mas não conseguiu não rir.

—É a sogra dos sonhos, sem dúvidas. – riu Margaery. Myrcella deu uma risada nervosa e Margaery a imitou – Eu espero que não machuquem meu irmão e nem Valerion...

**

Robb estava sentado no cadeirão do senhor. Stannis estava com o braço enfaixado, mas rodeado de seus homens. Todos estavam nervosos. Era o momento decisivo. Era o momento em que Robb diria se iria dobrar ou não o joelho a Stannis. Os Lordes do Norte tinham deixado claro que não seguiriam Stannis. Eles queriam servir um Rei no Norte. Eles dobrariam o joelho apenas para o Jovem Lobo.

Shiera observava tudo de longe. Ainda não ficava confortável junto de todos aqueles homens. Walda estava ao seu lado, segurando seu braço, parecendo tão incomodada quanto. Robb pedira para que ela ficasse ao seu lado, como sua rainha, mas ela pedira a ele que não insistisse. Ela não queria fazer aquilo. Não estava pronta para aquilo. Ela não queria nem mesmo sair do próprio quarto... mas lhe ocorrera que tinha a desculpa perfeita para que Robb não ficasse entre a própria honra e a vontade do Norte.

—E então, Robb Stark. – disse Stannis, impaciente. Sua voz rouca e seu rosto sem humor tão característicos quanto quando ela o conheceu depois da Muralha – Eu lhe dei os sete dias que me pediu. Esperei mais do que poderia me atrever. E agora? – perguntou Stannis e Robb suspirou.

—Stannis Baratheon... – começou Robb, mas Shiera fechou os olhos e avançou alguns passos, tomando coragem. Se perguntou se a Rainha do Norte ainda existia dentro de si, ou se ainda era aquela garota assustada que tinha se tornado.

—Meu amor. – disse mais baixo do que pretendera. Walda a soltou e ela continuou o caminho até Robb, que a olhou surpreso – Meu amado Rei Robb. – disse um pouco mais firme, respirando aceleradamente. Mas o olhar carinhoso de Robb lhe deu força e coragem. – Me permite tirar algo devastador, que me assola a alma? – perguntou ela e todos se olharam confusos.

Sabia muito bem dos sussurros que rondavam Winterfell. Muitos diziam que tinha enlouquecido depois de todos os maus tratos que sofrera nas mãos de Roose. Então achou que seria útil se utilizar de tais rumores. Por isso seu cabelo estava desgrenhado e fez questão de manter os olhos inquietos, como se estivesse mesmo louca.

—Shiera... agora? – perguntou Robb.

—Não posso aguentar conviver com essa dúvida por muito mais tempo. – disse fazendo-se mergulhada em angústia – Como todos sabem... – ela se virou para os Lordes que a olhavam, para Stannis que a fitava com impaciência e por último, para ninguém em específico, deixando o olhar um tanto vago – Me casei com Roose Bolton. Mas eu já era casada. Contigo, meu amor. – disse ficando de joelhos aos pés de Robb – Isso significa que meu casamento com Bolton não foi válido, não é? – perguntou ela – Significa que Roose não tinha direito sobre mim, sobre nossa herança, nem sobre nada. Não foi válido. Diga-me, não foi válido, foi?

—Pelas leis dos deuses, não. – disse Lorde Karstark, cauteloso – Os Velhos Deuses não abençoariam um casamento de uma mulher que já era casada, depois do casamento ser consumado. Você e Robb tiveram um filho. Seu casamento com Roose não valeu. – explicou ele.

—Lorde Jonos... – disse indo quase desesperada até Lorde Bracken, que a fitou surpreso. Se ajoelhou em frente a ele, o deixando ainda mais constrangido – E diante dos Sete? Meu casamento para os Sete foi válido? Por mais que eu cultue os Deuses Antigos, eu comecei a rezar pelos Sete também...

Jonos olhou para os Lordes ao seu lado e encolheu os ombros, nervosamente.

—Até onde eu sei... pelas leis dos Sete... seu casamento com Lorde Bolton não é válido, pois seu verdadeiro marido estava vivo. Além disso, você foi obrigada a se casar. Todos sabem disso. Eles ameaçaram sua família e mantiveram suas amigas presas. Não acho que os Sete abençoariam o casamento, tampouco.

Shiera se levantou e olhou ao redor, como se procurasse ajuda. Então mirou Stannis.

Correu até ele e segurou suas mãos, fingindo-se de desesperada novamente.

—Vossa Graça. Perdoe-me, mas me diga. O Senhor da Luz, a quem Vossa Graça serve... ele também me consideraria inocente, não? Ele também diria que esse compromisso com Roose Bolton é inválido, já que Robb, meu amado Rei Robb, estava vivo. Por favor. Diga que R’hllor não aceitaria que eu firmasse compromissos com Roose Bolton, já que eu era casada com Robb e jurei meus votos a ele. Tire esse peso e essa culpa de meu coração, eu lhe imploro.

—Precisamos mesmo perder tempo com isso? – perguntou Stannis, impaciente.

—Por favor, Vossa Graça. Me conceda essa resposta. – implorou quase aos falsos prantos. Stannis olhou para os lados e um de seus homens se adiantou.

—Senhora Shiera. R’hllor jamais aceitaria tal abominação. Um casamento é até que a morte separe. Como Robb Stark estava vivo, Roose não tinha o direito e nem o poder de desposar a senhora.

—Tens toda a certeza? – perguntou com um sorriso insano no rosto. O homem, provavelmente um Florent, pelo tamanho das orelhas, concordou ligeiramente constrangido – Oh, isso me alivia o coração. – disse ficando de pé – Me perdoe, Robb... Eu sinto que fui a causa de todos esses problemas.

—Não há motivo para que te culpes, meu amor. – disse Robb com a voz firme.

—Mas receio que causei uma situação constrangedora. – disse indo até Robb – Como sabes, meu amado, prometi a Stannis que o Norte ajoelharia a ele. – disse torcendo as mãos e olhando de Robb para todos os Lordes – Mas é claro... eu pensei que estavas morto. Como todos aqui pensavam. Eu realmente sinto muito.

—Não há motivos para se desculpar, Shiera. – repetiu Robb pacientemente.

—Mas é que eu não tinha a menor autoridade para fazer tal promessa. – disse olhando para os Lordes e depois para Stannis – Como deves recordar, meu amor, fui proibida de me envolver com qualquer medida política. Retiraste todo meu poder de regência. Eu não tinha o direito e nem o poder para prometer o que quer que fosse a Stannis. – disse Shiera – Assim como meu casamento com Roose não foi válido perante aos homens e aos deuses que todos seguimos... quaisquer promessas que eu tenha feito a Stannis também não foram. – e então parou de fingir-se de louca – Obrigada, Vossa Graça, por livrar meu marido da obrigação de cumprir com qualquer promessa que eu tenha feito.

Fez-se um longo silêncio no salão, onde todos a olharam em choque. O silêncio só foi quebrado por Lorde Jon Umber, que caiu na gargalhada, seguido por outros senhores Nortenhos. Os homens de Stannis ficaram agressivos e o próprio Stannis a olhava furioso. As forças dele eram menores que as dela. Os senhores do Rio apoiavam Robb, assim como os homens do Vale, que nunca gostaram de Mindinho. Mas como Robb era primo do atual Lorde do Vale, todos os homens preferiram seguir Robb, se rebelando finalmente contra o Trono de Ferro. Até mesmo alguns homens de Ponta Tempestade estavam mais inclinados a seguir o Jovem Lobo, por suas proezas, mas também porque não aprovavam a religião de Stannis e nem o modo macabro como ele matara o próprio irmão. Stannis estava numa óbvia desvantagem ali...

Mas mesmo assim ele tirou a espada.

—Não vou tolerar ser enganado dessa maneira. – rosnou Stannis – Seu pai era um homem honrado, Robb Stark. Cumpra com o que me foi prometido.

—Mas, meu senhor, não me recordo de lhe ter prometido coisa alguma. – disse Robb – Shiera tem razão. Em virtude do parto dela, minha esposa estava um tanto instável. – ele a olhou com diversão – Para garantir a segurança dela, a proibi de se envolver nas questões políticas e de guerra... se ela lhe prometeu algo, eu realmente sinto muito. Meus Lordes e os Senhores do Rio estão aí para afirmar o que eu digo. – explicou Robb – Eu lhe agradeço pela ajuda. E ofereço, em troca, uma aliança, para derrubarmos os Lannister do Trono de Ferro. Mas o Norte é livre e nós não nos ajoelharemos. – disse Robb, firmemente e os Senhores Nortenhos bateram as mãos e as canecas em suas mesas, gritando.

—Pois eu o chamo de mentiroso e traiçoeiro, Robb Stark. Eu sou o legítimo herdeiro do Trono de Ferro, o verdadeiro rei dos Sete Reinos. E eu vou banir os rebeldes que ousarem não respeitar o meu direito. – rosnou ele e os homens dele sacaram as espadas. Shiera engoliu em seco e Robb se levantou ficando entre ela e ele – E vou fazer a mentirosa, que engenhosamente me enganou, pagar por isso. – garantiu ele. Shiera escondeu-se atrás do esposo, sentindo as pernas tremerem. Se odiando por estar com medo. Já tinha lutado mais de uma batalha. Mas parecia que Roose a tinha quebrado por dentro.

—Guarde sua espada, Stannis. Ou no lugar de ter a chance de lutar para ser rei da sua parte de Westeros, vai lutar e morrer no Norte. – disse Robb. Mais espadas foram desembainhadas. Shiera sentiu os homens de Stannis olharem-na como um arqueiro olhava um alvo. Engoliu em seco novamente, mas não recuou. Desejou ter sua espada consigo, mas não a tinha. Roose tinha se livrado dela assim que voltara para Winterfell.

—Dobre o joelho, Robb Stark. É sua última... – mas as últimas palavras de Stannis foram abafadas por um berro monstruoso.

Todos se calaram, trocando olhares curiosos. Gritos vindos de fora do castelo foram escutados e Shiera mirou Robb, confusa. O berro ecoou novamente e Shiera teve a impressão de que ele vinha dos céus. Ficou-se num silêncio confuso, esperando mais algum barulho estranho, quando um homem qualquer entrou correndo no grande salão.

—Vossa Graça. – disse ele olhando para Robb, com pânico estampado no rosto – Theon... é Theon. Ele voltou. – disse o homem e Shiera saiu de trás de Robb.

—Theon? – perguntou Shiera – Ele... como...?

—Vimos os estandartes da Lula Gigante e do Lobo Gigante, além do dragão negro... um exército enorme marcha para Winterfell... e... e parece que o irmão da rainha está com eles... e... – o homem engoliu em seco e Shiera piscou pensando em Valerion. Valerion fugira de Porto Real e trouxera Harrenhal com ele? – Eles têm um dragão. – disse o homem, parecendo morrer de medo – A criatura está voando ao redor do castelo. Prometeram que se abrirmos os portões, não vão nos queimar vivos.

Robb a olhou chocada e Shiera passou por ele, correndo para fora. Muitos a acompanharam e quando ela saiu, uma enorme sombra passou por ela. Olhou para os céus e viu a criatura com quem já sonhara algumas vezes.

—Aegon... você voltou para Westeros? – perguntou chocada. Continuou andando até os portões e exigiu que os abrissem. Robb logo a alcançou e deu a mesma ordem. Só então o fizeram. Shiera quase correu para a estrada do rei. O gelo dificultava seu caminhar, pois estava muito alto. Mas já podia ver o enorme exército. Muito maior do que jamais poderia imaginar. Organizado, cheio de bandeiras Blackfyre. Um cavaleiro vinha a galope, mais a frente que todos os outros. Só quando ele já estava muito próximo, que foi capaz de reconhece-lo. Seu coração aqueceu, batendo acelerado e as lágrimas de alegria rolaram por seu rosto maltratado. Era Aegon. Com toda a certeza do mundo, era Aegon. O dragão voou sobre eles novamente e ela gargalhou feliz. Aegon pulou do cavalo e correu em sua direção. Fez o mesmo e pulou nos braços dele, o derrubando no chão e o escutando gargalhar. Nem lembrava mais como era bom escutá-lo gargalhar – Você voltou! – chorou no peito dele.

—Voltei pra você, irmãzinha. – disse ele a abraçando. O olhou feliz e notou a alegria dele murchar.

—O que? – perguntou confusa e o dragão rosnou lá em cima. Aegon se sentou e colocou a mão em seu rosto, onde Roose lhe havia batido. Depois ele olhou para alguém atrás dela. Enxergou ira nos olhos do irmão e ele se levantou sacando a espada. Se virou e notou que Robb sacara a própria também.

—Eu mato você, Stark! – rosnou Aegon e Robb se preparou para se defender, mas Shiera segurou o braço do irmão.

—Aegon! Não foi ele! Não foi ele! – disse aflita e Aegon bufou furioso. Outro cavalo os alcançou e Theon pulou no chão.

—Você pode ficar dois minutos sem querer matar a primeira pessoa que passa na sua frente? – ralhou ele com um sorrisinho divertido – Shiera? O que houve com o seu rosto.

—Roose Bolton. – respondeu Robb, ainda desconfiado de que Aegon poderia atacá-lo. Aegon bufou e a olhou de novo.

—Você está horrível. – ralhou ele a estudando com os olhos – Quem é Roose Bolton?

—Eu te falei sobre Roose Bolton. – ralhou Theon.

—É o homem que traiu o Stark... – disse Aegon mais numa pergunta do que numa afirmação e Theon concordou com um aceno de cabeça.

—Francamente, você e seu irmão ficaram com toda a inteligência para vocês? – perguntou Theon parecendo bem humorado. Então ele olhou para Robb. Pela primeira vez. O sorriso dele morreu e Theon cambaleou confuso.

—Eu não estou entendendo nada. Ele não deveria estar morto? Você me falou que ele estava morto. – disse Aegon, coçando a barba, olhando para Robb parecendo completamente perdido. Shiera se soltou do irmão e andou até Robb, para abraçá-lo. – E eu imaginava Robb Stark mais jovem...

—É uma longa história complicada. – riu Shiera e Aegon guardou a espada.

—Vai ficar me olhando desse jeito por quanto tempo mais, Theon? – perguntou Robb e Theon piscou confuso.

—Ok. Eu acho que estou ficando louco. – disse Theon.

—Eu pensei isso também. – garantiu Shiera.

—Ela até tentou pular da janela. – riu Robb e Theon sorriu para abraçar Robb.

—Vocês Starks são difíceis mesmo de matar. – riu Theon – Conquistamos Winterfell então?

—Sim. Mas temos um novo problema. – disse Shiera.

—Qual? – perguntou Theon.

—Stannis quer ser rei. – respondeu olhando para trás. Stannis Baratheon olhava para o dragão, que voava em círculos sobre as cabeças deles – Mas agora que Robb está vivo...

—Quanto a isso... – disse Theon fazendo careta e olhando Aegon. Shiera olhou o irmão mais velho e sorriu.

—Que bom que voltou, irmão. É o exército de Harrenhal? – perguntou olhando para as tropas que se aproximavam em perfeita formação.

—Não. É a Companhia Dourada. – respondeu ele – Eu não toquei em Harrenhal. Ela é de Valerion. Papai não disse? – perguntou Aegon.

—Sim, mas achei que era apenas mais uma briguinha boba entre vocês dois. – disse Shiera e Aegon negou com a cabeça.

—Eu abri mão do meu direito de herança. Eu deixei tudo para vocês. – explicou ele – Minha ideia era entrar para a Guarda Real...

—Você? Vestir o branco? – perguntou surpresa. Seu irmão bateu no peito, onde o dragão negro estava brilhando em sua armadura escura.

—É... é uma história complicada. Mas teremos tempo para isso depois. Aquele é Stannis Baratheon, você disse? – perguntou Aegon e Shiera concordou – E ele está dando problemas?

—Sim. – respondeu simplesmente e Aegon deu uma risadinha assoviando. O dragão pousou ao lado dele e Aegon foi andando calmamente na direção de Stannis.

—E você achava estranho o fato de termos lobos como animais de estimação. – disse Robb, estupefado, olhando o dragão.

—Vamos. – disse puxando a mão do marido – Theon... e Ned? – perguntou para o amigo.

—Ele está lá atrás, na carruagem com a senhorita Whent. – respondeu Theon – Com Vento Cinzento e Nym. Ele está bem, o garoto.

—E Mance? – perguntou Shiera.

—Foi com Tarly para a Cidadela. Ele vai tentar descobrir uma maneira de derrotar os outros. Acredita que lá possa ter algum tipo de informação valiosa desse tipo. – explicou ele. Seguiram caminhando até onde Stannis estava. Aegon o olhava com desafio.

—Então você é Stannis Baratheon? – perguntou Aegon.

—Sou. E você é o irmão mais velho de Valerion. Aegon Blackfyre. – disse Stannis.

Aegon concordou com um aceno de cabeça.

—Muito bem. Vamos resolver algumas coisas. Eu tenho um exército de doze mil homens atrás de mim, mais um dragão gigante que cospe fogo. – disse Aegon e o dragão dele rosnou. Os homens encolheram de medo e Shiera sorriu feliz – Tenho certeza que não vamos ter nenhum problema, vamos? – perguntou Aegon e Stannis olhou para o dragão.

—Eu sou o legítimo Rei dos Se...

—Minhas bolas que é. – cortou Aegon se aproximando um passo – Daenerys Targaryen é a legítima herdeira do Trono de Ferro. Legítima Rainha dos ândalos e protetora dos Sete Reinos. A não queimada, a Mãe dos Dragões, Quebradora de Correntes, e tudo o mais. – riu Aegon – Você é Stannis Baratheon... alguém que vai morrer de qualquer jeito. – disse Aegon e Stannis o olhou surpreso.

—O que? – perguntou ele.

—Dracarys. – respondeu Aegon. Antes que Shiera pudesse perguntar algo, o dragão cuspiu fogo na direção de Stannis e dos homens que o seguiam. Um grupo de vinte pessoas. Em questão de segundos, apenas carvão restou ali. Armaduras, espadas, carnes e ossos desmoronaram em carvão e cinzas. Robb segurou sua mão, chocado e Theon assoviou longamente. Aegon se virou e sorriu – Então... almoço? Estou morrendo de fome.

Shiera e Robb o olharam boquiabertos e Theon deu uma risadinha.

—Algumas vezes eu adoro ele. Outras eu quero bater a cabeça dele no muro. – disse o rapaz e Aegon sorriu.

—A recíproca é verdadeira, jovem Greyjoy. – Aegon olhou para trás e suspirou – Esse castelinho aí vai caber todo mundo?

—Castelinho? – perguntou Robb, ofendido.

—Eu cresci em Harrenhal, moleque. Esse cafofo é um castelinho pra mim. Mas vem cá. – Aegon puxou Robb pelo pescoço e o prendeu entre seu braço, caminhando com ele como se fossem bons amigos – Então você é Robb Stark. Eu queria mesmo conversar um pouquinho com você... sobre casar com a irmã alheia, sem autorização dos parentes dela. Houve uma guerra um tempo atrás pelo mesmo motivo, sabe? – perguntou Aegon enquanto se afastava, tranquilamente, ainda puxando Robb pela cabeça. Shiera olhou para Theon, que deu de ombros.

—Ele vai infernizar o Robb, não vai? – perguntou Theon.

—Com certeza. – riu Shiera se voltando para o dragão. A fera a olhou nos olhos e ela sorriu – Ele é lindo.

—Viserion. – disse Theon – O nome dele é Viserion. – adicionou ele. Shiera concordou e respirou fundo olhando para o dragão, que aproximou a cabeça. Era do tamanho de uma carroça, talvez até maior. Esticou a mão e tocou o focinho dele. Viserion soltou uma baforada de ar quente e Shiera sentiu-se maravilhosamente bem.

—Olá, Viserion... – sussurrou e o dragão rosnou baixinho. O afagou no focinho e ele abriu as asas, para voar novamente – Maravilhoso. – disse completamente impressionada com tudo aquilo.

—Quem vai contar pros homens de Stannis que ele virou pó? – perguntou Theon, sem o menor tato. Shiera o olhou e sorriu para ele.

—Eu senti sai falta, Theon Greyjoy. Lorde das Ilhas de Ferro. – riu ela abraçando o braço dele.

—E eu senti a sua, Shiera Blackfyre, Rainha do Norte. Quer carona até a carruagem onde seu filho está?

—Claro. Eu quero apresentá-lo formalmente a Robb. – disse Shiera.

—Use o cavalo do seu irmão. Acho que ele não vai se importar. – riu Theon – Inclusive, acho melhor você adestrá-lo direito. Aquele cara não bate bem das ideias.

Notas finais
Aegon chegou pisando em todo mundo ahsuahsuahsa É assim que um Blackfyre resolve seus problemas. Dracarys. E então? Será que tudo agora serão flores para o Norte? E o Valerion! OMFG! Será que teremos o Valerion raspado andando em Porto Real numa caminhada da vergonha com alguém gritando "Shame" atrás dele? xD SHUahusahs PRÉVIAS! "Sentiu alguém retirar sua roupa, para deixa-lo nu. Engoliu em seco apertando as correntes, respirando muito rápido, morrendo de medo do que aconteceria. Lhe jogaram um balde de água gelada e isso fez com que gritasse de susto. Sabia que faziam isso para que doesse mais." Eeeeita! Mais uma prévia? "-Acha que isso importa?! – perguntou Myrcella – Vejo você como rei e dá até saudade do Joffrey! Ele era louco, mas ao menos não era um covarde! Eu vou pegar todas as tropas Blackfyre e vou tirar meu prometido e Loras de lá na base da força." Myrcella lacrando, como sempre ♥ "-Há boatos de que você desvirginou a princesa Myrcella. Estava quase desmaiando, perdido em dor e sofrimento. Mas o nome de Myrcella o deixou mais atento. Levantou o olhar para o homem e se perguntou se sua resposta poderia colocar Myrcella na mesma situação em que estava." Não tem Norte no próximo capítulo hehehehe Beeeijos! Como tivemos dias recomendações, acho que vou postar o próximo capítulo no DOMINGO! Mas só se vocês comentarem, ok? Beijos da Tia!