Blackfyre

49 Torturado


Notas iniciais
Olá, amores. Vocês se superaram, de verdade. Como eu prometi, mais um capítulo nesse domingo. Só que, quando eu fui entrar no Nyah para responder os comentários amorzinhos de vocês, vi que a Is Malfoy também comentou a fic ♥ ♥ ♥ Vocês são uns lindos amaravilhosos!!! Eu fiquei muito feliz, a recomendação foi linda! Obrigada Is Malfoy, o capítulo é pra você e graças à sua recomendação, Terça Feira eu já irei postar o próximo capítulo! =D Obrigada de coração pela recomendação, não apenas à Is Malfoy, mas a todas as 18 pessoas que já recomendaram a fic! Vocês estão escrevendo essa história comigo, acreditem. Agora, antes de passarmos pro capítulo... eu preciso da opinião de vocês. Nos comentários, a partir de agora, eu quero que vocês escrevam #TEAMSNOW ou #TEAMROBB e #TEAMMYRCELLA ou #TEAMSANSA porque, sério, eu tinha uma ideia do que ia fazer, aliás ainda tenho... mas acho que vou fazer uma coleta de opinião antes de ser definitivo ashuhasuash Me ajudem, ok? Beeeijos! ♥ ♥ #PARTIULER

Torturado

Valerion tremeu de frio, sem entender o motivo de ter sido preso. Tinham lhe retirado as roupas e o metido em um trapo velho e fino, que mal o protegia do ar gelado da cela. Por sorte, não era do tipo que sentia frio. Tinha sido levado para o Septo de Baelor, para as masmorras de lá. Não fazia a menor ideia de que existia uma masmorra no Septo. Tremeu de fraqueza sentindo fome. Depois voltou a se abraçar. Olhou a tigelinha com sopa que tinha sido sua última refeição. A luz da janela já tinha aparecido e sumido desde a última vez que lhe deram um pouco de comida. Seu estômago estava roncando e ele seria capaz de comer qualquer pedaço bolorento que lhe dessem. A garganta estava seca também. Desejava demais beber um pouco de água, ou ao menos um suco, ou cerveja.

Respirou fundo, encolhido, se perguntando o que poderia ter feito de errado daquela vez. Cersei já tinha sido tirada do caminho. Quem eram aqueles homens? Por que o acusavam pela morte de Joffrey? Tinha ganhado do Montanha. O vencera e convencera o mundo que tinha sido um campeão dos deuses, enviado para poupar o mundo da crueldade daquele rapaz demente. Suspirou temendo o que aconteceria e escutou passos. Engoliu em seco e mirou a porta de ferro.

A abriram e um velho senhor malvestido entrou. Praticamente careca, com os poucos fios de cabelo grisalhos, pequeno, magro, de olhar penetrante e traços faciais bem alinhados. Usava apenas uma túnica de lã branca e simples. Valerion o olhou completamente confuso e o homem sentou-se no chão a sua frente.

—Boa noite. – disse ele. Valerion engoliu em seco, confuso, com fome e sede. Respirou fundo, forçando a mente a funcionar.

—Boa noite, senhor. – disse humildemente – Por favor. Pode me dizer o motivo de minha prisão. Estou muito confuso. – disse franzindo o cenho e sentindo a cabeça latejar, onde o tinham acertado uma pancada.

—Por que você não me diz? – perguntou o homem de um jeito simples, numa voz baixa e gentil. Como um avô que fala com um neto, pedindo que ele confesse que quebrou um jarro. Mas Valerion não tinha a menor intenção de confessar o que quer que fosse.

—Falaram que eu era um pervertido, blasfemo e que eu estava sendo preso pelo assassinato de Joffrey... mas... – ele franziu o cenho e cruzou as pernas, tentando achar uma posição confortável – Pensei ter provado meu ponto, em um julgamento por combate.

—Sim. Disse que recebeu a missão de matar o rei... que os Sete lhe deram a missão. – disse o homem e Valerion concordou com um aceno de cabeça.

—Sim. – disse tentando parecer manso e humilde – Minha família... cada um é devoto a um deus. Meu pai era devoto ao Deus de Muitas Faces, por ter crescido em Braavos. Minha mãe acreditava no Senhor da Luz. Minha irmã era devota aos Deuses Antigos, pois sempre fora impressionada com as árvores coração... ela sempre foi muito conectada com a natureza. Meu irmão mais velho não acredita em deuses. Diz que se os deuses são onipotentes, então não podem ser bons... mas se são bons, não podem ser onipotentes, não merecendo toda a devoção que lhes oferecemos... mas eu sempre fui devoto aos Sete. – ele engoliu em seco – Já li todos os livros. Meu favorito é o da Velha. – explicou calmamente – Sempre fui muito devoto, sempre cumpri com minhas obrigações. Mesmo que enfadasse meu pai. Ele não gosta da Fé dos Sete. Preferia os Deuses Antigos. Ele tentou me explicar que todos os deuses são um só, mas com muitas faces, mas eu não acreditei. Eu sempre fui devoto aos Sete. Quando morei em Dragonstone, achei o consolo na Mãe, quando a minha faleceu. Só conseguia dormir depois de rezar muito para a Mãe. E depois quando voltei para Harrenhal, implorei que meu pai construísse um pequeno septo para mim e ele o fez. Sempre rezei todos os dias, ao acordar e antes de dormir. Quando vim para Porto Real, o próprio Alto Septão se surpreendeu com minha devoção. Ficava horas no templo de Baelor, pois me sentia em paz ali, longe de todas as tramas e politicagens da corte. Fui prometido à princesa Myrcella, mas meu coração pertencia a Sansa Stark, que se casou com meu amigo. Então rezava aos deuses para que me ajudassem a esquecê-la. Rezei até para a Donzela, por mais que fosse motivo de chacota, um homem gastar tanto tempo a ela, para que encontrasse em meu coração espaço para amar minha prometida. – Valerion engoliu em seco – E então vieram os sonhos. – parou a narrativa e olhou para o homem – Eu vi o Reino em chamas. Parecia que eu voava sobre as terras e via tudo repleto de fogo, sangue e morte. E Joffrey era a causa de tudo. – disse calmamente – Mate-o. Era o que me diziam em sonho. Várias vozes em uníssono. Mate-o. Pelo bem do reino, mate-o. – Valerion suspirou novamente dando alguma dramaticidade a seu relato, por mais que o homem o olhasse impassível – Eu ficava no Septo durante horas, pedindo aos deuses que impedissem esses sonhos. Por mais que eu não gostasse de Joffrey, ele era o meu rei. – Valerion engoliu em seco – O irmão da mulher com quem eu deveria me casar. Mas os sonhos não paravam. Só ficavam mais e mais assustadores. As vozes exigiam a morte dele e me mostravam o que aconteceria se Joffrey não fosse deposto. Mas eu não quis aquela missão. – olhou para o homem que o mirava com um semblante ilegível – Me neguei e continuei indo ao Septo, ficando horas e horas, rezando sem parar. Pergunte aos Septões. Eu buscava uma saída. Até o Alto Septão veio falar comigo, curioso por minha presença constante aqui. Me perguntou se os deuses me davam respostas e eu disse que não sabia se deveria seguir o caminho que eles me mostravam. Mas o Alto Septão disse que se era o caminho que os Deuses me indicavam, eu deveria seguir. – disse lentamente – Eu não queria, mas os sonhos não paravam. Só pararam quando Joffrey morreu. E eu confessei meu crime. Disse que agi por ordem divina. E me provei em combate. O Guerreiro certamente me ajudou contra o Montanha. Que de outra maneira eu teria sido capaz de derrotá-lo? O Pai me deu justiça, fazendo com que Lorde Tywin me proclamasse inocente. A Donzela me abençoou, me permitindo encontrar amor por minha prometida. A Velha me ajuda a lidar com minhas atribuições dia após dia. E o Estranho fica longe de mim. – disse calmamente.

—Se considera completamente inocente? – perguntou o homem.

—Não. Claro que não. Eu sou humano e não sou perfeito. – disse Valerion.

—Não o vejo no Septo. Sabes quem eu sou? – perguntou o velho e Valerion o olhou dos pés à cabeça.

—Não. Não faço ideia. Admito que não tenho ido mais ao Septo. Ando muito atarefado. – explicou estalando os dedos. Seu estômago roncou barulhentamente e Valerion prosseguiu – Minhas atribuições no conselho...

—No entanto sempre tem tempo para treinar com Sor Loras. – cortou o homem.

—Não. Nem para isso ando tendo tempo, senhor. – murmurou Valerion – Já faz dias desde a última vez que aceitei um convite da Rainha para justar com Loras.

O homem o olhou curioso.

—É muito amigos dos Tyrell. – disse ele e Valerion concordou.

—Sempre foram muito bons para comigo.

—Mesmo tendo assassinado o primeiro noivo de Margaery.

Valerion respirou fundo.

—Joffrey era mal, senhor. Ele certamente machucaria Lady Margaery. Os Tyrell não guardaram mágoas para comigo. Lorde Mace Tyrell inclusive votou a favor de que eu pudesse me defender. – disse Valerion e o homem suspirou.

—Não acha que é uma boa hora para confessar seus pecados? – perguntou o homem e Valerion concordou com um aceno de cabeça.

—Está bem. – disse humildemente e o homem sorriu, satisfeito – Eu confesso que perdi a cabeça com um dos seus amigos e o soquei na fuça, quando ele empurrou minha prometida no chão. E não me arrependo disso. – disse francamente e o homem o olhou ligeiramente surpreso – Confesso que cobicei a esposa de outro homem, como já tinha lhe dito anteriormente. Confesso que desejei o mal da mãe de minha prometida. Confesso que cometi exageros com bebidas, mas juro que estou tentando me manter sempre sóbrio. Só bebo quando a rainha insiste em me ver bêbado, pois não ouso desobedecê-la. Confesso que negligenciei minhas obrigações com os deuses, e por isso sinto muito. – Valerion o olhou sem saber mais o que falar.

—E sobre suas perversões? – perguntou o homem e Valerion o olhou confuso.

—Que perversões? – perguntou sem saber se ele se referia ao fato de estar transando com Myrcella. Sete infernos... eu tentei resistir, mas uma vez que provamos o doce sabor de uma mulher, não conseguimos parar.

—Há rumores de que você e Loras... – o homem o olhou sugestivamente e Valerion fechou a cara, indignado.

—Que absurdo! Loras é meu amigo! Não pode me acusar disso sem provas! – ralhou Valerion – E eu não tenho o menor interesse nesse tipo de relação com um homem.

—E com mulheres? – perguntou o homem.

—Ora, é claro! – respondeu constrangido.

—E com a rainha? – perguntou ele e Valerion o olhou zangado.

—Com quantas pessoas vai me acusar de ter me deitado? – perguntou Valerion – Nem mesmo os puteiros eu costumo frequentar. Sou um homem honrado e fiel à minha amada... princesa Myrcella. – disse engasgando com as palavras. Quase dissera Lady Sansa – Jamais a envergonharia dessa maneira. – adicionou.

O homem suspirou.

—Recebemos informações de que você se deitou com a rainha Margaery, antes do casamento dela com Joffrey. O que explicaria seu desejo de matá-lo. – disse o homem, calmamente.

—Eu nunca me deitei com Margaery. – falou firmemente, por mais que sua mente divagasse para aquela única noite em que ela lhe visitara – Tenho uma relação de pura amizade com a Rainha, nada mais.

—Bem... vamos ver se é verdade. – disse o homem se levantando e abrindo a porta. Outros homens entraram, com vários instrumentos de tortura. Valerion engoliu em seco e se levantou, acuado.

—Não. Não pode fazer isso! Eu sou um Lorde. Eu sou o Senhor de Harrenhal. – disse recuando.

—Sabe qual é a pena por mentir da maneira que acho que você mentiu? Acho que matou Joffrey por motivos pessoais. – disse o Pardal e Valerion engoliu em seco. Joffrey está gargalhando de mim nesse momento, lá do Inferno.

—Eu sei qual é a pena. Mas eu sou um Lorde. Não devem tocar em mim. Eu já provei minha inocência. Pelas leis, não podem me acusar novamente por algo do qual eu já fui inocentado. Está no livro do Pai. – disse engolindo em seco, pregado contra a parede. O homem sorriu para ele, parecendo quase feliz.

—Você realmente leu o livro.

—É claro que eu li. – disse sentindo as mãos suarem. O homem se aproximou e o olhou nos olhos. Depois colocou a mão em seu rosto. Estava muito gelada e Valerion não gostou do toque.

—Você é quente. – disse surpreso – A essa altura deveria estar morrendo de frio. Mas você sempre é quente e não de maneira febril. – disse ele parecendo impressionado. Valerion engoliu em seco.

—Eu, meu pai e meus irmãos nascemos assim. Nunca sentimos frio. – disse calmamente – Temos o sangue quente. Sangue de dragão.

—Seu sangue não é diferente do sangue de ninguém, garoto. – riu o homem. Valerion respirou fundo.

—Escutem. Eu exijo um julgamento. Estou sendo preso sem provas e sendo inocente. – disse deixando o jeito humilde de lado – Não tem o direito de fazer isso comigo. Eu invoco as leis dos deuses. Eu tenho direito a um julgamento. – disse com firmeza. O homem velho o olhou penetrantemente nos olhos e acenou positivamente com a cabeça.

—Terá seu julgamento, depois de confessar seus crimes.

—Não há crimes a serem confessados! – rosnou. O homem sorriu gentilmente.

—Veremos. – disse ele, saindo da cela e o deixando sozinho com os torturadores. Valerion engoliu em seco e fechou os olhos ao sentir os homens segurarem seus braços e prenderem seus pulsos em grilhões. Ficou de pé, com a testa encostada na parede. Respirou fundo, morrendo de medo. Sentiu alguém retirar sua roupa, para deixa-lo nu. Engoliu em seco apertando as correntes, respirando muito rápido, morrendo de medo do que aconteceria. Lhe jogaram um balde de água gelada e isso fez com que gritasse de susto. Sabia que faziam isso para que doesse mais. Estava dando mais uma funda inspiração quando algo cortou o ar e lhe acertou as costas. Gritou de dor, sentindo algo quente escorrer por sua carne rasgada e apertou as correntes com força. O próximo golpe acertou um pouco mais embaixo e ele gritou de novo, apertando as correntes. Na terceira, lágrimas desceram por seus olhos. Podia ver o sangue pintando o chão e as paredes. A quarta lhe cortou a nádega e ele chorou de novo. Nada nunca doera tanto. A flechada de Joffrey parecia agora uma reles brincadeira. Outro golpe, que pegou quase no ombro. Gritou de dor e teria se mijado caso tivesse urina pronta. Seus pés perderam a força e outro golpe lhe acertou as costas. Estava pendurado pelos pulsos, pois as pernas já não sustentavam seu peso. Chorou de dor e escutou os homens irem embora, deixando-o ali, humilhado, preso, faminto, sedento e sangrando.

**

—Mamãe. O que você fez? – perguntou Myrcella, furiosa. Cersei sorriu de maneira quase inocente, assinando qualquer coisa – Você deveria estar a caminho de Casterly Rock. – disse ficando em frente a ela – Mas no lugar disso, está na sala da Mão, que deveria pertencer a Orton Merryweather, escrevendo não sei o que e conspirando contra Valerion e os Tyrell.

—Não sei sobre o que está falando, Myrcella.

—Você prendeu Loras e Valerion, de novo! – Rosnou enfurecida, batendo num candelabro e o jogando no chão.

—Eu os prendi? Estão nas celas da Fortaleza Vermelha? Guardados por soldados Lannister? – perguntou ela, com uma calma que não lhe pertencia – Pelo que me lembro, você e Margaery conspiraram juntas, para retirar todos os meus poderes e me mandarem para Casterly Rock. – disse ela com uma pontada de veneno em sua voz doce. Myrcella respirou fundo.

—Sim, eu o fiz. E faria de novo. O que está fazendo aqui? Por que não está indo para o Rochedo e pelos deuses, tire meu noivo das mãos daqueles lunáticos.

—Mas não fui eu quem o entreguei a eles, Myrcella. Eu estava impedida de fazer o que quer que fosse, graças a você e a Margaery. Eles são prisioneiros da Fé e não meus. – explicou ela colocando a pena dentro do tinteiro e repousando as mãos sobre a mesa – Tommen veio pedir minha ajuda para libertá-los, por isso me concedeu novamente todos os poderes que eu tinha. – explicou ela e Myrcella teve vontade de esganar o irmão caçula.

—Eu achava que só Joffrey era estúpido. Logo vejo que os dois nasceram dementes! – rosnou se virando para a saída.

—Myrcella. – chamou sua mãe e ela se virou para encará-la.

—Escute aqui. Ou você tira Valerion de lá, ou pode me considerar morta, ouviu?

—Vai se jogar do penhasco? – perguntou Cersei com divertimento.

—Não. Vou para Harrenhal. – ameaçou engolindo em seco.

—Eu jamais permitiria isso e nem seu irmão. A estrada está muito perigosa.

—Não cabe a vocês permitirem ou não. Valerion é meu prometido e os homens dele me obedecem.

Sua mãe a olhou com interesse e sorriu.

—É mesmo? Por que? – perguntou ela.

—Porque nós vamos nos casar em breve. Eles já me enxergam como a Senhora de Harrenhal. Se eu pedir para que me escoltem, eles o farão, não tenha dúvidas. E os Tyrell me apoiariam.

—Como? Deixando Loras para trás aqui? Para levar a filha de Cersei para o castelo mais bem protegido de Westeros?

—Talvez eu peça para me levarem para Jardim de Cima. – retrucou – Dizem que mesmo o inverno lá não é tão frio. – Myrcella engoliu em seco – Será um ótimo lugar para passar os próximos meses.

—Como refém? Lhe parece uma ideia agradável ser feita de refém? – perguntou Cersei.

—Me parece um lugar agradável para dar à luz. – retrucou e o semblante de Cersei mudou. Ela parecia estar se divertindo, mas agora parecia um pouco mais pálida, em choque – Meu sangue de lua não desceu, mamãe. Não sabe o quão feliz eu fico a cada dia que ele não vem. E eu quero dar a notícia a Valerion, para que nosso casamento aconteça o quanto antes. Não quero que meu filho nasça nessa cidade porca. – disse com o coração apertado – Não o quero perto de você. Sinceramente, nem eu quero ficar perto de você. – disse com as lágrimas descendo por seu rosto – E enquanto Valerion estiver preso, você não precisa falar comigo, nem mesmo vir me ver. Eu quero distância de você. Eu te odeio! – gritou, antes de sair. Escutou a mãe chamá-la, mas não se virou. Apenas apertou o passo. Quase correu para alcançar o quarto do irmão. Ele parecia infeliz e Margaery não estava com ele – Tommen, seu grande idiota.

—Myrcella... – começou ele, mas ela o estapeou no rosto.

—Onde estão Loras e Valerion?

—Eu tentei tirá-los do Septo, mas... eu precisaria derramar sangue... e bem... – ele a olhou como se estivesse encurralado – Era um septo.

—Acha que isso importa?! – perguntou Myrcella – Vejo você como rei e dá até saudade do Joffrey! Ele era louco, mas ao menos não era um covarde! Eu vou pegar todas as tropas Blackfyre e vou tirar meu prometido e Loras de lá na base da força.

Tommen se levantou e segurou suas mãos.

—Não. – disse ele com urgência – Se invadir o lugar, quem acha que eles matarão primeiro? Precisamos ter prudência. – explicou.

—Prudência?! – rosnou o empurrando – O que tem de prudente em colocar tudo nas mãos de nossa mãe.

—Myrcella. Pare de falar como se ela fosse culpada... ou como se fosse algum tipo de monstro.

—Ela É o pior tipo de monstro! – rosnou furiosa – Você não entende que tudo está acontecendo exatamente do jeito que ela quer?

—Mamãe está ajudando a salvar os dois.

—Ela só está fazendo a sua cabeça, como sempre. E você, frouxo e paspalho como é, está deixando. – o empurrou de novo e Tommen baixou a cabeça, repreendido – Vai defendê-la quando for Margaery quem estiver presa?

—Mamãe não vai tentar prender Margaery. – insistiu Tommen.

—Ela vai. Só você não vê. E é tão óbvio que deve estar fazendo um imenso esforço para fingir que não sabe disso. – ralhou dando as costas para ele. Caminhou até o quarto de Valerion e encontrou Bry. Ele fungava, infeliz, limpando Dragonblood com todo o esmero possível – Pare de choro! Vamos tirá-lo de lá. Vamos tirá-lo de lá nesse exato momento! – disse Myrcella e o garoto a olhou com os olhinhos tristes.

—Como? – perguntou ele.

—Reúna os guardas! – disse autoritária. Bry concordou e saiu correndo. Myrcella entrou no quarto de Valerion, sentindo-se infeliz. Escutou passos e se virou. Eram guardas. Guardas Lannister – O que vocês querem?

Eles avançaram e seguraram seus braços. Gritou, furiosa, tentando se livrar deles, mas foi inútil. Chutou, esperneou, mas eles a levaram à força até a Arcada das Donzelas. Quando a trancaram ali, estava aos prantos, socando a porta, furiosa e desolada.

**

Valerion acordou sendo carregado para algum lugar. Não reagiu, pois estava fraco, muito fraco. Lavaram seu corpo, limparam suas feridas, devolvendo seu corpo a aquele trapo cinzento que estivera usando. Não lhe deram comida e nem água. Foi jogado num chão de pedra, mais claro que o de costume e preso novamente a grilhões. Lamentou-se, encolhendo no mesmo lugar. Não aguentava mais. Não tinha mais forças. Só queria sair dali.

Escutou os passos do velho e encolheu, trêmulo e assustado.

—Olá, Valerion. – disse ele com a voz macia e gentil. Sabia que era uma armadilha, pois não havia nada de gentil naquele homem.

—Por favor... por favor... – chorou fracamente, pendurado pelos braços. Já não tinha forças para manter-se de pé.

—Valerion. Está pronto para confessar? – perguntou o homem.

No início jurou a si mesmo que não diria uma palavra que pudesse prejudicar Margaery ou Myrcella. Mas as torturas o enfraqueciam. A cada dois dias lhe davam um pouco de sopa. E todos os dias, perguntavam se ele queria confessar algo. Quando dizia que não, apanhava com açoites. Suas costas estavam destruídas. A dor era tamanha que já não conseguia mais dormir. Ninguém lhe oferecia leite de papoula, então chorava o tempo todo sentindo as costas arderem em brasa.

Por isso, daquela vez, ao escutar a pergunta, deu uma resposta diferente.

—Sim... eu confesso o que quiser que eu confesse. O que devo confessar? – perguntou molemente.

—São os seus pecados, Valerion. – murmurou o velho – Não sou eu quem os escolhe. Você os assume.

—Eu digo que sou inocente e não acreditam. Me maltratam, me machucam, me deixam com sede e fome. – engoliu em seco – Eu não aguento mais. Diga o que quer que eu confesse e eu confessarei.

—Quero que diga se é verdade que se deitou com Loras e teve relações íntimas com ele. – perguntou o velho.

Valerion apertou os lábios, fungando.

—Não. Eu nunca fiz isso com Loras. Já havia escutado esses rumores sobre ele, mas... mas nunca o julguei por isso. Não mandamos em nossos corações, não escolhemos quem amar. – lamentou fracamente – Loras era meu amigo e eu nunca deixei que rumores me afastassem dele. Ele nunca tentou flertar comigo, então eu o tratava como trataria qualquer bom amigo. Eu juro. Eu juro... eu juro... – chorou enfraquecido. O velho suspirou.

—Está bem, Valerion. Eu acredito em você. – disse o homem – Mas e quanto à rainha Margaery? Você teve relações com ela?

—Ela sempre foi gentil. – chorou envergonhado por já não ter forças para resistir – Ela veio ao meu quarto. Eu tentei resistir... mas fui fraco, me perdoe. – chorou desolado – Foi só uma vez e me arrependi. Vim ao Septo pedir perdão aos deuses por conta disso. Por favor, me perdoe... me perdoe... não me machuque mais. Eu não aguento... eu não aguento... – chorou sem conseguir se manter de pé.

—Há boatos de que você desvirginou a princesa Myrcella.

Estava quase desmaiando, perdido em dor e sofrimento. Mas o nome de Myrcella o deixou mais atento. Levantou o olhar para o homem e se perguntou se sua resposta poderia colocar Myrcella na mesma situação em que estava.

—Não. – disse firme – Sempre a respeitei. – adicionou – Eu já a beijei e tomei liberdades que não deveria, mas a honra dela eu nunca maculei. – engoliu em seco e se perguntou se tinha sido convincente – Eu a amo. – murmurou – Me mate agora se quiser, não me importo. Pegue o açoite, mas não a machuque. Não a machuque. Ela é inocente.

—Quando chegou aqui, suas costas estavam arranhadas. Provas de uma noite de luxúria e pecado.

—Não foi Myrcella. – disse insistindo – Foi Ross. – disse engolindo em seco.

—Quem é Ross?

—Uma puta. Ela trabalha para Petyr Baelish.

—Pensei que não ia a puteiros. – disse o velho.

—Não vou. – murmurou – Ela vem até mim, noite ou outra. Me ajuda a... manter-me respeitoso em relação à minha prometida. – disse firme. O velho o olhou com um suspiro de quem não se convenceu.

—E quanto a Joffrey? – perguntou o velho. Valerion baixou o rosto, negando com a cabeça. Não queria falar sobre aquilo. Não queria – Por que matou Joffrey?

—Os deuses...

—Não fale essa mentira novamente, Valerion, ou terá que ser castigado novamente.

Levantou o rosto em pânico.

—Não! Por favor, eu imploro! Não! Eu falo tudo. Eu falo tudo.

—Confesse, Valerion. Por que matou Joffrey? – engoliu em seco novamente e caiu em prantos.

—Não fui eu... – chorou novamente voltando a ser apenas um menino assustado – Eu não o matei. Fiquei feliz com a morte dele, mas não fui eu quem o matei.

—Está mentindo, Valerion...

—Eles iriam matar Tyrion. Ele era inocente. – lamentou.

—E como sabe que ele é inocente? Você viu quem matou Joffrey? Proteger o assassino de um rei é um pecado terrível também, além de um grande crime.

—Eu não sei quem o matou. Só sei que não foi Tyrion. – engoliu em seco – Eu pensei em deixá-lo morrer. Eu amava Sansa Stark. Com ele morto, ela estaria viúva e ao meu alcance. Poderíamos fugir juntos para Harrenhal, nos casar e ajudar minha irmã no Norte. Mas eu não pude. Eu não poderia deixar meu amigo morrer... – engoliu em seco – Então assumi a culpa, achando que não haveria ninguém que fosse aceitar me enfrentar, além de Trant. Não com meu pai aqui. Mas Clegane voltou e eu achei que iria morrer. Mas eu venci. – engoliu em seco – Eu achei que ia morrer, mas venci. Eu juro. Essa é a verdade. Por favor. Me deixe beber do leite da papoula, me dê um pouco de água. Me deixe ir embora... por favor... por favor...

—Como pode ter tanta certeza de que não foi Tyrion? Conte a verdade, Valerion. Quem envenenou Joffrey? – perguntou o velho e ele engoliu em seco.

—Eu não sei.

—Foi Sansa Stark? Ela tinha todos os motivos. – perguntou o homem – Foi ela?

—Não... Sansa jamais faria mal a alguém... – murmurou fraco – Eu não sei quem foi. Eu juro que não sei quem foi...

Notas finais
Tadinho do Valerion... Gentem, não odeiem ele... tortura é um trem escroto. Ele ainda tentou proteger as pessoas. Vamos ver o que vai acontecer agora. Muito bem. Prévias? "Robb releu a mensagem que o corvo trouxera naquela manhã. Seu coração apertou, cheio de infelicidade. Sabia que aquilo aconteceria, mas saber não diminuiu sua dor. Lembrou-se de quando era apenas um garotinho, uma criança... de quando brincava de espadas com Jon Snow." @_@ "-Eu sou Shiera Blackfyre e ninguém me diz o que eu devo ou não fazer. – respondeu ela, simplesmente – Nem mesmo o senhor meu esposo. Eu vou e ponto final. – disse ela teimosamente, com um olhar frio e a voz gélida." EEEEEITA Treta ausahsua "-Lorde Valerion Blackfyre. Você sabe quem matou o rei Joffrey Baratheon? – perguntou o velho, como se ninguém tivesse protestado. —Sei. – disse engolindo em seco e todos prenderam a respiração." OMG, será que Olenna vai dançar? SHuahsuahsaushau XD Próximo capítulo cheio de reviravoltas E por último, mais uma prévia "-Está acordado? – perguntou uma doce voz. Se atreveu a olhar para o lado e a viu. Estava vestindo um belo vestido negro, que pertencera a sua mãe. Os cabelos vermelhos estavam soltos, com algumas tranças bonitas elegantemente entrelaçadas para trás. Ela lhe sorriu um sorriso doce, mirando-o com os olhos marejados." Será um sonho? Será verdade? SERÁ SANSA STARK?!?!!?!?! Vejo vocês na Terça feira! Comentem!! =D