Blackfyre

50 De Volta à Harrenhal


Notas iniciais
MANO DO CÉU Vocês são maravilhosxs!!!!!! DEZ COMENTÁRIOS! É UM NOVO RÉCORDE! Muito obrigada a todos, todos, todos vocês! O próximo capítulo vai sair já na sexta, com ou sem banner pronto, porque vocês merecem! Vocês merecem muito! Obrigada de coração por estarem fazendo parte dessa fic (porque vocês estão mesmo) Muito bem, muito bem, muito bem! Vamos nessa? #PartiuLer

De Volta à Harrenhal

Robb releu a mensagem que o corvo trouxera naquela manhã. Seu coração apertou, cheio de infelicidade. Sabia que aquilo aconteceria, mas saber não diminuiu sua dor. Lembrou-se de quando era apenas um garotinho, uma criança... de quando brincava de espadas com Jon Snow.

Normalmente, sempre saía vencedor. Tinha mais talento que Jon para os embates, além de que Sor Rodrik o prestigiava nos treinamentos, afinal ele era o herdeiro de Eddard Stark, enquanto Jon era apenas um bastardo. Mas, por mais que recebesse mais treino, sempre tentava ensinar tudo o que aprendia para o meio irmão.

Sempre dividiam segredos. O primeiro copo de vinho escondido, a primeira vez que beijara uma garota, algum desentendimento com quem quer que fosse, reclamar dos irmãos mais novos, falar sobre aventuras, sonhos e futuros.

Sempre foram melhores amigos, confidentes, parceiros. A única coisa que os afastara fora Shiera. Shiera fez Jon querer ir para a Muralha. Se Jon não tivesse ido, provavelmente teria seguido Robb em todas as batalhas. Provavelmente teria morrido no Casamento Vermelho.

Robb amassou a mensagem de Sor Alister Thorne, para Roose Bolton. A mensagem dizia que o traidor, bastardo dos Stark, estava morto, assim como Rickon. Felpudo fora morto junto com Rickon, mas Lady e Fantasma tinham fugido e ninguém sabia o paradeiro deles, mas não importava mais. Os últimos Starks estavam mortos e não haveria quem ameaçasse a soberania Bolton no Norte. Em troca, eles pediam ajuda para acabar com todos os Selvagens que Jon tinha alocado em Forte Noite e Atalaialeste. Robb bufou sem saber se estava mais furioso ou mais triste. Jon e Rickon. Seus dois irmãos. Sansa e Arya estavam desaparecidas. Arya nunca mais fora vista e Sansa desaparecera no dia da morte de Joffrey. Ninguém sabia o paradeiro de ambas as garotas.

Sentindo-se muito só, se levantou sabendo que precisava da esposa e do filho. Shiera o tinha apresentado formalmente dois dias atrás. Fizeram como se aquela noite em que brigaram e ele deixara o quarto com ela em prantos no chão jamais tivesse acontecido. Shiera lhe mostrou o garoto, que já estava bastante grande, e falou que era Eddard, seu filho e herdeiro. E Robb o pegou no colo, sorrindo orgulhoso. O garoto era ruivo como ele, mas com os olhos violetas de Shiera. Estava bem gorducho para um menino que nascera no início do inverno. Suas bochechas rosadas deixavam seu rostinho infantil redondo e encantador.

Sentiu Vento Cinzento lamber seus dedos e sorriu para o imenso lobo gigantes. Falaram que o lobo só saíra de perto de Ned quando viu seu verdadeiro dono novamente. E o lobo ficara tão feliz, saltando e latindo, alegremente, que qualquer um que visse diria que não passava de um bobo cão de companhia e não um lobo gigante feroz. Vento Cinzento lhe observou com os olhos cheios de compreensão, como se também temesse por seus irmãos que tinham sumido.

Os dois andaram lado a lado, pelos corredores do castelo. Passou por uma janela e viu Aegon treinar com alguns soldados lá embaixo. Sozinho, enfrentava três adversários, como se tivessem ensaiado uma coreografia. Uma sombra gigantesca passou por cima deles e Robb deslumbrou o enorme dragão cortar os céus acima do castelo.

Suspirou e andou até o quarto, mas encontrou apenas servos arrumando a cama e passando a vassoura no chão de pedra. Questionou o paradeiro de Shiera e recebeu a resposta de que ela estava no banho com suas damas de companhia e com Ned. Robb concordou e se encaminhou para lá.

Quase não vira Shiera nesses últimos dias. Tivera tanta coisa para resolver no castelo que achou que ficaria louco. E Shiera estava ocupada demais matando a saudade do filho e do irmão. Eles ficavam conversando, tanto tempo madrugada a dentro sobre tudo o que tinha acontecido naquele tempo longe um do outro, que quando ela ia dormir, já estava tarde demais e Shiera nunca mais conseguira acordar muito cedo, por conta disso.

Desceu até os banhos e pediu para uma serva que avisasse que gostaria de entrar. Esperou alguns minutos e logo Walda e Talisa se retiraram. Talisa sorridente, como sempre. Walda nem tanto, pois nunca mais sorrira de verdade. Shiera ainda sorria um pouco, mas eram momento muito mais raros que outrora.

Entrou na sala de banhos e pegou Shiera brincando com Ned. Ela mergulhava, fazendo bolhas e ele gargalhava alegremente, enchendo o lugar com aquele som maravilhoso. Nada era mais lindo e puro do que a gargalhada alegre de seu primogênito. O som foi tão perfeito que por um momento esqueceu-se da morte dos irmãos. Por um momento, Shiera tirando a cabeça da água, para adicionar sua risada a do filho era tudo o que importava no mundo. Ela estalou a língua várias vezes e beijou a bochecha do menino, que soltou mais um pouco daquelas adoráveis risadinhas infantis. Robb baixou o olhar sem acreditar que ele e Shiera poderiam ter feito algo tão perfeito como aquela criança e seu coração doeu. Teve vontade de ter outro bebê, mas concordava que o prudente era esperar o inverno passar. Shiera precisava de um tempo para se recuperar de seus traumas e ter duas crianças no inverno era perigoso por demasiado. Arya nascera no início do inverno e seus pais só tiveram Bran quando o inverno passou.

Pensar que seus irmãos caçulas nunca chegaram a conhecer o inverno nortenho lhe dava uma sensação de conforto e tristeza. Tristeza pelo pouco tempo que viveram. Conforto, pois ao menos eles não tiveram que lidar com aquela época difícil.

—Robb? – chamou Shiera e ele a olhou novamente. Sorriu tristemente para ela e a esposa notou imediatamente que algo ruim tinha acontecido – O que houve, meu amor? – perguntou ela e Robb sorriu novamente, por mais que a tristeza não abandonasse seu semblante. Amava escutá-la a chamá-lo daquela maneira carinhosa.

—Recebemos uma carta... de Castle Black. – respondeu ele e Shiera engoliu em seco – Eu sinto muito, sei que você ainda tinha sentimentos por ele. – Shiera abraçou Ned, sem responder nada por um momento. Ned puxou os cabelos dela, balbuciando e Shiera fungou, com os olhos enchendo-se de água.

—Jon morreu? – perguntou ela, calmamente – Atacaram a Muralha? – ela engoliu em seco – Foram os Caminhantes Brancos?

—Não. Foi um motim. – explicou Robb e Shiera o olhou, surpresa – Acharam que matando Jon e Rickon... – ele engoliu em seco e Shiera o olhou mais surpresa ainda – ganhariam estima com Roose Bolton. Eles pedem que Winterfell mande homens para a Muralha, para ajudar a recuperar dois castelos que Jon guarneceu com selvagens.

Shiera engoliu em seco.

—Winterfell enviará tropas para a Muralha? – perguntou ela ferozmente.

—Sim. – concordou Robb – Vou enforcar todos os responsáveis pelas mortes deles.

—E Lady e Felpudo? E Fantasma? Mataram os lobos? – perguntou Shiera – Eles nunca deixariam que machucassem seus donos...

—Felpudo morreu. Mas Fantasma e Lady fugiram.

Shiera suspirou e concordou com um aceno de cabeça.

—Quando partimos? – perguntou ela e Robb engoliu em seco.

—Você não vai. – disse ele firmemente, se lembrando de sua visão. Shiera o olhou e ele explicou – Eu te vi morrer na Muralha, lembra?

—Não tem certeza disso. – respondeu Shiera – E essas visões não significam nada. – ela desviou o olhar.

—Significam sim. Você sonhou que Jon te matava, não era? – perguntou Robb – Está querendo ir para a Muralha por ele. Para vingá-lo. Se você for e morrer... – ele engoliu em seco – Eu não gosto nem de imaginar isso, Shiera. Você e Ned são tudo o que restou da minha família. Eu não vou arriscar perder vocês. – disse Robb e Shiera o olhou intensamente.

—Eu sou Shiera Blackfyre e ninguém me diz o que eu devo ou não fazer. – respondeu ela, simplesmente – Nem mesmo o senhor meu esposo. Eu vou e ponto final. – disse ela teimosamente, com um olhar frio e a voz gélida.

—Shiera...

—Eu disse: ponto final. A menos que pretenda me trancar no quarto. – retrucou ela – E não aconselho você a fazer isso. Aegon está aqui e ele vai me apoiar. Meu irmão não acredita em sonhos proféticos, em agouros e nem em nada disso. E Jon estar morto é a prova de que ele está certo. – ela suspirou e saiu da banheira, para pegar uma manta e enrolar Ned – Eu sinto muito pela sua perda, meu amor. Nós vamos vingar sua família. – disse ela falando num tom mais brando. – Vou para o quarto amamentar Ned. Depois podemos ir até o Bosque e rezar juntos, se quiser. – disse de maneira mais carinhosa. Robb bufou e concordou.

Shiera lhe entregou Ned, que chorou manhosamente, querendo voltar para o colo da mãe. Ela se vestiu, enquanto Robb segurava o filho de maneira insegura, e quando ela pegou o bebê novamente, ele suspirou dividido entre a vontade de segurá-lo e o medo de machucá-lo ao fazer isso. Os dois foram até os aposentos do herdeiro e Robb foi até a janela, esperar que Shiera o alimentasse. Ficou escutando ela cantarolar a melodia da música que tinham feito para os dois. Senhora de Olhos Violetas e o Jovem Lobo. Sorriu, pois gostava daquela música. Ned logo dormiu e Shiera o embalou com o olhar mais carinhoso que ele já tinha visto ela usar. Não havia nada mais verdadeiro do que o olhar apaixonado de uma mãe para seu bebê.

Ela o colocou na cama e o envolveu com vários travesseiros, para que ele não caísse. A observou beijá-lo na testa e o menino soltou um longo e tranquilo suspiro. Robb andou até os dois e abraçou a esposa, mirando Ned com muito amor e orgulho.

—Quando o inverno passar, vamos ter mais um? – perguntou ele e Shiera suspirou.

—Se estivermos todos vivos quando o inverno passar... – perguntou ela – Seria bom Ned ter um irmão de idade próxima para brincar. Eu e Valerion éramos gêmeos então sempre tivemos um ao outro. Deve ser terrível ser uma criança sem irmãos. – disse ela. Robb sorriu e lhe beijou a testa – Acho que o quanto antes fizermos um irmão para ele, melhor.

—Precisamos ser mais prudentes no Norte, com o Inverno, do que no Sul. – disse calmamente e Shiera suspirou, concordando com um aceno de cabeça – Ainda mais depois de toda essa guerra. Comida será um grande problema. – explicou e Shiera concordou com um aceno de cabeça.

—Está bem. – disse ela. Os dois miraram Ned e Robb suspirou a abraçando novamente – Eu não estou pronta para engravidar novamente, de qualquer maneira... eu preciso de um pouco mais de tempo...

—Eu entendo. – murmurou a afagando na bochecha e Shiera suspirou virando o rosto para deitar a face em sua mão.

—Quer ir até o Bosque Sagrado?

—Quero. – respondeu com pesar, pensando em Rickon e Jon – Mas primeiro, deixe-me olhar para vocês... – Robb engoliu em seco olhando dela para o filho – Aconteceram tantas desgraças, meu amor... mas vocês dois fazem tudo ter valido a pena...

**

O colocaram em uma cadeira e Valerion quis gritar de dor. Mas não tinha forças para isso. Um homem segurou seus ombros e o fez ficar ereto. Imagens dançavam a sua frente, enquanto ele desejava simplesmente morrer. Seu estômago roncava e doía. Tudo em si doía. Só queria voltar para sua cela e comer um pouco de sopa amarga.

—Isso é um absurdo. – rosnou Margaery – Ele é um Lorde! O que fizeram com ele? – perguntou ela e ele engoliu em seco. Levantou os olhos, da melhor maneira que conseguiu e viu que Loras o olhava assustado. Ele estava na cadeira ao lado. Valerion suspirou e a cabeça ficou pesada demais para que o pescoço a mantivesse no lugar. Então a deixou cair molemente, sem forças – Valerion?

—Não se aproxime, Vossa Graça. – disse o homem velho e Valerion arrepiou-se – Chamamos a testemunha, Lorde Valerion Blackfyre de Harrenhal. – ele engoliu em seco – Valerion, você poderia dizer para nós se alguma vez você se deitou e teve relações íntimas com Sor Loras? – perguntou o velho e Valerion sentiu alguém puxar seus cabelos para trás, para que levantasse a cabeça. Respirou cansado e sem forças.

—Água... eu quero beber água. – disse sem forças, sentindo a garganta rasgar ao falar.

—Terá água e comida assim que responder às perguntas. – disse o velho e Valerion o olhou.

—Está mentindo. – disse em tom acusatório. Valerion mirou Tommen e suspirou – Ele mente, Tommen. Ele é um homem cruel e mentiroso. Não acredite nele. – disse sem ter certeza de que estava acordado ou não.

—Os Blackfyre são uma grande Casa. – escutou a voz de Cersei – Tratá-lo assim é simplesmente ofensivo. – disse ela e ele teve certeza de que estava sonhando – Mesmo com os crimes dele.

—Valerion Blackfyre. Vou repetir a pergunta. – disse o velho. Valerion o olhou com os olhos assustados – Você alguma vez se deitou e teve relações íntimas com Sor Loras?

—Não. – disse Valerion num rosnado – E não conheço ninguém que tenha feito isso.

Era mentira, pois ele conhecera Renly. Valerion olhou para Cersei, com um olhar furioso. Sabia que estava ali graças a ela. Olhou ao redor e notou que Cersei, Tommen, Olenna e Margaery estavam ali. Onde está Myrcella?

—Lorde Valerion, você jura em nome de todos os deuses que o que diz é verdade?

—Eu juro em nome dos deuses que nunca sequer vi Loras nu. – respondeu fracamente – Me dê um pouco de água, por favor.

Margaery se levantou e pegou o vinho que Cersei estava bebendo, sem pedir licença. Depois lhe ofereceu um gole, com todo cuidado. Não gostava de vinho, mas estava simplesmente sedento. Quis tomar tudo de uma vez, mas Margaery não permitiu. Ela lhe deu poucos goles pequenos, um de cada vez. A olhou com imensa gratidão e ela lhe sorriu gentilmente.

—Lorde Valerion, você foi acusado de ter matado Joffrey. – disse o velho e ele suspirou – Você o matou?

—Não. Eu não matei Joffrey. – disse vencido e Margaery o olhou em choque – Eu disse que matei para proteger Tyrion. – respondeu engolindo em seco.

—Você sabe qual é o preço por perjúrio?

—Morte. – respondeu cansado – Mate-me logo, me deixe morrer. – lamentou baixando a cabeça e Margaery o ajudou a levantar a cabeça.

—Soltem ele! – disse ela, com autoridade – É uma ordem! Tommen. Mande que o soltem! – disse ela olhando para o marido, que parecia encurralado e intimidado por toda a situação.

—Lorde Valerion... – começou o velho.

—Parem com esse interrogatório. Isso é desumano! E ainda dizem que são homens dos deuses?! – perguntou Margaery.

—Hipócritas! É isso o que vocês são! – rosnou Loras – Esse interrogatório todo é uma grande piada de mau gosto!

—Lorde Valerion Blackfyre. Você sabe quem matou o rei Joffrey Baratheon? – perguntou o velho, como se ninguém tivesse protestado.

—Sei. – disse engolindo em seco e todos prenderam a respiração. Fechou os olhos com força – Foi meu pai. Ele me disse antes de morrer. Por isso me mandou sair de Porto Real. – mentiu mirando o chão. Margaery o olhou em choque – Meu pai queria que Myrcella herdasse o trono, por isso insistiu num matrimônio dela comigo. Ele contratou homens para matarem Tommen com o mesmo veneno que usou para matar Tywin Lannister. Mas eu os impedi. – disse engolindo em seco – Encomendei a morte de outra pessoa, pois quando se compra a morte com os Homens Sem Rosto, não se pode simplesmente cancelar. Encomendei a morte de Roose Bolton, então em breve ele deve estar morto. – engoliu em seco, sabendo a enorme mentira que era aquilo tudo. Mas estava tão destruído que todos provavelmente acreditariam. Menos Olenna Tyrell, que certamente sabia a verdade, afinal, fora ela quem matara Joffrey.

—Ele está mentindo! – disse Cersei.

—Não está. Valerion fala apenas a verdade. – disse o homem velho e Valerion deixou sua cabeça cair para frente. Olhou para Margaery e fungou. Movimentou os lábios apenas para ela, dizendo: fuja. Ela piscou surpresa e se levantou. – Ele se arrependeu e confessou todos os seus pecados. Não sobrou em seu coração espaço para mentiras.

—Eu me recuso a ficar aqui e a assistir a isso. – disse Margaery dando meia volta.

—Lady Margaery. Você deve ficar aqui, pois esse interrogatório também diz respeito a você. – disse o velho e ela olhou para Valerion, que a olhava com culpa no olhar. Ela certamente tinha entendido que ele não conseguira mentir sobre o que tinham feito.

—Eu sou a rainha e se eu quiser sair, eu sairei. – disse Margaery e os homens do velho avançaram na direção dela.

—A Fé chama a Rainha Margaery para testemunhar. – disse o velho e Margaery o olhou com impaciência.

—Eu sou a rainha...

—Mas as leis dizem que reis e rainhas devem responder e obedecer, caso sejam chamados para um testemunho sagrado. – disse o velho e Valerion negou com a cabeça – Você jura, pelos deuses, falar apenas a verdade aqui?

—Eu não vou participar disso. – insistiu ela – Eu quero ir embora.

—A consideraremos culpada se o fizer. – disse o velho.

—Aqueles com culpa fogem de julgamentos. – disse o homem que segurava seus ombros. Valerion sentiu as costas arderem em brasa por conta de seus ferimentos. Engoliu em seco lamentando muito. Lembrava de todas as vezes que fora açoitado. Não queria passar por aquilo de novo. Margaery acabou se sentando na cadeira ao seu lado, parecendo muito régia, deixando-o entre os dois irmãos Tyrell – Você jura, pelos deuses, falar apenas a verdade?

—Juro. – disse ela.

—Você sabe se seu irmão alguma vez teve relações íntimas com outro homem?

—Não sei de nada disso. – respondeu ela com firmeza. Valerion engoliu em seco.

—Você jura que casou donzela com Tommen? – perguntou o homem e Margaery engoliu em seco.

—Não. – respondeu ela – Eu me deitei com outro homem antes de Tommen. – respondeu ela e Valerion engoliu em seco se odiando por ter cedido.

—Esse homem foi Valerion Blackfyre? – perguntou o velho.

Margaery o olhou e ele a olhou de volta.

—Foi. – respondeu ela. Todos respiraram profundamente – Mas nos arrependemos e juramos nunca mais fazer isso do novo. Confessamos nossos pecados ao antigo Alto Septão. – disse Margaery – E ele nos perdoou.

—Você sabia disso, Tommen? – perguntou Cersei e Tommen negou com a cabeça.

—Eu achei que você era virgem... – murmurou ele.

—Isso é motivo o suficiente para cortar a cabeça dos dois! – rosnou Cersei, inflamada – É traição!

—Isso é um absurdo! O antigo Alto Septão perdoou os dois. Não há o que ser debatido aqui! – ralhou Lady Olenna.

—Lorde Valerion Blackfyre. – chamou o velho e Valerion suspirou – Você confessa ter dormido com Margaery, mesmo sabendo que ela estava em vésperas de se casar com o seu rei? – perguntou ele e Valerion concordou com um aceno de cabeça – E de quem foi a iniciativa? – perguntou o velho e Valerion olhou para Margaery. Ela o olhou aflita e ele respirou fundo. Tentou resgatar a si mesmo de dentro dos vários fragmentos que sua alma tinha se tornado.

—Eu não quero mais responder isso. – disse fechando os olhos – Não importa. Fizemos, nos arrependemos e fomos perdoados pelo Alto Septão. Pelas leis da Fé, não podemos ser punidos por crimes dos quais fomos inocentados.

—O antigo Septão faleceu e não há quem prove a verdade de suas afirmações. – disse o velho – Isso é o suficiente para um...

—Não podemos ser levados a julgamento por um crime do qual fomos perdoados. E se não há provas contra nós, não podemos ser punidos. Está nas leis da fé. Apenas a lei do Trono de Ferro poderia nos punir por algo assim e se fosse o caso, eu escolho a Muralha.

—Você não vai deixar Porto Real. – rosnou Cersei e Valerion se atreveu a sorrir.

—Então pelas leis, estou livre. – rosnou para ela – Senhora Olenna. Avise Bry que se eu for preso aqui, não importa com quem, eu quero que meus homens explodam esse Septo e que Shiera fique com tudo o que é meu. Divirta-se com isso, Cersei! – cuspiu nos pés dela – Comigo morto, nada vai impedir que Aegon derreta a cidade até que não sobre nada. – rosnou furioso para ela. Cersei engoliu em seco e mirou Olenna.

—Eu garantirei que Bry escute isso. – disse a senhora Olenna.

—Bem... Lorde Valerion de fato não pode ser mais acusado pelo assassinato do Rei Joffrey, nem por ter desvirginado Margaery Tyrell... – disse o velho – Mas temos mais uma testemunha...

Entrou então mais um homem e Valerion o reconheceu no mesmo momento. Era o escudeiro de Loras, o homem que Loras estivera levando para a cama. Sabia, pois Loras havia comentado que Margaery flagara os dois num momento íntimo. Suspirou, infeliz e quando o rapaz foi questionado sobre Loras, tudo veio à tona. Loras o chamou de mentiroso e o rapaz descreveu uma marca de nascença que Loras tinha na parte interna da coxa, próxima à virilha. E depois ele confirmou que Margaery sabia dos dois, pois os flagara certa vez e nem parecera surpresa.

Valerion foi libertado, pois não tinha mais o que confessar e o homem não podia mais prendê-lo. Cersei e Tommen deixaram o lugar e Margaery e Loras foram presos. Lady Olenna chamou seus guardas, que ajudaram Valerion a voltar para seu quarto. O Meistre dos Tyrell veio limpar suas feridas e finalmente lhe deu um pouco de leite de papoula.

Sempre que acordava, lhe davam mais leite. Ora Bry, ora o meistre, ora Tyrion. Os dias passaram confusos, perdera a noção de tempo. Sonhou com Sansa, em Harrenhal, a mirar a janela, esperando por sua chegada. Sonhou com Myrcella e se perguntou onde ela estaria.

Numa noite, sonhou novamente com Sansa e a chamou baixinho. Sonhou com seus doces olhos azuis. Depois sonhou com Aegon. Sonhou que estava com ele, voando no dragão que ele conseguira. Sonhou que pulava do dragão e que não precisava dele para voar. Sentia que o vento o mantinha no ar. Como se estivesse sendo carregado.

Abriu os olhos e notou que tudo balançava estranhamente. Estava preso em alguma coisa. Seus braços estavam rentes ao corpo. Parecia que estava enrolado dentro de algo, mas provavelmente era apenas mais um sonho. Fechou os olhos e sonhou que estava velejando. Seu pai e Aegon brigavam sobre a rota que deveriam pegar para chegar até Atalaialeste, pois precisavam ir para a Muralha. Shiera estava ali também, mas quieta, com o vento a lhe lamber os negros cachos compridos. Ela o olhou e sorriu achando graça das picuinhas do pai e do irmão. Depois sua mãe apareceu e lhe beijou a testa, para em seguida intervir na briga do pai e do irmão.

Valerion se sentou observando a cena de sua família e sorriu. Shiera veio se sentar ao seu lado e os gêmeos olharam o céu estrelado.

—Myrcella ou Sansa. De quem gosta mais? – perguntou ela.

—Jon ou Robb? – retrucou e ela suspirou.

—Deveria ser Robb... mas é Jon. Estranho, não? – perguntou ela.

—Deveria ser Myrcella, mas é Sansa... entendo. – respondeu e sua irmã sorriu.

—Sentirei sua falta. – respondeu ela.

—Eu sinto a sua. – murmurou Valerion – Como assim, sentirei? – perguntou ela e Shiera suspirou.

—A espada está sendo forjada pela terceira vez. – disse ela de maneira sombria.

Valerion franziu o cenho e uma onda maior fez a galé balançar. Estava balançando de acordo com as ondas e sentiu alguém tocar suas costas feridas. A dor o despertou de uma vez e ele rosnou de dor. Sua garganta estava seca, seu corpo estava fraco, seu estômago doía de fome.

—Ele vai ficar cheio de cicatrizes. Aposto que não acha ele tão bonito agora. – riu uma voz ligeiramente familiar.

—Não seja cruel. São cicatrizes de um homem que enfrentou coisas terríveis. Cicatrizes formam a moral de um homem. – disse outra voz, uma masculina, que ele tinha bastante certeza de que nunca escutara.

—Você não tem cicatrizes. Significa que não tem moral? – perguntou a primeira voz. Uma voz feminina, de uma garota que em breve não seria mais criança. Valerion suspirou e tentou virar o rosto, mas os cortes arderam demais e ele gemeu de dor, tentando ficar imóvel. Alguém colocou alguma coisa úmida e gelada em suas costas, que fez com que os ferimentos ardessem mais, arrancando outro gemido. Mas em seguida tudo pareceu ficar anestesiado – Não deveriam dar mais papoula pra ele?

—Não. – respondeu uma terceira voz. Uma voz que fez seu estômago se contorcer e um frio lhe percorrer a espinha. Não pode ser... estou sonhando de novo...— Saiam daqui vocês dois! Ele precisa descansar e vocês só sabem atrapalhar!

—Você continua chata. – ralhou a voz infantil e ele se perguntou se estava louco – Vamos, Gendry. Deixa a Sansa brincar de ser útil com o Valerion.

—Ela está cuidando das feridas dele, milady. Ela está sendo útil. – disse a voz masculina.

—Não me chame de milady. – ralhou Arya. Escutou passos a se afastar e o som de uma porta se fechando. Ainda sentia o mundo balançar ao seu redor, como se estivesse muito bêbado. Suas costas ardiam cada vez menos, a medida que uma mão cuidadosa passava o pano úmido e gelado em suas feridas. Engoliu em seco, sem saber se deveria ou não olhar para o lado.

—Está acordado? – perguntou uma doce voz. Se atreveu a olhar para o lado e a viu. Estava vestindo um belo vestido negro, que pertencera a sua mãe. Os cabelos vermelhos estavam soltos, com algumas tranças bonitas elegantemente entrelaçadas para trás. Ela lhe sorriu um sorriso doce, mirando-o com os olhos marejados.

—Não sei... acho que estou sonhando... – murmurou confuso. Sansa negou com a cabeça e se ajoelhou no chão ao seu lado – Você está mesmo aqui? – perguntou sem entender – Cersei mata você. Precisa... precisa fugir! – disse desesperado, sentindo uma pontada nas costas.

—Estamos fugindo. – garantiu Sansa. Valerion a olhou confuso – Estamos voltando para Harrenhal. – disse ela e o rapaz piscou confuso – Precisamos defender seu castelo. Tommen lhe tirou o título de Lorde de Harrenhal. Houve uma briga e nós conseguimos tirar você da Fortaleza Vermelha. O escondemos dentro de um tapete. O príncipe Oberyn nos ajudou, assim como Tyrion. – Sansa sorriu e afagou seu rosto com carinho – Eu sei que pediu que eu não saísse de Harrenhal e que não queria que eu me arriscasse mais, mas cansei de esperar por você. E eu estava certa. Eles te prenderam e te machucaram. – disse Sansa. Valerion engoliu em seco e a mirou.

—Como? – perguntou confuso – E os meus homens?

—Estão todos nos barcos. Apenas alguns ficaram para trás, fingindo que estavam vigiando o seu quarto. São dez ex-imaculados, que concordaram em ficar para trás e morrer para que você voltasse são e salvo para Harrenhal. Cersei não tem navios tão rápidos quanto os nossos. Nem tão fortes. A grande frota dela não está pronta. Nunca nos alcançará a tempo graças a eles.

—Por quanto tempo eu dormi? – perguntou Valerion, confuso – Quanto tempo tem desde que fui libertado? – perguntou confuso.

—Oito dias. – respondeu ela – Arya aprendeu a fazer misturas muito boas. – Sansa se levantou e voltou a pegar o pano, para mergulhar numa bacia. Ela torceu o pano e voltou a colocá-lo sobre seus ferimentos. Rosnou de leve, mas logo a sensação de alívio tomou conta – Suas feridas já estão melhorando.

—Eu ainda acho que estou sonhando. – murmurou confuso – E Myrcella?

—O que tem ela? – perguntou Sansa.

—Ela... ela sabe disso tudo? – perguntou sentindo-se péssimo.

—Até onde eu sei, Cersei a trancou numa torre. – respondeu ela friamente – E até onde eu sei, vocês estavam apaixonados. – ela parou de pressionar o pano contra suas feridas e Valerion suspirou – É verdade?

Valerion engoliu em seco e olhou para Sansa. Com uma careta, se levantou, sentindo as costas latejarem. Sansa se sentou ao seu lado e o olhou questionadora.

—Eu fiz o que foi preciso que eu fizesse, para sobreviver. – confessou com os olhos baixos – E isso significou envolver-me com Myrcella... até o ponto de encenação e verdade ficarem difíceis de se discernir. – murmurou – Confesso que tudo saiu do controle no final, antes que eu fosse preso. Já não tinha mais desculpas para esquivar-me dela. E Myrcella era minha maior proteção contra Cersei. – engoliu em seco e a olhou – Tyrion me garantiu que não consumou o casamento de vocês, mas e se ele exigisse que você se deitasse com ele... se deitaria, não deitaria? – perguntou para ela.

—Myrcella exigiu isso de você? – perguntou Sansa com a voz chorosa. Valerion concordou – E você cedeu? – perguntou ela o olhando magoada. Ele concordou de novo – E você gostou? Você gostou dela? Você a amou? Esqueceu de todas as promessas que me fez? Você realmente iria casar com ela? – perguntou Sansa chorando e Valerion a olhou cheio de culpa.

—Se eu gostei de transar com ela? Sim. Eu gostei. Se eu a amei? Me afeiçoei a ela. A queria bem, a queria feliz. Ela se preocupava comigo e me amava. Ela me ajudou a ficar vivo. Me salvou a vida mais de uma vez. Eu tinha uma grande dívida com ela e eu cogitei mais de uma vez tentar amá-la. Eu tentei amá-la... era a coisa mais fácil que eu poderia fazer. Tentar ficar com ela. Mas eu não consegui. Meu pensamento sempre estava em você. Sempre que ficava sozinho, sentia sua falta e me sentia um cretino, por estar traindo vocês duas. – murmurou ele – Tentava me consolar, falando que eu fazia o que era preciso. Que apenas estava obedecendo meu pai. Que estava fazendo o correto. Tinha salvo você, te dei todas as chaves para sobreviver. Mas... – ele suspirou – Eu tentei ir embora. Mais de uma vez, mas Cersei nunca deixava. Eu estava preso lá. Você passou por isso. Sabe como é.

—Você tinha soldados. Eu estava sozinha.

—Eu tinha dois mil soldados. – disse ele – Os Lannister e os Tyrell, juntos, tinham quase quarenta mil. Eu fui preso duas vezes, sem que meus soldados pudessem fazer coisa alguma. Eu fui preso com o meu pai lá. Eu era tão refém quanto você foi, Sansa. – explicou Valerion – Myrcella foi meu melhor escudo e me dói ter usado a princesa assim.

Sansa desviou o olhar, com lágrimas escorrendo por suas bochechas e seu rosto e nariz ficando vermelhos.

—Você a ama? – perguntou Sansa.

—Não tanto quanto amo você. – respondeu Valerion – E não faz o menor sentido, inclusive... mas amor é assim, irracional. – riu ele lhe afagando a orelha – Céus, é tão bom ver você de novo, Sansa...

Ela lhe estapeou a mão.

—É irracional gostar de mim? Por que? Crês que Myrcella é mais merecedora do teu afeto do que eu? – perguntou ela e Valerion sorriu.

—Você teve meu amor sem nem mesmo tentar. Você me desprezou, preferindo Joffrey. Eu já estava apaixonado por você em Winterfell, e nem mesmo me dirigiste um olhar. Eu fiz de tudo para chamar tua atenção e ganhar teu afeto. Disputei o torneio da Mão na intenção de conquistar teu coração, indo contra a vontade do meu pai, correndo o risco de ofender Joffrey. Mas mesmo assim não me deste teu amor. E mesmo quando percebeste o monstro que era Joffrey, estavas confiando tua fuga em um gordo corrupto qualquer, antes de confiar em mim.

—Como soube de Sor Dontos? – perguntou Sansa.

—Eu coloquei espiões atrás de você, como todos fazem em Porto Real. E eu fiquei louco de ciúmes quando meus espiões falaram que ele tomava liberdades contigo, tentando beijar-lhe os lábios! Fui eu quem matei aqueles vagabundos que tentaram estuprá-la, eu quem arrisquei minha vida para salvar-te... mas preferiu confiar num homem bêbado, sem títulos, sem honra e sem dignidade... Eu desafiei Joffrey, enfrentei o Cão e Trant, para proteger-te, em frente a toda a corte. E mesmo assim... demorei até ter teu coração... eu sofri demasiado de amor por ti, Sansa. Já Myrcella... Myrcella se rendeu a mim e foi devota a mim desde o primeiro momento. Ela se comprometeu a me ajudar e a ser minha desde sempre. Eram meus os olhares, sorrisos e coração. Eu só recusei a reivindicá-los, porque eu pertencia a você. Mas eu fiquei sozinho, sem aliados, sem ninguém... eu precisava de Myrcella... e eu acabei me envolvendo demais. Perdoe-me por isso e se não desejares mais meus sentimentos por ti, compreenderei e acharei um castigo válido. – suspirou, sentindo fome – Mas não penses, nem por um segundo, que eu desisti do meu amor por ti. Não pense por um segundo que cheguei a esquecê-la. Ou que meu amor tenha diminuído. Eu sigo sempre apaixonado por você, Sansa. Eu jurei no dia do teu casamento forçado e continuo jurando agora. Mas compreenderei se não me aceitares mais. – murmurou.

Sansa se levantou e pegou algumas bandagens. Depois voltou a colocar o pano molhado em suas costas. Ela o enrolou com as bandagens, passando os lenços brancos ao redor de seu tronco e ombros, cobrindo seus ferimentos.

—Deite-se, Sor... – pediu ela com a voz distante – Chegaremos em Harrenhal pela manhã.

**

Myrcella olhava pela janela, alisando o ventre. Tinham colocado grades ali, mas ainda assim era possível ver uma boa parte da cidade. Suspirou, infeliz, sentindo falta de Valerion. Queria vê-lo o quanto antes. Escutou alguém abrir a porta e se virou. Era sua mãe. Ela tinha aquele olhar de desgosto de sempre, mas não se importou. Deu as costas para ela e voltou a mirar a janela. Notara que ela trouxera uma bandeja com um bule e uma xícara, mas jurou que novamente despejaria todo o conteúdo. Não beberia outra coisa que não fosse água. Não permitiria que sua mãe matasse seu bebê.

—Estou vendo que segue sem beber os chás. – disse ela mirando as xícaras quebradas e as poças secas de chá pelas paredes e chão. Não respondeu, escolhendo o desprezo e o silêncio. Era uma prisioneira no próprio castelo. Ninguém lhe dizia coisa alguma sobre Valerion. Estava só, preocupando-se com ele a todo segundo – Estou esperançosa de que hoje mude de ideia. – disse a mãe e Myrcella quase riu com desdém – Seu irmão, o rei, destituiu o título de Lorde de Valerion, assim como a posse de Harrenhal. O castelo ficará disponível para servir de prêmio a algum aliado que se provar competente. Valerion será executado. – Myrcella a olhou com desespero – Assim que ele for encontrado.

—O que? – perguntou confusa. Cersei suspirou cheia de desgosto e se sentou numa mesa, servindo o chá.

—Valerion confessou muitos crimes para o Alto Pardal. – explicou sua mãe e Myrcella piscou, confusa – Que é o novo Alto Septão. – adicionou ela – Ele confessou que não matou Joffrey, mas que não sabe quem foi responsável pela morte dele. Confessou que não teve relações íntimas com Loras Tyrell... e confessou que ele transou com Margaery e que ajudou Sansa Stark a fugir, porque a amava demais. – disse Cersei – E ele confessou que te desvirginou também, motivo pelo qual você não vai sair dessa torre, ou os pardais podem tentar prendê-la, assim como prenderam Margaery e Loras Tyrell. E é por isso que você vai beber esse chá, para que não a acusem de mais coisas. – sua mãe empurrou a xícara em sua direção – Valerion conseguiu repetir a proeza do pai dele. Criou alguma confusão e fugiu da Fortaleza Vermelha. Mas assim que ele for encontrado, ele será morto, como o maldito traidor que ele é. Como eu sempre falei, ele nunca amou você e te deixou pra trás, grávida, desvirginada e sozinha, na primeira oportunidade que teve. – disse ela.

Myrcella se aproximou e pegou a xícara, para então despejar todo o conteúdo na lareira. Depois colocou a xícara em cima da mesa, fazendo barulho.

—Engula seu veneno, mamãe, engasgue e morra. Nunca mais vou acreditar em uma só palavra do que disser. – disse Myrcella.

—Ele se foi, Myrcella. – disse Cersei e a garota negou com a cabeça.

—Não.

—E ele vai ser encontrado e vai morrer. Eu não vou deixar que tenha um filho assim. De um homem que nunca te amou e nunca te mereceu...

—Você não o conhece! – sibilou Myrcella – Ele me ama. Nós vamos nos casar e vamos ter um filho. Porque ele me ama! – insistiu ela e Cersei suspirou.

—Eu imaginei que você iria insistir nisso. Então eu vou trazer alguém para falar com você. – disse Cersei. Myrcella negou com a cabeça.

—Eu não vou acreditar. Nunca irei acreditar. – disse teimosamente e Cersei se levantou, indo até a porta e a abrindo para um homem. Esse homem foi empurrado e ele veio andando até Myrcella, sendo escoltado por seis soldados Lannister.

—Conhece ele? – perguntou sua mãe. Myrcella o reconheceu como um dos ex-imaculados de Valerion – Ele é leal a Valerion. Ficou para trás para deixar um recado. Sobre a fuga do mestre. Estou mentindo? – perguntou sua mãe para o soldado, que ficou calado. Myrcella sentiu um frio lhe subir a espinha e se aproximou do homem.

—Valerion fugiu? – perguntou ela.

—Sim. – respondeu o soldado – Houve uma conspiração. Nos reunimos para pensar numa maneira de salvar o mestre Valerion. Navios chegaram durante a noite. Eles tinham mais soldados. – explicou ele e Myrcella engoliu em seco – Com a verdadeira senhora de Harrenhal. A nós, que escolhemos ficar e morrer, para que o mestre retornasse para casa são e salvo, nos foi deixada uma mensagem. – ele a olhou muito sério e inexpressivo – Os Stark mandam lembranças.

—Stark? Que Stark? Foi Shiera quem planejou tudo isso? – perguntou Myrcella.

—Não. Foi a senhora Sansa. Valerion a ajudou a fugir para Harrenhal e deu a ela poder para controlar o castelo em sua ausência. – explicou ele e Myrcella recuou alguns passos, sentindo um vazio no peito.

—Não. Está mentindo. É mentira! – disse angustiada.

—Levem-no para as masmorras. – disse Cersei para os soldados, que tiraram o ex-imaculado dali. Myrcella recebeu um olhar aborrecido da mãe, que lhe apontou o chá – Beba, Myrcella. – disse ela assim que a porta fechou novamente.

Myrcella soluçou, sentindo-se idiota e magoada. Mas em seguida se lembrou dos últimos dias com seu amado. Negou com a cabeça e deu as costas para a mãe.

—Vá embora e me deixe só.

—Beba, Myrcella.

—Não vou beber! Não vou. – chorou ela se abraçando e caindo de joelhos – Eu vou ter esse bebê. Ele é a prova de que eu estou certa e que Valerion me amou. Ele me ama. E se você ou Sansa Stark pensam que vão me convencer do contrário com todo esse teatro, estão muito enganadas. Passarei o resto de minha vida aqui, se for necessário, mas eu não vou desistir do meu bebê! Não vou.

—Direi então que enlouqueceu e que ele lhe estuprou. – disse sua mãe e Myrcella a olhou em choque – E você vai passar o resto de seus dias aqui nessa torre.

Notas finais
Sansa is Back! E salvou o Valerion de Porto Real. E tem Gendry e tem Arya. Harrenhal vai virar point de intriga haushaushaushas Pobre Myrcella. O que será que vai acontecer com ela? D= Vamos para as prévias? xD Personagem inédito no próximo capítulo ahsuahsuahsas "-Não recebeu as notícias? Não sou mais Lorde de Harrenhal. – resmungou Valerion. —É claro que é. O castelo é seu, os homens são seus e os recursos também. – retrucou Arianne – O que diz um bastardinho no Trono de Ferro não significa coisa alguma. – adicionou ela e Valerion sentiu um arrepio pelo olhar profundo que ela lhe lançou." ARIANNE MARTELL ahsuahsuahsua xD "-Achei que iria morder o traseiro dela. – riu Arya e ele corou constrangido – Ou que ela fosse tirar suas calças e começar a chupar você a qualquer momento. Lhe pareceu uma ideia agradável." SHuahsuahsuahsa "-Seria mais fácil não flertar contigo se não fosse tão amável. – disse a olhando sonhadoramente – Sansa, eu senti tanta sua falta. – confessou se aproximando e ela o olhou friamente. —Se é mais fácil não flertar comigo se eu não for amável, então peça para Arya ajudar com suas poções, ou Arianne Martell. Ou talvez devesse voltar para Porto Real e pedir para que Myrcella cuidasse de você, afinal, ela parece ser ótima nisso." Famoso XABLÁU E por último "Levantou o olhar para seus convidados, sentindo-se tonto. Muito tonto. Respirou fundo notando que sua visão embaçava. Suas mãos estavam frias. Sua boca parecia congelar. Levantou os olhos tendo certeza que algo errado estava acontecendo. Mirou Oberyn, que o olhava parecendo preocupado. Ele tinha o dedo indicador erguido, como se estivesse pedindo silêncio a Tyrion, e o olhava atento. Olhou para Sansa, que parecia assustada. Depois olhou para sua bebida. Estava fraco, com frio. Nunca tinha sentido um frio assim. Seu corpo estava mole e tudo parecia dançar a sua frente." Capítulo todo do Valerion haushaushas Beeijos e até sexta! Comentem, ok? Titia ama vocês ^~