Blackfyre

45 The North Remembers


Notas iniciais
OOOOI, Amores! Senti saudades de vocês, lindezas! Estão prontas para o próximo capítulo? SHuahsuahsuas Altas tensões no Norte Esperem pra ver em Porto Real ♥ Daqui pra frente vai ser treta atrás de treta kkkk Sou má! Vamos lá! Quero ver todo mundo comentando, heim?! Beeeijos Desculpem se houverem erros de digitação. Eu revisei, mas meu pc parou de assinalar os erros ortográficos por ter muitas palavras que ele não conhece. Então eu não tenho mais o word falando que eu escrevi etava no lugar de estava xD #PartiuLer

The North Remembers

—Lorde Karstark. – disse um rapazote qualquer. Rickard, por mais que já estivesse escuro, ainda estava de pé, no frio, fora do castelo. Tinha acabado de deixar o Bosque Sagrado, para rezar pelas almas de seus dois filhos mortos e pela sorte de seu filho mais velho Harrion. Harry estava preso em Lagoa da Donzela, mas Petyr Baelish garantira que ele estava bem e que voltaria para o Norte em breve. Mas Rickard não acreditava muito nisso. Cada vez mais a ideia de sua Casa estar experimentando seus dias finais o assombrava mais e mais. Seu irmão estava em Karhold e tinha um filho, era verdade, mas Rickard não gostava do sobrinho e há muito não era um verdadeiro amigo do irmão – Lorde Karstark... – Rickard levantou o olhar, notando a neve que caía copiosamente. Um rapaz qualquer o olhava agitado e cheio de expectativa – Um batedor chegou e tem notícias importantes, mas o Lorde Roose está em seus aposentos com a senhora e não quer ser incomodado. E Ramsay Snow está nas masmorras. – o rapaz engoliu em seco, ligeiramente nervoso – Então ninguém quer realmente ir até ele. Então...

—Que tipo de informações o batedor tem? – perguntou Rickard.

—Sobre Stannis. Ele está há poucas horas de viagem. – respondeu o rapaz e Lorde Karstark concordou com um suspiro.

—Vamos ver esse batedor. – disse agitado. Stannis estaria mesmo quase chegando? Finalmente o cretino se aproxima. Aquela farsa finalmente cairia. Mas a que preço? Os nortenhos novamente terão que se ajoelhar para um rei sulista? Aquela ideia não o agradava. Robb não podia ter morrido... Caminharam para dentro da fortaleza, indo até as cozinhas. Um jovem rapaz estava ali, tomando vinho quente com mel, para se esquentar, enrolado num cobertor velho e puído. A ponta do nariz dele estava escurecendo, pois congelara, o que significava que o garoto talvez a perdesse em breve. Algumas aias trouxeram uma bacia com água quente e ajudaram o garoto a tirar as botas, para mergulhar os pés e se esquentar – Garoto, qual seu nome? – perguntou Rickard.

—Wally, senhor. – respondeu o garoto, tremendo sem parar. Rickard suspirou sem invejá-lo e se sentou numa cadeira.

—Beba seu vinho e diga o que viu. – disse de uma vez.

—Eu vi os estandartes de Stannis. Um veado num coração flamejante. – disse o garoto tremendo tanto que Rickard podia ouvir os dentes dele batendo uns contra os outros. – E haviam estandartes dos Stark com ele. E dos Umber... e muitos outros que estavam aqui quando Robb Stark convocou os vassalos. E mais outros que eu não reconheci. Mas era o veado no coração flamejante. Era Stannis... mas... o exército dele era bem grande, mas acho que temos mais homens aqui. – explicou o garoto.

Rickard suspirou e concordou. Se Roose fosse esperto, deixaria Stannis e os outros morrerem de fome. Mas a verdade era que Winterfell já não conseguia mais sustentar tantas pessoas. Aquele combate era eminente.

—Acordem os soldados e os lordes. – disse para os poucos homens que estavam ali. Eu vou avisar Ramsay Bolton. – disse desejando interromper Roose e Shiera. Mas precisava seguir o plano. Roose era calculista demais. Precisava fazer com que ele não tivessse a opção de esperar as forças de Stannis morrerem de frio ou de fome. Se acordasse o castelo inteiro, todos iriam se preparar para guerra e os lordes iriam se rebelar e se exaltar caso Roose tentasse evitar um combate. E então seria muito mais fácil montar um grupo para abrir os portões. Começariam a batalha dentro do castelo e antes que Roose tivesse a menor oportunidade de se organizar, Stannis avançaria Winterfell a dentro, massacrando o maldito traidor. Então desceu até as masmorras, ouvindo os gritos de um pobre coitado qualquer. Passou pelo rapaz carcereiro, que lhe lançou um olhar esperançoso – O que foi?

—Você veio vê-lo, não foi? – perguntou o garoto tirando um molho de chaves do bolso – O Fantasma.

—Eu vim ver Ramsay. – disse simplesmente.

—Mas... mas meu Lorde... – o garoto tentou acompanhar seus passos largos, mas Rickard o ignorou e o deixou para trás. Entrou na cela onde um homem estava sendo esfolado enquanto gritava que nunca sequer tinha visto Stannis. Mas Ramsay parecia se divertir com os gritos dele, então seguiu com o esfolamento. Os homens dele olhavam sem se importar e um deles sorria se divertindo. Vargo Hoat, o líder da companhia mercenária Bravos Companheiros, estava ali também, e parecia estar se divertindo com o sofrimento do homem tanto quanto Ramsay.

—Snow. – disse Rickard, fazendo com que Ramsay parasse de fazer o esfolamento. O rapaz se virou e o olhou com alguma ira no olhar.

—Lorde Karstark. O que veio fazer aqui? E dizem que Lordes não descem a nossa altura, rapazes. – riu ele, mas Karstark fingiu não ouvir.

—Achei que gostaria de ter o privilégio de falar com um batedor que chegou. – disse Rickard. Ramsay o olhou curioso – Aparentemente é Stannis... e ele está com um grande exército... mas o batedor acredita que não são tantos homens quanto os nossos.

Ramsay sorriu animado e olhou para os colegas.

—Vamos ver se é verdade o que diz o batedor. – riu ele – Vamos ver quem são os homens que vamos deixar morrer em breve. – adicionou ele parecendo feliz. Ele se voltou para o homem esfolado e, com um puxão rápido, arrancou um bom pedaço de pele, fazendo o homem gritar em agonia novamente. Depois disso ele saiu da cela, deixando o pobre coitado ali, sendo seguido por seus companheiros. Rickard suspirou e sacou a espada, para atravessar o coração do prisioneiro, num golpe misericordioso.

Depois limpou o sangue na lâmina, para devolvê-la ao cinto. Saiu da cela e foi surpreendido pelo carcereiro novamente.

—Meu Lorde, por favor. Já está aqui. Vai levar apenas um minuto. – disse o menino parecendo quase desesperado.

—Eu não acredito em fantasmas, menino. – resmungou com um revirar de olhos.

—Mas... por favor. Eu imploro. – lamentou o rapaz – Ele disse que vai me assombrar se eu não levar o senhor até ele. – o rapaz tinha as mãos trêmulas enquanto mexia no molho das chaves – Eu o levo até a cela de Lorde Jonos Bracken se o senhor vier comigo. Por favor.

Rickard suspirou e achou que seria gentil avisar a Jonos que Stannis finalmente havia chegado. Olhou para o garoto, com alguma impaciência, mas concordou com um aceno de cabeça.

—Está bem, garoto. Me mostre o seu fantasma.

O garoto soltou um suspiro de alívio tão grande, que pareceu que derreteria até o chão. Ele se virou mexendo nas chaves, andando até outra cela qualquer. Demorou cinco tentativas até que ele acertasse o buraco da fechadura. Estava quase desistindo quando a porta finalmente abriu. Tirou o rapaz do caminho e se aproximou da cela, vendo um par de braços magros apoiados no ferro frio da cela. Estava escuro, então levantou uma tocha para enxergar melhor.

—Seu fantasma me parece de carne e osso, garoto. – riu Rickard notando o quanto aquilo era uma tremenda perda de tempo. Se aproximou um passo e escutou a última voz que esperava ouvir naquela cela.

—Você demorou, Lorde Rickard. – seu corpo se arrepiou por inteiro. Sua tocha quase caiu no chão. Seu coração disparou e começou a bater tão rápido, que parecia que perfuraria seu peito, pulando para fora de seu corpo – Comecei a apostar comigo mesmo quem viria primeiro. Você, Ramsay, ou o Inverno.

Precisou engolir em seco antes de se aproximar e erguer mais a tocha. Sua mão tremia de surpresa.

—Robb...? – perguntou inseguro. Mais um passo e a luz da tocha o iluminou. Viu os olhos azuis de seu rei, assim como seu rosto cansado e sujo. Ele parecia mais velho do que deveria ser, mas sem dúvida aquele era Robb Stark. Ele o olhava sério, magro e maltratado, mas ainda conseguia ver claramente o rosto de seu rei. Do Jovem Lobo – Mas... mas você está morto... – disse chocado, se colocando de joelhos. Robb o olhou com uma serena calma. Uma calma que realmenre deveria pertencer a um morto – Eu... eu vi você ser enforcado. Eu não pude fazer nada, então voltei para junto de Shiera. Mas você foi alvejado e enforcado. As flechas que atiraram em você ainda estavam em seu corpo quando te penduraram na corda. – disse em perplexo choque – Não pode ser. Não faz sentido...

—Não... não faz. – disse Robb, muito calmamente – Como está Shiera? E meu filho?

E então o plano, que desde sempre lhe parecera terrível e cruel, também se mostrou uma traição.

—Nós achávamos que você estava morto! – disse em choque.

—Eu estava. – respondeu Robb – Mas e Shiera e meu filho?

Engoliu em seco, baixando os olhos.

—Seu filho está a salvo... ou é o que pensamos. Ele está com Theon, a caminho de Essos... Aegon cuidará dele. – disse Rickard pensando no pequeno bebê de colo que era o herdeiro do Norte – Nós montamos uma comitiva com pessoas de nossa extrema confiança. Seu lobo está com ele também. – adicionou Rickard – Se voltássemos para Winterfell com ele, os Bolton o matariam, com certeza.

Robb ficou em silêncio por um momento e Rickard Karstark se lembrou da noite do casamento, quando guiou Shiera até Roose Bolton... quando entregou sua rainha para aquele homem, como se fosse um animal qualquer num ritual grotesco a algum deus sangrento. Então, envergonhado, manteve-se em silêncio.

—E Shiera? Ela está viva? – perguntou Robb.

—Está. – respondeu olhando novamente para o Jovem Lobo, ainda sem saber se estava enlouquecendo ou não. O garoto carcereiro avisara que Robb estava ali, já havia dias, mas ignorara. Deixara que seu rei seguisse preso ali – Ela... ela...

—Ela casou com Bolton. – sibilou Robb.

—Não foi culpa dela, Vossa Graça. – disse Lorde Karstark, prontamente.

—Eu sei que não. – disse Robb. Ele fechou os olhos e tocou a testa na cela – Eu sei que ela casou para tentar forjar uma aliança e fazer paz...

—Não. – negou Karstark. Robb o olhou curioso e com o cenho franzido – Ela casou para nos colocar aqui dentro. Para reconquistarmos Winterfell e fazer os Bolton e os Frey pagarem. Ela fez um acordo com Stannis. Ele atacará o castelo por fora e nós por dentro. Vamos abrir os portões para ele... – Rickard Karstark engoliu em seco, ainda perplexo, mirando o prisioneiro – Ela estava disposta a morrer para recuperar Winterfell. Fez Stannis jurar que quando ele tiver o Trono de Ferro, ele iria respeitar o direito de nascença de Ned... e que seríamos todos perdoados pela rebelião nortenha. – Rickard engoliu em seco – E ele nos ajudaria na Muralha... contra... contra os mortos. – explicou Rickard e Robb o olhou confuso – Você é um deles? Um dos mortos além da Muralha?

—Não. Quem me trouxe a vida novamente foi R’hllor. – disse Robb.

—Então você de fato morreu? – perguntou completamente confuso. Respirou fundo e o olhou novamente – Eu enlouqueci, garoto? – Robb suspirou e o olhou calmamente.

—E não estamos todos a enlouquecer? – Robb suspirou e o olhou – Essa luta, com a ajuda de Stannis, quando será?

—Em breve. Stannis já chegou. Os preparativos já estão sendo feitos. – disse ficando de pé.

—Então traga-me uma espada e uma armadura. Eu vou lutar.

—Mas...

—Essa é a minha casa, Lorde Rickard. Eu vou lutar para tê-la de volta. Eu vou lutar pela minha casa, pelos meus homens e pela minha família. E quando vencermos essa batalha, eu irei até Shiera e pedirei perdão a ela. – disse Robb e Rickard suspirou.

—E então o que? – perguntou o senhor de Karhold.

—Juramos que seríamos um do outro, até que a morte nos separasse. Ela morreu naquele rio e eu morri nas Gêmeas. – disse Robb parecendo sombrio – Ela não fez nada de errado. – ele adicionou – É verdade que ela foi até a Muralha?

E havia rancor na voz dele.

—Sim. – murmurou Lorde Karstark se lembrando de quando o Conselho sugeriu que Shiera fizesse uma aliança com Jon Snow para conseguir mais homens. Apenas Lorde Jon Umber foi contra... – Estava tendo uma invasão e...

—Jon a acolheu na Muralha? – perguntou Robb.

—Sim.

—E... ela e ele... – ele não concluiu o pensamento. Mas Rickard Karstark sabia que sim. Viu mais de uma vez o Bastardo de Winterfell deixar a torre da rainha com as bochechas coradas e um sorriso de satisfação no rosto. Ninguém falava sobre aquilo, é claro, mas os principais Lordes sabiam o que estava acontecendo. Lorde Karstark engoliu em seco e respirou fundo.

—Lady Shiera... foi aconselhada a fazer uma aliança com Jon Snow, para unir os Selvagens à nossa causa... mas... – Lorde Karstark viu o olhar de seu rei perfurá-lo como uma espada – Jon Snow foi nomeado Lorde Comandante da Patrulha e os esforços de nossa rainha foram em vão.

—Um modo cheio de floreios para dizer que Shiera e Jon ficaram juntos. – resmungou Robb – Quanto tempo levou?

—Bastante, para ser sincero. – murmurou Lorde Karstark – Os dois... eles sempre se deram bem. – ele disse sentindo que pisava em ovos – O modo como se olhavam... mas a rainha nunca deixou de pensar em você, garoto. Quando Petyr Baelish apareceu com um baú que deveria estar cheio com os seus ossos, ela expulsou todos nós do quarto e chorou tão alto que toda Muralha pode ouvir. E devo adicionar que depois que sua morte nos foi confirmada... eu nunca mais vi Shiera sorrir novamente. Não de verdade.

Robb suspirou ao escutar aquilo e o olhou com seus brilhantes olhos azuis. Parecia ser a única coisa realmente cheia de vida nele... os olhos.

—Levante-se, Lorde Karstark. – disse Robb e ele o fez – Ainda é meu Lorde e ainda me considera o rei do Norte? – perguntou ele erguendo os braços, mostrando o quanto estava um trapo. Mas Rickard Karstark não viu um garoto magricela, fraco e doente. Ele viu seu rei. Ele viu o mesmo garoto que nunca perdera uma batalha sequer. O mesmo garoto honrado e corajoso. Ele viu seu Rei do Norte. Então, por mais que Robb tivesse dito para que se levantasse, largou a tocha no chão e pegou a espada, ficando de joelhos.

—Sou seu Lorde fiel. Viva a Robb Stark, o Rei no Norte.

—Então me tire daqui, me dê uma armadura, uma espada e avise a quem deve ser avisado. Quando o sol se pôr amanhã, o estandarte do lobo gigante deverá estar em todos os muros.

**

Shiera segurou a mão de Roose, tentando afastá-la de seu pescoço. Depois da primeira vez que transara com ele, jurara que lutaria todas as vezes. Algumas vezes sonhava que conseguiria subjugá-lo, mas nunca conseguia fazer isso. Uma coisa era derrotar soldados sem treino, tendo uma excelente espada na mão e Vento Cinzento lutando ao seu lado. Outra era defender-se nua de um homem muito mais velho e mais forte.

Roose aprendera a enforcá-la durante o sexo, até que ela desmaiasse. Assim ela não gritaria mais. Na última noite tinha gritado tanto que ficara sem voz. Então Roose deslocou um de seus dedos. O meistre o ajeitara, mas ainda doía. Seu rosto doía também, assim como o pescoço. Seu corpo todo parecia ter sido pisoteado e sua intimidade estava ardendo, assada, pois não tinha tesão algum com aquele homem e seu corpo não respondia. Sem lubrificação, só havia dor. Lembrava que tanto Jon quanto Robb a deixavam molhada com um reles olhar penetrante. Roose a deixaria seca mesmo se a jogasse no rio.

Quando ele começou a gemer e tremer em cima de seu corpo, sentiu-se enojada, sem ar e prestes a desmaiar. Mas ele a soltou e deixou o corpo cair molemente sobre o seu. Fechou os olhos, pensando em Robb. Era mais fácil pensar em Robb em Winterfell. Jon pertencia à Muralha... ou a Harrenhal. Mas Winterfell era de Robb e era o rosto dele que tentava mentalizar sempre que precisava passar por aquilo. Pensava nele e tinha esperanças. Aquele sacrifício tinha colocado suas forças dentro de Winterfell e quando Stannis chegasse, atacariam Winterfell por dentro e por fora. E ela queria ter o prazer de executar tanto Roose quanto Ramsay. De exterminar a Casa Bolton. De falar que os Stark mandaram lembranças.

Mas isso estava apenas em sua mente ainda. Sentiu-se incomodada com o peso do homem sobre si, então se concentrou em Robb e nas noites felizes que tiveram em Winterfell, antes de brigarem... quando ele lhe acariciava a barriga redonda, lhe fazendo juras de amor no pé do ouvido, debaixo das cobertas feitas de pele de lobo. Antes de Catelyn Stark libertar Jaime. Antes de se jogar no rio, desejando morrer. Naquele momento, embaixo de Roose, uma parte egoísta de si mesmo desejava ter mesmo morrido. Se afogado. Então não estaria passando por aquilo. Mas era um sacrifício que precisava ser feito e ela não se arrependeria. Faria Roose engolir o próprio pinto antes de matá-lo. Talvez o oferecesse ao deus Sangrento de Stannis, apenas para ouvir seus gritos enquanto queimasse. Parecia uma boa ideia.

Roose pareceu recuperar o fôlego então ficou de joelhos na cama. Ele se masturbou um pouco e a colocou de quatro, mas ela se recusou. Tentou se virar e ele a obrigou a ficar naquela posição novamente. Tentou se libertar, tentando chutá-lo, então ele lhe socou nas costas com tanta força que não teve nem mesmo ar para gritar. Ele segurou seus cabelos com violência, puxando usa cabeça para trás, a deixando sem ar e voltou a estuprá-la novamente. Tecnicamente não era um estupro, afinal eram casados, mas na prática era exatamente aquilo. Roose afundou sua cara no travesseiro e manteve seu quadril numa altura que o agradasse e Shiera se sentiu mais humilhada do que nunca.

—Como a cadela que você é. – murmurou ele – Sente falta de ser uma Stark? Finja que é uma então. – adicionou ele e Shiera sentiu o lábio tremer. O ar era difícil de respirar e sentia que poderia desmaiar a qualquer momento. Não que Roose se importasse, é claro. Chorou em silêncio sem conseguir evitar e quando ele começou a lhe dar tapas na bunda, desejou de novo nunca ter sido encontrada no dia que pulara no rio. Quando ele terminou, rolou para o lado, satisfeito e ela rolou para o outro para chorar novamente. Queria ter uma faca para matá-lo ali mesmo. Para deleitar o momento em que a vida sumisse de seus olhos cor de gelo. Desejava ter seu arco. Desejava ter vindo com seus lobos selvagens. Mas sabia que eles os matariam na primeira oportunidade. Então deixou Lady com Jon. Vento Cinzento com Ned. E agora estava sozinha, desprotegida, humilhada e ferida – Poderia ser melhor se você não lutasse tanto. – disse Roose e ela se encolheu – Eu poderia ser bom com você, se fizesse por merecer. – ele tocou suas costas de maneira até gentil, mas só conseguia sentir nojo do toque dele – Poderia ser como era com Robb. – sussurrou ele a puxando mais para perto. Sentiu-se enojada da presença dele, mas nada disse – Eu sempre ficava excitado escutando vocês dois treparem no acampamento. Você era escandalosa. Eu queria saber como seria. Mas você não me dá isso. Você luta até me obrigar a te machucar.

—Você nunca vai fazer ser como era com Robb. – rosnou sentindo o rosto molhado pelas lágrimas. Não se virou, apenas ficou imóvel, infeliz, se perguntando por quanto tempo aguentaria aquilo. Roose a acariciou na bunda, onde estava dolorido por conta dos tapas dele. Ele soltou um suspiro, como se estivesse decepcionado com algo e falou.

—Se você insiste.

Ele estava para puxá-la para mais uma dose de estupro, quando bateram na porta.

Roose se virou e bufou com desagrado, para se levantar e pegar um robe. Shiera se escondeu embaixo do cobertor de pele de lobo e Roose abriu a porta.

—Roose. É Stannis. – disse Rickard Karstark e Shiera respirou fundo, completamente aliviada. Se ganharmos, vou fazer Roose pagar por todos esses dias. Se perdermos, eu me jogo pela janela e não darei a ele a oportunidade de me estuprar de novo – Ele está lá fora. O que faremos?

—Ele está montando acampamento? – perguntou Roose.

—Sim. Mas o exército dele me pareceu bem menor que o nosso. Seu filho foi fazer uma operação de reconhecimento, para ter certeza.

—Quem deu essa ordem a ele? – perguntou Roose franzindo o cenho.

—Ninguém. – respondeu Rickard, parecendo muito satisfeito – Eu fui avisá-lo nas masmorras do que tinha acontecido. Imaginei que ele iria querer te dar a notícia. Estava prestes a torturar mais um pobre coitado nas masmorras. – disse o Lorde com sorrisinho – Ele não tem medo de fantasmas, o seu rapaz.

—Fantasmas? – perguntou Roose – Do que raios...

—Não soube? Estão falando que as masmorras estão com um fantasma. – riu Rickard – O Fantasma de Robb.

—Claro, e os Outros estão trazendo o inverno. – desdenhou Roose – Não sabia que acreditava nessas baboseiras.

—Eu não acredito. – riu Rickard – Eu só vim aqui saber quais são as suas ordens.

Shiera se levantou, ainda enrolada no cobertor.

—Lorde Rickard. – disse indo até a porta e Roose a olhou com censura. Ele não queria que a vissem, pois ele lhe batera no rosto de novo. Na verdade, nem ela queria ser vista, mas naquele momento não se importou – Quem falou que o fantasma dele está lá? – perguntou desejando ver nem que fosse uma sombra do falecido marido.

—Volte pra cama, Shiera. Você não recebe visitas. E muito menos sairá desse quarto. Não enquanto não souber agir como uma esposa. – rosnou Roose Shiera simplesmente o ignorou.

—Quem?

—Todo mundo que anda por lá. Ele está andando pelo castelo, aparentemente. Talvez venha te visitar se acredita mesmo nessa bobagem de fantasma. – riu Rickard – Se vista, Bolton. Ou vai ficar aí enquanto Stannis se prepara? Você precisa ganhar o respeito dos homens, afinal, o Norte se Lembra. – riu Rickard.

—Pare de repetir essa bobagem. – ralhou Roose – Eu já estou indo. E você volte para cama. – disse Roose lhe afagando o queixo – Quando terminar de esmagar Stannis, quero comemorar com a minha esposa. – deu um tapa na mão dele, para afastá-la de seu rosto, mas Roose lhe deu um tapa tão forte de volta, que sua visão ficou escura e os sons confusos. Estava no chão quando conseguiu entender o que se passava. Roose estava colocando uma roupa confortável, para em seguida ir vestir a armadura. Mas isso seria em outro quarto. Shiera respirou fundo, sentindo o gosto de sangue na boca. Seu corpo se recusou a mexer, pois estava cansada, ferida e sem energias. Roose se aproximou e se ajoelhou ao seu lado – Um dia você vai aprender, Shiera, não se preocupe. – disse ele naquele tom calmo e sussurrado – E então eu vou parar de te bater. Nesse dia podemos trabalhar como uma dupla, para regermos o Norte juntos. Minha segunda esposa lutava também, mas não durou muito. Logo ela se dobrou. Ela aprendeu. Você é inteligente. Logo vai aprender também.

Ele se levantou e foi até a porta. Quis falar que em breve ele estaria morto, mas no lugar disso, se apertou contra o cobertor feito de pele de lobo e soluçou. Roose deixou o quarto e deu a ordem para que ninguém entrasse. Fechou os olhos e desejou loucamente que fantasmas atravessassem paredes. Se levantou e largou as peles, para ir até o próprio armário. Se vestiu da melhor maneira que conseguiu, sem a ajuda de uma aia. Penteou os cabelos fazendo caretas, pois sua cabeça doía horrores, assim como suas mãos. Mirou-se no espelho sem reconhecer-se. Seu rosto estava cheio de hematomas. Seus olhos estavam ambos arroxeados, seu lábio estava cortado, a lateral de sua face estava num tom quase verde, além de estar bastante inchada. Até o nariz parecia maior do que costumava ser. Mirou as próprias mãos e viu o dedo ainda inchado que Roose havia deslocado. Doía abrir e fechar a mão. Respirou fundo e secou as lágrimas que ainda desciam por seu rosto. Penteou os cabelos à moda nortenha, optando por uma trança que desceria pela lateral, escondendo parte do hematoma verde na lateral de seu rosto. Depois pegou uma capa de pele de lobo, para jogar sobre os ombros. Pegou o óleo que sempre gostara de passar e notou que estava no fim. Seu pai sempre encomendava mais. Lavanda e groselha. Algo tão peculiar sobre si mesma quanto a cor de seus olhos.

Suspirou prestando atenção nos sons. Tinha feito sua parte. Tinha colocado seus homens em Winterfell e feito Roose acreditar que tinha se dobrado. Tinha enganado os Bolton e sabia que seria esfolada viva se a investida falhasse. Por isso estava pronta para se jogar da janela. Morreria por seus próprios meios. Andou até a janela e ficou observando Winterfell, lá embaixo. Não tinha a visão dos portões daquela janela, mas o cair da neve a acalmava um pouco. Estava de noite, mas a batalha não começou. Era uma noite com uma lua muito pequena e sem muito brilho, então provavelmente os homens esperariam pela aurora. Ficou de pé por um tempo, ansiosa, mas depois voltou para a cama. No entanto, não havia sono para que conseguisse dormir. Voltou a ficar de pé, andou pelo quarto, cutucou a lareira, tentou ler o livro “A Estrela de Sete Pontas”, que era o livro com os textos sagrados da Fé dos Sete, mas sua mente estava agitada demais para leituras.

Voltou uma vez mais para a janela, mas não tinha o que ser visto. Esperou, esperou e esperou. Mas a batalha não começou. Sentou-se novamente na cama, para então se deitar. Fechou os olhos se permitindo perder-se em sonhos e memórias antigas, mas o som dos gritos e aço batendo a acordaram com violência. Uma luz tímida começava a brilhar no céu, revelando que a aurora se aproximava e que ela finalmente tinha dormido.

Se colocou de pé e foi até a janela. Depois a abriu sentindo o vento frio do Norte lamber seu rosto. Olhou lá para baixo e teve certeza que se pulasse morreria. E aquele pensamento a acalentou. Ficou de costas para a porta, vendo a luta que acontecia lá embaixo. Era um derramamento de sangue, com as tropas Bolton sendo massacradas pela aliança do Norte e Stannis. Ajoelharia a Stannis sem problema algum.

No entanto começou a escutar os gritos e eles fizeram seu estômago saltar de susto.

—O REI DO NORTE! – gritavam os homens lá embaixo. Robb pode ter morrido, mas seus homens ainda lutam por ele. Robb tinha sido um bom rei. Ela gostava de pensar isso – O REI DO NORTE! REI DO NORTE!

**

Quando Rickard avisou Roose que Stannis havia chegado, Maege Mormont já estava juntando os Lordes de Shiera, para irem até as masmorras. Um de cada vez, o mais discretamente possível. Ninguém sabia muito bem o que esperava encontrar lá, mas ninguém ousou desobedecer a velha ursa. Sempre encontravam um soldado Stark qualquer lá, mas quando ele retirava o elmo, todos caíram de joelhos, chocados. O Rei no Norte estava de volta. E manter isso em segredo pareceu quase impossível.

Robb só conseguia se lembrar da Batalha do Bosque dos Murmúrios. Precisando sussurrar e conter o grito de guerra que cada um tinha entalado dentro de si. Quando Stannis finalmente estava muito próximo, Roose Bolton deu sinal para prepararem os arqueiros, em sua imensa maioria, Presas de Prata. Os arqueiros colocaram suas flechas nos arcos e quando Roose mandou que atirassem, eles deram meia volta e alvejaram Freys, Boltons, Hunters, Corbrays, Redforts, Royces, Lychesters, Wodes, Erenfords, Charltons e Naylands. Antes que qualquer um deles pudesse entender o que estava acontecendo, outra saraivada de flechas cortou o ar.

—PELO NORTE! – gritou um alguém, lá atrás e a batalha dentro dos muros começou. Lorde Bolton estava mais atrás, é claro, cercado por seus homens de confiança. Ele logo entendeu o que estava acontecendo.

Uma flecha quase o acertou e ele girou o cavalo, para voltar para dentro do castelo. Outra saraivada de flechas cortou o ar e homens começavam a cair, sem ter como se defender. Os arqueiros estavam todos no alto dos muros e a absoluta maioria eram os arqueiros de Shiera. Como estavam altos demais, estavam numa posição privilegiada para atacar e para se defender. Robb sorriu orgulhoso do plano de Shiera. Os homens de Stannis se aproximavam do outro lado dos muros, enquanto os arqueiros davam cobertura para aqueles que iriam abrir caminho para Stannis.

Lady Mormont liderou uma tropa até o portão. Nortenhos lutavam contra si, os Manderly tentavam derrotar os Frey, os Soldados do Vale estavam sendo atacados por forças Karstark e forças de Blackfyre. Mas mesmo com o efeito surpresa, os homens da rainha estavam numa desvantagem numérica perigosa. As forças da rainha não passavam de três mil homens, enquanto os apoiadores dos Lannister passavam dos dez. Quem fez a diferença, sem sombra de dúvidas, foram os arqueiros. Robb sorriu procurando por Roose e tirou o elmo. Tinha perdido sua armadura nas gêmeas, mas queriam que todos pudessem ver seu rosto. Queriam que vissem que o Rei do Norte estava vivo e lutando com eles.

—PELO NORTE! – gritou e seus homens fizeram coro. Alguns soldados o olharam chocados, mas no geral sua presença inspirou os homens. Rei Robb havia voltado dos mortos, para ajudar seus homens na batalha. Para recuperar sua casa.

Quando os portões foram abertos, Stannis trouxe sua cavalaria para ajudar a derrotar os traidores que apoiavam aqueles que Stannis dizia terem usurpado seu trono. Gritos de “Pelo Norte” ecoaram por todos os lados. Os homens de Stannis gritavam por seu deus vermelho, mas os nortenhos lutavam pelo Norte.

Robb lutava a cavalo, entre Lorde Tytos Blackwood, Lorde Karstark e Lorde Bracken. Ruivo, com a barba por fazer. Com uma armadura Stark. Um cavalariço vinha ao seu lado, segurando o estandarte do Lobo Gigante.

Os principais lordes que tinham voltado com Shiera gritaram em uníssono “REI DO NORTE” e a luta prosseguiu do nascer do sol até muitos minutos depois. Mas Robb não queria simplesmente lutar contra soldados Bolton. Ele queria Roose. Ele queria atravessar sua espada naquele maldito traidor que tinha ousado machucar sua amada. A batalha acabou adentrando o castelo. Desceu do cavalo e, junto com seus homens de confiança, foi abrindo caminho. Cada Frey que matava fazia com que um pequeno fragmento do dia de sua morte voltasse. Lembrava como tinham tocado aquela música feita para ele e para Shiera, não tão bem quanto o bardo que a tocara em Riverrun, mas bem o suficiente para fazer com que seu pensamento se voltasse para a esposa. A cada Frey morto, lembrava do medo que sentiu ao notar que estava para morrer e que jamais teria a oportunidade de ver Shiera sorrir novamente. E a cada Bolton, se lembrava do que Roose estava fazendo Shiera passar.

As paredes estavam todas pintadas com o rubro sangue daqueles que jaziam ali. Não sabia se algo assim já acontecera em Winterfell antes. Defendeu-se de um soldado qualquer com bastante facilidade e o matou atravessando sua espada no peito dele. O jogou no chão já pronto para defender-se de outro ataque. Sentiu falta de Vento Cinzento e notou que não sentia o sabor de sangue, como sempre acontecia quando lutava. Mais um golpe defendido, agora de um Hunter. Sangue voou em seu rosto, pingando de sua sobrancelha, quando Maege Mormont afundou sua maça de guerra na cabeça do soldado. Ela soltou um rugido furioso e gritou.

—REI NO NORTE!

E seus homens repetiram o grito.

Levantou o olhar e viu Roose derrotar um soldado Blackfyre e ser atacado por Zoltan, o homem robusto e baixo que servira certa vez a Haegon Blackfyre. Tentou abrir caminho até ele, mas foi cercado por soldados Bolton. Mas ele tinha seus homens, que lutavam bravamente, gritando “PELO REI DO NORTE” ou “JOVEM LOBO”. Viu Roose arrancar a cabeça de Zoltan num golpe rápido e entrar num corredor. No corredor que levaria para a torre do senhor.

—Shiera...

Robb gritou furioso, abrindo caminho e matando qualquer um que tentasse impedi-lo de alcançar o senhor de Forte do Pavor. Sentia-se cansado e fraco. Ainda não tinha se recuperado de sua morte, por mais que já tivesse voltado aos vivos há meses. A vida com a Irmandade sem Bandeiras era dura e nem sempre havia comida para todos. Mas ainda havia energia em si para lutar e perseguir Roose. Não se daria por vencido. Não deixaria que ele escapasse.

—PELO REI! – gritaram seus homens e os de Stannis. Para qual rei eles dobrariam o joelho, não fazia ideia. Os Lordes do Norte concordaram em se curvar para Stannis pois já não tinham mais um rei no Norte, apenas um recém-nascido. Mas agora que tinha voltado, duvidava muito que eles aceitariam um rei sulista. Não tinham concordado antes, não concordariam agora.

—ROOSE. – gritou e Roose se interrompeu. Ele se virou e se defendeu de um soldado Umber, para então mirar Robb. Seus olhos se arregalaram e a boca dele transformou seu rosto em algo estranho. Roose nunca parecera surpreso, mas agora o estava – ROOSE. – rosnou enfurecendo-se, lembrando das coisas que ouvira. Empurrou um soldado, para lhe cortar a barriga e se defendeu de outro atacante, que pereceu sob a espada de Rickard Karstark – Roose Bolton, seu maldito traidor!

Roose tentou se afastar, mas a realidade era que não tinha muito pra onde fugir. O castelo fora tomado. Robb e seus lordes o encurralaram antes que chegassem no quarto principal de Winterfell. Roose estava ferido e cansado, mas tentava manter-se firme. Seus olhos gélidos não demonstravam medo e o sorriso dele era uma faca em seus rins.

—Você voltou dos mortos... por que? – perguntou ele enquanto Lorde Karstark o segurava junto com Lorde Bracken.

—O Norte se Lembra. – Disse num sussurro rosnado. Sim, lembrava... e lembrava muito bem.

—Lorde Frey te alvejou e te enforcou. O que estava fazendo enquanto sua querida rainha lutava e se sacrificava para sobreviver? – Roose sorriu cruelmente e Lorde Bracken o socou na altura das costelas. Roose gemeu de dor, mas ainda parecia satisfeito. Robb o olhava com tanta fúria e simplesmente tinha vontade de matá-lo de uma vez – Foi um bom plano de Shiera... ou foi um plano seu? Ela sabe de você? – perguntou Roose – Ela chorava toda vez depois de cumprir com suas obrigações de esposa. No início era mais difícil, ela lutava mais... mas eu tenho a impressão que ela já estava se acostumando comigo. – Robb sentiu a ira cegá-lo e tudo ficou escuro. Só conseguiu acordar de seu momento de ódio quando tinha transformado o rosto de Roose Bolton numa massa de carne disforme. Se levantou e abriu e fechou as mãos, furioso.

—Levem ele para as masmorras. O bastardo dele deve ser levado pra lá, também. – rosnou Robb.

**

Ramsay retirou o elmo e respirou fundo. Tinha conseguido se esconder numa escadaria e agora observava o cadáver do homem de Stannis que o seguira e acabara morto. Sorriu aliviado percebendo que aquele soldado morto de Stannis Baratheon seria sua chave para sobrevivência. Pegou o homem e o arrastou até um quarto, ficando atento aos sons da batalha. Lá, retirou sua armadura e colocou a dele. Demorou mais tempo do que gostaria, afinal não tinha um escudeiro para ajudá-lo.

—Tudo culpa daquela puta. – rosnou zangado – Aposto que foi tudo armação dela. – adicionou tentando prender a armadura em si mesmo. Bufou arrastando o homem para perto da lareira, minutos depois de terminar de se disfarçar, agradecendo pela sorte de não ser encontrado – Mas eu mesmo vou dar um jeitinho nela... antes de sair daqui. Ah, se vou. Ela acha que ganhou? – deu uma risada sarcástica e foi pegar uma pedra de sílex para acender a lareira – Ela só ganhou tempo. – disse pra si mesmo estalando o sílex e acendendo a lareira. Mais alguns minutos preciosos se passaram até que a lareira estivesse quente o suficiente. Depois rasgou o colchão para tirar a palha de dentro e queimá-la. Jogou coisas que queimariam fácil em cima do homem e o deixou perto da lareira – Que R’hollor... cague pra você. – disse rindo e empurrando o soldado mais para dentro. Quando a chamas começaram a queimá-lo e um cheiro estranhamente parecido com pernil começou a tomar o quarto, junto com a fumaça, Ramsay deixou o lugar e foi procurar soldados do pai – STANNIS! – gritou quando afundou sua espada na cabeça de alguém – Acho que vou passar e dar um olá para a puta. – disse sorridente.

**

Shiera suspirou e cantarolou a música que Hoster tinha cantado para ela meses atrás.

—These scars long have yearned for your tender caress... – cantarolou Shiera baixinho lembrando de quando ajudava a cuidar dos ferimentos de batalha de Robb. O som do aço ficava mais alto, assim como a voz dos homens atrás da porta.

—PELO REI! PELO REI! – gritou alguém dentro do castelo... provavelmente era um homem de Stannis.

—To bind our fortunes, damn what the stars own... – seguiu cantando baixinho, escutando o som de aço e gritos. A música de batalha. Mais gritos, mais homens gritando pelo Rei. Algumas vozes eram pelo rei Stannis, outras eram pelo Rei do Norte, por mais que o Rei do Norte estivesse longe, em Pyke, ou já caminho de Essos, se os deuses fossem bons – Rend my heart open, then your love profess... A winding, weaving fate to which we both atone... – sua voz morreu no meio da música e uma lufada de vento lhe lambeu a face, lhe dando algum conforto da ardência dolorida dos golpes que Roose Bolton lhe aplicara. Escutou alguém pedir piedade e em seguida gritar de dor. Estavam cada vez mais próximos. Seguiu observando a luta lá embaixo. O estandarte de Stannis marchava para dentro de Winterfell, mas o que ela mais escutava era “REI DO NORTE” – Será que o fantasma de Robb veio nos ajudar? – perguntou com um sorriso bobo – Recuperei sua casa, Robb... foi exaustivo, doloroso e certamente deixará marcas em mim que nunca passarão... mas Winterfell é dos Stark novamente. – disse contente. Escutou mais um pouco de aço brandindo e gente gritando. Alguém foi arremeçado contra sua porta. Shiera respirou fundo sabendo que Roose não a deixara nada régia, deformada e espancada. Estuprada e humilhada. Mas Shiera ainda tinha seu orgulho como armadura e isso lhe deu forças para levantar a cabeça e empinar o nariz. Ficou olhando a porta, se perguntando quem entraria. Esperava que fosse Rickard Karstark, seu Lorde, depois de Theon, de maior confiança. A maçaneta girou e ela prendeu a respiração, torcendo para que fosse qualquer um, menos um Bolton. Menos Roose... e definitivamente, menos Ramsay. Pularia da janela se fosse Ramsay. A porta se abriu e ela escutou o som de uma armadura. O som do aço contra o piso de pedra. A primeira coisa que notou foram os olhos do recém-chegado. Fizeram seu sangue gelar e seu coração pareceu parar por um momento. Não conseguiu não pensar em Jon Snow. Em quando se entregara para ele na Muralha e o que sentiu ao pensar nisso fez com que desejasse morrer. Como pudera desejar ver o fantasma dele? – Eu enlouqueci? Você voltou para me assombrar? – perguntou para o homem.

Robb Stark realmente parecia ter voltado dos mortos. Parecia mais velho do que deveria. Se não o conhecesse diria que ele estava beirando os trinta anos, quando ele era muito mais novo que isso. Mas os olhos dele, azuis e calorosos, eram os mesmos joviais olhos azuis que ela se lembrava de mirar, quando ele era apenas um rapaz tentando conquistar seus beijos. Os mesmos olhos azuis daquele rapaz a quem ela confiou seus medos, inseguranças, sua virgindade e para quem ela dera um filho. Ele sorriu para ela e largou a espada, que fez um barulho estridente ao cair no chão. Shiera recuou um passo sentindo a janela atrás de suas costas. Me falaram que ele estava morto! Me falaram que ele tinha morrido. Eu traí meu marido. Eu me casei com Roose e traí meu marido. Eu me entreguei a Jon e Robb ainda estava vivo.

—Shiera... – disse ele se aproximando lentamente, mas Shiera estava assustada, se sentindo envergonhada, com medo e confusa. Recuou mais um passo, sem querer acreditar em tudo o que tinha feito. Não precisaria ter feito tudo aquilo se soubesse que ele estava vivo. Como diria para ele o que tinha acontecido? Como explicaria? Ele não tinha entendido da última vez, não entenderia agora.

—Não. Você morreu! Você morreu! – disse assustada e suas mãos foram para a janela. Estava em pânico. Ele voltou dos mortos para me castigar. Ele vai me punir por minhas traições... — Me disseram que você tinha morrido, Robb... – chorou desesperada. Pensou em Jon novamente e depois em Roose. Pensou no beijo que dera em Jon, antes de afastá-lo. Depois lembrou de seus Lordes falando que ela precisava seduzir Jon Snow. Depois lembrou-se que Mindinho sugeriu que ela poderia enganar Roose Bolton. Mas ele estava vivo. Robb estava vivo. No que isso a transformava? Ele sorria, mas ela estava confusa e completamente convencida de que estava alucinando, ou que ele viera buscá-la. Foi quando um estalo a atingiu.

E então ela subiu na janela.

—Shiera, espere. – disse Robb perdendo o sorriso – Por favor, meu amor, não faça isso! – pediu ele com urgência.

Shiera se virou e olhou lá para baixo. Ele a chamara de “meu amor”? Não fazia sentido. Ela o tinha traído. Ele nunca a perdoara. Ela era a mais egoísta das pessoas. O chão lá embaixo a chamou.

—Lady Shiera, Robb está vivo! – disse a voz de alguém que ela imaginou ser Rickard Karstark.

Mas ela não ouviu. Não deu atenção. Fechou os olhos.

—Shiera, me escute por favor. – pediu Robb. Mas ela se inclinou para frente. Deveria ter morrido aquele dia no rio. Nunca deveria ter acordado depois daquilo – Por favor, me deixe explicar, não pule. Você não enlouqueceu. Shiera!

Ela largou a janela e perdeu o equilíbrio. Winterfell a puxou para baixo e ela pensou em Ned, em Robb e em Jon. Ela lembrou de Jon Snow, sentindo uma facada no coração. Estava de joelhos, rodeada de Patrulheiros da Noite e eles a esfaqueavam falando que era pela Patrulha. E então tudo ficou escuro.

Notas finais
AAAAAAAAAAAAAAAAH! ELA PULOU?! HSUahsAUHuaSUhsuaHSUahsua OBSERVAÇÕES: Antes de qualquer coisa: Algumas pessoas não entendem isso, e eu quis deixar isso claro. Algumas vezes comentaram na fic (os personagens, não vocês) que o que a Shiera passou não foi um estupro, porque ela está casada com o Roose... Mas gente... é estupro sim, viu? Outra coisa! O Roose, nos livros, é quem contrata o Vargo Hoalt, que é aquele carinha que corta a mão do Jaime, quando ele estava em Harrenhal. Mas aqui, como o Roose nunca esteve em Harrenhal, ele só contratou os Bravos Companheiros depois, o que causou que não houvesse o encontro entre Brienne, Jaime e Vargo. O que significa que Jaime Lannister tem as duas mãos, e que a Brienne nunca teve que lutar com um urso. A relação dela com o Jaime não é tão ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ E agora? Vamos para uma prévia? "-Bry. – disse se aproximando – Valerion está muito bêbado. Ele precisa de um banho e de uma refeição... – começou e Bry a olhou assustado. —O mestre foi levado daqui. – disse ele e Myrcella piscou, em choque. —Levado?! – perguntou ela – Por quem?" Valerion é uma donzela indefesa, toda hora precisando ser salvo ahsuahsaush xD Mais uma prévia? "-Ela acha que você é uma vadia que vai controlar meu irmão para reinar no lugar dele. – disse sem rodeios e Margaery a olhou surpresa – Sem joguinhos aqui, está bem? Não temos tempo pra isso. – disse Myrcella – Podemos nos tornar amigas um dia, mas antes temos que ser aliadas. E nós temos um problema em comum." Myrcella, como sempre, sambando. Amo a Myrcella... mds, não sei o que vou fazer com essa menina e com a Sansa hsaushaushau xD Próximo capítulo sai dia 8, mas se tivermos pelo menos 8 comentários, eu posto dia 5! Beeeeijos ♥ Titia ama vocês