Blackfyre

75 Teorias, Lendas e Profecias


Notas iniciais
Procuro alguém que faça Banners. Pago com fragmentos adiantados dos capítulos ahsuhasuahsa Desculpem a demora, bebês. Eu pedi um banner num site e tava esperando ficar pronto. Mas já foi repassado umas quatro vezes, então eu desisti. Vai sem banner mesmo Beijos e #PartiuLer

Teorias, Lendas e Profecias

Valerion engoliu em seco mirando o corpo semidespido de Sansa. Ela usava apenas um grosseiro vestido de algodão, ousadamente curto. Podia ver até mesmo seus joelhos, sob a pouca iluminação. Sentiu alguma movimentação lá embaixo, com o corpo reagindo a sua visão, mas tentou manter o sangue nos lugares certos, mesmo que isso fosse uma batalha perdida. Engolindo em seco, deixou sua taça sobre a mesa e mirou Sansa, tentando simplesmente não se mover.

Mas Sansa tinha outras ideias em mente, aparentemente. Ela se aproximou dele, mirando-o nos olhos. Valerion engoliu em seco, tentando por todos os Sete Deuses não se mexer. Mas seus olhos estavam vidrados nela. O desejo o consumia, como uma fogueira consome lenha. Sua respiração estava ofegante e seu coração parecia socar sua caixa torácica a cada passo que Sansa dava em sua direção.

Sentiu as mãos dela repousarem em seu peito e isso lhe arrancou um calafrio. Mãos quentes, suadas e trêmulas, demonstrando algum nervosismo. Mas ela se aproximou. Perigosamente próxima. O cheiro dela se enroscou em seu corpo, assim como o calor dela, a medida que os alvos braços o circundaram. Um abraço carinhoso e trêmulo. Podia sentir o coração dela batendo acelerado, ou talvez fosse o próprio coração. Não sabia dizer. Tentou pensar em Myrcella. Tentou pensar em seus votos. Os Deuses sabiam o quanto ele estava tentando, naquele momento, não trair a esposa.

Mas céus. Os deuses também sabiam o quanto ele rezara por ela, por Sansa. Sua amada Lady Sansa, de cabelos outonais e maravilhosos olhos azuis.

—Você me mata assim. – Murmurou sem saber o que fazer, apertando a cadeira com tanta força que não se espantaria se partisse a madeira. Sansa levantou os olhos e o encarou sob a pouca luz. Os cabelos estavam soltos, formando leves ondas por suas costas. Respirou fundo e largou a cadeira, para acariciar o queixo dela. Mirou o nariz fino de Sansa e então se afogou em seu doce olhar – Por que me torturas dessa maneira? Sabes que não posso. – Murmurou querendo mandar aquele compromisso forçado para o inferno. Fora enganado e quando viu não tinha como recuar. Ele sempre tentara negar Myrcella, para não a desgraçar, mas ela se aproveitou de sua vulnerabilidade. E então tentou não mais tocá-la, mas ela insistiu e insistiu e insistiu, até que cedesse. E então pediu que ela tomasse o tal chá que as mulheres tomavam, para evitar filhos e Myrcella não o fez. E então se viu preso a ela. Desistiu de tudo por ela. Mas agora estava ali, entre os braços da mulher que amava. A desejando com a força das labaredas lançadas por um dragão. Uma paixão tão quente quanto o calor do fogo que certa vez consumira Harrenhal. Somos frutos de uma traição. Daena Targaryen deu um bastardo ao mais devasso dos reis dragões. E foi assim que minha família nasceu. Por isso estamos envolvidos em todos os tipos de conspirações. Por isso, por mais que me esforce, não consigo ser correto e honrado. Pelos Sete Infernos.

Mas Sansa não parecia presa em dilemas, ela segurou seu rosto e o puxou para um beijo. E não houve nada que pudesse fazer. Envolveu o pequeno e delicado corpo dela e a puxou para si. A beijou de volta com toda a paixão que sentia. Pegando fogo. Fogo. Sou feito de fogo. E ela é gelo. Céus. Eu não deveria deixar isso acontecer, mas como a desejo. Com todo o coração, como eu a amo...

Ela quem o salvara de Porto Real. Ela cuidara de Harrenhal. Ela era a senhora de Harrenhal, muito mais do que Myrcella jamais seria.

Sentiu as mãos de sua donzela alisarem suas costas feridas. Costas que ela ajudou a cicatrizar. Sentiu os dedos dela passarem por cortes e mais cortes de sua pele mutilada. Cortes causados pelos Lannister e pelas maquinações de Cersei. Engoliu em seco, sentindo as mãos dela em suas cicatrizes, a fazer algo como cócegas. Pegou Sansa no colo e a jogou na cama, sem encontrar nenhum tipo de resistência.

Das vezes que pulara a janela do quarto dela, para trocarem beijos e juras, tentara ultrapassar os limites, sempre parando quando exigido. E sempre havia exigências. Mas não ali. Não naquele momento. Sentia Sansa tremer sob seu corpo. Seus olhos, quando a olhava, estavam cheios de medo. Mas estavam entregues. Ela seria sua se assim desejasse.

E como desejo.

Se afogou em seus lábios, com o corpo respondendo a altura do momento. Sentiu a mão trêmula de Sansa a passear por seu peito, mexendo nos poucos pelos loiros que tinha ali. Os dedos dela desceram para seu abdômen e dançaram ao redor de seu umbigo. A mão dela escorregou um pouco mais e Valerion engoliu em seco, extasiado, mesmo que ela não o tivesse tocado de maneira indecente. E quando a mão pareceu mudar de ideia, voltando pelo caminho que viera, a segurou pelo pulso. Desejava ardentemente o toque dela. A beijou intensamente e a guiou pelo caminho que ela não tivera coragem de terminar. Se ela puxasse a mão, a largaria. Não forçaria aquele toque. Mas não houve hesitação. Sentiu os dedos dela abraçá-lo e um gemido rouco lhe escapou.

Sentiu Sansa sorrir em seus lábios e o rosto dela aproximou-se de sua orelha.

—Ensine-me. – Pediu ela e ele concordou com um aceno de cabeça. Segurou a mão dela, mostrando o ritmo e a intensidade que mais lhe agradava. Logo não havia lucidez nem mesmo para beijá-la. Mas Sansa achou o caminho para sua orelha. Passeando a língua ali, continuou a carícia por minutos. Perdido em prazer, procurou o caminho por entre as coxas dela e lhe arrancou um gemido ao lhe fazer um toque ousado com os dedos. E assim ficaram por algum tempo, até seu corpo não mais resistir. Anunciou que estava prestes a explodir e logo soltou um gemido difícil de conter. Respirou fundo, tentando controlar a respiração, completamente disposto a retribuir o ato, mas Sansa segurou sua mão e o beijou mais uma vez, antes de se afastar para olhá-lo nos olhos – Volte pra mim. Não ouse não voltar. – Ela o beijou de novo e Valerion a abraçou – Seja meu e eu serei sua. – Prometeu ela, antes de escorregar para fora de sua cama. Ainda estava zonzo pelo momento, mas viu Sansa colocar a capa por cima dos ombros e sair, deixando seu vestido para trás.

Engoliu em seco, novamente só em seu quarto. Aquilo tinha mesmo acontecido?

Mirou a própria barriga, vendo que estava sujo e melado pelo desejo de outrora. Depois mirou o chão e viu o vestido. Se levantou e pegou o vestido para se limpar e então sorriu, completamente excitado. Não iria morrer no norte. Não mesmo. Não sabia o que faria em relação a Myrcella, mas certamente não desistiria de Sansa. Não lhe seria lúcido fazer isso...

**

Aegon afagou seu cavalo, muito sério e com um pouco de nervosismo. Mirou as pessoas ao seu redor e notou o mesmo tipo de sentimento nos companheiros. Robb e Shiera estavam abraçados, sussurrando baixinho um para o outro. Valerion e Loras conversavam aos sussurros também, com Loras, como sempre, parecendo absolutamente bem-humorado, apesar de ter os olhos inquietos. Humfrey Hightower finalmente usava armadura e parecia menos travesso por conta disso. Havia algum tipo de ar sombrio nele, enquanto ele organizava alguns pergaminhos na bolsa do seu cavalo.

Jon Snow estava sério e isso o deixava muito parecido com Lorde Eddard Stark. Ele parecia absolutamente concentrado e Aegon ficou satisfeito por ter um nortenho acostumado com o caminho que seguiriam. Ou pelo menos por parte dele. Melisandre estava montada e parecia completamente calma diante de toda a situação. Como se tivesse controle sobre tudo.

O rapaz que os acompanhara desde Harrenhal estava com eles também, o tal Gendry Waters. Ele estava prendendo seu martelo de batalha e parecia ligeiramente ansioso para partir. Sangue verde. Vai ser o primeiro a começar a chorar quando começar a congelar de frio. Sentiu o perfume de Arianne e se virou para mirá-la. Ela sorria, trazendo o cinto com a espada. Blackfyre em breve provaria o sangue dos mortos. Ela prendeu o cinto em sua cintura e então os dois se olharam com intensidade.

—O proíbo de não voltar. – Esclareceu ela e Aegon sorriu. A afagou no rosto e a beijou, escutando um muxoxo do irmão. Se interrompeu e mirou Valerion, que se recusou a olhá-lo de volta, montando de uma vez em seu cavalo. Loras o imitou, assim como Humfrey e Jon. Robb deu um último beijo em Shiera e montou também. Tormund, o selvagem deu uma última conferida em Brienne de Tarth, que ficou completamente sem jeito, e logo estava em seu cavalo, esperando para partir – Aegon. – Olhou para sua esposa, que segurou suas mãos e as beijou – Eu amo você. – Disse ela e ele sorriu.

—Eu também te amo. – Disse ele – Espere por meu retorno. – Pediu sentindo-se ligeiramente nervoso.

—Não me faça esperar muito. – Pediu ela. A beijou uma última vez e também montou.

—Shiera. Winterfell está em suas mãos capazes. – Disse Robb e Shiera concordou com um aceno de cabeça.

—Vamos torcer para que ela não decapite ninguém em sua ausência, Robb. – Alfinetou Jon Umber, mas apenas Arianne e Aegon escutaram. Olhou para o homem e bufou, indignado, mas decidiu por não se meter.

—Tem certeza que é sensato levar tão poucos homens, Robb? – Perguntou Shiera.

—Chamamos menos atenção assim. – Garantiu Jon. Robb concordou e mirou seus companheiros. Jon se adiantou em seu cavalo e aumentou o tom para falar – Levaremos entre duas e três semanas para chegar na Muralha, dependendo da condição do tempo. – Disse Jon – Com toda essa neve, levar cavalos além da Muralha é perda de tempo. Não teremos como alimentá-los. Então preparem-se, pois o terreno além da Muralha é bem difícil e será a pé.

—Principalmente para esses meninos do Sul. – riu Tormund e Aegon emparelhou com ele.

—Ficaria surpreso com o que alguns meninos do sul podem fazer, meu caro. – Sibilou – Mostre o caminho, Jon.

—Deveriam, ao menos, levar Fantasma e Vento Cinzento. – Disse Shiera. Robb e Jon se entreolharam.

—Dentro de cavernas, eles podem ter problemas. Achamos melhor deixar os dois aqui, para sua segurança, Vossa Graça. – Murmurou Jon e Robb concordou.

—Tenho certeza de que Vento Cinzento ficará satisfeito cuidando de vocês. Junto da família dele. – Adicionou Robb e Shiera soltou um suspiro, apreensiva.

—Vamos seguir a Estrada do Rei. Ainda é o melhor caminho para a Muralha. – Disse Jon. Todos concordaram. Lançaram um último olhar para suas mulheres. Jon mirou Shiera, mas apenas por meio segundo. Robb quem se demorou mais nela, girando o cavalo no mesmo lugar, para prolongar o momento. Loras não tinha de quem se despedir, assim como Gendry, então seus olhares foram logo para a estrada. Humfrey se encolheu dentro das vestes, procurando calor e mirou Shiera e depois Sansa Stark.

—Torçam para um retorno seguro de nossa parte, senhoras. – E pela primeira vez parecia um pedido sincero e não um deboche.

—Estamos torcendo, Humfrey. – Garantiu Shiera, com algum carinho.

—Pelo retorno de pelo menos alguns de vocês. – Adicionou Sansa, mirando Valerion. Ele fez uma mesura para ela e então esporeou o cavalo, para acompanhar Jon, Loras e Tormund, que já tinham começado a se afastar lentamente.

—Nos vemos em breve. – Prometeu para Arianne e ela veio até seu cavalo, para então lhe entregar um lenço.

—Use meu favor, para protegê-lo. – Disse ela. Aegon aceitou o favor e virou o cavalo, o esporeando também.

Logo estavam a todo vapor, num galope constante, pela estrada do Rei. Ao anoitecer fariam acampamento onde desse, para dar descanso aos cavalos e em quando amanhecesse seguiriam rumo à Muralha. O tempo estava muito ruim, com muita neve, mas no cair do primeiro dia, Melisandre fez uma oração pedindo um tempo melhor para o dia seguinte e o Senhor da Luz aparentemente acolheu suas preces. Logo estavam mais uma vez marchando para a Muralha com alguma velocidade.

No segundo dia Humfrey praguejou sobre o frio, assim como Loras. Gendry não reclamou, mas estava encolhido e tremendo em suas peles. Jon e Robb deram algumas risadas, mas não fizeram piadas. Melisandre, assim como Aegon e Valerion estavam indiferentes com a temperatura. Tormund ria dos jovens que congelavam, falando que cheiravam a leite ou qualquer coisa assim. Aegon tentou trocar olhares com o irmão, na intenção de conversar e se acertar com ele, mas Valerion parecia distraído e sonhador, evitando-o a todo custo.

O terceiro dia foi um dia até agradável. A neve derretera e a estrada se transformou numa lama molenga, o que prejudicou o galope no início do dia, mas com a temperatura agradável, conseguiram galopar por mais tempo e compensaram a lama. E, mais uma vez, não conseguiu falar com o irmão. O quarto dia nevou, mas apenas um pouco. Estava frio de novo, mas nada comparado com o primeiro dia e a temperatura se manteve assim até o terceiro dia da segunda semana, quando uma nevasca os pegou. Se esconderam na Mata de Lobos, ficando todos muito juntos, tentando manter o fogo aceso. E foi apenas graças a Melisandre que conseguiram, ou provavelmente teriam morrido congelados, ou pelo menos parte deles. Seu sangue fervia à medida que se aproximava da Muralha. Como se algo o chamasse.

No terceiro dia da segunda semana Loras soltou um espirro e, depois desse, muitos outros pelo percorrer do dia. E dois dias depois disso, escarro congelava na ponta de seu nariz. Valerion lhe emprestou a capa, mas Loras ficou febril e decidiram se desviar um pouco, para deixá-lo em Last Hearth, sede da Casa Umber. O Meistre o avaliou, enquanto alimentavam os cavalos e esquentavam os corpos. Os pulmões de Loras não estavam bem e o Meistre garantiu que ele não viveria se saísse do castelo antes de se fortalecer.

Descansaram o dia ali, para recuperar as forças e depois partiram mais uma vez para o norte, para a Muralha, deixando o jovem Tyrell para trás. Valerion parecia abatido e Humfrey passou a gastar seu tempo com ele. Algumas vezes, quando davam fôlego para os cavalos, Humfrey cantava alguma música promíscua e Aegon acabou lembrando de Hoster. Quando ele começava a cantar, o acompanhava e logo estavam os dois cantando qualquer coisa, para esquecer o frio e a missão deles.

Provar para Daenerys e Cersei – ou Myrcella – que a ameaça além da Muralha era bem real.

E talvez fosse a oportunidade de provar aquilo para si mesmo.

Não iria chamar Jon de mentiroso, afinal, Shiera garantia que aquelas coisas realmente estavam vindo. Seu pai sempre falava sobre a ameaça de gelo e morte vinda do Norte, apesar de nunca entrar muito em detalhes. Mas lá no fundo nunca quis acreditar naquilo. Era a hora de finalmente ver aquela ameaça com seus próprios olhos.

Depois de três semanas que deixaram Winterfell, finalmente chegaram em Castle Black, já com uma baixa. Uma baixa importante. Se tem algo que eu escutei sobre Loras Tyrell era sua boa habilidade com a espada. A verdade era que, com exceção de Gendry, Humfrey e Melisandre, tinham boas espadas ali. Jon era um excelente espadachim e tudo indicava que Robb também era. Seu irmão matara Sor Gregor, a Montanha, então não havia motivos para questionar suas habilidades. Tormund era um selvagem respeitado entre os outros selvagens, ou pelo menos era o que ouvira. Então ele, provavelmente, sabia se defender. Sem falar que ele estaria em suas terras.

Mas Humfrey... Não fazia a menor ideia do quão bem ele lutava. Em sua opinião ele não passava de um grande falador. Mas aparentemente ele tinha mapas antigos e garantiu que estavam escritos no idioma antigo. Aparentemente eram legítimos. Mapas antigos que levavam a uma relíquia. A tal espada usada pelos heróis da Aurora. Ou qualquer asneira dessas. E Gendry, bem. Se ele não sabia lutar, pelo menos parecia ser forte o suficiente para quebrar alguém ao meio com seu martelo de guerra.

Jon providenciou descanso e comida para todos. Uma última noite antes de se aventurarem além da Muralha. A Patrulha da noite alugou Robb, mostrando as mensagens de milhares de corvos vindos de todos os castelos ocupados por patrulheiros e selvagens. Jon perguntou se havia notícias de um rapaz chamado Sam, mas ninguém soube dar uma resposta a ele. Robb garantiu que Winterfell estava se mobilizando para ajudar a Muralha, mas que precisavam de mais tempo. O novo Lorde Comandante da Patrulha, que se chamava Edd, parecia convencido de que estava todo mundo muito fodido e meio que se conformara com isso. Mas Robb garantia que iriam superar todas as dificuldades.

—Bem, mesmo que por algum milagre a gente derrote os mortos e o exército deles... Não sei se sobreviveremos ao inverno em si. Nossas provisões são poucas e os Selvagens são selvagens. – Resmungou ele.

—Pelo que me lembro, eu resolvi o problema das provisões com o Banco de Ferro. – Disse Jon, cerrando o cenho.

—E como? – Perguntou Aegon.

—Eu fiz um empréstimo com Banco de Ferro. O dinheiro já chegou e já estávamos negociando em Atalaia Leste com comerciantes de Essos. – Disse Jon e Aegon piscou, achando que o nortenho tinha tido uma boa ideia.

—E como a Muralha pretende pagar isso? – Perguntou Aegon.

—Quando o Verão chegar, iremos cultivar a Dádiva, que são as terras ao redor da Muralha. Construiremos fortes e declararemos novos lordes, que pagarão tributos à Muralha. Esses tributos serão usados para pagar as dívidas e para sustentar a Muralha. – Aegon achou aquilo muito bem pensado, mas ele não era realmente muito esperto nesse âmbito – Não foi ideia minha, mas de Lorde Eddard Stark e seu irmão, Benjen Stark. – Explicou ele. E Aegon notou que ele não dissera “meu pai e meu tio”.

—Uma grande ideia. – Disse Valerion – Mas a Muralha não tem homens o suficiente para manter a Dádiva. – Disse ele – A Muralha só está contando com seis castelos. E todos eles muito mal guarnecidos. Ou ao menos era o que se sabia sobre isso em Porto Real, quando Sor Allister Thorne veio pedir ajuda ao Trono de Ferro.

—Bem. Temos dez castelos funcionando agora. Com os Selvagens. – Explicou Jon – Eu os dividi e os organizei. Um dos castelos é só para as Esposas de Lanças, assim evitamos problemas como... Como Dany Flint. Com os Selvagens ajudando a cultivar a terra ao redor da Muralha, e alguns lordes ficando em bons fortes ainda na Dádiva, a longo prazo, poderíamos revitalizar a Patrulha da Noite.

—Se tudo der certo, nos livraremos para sempre desses corvos e colocaremos essa pedra de gelo sem coração no chão. – Disse Tormund.

—Não sonhe tão alto, selvagem. – Riu Edd.

—Não vejo motivos para não ser dessa maneira. – Disse Jon, segurando sua caneca, pensativo – A Muralha nunca foi destinada a proteger Westeros do Povo Livre. Mas para defender os Sete Reinos dos Caminhantes. – Explicou ele e Aegon concordou – Podíamos estar todos trabalhando juntos há séculos. Somos todos descendentes dos bravos sobreviventes da Batalha da Aurora. Mas acho que derrubar a Muralha seria demais. Não sabemos se os Caminhantes podem voltar no futuro, mesmo que os derrotemos aqui.

Aegon se lembrou da história do Fantasma de Coração Alto e depois se lembrou do que ela lhe profetizara. Mirou o irmão e ele desviou o olhar para a própria cerveja.

—Você disse que esse era o plano do pai e de tio Benjen, mas... – Robb mirou Jon com alguma admiração – O plano deles era muito mais simples. E mesmo assim, uma ideia que só seria possível por estarem o Lorde de Winterfell e o Primeiro Patrulheiro o articulando juntos. E mesmo assim, apenas um sonho. Você fez acontecer.

—Não fiz acontecer. Só coloquei os Selvagens nos castelos.

—E desdenhas deste feito? – Perguntou Humfrey coçando a barba – Nunca na história da Patrulha da Noite algum Lorde Comandante fez isso. O máximo que aconteceu foi o unir de forças contra ameaças em comum. E mesmo isso só aconteceu uma vez, e numa lenda, já que não há registros escritos quanto a isso. – Disse ele – Apenas histórias.

—E pesquisaste a Cidadela inteira sobre esses registros? – Perguntou Valerion com algum deboche e Aegon bufou detestando o sotaque sulista. Há muito tinha se apegado ao modo de Essos de falar.

—Não. – Respondeu Humfrey, com um sorriso cheio de troça – Mas certamente pesquisei mais que Vossa Graça, então boca fechada.

—Quanto às suas pesquisas, Humfrey. – Disse Jon Snow, muito sério e Humfrey o encarou como se estivesse prestes a lhe pregar uma peça – O que sabe sobre o Caminho de Gorne?

—Por que? Não estão querendo usar o caminho de Gorne, estão? – Perguntou Tormund. Aegon não fazia ideia de quem era Gorne – Se estão, estão loucos. Aquela velha bruxa nos disse que teria preço em sangue caso nos aventurássemos por lá.

—Gorne era descendente dos heróis. – Disse Humfrey, parecendo muito seguro do que dizia – Assim como seu irmão Gendel, obviamente. – Disse ele e Tormund piscou ligeiramente surpreso.

—E como você, um fedelho com cheiro de leite, vindo do sul, pode saber sobre isso? – Perguntou ele e Humfrey sorriu, se curvando na mesa, para olhar o selvagem com evidente deboche e superioridade.

—Poderia saber muito mais se vocês soubessem escrever. Mas preferem contar histórias bobas uns aos outros, adicionando ou retirando os detalhes que lhes convém. Mas houve um Meistre que se deu ao trabalho de ouvir toda essa baboseira que vocês contam, para fazer um livro a respeito. Mas infelizmente, numa de suas rinhas, vocês mataram o coitado. Felizmente alguns dos manuscritos dele chegaram à Cidadela e eu encontrei tais manuscritos. E neles havia mapas sobre cavernas subterrâneas. Uma boa tentativa da sua gente de tentar vencer a Muralha. – Humfrey sorriu e deu de ombros.

—Não há um mapa sobre o Caminho de Gorne. Isso é ridículo. Se alguém resolveu explorar o caminho, acabou devorado pelos filhos de Gendel. – Insistiu Tormund.

—Ah, sim. A história que a velha contou. – Disse se lembrando do Caminho de Gorne – Vamos mesmo atrás de uma espada mágica? Já temos várias espadas de Aço Valiriano. Pelo que Jon nos falou, elas matam os Caminhantes. – Disse confuso – Além disso, temos o vidro de dragão. Não deveríamos ganhar tempo e ir direto pegar um morto? – Perguntou e todos miraram Jon. Aparentemente tinha dito um bom ponto.

—O Fantasma disse que só viu uma vitória de nossa parte quando tínhamos essa lâmina. – Disse Jon.

—Mas não há maneira de passar pelo Caminho de Gorne. – Insistiu Tormund.

—Há sim. – Insistiu Humfrey.

—Escute aqui, seu fedelho. Se alguém do povo livre soubesse como atravessar a Muralha por baixo, não acha que já teríamos feito isso?

—Eu nunca disse que iríamos sair do outro lado da Muralha. – Defendeu-se Humfrey – Provavelmente, tanto a Patrulha quanto Winterfell devem ter lacrado a saída ao sul da Muralha. E sim, há coisas lá embaixo que gostam de carne. – Disse ele – Coisas perigosas. Ou pelo menos é o que está escrito.

—Coisas carnívoras? Tipo o que? Gramequins e Snarks? – Perguntou Valerion, descrente.

—Por favor, Robb. Conte ao cético aqui como foste alvejado e enforcado, ficaste morto por mais de um dia e então voltaste para fornicar com a irmã dele. – Riu Humfrey. E Aegon notou algum rancor na voz dele. E provavelmente não tinha sido o único. Valerion suspirou e Robb e Jon pareceram não gostar daquilo – O que eu quero dizer é que já não estamos em posição de simplesmente não acreditar nas coisas. – Humfrey pegou sua bolsa e tirou de lá um pergaminho bem grande. Ele o esticou em cima da mesa e o exibiu para todos. Havia um desenho muito rústico ali, feito em carvão, mostrando diversos caminhos, com símbolos estranhos enumerando algum deles – Como podem ver, nenhum dos caminhos mostra uma saída. Todos terminam com esse símbolo, que significa “fechado”. – Explicou ele – Esse outro aqui significa “morte”. Adicionou ele – Mas a essa altura não acho que podemos confiar que só vamos encontrar os “Filhos de Gendel” nesses locais. Esse mapa tem quase três centenas de anos. – Humfrey olhou para Robb e depois para Aegon – E olhem aqui. Há uma espada desenhada nesse caminho. Eu memorizei o caminho que precisamos descer para chegar nela.

—Vai nos fazer entrar nesse lugar cheio de monstros por conta de um desenho? – Rosnou Tormund.

—Hightower tem razão. – Disse Melisandre com algum desgosto – O Senhor da Luz me mostrou isso em sonho.

—Pra mim também. – Disse Robb, com algum pesar – Ele me mostrou a espada. Numa pedra, dentro de um lago, no escuro. Uma esfera de luz me guiava até ela. – Explicou Robb. Aegon coçou a barba.

—Fico feliz que vocês concordem comigo, mas não estou embasado apenas em fé e sonhos proféticos, apesar de até acreditar em sonhos proféticos. – Humfrey mirou seu mapa e tomou fôlego – Houve um documento, relatando uma viagem de um Meister. Ele e alguns membros da Patrulha da Noite. Eles acharam o mapa e decidiram ver no que dava, preocupados com a possibilidade de selvagens começarem a atravessar a Muralha por baixo. Não seria a primeira vez que tentavam algo do tipo. – Os olhos verdes cor de ressaca do rapaz os mirou com algum suspense – A patrulha toda morreu e o Meistre não resistiu aos ferimentos e morreu também, sem conseguir chegar a algum castelo na Muralha. Ele morreu com todo um material de estudo em mãos. Mas os Selvagens encontraram o corpo e o pilharam. Quando tentaram vender a alguns piratas, estes reconheceram a corrente de meister e perguntaram se o homem que eles mataram para conseguir aquilo tinha mais algo. Os Selvagens trocaram o papel por algo que lhes pareceu mais útil e esses documentos trocaram de mãos algumas vezes antes de irem parar na Cidadela. Os selvagens pilharam até mesmo a arma usada para ferir o Meistre. – Humfrey procurou por outro pergaminho, um menor, do tamanho de um livro pequeno – Olhem o desenho que os piratas fizeram sobre a ponta de seta encontrada no corpo do Meistre. – Aegon mirou o desenho e notou que era muito parecido com os minerais que Jon minerara em Dragonstone – Os piratas relataram num diário que queriam muito a ponta, mas os selvagens se recusaram a vender, pois acreditavam que vidro de dragão possuía valores mágicos. Agora, me digam, que tipo de criatura conhecemos que luta com vidro de dragão? – Perguntou ele e ninguém respondeu.

Apenas uma voz vinda de trás deles.

—Os Filhos da Floresta. – Aegon se virou e viu Thoros de Myr com seu cantil – Olá, Robb Stark. Há quanto tempo. – Riu ele e Robb se levantou com um sorriso no rosto.

—Thoros. – Os dois se abraçaram e o Sacerdote mirou o mapa.

—Eu conheço você. Você é Humfrey Hightower. – Disse o sacerdote vermelho e Humfrey concordou com um aceno humilde de cabeça, apesar de seu sorriso ser debochado e seus olhos arrogantes.

—Seu criado. – Disse ele.

—Posso saber o que dois reis, um Hightower, o antigo Lorde Comandante, um membro da Guarda Real, um selvagem e uma sacerdotisa vermelha estão fazendo na Muralha? – Perguntou ele bebericando de seu cantil. Gendry o olhou um tanto zangado por ser ignorado, mas provavelmente era porque Thoros não fazia a menor ideia de quem ele poderia ser. Todos trocaram olhares e Aegon apontou para uma cadeira vazia em outra mesa.

—Sente-se, Thoros. Estamos escutando Humfrey dizer como vamos morrer. – Explicou com deboche e Humfrey deu uma risada pegando um pedaço de carne torrada e salgada.

—Valar Morghulis. – Pronunciou Thoros puxando uma cadeira e se sentando ao seu lado – O que vocês estão querendo fazer?

—Pegar a espada mágica do herói e sequestrar um morto, para impressionar Cersei e Daenerys. – explicou dando um bom gole em sua cerveja.

—Quem é Daenerys? É a sua rainha? – Perguntou ele e Aegon concordou com um aceno de cabeça – Conseguiu conquistar o coração dela? – Perguntou Thoros dando um belo gole de seu cantil, novamente. Aegon negou com a cabeça – Mas ainda segue apaixonado?

—Sim, pela minha esposa. Arianne Martell. – Disse Aegon e Thoros sorriu.

—Conquistou a mão dela. Há anos me contaste que a desejara, mas que ela lhe foi proibida. – Riu Thoros.

—Sim, mas Doran não estava por perto pra me proibir dessa vez.

—Que lindo, os dois casaram. Preciso de vossa atenção. – Disse Humfrey e todos olharam para ele novamente – Estava explicando o motivo de achar que devemos descer por essa caverna. – Humfrey então suspirou e franziu o cenho – Na verdade, preciso falar sobre muitas coisas e descobrir o que vocês já sabem. – Murmurou ele – E não queria fazer isso com Shiera por perto.

—Por que não? – Perguntou Valerion.

—Porque ela já se acha a dona da razão o suficiente e ter que admitir que ela sempre esteve certa sobre vários embates nossos não estava no meu grupo de prioridades. – Resmungou ele, apesar de um sorriso travesso voltar a enfeitar seus lábios – E eu também queria ter tempo para conhecê-los, ou ao menos estudá-los um mínimo possível. Mas se há uma coisa que não me sobrou foi tempo. O único de nós que talvez me conhecesse um pouco era Loras e ele adoeceu. – Humfrey suspirou parecendo sentir muito por aquilo e Valerion ficou do mesmo jeito – Nós dois juramos nossas espadas ao rei Renly e nós dois nos dispusemos a lutar por ele. E como vassalo dos Tyrell, eu os segui depois que Stannis assassinou o próprio irmão com magia negra. – Ele olhou efusivamente para Melisandre, que nem mesmo piscou – Eu sei que vocês não confiam em mim. – Humfrey mirou seu mapa e seus pergaminhos ainda fechados – E sinceramente, em tempos como esse, fazem muito certo em não confiarem. – Humfrey levantou o olhar e mirou Jon Snow com atenção – Eu sempre fui muito cético. Cético demais para quem nasceu em Hightower, Old Town, cede em Westeros da Fé dos Sete. Mas sempre gostei de ler. Sempre gostei de estudar e aprender, muito mais do que justar, andar a cavalo, atirar com um arco ou brandir espadas. Meu pai não se importou muito num primeiro momento. Tinha quatro filhos mais velhos que eu. Eu sonhava em ser um Meistre. Minha mãe queria que eu fosse um Meistre. Cheguei a estudar como aprendiz na Cidadela. Mas em algum momento meu pai mudou de ideia e decidiu que eu deveria me tornar um cavaleiro. Eu já tinha conseguido dois elos, mesmo tendo apenas doze anos, mas isso não foi o suficiente para provar meu talento para a carreira de Meistre. Meu pai arrumou que eu virasse pajem de Willas Tyrell e eu precisei ficar feliz com isso. Mas sempre que podia, eu voltava para Cidadela, para estudar, ou afanava alguns livros de Highgarden, para continuar estudando. E tudo isso só mudou quando Willas se mudou por um tempo para Porto Real. Foi quando eu conheci Shiera e nos tornamos amigos, apesar de que os detalhes dessa amizade não importam. O que importa foi que ela começou a me contar sobre a família de vocês. Sobre os Blackfyre e os Targaryen. Ela começou a falar de sonhos proféticos, de ovos de dragão, da viagem de Lorde Haegon a Valíria, entre outras coisas que eu achava não passar de baboseira. – Confessou ele com um olhar ligeiramente distante – Mas em algum momento eu comecei a prestar atenção. Shiera sempre falou que viveríamos para ver uma grande guerra. E esse não é o tipo de conversa que se ignora. – Humfrey baixou os olhos e suspirou pegando seu caneco de cerveja – Shiera primeiro dizia que haveria uma grande batalha. Que via um rapaz que lideraria um grande exército. Mas era isso o que eu imaginava que seria. Uma simples guerra. Seria outra Rebelião Greyjoy? Ou talvez uma Rebelião Blackfyre? Por que não? Todos sabiam como Haegon e Robert viviam trocando farpas, antes do pai de vocês sumir no mundo. – Humfrey engoliu em seco e então deu um belo gole em sua cerveja e Aegon notou que ele era muito bom em contar histórias. Suas pausas e tom de voz eram cativantes e todos ali pareciam prestar bastante atenção no que ele falava. Ele respirou fundo, repousando a caneca na mesa, com muito cuidado para não molhar seus preciosos pergaminhos – Mas então Shiera começou a falar sobre o Inverno. Sobre mortos feitos de gelo, Caminhantes Brancos. E claro, eu não acreditei, como a maioria teria feito. – Humfrey engoliu em seco e suspirou – E então eu voltei pra casa, antes do Grande Torneio de Harrenhal. Shiera falava tanto disso, sobre um herói, numa batalha de gelo. Contra monstros, com todo tipo de coisa fantástica... Foi quando eu resolvi procurar, porque, sinceramente, eu nem mesmo acreditava que os Caminhantes e os Outros existiam. – Humfrey suspirou e se curvou sobre a mesa, segurando sua caneca com as duas mãos – Mas conheci o Arquimeistre Marwyn e ele me garantiu que coisas como sonhos proféticos eram reais na linhagem valiriana. Os Targaryen fugiram do grande Cataclismo de Valíria graças a um sonho profético. E houveram mais de um príncipe Targaryen que dizia sonhar com o futuro. – Humfrey suspirou mais uma vez, parecendo concentrado – Então eu perguntei sobre os Caminhantes e infelizmente não há nada de concreto sobre eles. Foi há muitos milênios. Mais de oito mil anos atrás. Não escrevíamos naqueles tempos e todas as histórias eram contadas de uma geração para a outra, através de músicas, lendas, oralmente. E muita coisa se perdeu. Muita coisa mudou. Mas Marwyn me garantiu que havia sinais de que eles poderiam voltar. Houve uma profecia. Na minha pesquisa sobre os Outros, encontrei várias lendas sobre uma época de trevas. Sobre a Grande Noite. Quatro dessas lendas me chamaram a atenção. A Batalha da Aurora, que provavelmente é bem conhecida por todos os nortenhos. – Ele mirou Jon, Robb e Tormund, que concordaram com um aceno de cabeça – Mas também temos a lenda de Azor Ahai e da Luminífera.

—Ambos a mesma lenda. – Disse Thoros.

—Sim, duas partes da mesma lenda. Uma parte fala sobre um herói e outra fala sobre uma arma e como ela foi feita. – Humfrey respirou fundo – E há a lenda do Príncipe que Foi Prometido. – Disse ele e Aegon mirou Jon instintivamente. Jon parecia engolir em seco, mas não desviou o olhar de Humfrey – A lenda da Batalha da Aurora, a lenda de Azor Ahai e a lenda da Luminífera, são todas histórias muito antigas, que não podem ser analisadas ao pé da letra, justamente por terem sido passadas de geração para geração de maneira oral e informal. Existem várias versões diferentes sobre elas, apesar de algumas versões terem mais peso que outras. Mas a lenda do príncipe que foi prometido... Essa lenda é bem recente. Foi feita há poucos minutos se a analisarmos cronologicamente numa visão histórica.

—Eu não conheço essa lenda. – Disse Valerion, franzindo o cenho.

—Daenerys ouviu sobre a profecia do Príncipe que foi Prometido em Qarth. Na Casa dos Imortais. – Murmurou Aegon se curvando sobre sua taça de cerveja, lembrando daquele tempo sem sentir saudades.

—A lenda do Príncipe que foi prometido influenciou boa parte da história do nosso reino, em minha humilde opinião. – Disse Humfrey, por mais que ele não parecesse ter humildade alguma – Começou no reinado de Aegon V, o Improvável. – Explicou ele e todos concordaram com um aceno de cabeça – Príncipe Duncan era o herdeiro de Aegon e se casou por amor com uma mulher chamada Jenny de Oldstones. O príncipe Jaehaerys, irmão de Duncan, se casou com a irmã Shaera, também por amor, desafiando o pai. E o príncipe Daeron, o caçula, foi morto antes de casar. – Aegon suspirou, sabendo que deveria saber daquelas coisas. Tinha sido obrigado a aprender a história de Westeros, mas as leituras e tais estudos sempre foram mais do gosto de Valerion e Shiera – Jenny levou certa vez para a corte, uma mulher que dizia ser uma bruxa da floresta. E esta mulher quem fez a profecia do Príncipe que Foi Prometido. Um herói que salvaria o reino e que viria da descendência dos dois filhos de Jaehaerys II, Aerys e Rhaella.

—Espere. – Pediu, tentando fazer a cabeça funcionar. Sentiu os olhares sobre si, mas não se intimidou – Esse Aerys... É o Rei Louco? – Perguntou confuso e Humfrey concordou com um aceno de cabeça. Aerys era o pai de Rhaegar, que era o pai de Jon. O que significava que aquilo poderia ser bem verdade. Se lembrou do dia em que conversaram com a bruxa de Coração Alto e Aegon começou a ver pequenas peças de um quebra cabeça muito maior começarem a se montar.

—Jaehaerys só soube disso anos depois e casou o dois filhos, por mais que não houvesse amor entre eles. E a união desse casamento resultou em Rhaegar Targaryen. – Humfrey silenciou-se por um momento e mirou Robb e Jon por alguns segundos – Suponho que não tenham amor por esse nome? – Perguntou ele e Jon desviou o olhar.

—Ele causou guerra. – Concordou Robb – Graças a ele meu avô e meu tio morreram de maneira cruel. Mas... – Robb suspirou e olhou de relance para Jon – Algumas vezes não conseguimos controlar o coração. Ele se apaixonou por minha tia e ela por ele. Os dois fugiram juntos, apesar de Robert ter cantado outra canção.

—Então sabem sobre isso. – Murmurou Humfrey, parecendo ligeiramente impressionado e Aegon piscou, surpreso.

—Me surpreende que você saiba disso. – Disse honestamente e Humfrey sorriu.

—Rhaegar Targaryen foi alvo de muitas de minhas especulações. – Confessou Humfrey mirando a própria cerveja, antes de dar um bom gole nela – Ele era muito amado pelo povo comum. Tocava harpa para os pobres, fazia caridade. Ele era um homem bonito, inteligente e gentil, apesar de ser lembrado por pessoas próximas como um príncipe marcado por uma enorme melancolia. Marcado pela tragédia do dia de seu nascimento.

—Summerhall. – pontuou Valerion e Humfrey concordou – Ninguém sabe muito bem o que aconteceu ali. Apenas que houve um grande incêndio, que acabou por matar o rei Aegon, seu filho Duncan, entre outros. Jaehaerys II foi coroado pouco depois. Rhaegar nasceu do lado de fora do castelo.

—Em meio a sal e fumaça. – Concordou Humfrey – A fumaça do incêndio e o sal das lágrimas daqueles que sobreviveram à tragédia. O príncipe que foi prometido. – Disse Humfrey. Jon parecia desconfortável com aquilo, mas quem falou foi Valerion.

—Se for o caso, estamos mortos. – Disse seu irmão – Rhaegar morreu no Tridente. Nosso pai o enterrou e, anos depois, retornou ao lugar para recolher seus ossos e levá-los a Harrenhal.

Aegon suspirou e mirou Humfrey, que concordou com um aceno de cabeça.

—O que nos leva a próxima profecia. A profecia da Luminífera. – Disse Humfrey, como se esperasse ser questionado exatamente daquela maneira. Robb bufou, parecendo zonzo e Aegon não poderia discordar dele – Conhecem essa lenda?

—Não. – Disseram Robb, Tormund e Gendry. Melisandre apenas fitava Humfrey, com um olhar atento e quase satisfeito. Thoros concordou com um aceno de cabeça e Aegon negou, achando que já tinha escutado sobre aquilo, mas sem poder dar certeza.

—Eu conheço. Shiera me contou, quando estávamos na Muralha, antes do ataque de Mance Rayder. – Disse Jon e Aegon o encarou com curiosidade – Oh, não me peçam para contar, por favor.

—Não precisa ficar constrangido. Eu conto. – Riu Humfrey – É importante, inclusive. Conta sobre um herói, que forjava uma espada, para afastar a escuridão da terra. – Explicou ele para então dar mais um bom gole em sua cerveja escura – Ele trabalhou por não sei quantos dias e quando foi temperar a espada na água, a lâmina se quebrou. – Humfrey então pegou uma azeitona e a mordeu por alguns segundos, se interrompendo. Quando ele cuspiu o caroço, suspirou e seguiu contando – Depois ele trabalhou por não importa mais quantos dias e quando foi temperar a espada no coração de um leão, a espada voltou a quebrar. E então ele sabia o que precisaria fazer. Ele trabalhou mais tempo ainda, uma última vez, e quando a lâmina estava pronta, ela chamou sua esposa amada. Disse que ela era tudo o que ele mais tinha de precioso e que a amava profundamente. E então pediu que ela lhe mostrasse o seio. – Ele se calou e Aegon se lembrou da velha, falando que a espada que o herói tirou do fogo quebrou no primeiro golpe contra os Outros – Então ele fincou a espada na esposa e o calor e coragem dela, assim como sua alma, foram absorvidos forjando assim a lâmina capaz de deter a escuridão.

—Azor Ahai.

—Sim. – Pontuou Humfrey – Azor Ahai é o homem que trazendo consigo a luz, afastará as trevas. Um ferreiro e um guerreiro. – Humfrey coçou a barba – Claro. Tudo isso não passa de hipóteses, suposições. Talvez profecias não sejam mais do que palavras bonitas, jogadas ao vento. Folhas de uma árvore que caem no outono. E nós não passamos de crianças pegando as folhas e tentando desenhar algo bonito ou útil com elas. Mas bem... Eu fui descobrindo coisas e mais coisas nesses últimos anos. Segredos sujos. O primeiro é... Rhaegar. Rhaegar era um príncipe gentil, que se preocupava com o povo, que queria o melhor para o reino. Meu pai confessou que havia quem dissesse que o torneio de Lorde Whent, em Harrenhal, foi patrocinado por ele, para atrair os grandes lordes, numa conspiração para retirar Aerys do poder, afinal ele estava louco. – Humfrey olhou para cada um dos presentes na grande mesa retangular – Compreendeis? Rhaegar era um homem politizado, inteligente, gentil. Que se importava com o povo comum. Que estava fazendo jogo político. Ele quis juntar os lordes para tentar juntar apoio e aposentar Aerys. Como um homem assim poderia simplesmente jogar tudo para o alto, apenas por se apaixonar? Abandonar a mulher e os filhos, para levar uma adolescente para Dorne e fazer sexo com ela durante um ano, enquanto o reino pegava fogo em guerra? Isso não faz sentido. – Aegon engoliu em seco – Mesmo que ele e Lyanna estivessem apaixonados. Mesmo que ele não amasse Elia. Mesmo que ele soubesse que Robert Baratheon seria um marido terrível. Um príncipe como Rhaegar, num momento político tão complicado como era aquela época, em meio às suas próprias manobras políticas, não iria simplesmente irritar três das famílias mais importantes do reino, logo quando estava querendo conseguir apoio para derrubar o pai. – Ele mirou Jon com atenção – Quando ele declarou Lyanna a rainha do amor e da beleza, ele conseguiu irritar os Martell, afinal foi uma desfeita a Elia. Ele irritou os Stark e os Baratheon, já que havia um compromisso entre as duas famílias. Lyanna estava prometida a Robert. E unindo o sequestro dela, à tensão política do momento, Rhaegar causou uma guerra que acarretou na morte de centenas, milhares de pessoas. Tudo isso enquanto ele ficou desaparecido por quase um ano. Um ano em Dorne. – Ele então passeou os olhos pela mesa, mirando cada um, um pouco – Traindo a esposa no reino do pai dela, por um ano inteiro, sem que os dorneses, logo os dorneses, não movessem um músculo. Pelo contrário. Só levantaram armas para ajudar na rebelião quando Rhaegar deixou o país para liderá-los. – Humfrey coçou mais uma vez o cavanhaque – Claro que isso não fez sentido nenhum pra mim. Eu precisava entender melhor Rhaegar. Eu sabia que o pai de vocês tinha uma grande admiração por ele, então, quando tive a oportunidade de conversar com Lorde Haegon, eu o fiz. Mas Lorde Haeon se manteve muito esquivo às minhas perguntas. Ele me garantiu que Rhaegar não tinha sequestrado Lyanna. “Eu conheci Rhaegar. Ele jamais levaria uma garota para um lugar a ser chamado Torre da Alegria, para estuprá-la durante meses”. – Humfrey suspirou – Então o que poderia ter levado Rhaegar a tomar tais decisões. Eu perguntei e questionei e insisti no assunto, até que Lorde Haegon me falou que Rhaegar era muito chegado em profecias. Ele sonhava com o futuro algumas vezes, também. Algo que os dois tinham em comum. Rhaegar acreditou que ele era Azor Ahai. Quando criança ele não gostava de lutas de espada, mas em algum momento ele leu alguma coisa que o convenceu que ele precisava ser um guerreiro. Então ele treinou e treinou até que de fato se tornou um dos maiores guerreiros de Westeros. – Humfrey falava isso com certo orgulho e Aegon suspirou, gostando um pouco dele.

—Ele era realmente impressionante. Eu o vi poucas vezes, mas em todas elas ele causou uma forte impressão em mim. – Murmurou Aegon – Mas ele era, inquestionavelmente, um homem triste, melancólico. – Garantiu se lembrando do rapaz que o fizera desejar ser um cavaleiro.

—O que tudo isso tem a ver com o que vamos fazer? – Perguntou Tormund, impaciente, olhando enfadado para sua caneca já vazia.

—Tudo. Mas chegarei lá. – Garantiu Humfrey. Ele deu mais um gole em sua cerveja a matando e Aegon o imitou – Mas primeiro, mais um pouco de bebida. – Disse ele se levantando.

—Humfrey. Aproveita que vai pegar pra mim e pega uma caneca pra você também. – Riu Aegon e Valerion levantou sua caneca vazia.

—E pra mim. – Pediu ele.

—Eu ajudo a trazer mais cerveja. – Disse Gendry ficando de pé e, junto de Humfrey, pegando mais canecas. Os dois saíram, se afastando da mesa e Aegon suspirou.

—Ele, definitivamente, estudou muito tudo isso. Estou impressionado. – Confessou Valerion.

—Sim. E ele me colocou para pensar agora. – Confessou Robb – Eu sempre odiei Rhaegar. Pela ofensa que ele fez a minha família. Mas agora. Agora ele me colocou pra pensar.

—Será que ele sabe que Jon é filho do príncipe? – Perguntou Valerion Jon suspirou.

—Acho que isso não teria como ele saber. – Confessou Jon.

—Eu não estaria tão certo disso. – Murmurou Valerion se curvando sobre a mesa, baixando o tom de voz – Ele passou toda a história estudando tuas reações. Ele tem um interesse muito grande sobre ti.

—Talvez, mas... Mas provavelmente o motivo é outro. – Insistiu Jon – Apenas um punhado de pessoas sabem sobre meu nascimento e duvido que qualquer uma delas tenha revelado isso a ele.

Aegon bufou, pegando um pedaço de carne de porco seca e salgada.

—Ainda não acho que seja uma boa ideia descer pelo Caminho de Gorne. – Pronunciou Tormund – Já vamos enfrentar perigos o suficiente – E a bruxa falou que haveria preço em...

—Assim como disse que não haveria como vencer se não passássemos por lá. – Cortou Jon – Vamos terminar de escutar o que ele tem pra dizer.

Esperaram alguns minutos e logo Gendry e Humfrey voltaram com canecas cheias de cerveja escura e forte. Brindaram em silêncio e logo os olhares caíram sobre Humfrey, desejando que ele terminasse seu ponto.

—Bem. Rhaegar teve dois filhos. Rhaenys e Aegon. Obviamente uma referência aos três Targaryen que conquistaram Westeros. – Prosseguiu ele – Ele provavelmente queria mais um filho, pelo que se dizia pelo castelo. Mas Elia não suportaria outra criança e todos que viviam em Dragonstone garantiram que Rhaegar não ficou feliz. Havia melancolia nele. E então houve o torneio de Harrenhal.

—Elia estava grávida na época do Torneio. – Corrigiu Aegon – Ainda muito no início da gravidez.

—Sim, sim. – Humfrey deu um bom gole em seu caneco e suspirou – O pai de vocês, alguma vez, comentou como Lyanna Stark morreu? Em que circunstâncias? Ele foi salvá-la, não foi? – Perguntou Humfrey. Aegon piscou com a brusca mudança de assunto. Robb e Jon trocaram olhares e Robb virou o rosto, dando a Jon a opção de responder o que achasse mais sensato.

—Ele a encontrou numa cama de sangue. Semimorta. – Respondeu Jon, simplesmente e Humfrey deu um sorrisinho.

—Semimorta. – Ele mirou então Melisandre – Lady Melisandre, como foi dito que Azor Ahai seria concebido?

—Um longo verão chegará ao fim e as trevas gélidas cobrirão o mundo novamente. Quando a estrela vermelha sangra e as trevas se reúnem, Azor Ahai deve nascer de novo em meio à fumaça e sal, para acordar os dragões de pedra. – Narrou ela e Humfrey sorriu parecendo satisfeito.

—Certo. Já temos muitas peças, creio que a verdade está cada vez mais próxima. – Explicou ele – Rhaegar acreditava em profecias, tinha sonhos proféticos. Ele provavelmente sabia de muita coisa sobre o futuro dele. E se analisarmos a história dele, podemos pensar em vários paralelos com a história de Azor Ahai. Ele nasceu em meio a sal e fumaça, mas faltava a estrela escarlate que sangrasse. Depois, de acordo com algumas fontes, Rhaegar pensou que fosse seu filho, Aegon, quem era o verdadeiro Azor Ahai, pois quando o garoto nasceu, havia um cometa vermelho riscando o céu. Mas Rhaegar morreu nas águas do Tridente e Aegon foi morto por Sor Gregor Clegane, a mando de Tywin Lannister, o leão de Casterly Rock. Rhaegar falhou duas vezes em “forjar” o príncipe que foi prometido. A primeira vez, pensando que ele mesmo era o escolhido. Mas morreu nas águas do Tridente, assim como Azor Ahai falhou na primeira tentativa de forjar a espada de luz. A segunda tentativa falhou com o leão, assim como Aegon morreu pelas mãos dos homens de Tywin Lannister, cujo estandarte é um leão. O que nos leva a última tentativa de Rhaegar, que implicaria na morte de sua amada. – Humfrey respirou fundo – Mas acho que já estás a par disso, Jon Snow. – Disse Humfrey – Ou deveria dizer, Jon Targaryen?

Aegon piscou, surpreso.

—Ok. Como chegou a essa conclusão? – Perguntou chocado.

—Porque eu achei um diário de um arquimeister, falando que ele tinha anulado o casamento de Rhaegar e Elia, para casar, em sigilo, Rhaegar e Lyanna Stark. – Disse ele – Incrível o que encontramos na Cidadela.

—Mas não há sal, nem fumaça e nem uma estrela escarlate sangrando. – Disse Aegon.

—Bem. – Humfrey suspirou – Há sal, nas lágrimas de uma mãe que está a morrer e sabe que não poderá ver seu bebê crescer. Há fumaça nos incensos que normalmente se colocam no quarto de uma mulher prestes a chegar no momento do parto, um costume tipicamente dornês.

—Tá, mas e a estrela? – Insistiu Valerion.

—Arthur Dayne, de Starfall. Eddard Stark fez a estrela sangrar, quando o matou. – Disse Humfrey – Mas de qualquer maneira. São apenas hipóteses. Mas você sabia, não sabia, Jon? Que era o Príncipe filho de Rhaegar e Lyanna? Eu imaginava causar um grande impacto revelando isso, mas me parece que não é a primeira vez que escutas tais palavras.

Jon soltou um suspiro, sem parecer confortável com aquela conversa.

—Sim, eu sou filho de Rhaegar e Lyanna, no sangue. Mesmo tendo sido criado por Lorde Eddard Stark.

—O que faz você o legítimo herdeiro do Trono de Ferro. Com mais legitimidade que Daenerys.

—Não tenho o menor interesse no Trono de Ferro.

—Não, não tem. – Concordou Humfrey – Mas isso te torna especial. Há poder no sangue de um rei. É verdade que temos três “reis” aqui. Cada um com certa ilegitimidade. Mas há um diferencial entre ti e os outros. – Disse ele apontando primeiro para Jon e depois para Valerion e Robb – Shiera sonha contigo há anos. Não com Robb, não com o irmão. Mas contigo. Serás tu o Príncipe a liderar o exército que nos libertará dos mortos. Será tu o último herói. Filho do gelo e do fogo. Renascido, pelo que entendi. Foste ressuscitado por Thoros, certo? Mediante um ritual a R’hllor. – Adicionou ele – E é por isso que eu acredito que conseguiremos entrar no Caminho de Gorne. Minha suposição é que são Filhos da Floresta quem vivem ali. Quem fortificam os encantamentos da Muralha, para nunca permitir que os Mortos atravessem. – Explicou ele – Shiera me contou sobre as palavras do Fantasma de Coração Alto. Todas as profecias dos heróis remetem a ti. – Disse Humfrey – E Shiera sempre viu teu semblante como o grande herói de nosso tempo. Se vais ou não aceitar o Trono de Ferro, isso não vem ao caso. Mas caberá a ti liderar a batalha contra os mortos. Não a mim, não a Aegon, nem a Valerion e nem a Robb Stark. E todos sabem o que aconteceu com o grupo que acompanhou o último herói em sua tentativa de encontrar os Filhos da Floresta.

—Morreram todos. – Murmurou Tormund – Nas mãos dos mortos.

—Sim. – Humfrey engoliu em seco – Então, se algum de vós está a pensar em desistir, este é o momento. – Ele engoliu o conteúdo da caneca de uma só vez.

—Não vou desistir. – Disse Aegon, sem hesitar. Robb suspirou e mirou Jon.

—Nem eu.

—Tem meu martelo, Jon. – Disse Gendry batendo no peito.

—Pode contar comigo também. – Garantiu Thoros – Valar Morghulis.

—Irei acompanhá-los pelo fogo. – Murmurou Melisandre.

—Você é louco, Jon Snow. Mas pode contar comigo. Ou não durará nada. – Riu Tormund.

Humfrey mirou Valerion, que parecia pensativo.

—E então, Blackfyre? – Perguntou Humfrey. Valerion mirou Jon Snow com precaução.

—Não posso morrer aqui. – Murmurou ele – Não nos desaponte, Jon. Estamos todos contando com você. – Disse ele retirando sua coroa e abandonando o modo de falar de Porto Real – Não dobrarei o joelho para Daenerys enquanto você estiver vivo. – E então ele jogou a coroa para o outro lado da mesa, para Jon. Jon piscou, surpreso – Robb liderará o norte e você o sul. Aceite teu destino. E eu aceitarei o meu. – Ele se levantou e sacou sua espada, a espada de Haegon Blackfyre. Ele ficou de joelhos e fincou a espada no chão – Assim como meu pai prometeu antes de mim, eu Valerion Blackfyre, Lorde de Harrenhal prometo jamais me rebelar contra o Trono, caso seja você sentado nele. – Aegon engoliu em seco e mirou ao redor. A Patrulha prestava atenção no que acontecia – Será uma honra servir o filho de Rhaegar Targaryen, a quem meu pai tanto prestigiou.

Engoliu em seco e viu Humfrey se levantar e tirar a espada da bainha, para imitar Valerion.

—Em nome de Hightower, a ancestral casa do meu pai, eu juro lealdade ao legítimo dono do Trono de Ferro. Meu pai está ciente dos meus atos e me enviou para tal propósito. – Disse Humfrey. Jon, piscou, em choque, olhando deles, para a coroa que Valerion há pouco usara.

—O Norte jamais seguiria um sulista novamente. – Disse Robb – Nossos lordes falaram isso. Mas você foi criado pelo meu pai, Lorde Eddard Stark, o homem mais honrado que conheci. É filho da irmã dele e portando tem sangue nortenho nas veias. – Robb então tirou a coroa e a colocou ao lado da de Valerion – Winterfell é sua, Jon. – Disse ele ficando de pé, sacando a espada e então ficando de joelhos. Jon piscou, em completo choque e então Gendry ficou de joelhos também.

—Vossa Graça. – Murmurou ele.

Melisandre sorriu para Jon, parecendo aprovar. Ficou de pé e fez uma mesura respeitosa.

—Ofereço meus conselhos se deles necessitar, meu rei.

—Que R’hllor abençoe teu reinado. – Disse Thoros brindando no ar, sem se levantar.

Aegon pensou em Daenerys e engoliu em seco. Era um membro da Guarda Real.

Ficou de pé e sacou Blackfyre da bainha. Depois mirou Jon com atenção.

—Aceita quem você é, ou não? – Perguntou num sibilo. Jon respirou fundo e ficou em pé. Depois mirou as duas coroas que estavam em cima da mesa. Pegou a coroa de ouro, com jóias preciosas, a coroa de Jaehaerys I, o Rei Sábio. A coroa que Valerion escolhera por admiração ao melhor rei que os Sete Reinos tiveram. Ele mirou a coroa com atenção, suspirou fundo e a colocou na cabeça. Depois encarou Aegon – Bem. Isso nos faz inimigos, mas honrarei a trégua que firmamos. – E todos olharam surpresos para ele – Eu sou leal a Daenerys Targaryen, Nascida da Tormenta. Mãe dos Dragões. A ela eu jurei meus votos e morrerei tentando cumpri-los. A menos que se case com ela, não dobrarei meu joelho a você. Mas fico feliz que finalmente aceitou quem você é, garoto. – Riu Aegon e Jon concordou com um aceno de cabeça, parecendo simplesmente sério – Então, vamos descansar. Amanhã vamos refazer os passos do Último Herói e ir pedir ajuda aos Filhos da Floresta. – Disse guardando sua espada – Tentando não morrer no processo...

—Há mais uma coisa. – Disse Humfrey ficando de pé e guardando sua lâmina também. Todos se levantaram e olharam para ele – Depois que descobri sobre teu nascimento, eu roubei o livro da Cidadela e achei o documento oficial do casamento de Lyanna e Rhaegar. Deixei esse documento nas suaves mãos de Lady Shiera. – Explicou ele – Caso eu morra. – Ele engoliu em seco com o sorriso vacilando de leve – Terás a prova assim mesmo de que és o verdadeiro e legítimo filho de Rhaegar e Lyanna. Ou pelo menos de que não és um bastardo. Imagino que talvez alguém tenha sobrevivido a aquele dia? Algum nortenho?

—Reed. – Concordou Robb.

—E ainda temos a harpa de Rhaegar. Não há dúvidas quanto ao seu nascimento, Jon. – Concordou Aegon e Jon respirou fundo, concordando.

Notas finais
VEGE Prévias "-Não foi Dorne quem fez isso. – Disse Tyrion – Foi Oberyn. Não é a primeira vez que ele é acusado disso. Ele era conhecido como a Víbora Vermelha de Dorne. Eu digo para abrirmos a cela, recolhermos os corpos dele e da filha, além da bastarda que andava com ele. E então negociar uma reconciliação com Doran Martell. – Disse Tyrion. Mas aquilo era simplesmente absurdo. —Sim. Se Dorne se aliar a Daenerys, o primeiro lugar que eles atacarão será a Campina. E então não haverá como alimentar Porto Real. – Disse Mace – Se eles fecharem as estradas, e sitiarem a cidade, estaremos em extrema desvantagem." Teremos cenas em Porto Real hehhehehehe "Foi quando escutou os gritos. Sua mão foi direto para o arco e Sansa procurou a origem de tais barulhos. As pessoas corriam com pânico em suas feições e os guardas tiravam as espadas da bainha, procurando ver o que acontecia. Mas logo compreendeu." O que será que aconteceu?? Deixem suas hipóteses nos comentários xD "– Eu amo você. —Eu sei. Agora durma, meu rei. – Pediu ela e Robb sentiu-se muito sonolento. Rolou para o lado, quase entregue ao sono. A bebida e o cansaço pesando suas pálpebras." "-Não arrancamos criancinhas dos braços de suas mães, para matá-las, em Dorne. – Margaery engoliu em seco sabendo que não teria estômago para pedir a morte das duas crianças e nem para fazer isso com as próprias mãos – Mas não estamos em Dorne." QUEM ESTÁ FALANDO COM A MARGAERY?!!?! Deixem suas suposições nos comentários! Beijos! Titia ama vocês