Blackfyre

76 A Rosa e a Serpente


Notas iniciais
Hey, Peoples! Mais um capítulo pra vocês! Eu encomendei um banner, mas claro que não ficou pronto. Tô tentando pedir banner em três sites diferentes, nos três os pedidos foram repassados. #Triste Mas vamo, que vamo! Só queria pedir pra vocês comentarem mais. A cada dia que passa, menos gente comenta. Isso me deixa triste u.u Vamos lá, meus queridos fantasminhas. Revelem-se!!! Bem, é isso. #PartiuLer

A Rosa e a Serpente

Myrcella sentia muita dor por todo o corpo. Sua cabeça explodia e latejava como se fosse uma bigorna de um ferreiro enquanto este trabalhava o aço incansavelmente. Tudo o que queria era deitar e dormir. Descansar a cabeça em um macio travesseiro, pedir um pouco de leite de papoula e escorregar para seu doce mundo de sonhos, onde ela e Valerion passeavam pelo jardim, vendo Haegon e Daena brincarem, já com alguns aninhos de idade. Ambos fortes, saudáveis e belos.

Mas já havia dormido demais. Estivera ausente demais. Por isso mandara chamar seu tio.

Daena estava acordada, com os pezinhos para cima, em seu cesto. A cabeça platinada, os olhos violetas. Ela era um lindo bebê gorducho. Haegon dormia, tranquilamente. Ele era menor que a irmã, não tão gordinho. A vida parecia tediosa para ele, pois preferia dormir a fazer qualquer outra coisa. Mas Daena prestava atenção em qualquer coisa ao seu redor. Quando uma mariposa entrou voando pela janela e pousou em seu cesto, a menina deu um grito de alegria, agitando-se, assustando o inseto, que voou pela janela por onde viera.

Myrcella riu de sua garotinha e sentiu o corpo doer de leve por isso. Suspirou, mirando Porto Real, vendo os telhados brancos, cobertos de neve, lá embaixo. Sentia falta do verão. O inverno mal chegou e já estou com preguiça dele. Sinto falta dos dias quentes e ensolarados. Mas teremos que aturar dois ou três anos de frio.

Sua porta finalmente se abriu e esperou encontrar seu tio Tyrion, mas foi sua mãe quem entrou. Ela lhe lançou um sorriso gentil e andou até os dois cestos para mirar os netos. Daena sacudiu mãos e pernas, fazendo barulhos, mas Haegon nem se deu ao trabalho de acordar.

Cersei Lannister sorriu para os dois netos e mirou Daena, a pegando no colo e a aninhando.

—Os dois são lindos, Myrcella. Deve estar realizada. – Sussurrou sua mãe, olhando com profunda ternura para o bebê que tinha nos braços – Acredito que agora sabe o verdadeiro significado de amar. – Myrcella desviou o olhar, sabendo que aquela era uma incontestável verdade. Amava Valerion, sabia disso. Mas seu sentimento por ele em nada se comparava ao que sentia pelos dois filhos. Ficaria contente de nunca mais vê-lo se isso fosse garantir uma vida longa e saudável aos seus dois bebês.

—Daena e Haegon são tudo pra mim. – Disse simplesmente e voltou a mirar sua mãe – Onde está tio Tyrion? Pedi para vê-lo. Ele é minha Mão. – Disse com firmeza, tentando não demonstrar a enorme dor que sentia.

—Meistre Pycelle acredita que você não deve se envolver nos problemas do reino por enquanto. – Explicou Cersei – Acho que a Rainha não deveria desperdiçar sua saúde com isso. Principalmente tendo que cuidar do futuro do Reino. – Explicou sua mãe mirando Haegon, que dormia tranquilamente – Um verdadeiro guerreiro, não é? – Perguntou sua mãe e Myrcella a encarou – Meistre Pycelle disse que ele não viveria nem mesmo três dias. Mas a lua já está teve seu ciclo, e aqui está ele. – Ela murmurou com carinho, colocando Daena no cesto, para pegar Haegon. Daena resmungou, sem gostar de sair do colo e Haegon resmungou ao ser pego. Ele abriu os olhos, preguiçosamente e mirou a avó, soltando um suspiro e depois bocejando. Em seguida fechou os olhinhos, parecendo querer dormir novamente – Ele não está ganhando peso tanto quando Daena... – Murmurou sua mãe e Myrcella engoliu em seco.

—Eu sei. – Murmurou tentando não demonstrar medo – Ele é teimoso para mamar. Prefere o sono ao leite. – Cersei o afagou nos cabelos e o beijou no topo da testa. Em seguida andou pelo quarto, ninando o neto. O herdeiro do trono. Haegon Blackfyre.

—Preocupe-se apenas com eles, meu amor. – Disse Cersei com leveza – Não sabe a dor que é perder um filho. Não há nada pior. – Confessou Cersei e Myrcella mirou Haegon, preocupada – Descanse, Myrcella. O Trono e o Reino estão em boas mãos. – Disse sua mãe colocando Haegon novamente no berço.

Myrcella a observou marchar até a porta, com toda pompa.

—Em quais? As suas? – Perguntou irritando-se. Sua mãe lhe lançou um olhar misterioso, sorriu e saiu deixando-a só com os bebês. Quis correr até ela e reclamar. Mas ainda não tinha forças. Era prisioneira do próprio corpo.

**

Cersei se sentou em seu lugar, na mesa do Pequeno Conselho. Era, mais uma vez, a Rainha Regente. Jaime era sua Mão, Mace era seu Mestre da Moeda, Varys era Mestre dos Sussurros, Tyrion, por insistência de Jaime, porque se dependesse dela estaria numa cela, era Mestre das Leis. Tinha nomeado Aurane Waters, o Bastardo de Driftmark como seu Mestre de Navios.

Jaime foi contra. Ele achava que Paxter Redwyne era um nome mais adequado já que ele tinha uma das maiores frotas do Reino. Mas Cersei gostava mais do jovem bastardo, que a fazia lembrar de Rhaegar. Ele era magro, com cabelos platinados, olhos verde-acinzentados e o queixo com um furo adorável. E ela notava a maneira como ele a olhava. Ele a desejava. E isso era excelente para manter sua influência.

Mace a olhava com desagrado. Ele ainda esperava o retorno do Rei. Como se eu fosse permitir a aquele traidor que se sentasse novamente no meu Trono. Varys era de confiança, sempre fora. Ele trabalhava para o lado forte e ela era o lado forte. Jaime era seu homem de confiança e Pycelle tinha ressentimentos com Tyrion. Então tinha a maior parte do Conselho consigo. Tyrion só tinha as tropas Blackfyre. Nada mais do que isso, já que Mace fazia apenas o que a mãe decidia. E por mais numerosas que fossem as forças Blackfyre, as tropas Tyrell e Lannister juntas eram o suficiente para subjugar alguma rebelião.

Desejava dar um fim a Margaery, mas achou sensato deixá-la em paz. A Fé a tinha destruído, de qualquer maneira e os Tyrell estavam satisfeitos por Cersei ter explodido o Septo, matando o Alto Septão e a maior parte da Fé Militante. Desejava que lá estivessem, malditos Tyrell, mas nem tudo poderia ser perfeito. Algumas vezes precisamos manter os amigos por perto e os inimigos mais perto ainda.

Margaery se tornara Dama de Companhia de Myrcella e Cersei procurava algum noivo para ela. Ela era uma coisinha bonita e filha de Mace Tyrell. Mesmo sendo três vezes viúva e com rumores de ser amaldiçoada, teriam homens desejando-a.

Sentia falta de Petyr Baelish, mas ele havia morrido no Norte com o retorno de Robb Stark. E aquilo fez com que pensasse em Shiera. Lembrou-se dela a andar pelo castelo, sempre tão infeliz, com uma vida que não pedira pra si mesma. Com um irmão gêmeo que fora obrigado a se separar dela. Não conseguia deixar de ver a si mesma na garota. Mas quando começaram a surgir ideias dela se casando com seu amado Joffrey, a profecia de Maggy, a rã, lhe assombrou. Rainha sereis… até chegar uma outra, mais nova e mais bela, para vos derrubar e roubar tudo aquilo que vos for querido.

E sempre que parava para pensar sobre isso, era o rosto de Shiera que lhe vinha em mente. Por um tempo pensou que seria Margaery, mas agora pensava em Shiera. Lembrava o quanto ela era bela, com seus olhos de beleza valiriana e traços exóticos de Essos, provindos de sua mãe. Lembrava que adorava a menina, até entender que seria ela quem lhe arrancaria tudo.

Por um lado, foi. Joffrey morreu por culpa do irmão dela, e Valerion quase causou a morte de Myrcella, no parto. Apenas Tommen, provavelmente, não teve nada relacionado com eles. Provavelmente foram os Dorneses... mas não foi aquele maldito garoto quem os trouxe com ele? E tudo porque aquela cadela traidora uniu forças com os nortenhos. É tudo culpa dela. Mas ela vai pagar. Tirarei deles tudo.

—Alguma notícia do Norte? – Perguntou Cersei. Varys permaneceu em silêncio por um tempo, antes de falar qualquer coisa, para causar algum efeito dramático, como sempre.

—Com o inverno, fica difícil até mesmo para passarinhos conseguirem informações. – Explicou ele. Cersei bufou, insatisfeita.

—Acho que temos preocupações maiores. – Disse Jaime. Cersei o olhou de relance – Daenerys Targaryen.

—Dela possuo informações. – Apressou-se Varys – Três dragões, um enorme exército. Não poderão ficar muito tempo em Dragonstone. Não haverá comida para todos.

—O que nos faz lembrar que precisamos voltar a pensar em como alimentaremos o povo. – Disse Tyrion – Valerion tinha separado dinheiro para comércio e estabelecido acordos comerciais em Volantis e Pentos. Mas minha querida irmã achou mais urgente usar esse dinheiro para construir navios para que nosso Mestre de Navios tivesse algum. Se pelo menos tivéssemos pensado em escolher um Almirante que já tivesse uma frota... – Alfinetou ele e Cersei bufou, mirando os quatro ex-imaculados Blackfyre que faziam a guarda dele. Tyrion bebeu um pouco mais de vinho e a olhou com desdém e Cersei não se deu ao trabalho de perder tempo com ele.

—Os camponeses deveriam ficar no campo. – Reclamou – E eles devem entender que tempos de guerra são sempre difíceis. Eles tiveram tempo e oportunidade para se preparar para o inverno.

—Tiveram? Diga-me quando? Na breve e bem-sucedida administração do Rei Valerion?

—Myrcella é rainha, Valerion não passa de um consorte. – Sibilou.

—Myrcella declarou que ele era o Rei Regente. – Insistiu Tyrion – E não é só porque ele se levantou para resolver assuntos importantes que você deveria se aproveitar para se sentar no trono. – Pontuou ele. Cersei mirou Jaime, enfurecida, querendo que ele notasse o quão inconveniente Tyrion era, mas ele preferia ficar olhando a mesa, fugindo de seu olhar.

—Ele traiu o trono, fugindo para o Norte, para o encontro dos irmãos rebeldes e a cadela Stark. – Insistiu Cersei – E qualquer um que der abrigo a ele será considerado inimigo do trono. – E isso implica que a ervinha Loras será considerado tão traidor quanto.

—Ele é pai dos herdeiros de Myrcella. – Insistiu Tyrion.

—Concordo com ele. – Pontuou Mace e Cersei o olhou furiosa – Não deverias estar aí. Tyrion deveria ser o regente, enquanto o Rei está afastado. Foram as ordens deixadas. Não tinhas o direito de tomar o poder à força. De acusar os Martell de envenenar Myrcella e destruir nossa aliança com Dorne. O Norte está cada vez mais estruturado e unido. Se eles se unirem aos dorneses...

—O norte tem coisas mais importantes para se preocupar. O Inverno já está aqui. Eles não vão perder tempo lutando contra o trono. – Disse Pycelle parecido muito convencido disso – Mesmo com uma rainha impulsiva como Shiera Blackfyre. Haegon sempre soube ser calculista e os filhos pareceram seguir seu exemplo. Nossa única preocupação, além do inverno, é Daenerys Targaryen. Ela tem uma grande frota, um grande exército e precisará de suprimentos em breve. Ela, certamente, vai tentar arrumar aliados que a alimentem.

—E os dorneses agora são uma excelente opção. – Murmurou Tyrion – Ou eles podem tentar começar uma invasão, pela Campina. Ou, quem sabe, tomar Harrenhal. Com três dragões eles renderiam facilmente o castelo. Sem dragões, Harrenhal é inviolável. – Disse Tyrion – Nossa maior defesa contra Daenerys era unir todo o Reino contra ela. E a melhor chance de fazer isso era Valerion Blackfyre. Ele fez as pazes com Dorne e ele era nossa chave para fazer as pazes com o Norte. Ele sendo inimigo do Trono é uma faca nas costelas. – Disse ele e Cersei teve vontade de enfiar um punhal pelo buraco que ficara no lugar do nariz dele.

—O Trono não fará as pazes com Dorne. Não depois do que eles tentaram fazer. – Disse decidida.

—Não foi Dorne quem fez isso. – Disse Tyrion – Foi Oberyn. Não é a primeira vez que ele é acusado disso. Ele era conhecido como a Víbora Vermelha de Dorne. Eu digo para abrirmos a cela, recolhermos os corpos dele e da filha, além da bastarda que andava com ele. E então negociar uma reconciliação com Doran Martell. – Disse Tyrion. Mas aquilo era simplesmente absurdo.

—Sim. Se Dorne se aliar a Daenerys, o primeiro lugar que eles atacarão será a Campina. E então não haverá como alimentar Porto Real. – Disse Mace – Se eles fecharem as estradas, e sitiarem a cidade, estaremos em extrema desvantagem.

—Devemos ser sensatos. Nem sempre dá pra vencer pelo poder da espada. – Insistiu Tyrion.

—Algumas vezes devemos fazer as pazes com nossos inimigos, por um bem comum. – Concordou Varys.

—Cersei. Tyrion tem razão. – Disse Jaime e Cersei achou que não poderia suportar mais aquilo.

—Chega! Saiam! Saiam todos! – Rosnou, enfurecida. Varys se levantou, assim como Aurane e Mace. Pycelle se levantou em seguida, mas lento demais dentro do saco de ossos que era. Jaime e Tyrion ficaram a encará-la. Estava só. Cersei mirou Jaime, enfurecida, dizendo com o olhar que ele não usufruiria dela tão cedo e ele encolheu no lugar. Depois ela saiu do salão, atropelando Pycelle e deixando os irmãos pra trás. Ele envenena todos contra mim. Engoliu em seco, com passadas firmes e rápidas. Como podem sugerir fazer as pazes depois do que eles fizeram a Myrcella? Como podem sonhar com a possibilidade de que eu concordaria com isso? E agora... Agora começam a questionar meu lugar. Aquele Trono é meu por direito. Meu! Sempre deveria ter sido meu. O Reino não estaria nessa bagunça se Robert tivesse me deixado governar ao seu lado. E acabou pensando em Shiera. Como o Norte estava renascendo forte novamente. Tudo porque Robb Stark é sensato e deixa Shiera ajudá-lo. E ela aprendeu tudo que sabe comigo. Aquela cadela traidora. Desceu até as masmorras, enfurecida. A última vez que tinha entrado ali fora quando lançara Oberyn e os outros dorneses ali. Para que morressem de fome. Queria ver os ossos. Queria ver os corpos cheios de vermes. Aquilo era uma vitória sua. Uma vitória pessoal. Eles tentaram vencê-la, feri-la. Eles tentaram dobrá-la. Mas fora ela quem vencera, ela quem ganhara. Ela. Rainha Cersei. Andou furiosa, com as narinas dilatadas. Aquele anão assassino. Acha que entende a dor de uma mãe ao ver seus filhos sofrerem, como eu vi Myrcella sofrer? O que ele entende de mães? Quando foi capaz de matar a nossa, apenas para vir ao mundo? Ele quem deveria ter morrido. Finalmente, depois de minutos de caminhada, chegou na cela onde deixara Oberyn Martell. Havia um guarda ali, que a seguira com uma tocha, sem que precisasse dizer palavra. Ele pegou um molho de chaves e depois de alguns instantes abriu a porta. Cersei podia sentir o cheiro fétido que se desprendia da cela. Cheiro de carne podre e decomposição. Cheiro de vitória. Uma vitória da qual não abriria mão. Abriu a porta, tomando a tocha do vigia, e seus olhos procuraram pelos cadáveres. Viu três corpos em plena decomposição, com os ratos devorando o que podiam. Alguns ratos se assustaram quando entrou com a tocha na cela, outros não se acanharam e continuaram comendo. Ratos grandes o suficiente para caçarem gatos. Mas sua visão se afastou dos corpos e pousou sobre um banco que definitivamente não deveria estar lá. Um banco pequeno, com uma estátua de serpente e uma lança. Do tamanho de uma garrafa de vinho. E ao lado dela um pergaminho com as seguintes palavras: “Insubmissos. Não Curvados. Não Quebrados”. Cersei rosnou de raiva e jogou a tocha que segurava em um dos cadáveres e os ratos finalmente correram. Foi quando notou que não era um corpo humano. Era um porco, ou javali – Não... – Rosnou – Como isso é possível?! – Saiu da cela, tentando pensar. Não era a primeira vez que alguém fugia da cela. Valerion tinha feito isso anos atrás – Aquele maldito. – Com certeza era tudo culpa dele. Eu vou matá-lo. Não importa o que digam. Valerion Blackfyre é um homem morto!

**

O vento gélido do inverno lambia seus cabelos enquanto Shiera Blackfyre mirava Winterfell de cima. Sansa e Arianne estavam ao seu lado. Ambas pensando em seus amados, não muito diferente dela. Mas seu coração, por mais que se recusasse a admitir, ainda estava dividido em dois. Todas as manhãs Sansa lhe acompanhava em suas orações no Bosque Sagrado. Rezava pelo retorno seguro de todos, principalmente dos irmãos, Robb e Jon.

Jon, a quem eu beijei embaixo daquele Represeiro, em frente aos deuses. E também lá na Ilha das Faces. Shiera mirou os homens a regressarem da Mata de Lobos, com lenha para suas respectivas casas. A Vila de Inverno estava cada dia mais populosa. No verão e na primavera era uma vila fantasma. Um lugar de casas vazias. Mas no Inverno e no final do Outono, camponeses de todo o norte vinham para Winterfell em busca de ajuda e abrigo. E essas pessoas formavam a cidade sazonal.

Os mais velhos olhavam os mais jovens com amor e saudade, imaginando se haveria necessidade da Caça de Inverno. Shiera já passara tempo o suficiente com os Nortenhos para entender a tradição. Em invernos mais severos, os idosos partiam para uma caça, na falsa intenção de buscar comida. Mas verdade é que saíam para morrer e diminuir as bocas a serem alimentadas, aumentando as chances das próximas gerações de sobreviver. Quando Robb lhe contou aquilo, ficou muito chocada. O estilo nortenho era muito diferente do que estava habituada. Primeiro porque não estava habituada com escassez e a verdade era que a ideia de Inverno a assustava. Só tivera um inverno, mas era jovem demais para se lembrar. Além do mais, em Harrenhal, com seu sangue de dragão, nunca houvera frio.

Lembrava de rir com os irmãos e brincar na neve. Nada mais, além disso.

Mas agora teria a escassez da guerra, além da luta contra os mortos, a estação, uma gravidez e um filho. Lembrava de Robb lhe dizer, enquanto miravam o pequeno Ned dormir, que filhos durante o inverno eram muito perigosos. Sua mão pousou sobre sua barriga e Shiera soltou um suspiro. Escutou risadas infantis e procurou-as com o olhar. Três crianças que brincavam de jogar bolas de neve, enquanto os pais carregavam madeira. O mais velho já ajudava na tarefa, mas mirava os irmãos mais novos com um sorriso no rosto. Tão inocentes para com a estação quanto eu.

Shiera suspirou mais uma vez e sentiu o cheiro de assado. A noite em breve cairia e as cozinhas já preparavam a refeição da ceia. Coisas simples, era o que tinha ordenado. Precisavam poupar. Nada de banquetes, nada de música. Gostaria que Hoster tivesse ficado, mas ele partiu para a Muralha, pouco depois que Robb, Jon, meus irmãos e os outros. Theon queria ter ido, mas não seria de grande ajuda. Estava permanentemente enfraquecido por conta do ferimento que o bastardo de Bolton deixara nele.

Amaldiçoou Ramsay Bolton por tudo o que ele tinha causado. Ned, Talisa e Theon. Depois amaldiçoou o pai dele também. Porque Roose era quase tão perverso quanto. Lembrou-se por um instante de quando foi tomada a força, mas afastou esse pensamento. Pensou em Robb no lugar disso. Com todo seu jeito gentil e apaixonado. Mas acabou se lembrando de Jon. E precisou afastar esse pensamento também. Talvez devesse parar com isso. Sou livre para amar os dois, pelo menos em pensamento. E isso lhe deu ideias que jamais dividiria com qualquer pessoa que fosse. Como seria? Ter os dois? Ao mesmo tempo?

—No que está pensando? – Perguntou Arianne – Está com uma carinha... – Riu ela e Shiera suspirou.

—Sinto falta de meu marido.

—Três semanas. Eles devem estar na Muralha a essa altura. – Murmurou Sansa – Recebemos o corvo falando que eles passaram por Last Hearth. Eles já devem estar lá.

—Ou então já partiram de lá, para tentar capturar um morto e conseguir a tal espada.

—E pra quê pegar uma espada? Só porque aquela mulher de vermelho falou que precisavam? Quem é ela, afinal? – Perguntou Arianne – Digo, sei que ela é uma sacerdotisa do Senhor da Luz. Mas por que a palavra dela pesa tanto?

—Porque ela vê o futuro, aparentemente. – Respondeu Sansa – O que acha dela, Shiera?

Lembrou de quando Melisandre a colocara contra a parede e lhe tocara de forma indecente, devolvendo o fogo a seu corpo. Um fogo que Roose apagara.

—Perigosa. – Murmurou e sua imaginação colocou Melisandre na imagem anterior. Mas seu ciúmes logo a expulsou de lá – Não confio nela. – Disse simplesmente.

—Por que não? – Perguntou Sansa.

—Ela me pediu para ceder a cama, para que ela se deitasse com Robb.

—Bem... – Arianne deu uma risadinha, enquanto Sansa a olhava indignada. As três andavam pelos arredores, com Shiera observando se alguma coisa precisava ou não de sua atenção – Nunca teve uma experiência a três? É interessante.

Sansa a olhou chocada novamente e Shiera guardou sua fantasia a três dentro de si.

—Eu não faria isso. – Disse simplesmente e Arianne deu de ombros.

—Muitas mulheres fazem isso. Principalmente quando os homens vão para a guerra. É melhor que arrumar um amante que as engravide. É bem mais difícil explicar um filho que um pouco de lesbianismo. – Riu ela e Shiera revirou os olhos.

—As coisas em Dorne parecem muito mais legais do que no resto do reino. – Confessou com um sorrisinho. Mas aposto que meus pensamentos seriam escandalosos até em Dorne.

Foi quando escutou os gritos. Sua mão foi direto para o arco e Sansa procurou a origem de tais barulhos. As pessoas corriam com pânico em suas feições e os guardas tiravam as espadas da bainha, procurando ver o que acontecia. Mas logo compreendeu. Uma enorme sombra passou por cima de Winterfell e Sansa gritou de medo. Mas ela já tinha visto aquilo antes.

—O que Daenerys faz aqui? – Perguntou, surpresa, caminhando apressadamente até os muros. Viu o dragão pousar perto dos muros e escutou os cavalos e cães irem à loucura.

Os outros dois dragões ainda sobrevoavam os arredores e Drogon baixou o ombro para que Daenerys pudesse descer. Em seguida ele abriu as asas e voou para longe. Shiera andou até Daenerys, que parecia encantada olhando aos arredores, usando um grande casaco de peles branco e cinza. Ela se abraçou de leve e Shiera notou que ela era capaz de sentir frio.

Arianne estava envolta em mais de um casaco, além de ter uma capa de pele de zibelina. Sansa tinha uma manta de pele de lobo cinzento, mas não reclamava do frio, ao contrário da Dornesa. Mas Shiera usava um vestido que deixavam seus ombros expostos. E Daenerys a olhou exatamente nos ombros, parecendo surpresa.

—Não sente frio? – Perguntou ela, com um sorriso amigável. Shiera apenas sorriu de volta.

—Não. – Disse calmamente – Imagino que você não sinta calor, já que entrou numa fogueira para dar a luz aos seus dragões.

Daenerys sorriu e olhou para o alto, para mirar as criaturas.

—As pessoas pensam que sou a prova de fogo.

—E não é? – Perguntou calmamente. Daenerys suspirou – O que veio fazer aqui, Lady Daenerys?

—Estavam demorando. Eu quis averiguar. Sem falar que queria conhecer o Norte. – Disse ela olhando ao redor – É tudo muito bonito. Apesar de todo esse gelo.

—Acho que é o gelo que dá beleza ao lugar. – Riu Shiera – Sansa. Venha conhecer Daenerys. Daenerys. Essa é Sansa Stark. Irmã de Robb. – Disse calmamente e Daenerys sorriu de maneira simpática. E Shiera gostou que ela tivesse deixado sua arrogância em Dragonstone.

**

Maldito Aegon. Bufou Robb enquanto tentava tirar sua bota. Estava tão bêbado que tudo parecia girar ao seu redor. Não deveríamos estar bebendo tudo isso. Pensou se lembrando de quando o cunhado mais velho e Humfrey Hightower fizeram festa com a chegada de Hoster Rivers. O que deveria ter sido uma noite de descanso e concentração se transformou em balbúrdia, cerveja, música, dança... Nenhum de nós estará em condições de marchar amanhã à luz da aurora.

Provavelmente já estava prestes a chegar a luz da aurora, inclusive. Agora, provavelmente esperariam o almoço para deixar a segurança da Muralha. Precisavam estar no ápice de rendimento se quisessem sobreviver. Estava feliz por ter uma espada para substituir Loras Tyrell, mas não deveriam ter se deixado levar pela música do bardo. Mas Aegon e Humfrey os convenceram a beber. Mesmo Jon bebera mais do que a sensatez permitia.

Olhou para a cama ao lado e viu Jon dormir pesadamente, roncando de leve. Dividiriam o quarto com alguns membros da Patrulha. Mesmo depois dos reforços, Castle Black ainda tinha quartos demais e homens de menos.

Finalmente conseguiu tirar a bota e suspirou, pesadamente, tendo completa noção do quanto estava bêbado. Retirou a coroa da cabeça, a colocando ao lado da cama. Jon aceitou ser quem era, mas garantiu que não governaria o norte.

—Prefiro que o Norte seja governado pelo rei que os lordes nortenhos escolheram. – Disse ele simplesmente – Se quiser se ajoelhar a Daenerys, o faça. Eu não tenho homens nem nada do gênero para defender minha pretensão ao Trono. Nem mesmo pretendo tomar o Trono. Só quero manter as pessoas a salvo. Só quero derrotar os Outros.

—E não é esse o dever de um rei? Proteger o seu povo? – Sussurrou Robb, tirando a capa que usava. Ela fedia a cerveja, pois Gendry havia derramado uma boa quantidade depois de tropeçar em cima dele.

Robb suspirou, engolindo um arroto e se jogou na cama, sentindo o corpo pesar. Fechou os olhos, puxando o cobertor puído com os pés, se enrolando de qualquer jeito, para fugir do frio. A bebedeira parecia esquentá-lo, mas tinha certeza de que estava fazendo muito frio. Fechou os olhos, se encolhendo, para então se lembrar de apagar a vela que estava numa pequena mesinha ao lado de sua cama.

Levantou-se, apoiando o corpo em um cotovelo, soprou a vela e viu a luz do quarto bruxulear, abandonando o tom dourado e adquirindo um tom cinzento escuro. A única luz vinha da janela e da lua quase cheia lá no céu. Mirou o astro celeste por um momento, feliz que teriam aquela luz nas noites que se seguiriam. Nunca tinha se aventurado além da Muralha, mas teria Jon e Tormund para guiá-los, além do mapa de Humfrey. E poderia contar com a espada de Aegon, além da de Valerion, Gendry e Hoster.

Fechou os olhos, novamente, tentando esvaziar a mente. O calor da bebida o mantendo zonzo, num balançar gostoso. O corpo pesava por demasiado e o frio começava a ameaçar tocá-lo. Mas se encolheu embaixo do cobertor, sentindo-se com a barriga cheia e cansado, da longa viagem. A verdadeira viagem começará agora.

Pensou em sua amada Shiera, lá em Winterfell e se perguntou se ela pensava nele. Acomodou a cabeça um pouco melhor no travesseiro e ficou a se lembrar dela. E foi com o pensamento nela que adormeceu.

Sonhou que estavam cavalgando, na Mata de Lobos. Cavalgava atrás dela, vendo os cabelos negros e encaracolados esvoaçarem pelo vento. Ouvia a gargalhada dela fazer par com a própria, enquanto a perseguia. Shiera logo parou seu cavalo e saltou para o chão, então ele a imitou e começou a persegui-la por entre as árvores, ouvindo seu riso. E quando finalmente a alcançou, ela estava deitada no Bosque Sagrado de Winterfell, com um vestido leve, a brincar com uma folha vermelha que caíra do represeiro.

Por um momento teve medo. Pois sempre que sonhara com aquilo, quando tentava ver o rosto dela, o sonho terminava. Mas antes que a chamasse, ou a tocasse, Shiera se virou e o encarou, como se quisesse acabar com a hesitação que tinha. Ela mordiscou o lábio e Robb se sentou ao seu lado, observando-a com saudades.

Shiera se sentou e o puxou para um beijo e Robb a beijou de volta. Mas sua bêbada imaginação não se contentou com um beijo. Mesmo estando num Bosque Sagrado. Que se dane, os deuses não se importam.

E aparentemente ela pensava o mesmo, pois a viu abrir os cordões do vestido. Ela o beijava com paixão e Robb a apertou contra si. Sentiu a esposa sentar em seu colo, a tentar abrir seu calção e suas risadas ecoaram pelo bosque. Shiera era quente, muito quente. E quando encontrou o caminho para dentro dela, foi tão maravilhoso que acordou. Era real demais.

Abriu os olhos e sentiu uma cascata de cachos caírem sobre seu rosto. Piscou confuso, sentindo alguém cavalgar em seu colo. Não era um sonho, afinal. Fechou os olhos num primeiro momento, extasiado, mas depois piscou, tentando enxergar. Viu os olhos de Shiera, num violeta profundo. Seus cabelos compridos e negros. Ela abriu o vestido e lhe mostrou os seios que ele conhecia tão bem.

—Como... – Tentou perguntar, mas ela colocou o indicador em seus lábios exigindo silêncio.

—Shhh... – Pediu ela mirando Jon, que roncou de novo – Não pude aguentar de saudades. – Disse ela e Robb gemeu com um mexer de quadris dela.

—Louca. – Sussurrou, bêbado, olhando para ela. Perfeita. A segurou nos quadris e a fez mexer-se sobre si com vigor. Ela sorriu, movendo os quadris de maneira lenta e deliciosa, o olhando com um olhar penetrante enquanto brincava com os próprios seios. Aquela visão lhe foi maravilhosa, mas Robb olhou para os lados. Outros homens dormiam em camas espalhadas pelo quarto. Girou o corpo colocando Shiera por baixo de si e a escondendo com o cobertor, sem querer o risco que alguém a visse. Não estava pensando direito em quanto aquilo não fazia sentido. A beijou apaixonado e a possuiu desejoso do sabor dela. Shiera tirou o vestido o empurrando para baixo, ficando completamente nua embaixo do cobertor. A única coisa que usava era uma gargantilha com um rubi. Não reconheceu o colar de imediato, mas não ligou. Shiera tinha muitas joias. Ela sorriu e o puxou para si, desejando seu corpo. A empurrou com os quadris, a beijando no pescoço, imaginando o esforço que ela fazia para não fazer barulho. Todos sabiam o quanto ela era escandalosa. A tomou para si e quando despejou sua semente nela, deixou o corpo cair molemente, ainda muito bêbado, mas um pouquinho mais sóbrio do que antes. Suspirou e a olhou nos olhos. Olhos que estavam violetas num tom mais róseo que azul. Talvez fosse a pouca luminosidade do local lhe pregando peças. Sorriu e a beijou com paixão antes de sussurrar – Eu amo você.

—Eu sei. Agora durma, meu rei. – Pediu ela e Robb sentiu-se muito sonolento. Rolou para o lado, quase entregue ao sono. A bebida e o cansaço pesando suas pálpebras. Shiera se levantou e pegou seu vestido vermelho e lhe lançou um olhar satisfeito com faiscantes olhos escarlates. Mas Robb já não conseguia pensar. O sono o pegou e ele se deixou levar por ele.

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Margaery estava mais uma vez em frente às ruínas do Septo de Baelor. Se ajoelhou como diversas vezes fizera naqueles últimos meses e fez uma prece aos Sete. Ou era o que qualquer espião de Cersei ou de Varys pensaria. Havia uma grande quantidade de pobres que chorava e se ajoelhava nas pedras, pedindo perdão e proteção aos deuses. Se perguntou se Valerion teria pensado em outra opção que não incluísse destruir tudo. Ao contrário dela, ele realmente era devoto.

Margaery suspirou, fingindo rezar, pois ainda mantinha a impressão de que tinha enlouquecido de leve depois do cativeiro. Cersei destruíra seus planos assim como destruíra aquele templo. E depois os Dorneses destruíram sua chance de assegurar o trono, quando mataram Tommen. Não sabia exatamente o que eles tinham feito, mas certamente eles tinham feito algo. Da mesma maneira como fizeram com Myrcella. Tommen caíra num estado de melancolia e desespero e sua mente não aguentou. Enquanto Myrcella tinha acessos de raiva e loucura, Tommen tentava ferir o próprio corpo para fugir de dores mentais. Mais de uma vez o viu se cortar e garantiu que não se deitaria com ele novamente se ele não parasse com aquilo.

Mas logo depois ele se enforcou.

Se perguntava se teria sido um erro o que fizera. Esperava que não. Tudo o que queria era se livrar dos Lannister. De todos eles. Mas parte de si mesma achava que Myrcella já tivera o suficiente...

Mas ela está em meu caminho. E se eu quero ser a única rainha, preciso me livrar dos obstáculos. Mesmo dos pequenos e adoráveis. E nada melhor do que uma serpente para fazer isso.

Um mendigo qualquer se ajoelhou ao seu lado e começou a orar. Mas ele, por mais que estivesse sujo e cheio de trapos, tinha um doce perfume forte e peculiar que ela reconheceu imediatamente.

—Você demorou. – Disse ele num pesado sotaque dornês. Margaery suspirou e continuou com as mãos unidas, como se estivesse na mais fervorosa das orações.

—Cersei finalmente descobriu. – Disse num sussurro e Oberyn Martell sorriu ao seu lado – Os guardas estão mais atentos agora.

—Mas não conhecem as passagens secretas tão bem quanto eu. Um excelente presente de Haegon Blackfyre. Ele tinha um grande conhecimento do castelo. – Murmurou ele.

—Não te preocupas o fato de estarmos jogando o jogo de um morto? – Perguntou preocupada e Oberyn sorriu.

—Do jeito que ele era, não me surpreenderia se aparecesse mais vivo que qualquer um de nós. Aquele era um desgraçado difícil de morrer.

—Todos viram o corpo morto dele. Tu mesmo foste um. Estavas no enterro dele, no mar.

—Sim. Estive. – Murmurou Oberyn – Mas tudo que vi foi um corpo enrolado em lençóis. Poderia ser o corpo de qualquer um. Você não faz ideia das coisas que Haegon Blackfyre era capaz de fazer. Ele aprendeu todo tipo de coisa lá em Braavos.

Os dois ficaram em silêncio, fingindo rezar e escutaram o choro de uma mulher um pouco distante dali, amaldiçoando Cersei por ter destruído o templo. Margaery e Oberyn mantiveram a farsa de fiéis por mais um tempo, até que ela não resistiu.

—Vai matar Myrcella? – Perguntou num sussurro.

—Apenas por isso ainda estou em Porto Real.

—E as duas crianças? – Perguntou ela e Oberyn engoliu em seco.

—Não arrancamos criancinhas dos braços de suas mães, para matá-las, em Dorne. – Margaery engoliu em seco sabendo que não teria estômago para pedir a morte das duas crianças e nem para fazer isso com as próprias mãos – Mas não estamos em Dorne. – Continuou Oberyn se levantando e a deixando só. Margaery sentiu o vento frio de inverno lhe soprar a pele e um arrepio subiu por sua espinha. Engoliu em seco, temendo pelos bebês e mirou as ruínas do Septo novamente.

Então fez uma prece sincera para a Mãe.

Que seja rápido, limpo e indolor. São apenas crianças...

Mas depois sentiu um aperto no peito se lembrando de Valerion e do quanto ele sofreria com aquilo.

—Oh, deuses. O que eu posso fazer? – Perguntou aflita.

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Aegon, Thoros e Hoster cambalearam para fora do forte, gargalhando enquanto seguravam suas canecas.

—Você viu a cara do Stark? – Riu Aegon rindo de se acabar. Hoster concordou, tentando não tropeçar nas próprias pernas. Mas estavam bêbados demais e acabaram tropeçando na neve, caindo sentados, no meio do pátio de treinamento. Thoros estava de pé, gargalhando ao lado deles. Ele prendeu o cantil com rum no cinto e cambaleou até onde ficava os escudos de treino. Hoster escutou o desatar de cordões e o sacerdote soltou um gemido de satisfação.

—Invejo vocês de sangue quente. – Reclamou em meio a um arroto – Se eu colocar o pau pra fora, ele provavelmente vai congelar.

—Pra colocar o pau para fora, primeiro você precisaria achar o pau. – Zombou Aegon – E nesse frio eu acho que você não conseguiria. – Aegon gargalhou enquanto Hoster o socava no braço, também rindo. Thoros gargalhou também e quase caiu, molhando tudo de mijo – Amanhã iremos para o fim do mundo. – Murmurou o rapaz e Hoster sentiu um calafrio – Já escutei muitas histórias sobre o Além da Muralha. Poucas delas são boas.

—Então conhece uma boa? – Perguntou Hoster – Já está melhor do que eu. Tudo o que eu sei sobre o Além da Muralha é ruim, sombrio, cruel ou... – Ele arrotou de leve – Desonesto.

—Parece Porto Real. – Riu Thoros, que ainda estava de pé, mijando na neve e, eventualmente, num escudo – Diga-me, Aegon. O que pensa de Robb e sua irmã?

—Por que me pergunta isso? – Resmungou Aegon e Hoster teve sua resposta ali.

—Porque lembro do garoto quando ele não lembrava quem era. Ela o ama como ele o ama? – Perguntou Thoros, finalmente se sacudindo, para então se guardar.

Hoster bufou e deu mais gole em sua caneca de barro. Aegon também estava dando um longo gole, como se ponderasse. Thoros veio aos tropeços e caiu na neve ao lado deles.

—Eu não sei. – Resmungou Aegon, mas Hoster teve certeza de que o homem mentia – Eu sei que ele ama a minha irmã.

—Amar é uma coisa difícil. – Murmurou Thoros – O que acha, Hoster?

—Eu acho fácil. Meu problema maior, inclusive, é amar demais. – Disse brindando a isso e Aegon e Thoros caíram na gargalhada. Mas em seguida Thoros negou com a cabeça.

—Isso não é amar. É pecar, meu amigo.

—O inferno me receberá com aplausos, então. – Riu Hoster – Pois não há pecador mais voraz. – Fez uma pausa para um arroto – Ainda mais agora que Aegon entrou para o time dos casados.

—Como foi isso, Aegon? – Perguntou Thoros.

—Nos reencontramos, depois de muito tempo. Arianne é... – Aegon deu um sorriso cheio de saudade e Hoster suspirou – Bem. Incrível. – Aegon olhou para o céu cinzento e suspirou – É incrível quando se é um homem e encontra uma mulher perfeita pra você. Ela é tudo o que eu poderia desejar.

—Eu nunca encontrarei uma mulher que seja tudo o que eu desejo. Pra começar, ela teria que ter oito tetas. – Riu Hoster e Aegon e Thoros riram de novo – Você ama essa mulher dornesa? Certeza que não foi apenas o calor da guerra e estarmos todos praticamente condenados a morrer?

Aegon suspirou e mirou sua caneca já quase vazia.

—Arianne sempre foi minha fraqueza. – Murmurou ele e Hoster piscou sem entender – Quando eu e meus irmãos éramos crianças, nosso pai nos ensinou as coisas do mesmo modo. Valerion tinha medo de altura. Shiera tinha medo de ficar sozinha. Então papai passou a treinar com Valerion na torre aberta mais alta do castelo, até que meu irmão superasse o medo. E ele fez Shiera ter um quarto só dela. Mas... Mas eu nunca tive medo de nada. Eu sempre fui estupidamente corajoso.

—Estupidamente? – Riu Hoster.

—Estupidamente. – Concordou Aegon e os três riram – Eu desdenhava para tudo, até o Fantasma de Coração Alto falar que eu morreria por uma mulher que me foi proibida. Eu tive medo disso, por um tempo. Mas acabei superando. Nunca me envolvi demais com ninguém, mas quando conheci Arianne, eu a pedi em casamento e Doran Martell me negou isso. Eu desafiei quem quer que quisesse se candidatar a me enfrentar, na tentativa de conquistar a mão dela. Mas... Lembrei da profecia e não tive coragem. Não estava pronto pra morrer.

—E agora, está? – Perguntou Hoster e Aegon suspirou.

—Por ela? Sim. – Disse ele com firmeza, terminando sua caneca de cerveja.

Notas finais
AQUI É DORNE KRL! HSUahsuahsuashausa Vejo gente feliz, vejo gente triste, vejo gente dando rage. HSUahsuahsuas Vamos pra as prévias? "Mas o ar estava frio. Frio de um jeito que não poderia exprimir. Frio como se tivesse lâminas o cortando por dentro. Sentiu um medo primitivo e suas pernas tremeram de leve. —Nunca devíamos ter vindo aqui. – Lamentou Tormund. O vento soprou de novo e a fogueira se apagou. E aquilo foi desolador. Sentiu como se parte do próprio calor tivesse desaparecido. Estremeceu e quando expirou, aquela neblina branca mais uma vez flutuou em frente ao seu rosto." MWAHAHAHA Mais uma? "Hoster os guiou até um ponto, cheio de pedaços de corpos. Corpos pequenos, cobertos por folhas secas. Pequenos demais para pertencerem a selvagens ou patrulheiros. As mãos possuíam três dedos mais um polegar. —O que são essas coisas? – perguntou Gendry e Humfrey se abaixou para observar. —Eu acho que são os Filhos. – Murmurou ele, sombrio – Não esperava por isso. – Eles avançaram mais um pouco e então Humfrey parou novamente. Havia um amontoado de pedaços de corpos queimados ali. A parede estava pintada de fuligem e Humfrey pareceu querer estudá-la. Ele passou o dedo por ela e então continuou andando, ignorando os corpos. Mas Robb os estudou por alguns segundos. Aqueles eram cadáveres adultos. Podia notar pelo tamanho dos ossos e das carcaças. Chegaram num lugar bastante íngreme. O som sussurrado de fato parecia com água. Desceram com cuidado e viram que mais a frente, algo brilhava – Acho... Acho que estamos chegando. – Murmurou Humfrey." Vejo vocês nos comentários. No próximo capítulo teremos o aguardado Caminho de Gorne! Beijos! Titia ama vocês