Blackfyre

3 Sor Represeiro


Notas iniciais
Olá! Obrigada a todas que comentaram! Espero que continuem comentando ♥ Se puderem fazer propaganda da fic também... seria lindo ♥ hehehehe Vamos ao capítulo? Beeeijos

Capítulo 2

O Cavaleiro do Represeiro

—Onde está Jon? – perguntou o senhor seu pai. Robb deu de ombros e Theon deu uma risadinha.

—A amiga de Lady Shiera veio aqui dizendo que queria apresentar alguém pra ele e ele não voltou mais. – riu Theon. Lord Eddard piscou, parecendo interessado e os três olharam para onde estava Haegon e sua família. Robb olhou em específico para Lady Shiera, que estava sentada entre as duas amigas, as três elegantemente vestidas e adornadas. O irmão gêmeo dela não estava ali, o que era muito suspeito, já que os cavaleiros andantes e misteriosos seriam os primeiros a justar. Muitos cochichavam que o rapaz estaria entre eles – E então. Qual desses você acha que vai cair primeiro? – perguntou Theon.

—Aquele Mothos, o terrível, parece realmente terrível... terrivelmente bêbado. – riu Robb e Theon deu uma gargalhada.

—Eu acho que sor Tytos do Tridente não parece estar em muita boa forma. – sugeriu Theon.

—E olhe só o brasão daquele senhor ali. É uma tartaruga! – riu Robb – Não podemos esperar muito de uma tartaruga.

Robb e Theon deram uma risadinha, que acabou contagiando Lorde Eddard. Logo as justas começaram e os cavaleiros andantes iniciaram as justas. Eram muitos cavaleiros e nenhum deles pareceu roubar a atenção do público como Ulthrer Blackshield, o cavaleiro tartaruga, que derrotou todos os adversários com no máximo duas lanças.

Mas o favoritismo dele acabou quando um cavaleiro misterioso surgiu. Ele usava uma belíssima armadura alva, com detalhes em dourado. O corcel amarelado dele parecia fazer par com a armadura. O escudo de armas dele tinha um Represeiro sem folhas, no inverno, com uma espada de fogo cravada no chão. Ele causou uma primeira impressão tão forte, que logo as massas estavam delirando por ele, mesmo antes que ele fizesse sua primeira disputa, que seria com um Sor Wallen, de Pedrarrio.

—Será o Valerion? – perguntou Robb – Essa armadura certamente custou uma fortuna.

—Com certeza. – riu Theon – O que acha, Lorde Eddard?

Lorde Stark apenas olhou com atenção para o cavaleiro, que trotava para sua posição inicial. Como ele não deu resposta, os dois jovens voltaram sua atenção para a justa. Todos estavam torcendo pelo cavaleiro misterioso, já que havia um rumor de que Valerion Blackfyre estava participando das justas. Como o pai dele era muito popular, as pessoas simples apoiaram o suposto filho.

Mas quando os dois cavalos começaram a correr, o Cavaleiro do Represeiro simplesmente não conseguiu manter sua lança alta o suficiente e Sor Wallen o acertou em cheio no peito. Todos ficaram em silêncio, chocados com aquilo, mas pelo menos o Cavaleiro do Represeiro não caiu do cavalo. O escudeiro de Sor Wallen lhe deu outra lança e os dois cavaleiros se posicionaram para justar mais uma vez. Todos assistiam com expectativa.

Na segunda tentativa, Sor Wallen acertou o oponente no peito mais uma vez e foi acertado no ombro, mas nenhum dos dois caíram do cavalo.

Na terceira tentativa, já um tanto desacreditado, o Cavaleiro do Represeiro, que ainda não tinha conseguido quebrar uma lança que fosse, parecia que não conseguiria vencer a disputa. Ele mirou alto demais e todos imaginaram que ele erraria novamente Sor Wallen. Mas no último segundo ele ajustou a mira e acertou o oponente com tanta força, que o capacete de Sor Wallen saiu voando e o cavaleiro caiu do cavalo, completamente zonzo, sendo arrastado pelo chão.

Os camponeses que assistiam gritaram de euforia e alguns lordes aplaudiram por educação, sem parecerem impressionados. Mas a família Blackfyre parecia super animada com a vitória, o que deixava ainda mais suspeito que fosse Valerion, o Cavaleiro do Represeiro. Lady Shiera aplaudia de pé, dando pulinhos de alegria, enquanto as amigas dela sorriam também, super animadas.

Depois daquela justa, o Cavaleiro do Represeiro pareceu ganhar mais confiança, pois a cada disputa ele parecia melhor. No fim da tarde, quando o primeiro dia do torneio se encerrou, o Cavaleiro do Represeiro, Sor Ulthrer Blackshield, Sor Urick, o Urso e Sor Lorent, o Escuro se classificaram para continuar no torneio, onde duelariam com os cavaleiros de nascimento mais elevados.

—Deixo claro que os campeões de hoje estão todos convidados para o banquete no salão do castelo! – declarou Lorde Haegon – Que amanhã seja um dia ainda mais animado que hoje, senhores! – bradou Lorde Haegon, encerrando o dia sob uma chuva de aplausos.

—Vamos. Vamos nos preparar para o banquete. – disse Ned. Os três voltaram para o castelo e Robb notou que os escudeiros do Cavaleiro do Represeiro o guiaram para o castelo também, porém, não conseguiu acompanhá-lo com o olhar por muito tempo.

Depois de se arrumarem para ir até as piscinas, Jon finalmente apareceu, parecendo muito satisfeito consigo mesmo.

—Onde esteve? – perguntou Robb, enquanto Jon corria para pegar suas coisas – Ao menos assistiu às justas? – perguntou com um sorriso brincalhão.

—Onde esteve, Jon? – perguntou seu pai. Jon sorriu nervosamente.

—Assisti... mas do outro lado... junto com o povo. – disse ele corando completamente e Robb imaginou que ele deve ter ficado com a garota que Talisa dissera que queria conhecê-lo.

—Assistiu com alguém especial? – perguntou Robb e seu pai olhou Jon com atenção.

—Podemos não falar sobre isso? – perguntou o rapaz, indo em direção à porta. Robb e seu pai trocaram um olhar divertido e seguiram Jon. Theon, quando o viu, ficou exigindo detalhes da tarde de Jon, mas ele se recusou a dividir qualquer coisa que fosse.

Quando estavam chegando às piscinas, onde os Lordes e senhores recebidos por Lorde Blackfyre tomariam seus banhos, o grupo se deparou com Talisa Rivers, que tinha um sorriso muito divertido no rosto.

—Olá, rapazes. – riu ela.

—Talisa. Sempre bom te ver. – disse Theon – Devo dizer que você estava muito bonita hoje, durante o torneio. Não sabia se olhava para você ou para as justas.

—Oh, Theon. Você é tão galante. – riu ela – Lorde Stark, eu vim aqui a pedido de Lorde Blackfyre. Ele convidou o senhor e os seus para se sentarem na mesa dele.

Seu pai concordou com um sorriso gentil.

—Diga a ele que estaremos lá.

—Certo... e Jon. – Talisa deu um sorrisinho para seu meio irmão, que corou novamente – Minha amiga disse que gostaria de vê-lo de novo amanhã. Se sua família não se importar, é claro. Ela adicionou que sem você as justas ficariam um tanto aborrecidas. – ela deu uma risadinha e fez uma mesura – Com suas licenças...

Então ela saiu e todos olharam para Jon, que baixou o rosto, envergonhado.

—Oh, Jon... sem você as justas ficariam um tanto aborrecidas. – riu Theon bagunçando os cabelos de seu meio irmão, falando com uma voz fina e irritante. Jon pareceu ficar ainda sem jeito.

—Theon, deixe Jon. – riu seu pai olhando com um sorriso divertido para ele e Jon parecia que iria desmaiar de tanta vergonha.

Tomaram banho nas piscinas, assim como vários outros Lordes. O salão de banho estava tomado por uma densa névoa, graças ao vapor que se desprendia da água. A todo minuto criados apareciam para despejar mais água quente. Alguns nobres, já bêbados, puxavam as criadas para as piscinas, inclusive aquele Black Walder que eles tinham conhecido no caminho. Algumas reclamavam e fugiam, outras davam risadinhas e deixavam que o flerte continuasse, mas os nortenhos apenas se banharam e logo voltaram para seus quartos, para prepararem-se para o banquete.

—Por que será que fomos convidados para a mesa de Lorde Haegon? – perguntou Robb.

—Eu não sei. – respondeu Ned – Mas não podemos recusar esse convite. Trate de se arrumar muito bem, ou sua mãe nunca iria me perdoar.

—Se a mãe estivesse aqui, ela iria querer que eu cortejasse Lady Shiera. – riu Robb – Mas eu não sei se estou assim tão tentado a isso.

—Por que? – perguntou seu pai e Robb suspirou.

—Ela me parece muito arrogante.

—Não concordo. – disse Jon, com os olhos pregados no chão – Ela é muito bonita, Lady Shiera...

—E dança muito bem. – concordou Theon – Você deveria ao menos tentar, Robb. – riu ele – Pela senhora sua mãe.

Robb deu uma risadinha e logo estavam rumando até a mesa principal. Lorde Blackfyre abrira lugar para os quatro, o que significava que Jory e os outros não estavam inclusos no convite, mas isso era bem esperado. Haegon pediu que o senhor seu pai se sentasse ao seu lado, entre ele e Valerion, que estava sentado ao lado do irmão mais velho. A Robb estava reservado um lugar entre Aegon e Shiera, com Jon e Theon se sentando ao lado da garota. Theon correu para se sentar ao lado dela, deixando Jon entre ele e Lorde Tytos Blackwood, um homem alto e magro, com uma barba rente, rajada de branco e preto, com um nariz adunco.

—O que achou do torneio, Sor Robb? – perguntou Shiera lhe oferecendo uma taça de vinho. Robb segurou a taça enquanto ela lhe servia com um sorrisinho travesso no rosto.

—Muito interessante. Principalmente depois de tantos rumores sobre seu irmão Valerion estar participando secretamente. Ele não estava com vocês, assistindo às justas.

—Ele não estava se sentindo bem. Machucou o pulso ontem, sabe? – perguntou ela com o mesmo sorrisinho e Robb não acreditou nela – E você, Sor Theon? O que achou?

—Incrível. – riu Theon – Amanhã pretendo participar do torneio de arquearia.

—Eu também. – riu Shiera – Ou ao menos pretendia. Mas com esse cavaleiro misterioso. Eu quero muito vê-lo amanhã a justar com os Lordes. Pretende participar das justas, Lord Blackwood? Ouvi dizer que Lorde Janos Bracken pretende.

—Janos duelaria até contra um rato se isso lhe garantisse umas moedas a mais. – rosnou Tytos Blackwood. Robb deu uma risadinha, surpreso pela reação do Lorde e Shiera se inclinou para lhe sussurrar no ouvido.

—Lorde Tytos e Lorde Janos se odeiam desde sempre. – sussurrou ela e ele virou o rosto um pouco, para encostar no dela – Blackwood’s e Bracken’s brigam desde a época dos heróis.

—Mesmo? – sussurrou no ouvido dela e notou que a garota usava o mesmo colar da noite anterior – Gosta desse colar? – perguntou segurando um dos diamantes vermelhos.

—Sim, era da minha mãe. – respondeu Shiera se afastando de leve tocando as pedras preciosas – É meu colar favorito.

—Ele é muito bonito. – disse simplesmente.

—Está gostando daqui? – perguntou ela interessadamente – Deve ser bem diferente de Winterfell.

—Sim, o clima é absolutamente melhor. – riu Robb.

—A companhia também. – disse Theon pegando a mão de Shiera e lhe beijando nas pontas dos dedos. Shiera puxou a mão, parecendo surpresa com a audácia dele. Theon não tinha limites.

—Sor Theon. Eu acredito não ter bebido o suficiente para permitir tanta intimidade. – ralhou ela com um sorrisinho.

—Não seja por isso! – riu Theon enchendo a taça de Shiera. Ela deu mais um gole e suspirou.

—Como é em Winterfell? – perguntou ela.

—É bem menor. – riu Robb.

—Imagino que deve ser bem frio. – disse ela.

—Não tanto, na verdade. – respondeu Robb – Acredite ou não, o castelo é mais quente que Harrenhal, principalmente nos dias mais frios.

—Como pode isso se fica tão ao norte? – perguntou ela com desconfiança e Robb sorriu.

—Porque o castelo foi construído sobre fontes termais. A água passa pelas paredes, deixando o castelo sempre quente e aconchegante. – explicou Robb.

—É verdade que foi construído por gigantes? – perguntou ela.

—Dizem que sim. – concordou Robb.

—E você já viu um gigante? – ela perguntou com os olhos violetas brilhando de curiosidade e Robb se perguntou quando poderia tê-la achado arrogante.

—Claro que não. – riu ele – Eles não existem mais. Morreram todos há séculos.

—Mesmo os que vivem pra lá da Muralha?

—Ninguém sabe o que existe pra lá da muralha além da Patrulha da Noite. – cortou Jon e Shiera se curvou sobre a mesa, apoiando-se sob os cotovelos, para falar com ele.

—É mesmo? – perguntou ela – Papai admira muito a Patrulha da Noite. Ele sempre doa armas para eles. – disse Shiera e Theon se sentou mais para trás, para olhar as ancas dela, sem discrição alguma – Vocês conhecem alguém da Patrulha?

—Nosso tio Benjen. – respondeu Jon – Ele é o Primeiro Patrulheiro. – respondeu Jon, com orgulho e Shiera voltou a se sentar, apoiando a bochecha na mão.

—Eu gostaria de conhecer o Norte algum dia. Antes que o inverno chegasse. – adicionou ela.

—Não está perdendo nada, Milady. – riu Theon – Só muita neve... e mais neve... e mais neve. – adicionou ele – Aqui é muito mais aconchegante.

Shiera suspirou, bebendo mais de seu vinho e se levantou.

—Eu gostaria muito de uma dança agora. – disse ela. Robb se levantou quase ao mesmo tempo que Theon, para lhe oferecer uma dança – Me acompanha, Jon Snow? – perguntou ela para Jon, que corou ao receber o convite.

—Senhora... você deveria dançar com alguém de nascimento mais elevado. Eu sou apenas um bastardo... – murmurou Jon.

—E eu não ligo. – riu ela indo até Jon – Não me negue uma dança, Jon Snow. Por favor. – pediu ela. Jon engoliu em seco e Robb sorriu para ele, num incentivo. Theon deu uma risadinha divertida e Jon se levantou.

Os dois foram até onde alguns dançavam e logo muitos olhavam para eles. Alguns querendo saber quem era o homem que dançava com a filha de Lorde Haegon. Mas a dança dos dois não durou muito, pois Lucas Blackwood pediu uma dança com a lady e ela não recusou. Jon agradeceu pela dança e voltou a seu lugar, muito constrangido e Theon lhe deu soquinhos nos braços.

—Seu safado! – riu ele – Ela gostou de você.

—Ela provavelmente só quis provocar. – riu Jon, apesar de estar com um jeito sonhador.

Robb mirou a garota, enquanto jantava. Depois de Lucas Blackwood foi a vez de um Frey pedir uma dança. E depois um Whent e então um Umber. Robb deu um belo gole em sua taça e deu a volta na mesa, para pedir uma dança, antes que outro o fizesse.

Shiera o olhou com um sorriso travesso e aceitou a dança, se despedindo de Pequeno Jon Umber. Robb sorriu, guiando a lady na dança da corte, sentindo muitos olhares sobre si.

—Está muito bonita esta noite, como em todas as noites... mas imagino que já deve ter escutado isso a exaustão. – disse para ela. Lady Shiera concordou com um aceno de cabeça.

—Sim, mas certos elogios algumas garotas não cansam de escutar, sabe? – perguntou ela gentilmente.

—Você deve estar esperando que eu te corteje... mas eu não vou. Eu estou curioso. – riu Robb girando com ela, apenas as pontas dos dedos se tocando na dança – O que você está fazendo com Jon? Está gostando dele?

—Ciúmes? – perguntou ela travessa e Robb a olhou sem responder. Sim, havia um pouco de ciúmes, porque ele sempre fizera mais sucesso com as garotas... mas ele não se importaria se Jon se desse bem com ela, mesmo que algo sério entre eles fosse absolutamente improvável – Eu achei seu irmão interessante, apenas isso. – riu Shiera – Mas não imagino que ele tenha esperanças de ficar comigo, por ser um bastardo, não é? – perguntou ela.

—Ele estaria enganado?

—Surpreendentemente... sim. – respondeu ela – Meu pai me permitiria casar-me por amor, principalmente se meu esposo concordasse em ficar por aqui. Meu pai poderia consagrar Jon cavaleiro e ele poderia ser o primeiro de seu nome.

—E você acha isso provável? – perguntou Robb – Eu posso falar para meu irmão investir ou pedir para que ele tenha cuidado. Que conselho eu devo dar a ele? – perguntou a olhando no fundo dos olhos violetas.

—Eu diria que não o aconselhasse e o deixasse agir por si próprio. – riu Shiera.

**

Jon simplesmente não conseguia dormir. Rolava na cama, sem absolutamente sono algum, ainda se lembrando de sua dança com Shiera Blackfyre. Ela lhe pedira que não dormisse cedo, pois queria falar com ele, mas a noite já estava bem avançada e ele não recebera nenhum recado. Talvez fosse a ideia dela de uma brincadeira...

Pegou os brincos que ela lhe dera na noite anterior e sorriu sabendo que não tinha sido tudo um sonho absurdo. Sabia que era tolo por estar se deixando levar por aquele sentimento, mas... mas ele simplesmente não conseguia evitar. Os olhos violetas de Shiera invadiam sua mente e os lábios dela pareciam pedir pelos dele, mesmo que ela não dissesse coisa alguma que sugerisse isso.

Suspirou perdido em devaneios, quando a porta se abriu, silenciosamente. Jon se sentou de imediato, se perguntando quem seria. Era uma mulher encapuzada e ele imaginou que era Talisa novamente. Pegou suas botas e as levou nas mãos, saindo do quarto nas pontas dos pés. Talisa fechou a porta quando ele saiu e lhe entregou uma capa. Ele a vestiu e em seguida colocou as botas, para então seguir Talisa em silêncio. Notou que não estavam rumando para fora do castelo e isso fez seu estômago dar um salto.

—Onde estamos indo? – perguntou ansioso. Talisa lhe deu um sorriso e lhe guiou para uma das torres, iluminando o caminho com um archote. Subiram o que pareceram ser infinitos degraus, até chegarem num grande corredor. Andaram até a terceira porta e Talisa deu três batidinhas lentas e duas rápidas. Escutou a porta se destrancar e abrir. Talisa o empurrou para dentro e fechou a porta. Jon olhou para frente e viu Lady Blackfyre num vestido muito íntimo. Parecia ser uma simples roupa de dormir, muito leve e solta. O quarto estava iluminado por alguns archotes e a cama era grande o suficiente para que quatro pessoas dormissem ali. Harrenhal parecia ter sido construída para gigantes e não para pessoas. Tudo era exageradamente grande – Milady...

—Sor Represeiro. – riu ela – Gostou de seu escudo? – perguntou Shiera o puxando pelo braço e o levando para a cama. Sentiu o rosto ferver e o corpo inteiro reagir a aquilo, apesar de não ser nada correto... mas o que havia de correto naquela situação? – Eu queria algo que remetesse ao norte... mas não quis algo tão óbvio como um lobo branco.

—Seria muito suspeito. – concordou.

—Sor Represeiro... posso ajudá-lo a ficar mais confortável? – perguntou ela e Jon a olhou confuso. Shiera então começou a tirar suas botas e ele não soube como reagir a isso – Jon. – ela o olhou nos olhos, perdendo o jeito travesso e ficando mais séria – Não penses errado de mim. – pediu ela – Eu não costumo agir assim, mas... – ela o olhou nos olhos – Simplesmente não consigo evitar. – ela suspirou e sorriu de maneira gentil – Você foi muito bem nas justas. Na sua primeira eu achei que iria perder, mas torci por você em todas as disputas.

—Obrigado. – murmurou constrangido e orgulhoso de si mesmo.

—Gostaria que usasse o meu favor no torneio. – ela retirou um lenço vermelho com um dragão negro bordado de dentro do vestido e lhe entregou. Ele segurou o lenço e sentiu o calor que ele emanava, assim como o perfume. O perfume dela – Usaria?

—Seria uma honra... mas... – ele a olhou curioso – Eu sou apenas um bastardo... por que está me dando o seu favor? Por que está me dando tanta atenção? Deveria... deveria favorecer a Robb, não a mim.

Shiera sorriu e lhe afagou o rosto.

—Não escolhemos a pessoa a quem iremos nos afeiçoar mais. – murmurou ela – Eu não tenho nada contra seu irmão. Ele é muito gentil... mas eu gostei mais de você. – ela suspirou – Gostei tanto que gostaria de te dar mais um presente. Para lhe dar sorte amanhã, afinal, vai enfrentar os cavaleiros e senhores de terras... os grandes Lordes e eu escutei que Jaime Lannister virá para o torneio, assim como Sor Gregor Clegane, a Montanha... – sussurrou ela. Ele nunca ouvira falar em Gregor Clegane, mas já ouvira falar em Jaime Lannister, o irmão da rainha. Dizia-se por aí que ninguém era capaz de derrotá-lo numa disputa de espadas, além dele ser excelente nas lanças.

—Que presente? – perguntou sentindo-se ansioso pelo dia seguinte.

Shiera sorriu para ele de uma maneira que garota alguma havia sorrido alguma vez... não que ele tivesse prestado atenção, pelo menos.

—Feche os olhos, Jon Snow. – pediu ela. Ele engoliu em seco e obedeceu. Sentiu o peso na cama deslocar-se a medida que Shiera se aproximava dele. Sentiu a mão dela em seu rosto e o rapaz suspirou no exato momento em que ela tocou os lábios contra os seus. Sentiu um arrepio lhe percorrer toda a espinha e o ar fugir de seus pulmões. Shiera prensou o corpo sobre o seu e Jon se permitiu deitar, trazendo-a consigo. Uma parte de si mesmo quis pensar sobre aquilo e se afastar. Mas outra, igualmente forte, queria apenas aproveitar o momento. Ela o chamara ali. Ela dançara com ele no banquete. Ela lhe dera a armadura do irmão e a chance de justar, como um cavaleiro de sangue nobre. Ou ao menos um cavaleiro andante... Shiera sabia o que ele era e nunca achou isso um problema. Por isso a puxou mais para perto, intensificando o beijo, deixando-se levar por instinto. Sentiu as pequenas e quentes mãos dela entrarem por baixo de sua blusa. Ela passeou os dedos finos por sua barriga, fazendo-o se arrepiar. Suspirou nos lábios dela e ousou tocar-lhe a cintura. Suas mãos a acariciaram ali e nas costelas, desejando mais contato, mais dela... mas não teve coragem para isso – Jon... – sussurrou ela em seu ouvido quando ele a beijou no pescoço e isso o atiçou inteiro. Sua boca parecia ter ganhado vida própria, querendo explorar cada pedacinho de pele dela. E por ela usar aquele vestido folgado de dormir, achar o caminho para seus pequenos ombros femininos foi absolutamente fácil – Jon... – sussurrou ela de maneira gemida e ele sentiu-se perto de simplesmente cortar o último fio de juízo que tinha – Não me desgrace, por favor... – pediu ela de maneira suplicante, deixando claro que ela não seria capaz de pará-lo caso ele resolvesse avançar. Aquele pedido foi uma adaga nas costelas, pois se sentia obrigado a respeitar, mas ainda mais tentado a avançar. Suas mãos trêmulas desceram para as coxas grossas da garota e logo sentiu a macia pele dela em suas mãos. Podia sentir a pele dela completamente arrepiada e isso só o tentava ainda mais. Levantou o vestido aos poucos, enquanto suas mãos a apreciavam com toques e apertões. E quando estava para levantar o vestido ainda mais, sentiu as mãos dela o segurarem. Sorriu no pescoço dela e se levantou para olhá-la nos olhos. Céus, nunca encontraria no mundo olhos como aqueles. Mais bonitos que qualquer joia que ele já tivesse visto. – Seus olhos são tão bonitos. – murmurou ela.

—Os meus? – perguntou ele com um sorriso bobo. Como alguém com os olhos como os dela poderiam achar outros olhos bonitos?

—Sim... – riu ela, se sentando, deixando-o de joelhos – Acho melhor... irmos embora ou... ou eu... – ela estava ofegante, o olhando nos lábios, com profundo desejo – Eu acho... eu... – ela finalmente parecia não ter algo travesso para falar.

—Sim... é o mais correto. – murmurou apesar de desejar passar a noite ali com ela. Ela é uma lady. A filha do senhor desse castelo... e eu sou apenas um bastardo. Eu não deveria ter deixado isso acontecer— Me desculpe...

—Não me arrependo de nada, Jon. – riu ela – Inclusive... meu desejo era continuar... – ela sorriu gentilmente e o beijou do mesmo modo, nos lábios – Mas o que iria pensar de mim?

—O mesmo de sempre... que está completamente louca... – respondeu com um sorriso – Como alguém como você poderia sequer olhar pra mim? – perguntou a acariciando no queixo.

—Eu já disse... eu te vi nos meus sonhos... eu não ligo para as opiniões alheias... eu não ligo pra títulos. Eu gosto muito de você, Jon... eu espero que brilhe mais do que todos, amanhã, no torneio.

—Com seu favor, como poderia perder? – perguntou sabendo que aquilo não fazia sentido. Shiera sorriu e o beijou de novo, como se não quisesse deixá-lo ir. Mas ele interrompeu o beijo e sorriu – Boa noite, milady.

—Boa noite, Sor Represeiro. – riu ela. Jon colocou as botas novamente e a olhou com desejo – Durma bem.

—Certamente sonharei com você... como poderia não dormir bem? – perguntou se levantando e guardando o lenço dela no bolso. Shiera suspirou, lhe sorrindo amavelmente e ele colocou a capa, indo para a porta. Queria com todo o seu ser ficar ali, mas não queria desonrar a garota. Por isso se escondeu bem sob sua capa e desceu os degraus, voltando para seu quarto.

**

E mais uma vez não havia sinal de Jon. Robb tentou procurá-lo entre as pessoas comuns que assistiam, mas eram rostos demais ali e ele notou que seria impossível encontrá-lo.

O torneio começou com os Cavaleiros que seriam os campeões de Lady Shiera Blackfyre. Lorde Theomar Smallwood, Lorde Utherydes Wayn e Sor Edwyn Frey, eram os campeões de Shiera Blackfyre, além, é claro, do irmão dela, Aegon Blackfyre, que usava a armadura mais impressionante que Robb já vira, cravejada com rubis e pedras de ônix, num belo desenho de um dragão negro com três cabeças. Talvez somente Jaime Lannister usava uma armadura tão impressionante.

As justas funcionariam da seguinte maneira: os participantes desafiariam um dos campeões e caso os derrotassem, tomariam seus lugares. No dia seguinte, os campeões que restassem, justariam entre si, para decidir quem era o vencedor das justas, ganhando o direito de proclamar a rainha da beleza do torneio.

Robb queria poder justar por Sansa, mesmo que ela não tivesse vindo, mas concordou em não se inscrever. Mas Jory iria duelar por Winterfell.

Jory Cassel desafiou Lorde Smallwood e o derrotou em duas tentativas. Ele continuou como campeão por quatro desafios, até ser derrotado por Sor Gregor Clegane, o homem mais alto que já tinha visto. Três cavaleiros desafiaram Lorde Wayn, mas perderam. Porém, o quarto desafiante, Humfrey Hightower, derrotou Lorde Wayn, tomando seu lugar como campeão. Porém ele foi derrubado algumas justas depois por Lorde Filip Fossoway, que acabou caindo para Sor Lyonel Beesbury. Sor Edwyn Frey perdeu na primeira justa para o Cavaleiro do Represeiro, que foi desafiado por vários cavaleiros, conseguindo manter-se como campeão.

Todos notaram que ele tinha o favor de Lady Blackfyre e todos imaginaram que essa era a prova final de que ele era Valerion Blackfyre.

Muitos cavaleiros desafiaram Aegon Blackfyre, mas nenhum foi capaz de derrotá-lo. Aegon era impressionante e parecia uma marreta ao acertar seus oponentes, quase sempre os derrubando do cavalo com poucas lanças.

Quando Jaime Lannister, o último desafiante do dia, apareceu para justar, a população vibrou de animação e expectativa. Todos queriam saber quem era o melhor entre ele e o Jovem Dragão Negro. Mas para a surpresa de todos, ele desafiou o Cavaleiro do Represeiro.

Aegon sorriu com desdém para Sor Jaime, vendo aquela atitude como medo de enfrentá-lo. Mas outros apenas viram aquilo como uma oportunidade para deixar o dia seguinte, e último do torneio, ainda mais emocionante.

—Quem vai ganhar? O Cavaleiro do Represeiro ou Jaime Lannister? – perguntou Theon, que estava animado como um garoto.

—Acredito que Lannister. Dizem que ele é um excelente lanceiro – respondeu Robb – O Cavaleiro do Represeiro é bom, mas não acho que ele poderá derrotar Sor Jaime.

Robb mirou Lorde Tywin Lannister, que olhava com expectativa para o filho, sentado com os anfitriões, junto da neta, a princesa Myrcela, que viera para assistir as justas. A única da família real que aparecera para o torneio. Robb notou que ela parecia doente de preocupação. Ela estivera torcendo pelo Cavaleiro do Represeiro, como muitas das donzelas ali, então ele não sabia pra quem ela torceria agora.

Depois olhou para os anfitriões. Lorde Haegon parecia muito interessado na justa. Shiera parecia quase tão aflita quanto a princesa. Depois olhou para os dois cavaleiros, que se cumprimentaram antes da disputa. Quando os dois competidores esporearam o cavalo para avançar um contra o outro, pareceu que todos os que assistiam prenderam a respiração. Duas lanças no peito de cada um e nenhum dos dois caiu. Na segunda tentativa, os dois se acertaram novamente no peito, e mais uma vez se mantiveram no cavalo. Na terceira tentativa, Sor Jaime acertou o elmo do desafiante, mas a lança escorregou e o golpe não foi efetivo. Em contra partida, levou outra lança no peito, mas os dois seguiam em seus cavalos.

Na quarta tentativa, Sor Jaime mirou novamente no elmo e o outro cavaleiro fez o mesmo, mas apenas um foi bem sucedido...

Sor Jaime Lannister levantou sua lança, em comemoração, sendo aclamado pelos que assistiam, enquanto o Cavaleiro do Represeiro jazia deitado no chão, provavelmente tonto demais pela pancada para se levantar. Robb percebeu que Myrcella e Shiera levaram as mãos para o rosto ao mesmo tempo, e ele concluiu que a princesa não estava torcendo pelo tio.

O Cavaleiro do Represeiro se sentou, balançando no mesmo lugar, atordoado pelo golpe. Alguns homens dos Blackfyre vieram ajudá-lo a se levantar. Como ditavam as regras, por ter caído no chão, deveria entregar seu cavalo a Sor Jaime, assim como sua armadura, a menos que pagasse um resgate por eles.

—Cavaleiro misterioso. Você lutou bravamente, mas... finalmente foi derrotado. – bradou Lorde Blackfyre com um sorriso orgulhoso – Poderia retirar o elmo para que todos nós possamos aplaudir sua impecável habilidade?

Todos já gritavam o nome de Valerion Blackfyre. Muitos aplaudiam o cavaleiro misterioso. Aegon o olhava com bastante orgulho também e Shiera olhava com tanto carinho que era de se espantar que ela não fora até ele abraçá-lo.

Então o cavaleiro tirou o elmo e os cabelos suados da testa. Os cabelos negros e não loiros. Os gritos cessaram e todos pareceram muito surpresos. Não era Valerion Blackfyre, o misterioso Cavaleiro do Represeiro. Até Lorde Blackfyre parecia surpreso. Ele olhou para a filha e então para o cavaleiro. Robb o olhava em completo choque. Mirou o pai, que também parecia muito surpreso.

—Desculpe pela surpresa, papai. – riu Valerion saindo do meio da multidão e indo para junto de Jon. Jon Snow, seu meio irmão – Por favor, aplaudam Jon Snow, filho de Lorde Eddard Stark, que participou do torneio em meu nome, já que eu me machuquei. Aplausos! – gritou ele e a multidão aplaudiu em delírio. Robb aplaudiu e gritou orgulhoso de seu irmão. Theon fazia o mesmo. Seu pai aplaudia com um sorriso simples de quem estava zangado, mas orgulhoso. O povo aplaudira mais Jon do que Jaime, que o havia derrotado – Diga-me, Jon. Você não venceu o torneio... mas quem é a mais bela de todas?

Jon se virou para Shiera e sorriu para ela.

—Shiera Blackfyre, a mais bela donzela do mundo inteiro. – respondeu ele com um sorriso no rosto.

Todos aplaudiram e uivaram, com assovios e vivas. Shiera sorria para Jon como se não visse mais ninguém além dele e Jon a olhava de volta, da mesma maneira. Robb baixou os olhos ligeiramente preocupado. Seu irmão estava apaixonado, qualquer um podia ver aquilo. Só podia torcer para que ele não acabasse magoado e que Shiera estivesse certa sobre o pai.

Lorde Haegon encerrou o dia de justas e então todos começaram a voltar para seus acampamentos. Mas Robb, Theon e Lorde Eddard andaram até Jon, que conversava com Valerion, Aegon e Jaime Lannister.

—... Não se preocupe, Sor Jaime, terá seu resgate. Sei bem que a coroa anda precisando de alguns dragões de ouro, não é? – perguntou Aegon com um tom muito ácido. Jaime deu um sorrisinho insolente para ele.

—Você gosta de se gabar... deveria fazer isso depois de me derrubar do cavalo. – riu ele.

—Teria, mas preferiu enfrentar aquele que julgou ser meu irmão caçula. – devolveu Aegon – Faço questão de pagar cada dragão de resgate, afinal, se você não cair antes, vai ter que me pagar de volta amanhã, quando eu lhe derrubar do cavalo.

—Desculpe pelo meu irmão, Sor Jaime. Ele tem a cabeça quente. – riu Valerion – Mas se me permitir, gostaria mesmo de pagar o resgate pela montaria e pela armadura. Gosto muito de ambas. E Jon, não fique assim. Você conquistou muitas armaduras e cavalos. Podemos negociar o investimento que fiz em você e certamente poderá ficar com alguns dos espólios.

—Não, sor. – murmurou Jon – Nada que ganhei me pertence. Eu nem poderia competir se não tivesse... – mas então Jon os viu chegar e baixou o olhar.

—Eu não sabia que você era bom assim, Jon! – disse Theon – Da próxima vez não faça segredo com a gente!

—Desculpem, mas eu pedi segredo a ele. – riu Valerion – Podemos acertar o valor do resgate, Sor Jaime? – perguntou o rapaz se virando para o cavaleiro de manto branco.

—Claro. Podemos negociar. Pode vir comigo? – perguntou Sor Jaime olhando arrogante para todos – Vejo que com você dá pra conversar.

—Conversaremos amanhã, Regicida. – provocou Aegon – Com nossas lanças!

—Mal posso esperar. – devolveu Sor Jaime, com desdém.

Aegon sorriu com escárnio e se voltou para Jon.

—Você me enganou, Snow. Você justa muito bem. Teria um bom futuro em torneios. Deveria pensar nisso. – Aegon olhou para Lorde Stark e sorriu de maneira atrevida, como sempre – Lorde Stark. – disse num cumprimento. Para Robb e Theon ele apenas deu um aceno de cabeça – E Jon... – ele se voltou para Jon, que o olhou curioso – Mantenha as mãos longe das saias da minha irmã. Eu notei muita intimidade entre vocês. A menos que vá entrar pra família... comporte-se. – ele não disse isso de maneira ameaçadora, mas de um jeito divertido, como Theon costumava falar. Mas Jon corou absurdamente assim mesmo.

Aegon se virou e saiu, indo em direção ao castelo. Robb e o pai olharam para Jon, que parecia apenas um garoto, prestes a levar uma bronca por ter aprontado alguma coisa.

—Você foi bem, Jon. – murmurou seu pai.

—Desculpe, Lorde Stark... eu deveria ter... – começou Jon, mas seu pai fez sinal para que ele se calasse.

—Vamos nos preparar para o banquete. Todos vocês. E espero que não continue se esgueirando para fora do quarto essa noite. – disse Lorde Eddard e Jon ficou ainda mais constrangido, olhando o chão, com os olhos esbugalhados.

**

Eles tiveram um lugar de honra, na mesa de Lorde Blackfyre, que quis conversar com Jon e com Lorde Eddard. Robb ficou ao lado de irmão, entre ele e Shiera, sabendo que ambos desejavam que ele estivesse a um lugar de distância. Mas era o lugar que lhe tinham reservado, então não havia o que ser feito.

Muitos Lordes e Sors vieram cumprimentar o senhor seu pai e Jon pelo desempenho nas justas e Robb ficou feliz por ele. Jon sempre era um tanto esquecido, era bom que ele fosse um pouco protagonista naquela noite.

Depois do banquete, Lorde Haegon perguntou por que Jon ainda não convidara Shiera para dançar e Jon prontamente o fez. E dessa vez os pretendentes da donzela deixaram que os dois dançassem mais de uma música. Mais tarde Lorde Haegon pediu que tocassem Rains of Castamere em honra a Lorde Tywin e Shiera cantou mostrando que além de bonita, tinha também uma linda voz.

—Ainda não escolheu um marido para sua filha? – perguntou Tywin olhando interessadamente para ela – Não está mesmo pensando em casá-la com quem vencer o torneio, está?

—Eu nunca disse que faria isso. As pessoas deduziram por si só. – defendeu-se Haegon – Mas não, ainda não pensei em um marido. Mas certamente comecei a busca por um pretendente. Por que mais faria esse torneio? – perguntou ele pegando um pedaço de javali – Sua neta é bem bonita, Tywin. Jaime pretende coroá-la Rainha da Beleza caso vença?

—É claro. – riu Jaime Lannister – Sinto desapontá-lo, Lorde Blackfyre, mas Myrcella será coroada e não sua filha.

—Eu duvido muito disso, Sor Jaime. – riu Aegon com descaso – Teria que me derrotar primeiro.

—Ou você que precisaria me derrotar, ou derrotar Sor Gregor. Quem Sor Lyonel Beesbury irá coroar caso a improvável hipótese de se consagrar campeão aconteça? – perguntou Sor Jaime. Sor Lyonel Beesbury se viu encurralado entre quem paparicar e sorriu nervosamente.

—A hipótese é tão improvável que nem mesmo pensei nisso. – disse ele por fim quando ninguém desistiu que ele respondesse – Como serão decididas as justas de amanhã?

—Bem. Primeiro teremos o final do torneio dos arqueiros e do torneio de espada. As justas acontecerão duas horas antes do por do sol, para finalizar o torneio e congratularmos os vencedores. – explicou Lorde Blackfyre – Creio que colocarei um par de bolas de vidro de cores diferentes. Aqueles que pegarem as bolas de mesma cor, duelarão.

Sor Lyonel Beesbury olhou de Jaime, para Aegon e então Sor Gregor, antes de suspirar, parecendo um tanto doente. Robb deu um sorrisinho e olhou para Jon, que bebia um pouco de vinho, também sorrindo. Depois olhou para o lado e viu Shiera sorrir da mesma maneira. Sor Lyonel estava completamente perdido naquele final de torneio.

—Foi um excelente banquete, Haegon. Mas eu acho que está na hora de me retirar. – murmurou Tywin.

—Ainda está cedo, Tywin! Fique mais um pouco.

—Não. – respondeu o homem, secamente, se levantando.

—Eu acho que está na hora de nos retirarmos também, não acha, princesa? – perguntou Sor Jaime.

—Oh, tio. Apenas mais um pouco, por favor? – pediu Myrcela.

—Sor Jaime. Me permita dançar uma música com Vossa Graça, antes do fim do banquete? – perguntou Valerion com um sorriso gentil – Se Vossa Graça aceitar, é claro.

—Oh. Sim! Eu adoraria, Sor Valerion.

—Sem “sor”, por favor. – riu Valerion – Eu sou apenas um escudeiro ainda.

—Acho que é uma boa hora para últimas danças, então. – suspirou Haegon – Shiera, por que não dança agora com o jovem lobo aqui? – perguntou o homem se levantando e colocando as mãos nos ombros de Robb – Eu aproveitarei para conversar com nosso “Cavaleiro do Represeiro”.

—Se importa de me acompanhar numa dança, Robb? – perguntou Shiera.

—Seria um prazer, milady. – respondeu Robb.

Os dois se levantaram e foram para o meio do Salão, dançaram próximos da princesa Myrcela e Valerion. Robb mirou Haegon de canto de olho e notou que Shiera fazia o mesmo. Ele tinha puxado Jon para uma conversa.

—O que ele quer com Jon? – perguntou Robb.

—Armá-lo cavaleiro, talvez? – perguntou ela – Sor Jon. – riu ela – Acha que ele aceitaria? – perguntou Shiera.

—Se isso permitisse que ele ficasse com você, não vejo motivos para se negar. – respondeu sem pensar. Shiera sorriu, olhando para ele e Robb seguiu dançando.

—Acharia ruim se eu me casasse com seu irmão? – perguntou ela.

—Não... a menos que o fizesse infeliz... mas eu não imagino como isso seria possível. – respondeu Robb, mais uma vez sem pensar. Tinha bebido mais vinho do que deveria e sentia-se levemente idiota – Quem seria infeliz ao seu lado?

—Robb. – riu ela – Está me cortejando? Achei que não faria isso.

—Não estou fazendo isso. – riu Robb. Shiera suspirou e os dois seguiram dançando em silêncio, escutando as risadinhas que a princesa Myrcela dava ao dançar com Valerion.

Muitos minutos depois, se despediu de Shiera e foi ao encontro de Jon, que voltava cabisbaixo. Shiera o olhou, mas Jon não a olhou de volta. Ele simplesmente seguiu para fora do salão. Robb mirou Theon, se perguntando o que Haegon teria dito. Provavelmente o que qualquer lorde diria ao ver um bastardo cortejando sua filha.

Os Stark se despediram e rumaram até o quarto. Jon estava mirando a janela, com um olhar perdido.

—Jon. Está tudo bem? – perguntou o senhor seu pai.

—Eu ainda estou muito... eu ainda não sei dizer. – respondeu Jon.

—O que Haegon disse? Ele foi... – começou Robb.

—Ele foi surpreendente. – murmurou Jon – Eu imaginei que ele iria me repreender, ou mandar que eu ficasse longe de lady Shiera, mas...

—Ele te ofereceu a mão dela? – perguntou Robb, enquanto seu pai apenas observava e ouvia.

—Ele me ofereceu a chance de me tornar alguém... – murmurou Jon – Ele me fez uma proposta. Ser cavaleiro dele, servi-lo, jurar lealdade... e então, se o interesse ainda estivesse lá depois de um ano, ele me casaria com Lady Shiera...

—Mas você se recusou. – murmurou seu pai. Não foi uma pergunta. Ele afirmou.

—Eu pertenço ao norte. – murmurou Jon – Lorde Haegon queria que eu ficasse aqui. Como cavaleiro dele. – suspirou Jon – Mas eu... eu acho que seria ser muito diferente de mim mesmo.

—Mas... – começou Robb.

—Você fez bem, Jon. – disse seu pai e Jon o olhou surpreso, assim como Robb – Tomar uma decisão dessas levado por um sentimento que você ainda não entende direito seria errado. – explicou ele – Deixe o tempo amadurecer o sentimento, ou apagá-lo e então você saberá o que fazer.

No dia seguinte, Jon assistiu as justas com eles. Sor Jaime derrubou Sor Gregor Clegane depois de nove lanças. Aegon derrotou Sor Lyonel Beesbury em duas. Theon perdeu a competição de arco para Lady Shiera, que fincou flechas perfeitas nos alvos. Thoros de Myr venceu o torneio de espadas.

E no final da competição Aegon derrotou Jaime Lannister depois de dez lanças. Ele coroou a irmã como rainha da beleza e nem mesmo as feições tristes de Shiera puderam deixá-la menos bonita.

No fim do torneio, Shiera não veio se despedir deles e eles voltaram para o Norte no dia seguinte. Jon não voltou a falar de Shiera Blackfyre desde então. Robb e Theon concordaram em fazer o mesmo.

E um ano depois daquele torneio Jon Arryn morreu. A notícia chegou através de um corvo, que veio avisar que o rei estava vindo para o Norte, com toda sua família, além de vários membros da corte e outros nobres.

Notas finais
*O torneio foi baseado no primeiro torneio que Sor Duncan, o Alto participa, relatado no livro O Cavaleiro dos Sete Reinos - conto do Cavaleiro Andante. *Num torneio de justas, algumas vezes contam-se o número de lanças quebradas. Mas se o cavaleiro cair do cavalo, ele perde automaticamente. *Lorde Blackwood e Lorde Bracken realmente se odeiam nos livros. E suas famílias realmente são inimigas há mais de mil anos. *As curiosidades sobre Winterfell são verdadeiras, assim como o tamanho exagerado de Harenhall. *A dança é mais ou menos assim: https://www.youtube.com/watch?v=U0pvYGR0LMA *O próximo capítulo começa com Rei Robert chegando a Winterfell! Beijos