Blackfyre

9 Segredos Entre Mãos Trêmulas


Notas iniciais
Oi, amores!!! Espero que gostem do capítulo. Eu gosto muito dele! Comentem, por favor, ok? Com seis comentários eu posto o próximo capítulo Super beijos! #PartiuLer

Segredos Entre Mãos Trêmulas

Bateram duas vezes na porta e simplesmente entraram. Valerion sentia o estômago contorcer-se de nervosismo. Levantou os olhos para o pai e depois para os que entravam. Ficou de pé, imediatamente, se curvando, mantendo os olhos baixos. Seu pai já estava de pé, então apenas se curvou rapidamente, mirando a rainha. Ela vinha com dois guardas da guarda real, mais quatro homens da casa Lannister.

—Ouvi que estava deixando Porto Real, Lorde Haegon. – disse a rainha, com aquele olhar vitorioso e um sorrisinho irritantemente parecido com o de Joffrey. Céus, como odiava Joffrey – Por que?

—Estou há quase um ano fora de casa. – respondeu o senhor seu pai – Minha filha está em Winterfell... – seu pai suspirou – Eu fiquei apenas para jurar lealdade a Joffrey e então partir. – disse seu pai.

—Mas seu filho pretende ficar, não é? Afinal... ele está prometido a Myrcela. – disse Cersei de maneira triunfante – Tenho certeza que adorará morar aqui, Valerion. – adicionou ela com um sorriso gentil. Seu pai lhe lançou um olhar e Valerion franziu o cenho.

—Eu sou um Blackfyre, herdeiro de Harrenhal. Meu lugar é lá, Vossa Graça. – disse confiante. A rainha não gostava mais dele, não desde o incidente com o lobo – Honrarei meu compromisso com Myrcela, claro, mas não agora. Ela ainda é muito jovem. – disse calmamente.

—Mas eu desejo que fique. – disse a rainha com falsa ternura – Não vai me negar esse pedido, vai, Lorde Haegon? Eu não quero Myrcela morando em Harrenhal... seu filho será muito bem vindo aqui e poderá viver aqui até o fim dos dias... na corte, com uma posição de honra.

—Nós tínhamos um trato, Cersei. – murmurou seu pai, muito sério e Valerion franziu o cenho novamente, como se estivesse confuso – Valerion iria voltar para Harrenhal comigo. Ele é meu herdeiro.

—Mas eu acho que é uma honraria ainda maior viver aqui, na corte, não acha, Lorde Blackfyre? – perguntou a rainha – Um convidado de honra. Fará companhia a Joffrey. Os dois têm idades próximas, podem ser amigos. Amizades são coisas importantes, ainda mais em momentos como esses. – disse a rainha, calmamente, como se estivesse com tudo sob controle – Não me faria a desfeita de recusar essa honraria. Eu poderia me ofender. – riu ela passando a língua no canino.

Valerion viu seu pai olhar sombriamente para ela. Eu vou virar um refém, como meu pai disse que eu iria virar e eu tenho que fazer a rainha e os Lannisters acreditarem que eu luto por eles...

—Cersei, você... – começou seu pai.

—Pai. – cortou Valerion – Está tudo bem. Eu não queria deixar a corte de qualquer maneira. – disse ele tranquilamente e seu pai o olhou parecendo surpreso. Até onde era encenação, ele não soube dizer – Você não deveria recusar essa honraria de qualquer maneira. Eu fico, sem problemas.

—Valerion, você... – começou seu pai.

—Está tudo bem, pai. – disse mais uma vez – Será uma honra pra mim.

Seu pai o olhou preocupado e concordou com um aceno de cabeça. Então ele olhou para Cersei, que sorria vitoriosa. Valerion andou até o pai, que o abraçou apertado e sussurrou em seu ouvido.

—Tome muito cuidado, filho.

—Está bem.

—Deixarei metade das forças aqui, com você. Assim como três navios mercantes e um dracar. Estarão sob seu comando. – disse seu pai muito sério. Valerion concordou com um aceno de cabeça – Continue praticando suas habilidades de compra e venda. Você leva mais jeito pra isso do que seu irmão... mandarei trazerem suas coisas de volta, está bem? – perguntou o pai lhe olhando com intensidade nos olhos. Mais uma vez me despeço dele, sem desejar isso. Mais uma vez não me sinto pronto para ficar sozinho, mas mais uma vez terei que lidar com isso... Pedra do Dragão não foi nada perto do que vou enfrentar aqui...— Seja um bom garoto. Tente aprender com Tywin o máximo que puder. Ele é um dos maiores homens de Westeros.

—Certo.

Seu pai lhe abraçou de novo e Valerion o escutou suspirar. Em seguida seu pai o soltou, pegou sua bolsa, fez uma reverência a Cersei e saiu. Foi quando notou todos os outros soldados Lannisters do lado de fora. Cersei se preparara pro caso de seu pai se negar a deixá-lo ali. Mal sabia ela que esse fora o plano dele desde o início.

Valerion observou seu pai se afastar. Teria apenas trinta soldados. O restante voltaria com seu pai para Harrenhal, onde ele pegaria mais soldados e então iria buscar sua irmã Shiera.

O lobo gigante vai morrer. Meu pai viu os lobos morrendo. Ele não vai deixar Shiera com os Stark.

Valerion olhou para a rainha, que sorria para ele com o mesmo semblante vitorioso de sempre.

—Eu gostaria de deixar algo claro, Valerion. – riu ela o olhando com aquele sorriso cruel – Eu não me esqueci do episódio do lobo gigante.

—Nem eu, Vossa Graça. – respondeu calmamente. Ele não perderia tempo tentando cair nas boas graças de Cersei. Iria esperar Tywin voltar para Porto Real. Era com ele que tinha que se arrumar.

—E eu quero que saiba que você não vai se casar com Myrcela. – adicionou ela e Valerion a olhou ligeiramente curioso – Não vou deixar acontecer com ela, o que aconteceu comigo. Casar com um idiota, que suspira pelas cadelas do norte.

—Estou aqui pra servir, Vossa Graça. Farei como preferir. – disse calmamente, ignorando a ofensa a sua donzela Sansa. Ela não é minha. Nunca foi...

—Então escute o que eu digo. Fique longe de Sansa Stark. – sibilou a rainha. Eu já estou longe dela. Meu pai me proibiu de cortejá-la, afinal ela é prometida de Joffrey.

—Claro, Vossa Graça. – respondeu tranquilamente – Me permita uma pergunta. Eu terei permissão para deixar o castelo?

—Pra que você faria isso? – perguntou ela com um sorriso divertido.

—Resolver assuntos no porto, por exemplo. Comprar alguma coisa pra mim, ou vender. Frequentar algumas ruas específicas. – disse dando de ombros – Sempre tive curiosidade com a Rua das Sedas. – disse calmamente. Mas a rainha sorriu e se aproximou. Era basicamente do mesmo tamanho que ela.

—Poderá fazer tudo isso sendo acompanhado de um de meus homens. – disse ela. Em outras palavras, estarei sempre vigiado.

—Me sentirei honrado por ter a proteção dos homens da rainha, Vossa Graça. – disse tranquilamente – Não tenho intenção de causar preocupações. Tenho nada a esconder. – adicionou comportadamente – Há mais alguma orientação que Vossa Graça deseja me dar? Farei como me for dito. – ele baixou a cabeça de maneira respeitosa – Harrenhal é sua, majestade e o Dragão Negro serve fielmente. – adicionou. Cersei deu um sorriso vitorioso e se aproximou.

—Ainda bem que ainda posso contar com alguns homens fieis. – riu ela com algum desdém.

—Só desejo servir. – repetiu.

—Ótimo. Fique longe de Myrcela e Sansa Stark. Eu ainda não confio em você... – disse a rainha logo antes de se virar.

—Vossa Graça. – chamou ele e a rainha o olhou – Não posso mesmo nem conversar com a princesa na presença dos guardas? Eu e Myrcela somos amigos. – disse calmamente. Cersei o olhou penetrante.

—Se Myrcela lhe procurar, seja educado. Mas não se aproxime dela se não for o caso.

—Sim, Vossa Graça. – disse calmamente.

Cersei sorriu de sua docilidade e saiu do quarto. Os homens que entraram com ela não a acompanharam, ficando de olho nele. Quatro soldados Lannisters muito bem armados. Se eu fosse Aegon poderia cuidar deles em um piscar de olhos... mas minhas principais arma são minha pena, minha cabeça e minhas palavras... eu preciso aprender a usá-las bem...

Se sentou e pegou um pergaminho e tinta.

—Por favor, sentem-se. Não vou sair por agora. – disse Valerion educadamente – Já que vou ficar por aqui, eu vou enviar uma carta para um dos meus contatos em Volantis, para que eu possa cuidar de assuntos comerciais daqui. – disse molhando a ponta da pena e começando a riscar o pergaminho, escrevendo em valiriano. Escrevia bem em valiriano, apesar de sua pronúncia não ser das melhores. Aquela língua era o forte de Aegon, que já fizera muitas viagens para Essos. Os soldados se entreolharam e realmente se sentaram. Gastou vários minutos ali, recontando o que tinha de moedas e calculando o que poderia vender e comprar. Estava pensando em continuar vendendo tapeçarias e sedas de Myr, assim como alguns vestidos de Lys em Porto Real. Ali tinha uma enorme demanda por esses materiais, disposta a pagar bem por elas. E ele poderia vender mais barato do que os outros comerciantes, acostumados a vender muito caro. Mas tinha outra ideia em mente. Se Renly tinha fugido com os Tyrell e desejava apoiar o irmão ou até mesmo pretendia conquistar o Trono de Ferro, as estradas para Porto Real ficariam perigosas e a comida poderia faltar. Isso poderia lhe render bastante poder e influência, se já começasse a se preparar para uma escassez de alimentos desde agora... Depois de terminar de fazer uma listas com suas encomendas, enrolou o pergaminho e preparou a bolsa de moedas. Depois se levantou e caminhou até a porta, esperando os guardas de Cersei. Não faria nada que causasse desconfianças. Deixou o castelo, feliz por ao menos poder fazer isso. Depois pegou o caminho para o porto. Logo notou que o navio de seu pai tinha acabado de zarpar, enquanto Hoster terminava de colocar seus pertences em seu navio – Hoster!

Hoster levantou o olhar e notou que estava sendo seguido por homens Lannisters e não homens Blackfyre. Viu preocupação no rosto do amigo, que colocou um de seus malões na carroça e veio em seguida se aproximando.

—Sor. – murmurou ele com mais educação do que eram acostumados a se tratar – Em que posso servi-lo? – perguntou ele.

—Eu tenho essas instruções para Zagar. – disse Valerion entregando a bolsa de moedas e o pergaminho – Espero que me traga o que combinamos na última conversa.

—Sim, senhor, Sor... – murmurou Hoster ainda olhando com desconfiança para os homens Lannisters – Onde estão os seus soldados, Sor? – perguntou ele.

—Aqui estão eles. – riu Valerion para os homens Lannisters.

—Não vejo o dragão negro neles. Apenas o leão no fundo carmesim. – retrucou Hoster – Leões não entram no meu navio. – adicionou ele de maneira insolente – Não quando você vier tomar uma cerveja com seu velho amigo Hoster, quando ele voltar de Essos. – disse Hoster. Os homens Lannisters riram com desdém.

—Eles entrarão no navio, mas não será necessário que entrem na cabine. – disse Valerion calmamente – Agora eu preciso ir. Que os ventos sejam bons e o mar seja tranquilo.

—Tome cuidado, Sor. – pediu Hoster o olhando com preocupação – Devemos retornar em um mês ou dois. – adicionou.

—Eu estarei aqui, esperando.

Ou assim eu espero...

**

Robb reconhecia a letra de sua irmã Sansa. Uma bonita letra, bem feita e firme. Parecia até uma pintura, cada uma das letras no pergaminho. Mas as palavras que elas traziam eram absurdas. Releu o pequeno pedaço de papel, enquanto Theon, Shiera e Meistre Luwin o observavam com atenção.

—Traição? – disse confuso. Sua irmã chamou seu pai de traidor. O acusou de conspirar contra o Trono de Ferro... e agora pedia para que ele fosse a Porto Real para fazer um juramento de lealdade a Joffrey. Mirou Meistre Luwin, sem conseguir entender ou acreditar naquilo – A Sansa escreveu isso? – tinha esperanças de ser algum impostor, ou qualquer coisa assim. O Meistre quem os ensinara a escrever, ele quem teria mais chances de reconhecer a letra da irmã e confirmar aquela farsa.

—É a mão de sua irmã, mas as palavras são da rainha. – disse Meistre Luwin. Shiera ficou de pé a seu lado e lhe olhou.

—Posso? – perguntou ela. Concordou com um aceno de cabeça e lhe entregou o pergaminho. Sua noiva leu o pergaminho e franziu o cenho – Você foi convocado a Porto Real para jurar lealdade ao rei. – murmurou Shiera – Enquanto isso meu pai me manda uma carta me mandando não deixar Winterfell, pois ele pretende vir me buscar... algo está muito errado.

—Você irá obedecer ao chamado? – perguntou Theon.

—Joffrey acorrenta meu pai e agora quer ser bajulado? – perguntou ultrajado enquanto sentia os olhares de todos sobre si. Era apenas o café da manhã e já tinha mais esse problema para resolver. E para ele, este parecia muito mais urgente do que brigas em tavernas.

—É um comando real, senhor. – disse Meistre Luwin, quase num sussurro. O Meistre costumava fazer isso quando lhe ensinava algo e ele estava disperso com Jon. Baixava o tom de voz para forçá-los a prestarem mais atenção. Com isso aprendeu que o baixar de voz do homem significava algo importante, sempre – Se não obedecer...

—Eu vou obedecer. – cortou Robb, furioso, imaginando seu pai acorrentado numa masmorra. Primeiro jogam Bran da janela, depois ameaçam matar as lobas de Arya e Sansa. Agora isso. — Ele me convoca a Porto Real. Eu vou a Porto Real. – disse decidido, olhando as palavras mentirosas que Sansa fora obrigada a escrever. Amassou o papel e respirou fundo – Mas eu não vou sozinho. – entregou o pergaminho ao Meistre – Convoque os vassalos. – Shiera o olhou com orgulho e Theon sorriu do mesmo jeito.

—Todos eles, senhor? – perguntou Meistre Luwin com um olhar entre o receio e a satisfação.

—Todos juraram defender meu pai, não? – questionou Robb, sentindo que nunca tomara uma decisão tão importante.

Ele era o Stark de Winterfell. Não podia simplesmente cruzar os braços. Não enquanto prendiam seu pai usando uma mentira tão absurda. Mas o fato de estar decidido e determinado não significava que estava a salvo do medo.

—Sim, juraram. – respondeu o Meistre.

—Agora vamos ver se honram suas palavras. – disse se perguntando se estava parecendo tão firme quanto desejava. Acreditou que sim, pois o Meistre sorriu orgulhoso e se afastou para cumprir a ordem.

Robb se sentou e Shiera se sentou ao seu lado. Olhou para os dois amigos e escutou Theon lhe perguntar.

—Está com medo?

Soltou um suspiro e não teve vergonha de mostrar sua mão, que tremia de nervoso, mais do que qualquer coisa.

—Devo estar. – murmurou. Shiera segurou sua mão entre as dela e sorriu orgulhosa.

—Isso é bom. – riu Theon.

—Por que? – perguntou Robb. Medo não seria uma fraqueza?

—Porque significa que você não é estúpido.

Shiera deu uma risadinha e concordou com um aceno de cabeça.

—Concordo com o que dizes. – riu ela para Theon – E se eu e Theon concordamos com algo, provavelmente é porque é verdade.

Ela e Theon sorriram um para o outro antes de olharem para Robb. O nortenho respirou fundo, nervoso.

Naquele mesmo dia, horas depois, o céu foi tomado pelo som dos corvos, que tomaram rumo para enviar as mensagens aos vassalos.

Robb e Shiera foram juntos dar a notícia a Bran, que olhou para Shiera, preocupado.

—Você vai com Robb? – perguntou ele.

—Não. – respondeu Robb, prontamente – O pai de Shiera mandou uma carta, pedindo que ela não deixasse Winterfell, pois ele viria buscá-la.

Bran soltou um suspiro, preocupado.

—Não quero que vá embora. – murmurou Bran olhando para os dois e Robb não soube com quem ele falava – Quero que os dois fiquem... mas se Robb precisa mesmo ir... Robb... – Bran o olhou com seus olhos azuis brilhantes – Leve Lady Shiera com você. Ela pode ver o futuro. – disse o garoto. Shiera deu um sorriso e beijou Bran na testa.

Robb não acreditava naquilo, mas não disse palavra.

Quando ambos deixaram o quarto dele, Shiera segurou sua mão.

—Me leve com você. – disse ela. Seus olhos violetas brilhavam de entusiasmo e ela parecia mais bela assim – Por favor, Robb. Eu sei cavalgar e ninguém é melhor com o arco do que eu. Por favor, me leve com você.

—Shiera... isso não é uma brincadeira. Não é um torneio de justas, com regras ou... não... não é como uma música... eu estou chamando o Norte para a guerra. – disse engolindo em seco.

—Eu sei. Eu não sou idiota. Me leve com você. – disse ela assim mesmo, ainda segurando sua mão – Se meu pai vier aqui e me buscar, você nunca mais vai me ver. – disse ela – Ele vai me levar para Harrenhal e... – ela engoliu em seco o olhando nos olhos e ele notou que aquela possibilidade a assustava. Não mentiria para si mesmo. A ideia de que nunca mais a veria o assustava também. Se acostumara com ela e Lady, andando lado a lado pelo castelo. Se acostumara com a risada dela, com os olhares dela, com o toque gentil dela. Engoliu em seco, ao pensar que nunca mais veria aqueles lindos olhos violetas – Robb... – ela se aproximou e ele sentiu-se tonto com a presença dela – Me leve com você. Não me deixe pra trás, por favor.

—Você não sabe o que está me pedindo, Shiera. – murmurou olhando nos olhos dela – Estamos indo pra guerra... lama, sangue, fome, sede, frio. É dormir em barracas, é viver semanas apenas de carne seca e salgada. É conviver entre homens, soldados, sem educação. São gritos de dor, lamentos, doenças... meu pai me contou sobre a guerra...

—O meu também. – cortou Shiera – Eu sei o que é. – adicionou ela – E eu também sei fazer remédios com ervas, eu sei cuidar de ferimentos. Eu sei lavar ferimentos, costurá-los e...

—Como costura seus vestidos? – perguntou com um sorrisinho e ela abriu a boca, indignada, lhe dando um tapa no braço. Ele apenas riu e ela o empurrou.

—Idiota.

Shiera se virou e ele a puxou antes que ela pudesse se afastar.

—Nada me deixaria mais feliz do que poder continuar a vê-la todos os dias, minha senhora. – murmurou no ouvido dela. Sentiu a garota arrepiar-se em seus braços e ousou beijá-la no pescoço. Shiera se virou e o encarou com seus olhos violetas – Mas eu não ousaria te colocar em perigo. – disse ele. Shiera o olhou de maneira suplicante e ele sorriu – Por que quer tanto ir? Eu mesmo não iria querer ir... mas é o meu pai.

O rosto dela pareceu ainda mais preocupado.

—Eu estou com medo. – murmurou ela.

—Medo? – perguntou a afagando no rosto. Shiera segurou sua mão e suspirou.

—Os Lannisters são poderosos demais... e se meu pai me tirar de você, eles podem obrigá-lo a lutar ao lado deles... e meu pai não terá desculpas para recusar. – disse ela – O Norte não pode contra Rochedo Casterly e Harrenhal. – disse Shiera o olhando preocupadamente – E eu não suportaria vê-lo morrer, Robb... – ela se afastou um pouco e o olhou agitada – Você é meu amigo... céus, estamos morando juntos há um ano, quase... eu não posso simplesmente...

—Shh... – murmurou Robb a puxando para um abraço – Vai ficar tudo bem...

—Não... não vai... – murmurou ela com a voz chorosa, o abraçando de volta – Não me deixe pra trás, me leve com você. – ela o olhou novamente nos olhos – Eu vou protegê-lo.

—Vai? – perguntou ele com um sorriso divertido.

—Claro que sim. – respondeu ela – Eu sou sua prometida. Um dia eu vou te dar filhos fortes e irritantes, iguaizinhos a você. – replicou ela e ele sorriu – E eu serei sempre sua e você vai ser pra sempre meu. Então temos que cuidar um do outro... mas como poderíamos fazer isso se você simplesmente deixar que meu pai me leve embora?

—Eu não posso ofender o senhor seu pai. – disse Robb.

—Mas eu posso. – respondeu ela. Ele piscou surpreso – Não me prenda aqui. Eu vou segui-lo e você pode fingir que não imaginou que eu faria isso. – disse ela. Robb deu um sorriso.

—Você não sabe no que está se metendo.

—Eu sei sim. – disse ela o olhando teimosamente – Eu sei melhor do que você possa imaginar.

Daquele dia em diante Shiera passou a ficar menos tempo com Bran e mais com ele e Theon. Ela mandou Mikken forjar uma espada para si e pediu que Robb praticasse com ela.

A princípio achou aquilo engraçado, mas ela aprendia rápido e ele notou que ela já tinha uma base.

—Meu irmão Aegon costumava treinar a mim e a Valerion. Eu não sou tão boa quanto os dois, mas sei me defender muito bem. – disse ela.

Ela não era forte e nem tinha malícia de um espadachim. Além disso ela não aguentava lutar por muito tempo, mas ela era ágil.

—Talvez seja melhor que você continue com o seu arco. – debochou Theon depois de derrubá-la no chão durante uma aula. Mas Shiera era teimosa e não desistia. Todos os dias ela praticava e Robb se acostumou a vê-la com uma adaga e uma espada, sempre, além do arco.

A cada dia que passava ela parecia mais uma nortenha do que uma mocinha bem nascida do sul. Ela bebia a cerveja do norte e comia a comida do norte. E todos os dias ela ia ao Bosque Sagrado para rezar. Ela usava as peles dos nortenhos, os vestidos da moda nortenha, quentes e fechados. Além disso, a loba de Sansa, que Valerion mandara às escondidas para Winterfell, estava sempre com ela. Se não fossem seus olhos violetas, ela poderia ser confundida com uma nortenha. Os cabelos trançados à moda nortenha, os hábitos nortenhos e até o sotaque nortenho, que ela aprendera a imitar muito bem.

E quando os vassalos chegaram ela parecia tão a vontade entre eles quanto Robb.

Shiera se sentou ao seu lado esquerdo, com o semblante sério, enquanto Bran se sentou do seu lado direito. Um lugar de honra. Lady, Verão e Vento Cinzento estavam sentados embaixo da mesa, aos pés dos três. Os lordes nortenhos logo começaram a discutir uns com os outros, pois ninguém parecia vê-lo como o senhor de Winterfell, mas como um garoto. Eles disputavam para ver quem lideraria o exército e a marcha, ignorando sua opinião.

Eu preciso ser firme ou eles nunca irão me respeitar. Eu sou o herdeiro de Eddard Stark. Eu sou o senhor de Winterfell. Eu sou o lobo gigante do Norte.

Maege Mormont, vestida de cota de malha, como se fosse um homem, disse abruptamente, o olhando com desafio.

—Você é apenas um garoto, rapaz. Um garoto verde. Tem idade para ser meu neto e não tem nada que me dar ordens. Mas acontece que você é bem bonito. Eu tenho uma neta que posso permitir que case com você. – e então ela olhou desafiadoramente para Shiera – Winterfell já recebeu mocinhas sulistas o suficiente.

—Nunca um dragão, senhora Mormont. – retrucou Shiera – Mas eu digo que se quer casar sua neta com um Stark, eu posso tentar convencer Robb a permitir que a apresente a Bran ou Rickon, se eu me afeiçoar à senhora.

E Maege Mormont riu achando graça.

—Uma língua afiada para uma mocinha bem nascida do sul. Sua espada é afiada assim também?

—Mais do que possa imaginar. – retrucou Shiera.

Mas logo a confusão voltou a rolar pelo salão, enquanto os vassalos do senhor seu pai continuavam a testá-lo, cada um à sua maneira. Tanto Roose Bolton como Robett Glover exigiram a honra do comando de batalha, o primeiro de forma brusca, o segundo com um sorriso e um gracejo.

Robb respondia da mesma maneira que seu pai falava, com fria cortesia, tentando jamais curvar os vassalos à sua vontade, sem antes escutá-los e argumentar.

—Por 30 anos tenho feito cadáveres de homens, garoto. – rosnou Lorde Umber. Shiera segurou sua perna com algum nervosismo. Mas o rosto dela era uma superfície de mármore e ele torcia para que seu rosto estivesse da mesma maneira. Colocou a mão trêmula sob a dela, escondendo seu nervosismo dos lordes que não lhe respeitavam. Confiou seu medo a ela e Shiera entrelaçou suas mãos, mostrando que também tremia, mas que não permitiria que outros além dele soubessem disso – Sou o homem que você quer liderando a tropa. – ele era grande, barbudo, forte, musculoso, com uma voz grave que ecoava por todo o salão. De aspecto feroz, com uma espada tão grande que fazia Gelo parecer uma espada normal.

Shiera apertou sua mão, lhe dando secreto apoio e Robb respirou fundo, falando de maneira firme, constante e decidida. Eu sou o senhor de Winterfell. Eles devem me respeitar e me obedecer, ou estarei perdido.

—Galbart Glover vai liderar a tropa. – disse com firmeza. Jon Umber era mesmo um grande guerreiro, mas cabeça quente e feroz demais para liderar. Galbart Glover era mais calmo e estratégico.

Umber pareceu ficar furioso e o olhou com aquela mesma fúria. Apertou a mão de Shiera com mais força ainda, tendo medo do que viria a acontecer.

—A Muralha irá derreter antes que um Umber marche atrás de um Glover! – rosnou o gigante. Robb tentou manter-se impassível. Como se nada nem ninguém o assustasse. Shiera apertou sua mão mais uma vez, por mais que o rosto dela fosse uma pintura. Uma escultura de gelo. Gelada e indiferente – Guiarei a tropa ou levarei meus homens de volta pra casa. – ameaçou ele.

Robb bufou, aborrecido, apesar de isso não impedir que se sentisse menos aterrorizado com aquela possibilidade. A Casa Umber era uma das mais poderosas do Norte. Não podia perdê-la.

Os lordes presentes na mesa ficaram em silêncio, esperando sua resposta.

—Sinta-se à vontade, Lorde Umber. – sibilou tentando parecer completamente à vontade com a ameaça do Lorde. Soltou a mão de Shiera e ficou em pé, para que todos vissem que não era um menino. Ele era um homem alto e feito. – E quando eu terminar com os Lannisters, marcharei de volta ao norte, arrancarei você de sua fortaleza e o enforcarei por perjúrio.

—Perjúrio?! – gritou Umber, parecendo completamente ofendido.

—Não escutou os seu suserano, Lorde Umber? – perguntou Shiera com sua voz constante. Ele sabia que ela estava assustada também, mas ela escondia aquilo com elegância – Ou essa palavra é difícil demais para sua cabeça simplória entender? – disse ela – Seu suserano disse que o senhor não vai liderar as tropas, resigne-se com isso.

Lorde Umber olhou dele para Shiera com ferocidade e por um momento achou que ele iria atacar. Escutou Lady choramingar embaixo da mesa, ao mesmo tempo que Vento Cinzento rosnou.

Mas Jon Umber não escutou e ficou de pé, chamando atenção para si.

—Não sentarei e engolirei insultos de um garoto imaturo e sua garotinha sulista! – rosnou ele levando a mão para a espada.

Muitas coisas aconteceram ao mesmo tempo. Outros lordes se levantaram, Shiera retirou sua adaga da cintura, também ficando de pé, Theon sacou a espada e Vento Cinzento latiu. Por um momento desejou que tivesse ensinado o comando de atacar a seu lobo, pois temeu que Grande Jon Umber viesse atacá-lo, mas Vento Cinzento não precisou de comandos. Ele subiu na mesa, a atravessando num trote rápido e avançando contra Grande Jon Umber.

Todos ficaram olhando, em choque, Vento Cinzento avançar e morder a mão de Jon, lhe arrancando dois dedos. O lobo gigante então se afastou e voltou para junto de Robb, rosnando baixinho, com a boca suja de sangue e os dedos de Jon ainda em sua boca.

Todos olharam em silêncio e Robb suspirou.

Ou eu mostro controle agora, ou estarei perdido...

—Meu pai, Lorde Stark, me ensinou que a morte vem a quem ameaça seu soberano. – disse olhando friamente para Jon Umber – Mas sem dúvidas, Grande Jon só queria cortar minha carne pra mim. – disse num tom de descontração, afagando a orelha de Vento Cinzento.

Grande Jon chutou uma cadeira, segurando a mão ensanguentada e olhou para ele com seus olhos inflamados.

—Sua carne... – rosnou ele. Todos respiraram fundo, sem saber o que aconteceria em seguida. Que os Deuses me ajudem caso ele resolva deserdar... Grande Jon olhou ao redor e então olhou para Robb. Notou que Shiera ainda segurava a adaga com um olhar concentrado e ele achou isso ligeiramente engraçado. Ela pensava que poderia atacar Grande Jon com uma adaga? – É bem dura... – terminou ele mostrando a mão sem os dois dedos, um sorriso brotando em seu rosto. O sorriso virou uma risada e Robb riu também. Shiera o olhou como se ele fosse louco. Ele a olhou de volta e riu como se nada fosse mais engraçado e outras risadas se uniram às deles. Logo até ela sorria e o salão de Winterfell foi tomado pelas risadas – Pois eu digo que esse rapaz é sim um Stark e é melhor todos vocês tratarem-no como tal e dobrarem os joelhos, a menos que queiram tê-los arrancados a dentadas!

Lorde Cerwyn disse que iria levar a filha para sul, uma mulher rechonchuda, na casa dos vinte anos, que mal levantava a cabeça.

—Para cozinhar. Ninguém nos Sete Reinos cozinha como a minha filha. – disse ele.

—Não vejo problemas, Lorde Cerwyn. – disse Shiera – Mas se eu a encontrar na cama do meu futuro marido, hei de arrancar todos os dedos dela e os Sete Reinos vão perder um pouco do sabor. – rosnou ela e Robb a olhou com um sorriso.

—Oras. Logo vemos que o jovem lobo tem uma prometida ciumenta. – riu Lorde Glover – Eu seria ciumento com ela também.

—Hunf. Eu não me arriscaria no seu lugar. – riu Theon – Robb é bastante ciumento.

—O que seu pai pensa de tudo isso, Lady Blackfyre? – perguntou Roose Bolton com seus olhos cor de gelo e sua expressão fria.

—Papai certamente preza pela minha segurança. – respondeu Shiera. Todos sabiam que Lorde Blackfyre tinha dobrado o joelho – Se Harrenhal for causar problemas a nossa marcha, tenho certeza que lidarei com ele sem maiores dificuldades.

E a cada momento que passava Robb se via mais e mais obrigado a levar Shiera consigo.

Talvez não seja a filha de Lorde Cerwyn que terei na minha cama, afinal...

—E depois de lidar com ele... teremos mais homens? – perguntou Roose Bolton – A ajuda de Harrenhal seria de extrema valia.

—Esta é uma aliança que não seríamos tolos de fazer por cartas ou mensageiros, Lorde Bolton. – disse Shiera olhando para o lorde com frieza. Mas tudo o que Robb conseguia pensar era no salão secreto do Forte Pavor que a Velha Ama contara. Um salão onde os Bolton exibiam as peles esfoladas de seus inimigos.

Colocou a mão sobre a coxa de sua prometida e sentiu a mão dela sobre a sua de novo. Ainda trêmula. Ainda assustada... como ele. Mais uma vez, um segredo apenas dos dois.

E no final do banquete, no lugar de ir para seu quarto, foi para o Bosque Sagrado, orar e pedir forças, sabedoria e sorte. Muita sorte.

Céus. Vamos enfrentar os leões... que os deuses me ajudem.

Marchou para o próprio quarto e quando entrou, sentiu o estômago dar uma cambalhota. Sua senhora estava lá, com um vestido simples, de dormir, mais curto do que qualquer vestido que ele já a vira usando, tão solto que era possível ver com perfeição o desenho dos mamilos dela por debaixo do tecido fino.

Céus, Robb... lembre-se de sua honra...

—Minha... minha senhora... – murmurou chocado. Shiera se aproximou e o puxou para um beijo.

Meses tinham passado desde a última vez que a beijara. Sua mente tentou convencê-lo de que aquilo era errado, mas seu coração dizia outra coisa e suas mãos escutaram o segundo no lugar do primeiro. A beijou de volta a pegando no colo e a levando para a cama, se afogando nos lábios dela, sentindo o calção apertar devido a seu desejo. Retirou as luvas para poder sentir a pele dela em suas mãos. Aquela pele macia e deliciosa. A apertou nas coxas, amando a textura e amando como ela tremia de nervosismo. Mais um segredo apenas dele. A beijou no pescoço, sugando a pele sensível ali, desejando baixar os beijos e prová-la inteira, por completo.

—Robb... espere... – pediu ela o empurrando de leve e ele a olhou voltando a si.

—Oh... perdão, minha senhora. – murmurou constrangido e rolando para o lado – Perdoe-me... eu não sei o que deu em mim. – murmurou a olhando, assustado consigo mesmo. Shiera estava muito corada, ele notava isso, mesmo com a pouca iluminação provida pelas tochas no quarto.

—Não há problema. Eu também não estou exatamente comportada, meu senhor. – murmurou ela. Robb suspirou, tentando, em vão, acalmar-se. Mas isso se mostrou uma árdua tarefa – Vamos partir em breve, não é? – perguntou ela se deitando em sua cama. Concordou com um aceno de cabeça, deitando-se ao lado dela. Shiera o olhou com preocupação e se aproximou um pouco, segurando sua mão entre as dela.

—Num outro tempo, um Lorde Stark e seu filho marcharam para o sul... nenhum deles regressou... e depois seu pai marchou para o sul, com as suas irmãs... e apenas o lobo de Sansa, salvo pelo meu irmão, foi capaz de voltar... – murmurou ela o olhando com preocupação – Não consigo parar de pensar que marchar para o sul seja um erro que os Stark insistem em cometer.

—Meu pai marchou para o Sul uma vez. Para enfrentar um rei. Ele voltou são e salvo. – disse Robb tentando se prender na esperança de que poderia reproduzir o feito.

—Mas ele tinha o Senhor de Ponta Tempestade com ele, assim como o Senhor do Vale... – murmurou Shiera.

—E se tudo der certo, terei Riverrun e todos os homens das Terras Fluviais.

Shiera suspirou o olhando com aqueles olhos violetas.

—Meu pai dobrou o joelho para o Trono de Ferro, mas ele é um dos homens do seu avô Hoster Tully. Ele deve lealdade a Riverrun. – murmurou ela – Eu realmente acho que posso convencê-lo a lutar por você. Então não me deixe aqui.

—Está preocupada que a filha de Lorde Cerwyn vá aquecer minha cama caso você não for? – perguntou sorrindo e Shiera o olhou com os olhos semicerrados.

—A única que vai aquecer sua cama serei eu. E só depois de fizermos nossos votos. – disse ela com determinação.

—Seu pai não vai querer te casar comigo. Meu pai disse que Lorde Blackfyre fez um juramento de nunca se rebelar contra o Trono de Ferro.

—Mas eu nunca fiz tal juramento. – disse Shiera – Nem eu, nem Aegon e nem Valerion. Valerion está em Porto Real, mas ele é esperto. Mais esperto do que eu e Aegon juntos. E Aegon está do outro lado do mar, são e salvo de Joffrey. Pela carta que Valerion me mandou, ele está reunindo forças com os Targaryen. Meus irmãos nunca iriam contra mim. E eles nunca escolheriam não lutar, também. Assim como essa não é uma escolha que eu seria capaz de fazer. – disse sua prometida se aproximando mais e ele sentiu-se perto de perder o controle novamente – Me leve com você, Robb... por favor. – pediu ela com doçura.

Sentiu as mãos dela envolverem sua cintura e o corpo dela ficar colado ao seu.

—Minha senhora... se me provocar assim, não terei forças para resistir a ti. – murmurou.

—Só não me deixes... me leve contigo. – pediu Shiera. Como eu posso negar?

—Levarei.

—Dá-me tua palavra?

—Tens minha palavra, senhora. – murmurou antes de beijá-la novamente.

E durante a noite achou que ficaria louco, pois Shiera não deixou que ele fosse até o fim, mas ele descobriu que ela era ainda mais linda sem seus vestidos bonitos do que com eles.

O Jovem Lobo estava completamente apaixonado pela jovem Blackfyre.

Quando ela o deixou sozinho, quando o sol estava para nascer, ele notou que ficaria mais louco que Aerys caso ambos não proclamassem seus votos de uma vez.

**

—Achei que os Dothraki não acreditassem em dinheiro. – disse Daenerys.

Ela já estava com a barriga bem evidente. Já passara do segundo terço da gravidez, os seios estavam maiores e inchados, e mesmo com a barriga, ela ainda estava muito bonita.

Mais ou menos bonita que Shiera? Eu não sei. Eu já não sei... acho que ainda não.

Tinham acabado de assolar uma vila, para conseguir escravos e vendê-los aos homens das Cidades Livres. Aegon gostara do exercício, apesar de que seu pai ficaria envergonhado se visse o que estava fazendo. Seus irmãos estariam ainda mais. Vendendo escravos para poder ajudar a tomar o Trono de Ferro. Estou fazendo tudo o que meu pai jurou que jamais faria...

—O ouro contrata navios, princesa. – explicou Mormont enquanto os três andavam pela vila, que estava em completo caos, com choros, fumaça e sangue. Os companheiros de sangue de Drogo vinham logo atrás deles, assim como as aias de Daenerys. Aegon notou que as três o olhavam com vívido interesse. Alguns meses atrás não se importaria de uma aventura com elas, mas a banalização de algumas coisas tinha feito com que ele perdesse o interesse... ou ao menos era o que ele repetia pra si mesmo. Minha falta de interesse nada tem a ver com a Khaleesi.— Navios que nos levarão para Westeros. – Para casa...

Tinha mais ou menos um ano que tinha deixado sua casa... mas parecia ter sido em outra vida.

Pararam em frente a uma cerca cheia de prisioneiros, onde um grupo Dothraki se revezava para estuprar uma mulher. Aegon virou o rosto, desgostoso com aquilo. Se habituara com os saques, a escravidão e com as lutas... mas nunca se acostumaria com todo o estupro que acontecia após saquearem uma vila. Algumas vezes se sentia obrigado a concordar com Viserys... os Dothraki eram um povo bárbaro.

Notou que a pequena Khaleesi olhava horrorizada para a cena. Apenas continue andando. Não tente impedir o costume desses loucos...

—Sor Jorah. Diga a eles que parem. – exigiu Daenerys e Aegon levou a mão ao cabo de sua espada. Da espada de seus antepassados, que seu pai tinha lhe entregado. A espada Blackfyre.

—Khaleesi?

—Você ouviu. – disse ela determinada. Agora ela fala como uma rainha, mas será sábio exigir isso?

—Eles deram sangue pelo Khal, Khaleesi. – disse Aegon sabendo que provavelmente teria que fazer sangrar algum Dothraki ofendido – Agora eles querem a recompensa deles...

Um companheiro de sangue de Drogo falou alguma coisa, como “é só uma escrava” e então disse alguma outra coisa que ele não entendeu. Eu deveria estudar essa língua com mais afinco... se fosse Valerion aqui, ele já estaria entendendo tudo...

—Princesa, você tem um coração gentil. – disse Jorah com delicadeza – Mas sempre foi assim...

—Não tenho um coração gentil. – disse Daenerys e Aegon não conseguiu não olhá-la sem sorrir. Você tem sim um coração gentil, Khaleesi... e um sorriso gentil e um olhar gentil. Tudo em você transborda gentileza...

Daenerys deu alguma ordem em Dothraki e Aegon olhou para os companheiros de Drogo que faziam a escolta dela. Eles foram até lá e impediram que o estupro continuasse. Jorah foi até a mulher que estava sendo estuprada e a cobriu com uma manta.

—Venha. – disse ele a levando até Daenerys – O que quer que eu faça, Khaleesi?

—Traga-a para mim. Todas as mulheres devem ser dadas a mim. – disse Daenerys.

—Não pode pedir todas, princesa.

—Ela é Daenerys, Nascida da Tormenta e herdeira legítima do Trono de Ferro... ela pode ter o que quiser. – discordou Aegon – Mas também deve saber arcar com as consequências disso. – adicionou a olhando com cautela. Daenerys concordou com um aceno de cabeça, parecendo determinada.

—Eu posso e vou pedir. – disse ela e Aegon suspirou sabendo que muitos iriam ficar bem aborrecidos com isso.

Logo voltaram para a tenda de Drogo e Aegon pode escutar os resmungos aborrecidos dos Dothraki a reclamarem sobre o que ela tinha feito. Segurou o cabo de sua espada com mais força, se perguntando se teria uma luta de verdade.

Drogo olhou para Daenerys e falou alguma coisa para ela. Ela respondeu de cabeça erguida. Drogo rebateu e Daenerys falou de novo. Ele não entendeu absolutamente nada. Mago, um companheiro de sangue começou a discutir com Daenerys e logo Drogo sorriu, falando com desdém para Mago. Eles começaram a ficar mais agitados e Aegon se colocou entre eles e Daenerys, mas Khal Drogo se levantou e começou a falar ameaçadoramente com Mago. E num instante os dois começaram a lutar. Drogo falava, enquanto Mago tentava acertá-lo com aquela arma estranha e curva, que parecia uma foice.

Mas Drogo só se feriu uma vez, desviando do restante dos ataques para então cortar a garganta de Mago, arrancando, em seguida, sua traqueia com língua e tudo. Mago despencou no chão e Drogo rosnou vitorioso.

Aegon piscou impressionado. Aquele homem não se tornara o Khal por acaso.

Mas o peito dele sangrava quando ele voltou a se sentar. Daenerys correu até ele e os dois conversaram. Enquanto Daenerys parecia desesperada, Drogo parecia achar até graça. Ela o ama...

E ele se sentiu muito estranho ao pensar nisso. Céus, não faça isso, Aegon. Não alimente isso. Ela é sua rainha, nada mais do que isso...

Uma das escravas se meteu e todos eles começaram a falar, até que a escrava que eles salvaram do estupro começou a falar no idioma comum.

—Obrigada, Dama de Prata. – disse ela para Daenerys. Aegon a olhou com desconfiança.

—Quem é você? – perguntou Dany.

—Me chamo Mirri Maz Duur. Eu era sacerdotisa deste templo. – Um Dothraki chamado Ohos a chamou de bruxa e cuspiu no chão – Minha mãe era sacerdotisa antes de mim. – continuou a mulher. Aegon continuou a olhando com desconfiança – Ela me ensinou a fazer fumaça e pomada que curam. – ela fez uma pausa – O meu povo acredita que os homens são um só rebanho. O Grande Deus me enviou para esta terra para curar os seus... – mas o Dothraki acertou um tapa na cara dela.

—Palavras demais. – disse ele em Dothraki e Aegon entendeu. Andou até o homem e disse no idioma comum.

—Jorah, diga a este homem que se ele tocar na escrava da princesa novamente, eu cortarei a mão dele fora. – disse encarando o homem.

—Isso não é uma boa ideia. – disse Jorah.

—Eu não me importo. Eu sempre tive péssimas ideias e isso nunca me matou.

—Está tudo bem, Cavaleiro Prateado. – murmurou a sacerdotisa. Ela se virou para o homem que lhe acertara o tapa, mas Aegon se colocou entre ele e ela – Carneiro ou leão, seu ferimento deve ser lavado e costurado, ou infeccionará.

—Ela fala a verdade, Khaleesi. Já vi homens morrerem por ferimentos menores, que foram negligenciados. – disse Aegon. Daenerys olhou para Drogo com os olhos repletos de preocupação e falou com ele com a voz doce.

Seja o que for que ela tenha dito, Drogo concordou, para a surpresa de seus companheiros. A mulher se aproximou e começou a avaliar o ferimento do Khal. Ohos, o Dothraki que bateu nela, se aproximou de Aegon, o olhando de cara fechada. Aegon o encarou do mesmo jeito.

—Se o Corsário ameaçar Ohos de novo, Ohos vai cortar o pau do Corsário e fazer Corsário comer. – disse ele com um sotaque carregado, em valiriano.

Valiriano era a língua de Volantis e ele conhecia aquela língua bem como conhecia o Idioma Comum.

—Se você tocar em algo que pertence a princesa Daenerys, eu vou te apresentar a minha espada. Ela anseia por uma luta de verdade há muito. – rebateu Aegon, também em Valiriano e Ohos rosnou para ele. Aegon o olhou ameaçadoramente, mas Jorah o puxou pelo ombro.

—Não provoque os Dothraki, Aegon.

—Ele desrespeitou as... – começou, mas Jorah o olhou de um jeito que fez com que se recordasse de seu pai. Aquele olhar que dizia: eu sei mais do que você e você sabe. Aegon bufou aborrecido e recuou um passo.

—Vamos. – disse Jorah. Aegon olhou mais uma vez para Daenerys, que olhava com preocupação para o marido. O olhar dela era de puro carinho e preocupação, e ele desejou ser olhado assim por uma mulher um dia.

Mais ou menos bonita que Shiera, eu não sei... mas queria que olhasse assim para mim.

E então se repreendeu mentalmente por desejar algo tão estúpido.

Ela é sua rainha, Aegon. Um outro tipo de dragão. O dragão vermelho nasceu para reinar, enquanto o negro nasceu para servir. Ela está casada com o Khal e vai lhe dar um maldito bebê cor de bronze.

Ele suspirou pesaroso e se perguntou o motivo de se importar tanto com isso.

Mais ou menos bonita que Shiera? Não importa. Ela está muito além do meu alcance...

Notas finais
Eita. Segura essa, Robb Stark ahsuahsaus E o Aegon, heim? haushaus Vamos só ver como vai ficar tudo isso! No próximo capítulo tem... ( ͡° ͜ʖ ͡°) Suahsauhsa COMENTEM QUE EU POSSO POSTAR O PRÓXIMO HOJE MESMO!