Blackfyre

10 Lady Stark


Notas iniciais
Yeeei! Aqui está, como prometido. Mais um capítulo, já que tivemos seis comentários. O próximo capítulo vai sair na próxima sexta, dia 23, se tudo der certo! Hehehehe Beijos de açúcar pra vocês! Espero que gostem desse capítulo! =D Capítulo todo da Shiera hehehehe

Lady Stark

Catelyn cavalgava ao lado de Sor Rodrik. O acampamento nortenho logo a frente, dominando todo seu espaço de verão. A neve caía aos pouquinhos, pois já não estavam tão ao norte, o que deixava a grama verde aparecer numa grande extensão de terra.

Os homens não a reconheceram, pois a maioria eram soldados. Os principais Lordes, aqueles que ela conhecia, pois partilharam diversas vezes da mesa de Ned, provavelmente estavam com Robb, dentro da tenda principal. Quanto tempo fazia que deixara Robb para trás? Para encontrar-se com Ned, depois para ver sua irmã e descansar no Ninho... até finalmente receber a notícia do que Joffrey tinha feito e o que Robb tinha feito? Quase um ano... se perguntou como seus filhos estariam depois de todo esse tempo. Robb ainda teria cara de menino? Bran estaria mais forte? Rickon já teria crescido muito?

E como estariam suas duas meninas? Sansa e Arya? Céus, como desejava saber delas.

Um vento gelado bateu em seu rosto e vários flocos voaram em frente de seus olhos. Respirou o ar frio, sentindo-se protegida por ele e escutou Sor Rodrik falar.

—Neve de verão, minha senhora.

—Sim... Robb trouxe o Norte com ele. – disse sorrindo. Ele poderia parecer bastante com um Tully, mas Robb era um nortenho, acima de tudo. Se perguntou se ele havia se comportado com a filha de Lorde Haegon... que os Deuses tenham colocado juízo na cabeça dele...

Marcharam a passo lento, já que estavam cansados e com as ancas doloridas da viagem desde o Vale. Logo encontrou a tenda onde Robb estava e o viu com os outros Lordes do Norte.

—Os Senhores dos Rios estão voltando atrás, com Jaime Lannister em seus calcanhares. – disse seu filho mais velho, tão concentrado que nem a notou à entrada da tenda. Os cabelos dele tinham crescido e ele deixara uma barba ruiva crescer ao redor de seu rosto. Para parecer mais velho do que realmente é...— E Lorde Tywin está trazendo um segundo exército Lannister do sul. – adicionou ele parecendo preocupado – Muitos Lordes das Terras Fluviais não se juntaram aos outros Senhores dos Rios... eles esperam que Harrenhal tome algum lado.

—Peça para que sua prometida escreva ao pai. – sugeriu Roose Bolton – Se Lorde Blackfyre resolver se unir a nós, muitos outros o seguirão. Teremos melhores chances contra os dois exércitos.

—Um exército ou dois, não importa. – bradou Grande Jon – Os Reis do Norte derrotaram tropas dez vezes maiores. – Mas Robb não é um rei do norte. Ele é um garoto, apenas... foi quando Lorde Umber a notou, se levantando. Outros Lordes se levantaram e curvaram a cabeça em respeito.

Robb se virou e sorriu, parecendo aliviado.

—Mãe! – disse ele, parecendo seu lindo menino.

Mas em seguida ele se lembrou que não era apenas um garoto. Ele era Robb, o senhor de Winterfell. E isso endureceu seu rosto, enquanto ele parecia acanhado e desconfortável. Por um momento quis abraçá-lo, orgulhosa pelo tanto que ele cresceu. Por outro, queria gritar e trancá-lo em seu quarto, por estar ali, liderando ele mesmo os Lordes do Norte. Mas ela não podia diminuí-lo na frente dos outros lordes.

—Você parece bem... – murmurou sem encontrar algo melhor para dizer.

—Lady Catelyn, é uma bela visão nestes tempos perturbadores. – Disse Lorde Cerwyn.

—Não pensávamos encontrá-la aqui, minha senhora. – disse Theon com seu sorriso insolente. Como se visse piada em tudo.

—Eu não pensei que estaria aqui. – respondeu lamentando que Ned tivesse sido preso e tudo tivesse se desenrolado daquela maneira – Eu desejo falar a sós com o meu filho. – disse sentindo-se completamente aflita – Sei que me perdoarão, meus senhores.

-Ouviram-na. – riu Grande Jon – Mexam essas bundas! – disse ele caminhando para fora, com os outros lordes – Vamos, pra fora! Você também, Greyjoy. É surdo? – perguntou ele empurrando Theon, que xingou baixinho, também deixando a tenda – Não se preocupe, minha senhora. Enfiaremos uma espada no rabo de Tywin Lannister e então só a Fortaleza Vermelha nos impedirá de libertar Ned.

Grande Jon a olhou, lhe lançando um cumprimento com um balançar de cabeças, indo em seguida para junto de Rodrik, para conversar animadamente. Como se não estivessem indo para a guerra, mas para um banquete amigável.

Catelyn entrou de vez na tenda, esperando os senhores saírem. Quando ficou finalmente a sós com seu filho, o abraçou se recusando a acreditar que ele poderia estar tão alto. Aquele abraço durou muito tempo, mas não o suficiente para ela. Robb se afastou assim mesmo, ligeiramente constrangido, com um olhar culpado.

—Eu me lembro do dia em que veio ao mundo. Todo vermelho, gritando sem parar... apenas uma coisinha pequena. – disse o olhando nos olhos e segurando seu rosto, tão parecido com o de Edmure. Robb corou mais uma vez, fazendo uma careta desconcertada – E agora te encontro liderando uma tropa à guerra... – disse com censura.

Robb soltou um suspiro e murmurou.

—Não havia mais ninguém...

—Ninguém? – perguntou arqueando as sobrancelhas – E quem eram todos aqueles homens que estavam aqui?

—Nenhum deles é um Stark. – disse Robb com firmeza e ela soube que não havia o que ser feito. Ele era como Ned fora.

—Mas são homens experientes em batalhas...

—Se acha que pode me mandar a Winterfell... – começou Robb.

—Eu faria se pudesse. Mas sei que não posso. – disse com o coração pesado em seu peito. Que os Deuses me protejam. Meu filho está indo para guerra...

—Chegou... – Robb se afastou indo até a mesa – Uma mensagem de Sansa... – disse ele com profundo desgosto.

—Da Rainha, você quer dizer. – Robb voltou trazendo um pequeno pedaço de pergaminho que ela leu desgostosa – Não fala nada de Arya.

—Nem uma palavra... – murmurou Robb, apreensivo. Ela releu o papel, mas notou que aquilo só a deixava ainda mais preocupada. Se sentou numa cadeira e olhou para seu filho, que parecia muito sombrio.

—Quantos homens você tem? – perguntou.

—Dezoito mil. – respondeu ele – Mas Shiera acredita que pode conseguir mais homens com Lorde Haegon.

—Shiera Blackfyre está aqui? – perguntou surpresa. Robb sorriu e o rosto dele pareceu iluminar-se. Céus, ele está apaixonado...

—Sim. Ela disse que não me deixaria partir sem ela. Eu tentei convencê-la do contrário, mas...

—E a honra dela? – perguntou preocupada, temendo que Lorde Haegon se ofendesse.

—Intacta. – riu Robb e algo naquele sorriso fez com que pensasse que havia algum tipo de jogo entre os dois... algum tipo de jogo arriscado. Preciso afastá-la dele... ou talvez...— Lorde Roose Bolton diz que eu deveria me casar com ela antes de chegarmos a Riverrun. – disse ele – A maioria dos outros Lordes concordam com isso.

—E o que você diz? – perguntou olhando para ele. Robb sorriu de novo, com os olhos brilhantes, parecendo constrangido.

—Eu não me importaria. – respondeu ele – Ela acha uma boa ideia.

—Mesmo? – perguntou e um sorriso surgiu em seu rosto. Seu filho se apaixonou pela garota e ela se apaixonara de volta. Os Deuses são bons. Isso pode mesmo nos ajudar a formar uma aliança com Harrenhal. Lorde Haegon irá ajudar se a filha estiver casada com Robb. Principalmente com o herdeiro dele são e salvo em Essos – E já fizeram algum plano? Já tem alguma data?

Robb corou de leve e ela teve certeza de que sim.

—Íamos nos casar hoje. – disse ele.

—Íamos? – perguntou uma voz na entrada. Robb e Catelyn se viraram e ela viu Lady Shiera olhá-los com um sorriso. Ela estava bem diferente do que se lembrava. Os cabelos estavam trançados para trás, num penteado nortenho, ela usava um vestido nortenho, com as cores azul e cinza, com uma pele de lobo nos ombros. Não ostentava joias, além do colar de sempre, mas um grande lobo gigante a acompanhava, que ela reconheceu como sendo a loba que pertencia a Sansa. Shiera parecia muito com uma nortenha. Instintivamente Catelyn olhou novamente para os quadris dela. Quadris largos, que permitiriam a ela dar filhos a Robb. Muitos, se os deuses forem bons...— Por que, Robb? Está pensando em desistir?

—Não, minha senhora. – riu ele e Shiera fez uma reverência.

—Desculpe incomodá-los, mas quando escutei que a senhora estava aqui, quis vê-la imediatamente. Espero que não se importe.

Catelyn suspirou e sorriu se levantando. Preferiria conversar a sós com Robb, mas ainda teria tempo para isso.

—Desejo um casamento próspero a vocês dois... pretende voltar a Winterfell assim que consumarem o compromisso? – perguntou olhando para ela.

—Não, Lady Stark. – respondeu Shiera – Eu pretendo ficar ao lado de Robb pelo menos até alcançarmos Harrenhal, onde eu tratarei pessoalmente de meu pai... mas será mais fácil de lidar com ele se eu for a esposa de Robb.

—Você sabe no que está se metendo, querida? – perguntou Catelyn.

—Sei. – respondeu ela com confiança. Ela é mesmo muito bonita. Mais bonita do que qualquer donzela nortenha que eu já tenha visto...

—Vocês sabem o que acontece se forem até Porto Real? – perguntou ela.

—Nenhum de nós poderá sair. – respondeu Shiera e Robb concordou – Nossa melhor esperança... não... nossa única esperança... é derrotar os Lannisters em batalha.

—É, mas... – Robb suspirou, voltando a parecer preocupado. Shiera andou até ele, segurando uma de suas mãos e os dois trocaram um olhar cheio de significados – E se eu perder? – perguntou Robb, engolindo em seco.

Catelyn respirou fundo.

—Sabe o que aconteceu aos filhos dos Targaryen, quando o Rei Louco morreu? – disse olhando para Robb.

-Foram massacrados enquanto dormiam. – murmurou Robb e ela notou que ele apertou a mão de Shiera com mais firmeza. Ele busca apoio nela.

—Sob as ordens de Tywin Lannister. – concordou Catelyn – E os anos não o tornaram mais bondoso. – Robb a olhou intensamente e eles ficaram em silêncio por alguns segundos. Segundos esses cheios de tensão e preocupações – Se você perder... Seu pai morre... suas irmãs morrem, você morre... todos nós iremos morrer.

—Rains of Castamere... – murmurou Shiera, como se aquela música fosse um sinal de agouro.

—Isso mesmo. – murmurou Catelyn voltando a olhar para Robb.

Robb suspirou e em seguida deu um sorriso nervoso, como se tentasse não parecer assustado.

—Bem, então isso simplifica as coisas. – disse ele. Catelyn suspirou e sorriu, apesar de não se sentir de maneira alguma conformada.

—Eu acredito que sim. – disse ainda preocupada.

—Bem... eu vou deixá-los a sós. – disse Shiera olhando ternamente para Robb – Afinal, eu preciso me arrumar para meu casamento e... eu não tenho ninguém além da minha septã e umas duas criadas para me ajudar com isso. – disse ela fazendo careta – Lady Stark, poderia me ajudar com uns bordados depois? Eu tenho tentado o meu melhor, mas eu lamento dizer que o meu melhor nisso é um tanto medíocre.

—Não se preocupe, meu amor. – riu Robb – Ninguém irá reparar nos seus bordados. Principalmente quando a tradição de despir a noiva começar.

Catelyn viu sua futura nora corar com aquilo, logo antes de sair da tenda.

—Você sabe... poderia simplesmente não ter essa tradição... nem todos no sul a fazem.

—Ela insiste em participar de todas as tradições nortenhas. – disse Robb com um sorrisinho – Por mim, ninguém além de mim veria os seios da minha noiva.

Por um momento se lembrou de seu casamento, quando Grande Jon disse que se Ned não se divertisse com seus lindos seios, ele o faria. Peitinhos... ele disse peitinhos..

Conversou ainda mais um pouco com Robb, tentando se informar sobre as posições do exército Lannister e sobre os homens que tinham.

—No total, Tywin Lannister tem aproximadamente sessenta mil homens. – disse Robb e isso a alarmou. Era três vezes mais do que eles tinham – Mas Lorde Haegon tem quarenta mil. Além de uma frota muito maior do que qualquer outra, além da de Balon Greyjoy. – explicou ele – Se pudermos contar com os homens de Lorde Haegon, não teremos como perder.

Sempre temos como perder...

Mas concordou com isso.

Depois foi até a tenda de Shiera, onde ela se lavava numa tina. A septã dela lhe lavava os compridos cabelos negros com perfumes enquanto a garota parecia muito entediada, já que a septã lhe dava alguma bronca.

—... absurdo. Sem a permissão do senhor seu pai...

—Se eu for esperar a permissão do senhor meu pai, não conseguirei manter o fogo de Robb sob contro... – mas então ela a viu e corou – Oh, Lady Catelyn, eu...

—Tudo bem. – disse com um sorriso – Eu imagino que seja difícil. Meu filho é um rapaz muito bonito.

—Sim. – riu ela parecendo sem jeito.

—Você disse que havia um vestido...

—Uma vergonha! – ralhou a septã – Deveria ter se esforçado mais com a agulha do que com uma espada.

—Minha primeira ordem como esposa do senhor de Winterfell temporário será mandá-la permanentemente para Harrenhal. – resmungou Shiera – Estamos em guerra. Treinar meu arco e minha habilidade com a espada é muito mais importante que fazer costuras.

—Por que? Pretende lutar por uma acaso? – perguntou a septã.

—É claro que sim. – respondeu Shiera e Catelyn piscou.

—Seu dever será dar um filho a Robb. – disse pegando o vestido e vendo o quão tortos estavam os pontos. Um pouco melhor que os de Arya...

—Eu darei. Assim que engravidar, eu voltarei a Winterfell. – disse Shiera parecendo decidida.

—Achei que voltaria depois de tratar com o senhor seu pai. – ralhou a septã. Shiera soltou um muxoxo.

—Pode ser que eu chegue lá antes de engravidar. – disse ela – Mamãe levou anos para engravidar de mim e Valerion.

Catelyn sorriu olhando para ela. Havia sangue quente, aquela garota. Não sabia se era bom ou ruim. Depois mirou Lady, que estava deitada ao lado da tina.

—Ela está sempre com você? – perguntou. Shiera olhou para Lady e se sentou, para afagá-la na orelha.

—Sim, mas ela sente falta de Sansa. Eu sinto isso. – riu Shiera – Sou apenas uma dona emprestada. – adicionou ela e Lady colocou a língua para fora, como se sorrisse.

Catelyn ficou tentando consertar o vestido que Shiera tinha bordado, enquanto as duas criadas e a septã a preparavam. Viu os perfumes, os enfeites de cabelo, as joias e a manta com um dragão negro num fundo vermelho. Ela iria até Robb, usando aquela manta, mas seu filho a despiria dela e colocaria sob seus ombros delicados o manto azul e cinza dos Stark.

Ela será uma noiva muito bonita. E parece se importar de verdade com ele...

Sorriu, quase se permitindo sentir-se feliz. Sabia que Sansa ficaria super empolgada se estivesse ali. Sentiu uma tremenda saudade de todos seus filhos. Arya, Sansa, Rickon e seu pequeno Bran... seu coração apertou, lembrando-se de seu pequeno menininho, deitado, magro e fraco, sobre aquela cama, sem nunca abrir os olhos.

—Bran sente muito a sua falta. – sussurrou Shiera, como que lendo sua mente – Eu cuidei dele quando a senhora partiu. – adicionou ela abraçando os joelhos – Eu o ajudei a comer, e o fiz comer direito. Contei histórias para ele, para que ele se distraísse. O levei para cavalgar com Robb e comemos amoras na floresta. Ele é um menino maravilhoso.

Catelyn sentiu os olhos encherem-se de água e suspirou, sentindo saudades de casa. Balançou a cabeça, agradecendo em silêncio pela doçura dela e ficou feliz por saber que Robb a teria sempre ao seu lado. Que os Deuses sejam bons e permitam que os dois envelheçam juntos e felizes... que os Deuses sejam bons...

**

E então tudo aquilo pareceu uma terrível ideia. Shiera estava sozinha em sua tenda. Tinha apenas um pequeno espelho para mirar-se. Um que trouxera de Harrenhal. Estava determinada a fazer aquilo, mas não conseguia tirá-lo do pensamento, assim como não pudera tirá-lo de seu coração.

Por isso pegou pergaminho e tinta.

“Querido Jon”

Mas aquelas palavras pareceram uma traição a Robb. Não me casei. Não pronunciei os votos. Então ainda não o traí... Engoliu em seco, mirando o pergaminho. Mas quando ele receber esse pergaminho, eu já serei uma mulher casada e Robb terá consumado o casamento. Talvez eu até já esteja grávida quando a carta chegar.

Jon respondera poucas cartas. Nunca trocaram cartas de amor. Eram mais cartas contando sobre como estava Bran, Winterfell, Rickon e Robb. E ele respondia com coisas sobre a Muralha. Ela escrevera falando que Robb estava reunindo os vassalos e que partiria para guerra, mas essa carta ele não respondera... ou talvez tenha respondido, mas ela não chegou a receber.

“Eu vou me casar hoje a noite.”

Se lembrava daquela noite com Robb. Uma noite inteira de beijos e carícias, onde deixara que o Stark a visse completamente nua. Onde o deixara até mesmo tocar rapidamente seu seio.

Mas aquele momento em nada se comparava a aquela noite em Harrenhal, onde ela deixou que Jon a beijasse. Nem mesmo se comparava a aquela noite em Winterfell, onde o beijara embaixo do represeiro, no Bosque Sagrado.

“Quando você receber essa carta, saiba que eu já serei uma nortenha por casamento. Talvez até mesmo já esteja esperando um filho.”

Por um momento desejou ter permitido que Jon tivesse feito mais coisas. Queria que ele a tivesse tocado muito mais do que permitiu que Robb a tocasse. Céus... como vou fazer isso se só consigo pensar em Jon Snow? Como vou deixar que Robb se deite comigo se meu pensamento estará na Muralha?

“Mas eu preciso confessar uma coisa. Se não a meu prometido, que seja a você e apenas a você...”

Engoliu em seco querendo chorar de medo. Não tinha Aegon ali para lhe encorajar. Não tinha Valerion para lhe confortar. E não tinha seu pai para dizer que ficaria tudo bem. Não tinha a mãe para lhe afagar os cabelos e sorrir...

“Eu ainda amo você, Jon Snow. E nunca vou deixar de amar. Mas eu vou cumprir o meu dever. Eu gosto de meu prometido... talvez um dia eu o ame. Mas eu sei que jamais vou te esquecer. Então tome cuidado. Muito cuidado. Prometa-me que tomará cuidado.”

Viu uma gota cair no pergaminho e notou que uma lágrima tinha escorrido por sua bochecha. Respirou fundo, fazendo-se de forte. Repetindo para si mesma que ficaria tudo bem. Engoliu em seco e olhou mais uma vez para sua carta.

“Assinado, Lyssandra.”

Enrolou a carta e a amarrou com uma fita. Não poderia selar com vela, pois poderia se denunciar. Escreveu do lado de fora “apenas para Jon Snow”, colocou a carta contra o peito e soluçou. Engoliu em seco, respirou fundo e escondeu o pergaminho na manga das vestes. Depois foi para junto dos corvos.

—Mothor. – murmurou para o homem que era responsável pelas aves – Mande essa carta para a muralha, por favor. – o homem simples a olhou um tanto chocado, piscando muito, provavelmente a achando bela, mas não demorou para obedecer. Ficou observando o homem escolher um corvo e amarrar sua carta na pata do bicho. Só saiu de lá quando a mensagem já estava alta no céu – Obrigada. – se afastou, voltando para tenda, encontrando Lady Catelyn.

—Por um momento achei que tinha fugido. – riu ela de maneira gentil.

—Apenas precisava um pouco de ar. – respondeu aquela meia verdade. Lady Catelyn respirou fundo a olhando de cima a baixo.

—Está na hora... – disse ela. Shiera respirou fundo e concordou. Foi para junto de Lady Stark e as duas deixaram a tenda. Andaram lado a lado até um represeiro, cercado pelos lordes de Robb. Shiera sentiu um frio lhe subir a espinha e seu estômago se contorceu de nervosismo.

—Algum último conselho de última hora, Lady Stark? – perguntou ansiosa. Lady Stark seria quem a entregaria para Robb. Essa, normalmente, era uma tarefa do pai, ou de um irmão. Mas Shiera não tinha nenhuma das duas opções no momento. Então, Lady Stark, como sendo a filha mais velha do suserano de seu pai, faria isso.

—Respire. Tente ficar calma e aceite Robb com o coração aberto. Ele certamente fará o mesmo por você.

Shiera concordou, apesar de se perguntar como faria para abrir o coração para Robb, se seu coração já pertencia a Jon Snow. Os Lordes a olharam curiosos. Shiera mirou Robb, que estava de pé ao lado de Sor Rodrik e Lorde Umber. Ele estava muito bonito e ela tentou sorrir para ele, mas notou que se o fizesse, soaria falso. Portanto respirou fundo e baixou o olhar. Caminhou até o represeiro do bosque sagrado sob o olhar de todos aqueles nortenhos. Homens que ela achou selvagens demais. Quase todos com barbas densas, olhares duros e porte assustador.

De todos os lordes do norte, Lorde Bolton era o que lhe dava mais calafrios. O olhar gélido dele, o rosto muito pálido, o tom de voz baixo e as histórias sobre ele... tudo parecia perigoso naquele homem. Mas lorde Jon Umber, que era basicamente o contrário, lhe assustava bastante também, apesar de ser o mais dedicado e leal a Robb.

Quando chegaram embaixo do represeiro, Jon Umber se adiantou e perguntou.

—Quem vem até os Antigos Deuses essa noite? – perguntou ele com sua voz poderosa e grave. Shiera engoliu em seco, nervosa.

—É Shiera, da Casa Blackfyre, que vem para se casar. – respondeu Lady Stark. Sua voz não era poderosa quanto a de Lorde Umber, mas tinha uma solenidade que fazia com que todos parecessem pequenos ao redor dela – Uma mulher crescida, nobre de nascimento. Ela apresenta-se para pedir a bênção dos Deuses. Quem se apresenta para reivindicá-la?

Robb deu dois passos em sua direção. O ouviu mais do que viu, já que seus olhos estavam baixos. Respirou fundo e levantou o olhar para seu eminente esposo. Ele a olhava com ternura e sorriu quando recebeu seu olhar.

—Robb, da Casa Stark. Herdeiro de Winterfell. Quem dá a mão dela?

—Catelyn Stark. Esposa de Eddard Stark e filha de Hoster Tully, Senhor das Terras Fluviais e Lorde de Riverrun. – respondeu Lady Catelyn – Suserano de Haegon Blackfyre.

Respondeu a senhora, explicando o motivo de ser ela a levá-la até Robb.

—Senhora Shiera. Você aceita esse homem? – perguntou Lorde Umber. Robb a olhou intensamente. Respirou fundo e respondeu, o olhando de volta.

—Eu aceito este homem. – disse dando um passo na direção dele. Robb sorriu novamente e retirou seu manto. Sentiu os ombros serem atingidos pelo frio ar da noite, mas isso não lhe incomodou. Ela nunca tinha sentido realmente frio.

—Robb Stark. – chamou Lady Catelyn – Você aceita essa mulher?

—Eu aceito esta mulher. – respondeu Robb retirando o próprio manto e cobrindo seus ombros. Estava feito. Os Lordes sorriram e aplaudiram. Shiera e Robb se olharam. Ele parecia exultante, mas ela estava com medo. Medo do que seria a noite de núpcias. – Que os Deuses sejam testemunhas de nosso compromisso.

Depois disso houve um discreto banquete. Comeu muito pouco, bebendo mais do que o costume, para ganhar coragem. Os lordes de Robb comemoravam e parabenizavam os noivos e Shiera desejou estar longe dali, na Muralha.

Junto de Jon.

Fechou os olhos virando a cerveja e suspirou. Robb é meu esposo. Esses pensamentos são traições. Jon fez a escolha dele e eu fiz a minha.

Comeu mais um pouco, notando que Robb parecia, pela primeira vez desde que souberam do pai dele, verdadeiramente feliz. Ele me ama, a maioria das mulheres estaria exultante por isso. Robb a olhou nos olhos e lhe deu um sorriso cheio de carinho. Eu devo ficar feliz, também.

Sorriu para ele e sentiu a mão dele sobre a sua. Entrelaçaram os dedos, dessa vez sem que fosse em segredo. Todos viram, apesar de ninguém comentar. O tempo foi passando muito rápido e logo sentiu sua mão suar sob a dele, enquanto tremia de leve. Robb a olhou novamente e sorriu mais uma vez, para então beijar-lhe a mão. Ele se inclinou em sua direção e sussurrou em seu ouvido.

—Não se preocupe, minha senhora. Eu cuidarei bem de você. E prometo ser muito gentil.

Shiera concordou e suspirou, nervosa. Mas depois sentiu-se ligeiramente sozinha no meio de todos aqueles nortenhos.

—Robb... – murmurou. Ele a olhou atentamente – Estou com saudades dos meus irmãos... – murmurou – E do meu pai... e das minhas amigas. – ela o olhou nos olhos – Quando chegarmos a Harrenhal, posso trazer algumas delas? Para me fazerem companhia?

—É claro. – disse ele carinhosamente.

—Obrigada. – murmurou.

Logo a hora da noite de núpcias chegou. Os homens começaram a bater palmas e a gritar. Robb se aproximou mais uma vez e lhe sussurrou.

—Quer mesmo isso? Posso dispensar a tradição se desejar.

—Eu aguento. – disse determinada, mas seus joelhos tremiam.

—Muito bem, muito bem! – riu Lorde Umber, bem alto, para que todos ouvissem – Robb e Shiera falaram as palavras e agora a mocinha usa o manto do lobo gigante.

—Mas tradições são tradições! – gritou Theon levantando a caneca de cerveja – PARA A CAMA! – gritou ele e todos gritaram, fazendo coro com ele.

Sentiu Jon Umber tirá-la da cadeira como se não pesasse mais do que uma flecha. Eles a foram guiando em direção a barraca, dizendo coisas obcenas, enquanto desamarravam seu vestido. Robb era levado basicamente por seguidoras de acampamentos, pela filha de Lorde Cerwyn e pela senhora Mormont. Também o despiam ali, apesar do frio.

Loucas tradições. Loucas tradições...

Sentiu uma mão gelada e firme segurar seu vestido e puxá-lo para baixo. Olhou para o lado e viu Lorde Bolton olhando com luxúria para seus seios recém desnudos. Tentou esconder-se com as mãos, mas logo seu vestido estava nos tornozelos e havia mãos de menos para esconder tanta nudez. Lorde Glover a pegou pela cintura e ela gritou de medo e susto. Ele a levantou e outro lorde que ela não viu segurou suas pernas. Puxou os tornozelos se arrependendo por não ter deixado Robb impedir aquilo, mas não teve força para se libertar. Lorde Bolton a segurou no quadril e os Lordes a deitaram sobre suas mãos, sendo carregada por cima das cabeças deles.

—Não se aproveitem da senhora Stark, meus lordes! – gritou Theon andando ao seu lado enquanto era carregada – Ou vão se ver com Robb!

Sentiu mãos em seu corpo a apalpando, tentando tirar uma casquinha, mesmo com o aviso de Theon. Uma mão veio lhe apertar o seio e ela a esbofeteou. Outras mãos lhe apertaram as coxas e as ancas e ela sentiu-se tão assustada que teve vontade de chorar.

Se Aegon estivesse aqui, não restariam lordes nortenhos para seguirem Robb...

Escutou tantas coisas obcenas que teve certeza que até mesmo Talisa, que não era nem um pouco virgem, teria corado se estivesse em sua mesma situação. Quando finalmente a colocaram no chão, foi numa cama improvisada. Um colchão relativamente duro, que fora arranjado para seu casamento fora de um castelo. Os lordes riram e logo Robb chegou, apenas de ceroulas, enquanto ria nervosamente, tentando afastar as mãos abusadas das seguidoras de casamento de dentro do que lhe sobrara de vestimenta.

—Aproveite, Robb. Não é sempre que temos uma mulherzinha tão bonita assim na nossa cama! – brincou lorde Kastark.

—Vamos, vamos. Vamos deixar Robb enfiar o pau dele nessa donzela. – riu Lorde Umber enquanto Shiera tentava esconder a nudez com uma pele de urso que tinha ali – Coloque-a de quatro e enfie nela até não poder mais, Robb.

—Nada. Mande que ela pule nos seus quadris! – gritou lorde Ryswell – Para ver esses peitinhos bonitos balançando.

—E faça ela chupar o seu pau, Robb! – gritou Lorde Glover.

Outros lordes gritavam sugestões obcenas, como ditava a festa, mas o que mais a incomodou foi o olhar lascivo de Roose Bolton. Ele não disse palavra, apenas ficou a encarando, como se ainda pudesse enxergá-la por trás da pele de urso. Engoliu em seco, muito corada, enquanto os lordes deixavam a tenda, ainda gritando obscenidades. O último a sair foi lorde Bolton e ela não gostou nada dele.

—Me desculpe por tudo isso. – murmurou Robb, enquanto os lordes ainda davam sugestões do lado de fora. Ele se deitou ao seu lado na cama e passou a mão por seu rosto de maneira carinhosa – Mas você foi muito corajosa.

—Um dragão nunca demonstra medo. – disse repetindo o mantra de Aegon. Mesmo que fosse uma mentira. Estava morrendo de medo. Robb sorriu e lhe beijou carinhosamente. Sabia que naquele dia não poderia pedir que ele parasse. Então fechou os olhos com força, sentindo-se tensa.

Robb a fez se deitar e então tirou a calça. Olhou para o membro viril dele e sentiu mais medo ainda. Ele se enfiou embaixo do cobertor de pele urso e a puxou para si. Sentiu o membro dele lhe tocar a barriga, muito quente e duro. Sua respiração acelerou e ela sentiu-se ainda muito assustada. Robb a beijou carinhosamente a acariciando com ternura. Os gritos dos lordes cessaram enquanto ela escutava Lady Mormont e Lady Catelyn dispersá-los.

Logo sentiu-se sozinha com o marido e isso a fez relaxar. Ficou concentrada nos beijos dele em seu pescoço e tentou não gritar ou se esconder quando ele desceu os beijos para seus seios. Gostou do modo como ele os mordiscava e chupava, enquanto a acariciava na cintura ou no outro seio. Os beijos dele subiram novamente para seus lábios enquanto ele colocava o corpo sobre o seu. Sentiu os dedos dele explorarem sua pele e seu corpo, indo em direção a lugar onde nenhum homem jamais a tocara. Sentiu medo novamente, mas o carinho que ele fez ali fez o medo desaparecer.

No lugar disso, um gemido saiu de sua boca. A princípio tímido e cheio de constrangimento, enquanto ela tentava não fazer barulho. Mas quando um mais alto escapou e Robb gemeu em seguida, ela entendeu que ele gostava que ela gemesse. Então se permitiu gemer um pouquinho, o que animou as carícias dele, que se tornaram cada vez melhores.

Sentia as coxas muito molhadas e se perguntou se quando Robb viesse, seria tão gostoso como com seus dedos. Ele se ergueu de leve, interrompendo os beijos em seu pescoço, para observá-la. Teve vergonha dele, mas não se escondeu. Ele tocou seu joelho, o afastando do outro e ela entendeu que ele queria avançar.

—Não... não, por favor... – murmurou assustada e ele sorriu concordando, voltando a se deitar, para lhe dar mais beijos e lhe acariciar de maneira indecente novamente. Se fosse Jon... eu simplesmente cederia? Se perguntou. Engoliu em seco sentindo os beijos dele em seus seios. Olhou o topo da cabeça vermelha de Robb, enfeitada por aqueles bonitos cachinhos. Ele era tão bonito... mas ainda assim, ele não era quem ela sonhou que iria ser seu primeiro. Seu homem de sonhos tinha os olhos cinzentos e os cabelos escuros. Se fosse Jon, seria mais fácil... fechou os olhos e pensou no rapaz. Pensou naquele dia em Harrenhal, onde deixou que Jon a beijasse. Ele tentou tirar meu vestido de dormir, mas eu não permiti... Robb a beijou nos seios e ela desejou que fosse Jon. Ele a beijou no pescoço e ela desejou que fosse Jon. Ele se colocou entre seus joelhos e ela desejou que fosse Jon. Fechou os olhos e imaginou Jon ali e foi o que lhe deu coragem para enfrentar a situação. – Hum... – gemeu de dor ao sentir Robb preenchê-la finalmente. O abraçou, imaginando que era Jon ali, com seus cabelos escuros e beijos tímidos. Robb entrou de novo e ela imaginou o perfume de Jon. Robb cheirava a seda e perfume... apesar de ultimamente também ter cheiro de suor e de cavalo. Mas Jon cheirava a suor e ao norte. Ele tinha o cheiro do vento frio. Ele tinha cheiro de lobo. Cheiro de uma manhã ensolarada e cheia de orvalho. Não sabia explicar. Mas imaginou o cheiro ali. Imaginou que a voz de Robb era a de Jon. Imaginou que não estava naquela tenda, mas sim, em Winterfell, ou na Muralha... fechou os olhos sentindo dor e respirou fundo imaginando Jon Snow e se sentindo a pior das pessoas do mundo. Quem no mundo iria preferir um bastardo ao herdeiro de Winterfell?

Robb a beijou nos lábios enquanto a possuía lentamente. Ele provavelmente não queria machucá-la e ela foi grata a ele por isso. Mas não poderia dizer que estava gostando. Mas agora já estava feito, o casamento estava consumado e não adiantaria de nada pedir para parar. Ficou respirando fundo, escutando a respiração pesada de Robb em seu rosto, enquanto ele ia e vinha em cima de si. Mas por mais desconfortável que estivesse, Robb se esforçava para deixá-la bem, lhe dando beijos e contendo a própria vontade, para não machucá-la.

Mas logo chegou um momento onde ele não aguentou segurar-se e logo as estocadas estavam mais fortes e rápidas e ela não soube dizer se estava ruim ou bom. Havia dor, muita dor. E constrangimento... e aquele sentimento de frustração, por não ser o homem que ela desejara. Mas ela gostava de Robb e se importava com ele. Ela o achava bonito e ele estava participando do momento mais erótico de sua vida. Ele sempre tentava ser gentil, ele sempre tentava fazê-la feliz, algumas vezes até concordando com coisas que não queria, apenas para agradá-la. Então, por mais que não estivesse sendo a noite mais romântica de seus sonhos, ela começou a sentir-se bem. E seus gemidos de dor começaram aos poucos a se tornar gemidos de prazer. Algumas vezes doía e ela encolhia sobre o corpo forte de Robb, outras ela sentia-se derreter, movendo o quadril embaixo dele, tentando achar aquele ponto que lhe causava calafrios e lhe fazia arfar.

E quando Robb despejou sua semente dentro dela, Shiera sorriu junto dele, os dois suados e satisfeitos, trocando beijos e carícias.

Não foi uma noite realmente fácil. Além de vez ou outra alguém gritar algo constrangedor do lado de fora, Robb a procurou mais de uma vez para repetir o ato. Quando o sol nasceu, estava se sentindo exausta, ardida e dolorida, se perguntando se ainda dava tempo de fugir dali. Desejava nunca mais dormir com ele de novo.

Lavou-se numa tina, quando ficou sozinha, limpando o sangue que ficara em suas coxas. Se perguntou se Lady Stark viria falar com ela e torceu para que não. Ficaria constrangida se ela viesse. Ainda dolorida demais, se vestiu com a ajuda da septã, que foi até gentil, sem lhe dar alfinetadas. Colocou um vestido qualquer, pois não desejava sair da tenda. Comeu o desjejum ali, e almoçou ali. Pretendia ficar sozinha o resto do dia, mas Robb veio vê-la durante o almoço e ela temeu que ele fosse querer levá-la para a cama.

—Olá, minha senhora. – murmurou ele – Eu vim trazer uma amiga. – Shiera o olhou tentando se mexer o menos possível e viu Robb abrir espaço para Lady, que entrou timidamente. Shiera sorriu e moveu os dedos, atraindo a loba, que veio lambê-los – Como se sente? – perguntou ele se sentando ao seu lado e sendo servido imediatamente pelas aias. Elas colocaram um prato para ele, lhe ofereceram um copo de cerveja e foram oferecendo carne, figos, calda e uma torta salgada que ela tinha gostado bastante.

—Estou bem. – murmurou timidamente.

—Não quis sair da tenda... recebemos notícias sobre a movimentação dos exércitos inimigos e capturamos alguns batedores Lannisters. – disse ele comendo os figos e Shiera o olhou preocupada.

—Eles sabem da nossa localização? – perguntou surpresa – O que vai fazer com os batedores?

—São reles soldados. – disse Robb – Nenhum de nascimento alto... não servem para fazer trocas ou como reféns. – adicionou ele. Shiera concordou sabendo que isso significava que os batedores morreriam – Por enquanto estão presos... mas não posso mantê-los vivos por muito tempo ou meus lordes acharão que eu sou covarde ou que não tenho estômago.

—Mande alguém matar os dois logo.

—O homem que dá a sentença deve brandir a espada. – disse Robb, sabiamente e ela o achou muito nobre por isso – Meu pai sempre dizia isso.

—E você fez muito bem por aprender. – disse ela bebendo um pouco de cerveja. Robb suspirou e lhe informou sobre o comportamento dos senhores, como eles estavam confiantes de que Lorde Haegon pelo menos não causaria problemas caso eles precisassem passar por Harrenhal. Lorde Bolton não estava tão otimista e achava que o pai dela provavelmente tomaria aquele casamento como uma ofensa a ele, pois ele não fora consultado – Foi ideia dele, como assim ele não foi consultado? – perguntou Shiera bebendo mais um pouco de cerveja – Lorde Bolton é um homem... – ela procurou um adjetivo e Robb ficou esperando que ela falasse, mas ela apenas suspirou – Eu não gosto dele.

—Ele não é um amigo, realmente, mas a casa Bolton é uma das casas mais poderosas do norte. E ele é muito inteligente e estratégico. Eu estaria sendo tolo se o desrespeitasse.

—Eu não gostei do modo como ele me olhou ontem. – disse corando de leve, se lembrando dos olhares de Roose Bolton para seus seios, de suas mãos geladas e de como ele era estranho.

—Eu não gostei do modo de como todos eles olharam pra você. – discordou Robb se inclinando e ela o olhou – Só eu posso olhar assim pra você, agora... esposa. – riu ele lhe roubando um beijo.

Ficou preocupada com as intenções dele, mas o beijou de volta. Escutou suas aias deixarem a tenda e sentiu a mão de Robb a puxar para seu colo. Ele é meu marido. Eu devo fazê-lo feliz... por isso se deixou levar e o beijou com carinho, afinal os beijos dele eram bons. Robb lhe afagou nas costas, descendo as mãos para suas ancas, para apertá-las com desejo. Sentiu o corpo esquentar e o mordiscou no lábio. Ele sorriu e a beijou com mais intensidade a puxando para baixo, para pressionar seus corpos. Sentiu o desejo dele e seu corpo ferveu de novo. Sentiu medo e ao mesmo tempo vontade de esfregar-se nele. Uma sensação estranha que fazia com que tivesse vontade de pressionar seu sexo. Esfregou-se nele e Robb soltou um gemido rouco.

—Meu Lorde. – chamou alguém na entrada da tenda. Shiera pulou para o chão, como se estivesse fazendo algo muito errado. Era Lorde Bolton ali, que olhava parecendo ligeiramente divertido com o que tinha visto. Robb sorriu sem jeito e o olhou com um olhar questionador – Odeio atrapalhar, mas... nossos batedores voltaram. Devemos nos organizar para definir a marcha de amanhã.

—Certo. Eu já vou. – disse Robb ainda sem se levantar – Diga que eu estou a caminho.

—Certamente. – riu lorde Roose, saindo e deixando-os sozinhos.

Shiera olhou para o marido, que se levantou, lhe dando as costas, mexendo no calção. Depois ele se virou e sorriu.

—Deseja participar? Ou prefere terminar seu almoço? – perguntou ele. Shiera suspirou e sorriu.

—Estou cansada, meu senhor... prefiro ficar aqui e repousar, se não se importa. Amanhã teremos um longo dia pela frente. – respondeu ela. Robb concordou e lhe beijou os lábios, a puxando para perto. O abraçou de volta, o beijando com carinho e suspirou quando ele se afastou. Observou seu marido caminhar para fora da tenda e acabou sorrindo. Terminou o almoço e voltou a se deitar, pegando um livro para ler.

Mas sua leitura estava muito distraída, o tempo todo pensando naquele beijo, no colo dele. Seu corpo se esquentou novamente e ela se viu ansiosa pelo cair da noite. Preparou suas coisas para o dia seguinte e então foi se arrumar para receber Robb para a noite. Seu sexo estava dolorido de um jeito completamente novo. Não era desconforto pela noite anterior. Era um desconforto que passava quando ela pressionava o local.

O sol se pôs e Robb ainda não tinha voltado. O rosto dela estava quente. Seu corpo todo pegava fogo. Penteou os cabelos umas quatro vezes, para se distrair e quando seu marido finalmente voltou, pensou que pularia em cima dele. Mas foi ele quem pulou em cima de si, a puxando sedento, louco por seus beijos e toques.

E a noite seguiu facilmente, com a tenda se enchendo com o som dos dois. Seu pensamento vez ou outra a traía e ela pensava no norte, mas sentia que logo isso passaria. Sentia que o sentimento que tinha por Jon Snow era algo ingênuo e infantil, enquanto Robb lhe deixava mais adulta.

Quando terminaram, exaustos e abraçados um com o outro, o sonho veio de mansinho. Sonhou com duas torres, perto de um rio. Reconheceu o forte dos Frey e viu Walder Frey dizendo que só os deixaria passar se Robb desposasse uma de suas filhas ou netas. Mas Catelyn disse que Robb já estava casado. Então ele disse que ela poderia apodrecer esperando que ele traísse o rei Joffrey.

Abriu os olhos e escutou Robb suspirar dormindo. Se ergueu de leve, olhando o rosto dele na penumbra. Apenas algumas velas ainda permaneciam acesas. O beijou na testa e ele sorriu a colocando de uma vez embaixo de si, para beijá-la em seguida. Os dois se beijaram e beijaram e logo estavam suados e risonhos, completamente exaustos, novamente.

No dia seguinte marcharam, rumo ao Gargalo. Sentia as ancas doerem e só desejava banhar-se e descansar. Mas não abriria a boca para reclamar. Ela não desejava ser mandada para Winterfell. Seu arco estava pronto e suas flechas estavam afiadas. Ela estava pronta para a guerra e queria provar o sabor de uma batalha. Treinava sempre que podia com seu arco e com sua espada e todas as noites Robb vinha lhe arrancar gemidos de prazer. Quando terminavam estava tão cansada que parecia dormir imediatamente.

Mais alguns dias se passaram. Notava um insistente olhar de Lady Catelyn para seu ventre. Ela desejava que engravidasse logo, para garantir um herdeiro a Robb, e assim que acontecesse, querendo ou não, seria enviada a Winterfell.

—Não quero engravidar ainda. – resmungou para sua septã, que estava muito mais gentil agora que era uma mulher casada. Ela até lhe fazia os bordados em seus vestidos. Nenhum deles ostentava o dragão negro, mas sim o lobo gigante – Isso vai me atrapalhar.

—Você deve um herdeiro ao seu marido. – disse a septã.

—Se eu engravidar agora, Lady Catelyn convencerá Robb a me mandar de volta para Winterfell. – explicou olhando a septã – E eu preciso falar com meu pai, primeiro.

A septã apenas suspirou e mudou o assunto para algumas passagens do Livro Sagrado dos Sete.

Naquela noite Robb a procurou, como sempre e os dois dormiram abraçados, como sempre faziam, com ele lhe afagando o ventre, com os dedos. No dia seguinte, quando ele foi ter com seus homens sobre batedores, rotas e estratégias, Venira lhe entregou um copo com um chá verde muito escuro.

—Beba tudo. – disse ela.

—O que é isso? – perguntou curiosa. Provou um pouco e quase cuspiu de uma vez por conta do terrível gosto amargo – Quer me matar? É isso?!

—Se não for tarde demais, pode ajudar a impedir uma gravidez... mas só se já não for tarde demais e se seu ventre não for fértil demais, também. – respondeu a septã e Shiera pensou que talvez não fosse mandá-la de volta a Harrenhal se ela não quisesse.

Depois do desjejum, foi até a tenda de guerra e recebeu olhares de todos, mas não se importou, e nem Robb. Ele nunca havia reclamado por ela querer participar das reuniões. Lady Catelyn estava lá também, de todo modo.

—Por favor, continuem. – disse caminhando até Robb e ficando de pé ao lado dele. Seu marido lhe dirigiu um sorriso rápido e em seguida voltou a se concentrar em seu mapa de guerra.

—A patrulha reportou que Lorde Tywin ruma a norte. – disse Sor Rodrik – Pegando ele em terreno acidentado, o colocamos em desvantagem.

—Não! – bradou Lorde Umber – Precisamos dar a volta e quebrar o cerco de Jaime Lannister em Riverrun. Faça isso e os Senhores dos Rios se juntarão a nós.

Não meu pai e ele é o mais importante Senhor dos Rios. Empatado, talvez, com Hoster Tully, que tem o poder de convocar os outros senhores.

—Para fazer qualquer um dos dois, ou os dois, precisamos cruzar o rio. E a única passagem é pelas Gêmeas. – disse Robb olhando o mapa com atenção.

Precisaremos lidar com Lorde Frey.

—Lorde Frey controla essa ponte. – disse Shiera mirando o mapa – Ele será um problema. – adicionou ela e todos a olharam – Eu o conheço desde que nasci.

—Meu pai o chamava de Lorde “Atrasado” Frey. – disse Lady Catelyn – No Tridente não apareceu até que a batalha acabasse. – disse ela com censura e Shiera concordou, pois sabia dessa história. Seu pai algumas vezes fazia piada disso, apesar de aborrecer Lorde Walder, toda vez.

—Alguns homens levam seus juramentos mais a sério que outros. – disse Shiera – Ele vai querer fazer uma barganha para concordar em te ajudar, Robb. – adicionou ela se lembrando de seu sonho. Robb a olhou curioso, assim como todos os outros lordes – Ele vai exigir que se case com alguma filha ou neta dele.

—Mas eu já estou muito bem casado. – riu Robb.

—Sim, ouvimos todas as noites. – disse Lorde Umber antes de gargalhar, fazendo com que outros lordes o imitassem. Shiera sentiu as bochechas ferverem e Robb riu sem jeito – Mas como sabe disso, minha senhora?

Se perguntou se deveria dizer a verdade... ponderou a respeito por alguns segundos e deu de ombros.

—Eu tenho o sangue mágico de Valíria em minhas veias. Por isso eu tenho deslumbres do futuro quando sonho. Walder Frey se recusará a nos ajudar. Mas eu posso tentar persuadi-lo. – respondeu e recebeu olhares desdenhosos da maioria. Robb a olhou meio sem jeito e Catelyn não pareceu gostar também – Imagino que os Lordes de Valíria devem ter se comportado de maneira igual quando a filha de Aenar Targaryen disse que sonhou com o cataclismo que viria a destruir a cidade. – adicionou ela e alguns lordes coraram, enquanto outros seguiram achando graça.

—Bem, de todo modo, precisamos atravessar as Gêmeas... – murmurou Theon com um sorrisinho cínico – E não seria ruim ter alguns homens Frey a mais no nosso exército.

—Então, o que vai ser? – perguntou Lorde Umber – Vamos contra Jaime ou Lorde Tywin?

Robb suspirou, ponderando enquanto olhava o mapa, mas um barulho chamou a atenção de todos. Dois soldados traziam um homem que parecia terrivelmente assustado.

—Perdão, meus senhores. – disse um dos soldados – Capturamos um patrulheiro Lannister.

Theon pegou o mapa e o escondeu na mesma hora, o virando, mas Grande Jon sorriu.

—Não se preocupe, rapaz. Ele não sairá daqui com a cabeça. – disse ele e Shiera mirou Robb. Ele já tinha executado três batedores. Depois mirou o homem, que parecia ainda mais assustado.

—Onde o encontrou? – perguntou Robb, muito sério.

—Na moita acima do acampamento. – respondeu o soldado – Ele parecia estar contando.

Essa informação lhe valerá a cabeça, rapaz.

Robb deu a volta na mesa e encarou o homem, que tremia de medo.

—Quantos conseguiu contar? – perguntou Robb o olhando nos olhos.

—20 mil, talvez mais. – respondeu ele.

Shiera suspirou. Era mais do que tinham, na realidade.

—Você não precisa executá-lo, Robb. – disse Sor Rodrik – Seu pai entenderia...

—Meu pai entende a misericórdia quando há lugar para ela – E ele entende honra. – disse Robb olhando para Sor Rodrik e então para o rapaz Lannister – E coragem. – Robb pareceu pensar um pouco e então decidiu – Deixe-o ir. – seus Lordes olharam para ele com confusão e Shiera não fez diferente.

—Robb... – chamou Lady Catelyn e Robb a olhou severamente. Ele não pode ser desacatado assim... ou vão pensar que ele é estúpido e precisa ser podado e controlado! Pensou preocupada.

Mãe e filho se olharam por alguns segundos, mas Lady Catelyn baixou os olhos antes dele. Robb estava decidido. Ficou em silêncio, sem saber o que ele estava pensando. Robb não era tolo ou estúpido. Ele voltou-se para o rapaz Lannister e se aproximou mais, falando quase em um sussurro.

—Diga a Lorde Tywin que o inverno está indo encontrá-lo. – murmurou ele e Shiera achou aquilo um erro. Eles deveriam ir para Riverrun primeiro, conseguir ajuda e apoio dos Senhores do Rio. Estavam em uma grande desvantagem numérica que eles precisavam reverter – 20 mil homens do norte marchando para o sul para descobrir se é verdade que ele caga ouro. – disse ele. Shiera respirou fundo, preocupada. Sentiu o olhar igualmente preocupado de Lady Catelyn, mas as duas seguiram em silêncio.

—Sim, meu senhor. Obrigado, meu senhor. – murmurou o homem.

Robb apontou com a cabeça para saída e os soldados tiraram o batedor dali.

Lorde Umber pareceu indignado e encarou Robb... ele era tão mais alto que Robb pareceu apenas um menino.

—Está louco, garoto?! – perguntou Lorde Umber, enquanto os outros olhavam para Robb com censura – Deixá-lo ir?

Robb, no entanto, não pareceu intimidado.

—Me chamou de garoto de novo. – murmurou ele num tom calmo de voz. Isso pareceu deixar Lorde Umber ainda mais nervoso. Ele se aproximou um passo e Shiera temeu que ele fosse atacá-lo. Sua mão foi até sua espada e notou que Theon tinha feito o mesmo – Vá em frente. – disse Robb, no mesmo tom. Lorde Umber respirou fundo e olhou ao redor, notando que a maioria dos homens tinham as mãos sobre suas espadas.

Talvez tenha sido isso que o convenceu a se acalmar.

—Você tem um plano, não tem, meu senhor? – perguntou Shiera e Robb se virou para seus senhores, parecendo muito sério.

—Sim. Mas primeiro precisamos atravessar as Gêmeas. – respondeu Robb.

**

Notas finais
Sim, eles casaram. Como será que o Robb vai passar pelas Gêmeas agora, heim? E será que isso salvará o Robb do Casamento Vermelho? Será? Será? Será? Vejo vocês nos comentários! Comentem e Recomendem, ok? Beeeeijos de luz!