Blackfyre

38 Queda dos Titãs


Notas iniciais
Atrasei de novo, SOOOORRY Mas minha vida tá uma bagunça. A boa notícia é que eu arrumei meu notebook, então eu vou poder voltar a escrever! =D A má notícia é que eu não estou tendo muito tempo, então eu vou continuar postando de quinze em quinze dias. Mas, chega de delongas. Eu vou responder os comentários durante a semana, ok? Beijos! E #PartiuLer ps.: o Banner é do Haegon, mas quem o PdV é do Tywin xD

A Queda dos Titãs

Tywin Lannister estava ocupado, como sempre, tentando resolver todas as desastrosas tentativas de seus filhos e netos de manterem o reino. Não sabia qual deles era mais estúpido... ou talvez soubesse, mas lhe causava desgosto pensar que Tyrion era de fato o mais apto para administrar qualquer coisa que fosse. Ele tinha feito tudo muito bem, até desandar por conta da prostituta dele.

Mas tinha dado um jeito nela e agora tudo parecia caminhar para o caminho que desejara. Prometera que iria podar todas a intenções de Cersei, contra Tyrion, e Jaime aceitaria abandonar o Branco e voltar para Rochedo Casterly, que era seu lugar de direito.

Depois de assinar algumas ordens, como organizar a provável última colheita antes do inverno, Tywin se permitiu sentar de maneira mais relaxada, massageando a mão, que doía por passar tanto tempo escrevendo. Com um suspiro cansado, pegou cera sólida e uma vela, para selar suas ordens com o selo da mão do rei e do leão da Casa Lannister. Um lembrete para que todos lembrassem constantemente quem tinha ganhado aquela guerra.

Por mais que desejasse descansar um pouco depois, sabia que não haveria muito tempo. Com Joffrey morto, Tommen era o novo rei e precisava de instrução, para que não acabasse sendo estúpido como os irmãos. Joffrey era cruel e burro demais, a ponto de não saber lidar com ninguém. Ele seria um rei péssimo, cruel e louco, como Aerys fora. Mas Tommen... Tommen parecia que seria muito mais promissor como rei, se o afastasse de Cersei o quanto antes. Ela o mimaria e o faria incapaz de tomar decisões, dando poder demais a si mesma... e a verdade era que Cersei não era nem a metade inteligente do que julgava ser. Não... Tommen precisava de um punho firme, para ajudá-lo a se tornar o grande rei que ele tinha potencial para ser.

Depois de descansar as articulações da mão, girando-a, escutando os ossos estralarem, Tywin voltou a pegar mais uma vez a pena, voltando ao trabalho, mas o arauto bateu em sua porta, parecendo ligeiramente desconfortável. Tywin sabia o que significava. Ele tinha avisado que não veria ninguém, mas se o homem estava ali, ou era Cersei, depois de ameaçá-lo, ou era Olenna, ou era Haegon. E o velho leão não estava interessado em nenhum deles no momento. Cersei passara os últimos dias o perturbando com o julgamento de Valerion Blackfyre. As artimanhas dos Tyrell também estavam muito frescas em sua memória e a derrota para os dragões também. Valerion Blackfyre o colocara numa situação desconfortável com Oberyn Martell, com Dorne. Ele fizera Sor Gregor Clegane confessar. Confessar diante da corte, do povo comum, do Alto Septão... diante de todas as testemunhas possíveis. Só não fora um desastre completo porque Clegane não confessara quem lhe dera a ordem de executar Ellia Martell e os filhos.

Tywin Lannister suspirou, aborrecido, mirando mortalmente o arauto, que tremia sobre as próprias pernas. Um rapaz muito magro e inseguro, filho de algum nobre da Campina, que se tornara seu escudeiro na tentativa de estreitar as relações entre o Leão e a Rosa.

—Desculpe, senhor Mão... mas... mas é Lorde Blackfyre. Ele está aqui para vê-lo e diz que não pode esperar.

—A menos que ele vá arrombar a porta, é exatamente isso o que ele vai fazer. – disse voltando os olhos para o pergaminho, sem dar atenção às exigências do excêntrico lorde de Harranhal.

—Senhor... mas é que ele diz ter notícias de Sansa Stark. – explicou o jovem rapaz, parecendo fazer um tremendo esforço para manter o controle da bexiga.

Tywin interrompeu uma frase no meio ao escutar aquilo e encarou o garoto da Campina com um olhar severo e ríspido. Largou a pena e se aprumou melhor na própria cadeira, fazendo um aceno positivo com a cabeça. Aquilo poderia ser ótimo. Sansa Stark seria uma cereja perfeita para tudo. A guerra estava vencida de uma vez por todas com ela, pois a menina significava o Norte. Significava que Stannis não tinha mais aliados. Ele era a última peça naquele tabuleiro e finalmente estava encurralado. Shiera Stark não tinha mais pra onde correr, Balon Greyjoy estava morto, assim como Renly. A guerra finalmente estava chegando a um estado de irreversível vitória para Porto Real.

O arauto saiu e segundos depois Lorde Haegon entrou. Ele tinha uma barba grisalha e completa ao redor do queixo, no mesmo formato da do filho mais velho, evidenciando a semelhança entre ambos. Mas agora o Lorde Dragão havia raspado boa parte da cabeça, deixando apenas uma trança na parte de trás, dando-lhe um ar mais estrangeiro. Olhar para ele lhe lembrou os piratas de Myr, provavelmente porque na juventude, o homem tivesse sido um. Ele tinha o sorriso arrogante e travesso dos filhos, que parecia anular as muitas rugas na lateral de seus olhos brilhantes e violetas. Ele parecia estar vestido para uma ocasião solene, ainda mais pomposo que o casamento de Joffrey. Aquilo lhe pareceu estranho, mas não tanto. Lorde Haegon gostava de ostentar poder algumas vezes.

Mas o mais curioso foram os cálices e o vinho. Ficou observando o homem que se acomodou na cadeira ao seu lado e abriu a garrafa de vinho da Árvore, para deixá-la respirar. O homem suspirou e o olhou parecendo muito satisfeito e os dois ficaram algum tempo assim. Haegon Blackfyre era tão irritante quanto os filhos.

Vencido, o dragão negro riu como se estivesse se divertindo com o silêncio, e serviu o vinho para os dois. Ele deixou que Tywin escolhesse a taça que desejasse e então pegou a outra, para bebê-la de uma vez, sem hesitar, e em seguida voltar a enchê-la. Ele o olhou como se sua desconfiança para tudo aquilo fosse ainda mais divertida e Tywin resolveu provar o vinho, que se provou realmente delicioso.

Os dois homens suspiraram e continuaram em silêncio por algum tempo, novamente. Normalmente estaria irritado, mas se Lorde Haegon iria lhe dar Sansa Stark, faria aquele joguinho dele. Mas jogaria do próprio jeito. Haegon não era tolo como o filho. Ele era o mais perigoso de todos os Blackfyre, assim como Tywin era o mais perigoso dos Lannister. Duas lendas. Dois titãs. Sentados frente a frente, em silêncio, bebendo do melhor vinho do mundo, regozijando, cada um deles, suas vitórias pessoais. Haegon veria o filho casado com a princesa Myrcella e teria a chance de fazer a filha se render, levando-a de volta para Harrenhal. O garoto Stark seria criado em Porto Real, sob o olhar vigilante de Tywin. Tyrion governaria Winterfell com Sansa Stark. E caso eles tivessem um filho, o menino Stark poderia morrer de qualquer coisa, garantindo aos Lannister mais poder do que nunca antes.

O continente estaria unido sobre as garras do Leão, as asas do Dragão Negro e dos espinhos da Rosa. Nem mesmo Daenerys Targaryen seria capaz de derrotar o país inteiro. Não com Aegon Blackfyre podendo colocar uma faca em sua garganta ingênua a qualquer momento, na intenção de cair nas boas graças da própria família novamente.

Repensar tudo aquilo fez o próximo gole do vinho ficar ainda mais saboroso.

Haegon deu uma risadinha discreta e o olhou com atenção.

—Cá estamos nós. Provavelmente as duas pessoas mais poderosas do reino. – disse ele e Tywin seguiu calado – Tivemos nossos pequenos desentendimentos, mas tudo parece estar dando bastante certo, não acha? – perguntou ele e Tywin mais uma vez escolheu o silêncio, analisando o homem, tentando adiantar-se ao que ele queria. Sabia que ele pediria algo em troca, para entregar Sansa. Certamente seria mais alguma garantia da segurança de Shiera Blackfyre, ou Shiera Stark... até poderia dar uma coisa ou outra, mas Haegon não estaria tão sorridente quando deixasse o aposento da Mão – Eu sempre admirei você, por mais que sempre tivesse te achado um grande saco entediante de mau humor. – disse ele e Tywin apertou os lábios em desaprovação – Você não gosta muito de falar... já eu... eu tenho muita coisa pra falar. Coisas que você não vai querer ouvir... outras que você vai querer ouvir. Mas o que importa é que eu tenho um ponto. E para que você chegue onde quer, terá que percorrer o meu caminho. E meu caminho implica em uma boa conversa e um bom vinho. – disse ele e Tywin suspirou dando mais um gole no vinho – Clegane confessou matar Ellia, estuprá-la e matar os filhos dela. Muitos dizem que ele fez isso por conta própria... mas eu não acredito nisso. – Haegon suspirou e se esparramou mais na própria cadeira – Sabe, antes de vir aqui pedir terra para Aerys, eu tentei me informar ao máximo sobre as pessoas mais importantes daqui. Ouvi tantas boas histórias sobre você.

—Certamente nenhuma história tão fantástica quanto a sua. – disse entediado e Haegon deu uma risadinha.

—Bem, poderemos falar sobre isso se quiser... mas primeiro... me conte... como conheceu Aerys? – perguntou Haegon – Como ele era, antes de ficar louco? Soube que já foram amigos um dia. – disse ele provando mais um gole de vinho. Tywin não estava com saco para conversas sem sentido, mas não tinha como obrigar Haegon a falar sem que conversasse com ele primeiro. Daria um pouco de corda para aquela tolice.

—Foi durante a rebelião que matou o seu tio Maelys. – respondeu Tywin e para sua satisfação, parte do sorriso de Haegon morreu com aquela resposta. Maelys matara o pai do rapaz, pelo que diziam as histórias, em frente ao menino, que fugira ainda com o sangue do pai no rosto – Eu servi como copeiro do rei Aegon V e cultivei amizade com Aerys e com Steffon Baratheon. Amizades que imaginei que durariam toda a vida.

—Entendo. – murmurou Haegon curvando-se e apoiando os cotovelos sobre a mesa – Eu tive amigos assim um dia. Mas homens como nós não costumam manter amizades como essas... – adicionou ele.

—O que aconteceu com os seus amigos? – perguntou Tywin.

—Ficaram para trás. – respondeu Haegon e Tywin o olhou curioso – Chega um momento em que precisamos fazer escolhas... eu tomei as minhas, me arrependi da maioria... mas essas escolhas me trouxeram aqui e eu serei homem para encarar as consequências delas... assim como você, imagino.

—Acho que me perdi no seu raciocínio.

—Não achei realmente algo confuso.

—Não, apenas não entendo como isso pode ser relevante nesse momento. – cortou sem humor.

—Isso tem toda a relevância. – riu Haegon – Porque eu tenho reunido informações sobre você há muito tempo, Tywin, e com isso fui juntando as peças de um enorme quebra cabeça sobre você... coisas que ouvi num bar, de Meistres, nos portos, em banquetes... as muitas lendas sobre Tywin Lannister, que me fizeram bastante sentido ao analisar suas ações e estratégias. – Tywin seguiu em silêncio e apenas serviu-se com mais vinho – Por exemplo, o motivo de você ter ordenado que Clegane matasse e estuprasse a esposa de Rhaegar Targaryen. – Tywin não mudou de expressão. Muitos sussurravam sobre isso e não foi brilhantismo algum Haegon chegar a aquela conclusão – Teve algo relacionado com seu desentendimento com Aerys, sobre casar Cersei e Rhaegar, não é? – perguntou ele e Tywin escolheu o silêncio e o olhar frio – Aerys fez pouco de você e escolheu uma delicada mulher fraca no lugar de sua filha. Não deve ter sido fácil de engolir, não é? – riu ele coçando a barba e Tywin respirou fundo – Um lembrete a todos aqueles que tentassem lhe passar a perna. Você avisara a mãe de Oberyn e Ellia de que Rhaegar casaria com Cersei, mas a mulher foi melhor sucedida e o príncipe casou-se com a Martell...

—Fofocas. – disse Tywin sem dar mais atenção às insinuações do que daria a uma mosca em um estábulo.

—Fofocas. Mas que fazem sentido. – riu Haegon. O homem soltou um grande suspiro e mirou Tywin – Valerion está a caminho de Harrenhal. Você não autorizou que Myrcella fosse com ele. Uma pena. A menina está apaixonada.

—Paixões passam.

—Passam? – perguntou ele – Passam... mas amor não. E ela o ama.

—Ela o esquecerá, se for necessário.

—Por que ela faria isso? Robert nunca esqueceu Lyanna, eu nunca esqueci Rohanne e me atrevo a dizer que você nunca esqueceu Joanna...

Ao escutar aquele nome, Tywin sentiu-se mergulhado num poço de tristeza. Joanna tinha sido o grande amor da sua vida, a única que era capaz de fazê-lo sorrir. Ele a amara com tanta força que por ela poderia ter sido capaz de ser outra pessoa. Apenas para tê-la sorrindo ao seu lado novamente. Ela o fazia tolo e fazia com que ele gostasse de ser tolo. E ele a amara ainda mais por ela nunca ter tirado vantagem disso. Ela sabia que ele mataria e viveria por ela, mas ela sempre fora a melhor pessoa que poderia ter sido. Tudo o que ela queria era ver os filhos crescerem. Ela queria a família unida e forte. Ela queria que o nome Lannister significasse força, assim jamais, ninguém, poderia ameaçá-los. E eles viveram essa ilusão, até que aquele verme acabou se instalando entre eles, destruindo-os por dentro. O verme Tyrion, que ele jamais aceitaria verdadeiramente como seu.

—Myrcella fará o que for preciso que ela faça.

—Entendo. – riu Haegon bebendo mais um gole de vinho – Ela é obediente?

—Será. – respondeu rispidamente.

—Sábio da parte dela... escutei outras histórias sobre você. – disse ele mudando de assunto e Tywin bufou – E essa é minha favorita, sinceramente. –riu ele – Precisei conversar com muita gente e lidar com muita matemática, mas me parece fechar muito bem... talvez eu penas esteja vendo o que eu quero ver, e talvez isso seja um erro... mas veja bem... o que é um homem sem esperança não é?

—Quando pretende me falar sobre Sansa Stark?

—Oh, chegaremos ai. Não se preocupe. – riu Haegon – Mas primeiro eu preciso te explicar muitas coisas. Explicar como cheguei aqui, como cheguei a você, como eu vivi minha vida. E explicar os motivos dos meus atos futuros. – Haegon suspirou novamente e sorriu – Quando eu era jovem... Eu visitei Westeros, disfarçado... para todos os efeitos a casa Blackfyre tinha morrido com meu tio, então as pessoas não olhavam tão desconfiadas para mim... em minhas viagens, eu encontrei uma velha anã, nas Terras Fluviais... mais especificamente em Coração Alto, perto de Donzelarrosa... ela falava coisas interessantes se eu a recompensasse com músicas. A favorita dela era a de Jeyne de Pedravelhas. Eu lhe cantava as doces músicas e ela me cantava doces profecias... ela me disse que os dragões voltariam a Westeros. Que tinha visto um dragão regendo um castelo gigantesco, destruído por outros dragões. Mas que a cobiça dos dragões os fariam virar o rosto pra um prêmio maior... para o trono de ferro... e que essa cobiça só lhes iria trazer tristeza, arrependimento, sangue e morte. E o dragão negro só se sentaria no trono de ferro se ali fosse colocado, pois sempre que ele dissesse que desejava o trono, homens lhes lançariam flechas de fogo no peito... – Haegon suspirou – Eu era jovem, muito jovem... e imaginei que eu seria capaz de conquistar o Trono de Ferro. Eu só precisava do apoio certo.

—Estou prestes a ouvir que Aerys não era tão louco por presumir que você queria conquistar o trono dele?

—Aerys se enganou sobre praticamente tudo. – riu Haegon – Eu já tinha poder e força. Eu só precisava pegar Blackfyre e chamar a Companhia Dourada. Eu tinha alguns navios, tinha bons amigos... o filho mais velho de Nyessos Vassar era meu melhor amigo. Com minha pirataria, eu prejudicava todos os concorrentes da família dele, pilhava os concorrentes, ficava com uma parte do que roubava e vendia mais barato para Nyessos tudo aquilo que eu não queria. Ele era um homem rico, mas com a minha ajuda se tornou incontestavelmente o comerciante mais rico de Volantis. E eu acabei me apaixonando pela filha dele. Nyessos era tão agradecido a mim que cogitou até mesmo ceder a mão da filha a mim. E quando eu ouvi as profecias do Fantasma de Coração Alto... eu me senti confiante... afinal ela disse que a filha do elefante me guiaria numa missão que me daria um enorme poder. Poder esse que salvaria o mundo e colocaria o dragão certo no Trono de Ferro. Então eu voltei para Volantis e pedi Rohanne em casamento... e ela disse que não me aceitava. – Haegon suspirou provando mais um gole de seu vinho e Tywin o imitou – Joanna ficou feliz quando foi prometida a você?

Tywin deu outro gole no vinho e se serviu com mais um pouco.

—Sim. Ela ficou feliz. – respondeu, lembrando-se da garotinha alegre e gentil que Joanna fora, apesar de ser firme e decidida também.

—Rohanne não... ela me achava um assassino sanguinário... e bem... ela estava certa. Eu só ligava para minha própria vaidade, sabe? E eu a desejava com todas as forças. Ela não acreditava nos meus sentimentos, então pedi que ela me permitisse provar que eu estava sendo sincero... então ela me mandou ir até Valíria para lhe trazer uma pedra de lá. Nunca vou esquecer da cara de constrangimento de Nyessos... ele tentou me convencer de que ela estava brincando... mas ela não estava. Ir até Valíria era pedir pra morrer. Mas eu estava obstinado. Convencido que aquela era a missão da qual a velha anã tinha previsto. Então eu fui, meus homens ameaçaram deserdar... eu tentei convencê-los dos mil tesouros que poderíamos encontrar ali... mas eles eram supersticiosos demais...

—O homem que acredita que sonhos podem prever o futuro está me falando isso... irônico, não? – perguntou Tywin.

—Será? – riu Haegon – Bem... lá estava eu, vendo meus homens ameaçarem deserdar... homens que lutaram por mim, que estiveram dispostos a morrer por mim, ao lutar contra Volantinos... mas agora todos ameaçavam me dar as costas. Então eu pedi que eles esperassem no Mar Fumegante por três dias...

—Eu escutei que tinha sido apenas um dia e uma noite.

—Foram três... – disse Haegon com um ar sombrio – Eu iria sozinho e eles deixariam o Mar Fumegante, onde esperariam em águas mais calmas... em três dias eles viriam para me buscar. Se eu não tivesse lá, eles poderiam dividir os navios entre eles e partir. – Haegon soltou um longo e pesaroso suspiro e Tywin sentiu um pequeno desconforto na barriga... como se estivesse com gases. Não era a primeira vez que sentia aquilo, então simplesmente ignorou. O tempo era cruel com os homens e ele não era mais tão forte quanto fora no passado – Eu ia ir só, mas o irmão de Rohanne não permitiu. Valerion insistiu em ir comigo... então partimos os dois, num dracar menor... o mar ali é fétido, agitado. Os ventos são fortes, as ondas são altas. Dizem que existem monstros que engolem navios inteiros que tentam velejar por ali... – explicou ele e Tywin suspirou se perguntando se finalmente iria escutar a epopeia de Haegon Blackfyre – Mas eu e Valerion conseguimos chegar até a costa... em Oros. Pretendíamos descer em Tyria, mas os ventos não nos permitiram e fomos parar em Oros... ou no que restara dela. Com a maré baixa, nosso dracar encalhou na praia e nós pudemos descer e olhar as ruínas da cidade. Imaginávamos que nada iríamos encontrar, além, é claro, de ruínas. Valerion queria pegar uma pedra qualquer da praia, mas eu queria uma prova incontestável, eu queria encontrar meu destino, lá em Valíria...

—E encontrou? – perguntou Tywin ligeiramente interessado.

—Encontrei muito mais do que isso. – murmurou Haegon colocando a taça já vazia em cima da mesa – Andamos um pouco e logo chegamos até as ruínas. Valerion pegou um pedaço qualquer de pedra, cheia de fuligem e poeira. Depois que ele a lavou numa poça qualquer, podíamos ver os desenhos bem talhados e desgastados do que algum dia fora algum mosaico, talvez... ele pediu para ir embora novamente... mas eu quis ficar. Andamos pelas ruínas com meu peito doendo de tanta agitação... eu senti a magia daquele lugar me chamando... me atraindo... e eu não resisti à tentação... foi quando fomos emboscados. – suspirou ele e Tywin bebeu mais um gole do vinho.

—Ouvi rumores de que Oros e Tyria ainda tinham habitantes... mas nunca acreditei nisso...

—É verdade. Há um povo lá... mas não sei de onde eles veem. São pessoas estranhas, que não falam nosso idioma comum, nem valiriano. São baixos, acinzentados, com os dentes estranhos... num primeiro momento achei que eram pessoas com escamagris, mas depois entendi que não eram. Imagino que seja consequência de anos convivendo com as cinzas dos vulcões...

—E o que eles fizeram com vocês?

—Nos levaram para uma parte da cidade que havia sido precariamente reconstruída... e nos jogaram num casebre, onde teríamos ficado presos até nossa morte. Mas eu era um pirata. Eu sabia muito bem como me livrar de cordas. Logo nós estávamos espreitando a cidade novamente. Achamos livros e mais livros, além de restos retorcidos de armas. Mas o mais impressionante, foi o ovo de dragão. O ovo de Valíria. Negro e violeta, como meus olhos. A coisa mais maravilhosa que eu já tinha visto em toda a minha vida. E quando eu fui colocar minhas mãos nele, um feiticeiro apareceu... e ele falava valiriano. – Tywin viu o rosto do lorde de Harrenhal fica ainda mais tenso e cheio de pesar – Ele disse que eu poderia levar o ovo e que aquele ovo me faria um rei, me levaria para guerras e para sangue... e que minha cobiça me mataria e mataria todos aqueles que me importavam ou que se importavam comigo. Ele me amaldiçoou... mas eu não acreditei. Eu quis pegar o ovo e cumprir aquilo que eu julgava ser o meu destino, ter o Trono de Ferro... então eu levei o ovo comigo e voltei pro dracar. Eu e Valerion pegamos muita coisa que encontramos em três dias, mas na hora de voltar para a tripulação, ele quis se livrar do ovo de dragão... ele não concordava com meus planos. Ele tinha medo que eu fosse arrastar Rohanne para uma guerra sem frutos, como todos meus antepassados tinham feito. Ele queria o fim do sangue... – Haegon suspirou sombriamente – Mas eu estava louco pela cobiça... Valerion avisou que não iria permitir que eu voltasse para Volantis com aquele ovo. Ele continha uma maldição nele... ele disse que a cobiça me cegaria e eu arriscaria tudo apenas para conseguir poder... que eu abriria mão até dos meus escrúpulos. Eu me irritei e nós brigamos... foi a maior e mais difícil luta de espadas da minha vida. Assim como eu, Valerion tinha treinado em Braavos, fomos discípulos do mesmo mestre de espadas... mas no fim, eu ganhei. Eu cravei minha espada no coração dele... e só quando eu fiz isso eu notei que eu tinha acabado de dar razão a tudo o que ele tinha dito. – Haegon respirou fundo e Tywin sentiu outra pontada no ventre, assim como uma pequena azia que começava a se tornar um pouco forte e irritante demais – Então eu peguei o ovo, mas jurei que eu não iria tentar tomar o Trono de Ferro. Eu voltei pra Volantis e casei com Rohanne... mas tesouros e um ovo de dragão não foram tudo que vieram comigo de Valíria. Meu dom de ver o futuro veio comigo. Eu sonhava com o futuro todos os dias. Com Harrenhal, com Westeros, com o Trono de Ferro. Eu via Porto Real e não era o estandarte do dragão vermelho que imperava ali. Eram dois dragões. O vermelho e o negro. O sonho de voltar para Westeros estava em mim. Eu sabia que o destino da minha família era o Trono... mas definitivamente, não era o meu. – Haegon suspirou de novo e Tywin segurou o estômago, sentindo dor – E é por isso que você precisa morrer. Você mantém o reino estável, Tywin... e um reino estável é mais difícil de conquistar. – Haegon se sentou mais confortavelmente e Tywin sentiu o gosto de sangue na própria boca. O leão olhou para as taças vazias e então para o vinho – Eu sempre achei que era o destino de Aegon se tornar o Rei de Westeros. Eu até o nomeei com o nome do conquistador valiriano... o monarca que uniu os Sete Reinos... mas hoje... hoje eu me pergunto se eu não fui negligente com meu outro filho... com Valerion... a quem eu nomeei em homenagem ao meu melhor amigo... que morreu para abrir meus olhos.

—O que você... fez...? – perguntou Tywin sentindo o sangue escorrer pelos lábios. A dor se tornara algo mais do que irritante, que vinha em pontadas firmes e violentas, que lhe roubavam o ar e lhe impediam de gritar – Você também bebeu do vinho...

—Bebi. – concordou Haegon e Tywin notou que havia sangue na boca dele também – Não houve no mundo rival para minha genialidade, Tywin. Fomos rivais em tudo. Então partirei com você. – Haegon respirou fundo fazendo uma careta – Deixo meu legado nas mãos dos meus filhos... mas primeiro me responda... Tyrion... ele é seu filho?

Tywin olhou para Haegon e bufou de dor, indignado com aquela pergunta. Indignado com as memórias que vinham de um passado que ele queria esquecer. Do choro de Johanna quando Aerys deixou Casterly Rock, depois do torneio que tinha feito. Lembrava de perguntar repetidas vezes o motivo do choro dela, mas ela nunca respondia. E só quando ela morreu, quando Tyrion veio ao mundo... quando Johanna o fez jurar que cuidaria e criaria aquela aberração como fizera com Jaime e Cersei... só então ele começou a enxergar o que Aerys tinha feito. Quis jogar aquele monstro que nascera de um penhasco. Mas ele tinha o sangue Lannister, o sangue de Johanna. Então o criou como um leão... por mais que ele se comportasse de maneira muito parecida com a de Aerys, quando ele era novo. Nunca poderia provar se aquele anão era seu filho ou não. Os dois que poderiam lhe conceder aquela resposta estavam mortos...

E agora, enquanto olhava Haegon morrer a sua frente, se perguntava se finalmente descobriria aquele mistério. Leão ou Dragão?

Mais uma vez escolheu o silêncio e Haegon sorriu com desdém.

—Nós dois poderíamos ter feito isso tudo dar certo. – gemeu enquanto cuspia sangue. Era difícil falar e era enorme a dor que sentia. Mas Haegon não parecia estar melhor – Nós poderíamos ter forjado um reino poderoso e estável, pronto para enfrentar Daenerys Targaryen, quando ela chegasse...

—Poderíamos... mas você não apoiava o casamento de Valerion com Myrcella tanto quanto dizia. Tudo poderia ter sido diferente. – gemeu Haegon – Era apenas preciso livrar-se de Tommen, que Myrcella herdaria o Trono. Ela é a melhor dos três herdeiros de Cersei. O Leão e o Dragão poderiam ter reinado... talvez ainda reinem. Eu não sou dono do futuro.

—Não? – sibilou Tywin, sentindo a vida esvair-se de seu corpo, lenta e dolorosamente – Achei que fosse capaz de ver o futuro...

—Eu sou. Mas nem sempre entendo... eu vejo dragões, lobos e leões lutando entre si, ignorando o verdadeiro inimigo... Eu vi minha pequena garotinha numa cama de sangue, coberta de rosas azuis... eu vi meu Aegon frio e cruel, ao lado de monstros... e eu vi Valerion, ao lado daquele garoto... os dois dragões, lutando lado a lado... – Haegon sorriu quase sem forças – Eu sempre vi as costas dos dois, mas nunca as reconheci... sempre imaginei que seria Aegon... – ele respirou fundo – Mas era Valerion... sempre foi Valerion. Os dragões conquistarão o sul e o norte, Tywin, caso contrário, todos morrerão com o inverno. E o nosso maior trunfo se tornará nosso pior pesadelo.

—Não deveríamos morrer então... – gemeu Tywin.

—Devemos... pois quando Rohanne morreu, eu voltei a Valíria e encontrei novamente o feiticeiro. Eu implorei que ele tirasse a maldição. Lhe ofereci meus ovos de dragão, mas ele disse que a maldição só acabaria com a minha morte... – Haegon engoliu em seco – Eu não vou viver para enterrar meus filhos... e a maior ajuda que eu posso dar a eles, além da minha morte... é a sua... então morra, Tywin Lannister... – gemeu Haegon com um sorriso satisfeito no rosto. Tywin sentiu que suas forças não permaneceriam com ele por mais tempo – Aqui irão jazer os dois Titãs de Westeros...

**

Aegon respirou a brisa do mar e se sentiu triste. Talvez fosse saudade, ou talvez culpa... não soube dizer. Só soube que seu coração doeu sem motivo algum... Viserion mergulhou a sua frente e então saiu da água em seguida, trazendo um enorme peixe nas patas traseiras, que ele levou para o alto, para então queimar com suas chamas vibrantes. Aegon suspirou e colocou a mão no peito, sentindo-se aflito. Com um sentimento de que estava atrasado demais...

**

Valerion parou seu cavalo, sentindo um aperto no peito. Ele olhou para Porto Real, que já estava bem para trás e seus guardas se interromperam também. Tyrion o olhou com curiosidade e o rapaz sentiu-se inquieto.

—O que houve, Valerion? – perguntou o anão, mas o rapaz simplesmente não sabia responder. Foi quando viu alguém se aproximar a galope, muitos metros de distância dali.

**

Theon observava Shiera de joelhos, chorando em silêncio, parecendo completamente infeliz. Estavam do outro lado da Muralha, em frente a uma árvore coração. Já havia quase meia hora, mas a mulher não parecia notar. Ela só pedira para que ele a levasse para orar e começara a chorar. Provavelmente por Robb... não sabia... só sabia que algo em seu coração dizia que algo terrível tinha acontecido e que sua rainha sabia exatamente o que tinha sido.

Notas finais
E aí? Gostaram? Espero que sim =D Eu tinha imaginado as coisas um pouco diferentes, mas na hora de digitar, não saiu. Mas espero que tenham gostado. Essas cidades citadas pelo Haegon existem mesmo e os boatos de terem pessoas vivendo lá também existem =P E aí? Tyrion é filho de quem? Façam suas apostas. xD Próximo capítulo é um pouco diferente. Não teremos o ponto de vista de nenhum Blackfyre. Mas teremos Norte (Robb), Sansa, Jon, Myrcella e provavelmente do Oberyn, porque eu ainda não terminei de escrever ♥ Mas vou dar uma prévia! " —Mas são poucos os que têm a perícia para tocá-la... acho que é hora de irmos para Porto Branco. Amanhã atravessaremos o Gargalho e marcharemos para... —Norte. – cortou Norte com um sorriso empolgado – Nós finalmente iremos para Norte? —Para o Norte, meu jovem... para seu futuro." Robb is On His Way (acho que escrevi errado ahsuahsaushau) Beijos, gente! Próximo capítulo via sair dia 31 de Maio! Aliás, dia 13 foi meu niver, quero parabéns nos comentários ahsuahsuah xD