Blackfyre
1 Prólogo
Notas iniciais
*O rei Aegon V, o Indigno (essa era a alcunha dele) gostava mais de seu filho bastardo Daemon que do legítimo, Daeron. Ele entregou a espada dos Targaryen para Daemon e legitimou todos seus bastardos, gerando décadas de rebeliões.
*A última Rebelião Blackfyre foi vencida quando Sor Barristan Selmy matou o último indivíduo so sexo masculino da casa, Maelys, o Monstruoso.
*Não se sabe se existem decendentes Blackfyre pela linhagem feminina.
*Para a fic, Maelys tinha um sobrinho chamado Haegon. Agora divirta-se e boa leitura =3

Prólogo
A Casa Blackfyre foi uma ramificação da Casa Targaryen, fundada pelo grande Daemon Blackfyre, o bastardo legitimizado do Rei Aegon IV Targaryen. Essa nobre casa foi nomeada por causa da espada de mesmo nome, dada a Daemon, pelo pai. Uma espada tão especial que não havia outra como ela, pois ela era herdada por todos os monarcas Targaryen desde Aegon, o Conquistador.
Por esse motivo, e por muitos outros, Daemon Blackfyre se viu no direito de reivindicar o trono no lugar de seu fraco meio irmão, Daeron II. Mas como todos sabem, a primeira Rebelião Blackfyre foi contida e Açamargo, meio-irmão de Daemon, escapou para Tyrosh, levando consigo os filhos sobreviventes de Daemon.
Com isso, várias outras rebeliões aconteceram, deixando o reinado dos Targaryen um tanto quanto instável.
A última Rebelião Blackfyre conhecida foi encabeçada por Maelys, o Monstruoso. Ele se tornou capitão general da Companhia Dourada ao matar seu primo Daemon II Blackfyre bem em frente aos olhos de seu sobrinho, Haegon.
O garoto, ainda com o sangue do pai no rosto, conseguiu fugir e foi dado como morto, durante muitos anos. Todos pensaram que a linhagem do Dragão Negro se encerraria com a morte de Maelys, na última Rebelião Blackfyre...
Foi quando o mundo conheceu o Corsário...
Um jovem muito bonito, com profundos olhos violetas, cabelos ouro-prateado, curtos, com um cavanhaque elegante, que adornava seu sorriso fácil. Alguns diziam que ele tinha uma beleza sobre-humana, que desperdiçava nos bordéis de Lys.
Começando como ajudante em navios mercantes, graças ao seu empenho e coragem, além do talento nato para lutas, o garoto se tornou um pirata conhecido e odiado, pois ninguém jamais conseguia prendê-lo.
Mas o que muda um homem, além de uma mulher? Rohanne, uma bela filha de um comerciante extremamente rico de Volantes conquistou o coração do pirata, que resolveu oferecer seus serviços à Cidade Livre, no lugar de saqueá-la. Assim assumiu o título de Corsário, além de pilhas e mais pilhas de ouro, já que parte do que recuperava dos piratas, ia direto para seu bolso.
Mas isso não foi o suficiente para a bela Rohanne. Ela queria uma prova maior de amor, do que aquela. E o Corsário, cujo nome real poucos conheciam, prometeu fazer o que ela pedisse.
E ela pediu o impossível. Ela pediu uma pedra de Valíria. O próprio pai da donzela se desculpou pelo pedido insano, querendo preparar um possível casamento. Mas o jovem rapaz estava louco de amor. Por isso pegou seu navio e zarpou.
Muitos de sua frota deserdaram. Todos tentaram convencê-lo a não se lançar naquela loucura. Que nenhuma boceta valeria aquilo. Mas o jovem estava determinado. Ele e um amigo, o único que se candidatou a segui-lo, pegaram um barco e abandonaram a frota, deixando-a na distância que seus homens concordaram esperar.
A ordem tinha sido esperar um dia inteiro.
E quando o tempo acabou e todos deram o Corsário por morto, um navio apareceu em meio à neblina. As velas chamuscadas e rasgadas. A madeira lascada em vários lugares. Um navio fantasma, que retornava daquela terra amaldiçoada... e em pé, no mastro principal, estava o rapaz, voltando com uma pedra negra nas mãos. E aqueles que o conheciam, desde antes desse episódio, garantiam que ele nunca mais fora o mesmo, depois de voltar daquele lugar, trazendo o presente que sua donzela pedira.
Mas não apenas isso. O navio estava repleto de tesouros que ele não se sentiu obrigado a dividir com seus homens, que se recusaram a segui-lo. O único que concordara, não voltara e as lendas dizem que o jovem rapaz o matara para conseguir poderes. Poderes esses que ele usou várias vezes para conseguir muitas outras coisas.
A primeira delas, o amor de Rohanne. Antes mesmo que retornasse a Volantis, a notícia já se espalhara. O Corsário que tinha ido a Valíria e retornado com mil tesouros fantásticos. E quando ele retornou para a casa de sua donzela, todos já esperavam com a cerimônia preparada. E naquela mesma noite, ao se casar com ela, ele abandonou sua alcunha de Corsário e voltou a usar o nome que há muito abandonara.
Haegon Blackfyre. O último Dragão Negro.
A notícia logo chegou a Westeros. Aerys II, o Louco, enviou alguns espiões e todos voltaram com uma certeza. Aquele homem tinha sangue valiriano e parecia mais com Aegon o Conquistador do que qualquer outro retrato no castelo.
Aerys, a cada dia que passava, se preocupava mais e mais. Aquele homem teria o apoio da Companhia Dourada, assim como teria o apoio de um homem muito rico de Volantis. Os ingredientes para outra revolução estavam logo ai.
Mas o tempo passou e Haegon não veio. Sua esposa engravidou, ao mesmo tempo que a rainha Rhaella. Alguns meses depois do nascimento do príncipe Viserys, o herdeiro do Dragão Negro nasceu e Aerys se convenceu que aquele era o momento que Haegon aguardava antes de atacar. Ter um herdeiro para manter seu nome.
Mas um ano se passou e Haegon ficou em Volantis. Mas suas medidas eram cada vez mais suspeitas, até mesmo para pessoas mais sensatas que o rei. A frota de Haegon era algo absurdo, alguns diziam que ele era a marinha da poderosa Volantis.
E quando seu filho completou dois anos, ele deu um pequeno exército a sua esposa, composto apenas de mulheres. Rohanne tinha amor pelo arco e flecha e ela ensinou suas Flechas de Prata a nobre arte da arquearia. Mas o pequeno exército foi crescendo e crescendo e dois anos depois, já havia centenas de integrantes querendo aprender a atirar.
Aerys só conseguia pensar em uma coisa. “Ele está criando um exército”. Ele tinha os navios. Ele tinha dinheiro. Ele tinha um exército. Não apenas as arqueiras, mas a Companhia Dourada também. E sabia-se que muitos lordes o apoiariam se ele atacasse... ou ao menos era o que Varys falava.
Mas Haegon só parecia interessado em seus próprios assuntos e por um tempo, apenas Aerys se preocupava com um iminente ataque.
Então, certo dia os navios chegaram. Com as velas vermelhas e o Dragão Negro. Apenas uns poucos navios. Poucos demais para representar um ataque. Muitos demais para ser apenas um mensageiro.
Era Haegon, com seu filho Aegon, um garoto de quatro anos, quem chegava em pessoa, em Porto Real. Varys deu a notícia ao rei, que sentiu-se em absoluto risco. Mas Haegon, com poucos homens, apenas pediu audiência com o rei.
Aerys ainda desconfiava de alguma segunda intenção, então manteve seus homens todos ali. Se Haegon desse um passo em falso, seria morto, junto com seu filho, e isso traria paz para o rei louco.
Mas Haegon se ajoelhou, como um servo.
“Eu não quero guerra.” Disse ele tranquilamente “A Companhia Dourada exige guerra. Mas eu não darei isso a eles. Eu vim aqui pedir que me permita voltar pra casa.” A sala do Trono de Ferro estava num silêncio mortal. Todos se perguntavam o que iria acontecer. “Eu não sou um Targaryen. Meu lar é aqui, em Westeros. Minha família nasceu aqui e eu desejo que ela volte pra casa. Os Blackfyre precisam aprender a servir os Targaryen. Só assim colocaremos um fim às intrigas. Meu filho crescerá tendo Vossa Graça como rei e isso o fará um súdito leal. Me dê sua permissão para ficar, um pedaço de terra para plantar. Os homens eu mesmo trarei. Vamos por um fim às intrigas.”
Todos olharam para Aerys, com absoluta atenção. Seria possível que o Rei Louco aceitaria aquele pedido? A maioria imaginava que não. Aerys olhou durante algum tempo para Haegon, que ainda estava humildemente de joelhos. O filho dele, Aegon, estava de joelhos, imitando o pai, mas seu olhar era diferente.
Haegon tinha a cabeça baixa, submissa. Mas o garoto olhava o rei com desdém. Para aquela mente infantil e ingênua, aquele homem não parecia um rei, mas um homem doente e estranho, metido em roupas bonitas. O garoto não podia deixar de pensar que seu pai parecia muito mais um rei do que aquele, sentado no majestoso Trono de Ferro.
“Essa espada que trazes. Que espada é?” perguntou Aerys com os olhos espremidos e cheios de astúcia.
“A espada da minha família.” Respondeu Haegon e o tom de voz dele pareceu mais cauteloso “O motivo pelo qual meu tio matou meu pai. Ele queria a espada, mas meu pai a negou. Disse que Blackfyre já tinha se rebelado o suficiente. Meu tio não concordou, e como meu pai nasceu com um defeito no ombro, não foi um oponente difícil. Mas meu tio não sabia onde a espada estava. Eu sim.”
Todos olharam curiosos e ainda ansiosos para o desfeche daquilo.
“Você disse sabiamente, Haegon. A casa Blackfyre deve aprender a servir.” Concordou Aerys olhando prepotente para o jovem homem que estava de joelhos, em frente a corte, rodeado por seus homens. “Aqueles Blackfyre que nascerem sob meu comando, caso se mostrem leais, terão minha proteção. Mas nem você e nem seu filho nasceram em Westeros. Então eu preciso de uma prova de sua lealdade.” E todos prenderam a respiração. Todos sabiam da loucura de Aerys. Ninguém imaginava algo bom saindo dali. Haegon levantou o olhar para o rei, que realmente pensou que ele se parecia com Aegon Targaryen, o Conquistador “Pegue sua espada e mate o seu filho. Então a dê de presente pra mim. Essa espada deveria pertencer à Casa Targaryen e não a você.”
Todos olharam para o pequeno garoto. Ele não parecia assustado. Provavelmente não tinha entendido muito bem o que estava acontecendo ali. Mas Haegon tinha entendido muito bem. Não teria justiça alguma de Aerys.
“Não há outra maneira de provar minhas boas intenções?” perguntou Haegon.
“Não.”
Algumas pessoas temeram que aquele homem tivesse coragem de tal ato, tão grotesco. Mas Haegon jamais mataria o próprio filho, apenas para satisfazer os desejos de um homem insano.
“Nesses termos, eu receio que não serei eu o Blackfyre que retornará para Westeros. Eu voltarei para Volantis.”
Mas Aerys não tinha a menor intenção de permitir aquilo.
“Se não estás disposto a provar sua lealdade, provastes ser meu inimigo. E a pena por ser inimigo do rei é a morte.”
Os guardas cercaram Haegon. Os homens dele o rodearam, preparados para morrer por ele. Mas Haegon não tinha vindo a Porto Real para morrer.
E mais uma lenda se formou sobre ele.
Alguns dizem que ele apenas lutou e, junto de seus homens, abriu caminho para cidade, conseguindo fugir. Afinal, mesmo os mais leais ao rei não se sentiam bem executando aquele homem e seu filho. Mas há quem diga que Haegon pegou fogo e fugiu usando magia, levando apenas seu filho de volta para os navios.
Alguns dizem, ainda, que ele amaldiçoou Aerys, mas ninguém sabia dizer qual maldição ele lançara no rei.
Os anos voltaram a passar e a notícia de que uma rebelião estourara em Westeros chegou aos ouvidos de Haegon. Dessa vez ele reuniu todas suas forças. Seus navios, seus soldados, Imaculados, escravos, arqueiros e a Companhia. Com um exército, avançou pelo mar, chegando mais uma vez a Westeros. Dessa vez disposto a não deixar o continente. Tão disposto, que levara até mesmo sua esposa.
E ele chegou num momento oportuno. Logo após um casamento que uniria as casas Arryn e Stark à casa Tully.
Haegon mandou um mensageiro, pedindo para reunir-se a Jon Arryn, que aparentemente era quem encabeçava a rebelião. Logo se reuniu aos três. O poderoso Robert, o austero Jon e o honrado Eddard.
“Eu tenho dez mil cavaleiros. Oitocentos navios e trezentos arqueiros, além de alguns soldados. Me permitam ajudá-los a destronar Aerys. Ponham quem desejarem no lugar dele, pois o Trono de Ferro eu não desejo.”
Mas os três desconfiaram de suas intenções. Robert o achava muito parecido com Rhaegar, para confiar em sua palavra. Eddard achou suspeito que ele não tivesse pretensão alguma ao trono e Jon achava que ele simplesmente não era digno de confiança.
“O que deseja, então?” perguntou Arryn.
“Me entreguem Harrenhal, e eu lutarei por vocês. Serei um homem leal, obedecerei ordens. Farei como desejarem.” Mas eles não acreditaram nele “Eu sou apenas um homem querendo voltar pra casa. Volantis não era meu lar. Nenhuma das Cidades Livres eram. Eu pertenço a Westeros e quero reconstruir minha Casa aqui. Harrenhal é grande o suficiente para guardar tudo o que possuo. Porém, se ao final da guerra, eu não tiver me mostrado a altura do castelo, então me entreguem outro. Apenas me permitam ficar.”
E assim Haegon se uniu ao que ficou conhecido como a Rebelião de Robert. Suas forças permitiram que a batalha fosse vencida em mais ou menos um ano.
Ele esteve presente na Batalha de Solarestival, onde ajudou os rebeldes a derrotarem três forças lealistas. Em Vaufreixo, derrotou em um combate singular o habilidoso Randyll Tarly, que acabou obrigado a se render.
Em Septo da Pedra, onde Robert estava se recuperando de um ferimento de guerra, conteve as forças de Jon Connington e, antes mesmo que Eddard Stark chegasse com seu exército, muitos dos lealistas estavam se rendendo.
Na grandiosa Batalha do Tridente, ele viu Rhaegar ser morto por Robert. Sentiu-se imensuravelmente triste pelo jovem rapaz, pois, apesar do que Robert dizia, aquele príncipe parecia ser um homem bom e querido. Por isso, recuperou o corpo do Príncipe e o enterrou às margens do Tridente, esperando que ele encontrasse paz em sua morte.
E quando chegou o momento de ir até Porto Real, entregou uma pequena parte de seus homens para o comando de Eddard Stark, que já estava comandando as forças de Robert, que por estar ferido, seguiria mais tarde para a cidade.
“Que essa rebelião não leve meu nome. Não tomarei Porto Real.” Disse simplesmente e Eddard Stark finalmente acreditou que Haegon não cobiçava de fato o Trono de Ferro. “Eu irei para Ponta Tempestade, terminar de vez com os Tyrell e, se tiver tempo e oportunidade, seguirei para Pedra do Dragão.”
E assim o fez. Quando chegou a Ponta Tempestade, os Tyrell e os Redwyne se renderam, já que o Príncipe havia morrido e não havia indícios de que Tywin Lannister viria ajudar.
Então seguiu junto com Stannis para Pedra do Dragão, na intenção de salvar a rainha e o herdeiro do Trono da fúria de Robert. Os entregaria a seu sogro, em Volantis, de maneira secreta, enquanto tentava convencer Eddard e Jon Arryn de que o pequeno Viserys deveria ser o futuro rei e que deveria ser poupado, afinal, ele não cometera crime algum. Querer punir o garoto por crimes que sua família cometera era o mesmo que Aerys tentara fazer consigo mesmo. Por isso queria poupar o menino. Já tinha visto sangue o suficiente.
Porém, quando chegaram à Pedra do Dragão, ficaram sabendo que Sor Willem Darry havia levado o garoto e a princesa recém nascida para algum outro lugar. A rainha morrera dando a luz. Então não havia nada a ser feito.
Com o fim da guerra, o Conselho apoiou que Robert fosse coroado o Rei dos Sete Reinos, já que ele tinha uma avó Targaryen. Haegon esperou pacientemente até que fosse convocado a Porto Real. Robert agradeceu por seus esforços e cumpriu com o que havia prometido. Ele lhe entregou Harrenhal, mas lhe avisou que os Tully eram os suseranos das Terras Fluviais. Haegon não se importou com isso e rumou para o seu castelo, que nunca conhecera realmente. Apenas ouvira histórias.
Quando o jovem rapaz chegou lá com sua família, ficou impressionado com o tamanho do castelo e com o quanto ele estava destruído.
Uma enorme reforma começou a ser feita, custando muito dinheiro. Mas Haegon se mostrou um homem muito rico. Mas é claro que não puderam faltar rumores e lendas sobre ele. Sete anos foram necessários para reformar o castelo e dar a ele o ar imponente que costumara ter, antes de enfrentar os dragões Targaryen. Sete anos de muitos construtores, homens das Cidades Livres, que trabalharam na reforma dos grandes Septos do outro continente. Muitos anos com muito esforços. Há quem diga que até o próprio Haegon ajudou a reconstruir o castelo, com as próprias mãos.
Mas há quem diga, também, que ele utilizou da magia adquirida em Valíria e que durante a noite, podia-se ouvir os demônios que ele conjurava para ajudar na construção do castelo. Outros dizem que se você prestar atenção no castelo, durante a lua cheia, verá a sombra de um Dragão negro vigiando as cinco torres.
Pouco tempo depois da guerra, enquanto o castelo ainda estava sendo reformado, Lady Rohanne deu a luz a um casal de gêmeos. O garoto, era como o irmão mais velho, com os olhos também violetas, os cabelos de ouro prateado, com um pulmão forte, já que tinha muito fôlego para chorar. Já a garota, tinha os traços bonitos da mãe, os mesmos cabelos escuros como ébano, o nariz pequeno e delicado. Mas os olhos eram violetas como os dos irmãos. Ela era mais calma e todos pensaram que ela não viveria mais de um ano. Mas a garota sobreviveu e, assim como seus irmãos, cresceu com saúde.
Com o passar dos anos, Robert convocou Haegon para ajudar na guerra contra os Greyjoy. Haegon obedeceu e levou consigo seu filho mais velho, como seu escudeiro. Aegon mostrou-se muito habilidoso com a espada e Haegon notou que o rapaz um dia seria mais habilidoso que ele mesmo e isso o encheu de orgulho. O garoto, já quase com dezesseis anos, foi consagrado cavaleiro pelo rei Robert, assim que a Rebelião Greyjoy foi contida. Ao voltarem para casa, os dois Blackfyre não poderiam estar mais satisfeitos.
Haegon também tratou de fazer amizades com os lordes da região. Não perdia uma festa de Walder Frey e fazia questão de visitá-lo e convidá-lo sempre que podia. O mesmo valia para os Tully, os Blackwood, os Bracken, os Butterwell, os Charlton, os Mallister, os Mooton, os Piper e os Smallwood. Todos conheciam Haegon como um Lorde bondoso e carismático. Um bom administrador, sempre bastante justo com seus subordinados.
Os anos passaram e Harrenhal continuava ali, com os Blackfyre tocando o castelo de maneira promissora. O comércio ia bem graças ao seus contatos em Volantes e ao porto que ele ajudara a fazer no Tridente. Aparentemente a magia de Haegon Blackfyre tinha sido forte o suficiente para quebrar a famosa maldição de Harren o Negro. A casa Blackfyre parecia longe de perecer.
Foi então que Haegon resolveu promover seu primeiro torneio. Isso ocorreu no início do ano de 297 DD.
*
Robb estava com Sor Rodrik, fazendo os treinos dos dias. Theon era seu rival nas espadas, já que Jon tinha perdido o último embate. Atacou Theon com dois golpes curtos e ágeis, fazendo seu amigo recuar e perder espaço, precisando trabalhar as pernas. Avançou, mais dois passos, brandindo as espadas de madeira, fazendo Theon suar para se defender. Mas a verdade era que Theon não era, nem de longe, melhor que Jon no uso da espada e logo o braço dele não conseguiu manter a espada alta o suficiente e Robb lhe acertou duas vezes no ombro.
—Sete infernos. – praguejou Theon enquanto Jon sorria, se divertindo. Ao lado dele, Arya e Bran assistiam a disputa, completamente animados, ambos torcendo pelo irmão mais velho – Esses pirralhos estão me distraindo. Mande-os embora.
—Não me culpe por ser ruim. – devolveu Arya, fazendo Jon rir novamente. Robb sorriu, convencido e secou o suor com a manga da roupa. Sor Rodrik o olhou com orgulho e lhe deu dois tapinhas nos ombros.
—Você é um excelente espadachim, Robb.
—Obrigado, Sor Rodrik.
Escutaram passos apressados e se viraram para ver o pequeno Rickon se aproximar numa corrida animada. Logo atrás dele vinham a senhora sua mãe, Catelyn Stark, com uma carta nas mãos, juntamente com sua outra irmã, Sansa. Ambas pareciam dividir certo entusiasmo e isso o deixou ligeiramente curioso.
Sansa se entusiasmava com qualquer coisa, mas sua mãe não era assim.
Lady Stark sorriu para seu filho mais velho, tendo mil pensamentos em mente. Olhou para ele, vendo o quanto estava crescido, forte e bonito. O rosto com a barba feita, os cabelos ligeiramente ondulados e avermelhados como os seus, assim como os olhos azuis.
—O que houve, Lady Stark? Não costuma vir nos ver apanhar do Robb. – riu Theon com seu sorriso típico no rosto.
—Lorde Blackfyre vai dar um torneio! – disse Sansa batendo palmas animadas – Ele proclamou que a filha dele é a donzela mais bela de todos os Sete Reinos e desafia qualquer um a ir contrariá-lo.
—Nossa. Que idiota. Pra quê perder tempo desafiando as pessoas com isso? E mais. Pra quê perder tempo indo falar que ele está errado? – perguntou Arya com o cenho franzido. Robb deu uma risadinha da inocência da irmã, mas foi Sansa quem explicou.
—Arya, sua tonta. É só um pretexto para um torneio de justas! – ralhou sua irmã, que era ruiva como a mãe – Ele diz isso para que lordes apareçam para o torneio e declarem quem é a mais bela das donzelas... – Sansa soltou um suspiro sonhador e Arya revirou os olhos, ainda achando aquilo idiota – Oh, mamãe, por favor. Peça ao papai para que eu possa ir! Por favor, por favor! – pediu Sansa parecendo simplesmente eufórica.
Lady Stark deu um sorriso e olhou para a carta.
—“E para aquele cavaleiro que se provar o melhor dos Sete Reinos eu entregarei uma bela espada de aço valiriano, que resgatei pessoalmente da própria Valíria, além de um ovo de dragão. E se esse cavaleiro concordar que não há mais bela donzela no mundo do que minha doce Shiera, talvez ganhe um prêmio ainda mais especial.” – leu Lady Stark – Lorde Blackfyre provavelmente oferecerá a mão de sua filha em casamento para o homem que ganhar o torneio.
—Robb é o melhor de todos. Ele deve ganhar! – disse Bran, em sua doce inocência. Robb sabia que suas chances de ganhar um torneio eram muito poucas. Ele era bom, mas se Lorde Blackfyre estava dando um torneio, o filho dele, o jovem Dragão Negro, certamente participaria, e pelo que os rumores diziam, não havia nos Sete Reinos um homem capaz de derrotá-lo... talvez o Regicida, que era um notório soldado, mas ele, apenas um garoto... achava extremamente improvável.
—Bem... se ele está desafiando o reino a chamá-lo de mentiroso, ela deve ser no mínimo bonita, não é? – perguntou Theon.
—Ou muito feia, o que explica os prêmios caros. – rebateu Arya com presunção – Você disse uma espada de aço valiriano e um ovo de dragão?
—Isso mesmo. – riu Lady Stark, ignorando a falta de boas maneiras de sua menina mais nova – Provavelmente todos os Lordes do reino participarão desse torneio, assim como cavaleiros andantes e qualquer um que conseguir se inscrever. A última vez que um Lorde ofereceu um ovo de dragão como prêmio foi há mais de um século.
—Papai não vai querer ir. – disse Robb, olhando para a mãe com cautela – Não depois do que aconteceu em Harrenhal... – se referia a quando Rhaegar declarou sua falecida tia Lyanna como a rainha da beleza no torneio, que acabou sendo um dos fatores que favoreceram a guerra que tirara os Targaryen do trono.
—O que é uma pena. Porque nesses torneios, normalmente os Lordes levam suas filhinhas para exibi-las por ai. – riu Theon.
—Sim. – concordou Lady Stark olhando seu filho mais velho – Boa parte das donzelas do reino estarão lá. Inclusive, Lorde Blackfyre convida as donzelas do reino a irem desafiar a beleza de sua filha. Quem sabe se a mulher da sua vida não estará lá, Robb. – riu ela. Robb deu um sorrisinho, achando as ideias de sua mãe um tanto divertidas e sonhadoras. Não pensava em se casar tão cedo.
—Oh, por favor, mamãe. Diga a papai que eu preciso ir. Eu posso encontrar o homem da minha vida nesse torneio! – disse Sansa, completamente louca de ansiedade.
—O que acha, Robb? – perguntou Jon e Robb viu parte do sorriso da mãe morrer. Ela simplesmente não suportava o bastardo de seu pai, Jon Snow.
—Eu continuo achando que papai não vai querer ir. – disse simplesmente, cruzando os braços.
—Eu também acho difícil que Lorde Stark concorde com isso. – disse Sor Rodrik – O último torneio em Harrenhal...
—Foi há anos atrás. – cortou Lady Stark – Eu vou falar com Ned. Vocês tentem aparentar desejar ir a esse torneio com todas as suas forças. – riu ela e Theon sorriu animado.
—Com incentivos como esses que Lord Blackfyre deu, é meio difícil não parecer empolgado com a ideia, não acha, Robb? – perguntou Theon.
Robb concordou com um sorriso animado e Lady Stark sorriu igualmente animada. Queria que Robb e Sansa tivessem a oportunidade de comparecer a algo grandioso assim. Sabe-se lá quando teriam oportunidade para isso novamente, afinal... era como os Stark sempre diziam...
O Inverno está chegando.
Notas finais
Eu espero que gostem. Eu estou escrevendo essa fic há mais de um ano, sem saber se deveria postar ou não. Perdi boa parte dela quando roubaram o meu pc, mas eu descobri que tinha feito um back up num pendrive, então eu tô com quase 400 páginas escritas já. Tem bastante capítulo pronto! Eu espero que gostem!
Ah! Só pra vocês terem uma ideia. Esse torneio vai acontecer mais ou menos um ano antes da morte de Jon Arryn, um ano antes do Rei Robert marchar pra Winterfell pra chamar o Ned pra segurar as pontas lá em Porto Real hehehehe
Beeeijos!
Até dia 4 de Novembro, que vai ser quando eu vou postar mais um capítulo =D
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