Blackfyre
58 Primogênito
Notas iniciais
Primogênito
Robb não teve coragem de abrir a porta. Ainda a escutava uivar lá dentro, perdida em pranto. Nunca a tinha visto daquele jeito. Tinha sido decidido que marchariam no dia seguinte, mas a ordem fora suspensa. A única missão que o Norte tinha era achar Ned. O príncipe Nortenho. Seu herdeiro.
Socou a parede com a carta de Ramsay Snow nas mãos. Rosnou furioso, odiando existir naquele mundo.
“Tudo o que fizeram com meu pai, o fedelho sofrerá dez vezes mais. Libertem Roose Bolton, deem a ele suas melhores roupas e lhe devolvam o título de Lorde de Forte Pavor. Jurem de joelhos que todos seus crimes serão perdoados e aceitem todas suas reivindicações. Ou juro que enviarei a Winterfell um dedinho por dia, até que o pequeno Eddard fique sem nenhum. Caso não me obedeçam, terei que ficar mais criativo sobre o que mandar para vocês.
Cordialmente Ramsay Bolton”
Escorregou para o chão, desesperado. Lembrou-se de Ned e desejou morrer novamente. Tinham procurado durante toda a noite, mas não havia o que ser feito. Todos os cães do canil foram envenenados, assim como o homem que cuidava dos cães. Apenas Lady, Vento Cinzento e Fantasma sobraram e nenhum dos três foi capaz de encontrar Ned. Voltara de mãos vazias para Shiera.
Escutou a porta abrir e a viu. Ela o olhou e leu seu olhar e recuou com as mãos escondendo a boca. Avançou até ela, se levantando rapidamente e a abraçou. Ela o abraçou de volta, chorando alto e o apertou contra si.
—Ele está morto? – lamentou ela.
—Não... Shiera... – Robb a afastou e a olhou – Eu sinto muito, não encontramos nem sinal dele.
—Mas... mas precisa achar! E os cães?
—Foram todos mortos, envenenados. – lamentou Robb. Ele engoliu em seco e fungou, mostrando a carta de Ramsay. Aparentemente tinha sido escrita com sangue. Shiera leu até o final e o olhou com os olhos em pânico.
—Solte Roose Bolton. Pelo amor dos deuses. Liberte-o, vista-o com suas roupas e peça perdão. Por favor, Robb. Eu te imploro. Não duvide de Ramsay Snow. Ele é um sádico doente. Ele vai machucar o nosso bebê.
Robb engoliu em seco.
—Ele quer que eu atenda todas as demandas de Roose e que faça um juramento garantindo que não iremos contra ele. Eu não posso fazer isso.
—Robb. – ela se jogou de joelhos e segurou suas mãos – Robb, por favor, eu imploro. Aceite os termos. Por favor, Robb. Aceite.
Robb engoliu em seco.
—Eu não posso. E se... e se ele voltar pro Forte do Pavor, exigindo que você vá com ele... e então eles matam nosso filho de qualquer jeito. Quem garante que Ned ainda está vivo?
—Pelos deuses, Robb! E você está pensando em pagar pra ver? – perguntou ela ainda de joelhos – É o nosso filhinho, Robb, o nosso bebê! – lamentou Shiera e ele a fez se levantar.
—Eu não posso ceder assim tão fácil, Shiera. A verdade é que provavelmente Ned está...
—NÃO! NÃO OUSE! – gritou ela lhe aplicando golpes no peito.
—Shiera! – gritou uma voz que se aproximava no corredor. Era Aegon – Ele tem razão, irmã. – disse ele num tom mais macio e contido. Shiera o olhou furiosa e lhe acertou a canela com um chute, arrancando um urro do irmão. Em seguida entrou no quarto e fechou a porta – Filha da mãe... – rosnou Aegon e Robb baixou o rosto. Os dois desceram de volta para o Salão Principal. Robb sentia muito sono e cansaço, mas não se permitiu dormir. Estava cogitando sair mais uma vez em busca de Ned. Apenas ele e Vento Cinzento. Talvez levasse Jon e Fantasma, também. Porém, deveria sempre ter um Stark em Winterfell – O rato cinzento disse que Theon tem chances de sobreviver. Só terá que ficar em repouso por muito tempo. E talvez não consiga mais segurar um escudo com a mão esquerda, se necessário. O braço perdeu a força.
—Ele explicou o que aconteceu?
—Ramsay Snow, Vargo Hoat e mais um cara que ele não sabia o nome. Estavam com uniformes de soldados. – respondeu ele e Robb concordou. Vento Cinzento lambeu seus dedos, tentando lhe dar consolo. O lobo já batia quase em seus ombros, de tão grande que estava. O afagou na cabeça e o olhou – Vento Cinzento. Vem comigo. Vamos procurar mais uma vez. – o lobo o olhou como se compreendesse, mas Robb sentiu a mão pesada de Aegon a segurar seu ombro.
—Escute, Robb. Vá dormir. – disse ele com firmeza – Eu entendo a sua preocupação, mas se você ficar mais tempo acordado e se enfiar na floresta, não vai voltar vivo.
Robb sabia que havia sabedoria naquelas palavras, mas suspirou.
—Não vou conseguir olhar para ela de novo se não conseguir nosso filho de volta. – murmurou preocupado.
—Não vai conseguir olhar para ela de novo e nem pra ninguém, se morrer na floresta. Descanse. – disse Aegon – Convenci Jon a se deitar faz alguns minutos, porque ele estava igual a você. E eu entendo. É um bebê. Mais do que isso, é o seu bebê. Mas você ajudará mais se estiver descansado. – Aegon suspirou e olhou para Viserion, que ressonava ali perto – Eu vou liderar uma procura com a Companhia Dourada. Temos a descrição de Ramsay e de Vargo. Nós vamos encontrá-los... Mas quer um conselho?
Robb olhou para o irmão da esposa e suspirou.
—Estou perdido. Então... sim.
—Mate Roose Bolton. Mate-o agora.
—Mas isso pode significar que Ned...
—Eu vou procurar o garoto... mas é melhor você e Shiera se conformarem com a ideia de que ele está morto, Robb. Os Bolton não vão devolvê-lo.
—Ramsay não pode matá-lo. Se matar, os Bolton continuarão sendo...
—Nem todos são honrados como você, Robb. Alguns homens só querem ver a feira pegando fogo. Alguns homens só querem ver o sofrimento alheio. E pelo o que escutei desses dois... é exatamente isso o que eles querem.
—Não. – insistiu Robb – Ned está vivo. Ele tem que estar vivo. – disse desamparado – Por que os deuses fariam isso a um garoto inocente?
—Deuses? – perguntou Aegon, interrompendo o passo – Deuses... – Aegon suspirou – Os Deuses são tão maiores e tão mais sábios que nós... e tentar entender o que eles estão pensando seria como uma formiga tentar entender o que eu estaria pensando... – disse ele e Robb se perguntou se ele estava sendo sarcástico.
—Os Deuses servem como consolo. Nós precisamos confiar na sabedoria dos deuses e precisamos ter fé de que eles estão olhando por nós...
—Certo... Como eu costumava fazer com um formigueiro no meu jardim, quando eu ainda morava em Harrenhal e era apenas um moleque inocente... eu gastei dias assistindo às formigas... tentando distinguir qual delas eram boas e quais eram más... mas todas elas simplesmente pareciam iguais para mim... então eu resolvi pisotear todas.
—Eu não vejo como isso tem a ver com a situação... – murmurou Robb, mas Aegon continuou como se ele não tivesse falado coisa alguma.
—Eu as esmagava com as minhas botas, e as queimei com azeite fervente, as afoguei com meu mijo e, pra ser um pouco honesto, eu acho que exagerei com uma enxada que eu peguei do celeiro do velho Elodin. Mas, apesar disso, o que pode garantir que as formigas não estiveram rezando para mim durante todo o dia e eu simplesmente não as escutei? Não havia nada que elas poderiam fazer para ter evitado meu momento de loucura...
—Onde você quer chegar com...
—E eu acredito que o mesmo vale pra nós... não há nada que possamos fazer a respeito da fúria dos deuses, então... por que se preocupar com eles? Eu acredito que todos nós deveríamos simplesmente viver nossas vidas da maneira mais decente possível, sem depender de deuses... e talvez torcer para que eles não nos esmaguem com seus garfos divinos... – riu ele – Então vai dormir. Se acha que os deuses podem fazer alguma coisa, então reze... mas sinceramente... se prepare pro pior. Os deuses, se realmente existem, tem coisas mais importantes para se preocupar do que com nossos parentes. – Aegon se virou e marchou para longe.
Robb suspirou e desceu para as masmorras, para a cela de Roose Bolton. Tinha escutado que ele tinha enlouquecido, então resolveu averiguar. O mesmo garoto que um dia cuidara de sua prisão, guardava a de Roose. Quando ele o viu, pulou da cadeira e foi apressado abrir a porta. Por mais tempo que tivesse passado, o garoto ainda o via como se fosse um fantasma. Entrou na cela de Roose e o olhou através das grades. Ele estava nu, magro, com a barba por fazer e os cabelos desgrenhados. Ele levantou seus olhos vazios e cor de gelo e sorriu com desdém, apesar de tremer de frio.
—Em que posso servir o rei do Norte? – perguntou ele. Robb engoliu em seco e teve certeza de que não tinha acertado a cara dele o suficiente.
—Onde está meu filho? – perguntou num sibilo. Roose sorriu novamente. Era estranho vê-lo sorrir, ainda mais agora que faltavam muitos dentes em sua boca, graças aos murros que dera nele.
—Como posso saber? Sou seu convidado de honra desde que tomou meu castelo.
—Você sabe pra onde seu filho o levou, não sabe?
—Se souber, matará o pobre carcereiro? – riu Roose – Veio ouvir minhas exigências? – perguntou ele e Robb bufou furioso – Como está Shiera? Ela sente a minha falta? – perguntou ele e Robb sentiu que iria perder a cabeça a qualquer momento – Eu sinto falta dela... nunca beijei uma boca tão macia, nem uma boceta tão doce... – Robb avançou contra a grade, se jogando contra ela, perdido em ódio e Roose fez um som que nunca imaginara ouvir. Ele gargalhou – Você é só um moleque brincando com uma coroa. Quem tomará as decisões? O rei ou o rapaz? Quem é sua prioridade? A mulher ou o garoto? Quem vai escolher? E se escolher um... será que poderá reconquistar o outro? – Roose sorriu e se abraçou, tremendo de frio – Deveria ter continuado morto, garoto. Nos pouparia de toda essa perda de tempo.
—Onde ele está? – perguntou Robb. Roose o encarou com um sorrisinho sádico.
—Já foi esfolado, Robb Stark? Acho que não... então acredite. Não há dor pior. Imagine o medo que o pobre Ned vai sentir, toda vez que ver Ramsay se aproximar com uma faca. Você lembra dos gritos, não lembra? De quando estava aqui dentro? Não é o tipo de coisa que se esquece... assim como a minha doce esposa... aaah... – Roose soltou um suspiro – Aquela ali eu realmente não vou esquecer.
Robb chutou a grade e Vento Cinzento rosnou ao seu lado.
—ONDE ELE ESTÁ, BOLTON?!
—Me tire daqui, me garanta perdão, me dê boas roupas para vestir e me leve ao meu castelo. Depois eu direi onde irá encontrá-lo. – disse ele e Robb engoliu em seco.
—Só isso?
—E me entregue minha esposa. Ela volta comigo para Forte do Pavor. Para garantir que o irmão dela não vai nos cozinhar lá dentro com o dragão dele. E nem que você vai ousar me atacar deslealmente.
—Você não vai colocar as mãos em Shiera. – sibilou, furioso, agarrado à grade.
—Então Ramsay lhe enviará as mãos do seu filho em breve. Dedo por dedo.
Robb gritou, sacudindo a grade e recuou. Depois se virou e saiu da cela, para olhar o menino.
—Walter. Quem entrou aqui? – perguntou ele.
—Os soldados entravam sempre. – respondeu ele, encolhendo – Alguns diziam que queriam insultar o traidor. Outros vinham zombar dele. Nunca achei que seria um problema, Vossa Graça.
Robb estava mais do que furioso, então saiu de lá com passos pesados e apressados. Foi até o quarto da esposa e deu três batidas.
—Vá embora! – gritou ela, mas ele abriu a porta assim mesmo. Shiera estava sentada na cama, num retrato de infelicidade. Ela o olhou e leu a ira em seu olhar. Fechou a porta ao entrar, ainda bufando, furioso – O que ele quer? – perguntou ela imaginando que ele tinha ido negociar com Bolton.
—Perdão, o castelo de volta, um juramento de que não iremos contra ele e... você. Ele quer te levar para Forte do Pavor como esposa e refém, garantindo que nem eu nem Aegon iremos atacá-lo. – Shiera respirou fundo e concordou com um aceno de cabeça.
—Está bem. Eu aceito. Diga que aceito. Eu...
—Eu não aceitarei isso. – disse Robb, com firmeza. Se aproximou dela e a tocou no rosto a olhando com atenção – Eu jurei que nunca mais iria deixá-lo encostar em você. Eu lembro o estado em que você estava quando ele te tomou para ele. Eu nunca mais vou deixar isso acontecer de novo. Você é minha esposa e eu vou protegê-la.
Shiera ficou com o lábio trêmulo e fechou os olhos, encolhendo.
—Não, Robb... e o nosso filho? O que vai ser do nosso filho?
—Se eu ceder, não serei mais respeitado pelos nossos Lordes.
—E se não ceder, será considerado um monstro. Não só pelos lordes, mas por mim. – disse ela, com os olhos úmidos – Por favor, Robb, se ainda tem um pingo de amor por mim, faça o que Roose pede. Faça tudo o que puder para ter Ned de volta. Você me jurou que iria pegá-lo de volta. Você me jurou, Robb. – Shiera afundou o rosto nas mãos e Robb engoliu em seco – Eu deveria ter ido embora, para Harrenhal. Por que não me deixou ir embora para Harrenhal? – perguntou ela, infeliz.
Robb sentiu o coração sangrar ao ouvir aquilo. Então a puxou contra si, a abraçando com todo o carinho que conseguiu. Shiera se permitiu ser abraçada e confortada, soluçando contra seu peito, mas ele não conseguia sentir-se feliz. Sentia que estava falhando, de novo, de novo e de novo. Beijou Shiera na testa e a escutou chorar e soluçar. Fechou os olhos pensando em seu filho e sentiu que estava prestes a chorar também. Foi quando a porta abriu. O Meistre dos Cerwyn entrou, parecendo ter más notícias.
—Pelos deuses, me diga que não é Ned. – implorou e Shiera olhou para o meistre.
—Não, Vossa Graça. Essa carta chegou de Harrenhal. Tem o selo dos Blackfyre. É uma carta para a senhora Shiera. – disse ele. Robb olhou para a esposa, que andou até o meistre. Olhou por sobre o ombro dela e leu o pergaminho quando ela o abriu. “Shiera. Sou seu irmão, Valerion. Me casei com Myrcella Baratheon, ela espera um filho meu. Mandei Sansa e Arya para o Norte. Meu exército voltou para Harrenhal, Dorne está comigo. Tommen tem o meu apoio. Mande seu marido vir jurar lealdade, assim como Aegon, ou marcharei contra o Norte, com os Lannister e os Tyrell. Nem mesmo um dragão vai manter o Norte livre. Dobre o joelho ou será o fim da Casa Stark.” E depois disso leu palavras sem nexo e sem significado. Apenas um punhado de palavras em uma língua que não conhecia.
Robb sentiu que nada parecia dar certo. Ele olhou para Shiera, que caminhou até a cama, parecendo perdida.
—Deixe-nos. – pediu Robb e o Meistre obedeceu. Sentia o cansaço enturvar sua mente e fazer sua cabeça doer. Fechou a porta e se sentou ao lado da esposa. Ela rasgou a carta e deixou os pedaços de papel caírem no chão. Os dois se olharam e ela engoliu em seco – Eu sinto muito, meu amor. – murmurou Robb.
—Winterfell não pode ir contra uma aliança entre Jardim de Cima, Porto Real, Rochedo Casterly, Harrenhal e Dorne. – lamentou Shiera.
—Nós temos o Vale e o que sobrou das forças de Stannis. Nós temos a Companhia Dourada. – murmurou ele.
—Não importa. – ela se jogou na cama, parecendo simplesmente desistir. Se deitou ao lado dela e a puxou para perto. A beijou na testa novamente, pensando em sua infelicidade. Shiera o beijou no queixo e ele a olhou surpreso. Ela o olhou de volta, parecendo simplesmente infeliz e derrotada e ele entendeu que ela procurava consolo. A beijou nos lábios e a puxou mais para perto. Ela o beijou de volta e o puxou também. Engoliu em seco, sentindo-se triste e desesperançado. Sentiu as mãos da esposa puxarem seu gibão, para que a distância entre os dois diminuísse. A puxou de uma vez, eliminando qualquer distância e ela interrompeu o beijo – Você quer guerra? – perguntou ela. Ele engoliu em seco – Eu entendo o meu irmão. Mas... você quer guerra? Você quer todos nossos inimigos mortos?
—Não. Seu irmão, aparentemente é nosso inimigo. Eu acho que podemos negociar.
—Não há espaço para negociações. Você quer vê-los mortos ou não, Rei do Norte? – perguntou ela, com ira nos olhos. Robb engoliu em seco e a afagou no rosto.
—Eu sinto muito, minha rainha. Mas tem duas coisas que eu quero nesse momento. Você e nosso filho. Os dois sãos e salvos ao meu lado. Não consigo pensar em Porto Real, ou no seu irmão. Não consigo pensar em Jon, não consigo nem mesmo pensar em mim. – ele baixou os olhos – Isso me torna um rei ruim?
—Isso te torna humano. – disse ela com carinho e Robb a olhou surpreso – Ainda há esperança? Em você? Em tudo? – perguntou ela. Robb engoliu em seco, mas concordou com um aceno de cabeça a olhando nos olhos.
—Sempre há. Enquanto você estiver ao meu lado sempre haverá esperança. – garantiu ele.
—Então mande os homens marcharem pro Sul. Amanhã. – disse Shiera, engolindo em seco – Você leu a carta?
—Sim. – respondeu confuso.
—Viu as últimas palavras?.
—Sim. Mas não entendi o que significavam.
—Significavam “Eu tenho um plano, irmãzinha. Avise a irmã do lobo” – disse Shiera se levantando. A observou andando de um lado para o outro, com os olhos ágeis e as feições concentradas. Robb se sentou, olhando para ela e seu coração disparou. Conhecia aquela mulher. Aquela era sua esposa. Aquela era Shiera Blackfyre. E pela primeira vez a reconheceu desde que voltara para Winterfell – Joffrey morreu e Tommen está no Trono de Ferro. Myrcella é herdeira dele. Se Tommen morrer, Valerion se torna o rei do Trono de Ferro. – ela o olhou intensamente – Com meu irmão no Trono de Ferro...
—Acha que a carta era uma farsa e a única mensagem válida eram as últimas palavras? – perguntou Valerion. Shiera o olhou com os olhos cheios de vivacidade. Robb suspirou, depois de respirar fundo – Entendi... e quanto a Ned?
Shiera se levantou e o olhou, com determinação no olhar.
—Eu vou achar Ned. E vou cravar uma flecha nos olhos malditos de Ramsay Snow e de quem mais estiver com ele.
—Como?
—Eu estou indo para o Bosque. – disse Shiera e Robb a olhou apreensivo.
—Shiera... não há garantias de que você vai conseguir ver o que quer que seja. – murmurou Robb. Shiera respirou fundo e engoliu em seco.
—Eu só posso tentar.
—Então irei com você. – disse decidido.
—Não. – ela o olhou apreensiva – Você precisa falar com os Lordes. Avise Nym para preparar um grupo de caça. – Robb negou com a cabeça.
—Você está cansada demais para isso. Ficaremos dois dias. Amanhã, depois de dormir, iremos atrás de Ned. Seu irmão está organizando um grupo de caça, de qualquer modo. Eu e você precisamos descansar, meu amor. – murmurou e Shiera baixou os olhos, com alguma compreensão em seu semblante abatido.
—Você provavelmente tem razão. Se eu estiver cansada, posso errar a flecha e isso pode significar a morte de Ned. – murmurou ela – Mas de todo modo eu quero ir até o Bosque. – ele se aproximou dela e ela voltou a falar antes que ele dissesse o que quer que fosse – Só.
Robb se interrompeu e concordou com um aceno de cabeça.
—Falarei com os Lordes então. Posso ter a esperança de dormir contigo? – perguntou e Shiera o olhou desconfiada. Por um momento se lembrou de certa época, quando ficava indo com ela para a biblioteca, para entediantes horas de leitura. Quando ainda estava tentando ganhar o afeto dela.
—Dormir? Só dormir?
—Meu estado de espírito e de cansaço não me permitiriam outra coisa, minha senhora. – riu honestamente. Shiera respirou profundamente e concordou com um aceno de cabeça. Em seguida ela saiu do quarto e Robb olhou pela janela, esperando que Ned estivesse bem.
**
Aegon escutava os homens reclamarem do frio. O vento estava mesmo muito gelado, mas ele não tinha intenção de voltar de mãos vazias. A neve caía sem parar, escondendo qualquer rastro que os cretinos poderiam ter deixado para trás. Mas ele não queria desistir. Sua irmã contava com ele, assim como Robb e Jon. Queria ao menos encontrar o corpo do menino, para que Shiera ao menos pudesse lhe dar um funeral digno. Se achasse Ramsay Bolton, iria matá-lo enforcado.
Procurou durante horas, se enfiando mata a dentro. Perguntou aos homens qual era a direção de Forte Pavor e foi se embrenhando na floresta a procura dos malditos sequestradores.
Aqueles últimos dias tinham sido muito turbulentos e ele ainda não estava sabendo lidar com tudo o que acontecera. Principalmente com o tópico “Jon Snow”. Sua irmã e Robb provavelmente iriam apoiar o rapaz. E ele mesmo gostava muito do garoto. Jon se provara um sábio líder, de coração bom. E ele tinha uma melhor reivindicação ao Trono que Daenerys. O que será que a garota faria a respeito? Será que não haveria uma situação pacífica entre sua família e a mulher que amava?
Parou seu cavalo, sentindo-se perdido. Lembrou-se da profecia do Fantasma de Coração Alto. Se escolhesse Daenerys, morreria. Mas seria capaz de dar as costas para ela, para fugir de um destino que talvez não passasse de palavras lançadas ao vento?
Olhou ao redor e seus olhos notaram algo. Desceu do cavalo e se aproximou de um amontoado. Jogou a neve para o lado e reconheceu os restos de uma fogueira apagada. Mas por conta da neve, não era capaz de dizer se seria uma fogueira recente ou antiga.
—Você ainda procura pelo garoto. – murmurou uma voz atrás de si. Se virou e viu a feiticeira vermelha de Stannis. Se levantou e a olhou sem muita paciência.
—Não costumamos dar as costas para nosso sangue aqui em Westeros... diferente do que Stannis fez, pelo que escutei. – retrucou se referindo a Renly, procurando por algum rastro que Ramsay pudesse ter deixado para trás.
—Shireen está inconsolável, assim como a esposa de Stannis. – disse Melissandre.
—Não sabia que aquela ali era capaz de sentir alguma coisa. – caçoou sem dar importância a Selyse Florent. A mulher era uma frígida estátua de gelo ao seu olhar, combinando perfeitamente com Stannis Baratheon. Continuou estudando a neve e encontrou, atrás de uma árvore, fezes congeladas. Sem dúvida os cretinos tinham acampado por ali. Se ao menos tivessem cães para farejar...
—Eu vi você nas chamas. – sussurrou Melissandre e Aegon bufou impaciente.
—Assim como viu Stannis como o salvador do mundo. Grandes merdas.
—Eu vi Stannis, é verdade. Mas me confundi. Agora entendo com clareza. Visões e profecias são coisas perigosas. – disse Melissandre se aproximando. Ainda estava no chão, procurando por alguma coisa que pudesse encontrar e que apontasse uma direção. Não tinha conhecimento da geografia Nortenha e isso deixava tudo mais difícil. Mas só havia um lugar para onde Ramsay poderia fugir. Se ele esperava notícias do pai, certamente permaneceria no Norte, para poder agir rapidamente, se necessário. Então ele provavelmente tinha partido para terras ao redor de Forte Pavor. Para sua terra natal... mas não fazia a menor ideia de onde seria essa desgraça – Algumas vezes nos agarramos a elas e ficamos cegos para outras coisas.
—Não sei se notou, mulher, mas eu estou ocupado. – rosnou Aegon, se virando para encará-la. Foi quando notou os olhos. Olhos vermelhos e brilhantes. Como os do Fantasma de Coração Alto. Engoliu em seco e de repente não era mais do que um menino.
—Eu vejo medo em você. E morte. Muita morte. Suas mãos estão repletas de sangue. Você é um assassino. – riu ela – Não é o herói que nos salvará da Longa Noite. Você morrerá antes. – esticou a mão e a enforcou, furioso.
—Engula suas maldições, bruxa. – ela segurou seus dedos e tentou se livrar.
—Você pode mudar o destino... – disse ela, sufocando e ele afrouxou o aperto. Melissandre respirou fundo e o olhou nos olhos – Não vá para o Norte. Não enfrente os demônios de gelo. Os enviados do Grande Outro. – murmurou ela e ele a colocou no chão.
—Eu não sou um covarde. Se eu tiver de lutar, lutarei. E se tiver de morrer lutando, morrerei.
—Existem coisas piores que a morte. – disse ela se afastando e indo até os restos da fogueira – Se eu encontrar o garoto, terá a consideração de dar atenção ao que eu tenho para dizer? – perguntou ela e Aegon a olhou.
—Se o encontrar, escutarei o que tem a dizer. Mas não prometo que acreditarei em suas palavras.
—Justo. – murmurou ela retirando alguns pós de dentro das mangas. A fogueira reacendeu sem que se precisasse de um sílex ou de friccionar um graveto em outro – Que o Senhor da Luz me mostre o caminho e que eu seja capaz de entendê-lo.
**
Shiera entrou no Bosque Sagrado e notou que já havia alguém ali. Jon Snow. Ele olhou para trás, para ela e suspirou.
—Shiera, eu realmente sinto muito pelo Ned. – disse ele. Shiera baixou os olhos, pensando em seu pequeno bebê. Sentiu falta de tê-lo em seus braços e desejou mais do que tudo recuperá-lo – Gostaria que eu saísse para que tenha privacidade?
—Não. – murmurou se aproximando. Tocou a árvore coração e fechou os olhos – Deuses Antigos, por favor. Me mostrem Ned. – pediu em voz alta, numa prece. Mas nada aconteceu. Tentou se concentrar, mas nada de diferente ocorreu. Normalmente suas visões vinham sempre em sonhos, mas tinha esperanças de ver o filho ainda acordada.
—Shiera. – murmurou Jon colocando a mão sobre a sua. Abriu os olhos e notou que ele a olhava com tristes olhos de tempestade – Os Deuses não trabalham assim. – explicou ele com carinho. Shiera olhou para o represeiro e caiu de joelhos, infeliz.
—Pouco depois que ele nasceu... eu e Robb brigamos. – sussurrou ela. Jon se sentou ao seu lado, a olhando com seus olhos calorosos – E eu transferi a raiva e mágoa que sentia por Robb, para ele. Eu não o suportava. Não queria vê-lo, não queria amamentá-lo. – Ela engoliu em seco – Eu reneguei o Norte. Não queria nada que pertencesse a ele. E então Robb morreu, você morreu e então Ned me foi arrancado. – ela engoliu em seco – Quanto mais os Deuses hão de me castigar? – perguntou ela. Jon suspirou e apertou sua mão.
—Nós vamos encontrá-lo. – garantiu ele.
—E se não encontrarem? – perguntou Shiera.
—Então iremos fazer com que qualquer um que tenha o sangue Bolton pague por isso. – prometeu ele e Shiera respirou fundo, mirando o Represeiro. E de mãos dadas a Jon, fez uma prece.
**
Ela o observou partir na aurora. Com seu exército, ele se retirou de Porto Real, a deixando para trás mais uma vez. Sempre imaginou que estaria plena no dia em que se casasse com ele, mas nada poderia ser mais distante da verdade.
Valerion prometera marchar no dia seguinte ao casamento, mas Tommen, por ordem de tio Kevan, pedira que ele esperasse uma semana. Isso deu tempo para que a maior parte do exército de Valerion chegasse. As tropas Blackfyre eram muito maiores que as Lannister ou as Tyrell. As duas tropas já tinham lutado, enquanto as tropas de Harrenhal estavam intocadas. O medo tomou a cidade por algum tempo. Mas logo Valerion tratou de acalmar os ânimos. Distribuiu comida aos pobres, visitou orfanatos e até deu aulas de espada para os garotos. Ele era o príncipe que Porto Real sonhara. Ou pelo menos a massa de Porto Real. A corte recebeu um tratamento muito mais gelado. Todos temiam o dia em que o dragão negro cuspiria suas chamas dentro do castelo.
Por isso Valerion não teve permissão para colocar suas forças para dentro da cidade.
Myrcella se perguntou se ele seria um cretino para com ela. Mas ele era sempre muito educado e cuidadoso com ela. Mas não havia carinho em seus toques e olhares. Ele a evitava se houvesse como. E por mais que dividissem o leito, ele lhe dava as costas e não lhe dava atenção. Tentou conseguir atenção dele, primeiro com pedidos e depois com ordens. Mas ele recusou seus toques com frieza. Ela ameaçou anular o casamento, caso ele não a tratasse como uma esposa e ele falou que era um direito dela.
Então em outra oportunidade, ela tentou embebedá-lo e reconquistá-lo com carinho. Valerion não recusou o vinho e bebeu até que ela conseguiu tirar a frieza dele. Sentiu-se feliz com os beijos e toques dele, por mais que ele estivesse bêbado. Se sentiu um pouco suja por estar usando de um artifício desses, mas se permitiu ser egoísta quando ele a possuiu. No entanto, quando ele estava chegando ao ápice, ele sussurrou o nome de Sansa em seu ouvido, junto com uma jura de amor. E antes que pudesse esmurrá-lo, notou que ele havia desmaiado. Desde então se evitavam ao máximo.
Não havia mais amor entre eles. Tudo o que tinha conquistado, tinha desaparecido. E não podia parar de pensar que a culpa era completamente sua. Eu deveria ter dito que estava grávida e pedido para que ele voltasse. Não deveria falar que estava em perigo e em eminência de ser presa ou torturada.
Valerion não lhe dera nem mesmo um beijo antes de partir e quando ela lhe ofereceu seu favor, para dar-lhe sorte, ele o recusou em frente a todos, subindo em seu cavalo e indo embora. Ele deixara uma pequena força com ela. Apenas cem homens, que faziam revezamento para mantê-la segura. Sempre que pardais se aproximavam, os homens tiravam suas espadas do cinto, mantendo a Fé Militante longe. Mas ela não parava de se sentir vigiada e presa por conta daqueles mesmos homens.
Sentia-se infeliz e se perguntava se aquilo passaria. E sentia que não tinha com quem conversar a respeito. Passou o dia na Arcada das Donzelas, lembrando de outro momento de paixão com Valerion. Depois, ao cair da noite, foi para o antigo escritório de Valerion, que agora pertencia a Randyll Tarly. Se lembrava das várias vezes em que tinha estado com o esposo ali, quando eram apenas prometidos. Lembrou dos sorrisos e dos olhares cheios de carinho dele. Sentia falta daqueles dias de uma maneira que não conseguia explicar.
Andou até os aposentos do irmão e encontrou Tommen parecendo enfadado.
—Meu irmão? O que houve? – perguntou com um sorriso gentil.
—Margaery. – respondeu ele, parecendo estar entre a raiva e a insegurança – Ela... hum... ela me evita. – ele corou e Myrcella sorriu.
—Na cama? – perguntou se sentando e Tommen concordou – Valerion me evita também. – disse infeliz – Mas por que Margaery o está evitando? Ela costumava falar muito bem de vossa relação. – riu tentando se distrair e o irmão corou ainda mais.
—O que ela falava? – perguntou ele, mas então ele corou ainda mais e balançou a cabeça – De qualquer maneira... – ele arranhou a garganta – Ela acha... que está pecando.
—Não é pecado. São casados. – riu Myrcella – E ela tem a obrigação de te dar um herdeiro. – adicionou Myrcella.
—Eu sei, eu sei... mas ainda assim. – ele suspirou – Não sei o que fazer. Não sei o que fazer em relação a tudo. Eu... eu sou um péssimo rei. Joffrey era muito melhor do que eu. Valerion estava com toda razão em falar que o povo sente falta dele. Eu sou um completo...
—Pare, Tommen. De que adianta sentir pena de si mesmo? – perguntou Myrcella – Escute. Mandaram Valerion terminar de conquistar Dragonstone. Os homens de Stannis ainda defendem o lugar, por mais que notícias falando da morte dele estejam voando por toda Westeros. Eles querem coroar Shireen. – ela riu com desdém – Logo só faltará o Norte se curvar. E então ninguém poderá se colocar contra o Rei Tommen Baratheon, primeiro de seu nome.
—Você acha mesmo que Valerion irá contra a própria família? – perguntou Tommen.
—Valerion é refém de si mesmo e dos próprios votos. – murmurou Myrcella – Ele vai ser leal a ti, irmãozinho. Não te preocupes. – garantiu Myrcella e Tommen concordou – Soube de mamãe?
—Soube que ela vai ser liberada amanhã, mas tio Kevan falou que eu não devo recebê-la. Ela virá a mim quando se sentir confortável para isso. – explicou ele e Myrcella concordou.
—Ele tem razão. Espero que ela esteja mais mansa depois de tudo.
—Ainda crês que mamãe armou tudo isso? – perguntou ele – Mesmo depois de tudo o que aconteceu com ela?
Myrcella achou que sua mãe tinha colocado mais coisa na boca do que seria capaz de mastigar, mas preferiu não atormentar Tommen com isso. Ele ainda era o garotinho da mamãe.
Passou o jantar com ele e então se retirou para seus aposentos.
No dia seguinte, se preparou para receber a mãe. Tio Kevan insistiu para que ela não visse o que se passava, mas ela bateu o pé, escolhendo estar presente. Sua mãe chegou nua, ferida e com lágrimas nos olhos. Seus cabelos tinham sido todos tosados, inclusive os de suas partes. Ela a olhou, em choque, pois não a esperava ver ali. Myrcella entregou um manto para a mãe, que se enrolou nele. Depois a guiou para um aposento, para que se lavasse. Meistre Pycelle veio cuidar de suas feridas e Myrcella ficou a observá-la. Não trocaram palavras. Sua mãe parecia quebrada. Seu orgulho finalmente parecia dobrado.
Quando trouxeram roupas para ela e Cersei Lannister estava finalmente apresentável, Myrcella se levantou para guiá-la até o rei. Andaram lado a lado, com as tropas Blackfyre sempre as seguindo. Sua mãe as observou com os olhos e suspirou.
—Então... o casamento é tudo o que desejaste? – perguntou Cersei e Myrcella engoliu em seco.
—Sim. – mentiu, sem saber o motivo – Valerion se preocupa demais comigo e deixou esses homens e outros mais para proteger-me dos Pardais e de qualquer um que me queira fazer mal. – respondeu. Sua mãe sorriu com outro sorriso no rosto.
—Jaime me contou que você estava linda no dia do seu casamento. Eu gostaria muito de ter visto... – ela fungou – Minha garotinha é uma mulher... – ela engoliu em seco – Valerion, seu esposo, a trata bem? – perguntou sua mãe com preocupação e Myrcella concordou.
—Sim. Ele dobrou o joelho a Tommen por mim e declarou guerra à irmã por mim. Tinha que ter visto como foi impressionante.
—Seu tio me contou. – disse sua mãe e Myrcella suspirou. Meu pai, quer dizer – Fico feliz de saber que ele a ama tanto. – disse sua mãe e Myrcella engoliu em seco – A gravidez lhe fez bem. – disse sua mãe e Myrcella a olhou surpresa – Já faz quase um mês que não a vejo.
—Dois meses, mãe. – murmurou Myrcella.
—Dois? – perguntou ela, parecendo surpresa – Os dias me ficaram confusos no cativeiro. – lamentou ela numa mansidão que não pertencia a Cersei Lannister. Via um gatinho e não uma leoa. Ou talvez fosse isso que sua mãe queria que ela visse – Quanto tempo falta para que o herdeiro Blackfyre venha ao mundo?
—Meistre Pycelle garantiu que em cinco meses darei à luz. – respondeu. Seriam cinco meses o suficiente para Valerion a perdoasse por tudo?
—Tenho certeza de que será uma excelente mãe. Valerion está empolgado com a perspectiva de ser pai?
—Ele demonstra que sim de sua maneira. – respondeu – Ele se preocupa com o que eu estou comendo e todo o tempo o vejo mirar minha barriga. Ele está muito super protetor comigo. – respondeu aquelas meias verdades. Ele realmente fazia isso, mas não sabia se ele apenas se preocupava com sua gestação ou se era amor pelo filho que conceberam.
—Que bom. Espero de coração que minhas suspeitas sobre ele estejam todas erradas e que ele seja tudo aquilo com que sempre sonhaste, meu amor. – murmurou sua mãe. Myrcella respirou fundo, lembrando dos frios olhos de Valerion. Lembrando da frieza em seu leito. Da frieza de seus toques e do sussurrar em seu ouvido, de outro nome.
Chegaram ao quarto de Tommen e Myrcella suspirou.
—Se Margaery estiver aí com ele, por favor, não crie caso com ela. – pediu Myrcella e Cersei concordou com um simples aceno de cabeça.
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