Notas iniciais
Oieeee Sem banner de novo. Gente, eu sou a rainha do azar. Comprei um pc novo, estou esperando ele chegar. Ai o meu antigo,não sei se num momento de revolta e ciúmes, resolveu apagar de vez. Agora eu estou na merda. Sem pc. Mas eu tenho um cartão de memória, com minhas fics e meus banners. Só que aconteceu o que? Eu perdi ele. T^T E tinha coisas da faculdade nele, tipo: MEU TCC E com meu pc morto e sem meu backup... bem, o desespero tá grande. A sorte é que eu tenho outro backup no meu email, mas só das fics. Os banners foram pro inferno. E falando em banner, o Perfect Design, que era onde eu mais encomendava banner, a licença do site expirou. Alguém sabe se ele vai voltar. Eu tinha dois banners encomendados lá D= ajudem uma autora desesperada, plz. Se alguém souber de alguma coisa, adicionem aí nos comentários, ok? E se preparem que o capítulo de hoje é TIRO PORRADA E BOMBA #PartiuLer

Capítulo 59

Luto

Robb a puxou para si, mais por nostalgia do que por um movimento pensado. Sentiu o corpo quente dela e quis mais proximidade. Só quando ela veio, que se tocou do que estava acontecendo.

Quando ele e Shiera dormiam juntos, quando estavam muito bem um com o outro, sempre dormiam abraçados, com os corpos nus enrolados um no outro. E quando acordavam no meio da noite, já tentavam voltar ao que tinham feito antes de dormir. Mais de uma vez acordara com os beijos dela em seu queixo e sentido um toque nada comportado em seu membro viril. O que significava que acordava já ardendo de desejo, precisando saciar-se.

Mas quando foram dormir naquela manhã, Shiera lhe dera as costas, deitando-se o mais distante que a cama permitiu e ele respeitou isso. No entanto, agora, ela enrolava suas pernas na dele e quando ele a puxou para perto, o alvo braço dela repousou em seu peito. A olhou com atenção, com alguma pouca luz entrando pela cortina pesada. Shiera dormia profundamente e nem se deu conta de que aceitara seu toque.

Tocou o rosto da esposa com carinho e a beijou nos lábios. Ela suspirou no sono e ele a beijou de novo. Sentia-se desperto e descansado, provavelmente já deveria ser quase hora do almoço. Shiera suspirou de novo e quando se afastou minimamente dela, ela se aproximou voltando a beijá-lo. A beijou de volta, sentindo o desejo que contivera em todo aquele tempo querer explodir. Shiera parecia ainda estar adormecida, sem corresponder ao que sentia, mas ela não o empurrou.

—Shiera... – sussurrou no ouvido dela e ela resmungou ao se remexer – Shiera, meu amor. – sussurrou de novo e ela abriu os olhos. Recebeu um olhar surpreso da parte dela – Acho que é hora de levantar. Mesmo reis e rainhas não devem dormir até tão tarde. – murmurou ele e a esposa se sentou preguiçosamente.

—Se eles tivessem tido alguma notícia de Ned, teriam nos acordado, certo? – perguntou ela. Robb concordou.

—Eu mandei alimentarem Roose e mandei roupas confortáveis para ele, além de um banho quente. Mas ele ainda está preso. – murmurou Robb – Se tivéssemos alguma notícia de Ned deveríamos ser avisados. E se Aegon voltasse enquanto dormíamos, deveríamos ser acordados independentemente do que ele tiver encontrado.

—Isso significa que ele ainda não retornou. – murmurou Shiera. Robb concordou. Se deitou de barriga para cima e o cobertor não pode esconder o volume de seu desejo, que se acumulara em suas partes. Shiera notou e o olhou acusatoriamente.

—Acabei de dormir contigo. É normal. – disse numa tentativa de se defender. Shiera desviou o olhar – E já faz muito tempo desde... que estive com a senhora pela última vez. – murmurou a alisando nas costas. Ela usava um vestido simples e branco, de dormir, que não escondia nem mesmo a cor rósea de seus mamilos. Robb sentia que enlouqueceria a qualquer momento, com os olhos postos nela. Shiera sentiu seu olhar para seus seios e se escondeu com o cobertor. Robb sorriu para ela, sabendo que tinha esperado o máximo que poderia. Se ela o repelisse, respeitaria isso, mas ao menos precisava tentar. Provavelmente ficaria louco se nem ao menos tentasse – Minha senhora, pra que tanta timidez? – perguntou a deitando na cama. Aproximou o rosto, mas não selou a distância. A olhou nos olhos, esperando que ela o fizesse. Shiera fechou os olhos e suspirou.

—Lamento, Robb... mas minha mente está focada em Ned. Não tenho gana disso. – disse ela virando o rosto.

—Não podemos fazer mais do que já estamos fazendo, meu amor. – murmurou ele a afagando na coxa por baixo da coberta – Agora nos resta esperar.

—Enquanto nosso filho sofre nas mãos dos nossos inimigos, você está com pensamentos desse tipo? – perguntou ela e Robb suspirou e a olhou nos olhos.

—Shiera... vou ficar louco. – resmungou ele – Sou fiel a ti. Sou completamente teu. Por favor. Não me faça implorar por ti, pois estou em tal estado que certamente imploraria. – a olhou com desejo e ela corou de leve – Permita-me provar de tua pele, minha senhora. – pediu ele ficando de quatro em cima dela, para em seguida beijar seu alvo pescoço. Sentiu o leve cheiro de lavanda e groselha e isso o atiçou inteiro, como se aquele cheiro tão familiar fosse um toque indecente da parte dela. Desceu os beijos para o ombro alvo dela e o mordiscou com carinho e cuidado. Suas mãos foram trêmulas até o cordão que prendia o vestido e seus dedos desataram o nó. Shiera não o interrompeu e ele levou isso como consentimento. Continuou a beijá-la no ombro, mas então suspirou, com a língua descendo para o vale entre os dois seios dela – Permita-me, minha senhora. – sussurrou com os lábios roçando seus rosados mamilos.

—Permito... – sussurrou ela e Robb passou a língua no círculo rosa, para em seguida soprar-lhe. Shiera estremeceu e soltou um som adorável. Lembrou-se de certo dia, em Harrenhal, quando lhe beijara pela primeira vez entre as coxas. Sorriu e tomou o mamilo com sua boca, o beijando apaixonadamente. Depois fez o mesmo com o outro, de lamber, soprar e beijar e mais uma vez Shiera remexeu-se deixando escapar um gemido. Robb desceu o vestido dela até as ancas, para em seguida descer os beijos. Desceu até a barriga e brincou com a língua no delicado umbigo dela – Robb... espere... – sussurrou ela, parecendo sem fôlego, mas ele sentia pressa e não lhe seria lúcido esperar. Desceu ainda mais o vestido, o retirando por completo, para então apertar as coxas da esposa – Robb... – sussurrou ela. Robb engoliu em seco e a beijou nas coxas, cada vez se aproximando mais do alvo que visava. Quando estava quase na virilha, começou a beijar a outra coxa e escutou Shiera respirar fundo. Entendeu que por mais que ela pedisse que ele esperasse, a verdade era que ela estava impaciente. Então a deixou mergulhar por alguns segundos em expectativa antes de atender ao desejo que ela sentia. Ela provavelmente se sentia culpada por estarem fazendo aquilo enquanto Ned estava desaparecido, mas ela precisava se livrar daquela tensão e ele aliviar aquele louco desejo. A beijou do jeito que ela gostava e sentiu as mãos dela acariciarem seus cabelos. Shiera se remexeu, enquanto tentava não fazer barulho. Ficou ali o máximo que pode, mas seu corpo exigia mais e mais. Queria possui-la. Queria reivindicar seu direito de esposo. Mas precisava saber que ela queria. Não queria ser uma obrigação, como acontecera na Muralha. Queria escutá-la pedir. Queria se sentir desejado e amado, como sempre fora – Oh, Robb... – ela soltou um gemido mais forte e lhe puxou os cabelos de leve.

Foi quando bateram na porta. Interrompeu o que estava fazendo, desejando ter sido apenas sua imaginação.

—Robb, Shiera... Sou eu, Rickard. – disse Lorde Karstark e Robb se deitou ao lado da esposa, para esconder a ambos com o cobertor.

—Estamos acordados, meu Lorde. – disse Shiera, que tinha o rosto muito corado.

—É Aegon... ele está de volta. Com um prisioneiro. – explicou ele.

Shiera pulou da cama e parecia disposta a abrir a porta, mesmo estando nua. Robb a alcançou e a enrolou no cobertor, antes de abrir a porta para o lorde. Rickard Karstark corou violentamente ao notar a situação que interrompera, mas Shiera não deu tempo para constrangimentos.

—Ned? Ele trouxe Ned? – perguntou ela. Lorde Karstark a olhou com os olhos pesarosos.

**

—Se Margaery estiver aí com ele, por favor, não crie caso com ela. – pediu Myrcella e Cersei concordou com um simples aceno de cabeça. Abriu a porta e as duas entraram sem bater. Foram até a mesa, onde Tommen provavelmente estaria, mas não o encontraram. Myrcella olhou para os lados, pelo aposento do rei e deu de cara com Margaery. Ela estava de joelhos, no chão, olhando para dentro do banheiro, escondendo a boca com as mãos, com um olhar vidrado e chocado. O rosto pálido, com um grito que parecera estar entalado dentro de si. Myrcella sentiu um calafrio lhe subir a espinha e sua barriga remexeu. Sua mãe deu passo à frente, com o gatinho manso desaparecendo e dando lugar à leoa – Margaery? – chamou Myrcella com uma sensação de agouro a tomando.

—Onde está Tommen?! – perguntou Cersei – ONDE ESTÁ O MEU FILHO?! – gritou ela em desespero e Myrcella sentiu-se nauseada. Margaery apontou para dentro do banheiro e mãe e filha avançaram para encontrar Tommen pendurado por um nó de corda ao redor do pescoço. Margaery soltou um soluço sofrido e Cersei gritou de desespero. Myrcella recuou dois passos e tudo ficou escuro antes mesmo de sentir o chão lhe acertar com força.

Acordou ao som dos sinos. Desejou que tudo aquilo não passasse de um pesadelo. Deitou-se de lado e chorou. Reconhecia os sinos de Baelor a ressoar no ar. Aquela infeliz melodia que dizia que o rei estava morto. Os escutara no dia da morte de seu suposto pai, o escutara no dia da morte de Joffrey e os escutava novamente agora, dizendo que aquela visão não fora um terrível pesadelo, mas realidade. Tommen estava morto. Ele tinha se enforcado, ou talvez sido assassinado. Ainda não sabia. Colocou a mão no ventre, chorando em silêncio, ou ao menos o mais silenciosamente que pode. Seu pequeno irmão tinha morrido. E agora a responsabilidade de cuidar dos Sete Reinos era toda dela.

Inevitavelmente alguém acabou por escutar seus soluços ou fungadas. Meistre Pycelle lhe ofereceu um chá, mas recusou.

—Acalme-se menina. É apenas um chá para aquietar seus nervos.

—Não quero. Deixe-me! – rosnou – Vá embora!

Pycelle engoliu em seco e concordou, se curvando, antes de sair.

—Sim, Vossa Graça. Apenas sirvo à Rainha dos Sete Reinos.

Fechou os olhos ainda mais infeliz.

**

Valerion se sentou no cadeirão de Dragonstone. Tyrion estava ao seu lado, com um olhar admirado.

—É um belo castelo. – disse o anão.

—Diferente de qualquer outro em Westeros, certamente. – murmurou Valerion. Tinha ganhado um ferimento no peito. Mais uma cicatriz para a coleção. Seu peito estava enfaixado, por baixo das bonitas vestes que trajava. Tinha mandado alguém limpar e polir sua armadura, além de desamassá-la. Tinha sido uma batalha fácil, mas ele fora o principal alvo dos homens que sobraram de Stannis. Dragonstone estava conquistada e ele precisaria mandar um corvo para Porto Real, anunciando sua vitória para o Rei Tommen – Soube que Stannis matou o meistre que tinha aqui. Já descobriu quem é o responsável pelos corvos? – perguntou Valerion. Tyrion respondeu que não. Foi quando Oberyn entrou no grande salão, parecendo até bastante satisfeito – Algo aconteceu.

—Conquistamos Dragonstone e Tommen te deve mais essa. – disse Tyrion.

—Aquele sorriso de Oberyn não significa só isso. – murmurou. Tyrion olhou para o Dornês e concordou.

—É... acho que você tem razão.

—Valerion. – chamou Oberyn parando em frente ao cadeirão, que parecia antes um trono do que uma reles cadeira – Fica bem sentado aí.

—Fico bem em qualquer lugar. – devolveu com um sorrisinho e Oberyn se ajoelhou – Hum... agora fomos um pouco longe nas brincadeiras.

—Não há brincadeira alguma. Vida longa a Valerion Blackfyre, Primeiro de seu Nome, Rei dos Ândalos, dos Roinares e dos Primeiros Homens, Senhor dos Sete Reinos e Protetor do Território. – bradou Oberyn e Valerion olhou para Tyrion, com o semblante fechado. Tommen morreu? Mas Naerys me convenceu a não pagar pela morte dele. O que será que aconteceu?

—Tommen está morto? Como? – perguntou Valerion e Oberyn entregou um papel a Tyrion.

—Foi encontrado morto em seu quarto. Ele se enforcou pelo que diz aqui. – disse Oberyn apontando para o pergaminho – E com ele morto, Myrcella é a próxima na sucessão do Trono de Ferro, e como ela é sua esposa. Você é o rei. – explicou Oberyn.

—Você está sendo chamado de volta em Porto Real. – disse Tyrion.

—Terei que responder por uma morte onde nem mesmo estive presente? – perguntou fechando a cara – Quem enviou essa mensagem? – perguntou furioso.

—Minha sobrinha. Cersei colocou Margaery na prisão. Porto Real está prestes a ter um levante. – explicou Oberyn – Devemos nos apressar para acal...

—Cersei?! – cortou Valerion, ficando de pé – Cersei não estava presa?

—Não está mais. E com Tommen morto, provavelmente é ela quem está governando.

—Myrcella não está regendo a cidade por que? – perguntou com o semblante fechado.

—O que importa? A leoa quer roubar sua coroa. – ralhou Oberyn – Volte e enfie sua espada no peito dela. Os Tyrell agradecerão e te apoiarão.

Valerion suspirou voltando a se sentar. Não estava em condições de batalhar, mas não podia dar a Cersei tempo de se reorganizar. Aquele corvo deixara Porto Real há menos de um dia... o caminho de Porto Real a Dragonstone era muito curto.

—Preparem as tropas. – murmurou sombrio – Vamos tirar Cersei do Trono de Myrcella. – disse num sibilo e Tyrion suspirou.

—Do seu trono, não? – perguntou Oberyn.

—É... – disse um pouco sem jeito – Meu trono...

—Tome cuidado. Stannis Baratheon pode ter dito essas mesmas palavras nesse mesmo lugar onde você se encontra. – aconselhou o anão.

—Ele não tinha a minha força e minhas alianças. – disse se levantando – Agora tudo muda de ângulo. Comigo sendo rei, posso concordar com um acordo de independência com o Norte para garantir a aliança com eles. Algo sem sangue e traições. Meu único inimigo será Cersei. – murmurou ele – E ela não poderá contra mim. Não só. – Ele olhou para Oberyn – Proclamarei Tyrion Lorde de Casterly Rock, casarei Cersei com alguém para que ela deixe Porto Real e nunca mais me aborreça. E tentarei convencer meu irmão a se casar com sua sobrinha. – disse ele para Oberyn – Caso ele não queira, no dia em que ela resolver se casar e ter filhos, podemos unir nossas casas assim.

—Eu preferiria ver minha sobrinha no Trono. Mas o que te coloca lá é justamente estar casado com a filha de Cersei Lannister. – disse Oberyn, apesar dele parecer satisfeito – Terei que me contentar com isso. Já me entregaste o crânio do Montanha. É mais justiça do que jamais tivemos de Tywin ou de Robert. Dorne o seguirá. – garantiu a Serpente e Valerion suspirou.

—Agradeço por isso. – ele respirou fundo e levantou o olhar – Vamos. Vamos voltar para a capital, Myrcella deve estar em profunda tristeza com tudo isso... Não posso deixá-la enfrentar o luto sozinha. Confio que vocês podem organizar tudo. Eu preciso escrever algumas mensagens e mandar alguns corvos. – disse se levantando e descendo os degraus do cadeirão.

—Valerion. – chamou Tyrion e o Blackfyre o olhou, sentindo a euforia do momento querer dominá-lo. Tentou parecer calmo e manter-se calmo, mas sentia já as pontas dos dedos ficarem levemente dormentes – Eu o aconselharia a não abraçar o poder de maneira tão óbvia assim tão rápido. – disse o anão – O que te dá poder é Myrcella e o filho que ela espera de você. Não se esqueça disso. – murmurou o anão, muito sério – Se Myrcella quiser te mandar para Harrenhal, para te manter longe do poder, ela pode fazer isso e fará. – concordou ele e Valerion engoliu em seco. Isso poderia atrapalhar seus planos de ajudar a irmã e de manter Sansa segura. Respirou fundo e concordou com um aceno de cabeça.

—Mas se ele ficar todo cheio de hesitações, o julgarão mais fraco que ela. – disse Oberyn – Não deixe que essa dúvida passe pela mente dos Lordes Valerion. Eles precisam saber que você é o braço forte da Rainha.

—Como Daemon Targaryen com sua rainha e esposa, Raenyra. – murmurou Valerion.

—É, mas sem a história da amante, por favor. – murmurou Tyrion.

**

Shiera abraçava o pequeno corpinho do filho, apesar de tudo. Seus olhos eram pura infelicidade, mas não haviam lágrimas neles. Provavelmente ela chorara até secar. Robb olhava para ela sem alegria no olhar. Era também o retrato de infelicidade. Jon olhava para os dois desejando poder fazer algo para ajudá-los, mas não via nada que pudesse fazer. Os dois pareciam tão infelizes que nem mesmo deram atenção a Ramsay Snow. Ele estava de pé, muito ferido, pois Aegon o espancara o máximo que conseguira. Vargo Hoalt e o outro companheiro dos dois ficaram enforcados no moinho em que estiveram escondidos. Apenas Ramsay tinha sido trago de volta.

Só tinha olhado para o garoto uma vez, e desejara não tê-lo feito. Os desgraçados tinham ficado com fome e não tinham comida. Então resolveram comer o garoto. Comeram partes das perninhas gorduchas, braços, ancas e suas bochechas. Obviamente o menino estava morto, mas não sabia se quando decidiram devorá-lo, ele ainda estava vivo. Torcia para que não. Torcia para que ele tivesse tido uma morte rápida, limpa e indolor. Mas não sabia se teria estômago para aguentar a resposta, caso perguntasse.

Robb olhou para Ramsay, parecendo finalmente se dar conta de que ele estava ali.

—Jogue-o na mesma cela que o pai. E então tranquem a cela e joguem a chave dentro do rio. – rosnou ele – E ninguém nunca mais falará no nome Bolton de novo. – rosnou ele. Depois ele olhou para Shiera, que estava de joelhos no chão, balançando de um lado para o outro, com o filho nos braços – Levem o corpo dele e comecem a prepará-lo para sepultá-lo. – pediu Robb. Jon se perguntou se teriam que arrancar o pequeno Ned dos braços de Shiera, mas ela se levantou, beijou o filho morto na testa e o deitou sobre a mesa com todo cuidado. Depois ela o cobriu com a capa de Aegon, que tinha sido usada para isso antes. Ela suspirou, olhando para o filho e então deu as costas para eles, deixando o castelo. Robb lançou um olhar rápido para Rickard Karstark, que logo entendeu e foi atrás dela. Aegon levantou Ramsay, que sorriu um sorriso sujo de sangue.

—Eu posso até morrer aqui, mas viverei eternamente em seus pesadelos. – riu ele para Robb – Não conseguiu protegê-la de nós e nem conseguiu proteger seu filho de mim. Você é uma falha. Um fracasso. – ele se jogou para frente e Robb ficou parado, o encarando, sem reagir, com os olhos azuis frios como os de um caminhante branco – Olhe nos meus olhos, Robb Stark. Eu sou a prova do seu fracasso, como rei, como lorde, como homem.

Aegon o acertou na boca do estômago e Ramsay calou a boca. O Blackfyre o levou dali e Jon ficou sozinho com Robb. O irmão foi até a capa de Aegon e descobriu o rosto desfigurado do filho. Ele alisou o rosto do garoto com o polegar e então soltou um longo e infeliz soluço.

—Não dê atenção ao que ele diz. – murmurou Jon. Robb concordou com um aceno de cabeça. Ele pegou o corpinho já duro de Ned e fez como Shiera tinha feito, o acalentando. Jon achou aquilo simplesmente triste demais. Robb pressionou a cabeça do filho contra o peito e suspirou de novo, com os olhos cheios de água.

—Eu espero de coração que você nunca passe por algo assim. – murmurou Robb – Eu pensava que entendia a dor de Lorde Karstark, por ele ter perdido seus filhos e eu o meu pai, mas só agora... só agora eu compreendo. – lamentou Robb voltando a enrolar Ned na manta – Eu deveria ter passado mais tempo com ele. Mas eu tinha a guerra. Eu tinha que marchar e então eu perdi a memória... e quando a recuperei, era mais guerra. Eu precisava ser rei, ser general, liderar... eu... eu falhei com ele. – murmurou Robb e Jon engoliu em seco – Ele era o último laço que eu tinha com uma época onde eu e Shiera nos amávamos. Ele era o que restava... e assim como meu casamento... agora ele está morto.

—Seu casamento não está morto, Robb.

—Mas meu filho está. – murmurou ele enrolando com cuidado o pequeno bebê – E eu não tive nem coragem de perguntar como foi que ele morreu. Eu prefiro não saber. Prefiro imaginar que foi rápido.

—Eu também. – murmurou Jon. Ele olhou para Robb, que suspirou.

—Eu vou para o Bosque. Preciso buscar um pouco de paz. Você pode... pode falar com os servos... sobre ele? Sobre Ned?

—Claro. – murmurou Jon. Robb agradeceu em silêncio e saiu. Jon olhou para o pequeno embrulho, envolto na capa vermelha com o dragão negro. Quando todas aquelas mortes iriam parar?

**

Robb chegou no Bosque e encontrou Shiera ali, deitada na relva. Lorde Karstark a observava e se retirou quando ele chegou. Robb se sentou no tronco que tinha ali e fechou os olhos, perdido em dor. Shiera o viu e os dois se olharam.

—Eu sinto muito. – murmuraram juntos e Shiera veio rapidamente para abraçá-lo. A abraçou de volta e os dois choraram no ombro um do outro.

—Me perdoe. – pediu Robb – Me perdoe.

—Não é culpa sua. – disse ela segurando seu rosto e colando a testa contra a dele – Me ouviu? Não é culpa sua e nem minha. A culpa é só deles. De Bolton e do bastardo dele. Você entendeu? – perguntou ela e Robb sentiu um frio em seu peito, mais gelado que qualquer inverno imaginável.

—Então por que dói tanto? – perguntou ele, completamente infeliz e Shiera não respondeu, sentando em seu colo, para abraçá-lo. A abraçou de volta, deitando a cabeça em seu peito, se permitindo chorar e ser consolado pela mulher que amava. E logo o Bosque ficou tomado pelo choro dos dois.

**

Myrcella vestia um vestido completamente negro, pois estava de luto. Seu irmão seria sepultado naquela manhã e em mais ou menos de sete dias ela seria coroada Rainha de Westeros. Quando a porta se abriu, imaginou que fosse Jaime, falando que era a hora. Mas não. Era Valerion. Ele a olhou, desarrumado e sujo, ofegante e ela se perguntou se ele viera correndo desde Dragonstone.

Ele entrou em seu quarto e a puxou para um abraço, a pegando completamente de surpresa.

—Como estás, minha senhora? – perguntou ele. Myrcella engoliu em seco e não respondeu – Eu sinto muito, Myrcella. Eu voltei assim que recebi a notícia. – ele a soltou e os olhos dela foram para seu ventre – E o bebê? – perguntou ele e ela se sentiu um pouco melhor. Havia preocupação nos olhos dele e isso a confortou.

—Ele começou a mexer. – murmurou ela e Valerion concordou.

—Mas isso...

—Está tudo bem com o bebê. – cortou um pouco mais seca do que planejava e ele notou seu tom. Ele voltou a adquirir aquele semblante distante e suspirou.

—Entendo. – murmurou ele – Desejas que te acompanhe no velório? Ou preferes ir com tua mãe? – perguntou ele.

—Tenho absoluta certeza de que poderá encontrar sorrisos com os Tyrell, principalmente com Margaery. – disse Myrcella, friamente e Valerion revirou os olhos.

—Como quiser. Só queria te dar apoio nesse momento. – então ele – E até onde eu soube, Margaery está presa. A menos que queira ver os Tyrell deserdarem, recomendo que a faça ser solta o quanto antes. – e então ele se virou e saiu. Quase correu atrás dele, mas seu orgulho falou mais alto. Estava infeliz e de luto.

Minutos depois sua mãe veio buscá-la e as duas foram de braços dados para o Septo de Baelor. Sor Loras acompanhava lady Olenna, que parecia enfurecida. E com razão, já que sua mãe acusara Margaery de ter matado Tommen. Mas nem mesmo Myrcella acreditava nisso. Tommen certamente se matara. Margaery não ganharia nada matando o Rei, ainda mais por não ter indício nenhum de que ela esperava um filho dele. Lembrava de o irmão falar que ela não queria mais compartilhar de sua cama. Myrcella prometera que assim que fosse possível, retiraria a acusação sobre Margaery e a libertaria.

—Por que teu esposo não está contigo? – perguntou sua mãe e Myrcella olhou para o lado. Valerion vinha com uma dornesa de uma beleza exótica e sedutora. Mesmo sendo um velório, ela usava roupas provocantes e Myrcella notou que ela se insinuava para ele. Respirou fundo e desviou o olhar. Era Arianne Martell, a sobrinha de Oberyn, que estava representando Dorne durante a ausência do tio.

—Porque eu quis te acompanhar, mãe. E sei que há desavenças entre vós. – respondeu e sua mãe sorriu.

—Por que não assume que o casamento não é o que esperava? – perguntou ela com amargura e Myrcella bufou.

—Ele me ama. – insistiu por mais que não fosse verdade. Mas por questão de orgulho, não confessaria isso. Não para ela – Faço isso por ti, mamãe. Não me faças arrepender-me.

—Ele parece mesmo estar sentindo sua falta. – caçoou ela – No dia do enterro de teu irmão, ele vem com essa puta dornesa nos braços. – rosnou ela e Myrcella engoliu em seco. Mas então Valerion a olhou e respirou fundo. Ele beijou a mão de Arianne Martell e se afastou dela, vindo na direção das duas. Ele fez uma profunda mesura e mirou sua mãe.

—Meus sentimentos, Vossa Graça. – disse ele para ela e então se virou para Myrcella – Caso deseje minha companhia, chame-me, minha senhora. Estou aqui por ti. – prometeu ele e Myrcella engoliu em seco. As lágrimas vieram a seus olhos e ela acabou estendendo a mão.

—Te importarias de ficar conosco? – perguntou infeliz. Valerion lhe ofereceu o braço, de maneira cortês e sorriu com gentileza, um sorriso daqueles antigos que ela já não recebia há algum tempo.

—Será um prazer, minha senhora. – murmurou ele. Myrcella sorriu e fungou – Só me prometa não ficar aqui muito tempo... não quero que te desgastes. Pode ser ruim para o bebê e para tua saúde. – murmurou ele – Já teve sustos o suficiente para mais de uma gravidez. Não sei se isso pode influenciar no parto. – os três continuaram a caminhar até o caixão de Tommen – Penso se não seria agradável e mais seguro se deixássemos Porto Real, para ficar em Harrenhal, até o bebê nascer. Sor Kevan e Randyll Tarly estão fazendo um excelente trabalho de regência, já que Tommen não governava realmente por conta da idade. Talvez devêssemos deixar o reino em suas mãos capazes e nos afastar... seria bom para nós três. – disse ele e Myrcella se perguntou o que ele estava tramando. Uma parte de si sonhava que aquelas palavras estavam em busca de um recomeço para eles. Mas uma parte mais ferida de si só conseguia se perguntar qual seria o plano por trás disso.

—Myrcella em breve será coroada Rainha dos Sete Reinos. Ela deve ficar aqui em Porto Real. – sibilou sua mãe olhando com desagrado para Valerion e Myrcella fungou novamente, notando o quanto o corpo de Tommen estava fedendo, por mais que estivesse rodeado de incensos e flores. Notou que muitas pessoas tampavam o nariz discretamente e que algumas murmuravam umas para as outras sobre o cheiro.

—Desculpe-me, Vossa Graça. Mas minha prioridade não são os Sete Reinos, mas minha esposa e meu herdeiro.

—Pois agora, Myrcella e os Sete Reinos são a mesma coisa. – sibilou ela. Sentiu uma imensa vontade de sair de lá, com seu estômago remexendo por conta do odor estranho que se desprendia do corpo do irmão.

—Perdoe-me, mas não vejo assim. – disse Valerion.

—Então segues um tolo estúpido. – sibilou sua mãe e Valerion sorriu com deboche.

—Mamãe!

—Adorei o penteado, Vossa Graça. – devolveu Valerion e Cersei o olhou com ódio.

—Valerion, pare com isso. – rosnou Myrcella.

—Ela pode falar o que quer, mas não pode ouvir? – perguntou Valerion olhando feio para Cersei – Myrcella é sua única filha agora, Cersei e eu sou o marido dela. A menos que case de novo, sou eu quem irei cuidar de sua velhice. Então te aconselho a aprender bons modos. – rosnou Valerion.

—Pelos Deuses! Pelo menos no enterro de Tommen, será que vocês podem calar a boca!? – perguntou furiosa, soltando-se dos dois e indo ficar ao lado de Jaime Lannister. Seu tio Tyrion estava ao lado dele e ambos estavam num adorável silêncio enlutado, que deveria ser imitado por todos. Ambos estavam tão infelizes olhando o corpo do falecido que nem pareciam notar o terrível fedor que parecia rodear a todos.

Myrcella olhou para o corpo do irmão. Sentia-se infeliz, mas tentou não chorar. Se colocou entre Jaime e Tyrion e ficou ali sentindo-se miserável, quando Valerion se colocou ao lado de Tyrion e sua mãe ao lado do gêmeo. Enfim, em silêncio.

O funeral não durou muito tempo e logo estavam cremando o rei, para depositar suas cinzas no mesmo túmulo de Joffrey. O luto oficial duraria uma semana e então ela seria coroada. Isso faria Valerion Rei. Se perguntou se o Alto Pardal iria aceitar coroá-los, depois de tudo o que acontecera. Provavelmente não. Nada será fácil. Nada nunca é fácil.

Depois do velório, voltou para seus aposentos e notou que Valerion vinha consigo. Ele se jogou na cama, quando estavam no quarto e fez uma careta, tocando o peito.

—Reconquistei Dragonstone. – murmurou ele – É um lugar fantástico. Já foste lá alguma vez? – perguntou ele e ela negou com a cabeça – Mas era o castelo de teu tio...

—Meu pai e meu tio não se davam muito bem... e meu tio vivia aqui em Porto Real, ajudando Jon Arryn a governar os Sete Reinos. – respondeu secamente e Valerion concordou. Ele suspirou e se levantou, para ir até ela – O que foi? – perguntou zangada e na defensiva. Valerion a olhou como se não entendesse o motivo para seu comportamento, mas não deu a ele maiores explicações.

—Venha cá. – murmurou ele a puxando com gentileza. Se permitiu levar e ele a colocou de costas – Esse vestido deve ser desconfortável. Coloque algo mais simples. Depois deite na cama. Não podes fazer esforços demais, Myrcella. – murmurou ele desamarrando seu vestido.

—Se estás pensando que vai conseguir sexo comigo, estás muito enganado. – disse se afastando dele, para terminar de tirar o vestido. Ele deu uma risadinha, que lhe doeu o ego, no entanto.

—Transar contigo não passou pela minha cabeça, não te preocupes. – respondeu ele indo até o armário para pegar um vestido verde e macio, muito simples – Eu só me preocupo com a tua saúde.

—Te preocupas apenas com o nosso filho. Assim que ele sair de dentro de mim, vai me esquecer. – lamentou e Valerion bufou. Depois ele a ajudou a colocar o vestido e a levou para cama. Em seguida ele tirou o gibão, a capa, as botas e as camisas, ficando apenas de calça. Notou o quanto ele parecia machucado. Estava todo enfaixado. Já tinha visto seu pai sem camisa, ele era do mesmo jeito, com cicatrizes riscando todo o corpo. Ele dizia que cicatrizes eram o que separavam homens de garotos. Quando o conheci, Valerion era um garoto... mas agora ele é um homem. Será que é por isso que estamos assim? Será que só ele cresceu e eu sigo sendo uma garotinha? Mesmo esperando um filho dele? Valerion se sentou aos seus pés e passou a massageá-los – O que está fazendo? – perguntou desconfiada e ele revirou os olhos, se afastando.

—Nada. Estou te aborrecendo pelo que me parece. – ele pegou novamente uma das camisas e colocou a espada no cinto – Vou procurar Loras, para treinar espadas.

—Estás ferido. Não deveria treinar. Precisas de descanso. – ralhou. Ele a olhou e novamente jogou a espada numa mesa.

—Então pare de ficar questionando cada coisa que eu faço, Sete Infernos. Eu estou tentando cuidar de ti, porque es minha esposa. Mas aparentemente só estou te aborrecendo.

—Não foste tu quem disseste que jamais me amaria de novo? – perguntou Myrcella – Ou será que resolveste dar uma nova chance para nós dois porque em breve eu serei a Rainha dos Sete Reinos?

Valerion a olhou como se não acreditasse no que tinha sugerido. Por um momento até corou pelo tanto que ele parecia chocado.

—Até onde eu me lembro, foi sempre você quem tirou proveito de mim e não o contrário. – rosnou ele voltando a pegar a espada e as botas – Sinceramente, não sei nem o porquê de me importar. – resmungou ele voltando a se vestir. E não de maneira simples.

Ele colocou todos os trajes que estivera usando antes e saiu, batendo a porta. Não se deixou convencer por aquilo, mas sentiu um péssimo pressentimento. Foi atrás dele e o observou de longe. Valerion pisava forte, demonstrando que estava zangado. Então ele saiu do castelo e montou em seu cavalo, para trotar pelas ruas, até quase desaparecer de seu campo de vista. Andou até um guarda Lannister e disse.

—Siga-o. Eu quero saber onde ele vai e com quem, para conversar sobre o quê. – disse e o guarda a olhou surpreso, mas concordou.

Myrcella voltou para seu quarto e foi tentar dormir. Acordou com as aias a lhe trazerem o almoço. Enquanto se servia, o guarda Lannister apareceu e tirou o elmo em sinal de respeito.

—Vossa Graça. Eu segui o Lorde Blackfyre, como ordenou. Ele estava num bordel. – disse o soldado e Myrcella o olhou em choque.

—Bordel?! – perguntou, furiosa.

—Mas ele deixou claro que não queria companhias, apenas beber e ouvir alguma boa música.

—Homens não vão a bordeis para ouvir música ou beber. Para isso existem as tabernas. – disse desconfiada, se perguntando se Valerion subornara o soldado.

—Ele estava com seu tio Tyrion, com o Príncipe de Dorne e com aquela mulher que está sempre com ele... Ellaria Sand. – disse o soldado e Myrcella bufou. Liberou o soldado e voltou a comer.

Passou a tarde estudando e lendo tudo em que conseguiu colocar as mãos, com a intenção de distrair-se. Valerion só voltou quando o sol já tinha se posto. Bry apareceu com alguns servos Blackfyre, com uma tina muito grande. Os servos iam aparecendo com jarras de água perfumada e ela num primeiro momento imaginou que tinham lhe preparado um banho. Mas antes que a tina estivesse completamente cheia, Valerion apareceu, parecendo muito sombrio.

—Obrigado, Bry. – disse ele e o garoto se curvou – Pode sair, eu me lavo sozinho. – disse ele.

—Não tens um quarto só para você? Posso providenciar isso. – sibilou e Valerion suspirou.

—Dormirei com a minha esposa. Caso contrário, Ross prometeu fazer uma boa massagem em meus músculos cansados pelas últimas batalhas. – disse ele se despindo. Myrcella corou de raiva e se levantou.

—O que?! Quem é Ross? – perguntou enfurecida.

—Uma puta. – disse ele sem delongas, enquanto se despia. Myrcella foi inflando de raiva, mas Valerion não lhe deu atenção. Então ela pegou um castiçal e lhe acertou a cabeça. O objeto de ouro acertou Valerion com força e ele caiu tonto no chão. Viu gotas de sangue mancharem o cabelo prateado dele e ela se deu conta do que tinha feito. Largou o objeto no chão, que fez um som estridente. Valerion colocou a mão na cabeça e olhou parecendo tonto. O sangue continuou a escorrer do ferimento e ele parecia completamente aéreo – Myrcella? – perguntou ele. Engoliu em seco, sentindo-se enjoada – Por que fez isso? – perguntou ele piscando muito – Está tentando me matar?

—Você me ameaçou! Com uma puta! – disse enfurecida. Valerion colocou a mão na cabeça, fazendo uma careta.

—Perdoe-me. – disse ele parecendo infeliz – Vou mandar Bry arrumar outro quarto para mim. Você está enlouquecendo.

—Que jogo está fazendo? Pare de brincar comigo! – Valerion não a olhou de volta. Ele tentou ficar de pé, mas parecia tonto demais. Ele olhou novamente para a própria mão e viu que sua cabeça não parava de sangrar – Eu vou chamar Meistre Pycelle. – disse sabendo que ele iria reclamar. Valerion suspirou e deu de ombros. O olhou em choque e a indiferença dele a assustou mais do que a grande quantidade de sangue que escorria de sua cabeça – Eu já volto... – abriu a porta e viu que vários guardas Blackfyre estavam ali, de guarda – Um de vocês, chame Meistre Pycelle. Agora! – um dos guardas concordou e saiu apressado, e ela voltou a fechar a porta. Depois pegou um lençol e foi em direção ao noivo, para pressionar o ferimento, que não parava de sangrar – Deixe-me ver isso.

—Não me toque. – sibilou ele a olhando com raiva. Myrcella o olhou surpresa e ele finalmente se levantou, cambaleando até a porta – Você fez isso comigo, não me toque. É a segunda vez que me agride, na terceira certamente morrerei.

—Não saia assim. Vão todos saber que brigamos. – disse aflita. Valerion sorriu com desdém e saiu assim mesmo – Valerion, volte aqui! – gritou e ele parou de andar. Um dos guardas dele perguntou o que tinha acontecido, mas ele não respondeu – Por favor, volte aqui! – pediu e ele bufou.

—Tragam vinho pra mim. O suficiente para que eu fique muito bêbado. – resmungou ele, voltando para o quarto. Outro guarda se retirou e Myrcella fechou a porta – Qual o problema? Pra que fingir que nos amamos perdidamente, quando é mais do que óbvio que não é o caso? – perguntou ele, enfadado. Ele usava só a calça, e o rastro de sangue em suas costas já começava a sujá-la também. Ele terminou de se despir e entrou na tina. Se sentou em sua cama, o observando.

—Não quero que minha mãe saiba, pois não quero ouvir ela falar que me avisou.

—Avisou o que? – perguntou Valerion. Myrcella torceu o pano que tinha nas mãos.

—Que você nunca me amou.

—Estás com a loucura da gravidez. – resmungou Valerion – Sempre fui sincero contigo sobre isso. Olhe minhas costas. – disse ele se curvando e ela mirou as feias cicatrizes que o cortavam inteiro – As levei por ti, pois queriam que eu confessasse que a tinha desonrado. E eu não confessei. Confessei outros crimes, mas nada que te prejudicasse. – resmungou ele – E quando pediste para que eu voltasse, abrindo mão de minha família e de minha liberdade... eu voltei. Declarei guerra contra meus irmãos, ataquei o castelo e os homens do Lorde que ajudou a me criar. O que mais eu preciso fazer? – perguntou ele.

—Mas... foste tu quem...

—Eu estava magoado e furioso. Mentiste para mim. – disse ele.

—Falaste o nome dela no meu ouvido. – choramingou, torcendo o pano. Valerion a olhou confuso – Estavas bêbado. – explicou.

—Oh... – ele corou de leve e suspirou, parecendo envergonhado. As bochechas dele estavam sujas de sangue e a cada segundo uma gota caía na água – Eu... não lembro disso...

—Ainda pensas nela? – perguntou Myrcella. Valerion concordou com um aceno de cabeça – Ainda a ama? – ele concordou de novo – Se deitaste com ela? – perguntou aflita e ele negou com a cabeça.

—Jamais. Não sou o tipo de homem que coleciona virtudes femininas. Esse é meu irmão. Mesmo a tua, eu insisti muito em não a clamar pra mim. Tentei resistir ao máximo, mas eu sou humano. Me tentaste até que me colocasse quase num estado de insanidade. – ele pegou um pouco de água com a mão em concha, para lavar o rosto – Não sou um monstro manipulador, Myrcella. Eu escolhi ficar contigo, mas me magoei por teres mentido pra mim. Eu confesso que não fui o mais caloroso dos esposos, mas... – ele engoliu em seco – Coloque-se no meu lugar. O que terias feito? – não respondeu, se perguntando se ele estava tentando manipulá-la – A partir de amanhã ficarei em um outro quarto. Ficarei em Porto Real até tua coroação. Depois partirei para Harrenhal. Voltarei quando nosso filho nascer, para que eu possa conhecê-lo. Não desejo tua coroa, se é do que me acusas agora. Serei um reles comandante de parte das forças leias ao Trono. É só isso o que eu sou. Uma ferramenta para manter tua família no poder. Nunca fui mais do que isso. Demorei para ver, mas agora eu vejo. Foi por isso que me mantiveram aqui, foi por isso que me prometeram a ti. Foi por isso que te pediram que tentasse me seduzir. Foi por isso que me mandaram voltar. E indo contra todos os conselhos, eu voltei. E mesmo fazendo o possível para acertar... – ele colocou a mão na própria cabeça e então a olhou. A ferida ainda sangrava – Você é igual a sua mãe. Usou minha honra contra mim mesmo. Depois de tudo o que eu fiz por ti. E então, porque eu falei algo indelicado depois de ser expulso humilhantemente do meu próprio quarto... – ele sorriu e suspirou – Eu poderia ter morrido, sabes disso, não sabe? Estou exausto, mas vou ter que ficar acordado e em observação, aos cuidados daquele velho idiota. – Valerion engoliu em seco – Mas tudo bem, afinal eu sou o malvado Valerion Blackfyre. O que os Blackfyre fazem além de planejarem golpes contra o Trono, não é? Somos todos rebeldes.

—Pare com isso! – disse chorando e ele não se dignou a olhá-la – Me desculpe por acertar tua cabeça. – ele riu com desdém desviando o olhar – Mas quem es para me julgar? Eu tenho todo o direito de estar com raiva. Passaste o dia num bordel! – acusou e Valerion deu de ombros.

—Eu estou subindo pelas paredes. Fiquei quase um mês preso, depois fui levado para Harrenhal, voltei, me casei, me embebedaste para conseguir transar comigo... imagine o que iriam dizer de mim se fosse eu a fazer isso... e então eu vou pra guerra e quando volto... mesmo depois de tudo o que eu fiz para compensar meu comportamento... tu me acertas a cabeça. Me pergunto se vou parar de sangrar. – resmungou ele – Talvez seja esse o plano. Me matar. Como tua mãe fez com Robert. – acusou ele e Myrcella respirou fundo.

—Como ousa acusar minha mãe de algo assim? – perguntou horrorizada.

—Ela armou com Lancel, o primo dela... enquanto ela fornicava com ele, inclusive. – riu Valerion e Myrcella sentiu-se tentada a acertá-lo de novo com o castiçal – Ela negará isso até o fim, é claro. – riu Valerion – Assim como negará que você é filha de Jaime Lannister e não de Robert... apesar que esse crime ela confessou para meu pai. – Valerion sorriu – E lá no fundo sabes que não estou a mentir.

—Acusas minha mãe de tentar matar o rei? – disse horrorizada.

—Ned Stark descobriu o segredo dela, sobre o verdadeiro pai de vocês... ele ia contar a verdade para Robert. Então ela o matou antes, porque Robert certamente mataria ela, Jaime e talvez até vocês. – disse ele e Myrcella engoliu em seco – Sua mãe sempre vai tentar tirar aquelas pessoas que se colocam no caminho dela. Ela tentou matar Tyrion, ela tentou me matar, ela causou a morte de Robert, ela prendeu Margaery Tyrell... inclusive, como vai lidar com os Tyrell? Eles estão furiosos... e caso Margaery esteja grávida, o Trono não será teu... quanto tempo Margaery vai viver se ela estiver grávida? Antes que um pequeno acidente aconteça com ela e ela role escadaria abaixo, ou qualquer coisa assim?

—Minha mãe não é esse monstro! – ralhou Myrcella e Valerion riu dela. Sentiu-se furiosa por ele tratá-la assim – Pare com isso.

—Isso o que? Só estou te dando uma aula. Em breve serás a rainha e sua mãe vai fazer o possível para controlá-la. Já não consegues ver? Os fios da aranha a prenderem teus braços? Controlando teus movimentos do jeito que ela quer? – Valerion suspirou e afundou na tina – Mas está bem, minha senhora. Se desejas que eu me cale, me calarei. – disse simplesmente.

Myrcella bufou e se deitou na cama. Pycelle apareceu muitos minutos depois. Ele observou o ferimento de Valerion e fez uma sutura, dizendo que ele deveria ficar acordado e em observação por pelo menos quatro horas. Se ele sentisse enjoos, deveriam acordar o Meistre imediatamente.

Valerion concordou e logo estavam sozinhos novamente. Agradeceu pelo fato do Meistre não ter feito perguntas e logo Bry apareceu com uma muda de roupa limpa para Valerion. O rapaz se vestiu e estava para sair, sendo observado por um Bry confuso, quando Myrcella voltou a se sentar na cama.

—Valerion. – ele a olhou parecendo apenas ligeiramente curioso – Venha para cama, meu amor. Já tiveste aventuras o suficiente por hoje. – disse com carinho. Bry deu de ombros e saiu fechando a porta. Valerion suspirou e andou até a cama. Ele se deitou e suspirou passando o dedo pelo corte já quase cicatrizado de sua barriga, enquanto mirava o teto.

—Já pensou em algum nome para o nosso filho? – perguntou Valerion. Myrcella concordou com um aceno de cabeça.

—Haegon. – respondeu.

—E se for uma garota? – perguntou ele. Myrcella suspirou e deu de ombros.

—É um garoto. Eu sinto. – disse ela e ele concordou dando de ombros.

—E se forem dois? – perguntou Valerion a olhando de soslaio.

—Que os deuses sejam bons. Não quero dois de uma vez. – riu Myrcella, timidamente e Valerion suspirou.

—Eu sempre gostei de ter tido Shiera para brincar. Quando éramos pequenos, sempre treinávamos espadas. Meu pai não via problema. Eu e ela estávamos sempre juntos. – ele suspirou – Ir para Dragonstone, depois da morte da minha mãe... foi simplesmente horrível. – Ele a olhou e ela o olhou de volta – Se for apenas um... – ele engoliu em seco – Eu gostaria de ter outro logo em seguida. Se você não se importar. – ele a olhou atentamente e Myrcella suspirou.

—Para isso precisaríamos fazer sexo. – disse ela – E para fazer sexo, precisaríamos ao menos parar de brigar a todo momento.

—Pois digo que foste tu quem pareces gostar da atividade. – resmungou ele e Myrcella o abraçou na cama.

—Vamos fazer as pazes? – perguntou ela – De vez.

Valerion suspirou e a olhou de maneira que ela não soube decifrar seu olhar.

—Trégua?

—Trégua.

Então ele a abraçou na cama, para lhe afagar a barriga

Notas finais
Gente... a Myrcella é louca shaushaushaushau xD Sim, gente. Ned Stark tava marcado pra morrer, Sorry. Não é um bom nome pra você colocar em alguém... xD Soooooorry Vamos pras prévias, ok? Mas eu juro que essa foi a última dos Bolton. Eles receberam o fim deles depois disso. Prévias? Alguém aí ainda tem coração pra isso? "-Se um homem se preocupa com algo, ele o protege. Eu escutei muitas coisas sobre Robb Stark. – murmurou Tormund. Jon o olhou de cenho franzido – Vocês do Sul nos chamam de selvagens, mas nós não exaltamos homens que machucam suas mulheres. —Do que está falando? Robb nunca levantou um dedo que fosse para Shiera. – ralhou Jon e Tormund coçou a barba ruiva. —Não foi o que eu ouvi. – murmurou ele e Jon se aproximou um passo." Vixi... "-Eu sou da Guarda Real dela, jamais tramaria algo contra a jovem rainha... mas... Lannister estão caindo mortos aos montes. – riu ele e Valerion suspirou. —Pois irão parar de cair. – disse fechando a cara – Myrcella é minha esposa e eu não vou deixar que nada de ruim aconteça com ela." Será mesmo, Valerion? ahsuahsuasa "-Eu preciso de um herdeiro. – disse ele e Shiera corou – Meus irmãos estão mortos. O Norte não seguirá Sansa, ainda mais porque ela se casou com Tyrion Lannister. Se tudo der errado, Winterfell pode cair nas mãos dos leões. – disse ele e Shiera entendeu onde ele queria chegar – Eu sei que os últimos meses foram difíceis e céus... eu te dei todo o tempo do mundo, Shiera. Mas infelizmente... – ele engoliu em seco e ela concordou com um aceno de cabeça. —Eu entendo." Ser rainha não é fácil, não é mesmo? E por último: "-Vou enlouquecer se não te beijar agora. – confessou ele. —Pelos deuses, acho que já enlouqueci. – disse ela o olhando com desamparo – Me leve daqui. Vamos fugir." Beeeeeijos!!! Até a próxima! Titia ama vocês ;* ♥ ♥ ♥