Notas iniciais
Oi, gentem! Desculpem a demora, ok? Vou postar esse capítulo e me retirar de fininho, porque prevejo o rage... Responderei os comentários durante a semana, ok? Agora estou definitivamente de férias =D Beeeeijos, lindezas!

Pecados

Cinco dias de viagem.

Jon colocava sua capa dourada, enquanto Tormund o observava. Seu pensamento estava distante dali, numa tenda ao centro do acampamento nortenho. Ele mesmo estava um pouco mais distante, junto com a companhia dourada de Aegon. O Blackfyre estava alimentando Viserion, jogando enormes pedaços de carneiro para cima, enquanto o enorme dragão os incinerava antes mesmo de caírem no chão. Tinha entregado seus serviços para a Companhia Dourada, pois assim não dependeria da vontade de Robb. Assim poderia ver Shiera. Esse tinha sido o plano original, mas ele ainda enfrentava dilemas internos demais para fazer algo a respeito dela. Queria lutar pelo que desejava, mas isso era passar por cima de Robb e ele não tinha satisfação alguma em fazer isso.

Mas céus... como a amava...

Engoliu em seco, enquanto prendia Garralonga no cinto. Lembrou-se de Shiera naquele dia na biblioteca da Muralha. Onde a beijara pela primeira vez depois de se reencontrarem. Sabia que estava desrespeitando o luto por Robb, mas não resistiu. Ela o afastou naquele dia, mas então ele tentou de novo. Depois da Guerra da Muralha, quando decidiu aceitar o chamado dela. Quando a possuiu pela primeira vez, mergulhado em paixão. “Se não quer molhar meu vestido com suas roupas molhadas, tire suas roupas molhadas”.

Sorriu sozinho e suspirou lembrando do cheiro dela. Lavanda e groselha... ficou olhando o nada, lembrando-se dos momentos com ela. Não apenas do sexo, mas dos momentos em Winterfell e Harrenhal. Lembrou de quando dançou com ela, enquanto ela se passava por Lyssandra Rivers. Ficara encantado com ela desde o primeiro momento. Mas como não se encantar? Ela era a coisa mais linda que qualquer um deles já colocara os olhos alguma vez. E que personalidade. Shiera tinha uma personalidade firme, decidida. Ela era uma líder nata. Nascera para ter uma coroa na cabeça.

Mas então seu sorriso morreu. Ela era a esposa de Robb. E eles tinham tido um filho, que fora cruelmente assassinado. Ele quase não a vira desde então. Ela caíra numa depressão profunda. Se recusara a ficar em Winterfell, pois o castelo só lhe tinha trago amarguras. No dia em que enterraram Ned nas criptas, ela foi quase correndo para o Bosque e o choro dela pareceu ser escutado por toda Winterfell. Nenhum sorriso foi visto naquele dia. Parecia que todo o Norte se compadecia do sofrimento dela. Robb estava miserável, também, é claro, mas em nada se comparava à Shiera. Ela tem sofrido tanto... eu gostaria de poder confortá-la e protegê-la de todo e qualquer sofrimento. Ela não merece mais nem um pingo de dor...

—Eu me pergunto o que passa na sua mente... seu rosto muda a cada segundo. – murmurou Tormund. Jon suspirou e preferiu não contar ao gigante o que passava em sua mente. Ele provavelmente iria sugerir que sequestrasse Shiera, como ditava o costume selvagem. “Se quer algo, tome-o” – Você está parecendo o sobrinho de um amigo meu, o Nuk. – disse Tormund – Ele era apaixonado por uma garota de outra tribo. Todos dia ele falava: Hoje eu vou sequestrá-la..., mas ele não era muito esperto, o Nuk. Tentou oito vezes e chegou a perder a orelha pro pai da menina. Mas aí o primo dele foi e sequestrou a garota. Passou a semana inteira fodendo ela. Nuk ficava com essa cara de bunda, porque o primo dele conseguira a mulher que ele queria..., mas depois tentava se consolar falando que ao menos ele podia vê-la todos os dias... – Tormund revirou os olhos.

—O que aconteceu com Nuk? – perguntou Jon o olhando com curiosidade.

—Ele resolveu roubar a mulher do primo, mas não foi capaz de impedir a faca dela em sua garganta. Então morreu. – respondeu Tormund dando de ombros – Ele não era lá um grande homem. – adicionou ele – Mas cá entre nós... eu duvido que aquela mulher dos olhos vibrantes iria enfiar uma faca no seu pescoço. Você foi até a torre dela e a reivindicou. Ou foi o que eu ouvi.

—Falam demais. – resmungou Jon se lembrando do momento. Engoliu em seco e seu olhar foi até a tenda dela.

—Vá lá e a sequestre. Tire a mulher daqui e vá fodê-la. É o que você quer fazer. É o que ela quer fazer. O que o marido dela deseja é o de menos. Você o venceu naquele dia.

—Robb tirou minha espada. – negou Jon.

—Você o acertou primeiro. Se estivesse com sua espada de verdade, o teria partido ao meio. – discordou Tormund – Como você fez com o Meia Mão. – adicionou ele com um sorrisinho. Jon suspirou e levantou os olhos para a tenda.

—Ela é esposa do meu irmão. – resmungou e Tormund deu de ombros.

—Se um homem se preocupa com algo, ele o protege. Eu escutei muitas coisas sobre Robb Stark. – murmurou Tormund. Jon o olhou de cenho franzido – Vocês do Sul nos chamam de selvagens, mas nós não exaltamos homens que machucam suas mulheres.

—Do que está falando? Robb nunca levantou um dedo que fosse para Shiera. – ralhou Jon e Tormund coçou a barba ruiva.

—Não foi o que eu ouvi. – murmurou ele e Jon se aproximou um passo.

—Do que está falando? – perguntou Jon.

—Bem. Eu estava de papo com aquela garota peituda de olhos verdes. A que morreu quando levaram o bebê. – explicou ele e Jon engoliu em seco, pensando em Talisa – Ela estava falando que não gostava muito de Robb... que preferiria que a mulher de olhos vibrantes não ficasse com ele, porque ele era um grosso sem modos. Aí eu disse que algumas mulheres até acham isso um pouco charmoso. – Tormund deu de ombros – As mulheres com quem eu estive nunca reclamaram, afinal, um homem não tem que ser exatamente delicado. – Tormund cuspiu um pouco de catarro no chão e respirou fundo – Mas aí a peituda disse: “Não há nada de charmoso em estrangular a esposa depois dela te dar um filho. Shiera ficou com as marcas das mãos dele por uma semana.” – disse Tormund e Jon abriu a boca, em choque – Eu fiquei surpreso, porque o rapaz parece ser um garoto meio mole. – disse ele dando de ombros de novo – E a garota continuou “Ele foi tão babaca com Shiera depois do parto dela, que ela tentou se matar. E quase conseguiu. Ela ainda tem a cicatriz na mão para provar isso”. – Tormund o olhou com alguma expectativa – Não sei como uma cicatriz na mão provaria alguma coisa..., mas vai saber...

—Eu não acredito nisso. Robb jamais faria algo assim.

—Pergunte a ela, então. – murmurou Tormund. Jon olhou novamente para a tenda de Shiera e suspirou.

**

Sete dias. Myrcella seria coroada em sete dias. Valerion estava sentado no jardim, cercado de seus guardas. Loras estava ao seu lado, simplesmente furioso.

—Mas... É certo que Myrcella irá tirar minha irmã daquele lugar imundo, certo? – Perguntou Loras.

—Vai. E se Cersei fizer algo para evitar, eu mesmo vou retirar Margaery de lá. – garantiu Valerion – Cersei não me autorizou a retirá-la, porque ela ainda é a regente, mas eu deixei a cela mais confortável. Está parecendo um quarto. – disse ele e Loras sorriu.

—Sim, eu vi. E lhe sou muito grato por isso. – Loras franziu o cenho – Não é estranho arrumar uma verdadeira amizade num lugar como esse? – perguntou Loras e Valerion o olhou curioso – Eu realmente o considero meu amigo e eu morreria feliz lutando ao teu lado. Ser um membro da tua Guarda Real me será uma grande honra, Valerion. – disse Loras com uma honestidade incontestável. Valerion sorriu, pois genuinamente gostava do rapaz.

—Prometo que se chegar a governar, não deixarei que sintas vergonha de mim. – garantiu Valerion e Loras sorriu. Olharam ao redor e ele suspirou.

—Eu queria muito que o rei fosse você e que se casasse com minha irmã. Sei que cuidaria bem dela. – murmurou ele.

—Eu nunca seria rei se não casasse com Myrcella. – disse Valerion e Loras coçou o queixo.

—O que acontece se Myrcella morrer depois de coroada? Você é rei, ou a filha de Stannis? Ela pode ser herdeira de vocês, mesmo sendo filha de um traidor rebelde do trono? – perguntou ele parecendo confuso e Valerion suspirou, pensando naquilo.

—Se Myrcella morrer, depois de coroada... e nosso filho já tiver nascido, eu serei regente até que nosso filho ou filha tenha idade para governar. Se ela morrer antes do bebê nascer, então o Conselho escolherá um novo rei. – disse Valerion. Loras suspirou e o olhou.

—Você que é esperto, quantas vezes o Conselho escolheu um rei? – perguntou ele.

Valerion deu um sorrisinho.

—Bem, vamos ver... teve Robert. – disse pensando a respeito – E Aegon, o Improvável... não lembro se era Aegon V... acho que sim. – deu de ombros – Que eu me lembre... E tivemos o rei Baelor, também, se não me engano.

—Você acha que o Conselho te escolheria como novo rei? – perguntou Loras – Cersei se proclamou regente...

—Assim que Myrcella tiver a coroa, eu vou dar um jeito definitivo em Cersei Lannister. – disse fechando a cara e Loras sorriu.

—Como? – perguntou ele.

—Eu não sei. Mas vou. Nela, nos Pardais... principalmente daquele louco que Cersei inventou de proclamar Alto Septão. – rosnou sentindo as costas repuxarem. Loras concordou com um aceno de cabeça. – Prefiro deixar Tyrion como Mão do Rei, ou até mesmo como Regente. Definitivamente como Regente, já que Myrcella só tem quinze anos. – disse suspirando – Ela só poderá governar realmente no décimo sexto dia de seu nome...

—Mas você é casado com ela e você já teve dezoito dias de seu nome. – riu Loras. Valerion o olhou curioso – Você pode muito bem ser o Regente e montar um Conselho que nomearia você rei caso tudo desse errado para Myrcella.

—Loras... Myrcella é minha esposa e o que eu puder fazer para mantê-la a salvo, eu farei. – disse o olhando com desconfiança e Loras suspirou.

—Eu sou da Guarda Real dela, jamais tramaria algo contra a jovem rainha..., mas... Lannister estão caindo mortos aos montes. – riu ele e Valerion suspirou.

—Pois irão parar de cair. – disse fechando a cara – Myrcella é minha esposa e eu não vou deixar que nada de ruim aconteça com ela.

—Continua a negando na cama? – perguntou Loras. Concordou com um aceno de cabeça. Ainda estava zangado e ainda tinha Sansa Stark muito forte em sua cabeça – Então ela é sua esposa tanto quanto Margaery foi esposa de Renly e Joffrey.

**

Shiera acordou sozinha na cama. Já estavam há dias viajando, mas por conta do mal tempo e da neve, tinham avançado muito pouco. Já se passara quinze dias desde que tinham deixado Winterfell. Sansa, no dia anterior, tinha encontrado o exército, com uma pequena guarda Blackfyre. Não se tinha notícias de Arya, pois ela havia desaparecido. Robb mandara a irmã para Winterfell, falando que ela estava responsável pelo castelo e ela se recusou a partir. Ela queria ficar junto dele, pois ela acreditava que Valerion caíra em uma armadilha. Shiera, no entanto, conversou com ela e explicou que Valerion voltara para Porto Real e que se casara com Myrcella, que esperava um filho dele. Mas apesar disso, aparentemente, seu irmão tinha algum plano.

Robb insistiu e Shiera fez o mesmo, e por fim, Sansa concordou em voltar para Winterfell. Ela tinha crescido, a Sansa. Estava mais alta que ela, com uma beleza de tirar o fôlego. Reconheceu nela um dos vestidos de sua mãe e notou que Sansa, por mais que fosse quase dois anos mais nova, tinha um corpo mais curvilíneo que o seu.

Claro, depois dos últimos meses, tinha emagrecido bastante e perdido boa parte de sua formosura, no entanto, em seu estado de espírito, simplesmente não ligava para isso. Shiera se recusara a ficar em Winterfell. Aquele lugar se tornara um pesadelo. Lembrava de quando se casara com Roose e de encontrar seu filho morto e parcialmente devorado. Então preferira acompanhar Robb na campanha militar, por mais que preferisse ficar deitada em sua tenda a participar de reuniões de guerra. Sentia-se completamente infeliz e desanimada com tudo, por conta de seu pequeno Ned. Mas quinze dias numa campanha de guerra faziam com que o pensamento não ficasse todo tempo em seu luto. Sentia-se responsável por ajudar Robb a planejar tudo. Era esposa dele. Era a Rainha do Norte...

Robb pretendia tomar as Gêmeas com ou sem Valerion. Ele dividiria as tropas, para poder atacar as Gêmeas de dois lados diferentes e assim tomar o castelo. Walder Frey fora executado em Winterfell por Robb, agora o filho dele provavelmente teria o mesmo destino.

Shiera suspirou, abraçada ao travesseiro. Notou que a iluminação na tenda mudou brevemente, quando alguém entrou. Levantou o olhar e viu que era Jon. Corou de leve por estar desarrumada e ele corou de leve por tê-la surpreendido na cama, ainda com roupas de dormir.

—Perdoe-me, Vossa Graça. – murmurou ele se retirando e Shiera bufou, vendo que já tinha passado da hora de levantar. Sansa levara Lady embora e Vento Cinzento estava sempre com Robb, Theon ficara ferido demais para acompanhar a marcha, Talisa falecera, assim como Zoltan, então se sentia um tanto só. Mas pelo menos ainda tinha Aegon e Nym, por mais que esta não fosse exatamente uma companhia agradável para conversas.

Levantou-se e trocou de roupa, para em seguida notar que seu perfume tinha finalmente acabado. Soltou um muxoxo, se perguntando se teria mais em Harrenhal. Seriam muitos dias até lá. Se o tempo não melhorasse, provavelmente mais de um mês. E ela sentia que não tinham tempo para aquilo.

Penteou os cabelos e saiu da tenda, onde Jon Snow a esperava ainda na entrada, ao lado de seu imenso Lobo Gigante, Fantasma, que era pouca coisa menor que Vento Cinzento

—Jon. – disse tentando sorrir, mas sentindo que parte de seu sorriso morrera junto com Ned. Jon lhe lançou um olhar carinhoso e suspirou, lhe afagando a face, para retirar um floco de neve que caíra em sua bochecha. A barba dele estava cheia de pequenos flocos – O que houve?

—Desculpe por entrar sem aviso. Foi indelicado de minha parte. – riu ele – Mas é que depois de todo esse tempo na Muralha, acabei perdendo o tato para algumas coisas. – disse ele. Shiera baixou o olhar e sorriu ainda sentindo um pedaço de si mesma faltar.

—Tudo bem. Não é como se fosse ver algo que ainda não tenha visto, de qualquer modo. – disse e Jon corou violentamente.

—Não deveríamos falar assim. – riu ele.

—Por que não? Todos sabem. – disse sem se importar.

—Mas Robb pode achar ruim. – murmurou Jon e Shiera concordou com um aceno de cabeça.

—O que deseja, Jon Snow? – perguntou ela e Jon suspirou.

—Desejo pedir algo a você e seu irmão. – disse ele e Shiera o olhou curiosa – Pretendo ir até Coração Alto. E gostaria que fossem comigo. – disse ele e Shiera sorriu.

—Está bem. – murmurou e Jon sorriu de volta.

—Obrigado. – murmurou ele tirando mais um floco de seus cabelos.

—Vai ficar a tirar todo e qualquer floco que pousar sobre mim? – perguntou o olhando nos olhos. Jon sorriu e se aproximou um passo.

—Uma desculpa boba para...

—Shiera! – era como se estivesse sonhando todo aquele tempo e algo a acordasse de uma vez. Jon se virou e os dois notaram Robb, que se aproximava acompanhado de Lorde Umber – Finalmente acordou. Partiremos em breve. – disse Robb lançando um olhar rápido ao irmão – Vou colocar a Companhia Dourada para atacar o flanco oeste das Gêmeas. Nós tomaremos o leste. – explicou ele – Jon, avise Aegon. Contamos com vocês.

Jon concordou com um aceno de cabeça.

—Certo. Nos vemos quando tomarmos a Gêmeas. – disse ele estendendo a mão e Robb a apertou. Jon a observou e então curvou-se para ela – Boa sorte, Vossa Graça.

—Boa sorte. Envie meus cumprimentos a meu irmão. – pediu Shiera.

—Se ele não estiver enrolado com aquela Melissandre. – riu Jon – Ultimamente eles estão sempre juntos. Logo ele começará a querer queimar os inimigos em piras.

—Ou com Viserion. – sugeriu Robb e todos olharam para os céus, em busca do dragão cor de marfim. Jon se retirou, ainda lhe lançando um último olhar e ela sorriu um tanto corada. Depois mirou o esposo e Jon Umber. Robb entrava na tenda, provavelmente para pegar qualquer coisa, ou até mesmo, para se esquentar. Estava para segui-lo, quando sentiu Jon Umber segurar seu ombro.

—Deveria evitar o bastardo. É o mínimo que se espera de você, depois de tudo o que aconteceu. – sibilou ele e Shiera se lembrou com vivacidade do pai a repreender-lhe por estar se recusando a casar com Robb por amar Jon Snow.

—Deveria lembrar o seu lugar, Jon Umber. Nunca esqueci que foste o primeiro a me querer mal quando eu fiz o que precisei fazer.

Jon Umber bufou impaciente e entrou na tenda. Shiera bufou também e entrou em seguida. Robb mirava uma mesa onde um mapa qualquer repousava. Ficou observando os reinos e Robb suspirou.

—Recebemos um corvo, de Harrenhal. – disse ele e Shiera piscou, curiosa – Rei Tommen morreu. – adicionou ele. Shiera o olhou surpresa e se perguntou se isso tinha dedo de Valerion – Quais as chances desse ter sido o plano de seu irmão? – perguntou Robb – Ele agora é Rei do Trono de Ferro.

—Na verdade ele é consorte da rainha. – disse Lorde Umber.

—Consorte ou não, ele é mais forte que Myrcella. Soube que ele é amigo dos Tyrell e dos Dorneses. Se o Norte o apoiar, os Lannister serão o lado fraco. Ele poderá governar através de Myrcella. Seria o fim da guerra.

—Acha que ele abriria mão do Norte? – perguntou Jon Umber.

—O que acha, Shiera? – perguntou Robb. Suspirou e pegou o bonequinho com a cabeça de dragão, que estava em Porto Real, no mapa.

—Eu acho que seria bem possível. Valerion sempre preferiu acordos e alianças à guerras e batalhas. – respondeu ela.

—Então tomaremos a Gêmeas, que estão apilhadas de ouro, prata e comida, partiremos para Harrenral e ficaremos lá até recebermos um corvo de Porto Real, com um novo acordo de paz.

—E se ele se recusar? – perguntou Jon Umber. Robb olhou para o mapa e apontou para um castelo.

—Faremos o que já deveríamos ter feito há muito tempo. Atacaremos Casterly Rock. Uma vez lá, podemos mandar corvos para Pyke, chamando os navios. Parte de nossas forças atacará por mar, em Porto Real. A outra parte marchará até a cidade. Faremos um cerco e forçaremos um acordo de paz. O Norte será livre. – disse Robb e Shiera concordou com o plano.

—Só há um problema. – disse ela e eles a olharam – Nossas tropas por terra podem ser atacadas por uma aliança Blackfyre, Tyrell, Lannister e Martell.

—Se o exército se dividir para nos atacar, saberemos antecipadamente. – respondeu Robb.

—Como? – perguntou, curiosa.

—Seu irmão e Viserion. Eles nos vigiarão dos céus. – disse Robb.

—Seu irmão pode montar naquele dragão, não é? – perguntou Jon Umber. Shiera não fazia a menor ideia.

—Eu não sei. – respondeu Shiera.

Ficaram em silêncio por um tempo, estudando o mapa e Robb se endireitou.

—Lorde Umber, avise a todos para começar a levantar acampamento. Voltaremos a marchar para as Gêmeas. Acredito que em no máximo dez dias estaremos fazendo o cerco. – disse Robb – Temos pressa, não podemos perder tempo ou ficaremos sem suprimentos antes de chegarmos lá.

—Sim, meu rei.

—Shiera, quero falar com você. – disse Robb ainda com os olhos no mapa. Lorde Umber a olhou com alguma censura, mas em seguida saiu. Mirou Robb se perguntando o que ele iria falar – Não sei como abordar esse tema contigo. – murmurou ele cheio de dedos.

—Apenas diga. – sugeriu simplesmente. Robb a olhou no fundo dos olhos.

—Eu preciso de um herdeiro. – disse ele e Shiera corou – Meus irmãos estão mortos. O Norte não seguirá Sansa, ainda mais porque ela se casou com Tyrion Lannister. Se tudo der errado, Winterfell pode cair nas mãos dos leões. – disse ele e Shiera entendeu onde ele queria chegar – Eu sei que os últimos meses foram difíceis e céus... eu te dei todo o tempo do mundo, Shiera. Mas infelizmente... – ele engoliu em seco e ela concordou com um aceno de cabeça.

—Eu entendo. – disse erguendo a cabeça – Quanto tempo temos até levantarmos acampamento? – perguntou ela. Robb a olhou surpreso.

—Pretende fazer.... o que?! – perguntou ele confuso – Quer fazer isso agora?

—No chão, se necessário. Você precisa de um herdeiro. – disse simplesmente e Robb até corou. Ele respirou fundo e concordou com um aceno de cabeça – Precisa ser rápido. – disse levantando as saias e Robb respirou fundo.

Ele foi até a entrada da tenda e a amarrou, a fechando. Depois a olhou cheio de desejo. Engoliu em seco e logo sentiu seu corpo sendo puxado para o dele. Robb lhe roubou um beijo e ela o puxou até a cama. Desamarrou seus cordões e as calças dele afrouxaram. Engoliu em seco, sem sentir a menor vontade, e tocou a intimidade de Robb, que gemeu rouco. Sentiu as mãos dele levantarem suas saias e ela o fez se sentar na cama, para se sentar no colo dele. Lambeu a mão e então brincou consigo mesma, para tentar ficar molhada. Roose lhe ensinara o quanto poderia ser desconfortável se não estivesse molhada o suficiente. Depois guiou Robb para dentro de si. Tentou não pensar em nada que não fosse o momento, mas vez ou outra, flashes do que Roose fizera lhe perturbavam a mente.

Robb a ajudou no movimento, mas logo ele parou.

—Não está com vontade. – acusou ele. Shiera o olhou nos olhos e concordou com um aceno.

—Não estou. Mas não devemos pensar como marido e mulher. Devemos pensar como rei e rainha. Então despeje sua semente em mim. – disse simplesmente Robb baixou o olhar, insatisfeito – Escute... – segurou o rosto dele com carinho e tentou sorrir – Uma hora vai voltar, está bem? – perguntou desejando aquilo. Robb engoliu em seco e lhe afagou a cintura – Por enquanto... vamos fazer o que precisamos fazer. – disse calmamente e ele engoliu em seco.

—Não sei se fico muito confortável com essa situação. – confessou ele.

—Nossas primeiras vezes foram todas assim. Eu não queria transar, mas eu cedia e você não pensava muito a respeito.

—Era diferente. Você estava com medo por ser virgem. Eu sabia que aquilo iria passar hora ou outra... e... eu... – ele engoliu em seco – Eu ainda não tinha provado o amor de uma mulher. Eu sinto falta disso. – murmurou ele e Shiera segurou novamente seu rosto, lhe afagando a barba e lhe dando um beijo gentil.

Robb a beijou de volta e ela voltou a se mexer em cima dele, ainda o beijando, fazendo de maneira lenta. Robb segurou suas ancas com força e alguns minutos depois sentiu algo finalmente ficar realmente bom. Durou pouco, mas o suficiente para querer voltar a sentir. Para fazer seu corpo responder ao desejo do marido. Robb abriu seu vestido e lhe tomou os seios com a boca e Shiera abraçou sua cabeça ruiva, sem parar de mover os quadris. E quando ele finalmente despejou sua semente dentro de si, ela sentiu-se desapontada, pois ainda estava longe de sentir-se satisfeita. Robb a abraçou, ofegante e a olhou nos olhos. O olhou de volta e ele pareceu infeliz.

—O que houve? – perguntou o afagando no rosto.

—Não é nada. – murmurou ele – Você tem razão... eu só preciso ter paciência, não é? – perguntou ele a olhando – Não vai ser sempre assim... você vai voltar a ser o que era, não vai? – perguntou ele e Shiera engoliu em seco – Se me prometer que eu só preciso esperar, eu irei esperar... – prometeu ele e ela o afagou no rosto. Se levantou com cuidado e voltou a amarrar o vestido, sem dar uma resposta a ele. Robb suspirou atrás de si e voltou a se vestir também. Depois ele a abraçou por trás e a beijou na nuca – Eu amo você. – sussurrou ele. Shiera engoliu em seco e a lembrança daquele dia, embaixo do Represeiro veio a sua mente. Quando ela e Jon juraram jamais esquecer um do outro. Se virou para Robb e o beijou por um tempo.

—Precisamos arrumar tudo. Já enrolamos muito. – disse constrangida e Robb concordou. Arrumaram algumas coisas e algumas horas depois estavam nos cavalos.

A marcha para as Gêmeas levou mais doze dias. Perderam muitos cavalos e alguns homens, que acabaram por adoecer por conta do frio. O vinho acabou também, pois era o que os homens usavam para se esquentar. Menos Robb. Robb usava seu corpo para buscar calor. Sempre que acampavam, ele vinha reivindicar seu direito de esposo. Ao contrário de Bolton, ele era sempre gentil e dedicado, tentando satisfazê-la tanto quanto satisfazer-se. E o sexo voltara a ser bom. Robb voltara a lhe arrancar gemidos altos a ponto de receber olhares risonhos dos soldados no dia seguinte.

Mas nunca mais fora como costumara ser. Quando caía no sono olhando para o adorável rosto bonito dele. Quando suspirava ao vê-lo e quando torcia para que as reuniões terminassem logo, para que pudesse tê-lo só para si.

Sentia falta de Jon. Seus sonhos eram todos com ele. Sonhava com aqueles dias na Muralha. Sonhava com o dia do Represeiro, sonhava com o dia em que quase traíra Robb em Winterfell. E os sonhos eram tão reais que mais de uma vez acordou soltando gemidinhos, quase em êxtase.

Quando finalmente chegaram nas Gêmeas, seu coração quase não cabia em si. Veria Jon quando tomassem o castelo.

Shiera usava sua armadura e tinha o arco pronto nas costas, assim como aljavas. Robb estava ao seu lado, de armadura completa. Viserion voava ao redor do castelo e ela não conseguiu desassociar a imagem dele a de um condor, apenas esperando a morte inevitável acontecer. Os Frey sabiam que não haveria misericórdia, então não entregaram o castelo.

Os dois exércitos atacaram durante dois dias, usando escadas, catapultas e eventualmente Viserion cuspia fogo lá dentro. Em dois dias as Gêmeas caíram e Robb executou até o último Frey que vivia ali. Depois o exército pode se aquecer e aproveitar do grande estoque de vinho e hidromel que o castelo continha.

Shiera levara alguns vestidos mais sofisticados e decidiu que aquele era o momento para usar um deles. Um vestido comprido e pesado de um tecido vermelho brilhante, bastante justo, com uma saia cheia de bordados num tom mais vinho. O decote em V era bem provocante, expondo seus fartos seios, que finalmente ficaram sem leite. Mas o decote nas costas era muito mais ousado, quase alcançando suas ancas. Colocou sua coroa sobre os cabelos soltos, que formavam cachos negros perfeitos, caindo elegantemente sobre seus ombros nus.

Com um pouco de tinta, pintou os lábios para deixá-los vermelhos, além de passar um pouco de carvão em forma de lápis nos olhos, para dar a impressão de serem maiores do que realmente eram. Colocou algumas joias e quando se olhou no espelho, lembrou de uma garota que costumava ver sempre, quando ainda morava em Harrenhal. A diferença era que ela tinha um ar mais arrogante e cheio de si, além de ser mais risonha. Nunca antes se achara tão parecida com a própria mãe e pensar nela foi tão doloroso que quase lhe arrancou algum choro.

Mas estava farta de chorar. Por mais que seu coração estivesse em pedaços.

Foi para o salão e pode sentir os olhares de todos para si. Ainda escutou alguns senhores falarem: ela voltou. Mas duvidava muito que algum dia realmente voltaria.

Nym era sua única escolta, sempre pronta para atirar uma flecha em quem quer que fosse. Shiera andou até a mesa do senhor, onde Robb e Aegon a dividiam. Sentou entre os dois e Robb entrelaçou os dedos com os seus.

—Está maravilhosa, minha senhora. – disse Robb a olhando com os olhos brilhantes – Se alguém aqui algum dia duvidou de que me casei com a dama mais bela do mundo, certamente engoliu sua opinião ao por os olhos em você. Está belíssima.

Shiera sorriu tentando parecer feliz com o elogio. Quando era mais jovem, adorava escutar os homens falarem o quanto era linda, mas agora aquele elogio lhe pareceu simplesmente vazio. Roose Bolton me achou muito bonita. Por isso quis se casar comigo.

Engoliu em seco com imagens daquela época lhe atormentando, mas com um gole de vinho, as afastou da mente.

—Está muito bonita, irmã, mas ficaria ainda mais se colocasse um sorriso verdadeiro no rosto. – murmurou Aegon e Shiera suspirou, sem saber como agir. Optou por dar mais um gole em seu vinho.

—Eu tenho um pedido para aquele seu amigo Hoster. – disse Robb – Onde está Hoster Rivers? – perguntou Robb e Hoster apareceu, ainda abatido. Ele era meio irmão de Talisa e por mais que os dois não fossem exatamente superamigos, a perda dela fora chocante para ele – Pode tocar aquela música, sobre o Jovem Lobo e a Dama de Olhos Violetas? – perguntou Robb e Hoster concordou, indo para o espaço que sempre fora reservado para os músicos. Shiera correu os olhos pelo salão e encontrou os de Jon. Ele sorriu para ela e brindou com um copo. Brindou de volta e acabou esquecendo de tudo ao seu redor. Hoster começou a tocar, mas ela só escutava a melodia muito de longe. Seu olhar era para Jon e o olhar dele era totalmente para ela. Quando a música terminou, Robb puxou sua mão e ela se assustou com o quão rápido a canção parecia ter terminado. Robb beijou sua mão e suspirou – Sempre quis ouvir essa música ao seu lado. – disse ele apaixonadamente. Engoliu em seco e tentou sorrir, mas não soube se seu sorriso tinha sido inteiro. Robb suspirou e tocou seu ventre com carinho e a olhou nos olhos – Eu sei que está sendo difícil, mas em breve... em breve teremos outro bebê e nós vamos protegê-lo de tudo. Ninguém nunca mais vai fazer mal à nossa família. – prometeu ele lhe afagando a barriga, para em seguida lhe beijar os lábios.

—O REI E A RAINHA DO NORTE! – gritou alguém e logo o salão repetiu o coro. Robb sorriu para seus homens e voltou a beber.

Shiera engoliu em seco, sentindo-se infeliz e mirou Jon. Ele a olhava com os olhos sonhadores. Mais uma vez lembrou-se de Harrenhal, da noite em frente ao Represeiro, da Muralha e do dia no quarto. Um calor a tomou no corpo inteiro e ela se levantou. Robb a olhou, questionador e ela sorriu gentilmente, para em seguida ir para o salão. Hoster começou a tocar outra balada qualquer e Shiera puxou Lorde Karstark para dançar.

—Está tudo bem, Vossa Graça? – perguntou o Lorde e Shiera sorriu, negando com a cabeça.

—Eu acho que vou enlouquecer. – confessou para ele. Lorde Karstark a olhou, curioso – Eu não amo mais Robb. – disse em pânico, apesar de seu sorriso estar esculpido em seu rosto. Lorde Karstark olhou para Jon Snow e suspirou. Jon a olhava quase sem piscar, acompanhando todos seus movimentos. Um dos selvagens que o seguira, Tormund, lhe deu uma cotovelada, tirando-o do transe, para então cair na gargalhada.

—Precisa ser forte, Vossa Graça. – disse o Lorde.

—O que eu faço? – perguntou sentindo-se uma criança.

—Não será a primeira a sofrer de amor. E muito menos a última. – respondeu o Lorde e Shiera fungou, apesar de seu sorriso estar em seu rosto. Não sabia por quanto tempo iria conseguir sustentá-lo.

—Se eu der um herdeiro a Robb... ele me libertaria dos votos? – perguntou Shiera e Lorde Karstark suspirou, a girando no mesmo lugar.

—Por favor, não pense nisso. Destruiria o coração do garoto.

—Se eu não o fizer, será o meu coração a ser destruído. – disse desolada e Lorde Karstark suspirou.

—Seja firme. Você fez um juramento aos deuses. – disse ele e outra pessoa lhe chamou para dançar.

Primeiro foi Aegon, que perguntou o que ela tinha, mas fingiu que não sabia o que ele queria dizer. Depois Robb veio dançar, a olhando com tanta paixão nos olhos que ela achou que não iria sustentar a situação. Lorde Glover pediu uma dança e depois Lorde Bracken. E então Lorde Blackwood e Aegon novamente. Só então Jon perguntou se ela lhe permitiria uma dança.

A última vez que dançara com ele fora em Harrenhal, fazia já alguns anos. E foi tão bom quanto daquela vez. Seu coração acelerava sempre que ele tocava seus dedos. Jon não era exatamente um excelente dançarino, então ele pisou em seus pés mais de uma vez, pedindo desculpas e arrancando-lhe algumas risadas. O tempo pareceu passar rápido demais e logo Robb interrompeu o momento, para voltar a ser seu par na dança.

Dançou com ele mais algumas músicas e então falou que estava cansada. Robb segurou seu braço parecendo ligeiramente zangado e a guiou de volta para seu lugar. Ele bebeu mais do que julgaria sensato, mas não o repreendeu. Era um dia de vitórias para ele.

Então procurou pelo salão e logo viu Jon novamente. Ele a olhava novamente, como se não existisse ninguém além dela no salão. Sentiu seu irmão lhe beliscar o braço e sentiu o hálito de vinho dele quando ele sorriu a puxando para perto.

—Pelo menos disfarce. – riu ele. Sentiu as bochechas corarem e disfarçou bebendo mais um cálice de vinho – Quer que eu arranje um momento a sós com ele?

—Cale-se, eu sou casada! – disse num sussurro, olhando o irmão com irritação. Ele sorriu e segurou sua mão.

—Estão se devorando com os olhos. – disse ele – Em algum momento suas roupas vão pegar fogo de tanto que estão se despindo com o olhar.

—Pare de asneira. – disse corando e Aegon deu uma risada alta, se endireitando. Robb a olhou, pedindo mais vinho.

—O que houve? – perguntou ele sorrindo novamente – Também quero rir.

—Aegon está sendo desagradável, apenas isso. – disse Shiera e Robb a olhou curioso – Ele disse que esse vestido me deixou gorda. – disse Shiera e Aegon riu desviando o olhar, para não entregar sua mentira.

—Ele só está te provocando. – garantiu Robb – Não está nenhum pouco gorda. O vestido lhe caiu muito bem. – garantiu ele – Melhor do que com ele, só se for nua. – adicionou ele, ficando vermelho e Shiera deu uma risadinha constrangida. Robb virou o conteúdo de sua taça e a levantou, pedindo mais. Um servo colocou mais vinho e Shiera se perguntou se ele não estava indo muito rápido com a bebida – Assim que pudermos, quero ter a honra de tirar este vestido. – sorriu Robb e Shiera notou que ele estava mais do que bêbado.

Ele voltou a beber e ela se levantou, falando que logo estaria de volta. Robb concordou com um aceno de cabeça e Jon Umber se sentou em seu lugar para conversar com ele. Shiera olhou para Jon Snow, que terminava seu vinho. Depois entrou em um corredor qualquer. Andou um pouco e logo escutou Nym a lhe acompanhar. Olhou para trás e viu Jon a lhe seguir com um olhar nervoso. Segurou a mão de Nym e olhou para Jon.

—Se alguém me procurar, você não me viu. – disse e Nym olhou para ele antes de murmurar.

—Shiera, isso é uma péssima ideia. – alertou ela.

—Por favor, Nym. – pediu com os olhos aflitos e Nym concordou.

—Vá em frente. Eu vivo para servir. – disse ela, mas ainda havia um tom censurador em sua voz. Shiera entrou numa porta qualquer e viu que era um escritório. Respirou fundo várias vezes, apreciando o silêncio.

Os minutos passaram e ela se perguntou se Jon viria. Estava para voltar para a festa, quando Jon finalmente entrou. Ele a olhou e fechou a porta, avançando contra si. Suas testas colaram e as respirações de ambos se misturaram. Ele colocou as mãos em sua cintura e a empurrou até a parede. Sentiu o corpo dele prensar o seu e o cheiro dele a envolveu deliciosamente. As mãos dele foram para seu rosto e ele se aproximou ainda mais, por mais que ela achasse que não era mais possível.

—Vou enlouquecer se não te beijar agora. – confessou ele.

—Pelos deuses, acho que já enlouqueci. – disse ela o olhando com desamparo – Me leve daqui. Vamos fugir.

—Para onde? – perguntou ele.

—Não interessa, qualquer lugar. Só me tire daqui. – pediu desesperada e Jon aproximou o rosto, com os lábios roçando os seus. O puxou, querendo fazer logo aquilo, mas ele virou o rosto.

—Merda. – rosnou ele se afastando e passando as mãos pelo rosto.

—Jon... – se abraçou desejando-o loucamente e ele a olhou.

—Se fosse qualquer outro homem..., mas é Robb. Ele é meu irmão.

—Ele não é seu irmão. – disse sem pensar e Jon deu de ombros.

—Mas é como se fosse. – ele praguejou a olhando com desejo e ela fez o mesmo – Céus, eu queria tanto, Shiera... – sussurrou ele. Ela engoliu em seco e concordou.

—Eu ainda quero. Se falar que não se importa, eu direi o mesmo. – disse ela – Eu amo você, Jon. Só você. – confessou ela e ele a olhou dos pés à cabeça. Ele se aproximou e segurou suas mãos, as enchendo de beijos.

—Eu te amo tanto e é por isso que temo por você... não posso colocar você numa situação dessas. – murmurou ele.

—Já colocaste, Jon. – murmurou e Jon mirou suas palmas. Os olhos dele fitaram a cicatriz que ficara de quando se cortara antes de entrar na Matadelobos. Puxou a mão de leve e Jon a olhou como se tivesse entendido algo muito complexo – O que foi? – perguntou.

—Precisamos falar com Robb. – disse Jon parecendo sombrio.

—Ele mata você. – murmurou Shiera. Jon suspirou e concordou em silêncio. Os dois se olharam e suspiraram – Novamente ficaremos desse mesmo jeito? – perguntou ela – Sabe que uma hora não vamos conseguir parar. Isso é inevitável. – disse ela e Jon engoliu em seco.

—Então vamos adiar isso o máximo que pudermos. – pediu ele. Shiera engoliu em seco e concordou. Jon voltou a pressioná-la contra a parede, para respirar em seu pescoço e beijar-lhe ali. Segurou os cachos negros dele e o arranhou na nuca, arrancando um arrepio da parte dele – Você vai me enlouquecer. – ralhou ele e ela sorriu.

—Quero que fique louco como eu. – murmurou e ele lhe beijou a ponta do nariz.

—Shiera.

—O que? – perguntou ela. Jon respirou fundo e a olhou nos olhos.

—Robb já te machucou alguma vez? – perguntou ele e ela se questionou se ele ouvira algo de alguém. Se lembrou do dia em que Robb a estrangulara e sua mão foi por reflexo até o pescoço. Virou o olhar e suspirou.

—Não. – mentiu e Jon a fez olhar para ele.

—Tem certeza? – perguntou ele e Shiera baixou o olhar, envergonhada. Jon suspirou, ficando sombrio e se afastou um passo – Melhor... melhor eu ir.

Concordou com um aceno de cabeça e Jon saiu do escritório. Se sentou numa mesa, sentindo uma leve pressão em sua intimidade, que escorria um suco cheio de pecados. Tocou-se ali e notou como os dedos estavam húmidos. Céus, Jon Snow a iria enlouquecer.

Ficou ali naquele escritório por vários minutos, até finalmente se acalmar para sair. Quando saiu, voltou para a festa e escutou Robb gargalhar, muito bêbado, ao lado de Jon Umber. Queria compartilhar da alegria dele, mas não conseguiu. Procurou por Jon e logo o achou, olhando-a novamente. Sorriu para ele e ele sorriu de volta, a olhando com intensidade.

Escutou as conversas diminuírem e notou que Robb ficara de pé. Parou de olhar para Jon e, seguindo o exemplo de praticamente todo mundo, mirou o marido.

—Hoje foi um dia de vitórias. Esperaremos as respostas de Porto Real. A marcha daqui para frente será mais fácil, pois o inverno não chegou no Sul. Se tivermos sorte, iremos para Porto Real, para um acordo de paz. Se Porto Real se recusar a nos ajudar, partiremos para Casterly Rock e tomaremos a toca do leão. Tomaremos a casa dos Lannister! – ele levantou a caneca que agora parecia estar cheia de cerveja – Pelo Norte! – gritou Robb.

—Pelo Norte! – gritaram de volta. Robb virou sua caneca de cerveja e Shiera suspirou.

—Agora, se me permitem... continuem a festa, meus amigos. Eu preciso descansar. – riu Robb. E então ele lhe lançou um olhar cheio de volúpia, o qual não conseguiu retribuir. Desviou o olhar e mirou Jon, que parecia saber o que estava por vir. Ele baixou os olhos e pareceu furioso. Shiera decidiu que pediria que Robb não a reivindicasse naquela noite. Diria que estava cansada. Seu marido veio cambaleando até ela, para puxá-la pela cintura. A língua dele invadiu sua boca e ela sentiu-se completamente desconfortável com aquilo. Mas Robb estava bêbado demais para notar alguma coisa – Vamos. – disse ele a puxando pelo castelo. Olhou para trás, mas não teve tempo de ver o rosto de quem quer que fosse. Robb a guiou para o quarto que um dia pertencera a Walder Frey e Shiera sentiu-se em pânico. Ele se colocou atrás de si e começou a retirar seu vestido. Queria falar com ele, que não tinha desejo de nada naquela noite, mas ele não lhe deu tempo – Você ficou tão linda nesse vestido. – murmurou ele retirando a peça e Shiera o olhou aflita. Mas ele estava muito bêbado. Sentiu as mãos deles explorarem seu corpo, convencidas de que já não haviam mais barreiras. Convencidas de que seriam sempre bem-vindas. Robb tirou a própria roupa enquanto ela juntava coragem para dizer aquelas três palavras: eu não quero. Mas coragem não chegou a tempo. Robb a jogou na cama e sem pensar duas vezes, ou sem hesitar, ele a reivindicou para si. Fechou os olhos, apenas se conformando com a situação. Ele era seu marido e reivindicá-la era um direito dele. Sentiu os beijos de Robb em seu pescoço e em seus seios e sentiu nojo de si mesma, da mesma maneira que sentira com Roose Bolton. Depois se sentiu ainda pior por estar comparando um homem tão amável como Robb a aquele outro cretino e amaldiçoado – Está gostando? – perguntou Robb, preocupado e ela concordou com um aceno de cabeça – Está tão silenciosa... – murmurou ele ainda bêbado. Ele cheirava a vinho e cerveja. Engoliu em seco e negou com a cabeça.

—Acho que bebi muito. – mentiu e Robb sorriu.

—Eu confesso que eu também. – riu ele a olhando com alguma culpa – Você me ama? – perguntou ele e Shiera engoliu em seco, se lembrando das palavras de Lorde Karstark – Jon Umber acha que você não gosta mais de mim. Que só tem olhos para Jon. – lamentou Robb e Shiera o olhou querendo mudar de assunto – Eu reparei como olha para ele... eu mataria para voltar a receber um olhar desses de você. – confessou ele. Robb engoliu um arroto e a olhou triste – Estou com ciúmes de Jon... eu preciso ter ciúmes dele? – perguntou Robb – Ou está tudo bem? Vocês... vocês são apenas amigos, certo? – questionou ele a olhando nos olhos. Shiera sorriu, sentindo-se simplesmente perversa.

—Não precisa ter ciúmes. Eu e ele somos amigos, nada mais que isso.

—Mas é que ele ama você. Ele me disse isso. – insistiu Robb e Shiera soltou um muxoxo.

—Está mesmo querendo conversar sobre seu irmão nesse momento? – perguntou e Robb corou de leve. Ele a olhou e sorriu.

—Desculpe pelas inseguranças. Eu confio em você. Confio nos dois. – disse ele antes de voltar a reivindicá-la.

Tinha certeza que nem mesmo Cersei conseguiria ser uma vadia tão mentirosa.

Notas finais
Que situação, não é mesmo? Vamos às prévias? "-E? – perguntou Tyrion, se sentando tranquilamente em seu lugar e ajeitando melhor o broche de Mão da Rainha que ele acabara de receber. Todos olharam ainda com um pouco de choque para ele – O Norte é grande, selvagem, difícil. Não ganhamos uma batalha sequer lá. Na verdade, nunca ganhamos uma batalha sequer contra eles. Mesmo aqui no sul, fracassamos. – disse Tyrion antes de dar um bom gole em seu vinho – Diga-me, Myrcella. Pra que você quer o Norte? – perguntou Tyrion." "-Arianne. Quanto tempo. – riu ele e Valerion revirou os olhos. —Sor Aegon. Será que haverá uma oportunidade de encontrá-lo sem que esteja prestes a assassinar alguém? – perguntou ela e Aegon sorriu. —Eu perderia metade do meu charme se isso acontecesse, sem dúvidas." "-Minha resposta é não. E só vou acreditar nessa história ridícula caso Robb Stark me traga um morto vivo para me provar o contrário. Se não for o caso, ele pode vir para dobrar o joelho, ou vai morrer. – declarou Myrcella e Valerion suspirou, vencido." "Logo foram dispensados e Oberyn andou pelos corredores de pedra vermelha da Fortaleza. Parou em uma janela qualquer e sorriu tirando um pequeno frasco do bolso. —Longo seja o seu reinado. – Disse com um sorrisinho." Olha essa víbora =P Beijos, gente. Se a gente não se ver mais esse ano, feliz natal e feliz ano novo! Titia ama vocês!