Blackfyre

61 Longo Seja Seu Reinado


Notas iniciais
Nossa, demorei demais pra voltar... Desculpem Eu não estou muito legal da cabeça e isso está me atrapalhando a escrever (eu tenho mais uns 6 capítulos prontos, mas não tive gana pra postar, sorry...) Queria voltar a postar só quando eu estivesse melhor, mas não deu pra adiar mais... Aqui vai mais um capítulo, espero que gostem. Por favor, comentem... E tem alguém aqui que conhece e recomende um site que faça banners de capítulos? O PD fechou de vez u.u Beijos ♥ #PartiuLer

Valerion estava sentado no Trono de Ferro. Se lembrava de uma conversa com Loras, de tempos atrás, e ficara espantado com o rumo que tudo tinha tomado. Com Cersei regente e com Myrcella e ele se desentendendo, ficara completamente convencido de que jamais sentaria naquela cadeira desconfortável. Mas lá estava ele. Cersei tentara mudar os membros do Pequeno Conselho, mas Myrcella e Kevan não permitiram.

Sete nomes ficaram no Conselho, como era de costume. Kevan se tornou Mão do Rei. Mace Tyrell se tornou o Mestre da Moeda, Oberyn Martell estava como conselheiro do Trono, num posto dado por Tywin Lannister, muitos meses atrás. O Mestre das Leis era Tyrion. Meistre Pycelle era o Grande Meistre e por mais que não gostasse do velho, não poderia tirá-lo de lá. Varys era o mestre dos Sussurros. E o cargo de Mestre Almirante estava vago, mas ele queria entregá-lo a um Nortenho, na intenção de fazer a paz com o Norte. E por fim, Jaime Lannister, que era o Senhor Comandante da Guarda Real. E Valerion se perguntava o quão disposto a ser novamente um Regicida ele estava.

Cersei não poderia deixar Porto Real, pois ainda precisava ser julgada pela fé. Ela iria ter um julgamento por combate, por mais que o Alto Pardal tivesse vindo até ele e Myrcella, falando de como aquele tipo de combate era uma fraude criada por lordes para poder se livrar de seus crimes sem serem punidos. Mas Valerion não cederia uma migalha que fosse a aquele homem e Myrcella o apoiava claramente nesse ponto.

Por mais que soubesse que o Alto Pardal era uma excelente maneira de se livrar da sogra, não arriscaria dar esse poder para ele, de ser o único a ser juiz da fé. O Alto Pardal então comentou que talvez não estivesse disposto a coroar rainha uma garota que estava sendo acusada de ser filha de um caso de incesto e que estava casada com um rapaz que mentira em nome dos deuses. Loras então comentou que talvez não fosse necessária a bênção de um homem que não sabia cuidar do corpo do rei. Todos comentavam como Tommen estava fedendo e aquilo foi uma ofensa a toda família Real. E levando em consideração o que ele tinha feito com o futuro rei, o irmão da esposa de Tommen e com a própria Rainha Regente, Myrcella teria todo direito de incendiar o septo e matar todos os que estivessem lá dentro. As forças Tyrell, Lannister e Blackfyre eram mais do que suficiente para fazer tudo isso.

Myrcella foi coroada, sem mais problemas, e declarou que Valerion seria seu regente, por mais que não tivessem combinado isso. Resolvera ser bastante honesto com ela e os dois finalmente eram uma equipe de verdade. Governava para ela e por ela, mas finalmente o dia de sua provação tinha chegado. Os dois tinham feito as pazes e voltaram a agir como marido e mulher deveriam agir. Tentava ser o mais carinhoso possível com ela e sempre que seu pensamento se desviava para uma certa ruiva, se censurava mentalmente. Mas tentou não pensar no Norte mais do que fosse estritamente necessário. Estava preocupado em fazer as pazes com os Tyrell e começou libertando Margaery da prisão e convidando-a para ser dama de companhia da rainha. Ainda estavam observando algum sinal de gravidez na moça, mas até agora não tinham certeza. Reorganizou o Conselho, trocando Tyrion e Kevan de posição, desagradando o velho leão, mas não se importava.

Todos em Porto Real sabiam que Tyrion tinha sido uma excelente Mão do Rei. Como Regente, pediu a Pycelle que cancelasse o casamento de Tyrion com Sansa, por pedido de Tyrion e nomeou o anão o legítimo e atual Lorde de Casterly Rock. Com o dinheiro de Harrenhal, pagou uma parte da dívida do Trono para o Banco de Ferro, para agradar o Pequeno Conselho e principalmente Myrcella. Começou a preparar a cidade para o Inverno que praticamente batia a sua porta, deixado de lado, completamente esquecido por Joffrey, Cersei e Tommen.

Cersei era mantida vigiada por Guardas Blackfyre, para “segurança dela”, mas todos sabiam que era para que ela não aprontasse nada.

Seu maior problema seria o Norte, que agora contava com o apoio dos Lordes do Vale, dos Homens de Ferro e de boa parte dos Lordes do Rio. E finalmente tinham enviado alguém para negociar. Por isso estava no Trono de Ferro, Myrcella estava ao lado do Trono, numa poltrona mais confortável, com o vestido já não podendo esconder sua barriga arredondada. A gravidez lhe fizera bem e ele nunca a achara tão bonita quanto agora. Era ela quem usava a coroa que um dia pertencera a Naerys Targaryen, esposa do Aegon, O Indigno. Por mais que a rainha fosse conhecida por sua simplicidade e por não usar joias, sua coroa era bela e cheia de pedras preciosas. Valerion tinha sugerido a coroa por todas as esmeraldas que a encrustavam, que combinavam perfeitamente com os olhos verdes de Myrcella. Já Valerion usava uma coroa mais simples, a de Jaehaerys I, que era uma aliança de ouro simples com sete pedras coloridas diferentes inseridas. Seu Pequeno Conselho estava ali, para observar o homem que se aproximava com a intenção de negociar a paz. Lembrava da última vez que sonhara com ele e não tinha sido nada agradável.

Mas, apesar disso, no momento em que o irmão lhe sorriu aquele sorriso zombeteiro, como se não passasse de uma brincadeira, ter entrado ali para encontrá-lo sentado no Trono, Valerion se sentiu apenas um menino. Já fazia anos desde a última vez que vira Aegon. Por isso ficou de pé e desceu os degraus, para abraçá-lo apertado. A gargalhada dos dois se espalhou por todo o castelo e ele não se importou em parecer tão pouco régio.

—Aah, Valerion... você virou rei no Sul, Shiera virou rainha no Norte... vocês dois me foderam. – riu Aegon no seu ouvido e ele se lembrou das broncas disfarçadas de sorrisos que já tinha levado do irmão mais velho. O olhou sem jeito e Aegon soltou um muxoxo – Daenerys vai me matar.

—Quem? – perguntou baixinho e Aegon respirou fundo, fazendo um aceno com a mão, como se pedisse que ele deixasse para lá.

—Então... eu vim aqui a pedido do Robb Stark, o Rei no Norte... marido da sua irmã, não sei se você se lembra dela. – brincou ele lhe entregando um grande papel – O Norte quer ser independente. Vários Lordes do Rio concordam com isso, pode ver as assinaturas deles na lateral do mapa... Robb te envia a proposta de fronteiras. – disse Aegon – O que pretende fazer?

Valerion abriu o papel, olhando as fronteiras. O Norte e apenas o Norte iria se separar do Sul. Nem um pedaço a mais das Terras do Rio foram retiradas e ele certamente acreditava que tinha dedo de Shiera naquilo. Se lembrava que o primeiro pedido de mudança de fronteiras tinha sido bem mais abusado.

—Bem. Eu vou analisar com meus homens e principalmente com a Rainha. – riu Valerion – Ou Robb é tão obtuso que espera que eu dê uma resposta sem pensar?

—Robb é bastante obtuso... – concordou Aegon dando de ombros e algumas pessoas riram dele – Podemos conversar em particular depois? – perguntou Aegon. Valerion sentia a bunda doer por ter ficado tanto tempo sentado, resolvendo assuntos reais. Uma boa caminhada ao lado do irmão lhe parecia uma ótima ideia. Mas ele tinha obrigações primeiro.

—Depois, talvez. Bry. – ele se virou para o escudeiro, que apareceu prontamente – Acompanhe meu irmão até um cômodo adequado a sua posição. Lhe prepare um banho, boas roupas e uma boa refeição. – depois ele se virou para a corte – Estou encerrando por hoje. Irei reunir-me com o Pequeno Conselho. – se virou novamente para o irmão, que o olhava com um sorrisinho – Nos vemos depois.

—Sim, Vossa Graça. – disse ele numa reverência cheia de zombarias e Valerion corou de leve. Se virou para o Conselho e deu a mão a Myrcella, para então irem para o Salão de Reuniões do Rei, onde costumavam ser as reuniões, antes de Tywin mudar para a Sala da Mão.

Assim que entraram, Myrcella lhe tomou o mapa das mãos e o colocou em cima da mesa.

—Seus irmãos querem roubar metade do meu reino! – sibilou ela e Valerion suspirou. O Conselho se reuniu ao redor do mapa e Mace Tyrell negou com a cabeça.

—O rapaz tem bolas, devemos admitir. – riu Oberyn.

—Realmente um absurdo. – disse Mace.

—Completamente ridículo. – resmungou Pycelle.

—A mania de grandeza de Robb Stark não parece diminuir. – resmungou Jaime – Talvez seja preciso que o matemos de novo.

—Definitivamente. Não podemos deixar uma afronta dessas passar. – concordou Kevan.

—Por que não? – perguntou Tyrion se servindo com vinho e todosolharam para ele – Friamente falando... o que o Norte tem para nos oferecer agora? – perguntou ele girando de leve a taça, para deixar o vinho respirar.

—Como assim? Que pergunta é essa? – perguntou Pycelle – O Norte é o maior reino de todos. Ele é quase metade do continente.

—E? – perguntou Tyrion, se sentando tranquilamente em seu lugar e ajeitando melhor o broche de Mão da Rainha que ele acabara de receber. Todos olharam ainda com um pouco de choque para ele – O Norte é grande, selvagem, difícil. Não ganhamos uma batalha sequer lá. Na verdade, nunca ganhamos uma batalha sequer contra eles. Mesmo aqui no sul, fracassamos. – disse Tyrion antes de dar um bom gole em seu vinho – Diga-me, Myrcella. Pra que você quer o Norte? – perguntou Tyrion.

—Porque é meu por direito.

—Mas o que você ganharia com ele? – perguntou Tyrion – O inverno chegou, todo mundo estará em breve morrendo de frio e de fome. O Norte tem poucas pessoas, então não paga bons impostos. Eles nos mantêm protegidos dos Selvagens, que parecem estar se organizando por lá. Eles têm um exército grande, um dragão e uma boa frota. Além de que uma boa parte dos nossos Lordes estão apoiando o Rei do Norte. E vamos ser honestos. O rapaz foi atingido por flechas, enforcado, num casamento onde já tinha comido e bebido. E ele sobreviveu, recuperou o próprio castelo, salvou sua amada rainha... e mais uma vez, ele tem um dragão. – riu Tyrion – Ele tem o filho mais velho de Haegon ao lado dele. O soldado mais habilidoso do mundo, que foi capaz de derrotar Jaime em todas as lutas que tiveram. – Valerion viu Jaime fechar a cara – Ele tem uma esposa que sonha com o futuro. Acredite, é verdade. – adicionou ele – O que acontece se nós não conseguirmos fazer a paz com Robb Stark, depois de termos matado o pai dele de maneira desleal, perdido as duas irmãs dele, depois de obrigar uma delas a se casar comigo, causarmos todos os desentendimentos que fizeram com que os irmãos dele morressem e que a amada dele se casasse com um traidor. Você acha que Robb Stark terá clemência caso negue a paz que ele oferece? – perguntou Tyrion – Ele não tem nada a perder enfrentando você. Mas você... você tem. Então porque continuar a guerra por um pedaço de terra que nunca fez falta? Seu pai mesmo nunca governou o Norte, sempre foi Ned Stark. O Norte é selvagem e indomável, Vossa Graça. E nós já temos problemas demais.

—Eu concordo com Tyrion. – disse Oberyn e todos olharam para ele – Faça a paz e sele a paz com um casamento. Jurem que quando vocês tiverem filhos, os casarão, unindo Sul e Norte novamente. Será uma vitória a longo prazo.

—Meu filho nem saiu de meu ventre e já sugeres que eu o venda a um nortenho sem modos?! – perguntou Myrcella.

—Será o filho ou filha de minha irmã. Ela dará os bons modos ao herdeiro de Robb. – disse Valerion, e Myrcella o olhou como se não tivesse pensado nisso, corando com violência. Valerion se sentou em seu lugar e suspirou – Eu prefiro não opinar nesse momento, pois não seria capaz de ser imparcial. É da minha irmã de quem estamos falando. – murmurou ele pegando um copo para beber um pouco de vinho também – No entanto... – ele respirou fundo – O Oeste nos dá comida e ferro. Temos muito minério vindo das terras comandadas pelo Vale. O Leste nos dá comida e tropas. A Campina nos oferece comida e dinheiro, assim como as Terras do Rio. As Terras das Tempestade são nosso principal meio de fazer comércio com Essos, além de ser a principal parceira comercial das Terras da Coroa. Dorne também oferece comida, além de roupas, tecidos, especiarias e espadas. O Norte não tem nada disso em sobra para oferecer. Eles mantêm os recursos deles lá, para sobreviverem aos Invernos Duros... Nunca antes na história houve uma incursão do Norte sobre o Sul.O Norte nunca tentou conquistar o Sul...

—E o que acha que Ned Stark tentou fazer? – perguntou Pycelle que apesar de tudo ainda não gostava dele. A recíproca ainda valia, também.

Myrcella o olhou com receio e Valerion suspirou.

—Acredito que Eddard Stark estava tentando salvar o reino. – murmurou em resposta – O Trono de Ferro estava num péssimo momento, Robert não foi um bom rei. Ele esgotou os cofres da Coroa. Todos sabem disso. Eu duvido que Eddard queria o trono para si. Provavelmente só queria colocar o Reino no caminho certo para se reestabelecer. Ele odiava Porto Real e vivia falando como queria voltar logo para o Norte, que era o lugar dele. Talvez ele tenha notado o quanto Joffrey era louco e o quanto ele fora mimado e superprotegido pela mãe. Talvez ele quisesse ter a chance de preparar o futuro rei para ser um futuro rei. Mas nós nunca saberemos a verdade, porque convencemos o homem a falar o que queríamos que ele falasse, para então deixar Joffrey cortar a cabeça dele em praça pública. – Valerion engoliu em seco – E eu acredito que o ponto do príncipe Oberyn seja um bom ponto. Casando um dos nossos filhos com um dos filhos de Robb, estaríamos juntando Norte e Sul novamente. – disse tranquilamente – Sem guerras, sem traições e sem derramamento de sangue.

—Eu não quero. – disse Myrcella e Valerion respirou fundo, se imaginando indo para guerra contra Aegon e Shiera – O Norte é meu e eles terão que dobrar o joelho.

—Dê uma boa razão para motivar os soldados, Myrcella. Por que precisamos do Norte? – perguntou Tyrion.

—Para mostrar que somos fortes e que rebeldes não passarão. – murmurou Pycelle – Se deixarmos o Norte livre, quem garante que todos os outros reinos não irão se rebelar?

—Tyrion garante que o Casterly Rock não irá se rebelar. Eu garanto que as Terras Fluviais não farão o mesmo, também, afinal eu sou o Senhor do Tridente. Tenho certeza de que Dorne e a Campina também nos são leais. – disse olhando de Oberyn para Mace, que concordaram com acenos de cabeça – Viu? – perguntou dando de ombros.

—Pensei que ficaria calado por não poder manter a imparcialidade. – zombou Pycelle e Valerion o olhou sem paciência.

—Um reino unido é mais forte, sim todos sabemos disso. Se o Norte achar que os problemas do Sul, são problemas do Sul, não aumentariam as chances de nos dar as costas? – Murmurou Varys, com um sorriso gentil – E temo que precisamos olhar com preocupação para as próximas gerações. Todos os presentes aqui não viverão para sempre, para garantir a Paz do Rei. – adicionou ele e Valerion suspirou.

—O que sugere que seja feito, Vossa Graça? – perguntou Oberyn – A decisão cairá principalmente sobre a Mão do Rei, não é mesmo? Já que o regente prefere se afastar da decisão.

Myrcella respirou fundo, afagando o ventre inchado e Valerion sentiu um arrepio lhe subir a espinha. Em menos de quatro meses seria pai.

—Eu vou fazer uma contraproposta. – respondeu Myrcella – Vou oferecer a Shiera a oportunidade de vir para o Sul, para ser minha dama de companhia. Ela pode trazer o filho dela, também...

—Sobre isso... – cortou Varys e todos o olharam – Desculpe interromper, Vossa Graça... mas receio que Robb e Shiera Stark não estejam em condições de aceitar isso, levando em consideração que o filho deles foi assassinado por Bolton, nosso maior aliado Nortenho. – disse ele e Valerion se levantou de uma vez.

—O que disse?

—São informações que chegaram há pouco tempo. Robb Stark está sem herdeiros... ou melhor... ele tem uma herdeira, que é a única Stark restante dos irmãos dele: Lady Sansa. – explicou Varys e Valerion sentiu outro frio na espinha.

—O que significa que se entramos em batalha e Robb morrer, Sansa se transforma em Rainha do Norte e em Lady Stark, Senhora de Winterfell, pois Shiera não tem mais um filho Stark para poder ter o direito de regência. – murmurou Kevan – Se você não tivesse cancelado seu casamento, Tyrion, você seria o legítimo herdeiro de Robb Stark.

—Talvez haja tempo de cancelar a anulação. – murmurou Pycelle.

—Não há tempo para isso. – ralhou Tyrion – Nosso casamento nem chegou a ser consumado. Mas sim. Se fizer guerra com Robb e ele morrer, Sansa Stark vira Rainha do Norte e Senhora de Winterfell. E ela tem menos amor por você do que Robb. – garantiu Tyrion e Valerion corou de leve.

—Se Sansa Stark herdar o posto do irmão, significará que Robb não quis dobrar o joelho e todos eles serão considerados traidores. Se for o caso, dominarei o Norte e tirarei tudo deles. Vou nomear um novo Protetor do Norte e entregar Winterfell a quem se fizer merecedor. – declarou Myrcella – Não sobrará um Stark nessa terra.

—Está falando que vai matar a minha irmã? – perguntou Valerion e Myrcella o olhou com seriedade.

—Se ela não se dobrar, sim. Rebeldes e desertores serão punidos com a morte. – disse ela, enfadada. Valerion a olhou sombrio e se levantou.

—Como quiser, Vossa Graça. – disse indo em direção à porta.

—Valerion! – chamou Myrcella – Onde você pensa que vai? A reunião não terminou.

—Pra mim terminou. Eu prefiro não estar presente enquanto você planeja assassinar a minha irmã, que acabou de perder um filho pros homens nortenhos que sua família comprou. – disse secamente e um clima tenso e desconfortável pairou sobre todos. Avançou até a porta e a abriu.

—Volte, Valerion. Você é meu regente e eu exijo que você fique... – mas saiu e bateu a porta no processo. Seus guardas, incluindo Sor Loras e Sor Balon, o seguiram e ele começou a se afastar. Escutou a porta abrir e viu que Jaime Lannister vinha em sua direção.

—Valerion. Myrcella exige que você volte. – disse Jaime Lannister e Valerion não parou de andar – E se você insistir em desobedecer, eu devo levá-lo à força. Sor Loras e Sor Balon devem me ajudar a levá-lo à força. Palavras da Rainha. – adicionou ele e Valerion notou um certo ar de satisfação na voz dele. Loras baixou a cabeça, sem gostar disso, mas Valerion sabia que ele não poderia desobedecer.

—Se tentar encostar um dedo em mim, eu mato você. – disse fingindo estar mais confiante do que realmente estava.

Jaime sorriu, com diversão e sacou a espada. Uma bonita arma, feita a partir do aço Valiriano de Gelo, a arma ancestral da Casa Stark. Valerion sacou Dragonblood e viu Loras sacar a própria espada com desagrado, enquanto Sor Balon simplesmente obedeceu. Seus outros dois guardas sacaram a espada também e Valerion viu que estava em apuros ali. Por mais que fosse uma luta de três contra três, Loras e Balon eram membros da Guarda Real e habilidosos espadachins.

—O que vejo aqui? – perguntou uma voz que lhe aqueceu o coração. Escutou o som de uma espada ser desembainhada e logo notou que seu irmão estava ali, junto de Bry – Regicida, Regicida... os anos passam mais alguns hábitos são difíceis de se abandonar, não é mesmo? – perguntou Aegon e Jaime Lannister sorriu.

—Já comeu, Aegon? – perguntou ele e Valerion engoliu em seco.

—Não. O que me dá a oportunidade de enfiar essa lâmina no seu rabo, se tentar ameaçar meu irmão novamente. – disse Aegon com um sorriso torto. Sor Balon avançou um passo e Aegon gargalhou – Por favor, você não daria nem pro cheiro. Mas quer tentar a sorte assim mesmo? – perguntou ele – Sabe, eu sempre sonhei em ser da Guarda Real, talvez eu libere uma vaga pra mim.

—Sor Jaime, volte lá para dentro e diga que eu confio nas capazes mãos do Pequeno Conselho. – disse Valerion – Ou não vai sobrar alguém que realmente queira lutar para salvar Cersei Lannister do Julgamento por Combate dela. – adicionou Valerion. Jaime Lannister olhou dele para Aegon, depois mirou Loras, que não estava muito contente com aquele momento. A porta se abriu e Myrcella saiu de lá de dentro.

—Valerion, pare de gracinhas e venha aqui para dentro agora mesmo! – ralhou ela e Valerion corou de leve ao receber um olhar divertido do irmão.

—Por essas e por outras, eu nunca casei. – caçoou ele.

—O que está acontecendo? – perguntou uma voz feminina e todos olharam. Era Ellaria Sand, que vinha junto de Arianne Martell e Margaery Tyrell. Aegon olhou para as duas, mas seu olhar parou em Arianne por mais tempo. Ela corou de leve com o olhar dele, por mais que Valerion jamais acreditasse que alguma vez ela fosse capaz de corar. Aegon guardou a espada e sorriu.

—Arianne. Quanto tempo. – riu ele e Valerion revirou os olhos.

—Sor Aegon. Será que haverá uma oportunidade de encontrá-lo sem que esteja prestes a assassinar alguém? – perguntou ela e Aegon sorriu.

—Eu perderia metade do meu charme se isso acontecesse, sem dúvidas. – riu ele – Eu esqueci de perguntar. Como estava indo a reunião? – perguntou Aegon e Valerion deu de ombros.

—Myrcella quer matar todo mundo, caso Robb e Shiera se recusem a dobrar o joelho. – respondeu Valerion e a tensão ficou ainda mais evidente. Aegon olhou diretamente para a rainha e sorriu.

—Eu te desafio a tentar, filhotinho. – riu Aegon – Eu levei três segundos para acabar com a campanha de Stannis. Não pense que só porque está embuchada que eu não faria o mesmo contigo. Enquanto eu não me convencer que está esperando um filho do meu irmão, eu não tenho afeição alguma por você.

—Aegon, comporte-se. – ralhou Valerion e Aegon negou com a cabeça.

—Não. Nós estamos indo embora. – disse ele, decidido e Valerion piscou.

—Desculpe... você disse... nós? – perguntou Jaime com um sorrisinho debochado e Aegon concordou.

—Sim. – respondeu Aegon com um sorriso divertido – Valerion, pule a janela enquanto eu mato Jaime Lannister. – Disse Aegon e Valerion o olhou em choque – E o Sor Balon também... e essa garota que por algum motivo está com uma armadura branca.

—Eu sou Loras Tyrell! – ralhou Loras, corado.

—Ok, e a senhorita Loras. – debochou Aegon e Valerion o segurou pelo ombro.

—Eu não vou pular a janela! Eu sou o rei consorte e regente! Não vou fugir daqui.

—Estava bastante régio, momentos atrás. – debochou Aegon e Valerion corou de novo – Pule logo a maldita janela antes que eu te jogue por ela. – rosnou ele e Valerion olhou ao redor, sentindo-se em pânico.

—Aegon, pelo amor dos deuses. – ralhou – Vá para o seu quarto. Eu resolvo isso.

—Você e papai têm essa mania de querer complicar tudo o que pode ser simples. – ralhou Aegon.

—E você tem a mania de querer resolver seus problemas matando eles.

—Bem, meus problemas nunca voltam para me encher o saco de novo, pelo menos. – disse Aegon e Valerion bufou.

—Pelos Sete. Vá para o seu quarto. Eu volto para a porcaria da reunião, vamos todos guardar as espadas. – pediu Valerion e Aegon bufou. Mas antes que ele pudesse falar alguma coisa, ouviram gritos vindos lá do jardim. Todos, curiosos, olharam pela janela e em seguida, sentiram o chão tremer. O Pequeno Conselho já tinha se aproximado e todos correram até a janela. Aegon deu uma gargalhada e tocou seu ombro.

—Parece que meu garoto terminou de caçar. Ele estava de dieta lá no Norte. Pode ser que ele tenha atacado um ou dois rebanhos, se ele não tiver ido pescar. – riu Aegon. Valerion olhou pela janela e mirou boquiaberto um imenso dragão cor de mármore, com detalhes dourados nas costas e nas asas. Os chifres dele pareciam ser feitos de ouro e os dentes pareciam espadas negras, muito compridas – Deixe-me te apresentar Viserion. – Valerion sentiu seus pés deixarem o chão, quando seu irmão o levantou e o jogou pela janela. Estavam todos chocados demais para reagir e Aegon pulou a janela também, o puxando pelo braço.

—Valerion! Não se aproxime daquilo! – gritou Myrcella, assustada e ele sentiu-se compelido a correr para longe daquele monstro.

—Vamos, é como um cachorro, só que enorme. – riu Aegon e Valerion tentou se soltar do irmão, mas Aegon era muito mais forte que ele.

—Aegon... eu estou impressionado, mas... – engoliu em seco.

—Pelo amor dos Deuses. Você é um Blackfyre ou não? – perguntou Aegon o olhando com desdém. O irmão mais velho o jogou para frente e Valerion caiu debilmente no chão. Ele olhou para cima e mirou os olhos cor de ouro do monstro escamoso. Pareciam piscinas de ouro derretido. O Dragão o cheirou e Valerion teve a impressão de que a cabeça dele era tão grande que sua cabeça poderia entrar inteiramente dentro de uma das narinas se se esforçasse um pouco – Viserion, esse é meu irmão mais novo. Inicialmente eu pretendia pedir que você não o comesse... mas agora eu estou em dúvida. – brincou Aegon e Valerion ficou de pé, completamente chocado e hipnotizado pelo que via. Já tinha visto as cabeças de dragão nas masmorras, mas nunca tinha parado para imaginar como seria um ainda vivo. Engoliu em seco, sentindo a respiração quente do bicho em seu rosto. Era um animal magnífico, muito bonito, em tons creme e dourado – Valerion, esse é Viserion. Ele é o menor dos três dragões de Daenerys Targaryen. – sussurrou Aegon – E ela pretende vir para Westeros, para conquistar o Trono de Ferro, que deveria ser dela. – explicou ele. Valerion olhou o irmão, em choque.

—Ele é o menor? – perguntou, chocado.

—E o mais dócil também. Como você, se comparado a mim e Shiera. – riu Aegon e Valerion engoliu em seco. Viserion esticou o pescoço se aproximando mais e Valerion respirou fundo, tentando não parecer em pânico. O dragão o olhava no olho, como se fosse capaz de enxergar sua alma – Olha só... ele gostou de você. Normalmente ele grita e empurra os outros. – riu Aegon dando umas palmadinhas no pescoço do Dragão. Viserion seguiu mirando Valerion e ele se perguntou se aquele olhar era o mesmo olhar de alguém que estava morrendo de fome, ao vislumbrar um banquete.

—Entendi. – murmurou – Por que ela te emprestou um dos dragões dela?

—Ela não emprestou. Ele veio me seguindo, não sei o motivo. – confessou seu irmão, bem baixinho e Valerion esticou a mão para afagar as grossas escamas cor de creme do dragão. Viserion fechou os olhos e respirou fundo, fazendo Valerion perder um pouco de medo – Era sobre isso e sobre mais alguns detalhes que eu precisava conversar com você, a sós. – disse Aegon e Valerion concordou.

—Podemos voar pra longe daqui, nele? Depois voltamos. – perguntou animado e Aegon negou com a cabeça.

—Ele nunca me deixou montar nele. – riu o irmão e Valerion o olhou desapontado. Depois mirou o dragão novamente e suspirou.

—Que pena. – disse imaginando como poderia ser incrível. Foi passando a mão pelo pescoço do dragão, para seguir até as asas dele. Pareciam asas de um imenso morcego, douradas de maneira resplandecente. Viserion o olhava com curiosidade e Valerion engoliu em seco – Ele é incrível. Acho que nunca vi nada tão incrível antes. – murmurou – Podemos levá-lo até onde os dragões Targaryen ficavam. – disse completamente impressionado.

—Certo. Você mostra onde é. – disse Aegon – E se alguém questionar, é só falar Dracarys.

—O que?

Mas Viserion soltou uma labareda de fogo de cor ouro pálido, com raios vermelhos e laranjas, simplesmente enorme, na direção do castelo. Todos os que olhavam da janela saíram correndo.

—Entendeu? – perguntou Aegon olhando para a área em cone, que pegava fogo, além da pedra queimada da parede do castelo. Valerion apenas concordou, boquiaberto.

**

Valerion entrou no quarto e Myrcella jogou um enorme vaso de porcelana, provavelmente provindo de Myr, em sua cabeça. Mas ele foi rápido o suficiente para se esquivar.

—Eu o quero MORTO! – gritou ela e Valerion revirou os olhos – Não faça essa cara para mim! Ele tentou me matar! Ele mandou aquela besta horrenda cuspir fogo em mim! Ele me ameaçou e ameaçou meu tio! – rosnou ela pegando um candelabro muito parecido com o que ela tinha acertado sua cabeça tempos atrás. Bufou novamente e sacou a espada, fazendo com que Myrcella ficasse quieta.

—Se me atacar, eu vou atacar. – avisou e ela respirou fundo, para em seguida gritar e jogar o candelabro contra a parede. Guardou a espada e pressionou os olhos, sentindo-se cansado – Myrcella, sente-se. Nós precisamos conversar.

—Quem ele pensa que é?! Heim?! Chega com aquela proposto ridícula! Como se eu fosse abrir mão do Norte para aquele monte de selvagens sem modos que vivem lá! – rosnou ela, furiosa e Valerion bufou a achando irritantemente parecida com Cersei Lannister.

—Você parece muito cheia de modos nesse momento. – Alfinetou e Myrcella corou.

—Eu tenho todo o direito de estar FURIOSA! EU SOU A RAINHA! – gritou, ela e Valerion avançou até a esposa, para abraçá-la – Não! Não me venha com abraços. Isso não vai funcionar dessa vez! – rosnou ela.

—Meus deuses. Se você não sair dessa insanidade quando nosso filho nascer, eu vou me jogar da Arcada das Donzelas. – ralhou ele tentando conter Myrcella, que se debatia, furiosa. Mas quando ele disse isso, ela se aquietou e ele a soltou. Myrcella o olhou com os olhos cheios de água e ele quis fugir dali. Ótimo. A fiz chorar.

—Não brinque com isso! Nunca mais fale uma coisa dessas. Eu não existo sem você... eu... eu... – ela fungou e desmoronou no chão – É a loucura da gravidez. Eu não aguento mais essa criança. Ela está me deixando louca! – rosnou Myrcella se abraçando, de joelhos no chão. Valerion suspirou e se sentou no chão também.

—Então... se seu chilique já tiver terminado, eu preciso falar com a Rainha Myrcella. – disse com um sorrisinho, dando alguns soquinhos na testa dela, como quem bate na porta – Ela está aí em algum lugar?

—Vá se foder, Valerion. – rosnou Myrcella se levantando e ele se jogou no chão.

—Myrcella, eu me considero um homem paciente, mas ultimamente você tem estado fora de si e eu não estou aguentando isso. Pelo bem da minha sanidade, eu quero marchar para o Norte. – disse de uma vez e ela o olhou furiosa, voltando a pegar o candelabro – Eu me explico! Calma. Coloca o candelabro no chão.

—Eu vou quebrar a sua cabeça se você ousar propor voltar para aquela cadela Stark, só porque eu estou um monstro de gorda.

—Ah, não, Myrcella. Eu não vou discutir isso com você de novo. Você não está gorda, está linda.

Ela fez um beicinho.

—Então porque não me quer mais? – perguntou ela com os olhos enchendo-se de lágrimas.

—Minha senhora. Foi o teu meistre que disse que deveríamos tomar cuidado, pois teu útero estava abrindo antes do tempo. Recordas? – perguntou falando com jeitinho – E eu preciso ir para o Norte numa campanha militar. – explicou e Myrcella o encarou com os olhos cheios de desconfianças.

—Militar? Vai passar a espada nos Stark por mim? – perguntou ela e ele bufou.

—Não. Aegon veio me avisar sobre uma ameaça que vem além da Muralha. – explicou ele coçando a barba – Sei que vai parecer loucura, mas... bem... Stannis matou o irmão com uma sombra, um dragão quase cuspiu fogo em ti, Robb Stark voltou dos mortos e minha irmã vê o futuro. Loucuras parecem estar se realizando em todos os Sete Reinos. – resmungou ele e Myrcella bufou, cruzando os braços – Já ouviste falar nos Caminhantes Brancos? – perguntou ele e ela o olhou com desdém – Sabe? Os mortos que vem no inverno... que matam tudo o que é vivo... essas coisas...?

—Se quer uma desculpa para correr para as saias daquela cadela Stark, vai precisar ser mais convincente que isso. – sibilou ela.

—Pelos Deuses, não tem nada a ver com Sansa Stark. – resmungou revirando os olhos – Aegon garante que é verdade e ele é o maior cético que eu conheço. Minha irmã e meu pai sonhavam com esses monstros há anos. Finalmente chegou. É hora de parar de guerrear e fazer as pazes com o Norte, para lutar contra a verdadeira ameaça. – explicou ele e Myrcella bufou.

—Eu não vou fazer as pazes com o Norte por conta de uma história ridícula dessas. – riu ela.

—Myrcella. Os mortos estão voltando à vida para matar os vivos. Isso é sério. – resmungou Valerion desejando ter o aval dela para sair da cidade e tentar ter a sorte de morrer bem longe de sua biruta esposinha. E se pudesse ver Sansa antes disso, melhor ainda. Por mais que a nortenha provavelmente não fosse nem mesmo querer olhá-lo na cara depois de ter fugido para Porto Real na surdina da noite – Aegon veio aqui em pessoa para me contar isso e muitas outras coisas.

Coisas como Jon Targaryen, Caminhantes Brancos, Senhor da Luz ressuscitando os mortos, Príncipes que foram prometidos, Azor Ahai, Daenerys e seus dragões, profecias de uma bruxa de Coração Alto e explicações de Naerys, que só seriam dadas quando ele voltasse para Harrenhal. Naerys se recusara a contar o que quer que fosse a quem quer que fosse. As profecias e histórias eram apenas para Valerion.

—Minha resposta é não. E só vou acreditar nessa história ridícula caso Robb Stark me traga um morto vivo para me provar o contrário. Se não for o caso, ele pode vir para dobrar o joelho, ou vai morrer. – declarou Myrcella e Valerion suspirou, vencido.

—Myrcella... – ele respirou fundo – Não acho que meu irmão esteja mentindo. Mas se é o que desconfias, permita-me ir até além da Muralha, para tirar a prova. – disse muito sério – Aegon irá comigo, e eu levarei alguns guardas Blackfyre. Apenas alguns. Depois voltarei com meu testemunho. – disse se levantando e Myrcella negou com a cabeça.

—Pensas que não sei que irá correndo para o meio das pernas de Sansa Stark? – perguntou ela enlouquecida de ciúmes. Não aguentava mais aquilo.

—Escuta. Eu te escolhi. Eu poderia ter escolhido Sansa. Mas te escolhi. Eu me casei contigo e nós vamos ter um herdeiro. Então pare de pensar que eu vou te enfiar uma adaga nas costas na primeira oportunidade! – ralhou ele – Eu escuto minha irmã falar desses mortos desde que tínhamos seis anos. Eu sei que não é brincadeira, mas só para te agradar eu pretendo ir lá averiguar! – disse soltando um muxoxo – Então pare com essa paranoia.

Myrcella bufou e se jogou em cima da cama.

—Não concordo com isso. – disse ela, cruzando os braços – E eu acho que poderia muito bem mandar alguém no teu lugar. Tu es meu regente e meu esposo. Não precisas colocar a si mesmo em tão grande perigo.

Valerion suspirou.

—Levarei Sor Loras comigo. – disse ele – E você deixa Sor Jaime lutar pela inocência de tua mãe.

—Não podemos simplesmente explodir aquele maldito Septo com todos aqueles lunáticos lá dentro? – perguntou Myrcella e Valerion a olhou chocado.

—É claro que... – mas a verdade era... por que não? – Bem... – ele sorriu – Eu sempre gostei muito de fogo vivo. – disse coçando o queixo.

—Mamãe tinha encomendado um monte dele, para o caso de Stannis invadir a cidade. Não usamos tudo na Batalha do Água Negra, usamos? – perguntou Myrcella e Valerion suspirou.

—Vamos ver isso com cuidado. Prometa que não vai explodir ninguém enquanto eu vou para o Norte... – murmurou preocupado.

—Eu ainda não o autorizei a ir para o Norte. – devolveu ela e Valerion suspirou, cansado da loucura da Gravidez dela.

**

Oberyn mirou Valerion. Ele tinha reunido o Conselho, mas sem o conhecimento da Rainha. Todos o olhavam com ligeira curiosidade. Ele se curvou sobre a mesa e sobre o mapa com a proposta de fronteiras. Valerion parecia ter envelhecido anos naquele último mês. Aparentemente Myrcella estava cada vez mais insana, com a loucura que as grávidas algumas vezes adquiriam durante a gestação. E era conhecimento de todos que Myrcella estava cada vez mais descontrolada e cuidar dela se tornara uma árdua tarefa para o Regente.

—O que será que teremos para tratar a essa hora da madrugada? – perguntou Varys, soltando um bocejo – Meus passarinhos viram Aegon Blackfyre deixar a cidade com o imenso dragão a segui-lo pouco depois do pôr do sol.

—Ele fez o que veio fazer. – disse Valerion.

—Sim, me ameaçar e ameaçar a rainha. – ralhou Jaime e Valerion deu de ombros.

—Meu irmão é um idiota. E Regicida... – Valerion o olhou enfadado – Se me ameaçar de novo, escondendo-se atrás das loucuras da minha mulher, prendo você nas Celas Negras. – disse zangado e Jaime Lannister lhe lançou um sorriso torto e desdenhoso – Myrcella não quer fazer paz com o Norte e eu não posso passar por cima da vontade dela. Por mais que esteja fora de si, devido à gravidez, ela ainda é minha rainha. – disse Valerion e o Pequeno Conselho consentiu em silêncio – Mas há uma coisa que eu preciso tratar com vocês. – disse engolindo em seco – Varys, seus passarinhos lhe contaram algo sobre os Caminhantes Brancos?

Varys deu uma risadinha e negou com a cabeça e não foi o único. Tyrion engasgou-se com o vinho, Regicida deu uma risadinha, Kevan revirou os olhos, Pycelle bufou indignado.

—Suponho que Valerion crê que não somos adultos, como ele, e que precisamos de historinhas para dormir. – debochou Jaime.

—Varys? Não escutou uma só palavra sobre isso? – perguntou Valerion, engolindo em seco e Varys negou com a cabeça.

—Na verdade... – murmurou Tyrion – Quando eu estava servindo como Mão do Rei Joffrey... Sor Alister Thorne veio com uma mão podre, que de acordo com ele, se movia. – murmurou Tyrion.

—E se movia mesmo? – perguntou Oberyn, com divertimento e Tyrion deu de ombros.

—Não sei. Fiz Thorne esperar tanto que a mão apodreceu até desaparecer. – riu Tyrion e Oberyn deu uma risadinha, junto com Jaime – Em minha defesa, Sor Alister era um pé no saco. Soube que ele está morto... por tentar se amotinar contra Jon Snow.

—Escutei o mesmo. – disse Varys – Que o jovem bastardo foi morto, mas voltou a viver, para se vingar dos amotinados... – Varys suspirou – Parece estar virando um hábito dos Stark... voltar a vida para se vingarem de seus assassinos... Robb Stark matou todos os Frey em que conseguiu colocar as mãos... Apenas Genna Frey está viva e aquela menina que é dama de companhia de Shiera Blackfyre. – murmurou ele.

—Senhor... – murmurou Mace e Oberyn olhou para ele. Mace parecia ligeiramente desconcertado e suava de leve. Sua barba salpicada de branco estava despenteada e ele não parecia estar lidando bem com o fato de ter sido acordado no meio da noite. Oberyn suspirou preguiçosamente. Willas Tyrell, filho de Mace que ele tinha acidentalmente aleijado, seria um líder muito melhor para Jardim de Cima. Com um pouco de sorte, Mace teria uma morte prematura e Willas faria Jardim de Cima prosperar de verdade. Conhecia o rapaz por dividir o entusiasmo por cavalos e por mais que os Tyrell e os Martell tivessem inimizade por conta do acidente do torneio, Willas não guardara rancor e ambos sempre trocaram muitas cartas um com o outro – Sobre esses Caminhantes... eu escutei algo, mas claro... achei que era tão fantasioso que não dei muita atenção.

—O que poderia ter sido um dos seus momentos mais altos de sensatez. – brincou Jaime e Oberyn o estudou com os olhos atentos. Valerion olhava Mace o incentivando a falar, porém, parecia ser o único verdadeiramente interessado na questão.

—Bem... eu estava conversando com Tycho Nestoris, representante do Banco de Ferro, para quitar uma parte da dívida com o dinheiro que Harrenhal trouxe. Afinal, como Mestre da Moeda da Rainha Myrcella...

—Vá direto ao ponto, Mace. – ralhou Jaime sem muito entusiasmo e Mace deu uma tossida para limpar a garganta.

—Bem... Tycho disse que o Lorde Comandante da Patrulha da Noite, Jon Snow, estava preocupado com os Caminhantes Brancos. Aparentemente ele lutou contra eles em Hardhome. Tycho não conhece o folclore Westerosi e, portanto, me perguntou se esses Caminhantes Brancos eram alguma tribo selvagem. Claro, eu expliquei que eram personagens de lendas e mitos e ele ficou muito contente em deixar Porto Real o quanto antes, parecendo realmente assustado.

—Jon Snow colocou o velho covarde para correr? – riu Jaime Lannister e Valerion mirou o Grande Meistre Pycelle.

Oberyn brincava com um colar qualquer, apenas escutando aquilo. Já ouvira falar em Caminhantes Brancos. Eram histórias para assustar criancinhas. Doran as adorava e sempre contava para ele e Elia, quando os dois eram pequenos. Não poderia acreditar que Valerion estava levando aquela baboseira a sério...

—Pycelle... Você é o Grande Meistre. – Disse Valerion – E por mais que eu tenha desconfianças para com a sua Ordem, não posso menosprezar o grande conhecimento dos Meistres. – disse ele e Pycelle respirou fundo – O que sabe sobre os Caminhantes Brancos? Existe na Cidadela qualquer indício de que eles existiram? Como podemos derrotá-los? Eles realmente vieram antes? Como aconteceu? Me dê alguma coisa. – pediu ele e Oberyn suspirou achando aquilo perda de tempo. Mesmo se houvesse algo a ser dito, Pycelle não entregaria. A inimizade dos dois era conhecida por todos.

Pycelle alisou sua pequena barbicha, que crescia muito rala em seu queixo fraco e cheio de pelancas. Ele suspirou e se curvou, parecendo realmente pensar a respeito, o que despertou a curiosidade de todos ali.

—Eu li uma vez... sobre o assunto. Mas achei perda de tempo. No entanto, Marwyn conhecia bem o assunto. – murmurou Pycelle – Ele contava sobre eles aos seus alunos, mas é claro... a Cidadela não gostava dessas lendas. Lidamos com fatos e não com superstições. E então... – Ele respirou fundo – Teve uma briga entre Marwyn e... – Pycelle franziu o cenho, como se tentasse lembrar o nome de alguém – E Zarabelo... acho que foi Zarabelo. – Pycelle tossiu numa tentativa de limpar a garganta e tomou fôlego. Oberyn começou a mexer a perna, impaciente e Valerion parecia prestes a estapear o velhote – Sim. Eles brigaram, eu me lembro. Faz muitos anos. Eu ainda era apenas um Arquimeistre. Foi durante o Reinado de Maekar I. Eles brigaram por conta das fantasias de Marwyn e Zarabelo garantiu que não passava de um fantasioso folclore nortenho. Mas Marwyn apareceu com um livro, mais velho do que qualquer outro que eu já tinha visto... e lá estavam eles... – o Grande Meistre suspirou – Eles tinham feito uma aposta e Zarabelo perdeu, porque as criaturas de fato existiram, mas morreram, assim como os unicórnios, os mamutes, os gigantes e os filhos da floresta. – disse o velho e Oberyn suspirou.

—Eu preciso desse livro. – disse Valerion, franzindo o cenho. Ele olhou ao redor e seus olhos pousaram sobre Mace Tyrell, que parecia não ser capaz de disfarçar seu descontentamento – Lorde Tyrell, sua esposa é uma Hightower. Ela é filha do Lorde Hightower e todos sabem da boa relação que a Casa tem com a Cidadela. Não há candidato melhor para essa missão. – Garantiu Valerion.

—Que missão? Pegar um livro de histórias e lendas? – perguntou Jaime Lannister.

—Quero saber o que estamos prestes a enfrentar. – insistiu Valerion e Oberyn notou que ele falava sério. O olhar dele não parava em um ponto apenas, denunciando seu raciocínio rápido. Olhou para Tyrion e depois para Kevan. O primeiro estava hesitante e o segundo irritadiço.

—Garoto. Não estás mesmo querendo perder tempo com isso, estás? – perguntou Kevan – Isso é alguma artimanha para impedir que nossas forças caiam contra as de sua irmã? Está planejando sabotar Myrcella?

—Myrcella não acredita nos Caminhantes Brancos, tampouco. Mas eu acredito. Meu irmão veio até aqui para me falar deles. Meu pai sempre me falou deles, assim como a minha irmã. – murmurou Valerion – Eu pretendo ir averiguar com meus próprios olhos. Com alguns homens de confiança. – disse ele – E então voltarei com meu testemunho e não com as palavras de terceiros. – disse Valerion – E quando eu voltar, espero ter conhecimento o suficiente sobre o assunto.

—Myrcella aprova isso? – perguntou Jaime e Valerion negou com a cabeça.

—O tempo em que eu era um refém terminou. Myrcella não pode me prender aqui. – disse Valerion e Oberyn sorriu respirando fundo, com a mente trabalhando à mil. Seu colar, com um pingente cheio de antídoto para um veneno peculiar, dançava entre seus dedos – Eu irei e confio que o Reino estará em boas mãos. – Disse Valerion mirando Tyrion.

—Myrcella vai ficar furiosa. – Murmurou o anão. Valerion concordou – Eu vou manter o reino em paz, ou ao menos tentar. Tenho muito com que lidar. Principalmente a Fé Militante... precisamos dar um jeito neles ou não sobrarão bordéis em Porto Real.

Oberyn revirou os olhos.

—É a única coisa boa nessa cidade fedorenta. Temos que tratar o assunto como uma prioridade. – Disse em tom de brincadeira, apesar de estar sendo até que bastante sincero – Homens radicais são sempre perigosos.

—Por mim, matávamos a todos, mas eles são populares com as massas. Maegor I passou anos tentando exterminar a Fé e nem mesmo exércitos, recompensas, dragões e Trono conseguiram que ele os derrotasse. – resmungou Valerion – Precisamos ser extremamente cuidadosos com eles. – murmurou Valerion e Tyrion concordou.

—Quando você parte e quem fará sua segurança? – Perguntou Oberyn.

—Loras, é claro. – Murmurou Valerion – E alguns guardas Blackfyre. Quero a Guarda Real protegendo minha esposa. – Disse ele mirando Jaime e pela primeira vez não havia troca de farpas entre eles – Pretendo sair ainda nessa semana, mas seria bom que Myrcella não soubesse disso, ou teremos dores de cabeça. Pycelle, escreva a Marwyn sobre o livro, Lorde Tyrell, conto contigo para levar a mensagem e para trazer toda a informação possível sobre essas criaturas. – Valerion suspirou e então se voltou para Varys – Varys, mantenha seus passarinhos com olhos e ouvidos voltados para Essos.

—Essos? – Perguntou ele, curioso.

—Essos. Preciso saber tudo sobre Daenerys Targaryen. Meu irmão garante que cedo ou tarde ela se colocará contra nós. Ela tem um enorme exército, dragões e muito dinheiro. Se ela deixar a Baía dos Escravos, não deve ser subestimada de maneira alguma, entenderam? – Perguntou ele e o Pequeno Conselho concordou com um aceno de cabeça – Oberyn, gostaria que fosse comigo para o Norte.

Mas aquilo iria contra todos os seus planos.

—Preferiria não ir, Valerion. Eu sou do Sul, das areias escaldantes de Dorne. Não há nada para mim no Norte. Mas se deseja uma boa guerreira, eu lhe recomendo minha filha, Obara. Ela é mortal com uma lança. – Garantiu ele e Valerion suspirou.

Logo foram dispensados e Oberyn andou pelos corredores de pedra vermelha da Fortaleza. Parou em uma janela qualquer e sorriu tirando um pequeno frasco do bolso.

—Longo seja o seu reinado. – Disse com um sorrisinho.

Notas finais
O que será que acontecerá com a Myrcellaaaaa? Prévias "-Eu não fui clara. Ela quer compartilhar de nossa cama, para poder fazer um ritual bizarro e roubar a tua sombra! – Disse ela e Robb respirou fundo" "-Onde estamos indo? —Ver os deuses. – Respondeu ela e Jon concordou com um aceno de cabeça." "-Por que não aceitou a proposta de meu pai naquele dia? – Perguntou ela e Jon suspirou. —Porque ele nunca me ofereceu a sua mão. – Respondeu Jon e Shiera sentiu um frio lhe subir a espinha." "-Não. Confio em teu julgamento. Se dizes que eles existem, então eles devem existir. E se confias em mim para ajudar-te a comprovar a hipótese, me sinto honrado em proteger-te. – Disse Loras e Valerion sorriu – É uma pena que só tenha gosto por garotas. – Adicionou ele e Valerion engasgou-se o encarando." "-Olá, espero que não se importem. Mas gostaríamos muito de passar um tempo com vocês. – Riu Arianne – Nós trouxemos alguns bolinhos dorneses." Até a próxima! Por favor, comentem! Beijos Titia ama vocês ♥