Blackfyre
20 O Príncipe do Norte
Notas iniciais

O Príncipe do Norte
Theon a olhava com preocupação.
—Precisa deitar e descansar, Shiera. – disse ele. Normalmente ele a chamava de Vossa Graça, mas quando estavam apenas os dois, ele se permitia essa intimidade e ela não se importava – O bebê pode chegar a qualquer momento.
—Robb também. – disse alisando a barriga. Estava completamente ansiosa – Ele está bem, não está? – perguntou nervosa, olhando pela janela da torre principal de Winterfell. A torre do senhor.
Sentira-se completamente sem jeito quando Lady Catelyn ordenara que retirassem seus pertences e os de Ned daquela torre, para colocar as de Shiera e as de Robb. Ela era, oficialmente, a senhora do castelo. Mais do que isso. Ela era a Rainha do Norte.
Mas mesmo assim, se sentia uma completa intrusa naquele aposento tão nortenho. Ainda mais depois de ter voltado de Harrenhal. Se perguntava se algum dia se sentiria em casa ali.
—Você quem vê o futuro, não eu, senhora. – riu Theon – Mas eu acredito que Robb ficará bem. Ele é amado por seus homens. E tem Vento Cinzento para protegê-lo.
Suspirou, nervosa e saiu da janela, para andar em círculos, sentindo-se terrivelmente preocupada. Tão tensa, que a barriga começava a doer de tempos em tempos. Porém, estava tão preocupada com Robb que simplesmente não conseguia se acalmar. Nem mesmo pelo bebezinho que trazia no ventre. Torcia as mãos, que suavam de leve. Uma sensação ruim a estava tomando. Um medo irracional, que nada tinha a ver com seu dom de prever o futuro.
—Isso foi um erro. Você não deveria estar aqui. Deveria estar com Robb... protegendo-o! É tudo culpa minha! – disse sentindo vontade de pegar um cavalo e cavalgar até Bosque Profundo, para ajudar seu amado, como fizera na Batalha do Bosque dos Murmúrios. Mas não podia mais se arriscar daquela maneira – Droga.
—Bem... foi você quem pediu a Robb que eu ficasse como seu protetor. Para que eu fosse seu escudo. – disse Theon – Uma grande honra, mas eu também preferiria estar com ele. – Shiera suspirou sentindo-se tão tensa que todo seu corpo parecia doer – Por que tem tanta desconfiança com os Bolton?
—Roose Bolton me assusta. – segredou a ele – A você não?
Theon sempre sorria travesso, mas daquela vez os lábios dele tremeram e ele ficou sombrio.
—Sim... ele tem toda uma reputação... – murmurou Theon – E aqueles olhos dele.
—SIM! – disse olhando para o amigo – Parece que a cor vazou de dentro deles... junto com a alma dele. E o filho dele... – ela engoliu em seco – Eu soube que ele é um homem horrível. – disse voltando para a janela, espiando a estrada do Rei, ansiando pelo retorno seguro de Robb. Mas a estrada estava vazia. A maciça maioria dos homens seguiram com Robb, para guerra, mas Roose Bolton e alguns de seus homens ficaram para manter a segurança do castelo – Eu escutei o que ele fez com a senhora Hornwood... a estuprou, forçou-a a se casar e a abandonou para morrer de fome numa cela... uma distinta senhora de idade avançada! – disse horrorizada e Theon concordou – Sor Rodrik jura que executou Ramsay Snow, mas... aquele Fedor... o lacaio dele... – ela engoliu em seco – Ele tem os mesmos olhos de Roose... pode ser ele mais um bastardo?
—Por que não? – perguntou Theon, dando de ombros – Não seria o primeiro lorde a ter muitos bastardos... não será o último. Talvez até Robb venha a ter alguns, um dia.
—Não mesmo. – ralhou se virando para ele, para receber um sorriso divertido – Estás a brincar comigo!
—Ciumenta. – riu ele se aproximando, para espiar a janela, de braços cruzados ao seu lado – Não há motivos para preocupar-se, Shiera. O coração de Robb é todo seu. – garantiu ele e ela sorriu acalmando-se, alisando a enorme barriga, que agora doía irritantemente, por conta de todo o estresse – Ele só pensa em você a todo momento. Vai sofrer quando te deixar aqui, para voltar a guerrear mais ao sul.
—Soube que o Montanha voltou a cair sobre Riverrun. – murmurou se abraçando – Robb deve partir para o sul novamente. Enfrentar mais esse fragmento de tropa Lannister e então... – ela suspirou – Então ele deve finalmente enfrentar Tywin, não é?
—Provavelmente. – concordou Theon. Ele a olhou com atenção – Vai preferir que eu fique aqui com você, ou me desejará longe, ao lado de Robb?
—Quero que fique comigo, Theon. Pelo menos enquanto aquele Bolton e o tal Fedor estiverem aqui. – pediu fazendo careta.
—Está tudo bem, senhora? – perguntou Theon a olhando preocupadamente.
—Minha barriga. – disse dando de ombros – Cólicas. Estou cheia delas há dias. – resmungou indo para a cama – É essa aflição. É esse medo. Eu quero meu marido de volta. São e salvo para mim, Theon.
—Ele voltará, senhora. – garantiu Theon e os dois ouviram baterem na porta. O rapaz sacou a espada e a porta se abriu, mas era apenas Lady Catelyn, com a mulher mais estranha que Shiera já tinha visto, Brienne de Tarth. Ela era grande e forte demais para uma mulher, e superava também alguns homens. Tinha olhos grandes e azuis que transmitiam confiança e inocência, e eram a única parte de seu corpo que era atraente. Os ombros eram largos demais e a mulher quase não apresentava busto algum. Seu rosto era largo e cheio de sardas, com um nariz que fora quebrado diversas vezes. Sua boca era larga e com dentes proeminentes e tortos, com lábios extremamente gordos. O cabelo tinha cor de palha suja e parecia nunca ter sido lavado. A mulher tinha voltado com Lady Catelyn de Ponta Tempestade e pelo que se dizia, ela quem tinha assassinado Renly, apesar de Lady Catelyn dizer que tinha sido uma sombra com a aparência de Stannis – Lady Stark. – disse Theon guardando a espada.
A senhora Stark acenou com a cabeça de maneira solene. Tudo o que ela fazia parecia solene. Até mesmo o piscar de olhos parecia ser feito com toda a majestade e isso era algo que Shiera sempre achara muito admirável na senhora.
—Como se sente, Shiera? – perguntou sua sogra, com os olhos fundos de preocupação – Espero que tenha dormido.
—Tanto quanto a senhora, provavelmente. – disse fatigada.
—Eu não tenho o herdeiro no norte dentro de mim. – rebateu ela – Você precisa descansar, pelo bem do bebê.
—Eu sei que preciso, mas é impossível. Não vou conseguir enquanto Robb não voltar. – disse aflita e Lady Catelyn lhe deu um sorriso. Ela andou até sua cama e se sentou ao seu lado.
—Sei como se sente. Já passei por isso... quando Ned foi para o Sul, com Robert. E depois, quando foi enfrentar Balon Greyjoy... – ela suspirou e apertou sua mão – Mas agora é mais importante que pense como mãe do que como esposa. – ela a olhou por alguns segundos, como querendo que ela pensasse a respeito daquilo – Theon, leve a rainha até o Bosque Sagrado. – Lady Catelyn a olhou nos olhos – Reze para que os deuses lhe concedam alguma paz, Shiera. Depois volte e tente dormir. É o que Robb iria querer.
Shiera concordou com um aceno de cabeça e se colocou de pé com alguma ajuda de Theon. Do lado de fora, perto da entrada do castelo, suas damas de companhia conversavam animadamente. Mas estava farta delas e de suas conversas vazias. A última coisa que queria era que Winterfell se tornasse como Porto Real. Estavam em guerra e elas deveriam falar sobre aquilo. Segurou a barra do vestido e avançou até elas.
—Senhoras. Vamos todas rezar pelo retorno seguro do senhor meu marido. – disse autoritariamente. Todas concordaram sem vacilar, menos Talisa, que torceu o nariz.
—De que adianta falar com a árvore? O que ela vai fazer pelo seu marido? – perguntou ela com um sorrisinho muito parecido com o de Theon – Levantar as raízes para que os homens de Ferro tropecem?
—Se prefere os Sete, vá até o septo. – disse fechando a cara.
—Para falar com estátuas. Um deus que ao mesmo tempo é sete. – debochou ela se abraçando para afastar o frio – Eu prefiro falar com deus vinho, dentro dos salões. – ela sorriu insolente e fez como que iria voltar para dentro – Rezarei a ele por Robb!
—Talisa. – ralhou, fechando ainda mais a cara – Eu não estou com humor para brincadeiras. Você vem comigo para o Bosque ou voltará sozinha para Harrenhal. – disse e Walda deu uma risadinha.
—Finalmente alguém está te adestrando, Talisa. – riu ela e as cinco foram até o Bosque Sagrado, seguidas de perto por Theon.
Ao chegarem lá, suas damas a ajudaram a sentar-se sobre um tronco e Shiera orou pedindo proteção aos Deuses para seu amado Robb. Dedicou um pouco do tempo com eles orando por Jon, também, desejando que ele estivesse são e salvo. Depois pediu pelo filho que deveria nascer em breve. Suas cólicas estavam cada vez mais aborrecidas e decidiu que antes de tentar dormir, pediria para tomar um banho.
—Orando pelo senhor Stark? – perguntou uma voz travessa vinda de trás delas. Shiera olhou e notou que era Fedor. Os cabelos sujos e negros, emaranhados, sobre um semblante que lhe causava calafrios, principalmente por conta daqueles olhos pálidos – É uma boa coisa a se fazer. Os deuses respondem?
—Não. – riu Talisa, indiferente – Ou talvez escutem, mas não ligam. – ela deu de ombros e Shiera perdeu a paciência.
—Se não quer rezar, então volte para meu castelo e faça com que me preparem um banho quente. – disse franzindo a testa – O mais quente possível.
—Ora... e não é que eles respondem aos nossos pedidos? – perguntou Talisa se levantando, parecendo contente. Ela passou por Theon, bagunçou seus cabelos e voltou para o castelo. Tanto ele quanto Fedor a observaram afastar-se com atenção.
Ignorando o intruso, voltou a orar pela segurança de Robb, por uma vitória na batalha, por Jon, por seu filho, pelo norte. Mas depois acabou perdida em devaneios, se perguntando como Jon estaria, na Muralha. Será que ela rezava por ela também? Será que pensava nela antes de dormir? Será que se lembrava daquela noite, quando a beijara pela primeira vez?
Foi quando se lembrou de beijá-lo ali, em frente ao Represeiro. Não deveria pensar nisso. Definitivamente não... deveria esquecê-lo... mas sua mente lhe levou para aquela noite, quando ele a tomou nos braços e a beijou com desejo. Respirou fundo e decidiu que já tinha rezado o suficiente. Se levantou de uma vez e escutou um som como o de um estalo. Algo quente escorreu por suas pernas, como se tivesse tido um acidente com a bexiga. Arfou, surpresa, e notou que fosse o que fosse que estava vazando, não parecia que iria parar tão cedo.
—Theon... – murmurou assustada.
—Vossa Graça? – perguntou ele.
—Me leve para meus aposentos e chame Meistre Luwin. – disse olhando para o amigo – Acho que o bebê vai nascer.
Theon a olhou surpreso, mas concordou com um aceno de cabeça. Ele se aproximou e a pegou no colo, sem dificuldade, se virando para voltar para o castelo em seguida. Suas damas de companhia pareciam muito felizes com a notícia, batendo palmas animadamente. Fedor a olhou com um sorriso que lhe causou calafrios e ela se abraçou a Theon, desejando sentir-se mais segura.
Foi levada de volta a seus aposentos. Suas damas de companhia disseram que avisariam Lady Stark e o Meistre, já que não queria que Theon saísse de perto. Seu banho já estava quase pronto e Talisa a ajudou a se despir. Tentou relaxar na água quente, com Talisa ao seu lado, falando qualquer coisa boba para distraí-la. Theon ficou de guarda, do lado de fora da porta e minutos depois o Meistre apareceu. Ele lhe entregou um vestido de algodão bem confortável e pediu que se vestisse apenas com ele. Depois que deitasse e abrisse as pernas, para que ele analisasse a situação.
—Não se preocupe, filha. Eu fiz todos os cinco partos de Lady Stark. Tenho bastante experiência nisso. – garantiu ele. Shiera engoliu em seco, envergonhada, mas abriu as pernas. O Meistre enfiou o rosto entre elas e colocou a mão onde apenas Robb tivera permissão para tocar – Há quanto tempo está sentindo contrações? – perguntou ele.
—Estou com cólicas há alguns dias, mas imaginei que fosse tensão... – murmurou achando que parir não seria tão difícil. Todas falavam que as contrações eram horríveis, mas não lhe parecia nada insuportável.
Lady Stark apareceu para lhe fazer companhia, mas não ficou muito tempo. Talisa, Walda, Waldra e Linda quem ficaram. As dores começaram a aumentar aos poucos e quando a madrugada entrou, começou a gritar de dor, amaldiçoando o fato de ter nascido mulher e não homem. Quando o momento chegou, Meistre Luwin pediu que todos se retirassem e ela ficou sozinha com ele.
—O primeiro parto normalmente é o mais difícil. Vai ficando mais fácil com o tempo. – garantiu o velho. Desejou que ele mijasse um limão a cada ano, para ver se ele repetiria uma baboseira daquelas novamente. As dores aumentaram ao ponto de lhe arrancarem lágrimas. O suor lhe escorria pelo rosto e sentia uma enorme pressão entre as pernas. Escutou as instruções do Meistre, sobre como empurrar o bebê e sobre quando fazê-lo. Gritou de dor, desesperada para que aquilo passasse. Queria Robb ali, ou Jon, ou Aegon, ou Valerion. Queria o pai, queria a mãe. Queria alguém, além daquele Meistre da Cidadela. Quis até mesmo Venira, que ficara em Harrenhal. Chorou de dor e empurrou, empurrou e empurrou – Está quase. Faça força, mais uma vez, quando a contração vier. – disse o Meistre. Respirou fundo e quando a dor veio novamente, fez um último e enorme esforço. Gritou de dor, sentindo-se rasgar-se, partir-se, morrer. Achou que iria morrer. Achou que nunca mais sentiria alívio novamente. Foi quando escutou o chorinho. A dor ainda estava lá, mas pareceu ser irrelevante. Tudo que existia no mundo, era aquele choro sofrido. Aquele chorinho adorável. O mais adorável dos sons. Deitou, respirando fundo, ouvindo aquela música, esquecendo de toda a dor. De todo o sofrimento. De todo o medo. Tinha feito. Conseguira – É um menino. – disse o Meistre, mas ela já sabia daquilo. Olhou para a criaturinha suja de sebo e sangue, que chorava de agonia, com um pulmão muito forte. A pele cor de rosa e os cabelos cor de fogo, como Robb. Sorriu, achando aquela coisinha enrugada simplesmente perfeita. Meistre Luwin cortou o cordão que ainda o ligava a si, limpou o bebê com um pano de linho e o enrolou numa mantinha, para lhe entregar o herdeiro do Norte – Dê leite a ele. Vou terminar de limpar aqui. Precisamos retirar tudo ou você pode sangrar demais. – explicou ele. Concordou olhando maravilhada para o bebezinho, que chorava sem parar.
O trouxe para perto do busto e ele procurou por seu seio instintivamente. Sentiu aquele embrulhinho tão pequeno sugar seu seio com vigor, com os olhos fechados, a respiração se acalmando aos pouquinhos. Em poucos minutos nem parecia que ele estivera aos berros pouco antes. Ficou admirando seu belo nenenzinho, amando seus traços delicados, desde a testa cheia de cabelo, até o nariz delicado. As mãozinhas tão pequenas que pareciam não ser de verdade. Meistre Luwin terminou de limpá-la e a ajudou a colocar o bebê de maneira mais correta no seio, para facilitar a mamada.
—Robb ficará orgulhoso. – disse apaixonada pelo bebezinho.
—Que nome dará a ele? – perguntou o Meistre.
—Eddard. Eddard Stark. – respondeu afagando a bochecha ainda inchada de seu primeiro filho.
Talisa e suas damas de companhia entraram assim que o Meistre saiu. Elas suspiraram apaixonadas pelo pequeno príncipe e logo Hodor veio trazendo Bran e Rickon, juntamente com Osha, a selvagem. Bran disse que ele parecia com Robb e Rickon quis saber de onde aquele bebê tinha surgido. Theon veio ver e sorriu, dizendo que era mesmo a cara de Robb. Até mesmo Roose Bolton veio conhecer o príncipe herdeiro e ela estava tão apaixonada pelo filho que nem se assustou com os olhos pálidos do Lorde. Sor Rodrik veio com as filhas. Fedor espiou lá da porta. Ranzor, o chefe de sua guarda veio também. Nym, chefe das Pontas de Prata, veio lhe congratular. Sempre que alguém deixava o quarto, logo mais dois viam espiar. Todos queriam conhecer o Príncipe do Norte.
Todos menos Catelyn Stark.
Se perguntou o motivo de a sogra não ter aparecido, mas logo não aguentou mais esperar por ela. Meistre Luwin colocou o pequeno Ned em um cesto e ela dormiu tranquilamente em seguida.
No dia seguinte, depois de alimentar o bebê, recebeu suas damas de companhia, que vinham lhe trazer o desjejum. Porém, juntamente com as fatias de bacon frito, peixe assado, vinho quente e ovos, outra notícia chegou.
Lady Catelyn havia libertado Jaime Lannister, que estivera nas masmorras do castelo. Roose Bolton mandara seus homens atrás do irmão da rainha, mas ainda não tinham obtido notícia. Mandou chamarem a senhora, que veio trazida pelos guardas Bolton. Shiera a olhou confusa, ainda deitada na cama, pois sentia-se ligeiramente dolorida.
—Saiam. – disse assim que sua sogra foi colocada a sua frente. Os guardas obedeceram, inclusive Theon, que fechou a porta atrás de si. Lady Stark a olhava serenamente, como se tivesse tirado um imenso peso das costas. Shiera aconchegou Ned em seus braços e suspirou – O que você fez? – perguntou fechando a cara. Lady Stark respirou fundo e falou muito calmamente.
—Você é mãe agora. Um dia vai entender. – respondeu ela – Jaime Lannister prometeu que libertaria minhas filhas se...
—Ele vai trazer os filhos de Lorde Karstark de volta? – cortou Shiera sentindo uma ira gelada percorrer seu corpo. Ned pareceu sentir seu nervosismo, pois virou o beicinho, fazendo cara de choro, por isso Shiera tentou falar de maneira mais contida – Ou talvez Daryn Hornwood. Sabe o que fizeram com a senhora Hornwood quando o filho dela morreu, deixando-a sozinha no castelo, sem herdeiros? Jaime Lannister a trará de volta, Lady Catelyn? – perguntou zangada, mas a mulher não respondeu. Havia algum tipo de culpa nos olhos dela, mas havia mais esperança. Sabia que ela teria feito novamente se tivesse a chance – Jaime Lannister era o maior trunfo que tínhamos, Lady Stark. Era nosso refém mais importante! – adicionou pensando no quanto os homens de Robb ficariam furiosos, principalmente Lorde Karstark – E você o soltou na esperança de que ele liberte suas filhas... eu duvido que Cersei seja tola assim. Se não fosse a mãe de Robb, eu iria exigir a sua cabeça.
—Faça. – disse ela sem parecer desafiadora. Parecia simplesmente disposta a abraçar seu destino, fosse ele qual fosse – Se acha que isso será o melhor para Robb, faça. Eu sei que meu crime foi grave, mas... mas eu fiz o que uma mãe deve fazer, que os deuses me...
—Uma mãe? – perguntou aumentando o tom de voz e Ned chorou. O ajeitou mais confortavelmente no seio e respirou fundo – Não pensou em Robb, nem em Bran e nem em Rickon. Você deu motivo para os homens de Robb se rebelarem contra ele. Nós estávamos ganhando todas as batalhas que travávamos porque não havia desunião, porque Robb inspira seus homens. O que acha que vai acontecer agora, Lady Catelyn? O que acha que acontecerá a Bran e Rickon caso Robb pereça? Heim? – questionou furiosa, frustrando-se com o choro de Ned – Você pensou como a mãe deles ao soltar Jaime?
—Sim, eu pensei! – respondeu Catelyn com dor na voz – Mas eu também pensei em Sansa e Arya. Pensei em todo esse cenário de guerra. Em tudo o que eu vi que aconteceu com tantas boas meninas. Estupradas, mortas, prostituídas. Rickon e Bran estão muito ao Norte, em Winterfell. Robb também está muito ao Norte, rodeado de companheiros fiéis, mas minhas filhas estão em Porto Real. Sozinhas com os Lannisters!
—Não estão sozinhas. Valerion está com elas e sei que ele estará fazendo tudo ao seu alcance para mantê-las seguras. – disse sem se emocionar.
—E qual é o alcance dele? O que ele pode fazer contra Cersei? Ou Joffrey? O que ele fez por Ned? – questionou Catelyn e as duas se olharam por longos segundos. Por algum tempo, tudo o que se escutava era o chorinho de Ned, que parecia assustado com a conversa das duas – Eu sei que cometi um crime e vou pagar por ele... mas se isso der a menor chance de salvar as minhas meninas, que assim seja. Pagarei o preço com o coração leve. – Shiera engoliu em seco e desviou o olhar de Catelyn para o filho, que chorava sem parar. Ele já tinha mamado. Não entendia o motivo de tanto choro. Não estava sujo também. Será que era apenas por ela ter se irritado? – Ele parece muito com Robb. – disse sua sogra com um sorriso cheio de dor. O rosto dela estava vermelho por tentar conter o choro – Cor de rosa e com os cabelos tão vermelhos... Robb chorou muito quando era muito novo e eu me desesperava por conta da minha falta de experiência – Ela olhou ao redor, como que se lembrando de quando fora ela ali naquele quarto. Esperando o marido voltar da guerra – Mas o tempo nos ensina. – ela se sentou ao seu lado e pediu para segurar o bebê. Shiera a olhou com ressentimento, mas o choro de Ned partia seu coração. Acabou entregando o bebê para sogra, que sorriu maravilhada para o neto. Depois ela o deitou no ombro e lhe deu alguns tapinhas nas costas. Ela cantarolou calmamente, uma melodia bonita e tranquila, mas Ned seguiu chorando, até que arrotou e se calou, parecendo mais calmo. Shiera piscou, sem saber o que tinha acontecido e Lady Stark o deitou nos próprios braços, para admirá-lo – Ele precisa arrotar depois de mamar, ou a barriga dói. – explicou ela e Shiera balançou a cabeça concordando. Ninguém nunca tinha lhe dito aquilo. Sua mãe morrera quando era muito nova e seu pai não lhe preparou para esse tipo de coisa. Venira a ensinara nos princípios da fé e da etiqueta, mas nada sobre como ser mãe. Nem mesmo Luwin lhe dera conselhos... apenas Lady Catelyn... e por isso seu coração doeu quando tomou coragem para prosseguir.
—Me devolva, por favor. – disse estendendo os braços. Lady Stark concordou e lhe devolveu Ned com todo cuidado, que soltou sons amáveis e infantis, ainda de olhos fechados. Ele não tinha aberto os olhos ainda – Chame Theon. – disse autoritariamente. Lady Catelyn concordou e se levantou, indo até a porta. Quando a abriu, viram Theon do outro lado do corredor. Ele entrou, esperando por ordens, parecendo furioso com a senhora Stark – Theon. Leve Lady Catelyn para seus aposentos. Coloque guardas Blackfyre na porta dela e os instrua que ela não deve sair de lá antes da volta do rei. – explicou Shiera.
—Sim, Vossa Graça. – respondeu ele e Catelyn suspirou pesadamente.
—E chame Roose Bolton. – adicionou, recebendo um olhar confuso do amigo – Ele é conselheiro do Rei e agora eu preciso de conselhos. Mas volte assim que possível. Quero você aqui dentro, sem se importar em nos atrapalhar, certo?
—Sim, Vossa Graça. – respondeu Theon. Ele se virou para Catelyn e a guiou para fora do quarto.
Shiera suspirou novamente, colocando Ned com todo cuidado em cima da cama, bem longe das beiradas. Depois foi até o armário, procurar algo mais apropriado para vestir. Escolheu um vestido pesado e cinzento. Quando a guerra acabasse e o Norte estivesse livre, traria mais cor para Winterfell. Estava farta dos vestidos cinza e azul claro, mesmo sendo as cores de seu novo brasão. Estava terminando de pentear os cabelos, quando escutou baterem na porta. Respirou fundo, preparando-se para encarar Roose, depois o mandou entrar. Lorde Bolton entrou em silêncio, mirando Ned com atenção. Seus olhos pálidos e ausentes de sentimentos fitaram o bebê por segundos, antes de dirigirem-se para ela.
—Mandou me chamar, Vossa Graça?
—Sim, por favor, Lorde Bolton, sente-se. – disse com cortesia, apontando uma poltrona confortável. Roose andou calmamente até a cadeira e se sentou a olhando com interesse – Alguma notícia de Jaime Lannister? – perguntou aflita.
—Infelizmente não. – respondeu ele – Aparentemente os guardas estavam distraídos demais comemorando o nascimento do filho de Robb Stark. Os poucos que se mantiveram atentos, obedeceram às ordens de Lady Catelyn de ir comemorar o nascimento de seu neto. Isso fez com que se demorasse demais para reparar na fuga dele. – explicou Roose. Shiera concordou com um aceno de cabeça – Isso nos irá gerar um problema.
—Eu imagino. – disse zangada.
—O que fará com a mãe do Rei? – perguntou Roose a olhando penetrantemente – Cortará a cabeça? Em frente a uma árvore coração? É como fazemos aqui no Norte, com traidores. – Shiera respirou fundo, escutando a voz baixa e constante do Lorde.
—Eu não sei. Ela não é um traidor qualquer. Ela é a mãe de Robb.
—O que faz de sua traição ainda mais grave. – rebateu Lorde Bolton e Shiera concordou plenamente com aquilo.
—Concordo, mas... mas acho que devo deixar isso nas mãos de Robb. Ele jamais me perdoaria se eu executasse sua mãe sem lhe dar a chance de escutá-la primeiro. – disse Shiera e Lorde Bolton concordou com um aceno de cabeça – Mas eu concordo que isso não pode ficar impune.
—Muitos acharão um absurdo que Robb mande executar a própria mãe. Mas outros o acharão fraco por poupá-la. – disse Lorde Bolton – Talvez agir agora seja a melhor forma de protegê-lo. – adicionou ele. Shiera o olhou sentindo um frio na barriga.
—Está dizendo que... eu deveria executá-la? Antes do retorno de Robb? – perguntou vendo sentido nas palavras dele. Roose concordou.
—Talvez algumas pessoas não gostem. A Casa Tully principalmente. Mas é melhor odiarem você do que odiarem Robb. Principalmente agora que não fará mais parte dos Conselhos de Guerra. – explicou Lorde Bolton e Shiera engoliu em seco, sabendo que em breve seria abandonada novamente. Mais uma vez deixada para trás – Isso ajudará a manter tudo sob controle... ou pelo menos o mais sob controle possível, levando em consideração nossa atual situação. – Shiera concordou com um aceno de cabeça – Não pretende nos seguir quando partirmos novamente para o Sul, pretende? – perguntou Roose. Shiera negou com a cabeça.
—Meu dever agora é com meu filho. Fiz tudo o que podia por Robb. Lutei por ele, sangrei por ele, negociei por ele e lhe dei um filho. Meu papel de esposa agora ficará em segundo plano. – respondeu com pesar e Lorde Bolton deu um sorriso que seria gentil, se não fosse por toda sua sinistra reputação.
—Você não parece uma Sulista. Você deseja voltar a lutar ao lado de Robb. Se não fosse pelo garoto, ainda o seguiria, não é? – perguntou ele. Apenas concordou com um aceno de cabeça – Você é parecida com a sua mãe. Ela era assim, também. Seu pai sempre pedia para que ela ficasse com seu irmão Aegon, mas ela sempre se infiltrava entre nós, com seu arco de aço valiriano... ela era uma grande guerreira, de grande beleza... assim como você. – disse ele e Shiera o olhou ligeiramente triste por se lembrar da mãe – Sim. Você se parece muito com ela. Parece um fantasma do passado... – murmurou Lorde Bolton – Quando estávamos na Rebelião de Robert, anos atrás... não havia um homem que fosse que não a olhasse uma segunda vez. O mesmo sempre aconteceu com você. Algumas vezes toda essa beleza pode ser uma maldição.
—O que quer dizer? – perguntou sentindo medo. Medo de que Lorde Roose tentasse algo. Lembrou-se da noite de seu casamento, do olhar penetrante dele para seu corpo nu. De suas mãos geladas sobre seus ombros... mas antes que qualquer um dos dois pudesse fazer qualquer coisa que fosse, a porta voltou a se abrir e Theon Greyjoy entrou.
—Vossa Graça. Coloquei homens de confiança para vigiarem Lady Stark. Ela não deixará seus aposentos antes que Robb volte. – disse ele. Shiera engoliu em seco e mirou Lorde Bolton. Ele a olhava com alguma expectativa. Como se suas dúvidas lhe causassem leve divertimento.
—Theon. Feche a porta. – disse engolindo em seco. Theon assim o fez – Eu estava conversando com Lorde Bolton... sobre o que deveríamos fazer sobre Lady Stark.
—E o que Lorde Bolton propôs? – perguntou ele.
—Que uma ação seja tomada antes do retorno de Robb. – disse ficando de pé – Mas para isso preciso saber a opinião de outras pessoas. – ela respirou fundo – Chame Meistre Luwin, Sor Rodrik e... e... – a última pessoa ficou entalada em sua garganta – E Bran...
—Não acha melhor manter Bran fora desses assuntos? – perguntou Theon e Shiera engoliu em seco.
—O que acha, Lorde Bolton? Bran deve ou não participar dessa reunião? – perguntou sentindo-se perdida. Roose ponderou por um momento, antes de responder.
—Creio que o menino não precisa ouvir sobre a execução da própria mãe. Agora que você está aqui, é a regente do castelo. Ele é apenas um menino príncipe. – aconselhou ele e Shiera concordou.
—Então que sejam apenas Rodrik e Meistre Luwin. Diga-lhes que nos encontraremos no Bosque Sagrado para discutir algo de extrema importância. – respondeu ela. Theon concordou e Roose Bolton também. Os dois se retiraram e Shiera voltou sua atenção ao pequeno Ned, que dormia tranquilamente. Beijou suas pequenas mãozinhas e o pegou no colo com todo o cuidado. Depois foi até o quarto de Lady Catelyn. Seus homens não hesitaram em deixá-la passar. Entrou no quarto da sogra, que mirava a janela, com um olhar distante – Lady Stark. – chamou. Catelyn não se virou, mas sorriu parecendo cansada.
—Lady Stark... – devolveu – A que devo a visita, Vossa Graça?
—Eu tenho assuntos a resolver, sobre o castelo e sobre toda essa bagunça. – disse deitando Ned na cama – Gostaria de ficar com Ned? Ou prefere ficar sozinha? Qualquer coisa o deixarei com minhas damas de companhia.
Lady Catelyn se virou e veio andando calmamente, até a cama, olhando sonhadoramente para o neto. Ela soltou um suspiro e sorriu.
—Adoraria ficar com meu neto. – disse simplesmente, se sentando ao lado dele, para lhe afagar o rostinho ainda inchado.
—Certo. Voltarei o quanto antes. – disse sentindo alguma aflição por deixá-lo com outra pessoa. Pessoa essa que iria decidir em momentos se iria executar ou não. Se virou e deixou o quarto, partindo para o Bosque Sagrado. Foi a primeira a chegar, portanto se sentou num tronco de árvore e fechou os olhos, pensando em tudo o que tinha acontecido. Desejando que os Deuses lhe dessem alguma resposta, que mostrassem algum caminho. Mas tudo que escutou foi o silvar do vento. Sentiu algo gelado em sua mão, o que a fez olhar para o lado. Lady, Verão e Cão Felpudo estavam lá, a olhando com interesse. Sorriu para os lobos gigantes e os afagou na cabeça, atrás das orelhas, achando graça de como eles competiam entre si para receber os afagos, como se não passassem de cães grandes demais. Felpudo latiu para Lady e rosnou, fazendo a loba encolher, mas Verão latiu para ele, o colocando sob controle – Você é um irmão responsável, não é, Verão? – perguntou afagando o lobo gigante no pescoço. Todos os lobos eram grandes, mas nenhum deles se comparava a Vento Cinzento. Ele era o maior de todos... se perguntava de que tamanho estariam a loba de Arya e o de Jon – Eu sinto falta dele. – confessou para Verão, o olhando nos olhos – Eu amo Robb... mas eu nunca o esqueci... – o lobo a olhou com atenção, como se entendesse suas palavras – Será que ele pensa em mim? – murmurou para o lobo, que seguia olhando-a com atenção. Escutou passos e respirou fundo. Se colocou de pé, imaginando que era seu pequeno conselho. Se virou e no lugar disso viu Fedor. Lady rosnou ficando com os pelos todos arrepiados, algo que nunca acontecia. Ela era sempre a mais comportada de todos os lobos. Fedor sorriu de maneira que lhe pareceu indecente. Ele cruzou os braços e riu com escárnio, encostando-se numa árvore – O que quer?
—Eu vim rezar. – respondeu ele.
—Não acredito. – rebateu – Vá embora. – Verão e Cão Felpudo uniram-se a Lady, rosnando e latindo. Fedor sorriu novamente, a olhando com aqueles olhos horríveis, tão parecidos com os de Roose Bolton quanto os olhos de Aegon pareciam os de seu pai.
—Como quiser, Vossa Graça. – disse ele se curvando com os braços abertos, mas a encarando nos olhos de maneira estranha. Não gostava dele. Nem um pouco. Nada, nada, nada.
Ele se afastou e os lobos finalmente se acalmaram. Respirou fundo, se perguntando se estaria em problemas caso os animais não estivessem lá. Estou me sentindo desprotegida em minha própria casa...
Os minutos passaram e finalmente seu pequeno conselho chegou. Todos sombrios demais para que pensasse que não soubiam do que tratariam ali.
—Senhores. O que vamos discutir aqui é algo muito grave. – disse engolindo em seco.
—Vossa Graça, não deve mesmo estar pensando em executar Lady Stark. – disse Meistre Luwin, agitado e ansioso, como ela nunca tinha visto antes.
—Alguma coisa deve ser feita. De preferência antes de Robb chegar. – disse Theon – Para garantir que o castigo dado à Catelyn Stark não seja refletido nele. A imagem de Robb não deve ser maculada.
Roose certamente falara com Theon, pois se manteve em silêncio, como se aquela ideia nunca tivesse sido dele. Ele, sem dúvidas, era um homem muito perigoso...
—Não acha isso um tanto drástico? – perguntou Rodrik.
—Ela libertou nosso maior refém. Jaime era a chave não apenas para libertarmos as irmãs de Robb, mas para libertarmos o Norte. – disse Shiera. Theon concordou com um aceno de cabeça – Os homens de Hornwood, dos Karstark, dos Frey, dos Manderly... todos eles merecem justiça tanto quando os Stark. Ela prejudicou a todos nós.
—Mas mesmo assim... ela é a esposa de Ned. Ela é a mãe de Robb. – disse Meistre Luwin.
—Isso só faz que sua traição seja ainda mais grave. – disse Theon. Era a boca dele quem falava, mas aquelas eram palavras de Roose. Sabia perfeitamente disso. Engoliu em seco sem saber o que fazer – Os homens podem deserdar. Ainda mais agora que voltamos para o Norte. Suas casas, suas famílias, seus castelos... tudo é mais tentador agora. – adicionou ele.
—Lady Catelyn fez o que qualquer mãe faria por seu filho... – começou o Meistre.
—Ela não é qualquer mãe. Ela é a mãe do Rei. – disse Lorde Bolton, pronunciando-se pela primeira vez – Ela não é apenas mãe de Brandon, Rickon, Arya, Sansa e Robb... ela é a mãe de todo o Norte. Quantos filhos ela negligenciou nesse ato? – a voz baixa dele fazia com que parecesse que estivessem tramando algo horrível. Talvez estivessem. Engoliu em seco, sem saber o que fazer. Estava perdida. Completamente perdida – Lady Stark deve morrer pelas mãos da Rainha.
—O que? – perguntou Meistre Luwin, horrorizado.
—A pessoa que dá a sentença deve ser aquela a brandir a espada. – disse Shiera, sentindo um frio na barriga – Robb me ensinou isso.
—Nosso modo é o antigo. – concordou Rodrik – Mas acho que devemos esperar por Robb...
—Robb não vai querer executar a própria mãe. – disse Theon – Vão achá-lo fraco.
—Ou misericordioso. Ou clemente para com a mãe. A mãe de suas irmãs. Doente de preocupação para com elas... O homem que mata seu próprio sangue é para sempre maldito aos olhos dos deuses e dos homens. – insistiu o Meistre.
—Eu e Lady Stark não dividimos o mesmo sangue. – disse calmamente.
—Lady Shiera. Pense no sofrimento que causará a Robb... – insistiu o Meistre.
—Ele ficará furioso. – concordou Theon.
—Mas é necessário. – disse Roose – Vocês são reis, agora. Não podem pensar apenas um no outro. Devem pensar em todo o Norte. Não podemos rachar nosso exército, ou pereceremos. E garanto-lhe que Tywin Lannister não terá clemência ou misericórdia.
Shiera engoliu em seco, cada vez mais decidida.
—Eu acho que isso não deve passar impune. – disse Rodrik – Mas acho errado que façamos isso pelas costas de Robb. Ele é o rei. Ele tem o direito de decidir o que fazer com a própria mãe.
—Vão odiá-la se matar a esposa de Ned. – disse Meistre Luwin.
—Mas pouparão Robb. – disse Theon – Você se sacrificaria assim, Shiera?
Ela respirou fundo.
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