Blackfyre

80 O Dragão Negro Voa Pra Casa


Notas iniciais
Como prometido, não demorei TAAAANTO ahshaushausa Antes que eu me esqueça: MUITO IMPORTANTE!! LEIAM AS NOTAS FINAIS! SÉRIO! Acredito que teremos algumas pessoas zangadas nesse capítulo ahsuahsuashua. Acho que a partir daqui iremos nos afastar mais e mais da série. Beeeijos

Capítulo 80

O Dragão Negro Voa Pra Casa

Podia sentir a agitação no ar. Soldados marchavam, agitados, de um lado para o outro. Notou que havia alguma tensão entre soldados Lannister e soldados Blackfyre. Bandeiras e armadura de todas as cores andavam rapidamente, parecendo nervosos e sem humor. Notou que seu tio Tyrion vinha andando, cercado por seus homens. O leão dourado e carmesim cercado pelo vermelho e negro dos Blackfyre. Pela primeira vez em dois meses estava andando pelo castelo. Margaery e a senhora Merrywater a acompanhavam naquela tarde. Margaery segurava Daena e a senhora Merrywater segurava Haegon, já que Myrcella não podia se esforçar demais, nem carregar peso. Haegon repousava tranquilamente nos braços morenos da senhora mais velha. Margaery estalava a língua, para Daena, que sorria, achando os sons engraçados. Myrcella ficou contente de finalmente poder andar por aí. Estivera se sentindo prisioneira em seu quarto.

Mas assim que viu o olhar preocupado de seu tio, soube que algo muito sério estava para acontecer.

—Tio? O que houve? Porto Real foi sitiado?

Tyrion soltou um muxoxo e concordou apreensivo.

—Eu estou indo negociar, do lado de fora dos muros.

—Quem está atacando? – Perguntou Margaery.

—Não é um ataque. É uma proposta de trégua, mas uma bastante intimidadora. – Explicou seu tio – Valerion está de volta. – Explicou ele e Myrcella sorriu – Com um representante Nortenho, Jon Snow, mais Daenerys. Daenerys Targaryen. – Explicou ele e seu sorriso sumiu – Valerion veio exigir que sua mãe saia do Trono de Ferro. E ele quer saber de você e das crianças. – Myrcella mirou suas duas damas de companhia e depois voltou a mirar o tio – Valerion foi meu amigo por um bom tempo, mas eu temo por sua segurança. Não deixe o castelo.

—Se meu marido está de volta, eu devo recebê-lo. – Disse fechando o cenho.

—Tenho certeza de que quer conversar sobre a longa ausência dele, mas...

—Estamos em guerra, tio. Valerion fez o que precisava fazer. Se ele veio trazer um acordo de paz...

—Ele disse que tem uma proposta de paz, sim. Mas ainda não sabemos qual é a proposta. – Explicou seu tio.

—Não importa. Eu sou a rainha. Finalmente estou me sentindo forte o suficiente para deixar o meu quarto. Está na hora de...

—Você ainda é uma criança, Myrcella.

—Eu já dei dois herdeiros ao Trono. Não sou mais criança, tio. Eu sou Myrcella Blackfyre. – Olhou para os soldados Blackfyre que faziam a escolta do tio – Levem-me até os muros. – Disse decidida. Os soldados se entreolharam e então bateram com as lanças no chão, em concordância.

—Está fazendo uma manhã fria, Vossa Graça. – Disse Lady Merrywater – Talvez seja melhor não levar os pequenos.

—Tem razão. Eles ficam no castelo. – Disse tranquilamente – Vocês duas, voltem para os aposentos. Avisem as aias.

—Talvez, levando em conta a agitação, fosse uma boa ideia deixar guardas de confiança a vigiar os herdeiros. – Disse Margaery – Meu Lorde, poderia providenciar isso? – Perguntou ela a Tyrion, que concordou com um aceno preocupado de cabeça.

—Não acho que sua mãe vá gostar disso, Myrcella... – Advertiu seu tio.

—Imagino que não, mas não me importo. – Disse decidida. Então liderou a marcha. Os soldados a seguiram sem esperar por seu tio, mas ele logo a alcançou – Como anda o reino, tio?

—Sua mãe está trabalhando para construir uma frota. – Disse ele sem parecer muito feliz – Ela escolheu um homem muito cheio de energia para ser o Mestre das Águas.

—Como assim? Não era Lorde Redwine? Lembro de Valerion falar que ele era a opção mais óbvia caso não fechássemos paz com o Norte.

—Muitos sugeriram isso, mas sua mãe não se deixou convencer.

—Há algo que Valerion tenha estipulado que ela não tenha mudado? – Perguntou perspicaz e seu tio suspirou – Ele foi um bom regente, tio? Meu marido? – Perguntou antes que ele respondesse.

—Sim. O povo o ama. Ele tinha resolvido o assunto fome, ele tinha começado a levar a paz da rainha pelo reino. Ele fez um bom trabalho até que Aegon aparecesse falando sobre os mortos.

—Você acredita nisso? Dos mortos? – Perguntou se lembrando vagamente de Valerion falar que traria um para que ela mesma os visse. Seu tio suspirou e a olhou parecendo um tanto quanto incrédulo.

—Eu já estive na Muralha, Myrcella. A Patrulha está decadente. Eles estavam desesperados. E homens desesperados dizem qualquer coisa para receber ajuda. Mas acho difícil que Aegon tenha vindo até aqui sem acreditar que os mortos estejam andando por aí. Talvez o fato de ter presenciado o nascimento dos dragões tenha feito com que ele se tornasse alguém fácil de se ludibriar.

—Então não acredita. – Concluiu.

—Eu não sei. Eu espero que seja mentira. – Respondeu ele – Ou nossos problemas se mostrarão muito piores do que tínhamos imaginado.

Myrcella concordou com um aceno de cabeça, pois era o que poderia fazer. Andou acompanhada de seus guardas pelo castelo e então pegou uma liteira com o tio, para ir até as muralhas externas. Até o povo comum parecia agitado naquela tarde e Myrcella teve certeza de que algo muito estranho estava para acontecer. Seu tio parecia deveras preocupado.

—Tio. O que mais está acontecendo? – Perguntou franzindo o cenho.

—As tropas Blackfyre... elas só responderão a Valerion. E a você, aparentemente. Aqueles poucos guardas que me seguiam eram os poucos que ainda ouviam minhas ordens. E nós dois sabemos que sua mãe não gosta muito de mim.

—Eu sou a rainha. Minha mãe não fará nada contra o senhor, tio. – Garantiu determinada e seu tio deu um sorriso triste.

—Você ficou afastada tempo demais, Myrcella. E ainda é uma criança.

—Sou mãe de dois filhos!

—Mas ainda é uma criança. Não tem idade para governar. Sua mãe não vai deixá-la livre como fez com Joffrey. Cersei gosta do poder e não vai abrir mão disso. Nem mesmo para você. Ainda mais enquanto não atingir a maior idade. – Seu tio suspirou e Myrcella bufou, indignada.

—Se eu exigir, as tropas vão me obedecer. É um direito meu.

—Seu pai tinha declarado Lorde Stark como regente do reino. Não adiantou muito pra ele. – Retrucou seu tio e Myrcella engoliu em seco.

Quando a liteira finalmente parou, Myrcella se colocou a subir os degraus que levavam ao topo dos muros. Levou mais tempo do que desejava, pois era muito esforço, mas conseguiu chegar lá em cima. Seu coração pareceu parar por um segundo. Havia um exército cercando a cidade. Imaculados, homens selvagens a cavalo, mais tropas, com vários estandartes. Alguns das terras fluviais, outros do Norte. O Dragão Negro estava entre as bandeiras que tremulavam ali. Engoliu em seco, tentando fazer uma estimativa de quantos homens seriam.

—Isso é um cerco. Valerion não está aqui num retorno para casa. Ele está cercando Porto Real. – Disse chocada.

—Sim. – Concordou seu tio – Ele veio negociar termos para a rendição da sua mãe. Afinal, como seu marido, o trono é dele. – Ele apontou para uma das bandeiras de dragão – Vê ali? – Myrcella notou que era uma bandeira diferente. O dragão era vermelho e não negro – Eu acho que ele aceitou se render a Daenerys.

—Sem lutar?! – Perguntou, horrorizada – Temos mais homens que ela...

—Não temos. – Negou Tyrion.

—Como não? Os Tyrell são nossos aliados!

—São aliados de Valerion. Se ele disser que prefere dobrar o joelho e entregar o trono, os Tyrell vão concordar. Afinal, o herdeiro de Highgarden segue solteiro. Assim como Daenerys. E, ao contrário de nós, os Tyrell foram leais ao Trono de Ferro até o fim, quando concordaram em se render ao invés de lutar uma batalha perdida. Não se engane, Myrcella. Estamos derrotados. Não há como vencermos essa guerra.

—E o que isso significa para nós? – Perguntou, preocupada, pensando em seus filhos.

—Você e seus herdeiros estarão certamente a salvo. Você é esposa do Lorde de Harrenhal, que sabiamente dobrou o joelho, pelo que entendemos. – Explicou seu tio – Provavelmente será o único Lannister a ter essa sorte.

E então Myrcella entendeu o pesar no rosto do tio.

—Não! Eu irei fazer algo. Dobraremos o joelho se for o caso. Eu protegerei nossa família! – Disse convicta. Seu tio deu um suspiro sem muita esperança e Myrcella escutou a voz de Jaime Lannister.

—Fico feliz em ouvir isso. – Disse ele. Myrcella o olhou, assustada e o abraçou. Sentiu os braços do pai afagarem sua cabeça e sentiu um suspiro da parte dele – Vamos, Myrcella. Sua mãe quer falar com você.

**

—Não importa. Eu não vou ficar escondida. Eu sou a legítima Rainha dos Sete Reinos e eu vou estar presente! – Disse decidida. Cersei respirou fundo e negou com um aceno de cabeça.

—Você fica. Não deixarei que aqueles brutos tenham a menor chance de...

—Continue me desafiando e será você quem ficará no castelo! – Disse com firmeza. Sua mãe até sorriu – Eu sou a Rainha. Tio. Ordene os seus homens a me escoltarem até o fosso dos dragões. Quero que meu tio, Sor Arys Oakheart e Sor Merin Trant façam a minha guarda. O restante deve ficar guardando o quarto dos herdeiros. – Disse com firmeza, mas o único que veio ficar ao seu lado foi sor Arys. Sor Merin ficou estático ao lado de sua mãe, assim como os soldados Lannister. Sua mãe deu um sorriso vitorioso em direção ao seu tio Tyrion e Myrcella viu os soldados Blackfyre avançarem um passo.

—A rainha deu suas ordens. – Rosnou um dos homens de Valerion.

—Respondemos à Rainha Regente. Myrcella não passa de uma garotinha. – Retrucou Trant.

—Mas ainda assim é sua Rainha. – Rosnou o soldado Blackfyre – Quando era Joffrey ordenando que batesse na pobre filhinha de Eddard Stark, não te vi hesitar em obedecer. Quando Joffrey mandou executar Eddard Stark, prejudicando todas as nossas táticas, também não te vi tentar interferir. Não seja hipócrita.

—E você, Regicida? – Perguntou sor Arys – Vais desobedecer a tua Rainha. Tua verdadeira rainha. Já deste as costas a teu irmão por conta de Cersei. Agora vais fazer o mesmo com a tua própria... Sobrinha?

—Cersei sabe o que está fazendo. – Disse tio Jaime e Cersei pareceu ainda mais satisfeita. Sor Arys estava para adicionar qualquer argumento, quando Lorde Mace Tyrell apareceu, muito suado e nervoso, cercado por homens de Highgarden.

—Eu falei com Loras. – Disse ele para ela, ignorando sua mãe, completamente – Vossa Graça, o nosso estimado rei espera vê-la na audiência. Caso contrário ele garantiu que viria buscá-la. – Lorde Mace pareceu nervoso – Loras garantiu que nosso rei nunca falou tão sério. – Era mais do que claro que o Lorde de Highgarden parecia nervoso.

—Precisamos evitar conflito. – Disse Tyrion – Ou todos nós morreremos.

—Se tivermos que morrer, morreremos! – Rosnou Cersei, parecendo irada – Mas eles morrerão primeiro. Você pode apostar nisso. Myrcella não deixará o castelo.

—Lorde Mace. – Disse sabendo que aquilo poderia acabar em sangue – Exijo que me leve até meu marido. – Disse convicta. Ele estava acompanhado de dez soldados, mais o filho Garlan, um dos maiores espadachins do reino – E qualquer membro da minha guarda real que ousar tentar impedi-lo, terá a cabeça cortada por traição.

—Myrcella... – Começou Jaime Lannister.

—E isso vale para meu Comandante da Guarda Real. – Disse decidida e os soldados Blackfyre tiraram as espadas e brandiram lanças. Cinco lanceiros, cinco espadachins, mais os dez espadachins de Lorde Mace Tyrell, mais Sor Arys Oakheart, mais sor Garlan. Seria o suficiente. Eram maioria contra Sor Merin Trant, Jaime Lannister e os dez soldados Lannister – E se minha mãe abrir a boca para contestar, ela deverá ser guiada a seus aposentos. Tio Jaime, dê as instruções que eu ordenei previamente ao restante da Guarda Real. O espero com o resto da minha comitiva, para o encontro com os líderes de nossos inimigos. – Engoliu em seco – Faça como ordenei e prometo fazer o possível para que nenhum Lannister seja morto hoje.

Seu pai a olhou pesadamente e então mirou sua mãe, que parecia entre enfurecida e orgulhosa.

Myrcella abraçou o braço de Lorde Mace, para que ele se sentisse paparicado e deixou que ele a guiasse até o lado de fora.

—Como uma verdadeira Rainha. – Disse seu tio Tyrion, ao seu lado, parecendo muito orgulhoso. Myrcella sabia que sua mãe a acompanhava. Podia ouvi-la bufar.

—Fico feliz por poder contar com lordes leias como o senhor, Lorde Tyrell.

—Sempre, Vossa Graça. – Garantiu Lorde Roliço.

Fazia um fim de tarde bastante frio. O tempo estava bem fechado e o vento uivava como lobos. Isso a fez se lembrar de Sansa Stark e um mau pressentimento a tomou. Rumaram até o Fosso dos Dragões, com Myrcella sentindo-se ligeiramente despreparada para aquilo. Deviam tê-la avisado antes. Se não fosse por sua teimosia, talvez não teria nem mesmo deixado o próprio quarto. Talvez nem ficasse sabendo de tudo aquilo.

Por um momento lembrou-se do Septo de Baelor e se perguntou se sua mãe pretendia explodir o Fosso também. Mas não ousou olhar para trás, para ela. Sua mãe parecia ser capaz de farejar medo e insegurança. Não poderia dar oportunidade a ela. Precisava parecer régia e firme, ou não lhe sobrariam homens leais.

Depois de muito andarem e Myrcella precisar usar muita força de vontade para não gemer de dor, pois seu corpo estava muito fraco ainda, finalmente chegaram no Fosso dos Dragões. Era uma construção cavernosa que os Targaryen usaram para abrigar seus dragões, outrora. Fora a morada de várias criaturas famosas, como Balerion, Meraxes, Vhalar, Silverwing, Vermithor, Tyraxes, Dreamfyre, Syrax, entre outros que ela já não mais recordava. Mas os dragões tinham deixado de existir há gerações e aquele lugar lhe pareceu fantasmagórico e triste.

Quando foi até o local onde tinham montado mesas e coberturas com cortinas pesadas e coloridas, Myrcella reconheceu alguns rostos. O primeiro foi Jon Snow. Ele estava de pé e parecia absolutamente triste. Mas ainda assim o reconheceu. Ele parecia mais velho, mais alto e mais forte, com a infância tendo abandonado de vez seu rosto coberto por uma barba bem-feita. Lembrava dele no torneio de Harrenhal e achara absolutamente romântico o que ele fizera por Shiera Blackfyre. Quando ouviu que a garota fora prometida ao irmão dele, não pode deixar de pensar numa trágica história de amor.

O segundo rosto que notou foi o de Valerion. Ele parecia melancólico. Teve certeza de que algo muito ruim deveria ter acontecido. Os cabelos dele estavam curtos, platinados, e uma barba loira crescia no rosto dele. Ele parecia mais alto e mais forte, com os ombros bem mais largos do que se recordava. Ao lado dele estava Sor Loras Tyrell, muito belo, com os caracóis castanho-dourados caindo sobre seus ombros. Sor Humfrey Hightower estava ali e pela primeira vez o viu sério, sem seu sorriso típico no rosto. Passeou o olhar pelas pessoas e viu ainda um homem muito alto e peludo, bastante forte também, com um urso bordado no gibão. Ao lado dele estava uma bela menina de pele escura, cabelos muito encaracolados e olhos dourados como o sol. E ao lado dela – e quase não acreditou quando o viu – estava Sor Barristan Selmy.

Myrcella precisou de um momento para se recuperar do choque. Mas em seguida uma ira a tomou. Ele traíra sua família. Joffrey e sua mãe tinham dado a ele o direito de descansar e repousar durante a velhice. Mas no lugar disso, ele insultara os dois e agora estava ali. Ao lado de seus inimigos. Myrcella então procurou por Shiera, Robb Stark e Aegon. Mas não viu nenhum dos três. Não poderia imaginar onde Robb e Shiera estariam. Talvez tivessem preferido ficar em Winterfell e isso explicava o motivo de Jon Snow estar ali. E como não via ninguém que poderia ser Daenerys Targaryen, imaginou que ela e Aegon chegariam juntos.

Respirando fundo, andou até seu esposo. Valerion a olhava temeroso. Ficou de frente para ele e ele a afagou no rosto, para então puxá-la para um abraço.

—Pelos Sete, Myrcella. Cheguei a pensar que estavas morta. Nem uma palavra ou notícia ouvi de ti. – Lamentou ele e Myrcella engoliu em seco, o abraçando de volta.

—Perdoe-me, meu amado. Mas dar à luz aos nossos filhos quase custou-me a vida. – Se afastou dele e segurou suas mãos – Quero apresentá-los a ti assim que possível. Duas crianças adoráveis, meu amado. Haegon e Daena. – Achou melhor não falar que Haegon era um menino fraco e que preferia o mundo dos sonhos do que qualquer outra coisa. Meister Pycelle dissera que ele ainda não estava fora do risco de morrer, pois era muito frágil – Dois herdeiros para o Trono de Ferro. Não é maravilhoso?

Valerion sorriu parecendo apenas ligeiramente confortado.

—Sim... Maravilhoso...

—O que houve, meu amado? Não está feliz por nós?

Valerion suspirou e lançou um olhar desconfiado para trás dela.

—Perdoe-me, Myrcella. Mas minha excursão ao Norte me foi dolorosa por demasiado. Vi meus irmãos morrerem. Os dois. – Engoliu ele em seco – Creio que parte de meu sorriso se foi com eles.

Myrcella piscou, em choque e o abraçou de novo.

—Oh, Valerion. Eu sinto muito pela tua perda. Sei como estás se sentindo. – Murmurou e sentiu os braços dele ao seu redor novamente.

—É bom te ver, minha senhora. – Murmurou ele ainda com tristeza na voz – Vamos resolver esta situação, então poderás apresentar-me meus herdeiros. – Ele suspirou a soltando – Ouvi rumores tão terríveis sobre ti e sobre eles. Diga-me... Eles... Eles são normais, certo?

—Como assim, normais? – Perguntou quase a rir.

—Ouvi que nasceram monstruosidades deformadas. Com asas e cauda...

Myrcella quase engasgou daquela vez.

—São duas crianças perfeitamente normais, Valerion. Haegon dorme demais, quase não resistiu ao parto. Mas apenas isso.

—Certo.

—Onde está Daenerys? – Perguntou sua mãe, parecendo impaciente. Valerion ofereceu o braço a Myrcella e foram juntos para o cadeirão destinados à Rainha. Sua mãe estava sentada no lugar que deveria pertencer ao rei e não parecia disposta a sair.

—Ela chegará a qualquer momento. Levante-se, Cersei. Esse é o meu lugar. – Disse ele. Loras e Sor Arys já colocaram as mãos sobre os cabos de suas espadas, em resposta a Sor Merin.

—Eu sou a Rainha Regente.

—Não me importa. Eu sou o Rei do Trono de Ferro. Ou levanta daí ou eu a retirarei daí. Acredite, Cersei. Não sobrou em mim espaço para paciência. Me declaraste traidor do Trono sem poder algum. Cansei de tua arrogância e teimosia. Retira-te agora mesmo, ou vou usar violência!

—Eu adoraria violência. – Rosnou sua mãe e Myrcella viu Sor Merin e seu “tio” retirarem as espadas. Valerion, Loras e Sor Arys fizeram o mesmo.

—Mamãe. Este lugar pertence ao Rei. – Disse tentando impedir um derramamento de sangue – Mamãe. Não podemos parecer divididos nesse momento.

—Ele já escolheu se render, Myrcella. – Rosnou Cersei.

—Não. Nada ainda foi decidido. – Insistiu, olhando para Valerion, querendo que ele concordasse, mas seu marido apenas olhava para Cersei com um olhar furioso.

—Saia, Cersei. Esse será meu último aviso. – Rosnou seu marido, mas sua mãe o encarou com um sorriso desdenhoso e desafiador. Valerion avançou um passo e seu tio se colocou entre Cersei e o regente.

—Quer dançar, garoto? – Perguntou o Leão.

—Já derrubei homens maiores, Regicida. – Sibilou Valerion, sem se intimidar. As posições de batalha foram feitas e um rosnado se ouviu pelo ar. Myrcella encolheu de leve, abraçando o braço de Valerion. Todos procuraram pelo ar, a origem daquele som selvagem. Dois enormes dragões surgiram no céu. O cantar deles era magnífico e assustador. O maior, negro e escarlate, pousou nas muralhas do fosso e gritou, fazendo o ar vibrar. Ele veio caminhando como um enorme morcego, baixando o ombro, para que uma pessoa descesse. Uma mulher de cabelos platinados e olhos violetas.

Ela veio se aproximando e o dragão atrás dela rosnou novamente, antes de levantar voo. As duas criaturas começaram um voo circular acima do fosso e Myrcella não pode deixar de pensar em condores, esperando uma presa morrer para se banquetearem de carniça. Mirou Valerion, que parecia alheio aos seus temores.

Ele aproveitou o momento de torpor de todos, para puxar Cersei do trono. Myrcella o olhou ligeiramente indignada com a rudeza que ele empregou.

—Loras, Oakheart. Se Regicida ou Trant tentarem algo, matem os dois. – Disse ele empurrando a sogra para outra cadeira. Depois ele se sentou onde o Rei deveria se sentar. Myrcella se sentou ao lado dele, decidida a repreendê-lo depois. Mas naquele momento entrelaçou os dedos com os dele e mirou Daenerys, que agora estava sentada num cadeirão entre o homem com o gibão de urso e Sor Barristan Selmy. Jon Snow e alguns de seus homens andaram até outro cadeirão, reservado aos nortenhos e logo estavam todos ali – Sejam bem-vindos a Porto Real. – Disse Valerion. Myrcella mirou sua mãe, mas ela estava ocupada demais censurando seu pai com os olhos. Provavelmente ela está zangada por ele não ter impedido Valerion. Mas não o julgo. Mamãe precisa ser mais ponderada...— Minha querida Rainha e esposa. O Norte e Daenerys optaram por uma aliança e um acordo de trégua, devido ao perigo que meu irmão nos informou tempos atrás.

—Aquela tolice sobre os mortos. – Riu sua mãe com algum desdém.

—Não é tolice. – Cortou Jon Snow. Ele parecia muito diferente daquele garoto tímido que ela vira justar contra lordes e mais lordes, anos atrás – É verdade.

—Jon não mente. Eu vi com meus próprios olhos. – Disse Valerion ao seu lado e Myrcella olhou dele para o tio. Tyrion parecia mais pálido do que o costume e isso fez com que a cicatriz que marcara seu rosto desde a Batalha do Água Negra ficasse ainda mais evidente – Eu vi os mortos que caminhavam, assim como as criaturas que os despertaram. Eu vi os Caminhantes Brancos. Eu vi Jon matar um deles. Eu sou testemunha e eu acredito que essa aliança e esse pedido de trégua é essencial se desejamos sobreviver. Mas não irei tomar essa decisão sozinho. – Ele a olhou e Myrcella o mirou de volta – Minha rainha. Eu lhe trouxe uma prova.

Jon Snow andou até um caixote grande o suficiente para caber um homem adulto. Ele abriu o caixote e o virou. Um amontoado de ossos caiu no chão e quando aquele amontoado de ossos e pele se mexeu, tentando se arrastar pelo chão, apesar de estar faltando tudo que deveria existir abaixo da cintura, Myrcella gritou. A criatura soltou um gemido silvado e se arrastou em sua direção e a menina rainha teve vontade de sair correndo. Um medo primitivo e irracional fez com que qualquer atitude solene ou régia fosse esquecida. Só havia medo e a vontade de correr, de se esconder.

Jon pisou na criatura e sacou a espada da cintura, a perfurando. O morto guinchou, mas não parou de se mover. O Bastardo de Winterfell o decapitou, mas o corpo continuou a se mover.

—Apenas fogo pode matá-los. – Disse o bastardo recebendo uma tocha de Humfrey. Ele encostou o fogo no morto e então as chamas o possuíram, como se o cadáver estivesse besuntado em óleo. Myrcella apertou a mão de Valerion e prendeu a respiração. A criatura se debateu por alguns segundos, guinchando terrivelmente, mas logo ficou imóvel, como um corpo deveria ser. A pequena Rainha mirou seu esposo, que a olhava com preocupação. De repente, todas as velhas histórias que ouvira de Joffrey, ou de sua ama, pareciam possíveis. Gigantes, gramekins, snarks, sereias, krakens, até mesmo o povo meio peixe que diziam que moravam pra lá de Iben – Se não nos unirmos, vamos todos morrer. – Garantiu Jon Snow.

Myrcella encarou aquele cadáver, ainda assustada.

—Você lutou contra essas coisas? – Perguntou Myrcella. Valerion concordou com um tenso concordar de cabeça – Quantos eram?

—Centenas de milhares. Milhões. Incontáveis. – Respondeu Daenerys, a olhando com tensão – Eu não teria acreditado se não tivesse visto com meus próprios olhos.

Myrcella apertou a mão de Valerion, voltando a encarar a criatura.

—Precisamos nos unir para defender o reino. – Disse Valerion e Myrcella o olhou.

—E você faz a menor ideia de como derrotar essas coisas? – Perguntou sua mãe. Valerion se levantou – Centenas de milhares? Incontáveis? Como derrotar um exército de incontáveis cabeças? – Perguntou ela e Myrcella encarou o monstro novamente.

—Se derrotarmos o líder deles, acredito que todos os outros morrerão. – Disse Jon Snow e Myrcella se levantou.

—Acredita? Mas não é uma certeza? – Perguntou ela.

—Eu vi Jon matar um Caminhante. Os mortos que o acompanhavam caíram quando ele foi destruído. Acreditamos que, se matarmos o líder, que foi quem criou todos os outros... É nossa única esperança.

Myrcella mirou Valerion. Depois Daenerys e então Jon Snow. Todos a olhavam com expectativa. Mirou sua mãe, que tinha um olhar calculista. Ela se levantou.

—Myrcella... Se esses monstros invadirem o reino... Não haverá o que ser governado. Devemos aceitar a trégua deles... Mas... – Ela se virou para Daenerys – Apenas até os mortos caírem. O Trono ainda é de Myrcella.

—Myrcella. – Valerion a olhou. Sua mente era uma confusão. Ainda estava com o morto rosnante em mente – O Reino já sangrou demais. Eu recomendo que dobremos os joelhos. Daenerys perdoará sua família.

—Perdoará? – Riu Cersei – Pelo que? – Perguntou ela com um sorriso cínico.

—Por terem tomado o trono dela. Por tudo o que aconteceu com a família Targaryen. Ela é a legítima herdeira do Trono de Ferro. – Ele falou aquilo de maneira sombria e Myrcella sentiu seu ego ser atacado.

A loira rainha mirou sua desafiante. Daenerys Targaryen a olhou de volta, ainda sentada em seu lugar. Rodeada por Sor Barristan Selmy, o homem com o brasão de Urso, Imaculados, e uma doce menina de pele escura.

—Quem governa o Norte? – Perguntou Myrcella – Valerion disse que Shiera morreu. Por que Rob Stark não está aqui? Ele por um acaso morreu também? Se ele não se dispõe a pedir ajuda pessoalmente, por que envia um bastardo no lugar de uma de suas irmãs legítimas?

Fez-se silêncio na reunião. Valerion ficou em silêncio, mirando Jon Snow, mas quem falou foi Humfrey Hightower.

—Rob Stark e Shiera Blackfyre estão mortos. Sansa Stark governa o Norte, já que seu irmão Brandon Stark ficou muito afetado com todos os traumas que passou. Arya Stark está desaparecida há tempos e foi dada como morta. – Explicou ele, para em seguida fazer uma reverência.

—Sansa Stark governa o Norte? – Perguntou Myrcella mirando o esposo. Valerion não a olhou de volta. Ela olhou então para Jon Snow. Todo o ciúme que um dia já sentira pela ruiva parecia ferver dentro de si. Todos os olhares perdidos que Valerion algum dia deu, pensando na ruiva a cortavam agora como facas. Ergueu a cabeça decidida. Com uma decisão tomada – Pois então que ela se resolva com os mortos. Eles virão pelo Norte. Lidarei com o que restar de vocês. As tropas da coroa, Lannister, Tyrell e Blackfyre não rumarão para o Norte.

—As tropas Blackfyre virão comigo para o Norte. – Disse Valerion decidido. Myrcella engoliu em seco e o encarou.

—Minha palavra é a final. Eu sou a Rainha. Qualquer soldado Blackfyre que deixar a cidade será tratado como traidor. E isso vale para o Lorde de Harrenhall. – Disse Myrcella dando um último olhar para Daenerys. Depois se virou e mirou Jon Snow – Meses atrás Sansa Stark me mandou um recado. Mande outro a ela. Diga que os Lannister e os Baratheon mandam suas lembranças. E que eu espero que o Inverno a leve. – Então se virou sem perder tempo, marchando decidida de volta para o castelo, seguida de sua Guarda Real, sua mãe e pai. Apenas Loras ficou para trás, fazendo companhia para o Rei Consorte.

Ela era a Rainha e a última palavra seria dela. Valerion não poderia passar por cima, caso contrário...

Ele não vai me enfrentar. Eu sou a mãe dos filhos dele.

**

Margaery escutou o som de ferro e de luta do lado de fora. Ela e a senhora Merrywater cuidavam do príncipe e da princesa dentro do quarto. A viúva segurava Haegon, fazendo uma prece. Pedia que a Mãe olhasse pelas duas crianças. Se arrependia de ter ajudado o dornês a fugir. Não desejava que nada de mal acontecesse com aquelas crianças. Só queria se vingar de Cersei por toda a humilhação que a fizera passar.

Mirou Haegon, que a encarava com sonolentos olhos violetas. Sentindo-se culpada por tudo aquilo, o abraçou imersa em medo. Oberyn Martell não tocaria naquele garoto sem passar por ela. Os deuses jamais me perdoarão caso eu permita que ele faça mal às crianças.

Quando fora presa, acusada de falso testemunho, fora obrigada a ler e rezar aos Sete durante quase todo o tempo. E isso a tinha marcado de certa forma. Abraçada ao bebê, fechou os olhos e rezou uma prece.

—Mãe, doce Mãe. Proteja os inocentes. Eles de nada têm culpa... – Murmurou.

Mas a porta se abriu. Um lanceiro dornês. O Príncipe de Dorne. Oberyn Martell a olhou com seus olhos negros e intensos. Nymeria Sand estava com ele, assim como outros dois soldados dorneses, vestidos como soldados Lannister. Os quatro entraram no quarto e Lady Merrywater soluçou.

—Oh, por favor. Não nos mate. – Lamentou ela.

—Não se preocupe, querida. Não vim por você. Vim pelas crianças. – Disse Oberyn Martell se aproximando um passo. De imediato Lady Merrywater estendeu Daena.

—Então tome.

—Não. – Disse Margaery ficando entre ela e os dorneses – Príncipe Oberyn. Vá embora. Deixe-os. São apenas crianças inocentes.

—Os filhos de Ellia também eram. – Retrucou ele avançando mais um passo – Mas os monstros dos Lannister os mataram assim mesmo.

—E Valerion os vingou. Mas aqui está o Príncipe de Dorne, prestes a matar os filhos do homem que lhe serviu justiça. Não seria isso baixo o suficiente para igualar-te aos monstros que acusas? – Perguntou abraçada ao bebê – Estás prestes a tornar-te aquilo que mais despreza. Não caminhe por esses caminhos, senhor. – Pediu ela – Não machuque as crianças. Mate aqueles que crees que são os responsáveis por tua dor. Não aqueles que são inocentes de todo e qualquer crime. Não é culpa deles que tenham nascido parte Lannister. – A Víbora Vermelha de Dorne lhe lançou um olhar sombrio e intenso – Olhe para eles, milorde. Olhe para eles. Que culpa acreditas que eles possuem? – Perguntou Margaery ajeitando Haegon em seu colo. O bebê suspirou e bocejou, para então mirar Oberyn nos olhos. O garotinho balbuciou qualquer coisa para o dornês, que se aproximou ainda mais, para lhe beliscar o nariz. Haegon sorriu um sorriso amável e Oberyn sorriu também – Por favor... – Sussurrou Margaery.

—Quem julgarias que seria digno de vingança, milady? – Perguntou ele.

—Sinceramente, meu senhor? Não há mais o que ser vingado. Os responsáveis estão todos mortos. Amory Lorch morreu no Norte, Valerion matou Gregor Clegane e Tywin Lannister morreu também.

Oberyn suspirou.

—Mas meu sangue ainda anseia por mais. Dorne precisa deixar um recado. É assim que as coisas sempre foram. – Riu ele afagando o rosto de Haegon. Margaery tentou recuar, mas o Príncipe segurou o rostinho infantil do menino – Insubmissos. Não Curvados. Não Quebrados. Um crime contra Dorne jamais será deixado impune.

Margaery respirou fundo.

—Então procure alguém com pecados, sor. Olhe para eles, sor. Olhe pra eles... São apenas... apenas crianças. Sobrinhos por casamento de sua sobrinha. Inocentes.

Haegon olhou novamente para Oberyn, que ainda apertava suas bochechas.

—Não quero que pensem que eu amoleci. – Riu o Príncipe com um olhar cruel e Margaery quase gritou quando ele se moveu.

Foi rápido demais.

**

Valerion seguiu para dentro do castelo. Tinha vindo ali com uma missão. Mas assim que entrou, notou um burburinho. Todos pareciam agitados e falando que algo horrível tinha acontecido. Tyrion veio com ele, pois o amigo concordava que todos precisavam se unir contra os mortos. Loras acompanhava o Rei Consorte, como era esperado dele, assim como Humfrey Hightower.

—Oh, Vossa Graça. – Lamentou a Senhora Tanda Stokeworth. Valerion olhou para ela, confuso, sem saber o que estava acontecendo – Estão todos comentando. Atacaram os herdeiros! – Disse ela e Valerion a olhou, chocado.

—O que? – Perguntou sentindo um aperto no peito.

—Os soldados que vigiavam os herdeiros estavam todos mortos...

Valerion não esperou mais e saiu correndo. Subiu os degraus da Fortaleza Vermelha com toda a pressa e quando chegou no quarto que prepararam para seus filhos, viu a chacina. Homens mortos. Seis deles. Caminhou para dentro do quarto, onde Myrcella segurava duas crianças. Cersei gritava de ódio, querendo que encontrassem o responsável por tudo aquilo. Margaery estava abraçada consigo mesma, parecendo aterrorizada. Jaime Lannister conversava nervosamente com Varys e com os outros integrantes da Guarda Real.

Loras correu até a irmã, para perguntar se ela estava bem. Humfrey encostou-se à porta, mirando as crianças.

—Myrcella. Eles estão bem? – Perguntou Valerion, engolindo em seco. Ela levantou o olhar para eles e logo Pycelle apareceu.

—Mandou me chamar, Vossa Graça?

—Preciso que averigue se eles não estão machucados. Lady Margaery garantiu que Oberyn Martell não os machucou, mas...

—Claro, claro. É evidente que eu deva dar uma averiguada. – Disse Pycelle se aproximando das crianças – Mas o quarto está muito cheio...

—Mamãe, posso confiar que você e meu tio conseguirão organizar nossos guardas para que Oberyn não fuja impune, não é? – Perguntou Myrcella.

—Talvez fosse sensato que Sor Loras e Sor Balon fiquem para proteger a Rainha e os herdeiros. – Disse Cersei – O restante pode ir.

—Valerion. – Chamou Margaery. Ele a olhou, ansioso para conhecer os próprios filhos, que agora estavam sendo averiguados por Pycelle, sobre os olhares atentos de Cersei e Myrcella – Ele mandou um recado para você. O Príncipe Oberyn. Ele disse que teve as vidas de ambos nas mãos. Mas escolheu deixá-los intactos. Ele deseja que não exista mais problemas entre Lança Solar e Harrenhall.

Cersei deu uma risada de desdém e Valerion se lembrou de todos os problemas que a Casa Martell lhe tinha dado. Principalmente Obara. Estava cansado daquilo. Não era hora de brigarem entre si e, por Aegon, se permitiria perdoar todos os Martell, desde que eles não machucassem seus filhos.

Margaery passou por ele, logo depois que a Guarda Real saiu. Humfrey deu um longo olhar por ela e a seguiu. Valerion esperou que Pycelle averiguasse as crianças. Viu de relance a menina que chorava e chutava, parecendo absolutamente enfezada. Sabia que era uma menina pois Pycelle lhe retirara as roupas para inspecioná-la. Ela tinha os olhos num lilás claro, como eram seus olhos. Muito brilhantes, quase róseos. Mas o garoto, que tinha os mesmos cabelos dourados de Myrcella, tinha os olhos num púrpura escuro. O mesmo tom de olhos do pai e de Aegon. Ficou encarando aqueles olhos e sem desejar lembrou-se de Aegon a ficar para trás...

Se Myrcella se recusasse a ajudar, ela estaria fazendo a morte dele ser em vão. Assim como a de Shiera. Respirou fundo e ficou mirando seus filhos. Quando Meister Pycelle garantiu que estavam bem, ele se retirou e Valerion se sentou ao lado de Myrella.

—Posso segurá-los? – Perguntou ele. Myrcella concordou com um aceno de cabeça e Valerion pegou Haegon. O garoto soltou um suspiro, muito quieto, enquanto a menina ainda chorava enfezada no colo de Myrcella – Ele se parece com você. – Disse olhando para o menino – Ela também. – Disse enquanto Myrcella colocava o seio para fora. Ao avistar o mamilo Daena soltou um som alegre e se colocou a mamar. Valerion suspirou, afagando os filhos – Os deuses me deram dois filhos, logo depois de me tirar meus dois irmãos.

—O mesmo comigo. – Disse Myrcella.

—Aegon morreu para me salvar. Ele ficou para trás para ganhar tempo para mim e para Jon. Shiera surgiu depois. Ela veio de Winterfell, mesmo estando grávida. Ela veio assim mesmo, para nos ajudar. Mas o Rei da Noite a matou. – Ele se calou por um momento – Eu vou vingar meus irmãos, Myrcella. Se perdemos no Norte, ele irá ressuscitar os mortos. E os farão lutar por ele. Você entende?

Myrcella amamentava em silêncio, parecendo aborrecida com a conversa.

—Myrcella. Talvez a coroa possa concordar em ajudar. – Disse Cersei. Valerion a olhou com desconfiança e Myrcella com aborrecimento – Se o que ele diz é verdade, não ajudar seria colocar ambos em risco. – Disse ela mirando os dois bebês.

—Não vou ajudar Sansa Stark.

—Vossa Graça. Isso não tem nada a ver com Sansa Stark. Vossa Graça viu o morto. Se arrastando e se mexendo, mesmo não tendo nada da cintura para baixo. O que mais é necessário para que concordes com a urgência da situação. – Questionou Valerion, ansioso.

—A cabeça de Sansa Stark e o Norte de joelhos. – Sugeriu Cersei.

Myrcella sorriu e concordou com um acendo de cabeça.

—Essa é uma boa opção. – Disse ela.

Valerion bufou e mirou seus dois herdeiros. Myrcella o olhava com expectativa e ele se recusou a responder. Ficou de pé, mirando seus herdeiros e então suspirou, entregando o menino a Cersei.

—Certo, que assim seja. – Disse sombrio – Sansa Stark vai morrer e o Norte vai ficar de joelhos. E assim que conseguirmos ainda mais ódio do Norte, me digam. O que pretendem fazer sobre Daenerys e seus três dragões? Além do enorme exército que ela adquiriu? – Perguntou ele calmamente. Myrcella bufou e desviou o olhar.

—Dois dragões. – Disse Cersei e Valerion a olhou, curioso – O que aconteceu com o terceiro dragão? Por que ele não veio para cá? – Ela o olhava com malícia em seus olhos verdes e Valerion ergueu a cabeça para responder.

—O Dragão branco segue em Winterfell. – Mentiu sem vacilar. Era bom mentiroso, sempre fora – Chocando os três ovos que veio a colocar. – Respondeu cabisbaixo – Essa não é uma batalha que podemos vencer, Myrcella. Não concordei em me render à toa. Eu fiz o que pude para que tu e tua família não sofresse do desejo de vingança de Daenerys. Ela é mais poderosa do que qualquer um de nós. – Explicou calmamente – Ela já tem Dorne ao lado dela. Dorne foi o único reino que não se curvou perante os dragões dos Targaryens. Pense nisso.

Se virou e marchou até a porta.

—Onde estás a ir? – Perguntou Myrcella.

—Estou cansado e de luto, Myrcella. Preciso de repouso. E preciso orar pelos meus irmãos. – Respondeu simplesmente, sem se virar e deixando o aposento para trás. Tinha um plano. A possibilidade de Cersei e Myrcella não concordarem em ajudar não lhe era estranha. Imaginara que era uma opção bastante válida, na verdade.

**

Myrcella entrou nos aposentos do rei e mirou Valerion. Ele estava mirando a janela, com um olhar perdido e triste. Tinham passado o dia longe um do outro, por mais que já se tivesse passado meses desde a última vez que estiveram juntos. Sentia que ele estava frio e distante e ela se sentia ligeiramente culpada pela maneira que o tratara antes que ele fosse embora. Queria explicar para ele que estivera louca, envenenada pelos dorneses. Com a mente nublada e distorcida. Queria explicar para ele que não tinha sido ela mesma nos últimos dias que passaram juntos.

Tinha tantas coisas para falar para ele, mas ele parecia tão distante.

—Conversei com Pycelle. – Disse Valerion, sem encará-la. – Ele disse que não poderemos mais ter filhos. Caso contrário, tua vida estaria em risco.

—Precisaremos ser cuidadosos daqui para frente. Precisarás despejar tua semente fora de mim. – Disse indo até ele. Valerion não usava armadura, mas roupas de veludo pesado. Trajes elegantes carmesins com dourados. Vestia as cores da Casa Lannister e ela achou que eram cores que caíam bem nele. O esposo não a olhou. Mirava a noite com olhos cheios de nervosismo. Porto Real estava sitiada pelas tropas de Daenerys e Myrcella sentia que talvez devesse ter se portado de maneira diferente para com a extrangeira – Achas que ela nos atacará pela noite?

—Não sei. – Disse ele, simplesmente – Eu disse que tentaria convencer-te a ter mais juízo nessa dourada cabecinha tua. – Ele sorriu um sorriso travesso e a olhou profundamente – Mantenha as forças Lannister aqui, mas permita que eu vá com as tropas Tyrell e Blackfyre para o Norte. Por nossos filhos, Myrcella. – Ele colocou a mão em sua bochecha e a olhou nos olhos. Eram os mesmos olhos de Daena – Já perdi meu pai e meus irmão. Não suportarei perder a ti ou às crianças. – Disse ele a puxando de leve. Sentiu o corpo dele contra o seu e sentiu o desejo de tê-lo mais uma vez.

—Minha mãe não concordará com isso. – Disse suavemente e Valerion lhe sorriu.

—Não é tua mãe quem senta no Trono de Ferro. Tu es a Rainha. – Disse Valerion mirando seu corpo – Esse tempo que ficamos longe lhe fez bem, esposa.

—Então aproveite deste corpo, esposo. – Disse num sussurro e ele soltou um suspiro.

—Não tenho gana disso. – Respondeu ele simplesmente.

—Por que não? Faz meses desde a última vez que se deitou com uma mulher. A menos que tenha me desonrado. – Disse provocativa e Valerion suspirou passando as mãos pelos cabelos, parecendo se sentir culpado – Se disseres que foi uma puta de taverna, ou alguém que nada significou, não haverá problemas. Nossos últimos dias juntos foram conturbardos, eu bem sei. – Disse calmamente e Valerion a olhou surpreso – Tus es o rei. Um homem bonito, que venceu desafios que outros julgariam impossíveis. Lorde do maior castelo de Westeros, dono de uma imensa fortuna. As mulheres certamente não lhe deram paz. Eu sei, porque eu mesma fiquei muito tempo a te tentar. – Ele desviou o olhar, parecendo sentir muito.

—Desculpe, Myrcela. Eu a desonrei. – Lamentou ele.

—Eu o perdoo. – Disse se aproximando dele e levando as mãos para os cordões de suas calças – Agora venha e seja meu marido. Senti sua falta, esposo.

Valerion suspirou e segurou suas mãos, a impedindo de continuar.

—Não tenho vontade. – Disse ele, calmamente – Deixarei Vossa Graça descansar. Hoje foi um dia difícil.

—Não quero descansar. Quero meu marido na minha cama. – Disse ela e Valerion a olhou friamente.

—Mas eu não quero você. Não mais. – Murmurou ele e Myrcella o olhou, em choque – Boa noite, Vossa Graça. – Murmurou ele indo em direção à porta – Mas, pelos Deuses, Novos e Antigos. Aceite a trégua de Daenerys e leve seus homens para o Norte. Ou todos nós vamos morrer.

—Valerion, espere... – Lamentou, mas ele a ignorou – Espere! – Ele parou e a olhou, já na porta – Com quem foi? Com quem foi que me desonraste? Diga a verdade. – Exigiu ela e ele ficou em silêncio – Me deves ao menos isso.

Ele concordou com um aceno de cabeça.

—Sabes com quem foi. – Murmurou ele e seu coração doeu como se uma lança o perfurasse – Eu a amo, Myrcella. Eu sempre tive carinho por ti, mas meu amor sempre foi todo dela. E tu sempre soubestes disto. Essa foi a razão por sempre se negaste a permitir que eu seguisse para o Norte. Mesmo que estivesses louca, no fundo, tinhas a razão. E por te desonrar, eu realmente sinto muito. Mas não fui mais capaz de mentir pra mim mesmo. Eu rezei aos deuses para que me dessem força, para que me ajudassem resisti-la... Mas nada foi o suficiente. E sinceramente, eu não sou capaz de me arrepender, pois ela foi o que eu sempre quis pra mim, mas tua família e a minha sempre se colocaram no meio. Mas agora está feito e não há como voltar atrás. Eu realmente sinto muito. – Myrcella sentiu os joelhos tremerem e um nó se formar em sua garganta – Mas eu não te amo, Myrcella. E eu não tenho menor desejo de estar contigo. Não mais. Não depois das mentiras e maquinações e manipulações. Então, por mais que tu sejas minha esposa, eu peço desculpas, pois vou me retirar agora. Não anseio passar essa noite, ou qualquer outra, contigo. Já te dei herdeiros, já cumpri com minha obrigação de consorte. Não pode exigir mais de mim, a menos que queira me tomar à força. – E então ele se retirou do quarto, fechando a porta e a deixando sozinha.

Sentiu o nó na garganta apertar ainda mais, achando Valerion injusto. Eram casados. Ele não podia fazer isso. Andou até a janela e pensou em Haegon e Deana. Tinha seus filhos. Ele não poderia desistir dela enquanto ela fosse a mãe dos filhos dele. Poderia controlá-lo usando as crianças. O conquistara uma vez, poderia conquistá-lo de novo...

**

Ele entrou no quarto das crianças. Loras era o Guarda Real que o acompanhava, assim como Sor Arys Oakheart e Sor Balon Swann. As amas de leite dormiam juntas com os bebês e Valerion as olhou preocupadamente.

—Estão cientes do que estão prestes a fazer, não estão? – Perguntou Valerion.

—Sou fiel ao meu Rei. – Sussurrou Loras.

—Eu lutarei pelos vivos. – Jurou Balon Swann. Valerion mirou Sor Arys, que era o Guarda mais apegado à Myrcella. Loras era seu amigo. Sor Balon era um cavaleiro honrado. Provavelmente o cavaleiro de honra mais inquestionável da Guarda Real. Um legítimo cavaleiro. Mas Sor Arys, apesar de ser um bom homem, sempre fora o guarda mais apegado a Myrcella. Ele fora com ela para Harrenhal e estivera ao lado dela ao enfrentar Cersei e o próprio Lorde Comandante. Então Valerion temia que ele não seguisse o plano no fim das contas.

Sor Arys respirou fundo e mirou os dois bebês.

—Jurei minha espada à família real. Darei minha vida pelas crianças. Mesmo que isso signifique desobedecer a Rainha. Ela ainda terá valentes cavaleiros ao seu lado enquanto seus homens lutam no Norte. – Ele olhou Valerion – Manteremos os herdeiros em Harrenhal, onde estarão mais protegidos do que em Porto Real. E eu ficarei lá com eles.

—Obrigado, Sor Arys. – Disse Valerion. Então mirou as duas mulheres que roncavam. Fechou a porta atrás de si e andou até Haegon. Ele estava dormindo, calmamente, assim como a irmã. O pegou no colo e o apreciou à meia luz. Um bebê adorável, sem dúvidas. Seu herdeiro. O beijou na testa e o abraçou. Loras acordou as amas de leite e Sor Arys pegou Daena.

—Vossa Graça, o que está acontecendo? – Perguntou a ama de leite.

—Estamos deixando Porto Real. – Respondeu Valerion e as mulheres olharam horrorizadas para ele – Se colaborarem, juro que nada de ruim acontecerá com as senhoritas. Nos atrapalhem e serei forçado a machucá-las. – Disse calmamente – Peço que não duvidem de minha palavra, senhoritas. Tenho passado por momentos difíceis ultimamente.

As mulheres engoliram em seco e concordaram. Entregou Haegon a uma delas e Arys entregou Daena para a outra. Todos sacaram as espadas e fecharam um círculo ao redor das mulheres.

—Vamos depressa. – Pediu Loras e o grupo deixou o aposento dos herdeiros.

O castelo estava cercado e precisavam utilizar as passagens secretas da Fortaleza Vermelha. Seguiu até as cozinhas, onde apenas algumas crianças os viram passar. Mas assim que notavam quem passava, fingiam nada ver, ao que ele foi grato. Certamente eram os passarinhos de Varys, apesar de isso não o deixar exatamente confortável. Ainda desconfiava do eunuco. Precisavam deixar o castelo. Cersei não arriscaria enviar pessoal para persegui-los, não com as tropas de Daenerys, Blackfyre e Nortenhas sitiando a Fortaleza.

Lá nas cozinhas, usou a mesma passagem que Myrcella usara para tirá-lo das Masmorras do Castelo, quando ele foi preso pelo assassinato de Joffrey. Andou pelo caminho tortuoso até chegar numa cela fedorenta, onde Varys, Humfrey e Tyrion o esperavam.

—Não tiveram problemas? – Perguntou Tyrion e Loras negou.

—Apenas os famosos passarinhos. – Explicou o Cavaleiro das Rosas.

—Alguns falaram que o Rei pretendia ir até a Rua das Sedas e que não queria ser visto. Os que queriam ver o Rei sair ficaram do outro lado do castelo, esperando cruzar com ele e ter o que fofocar para a Rainha. – Riu Humfrey.

—Meus passarinhos garantiram que o caminho estaria livre. – Disse Varys – Agora vamos, vamos. – Ele se virou e pegou uma tocha, para guiá-los.

Seguiram pelos túneis durante longos minutos. Atravessaram um grande salão subterrâneo e saíram num buraco escondido nas rochas, que dava para o litoral. Três barcos esperavam por eles. O mar não estava agitado e não tiveram problemas em colocar as crianças em barcos diferentes. Não arriscaria colocar os dois herdeiros no mesmo barco. Dividiram-se nas três embarcações e remaram para a baía do Água Negra. Escondidos pela noite escura, subiram o rio, indo em direção a Harrenhal. Valerion olhou para trás, para a Fortaleza Vermelha. Engoliu em seco e sussurrou desculpas ao vento. Lamentava por Myrcella, mas...

Estava cansado daqueles jogos. Lutaria contra os mortos e então viveria uma vida com Sansa. Não desejava voltar a Porto Real outra vez.

—Adeus, Myrcella. – Sussurrou mirando o castelo que ficava para trás.

—Não se preocupe, Valerion. – Riu Humfrey – Você fez o correto. Levarei sua carta ao meu pai e Hightower virá ao seu auxílio. – Prometeu ele com uma piscadela. Sabia que ele dizia mais do que aquilo. Ele não iria apenas para casa. Ele levaria sua carta à Sede da Fé dos Sete, pedindo a anulação de seu casamento. Diria que tinha sido enganado pelos Lannister e que Myrcella realmente era uma bastarda de Jaime. E com isso, seu casamento não tinha sido nada mais do que uma armação. Seria livre para se casar com Sansa Stark. Seus filhos com ela levariam Winterfell, enquanto Haegon, um dia, seria o Lorde de Harrenhal...

—Está feito. – Disse a si mesmo, enquanto subiam o rio.

Notas finais
Então, primeira coisa. Leitores que chegaram a ler os livros e conhecem a teoria do Fake (talvez nem tanto) Aegon Targaryen? Se não conhecem (procurem na internet), em resumo, existe um personagem nos livros, que o Tyrion encontra. Esse personagem supostamente é Aegon Targaryen, filho do Rhaegar. Mas como assim? O Montanha não matou ele? Então, acredita-se que o Varys, esse malandro, trocou os bebês e mandou o verdadeiro herdeiro de Rhaegar para Essos, onde ele foi criado por um dos melhores amigos do Rhaegar, Jon Connington (esse, que agora que o Aegon Blackfyre não voltou de Além da Muralha, se tornou o líder da Companhia Dourada). O meu ponto é o seguinte. Vocês querem a trama do Aegon na fic, ou vamos fingir que nada aconteceu, tipo a série? Colocarei isso na mão de vocês. MAAAAS, pra fazer isso, precisarei que comentem! Digam nos comentários se teremos essa treta (Tô com umas ideias interessantes), ou se passaremos reto, fingindo que não é com a gente. Ok. Agora, preparem o coração, vamos para as prévias. "-Voe, Viserion. Voe. Por favor, voe. – Pediu agarrada às escamas pontudas que se desprendiam do pescoço da magnífica criatura. Ele chorou, tentando bater as asas, com a lança de gelo fincada entre a asa e o torso. – Voe, por favor. Voe! VOE!" Depois de 2 capítulos desaparecida, ficaremos sabendo o que aconteceu com a Shiera. "Edd olhava para a cena sem saber muito bem como reagir a aquilo. Ficou encarando o lobo, que arranhava o portão parecendo aflito. —Lorde Comandante, o que vamos fazer? – Perguntou Pyp. Edd soltou um lamurioso muxoxo, coçando a cabeça." "-Sim. De Harrenhal. – Comunicou o Meister. E Sansa se levantou com as tranças apenas parcialmente desfeitas. Walda parou ao seu lado, parecendo querer ouvir o que ele tinha a dizer – Lorde Valerion escreveu que recuperou seus dois herdeiros e os levou para Harrenhal. Ele disse ainda que possui um contingente de doze mil homens, entre eles, Lannisters, Dorneses e Blackfyres. – Explicou ele – Lorde Valerion deixará parte das forças em Harrenhal e partirá para a Campina, na intenção de juntar mais homens com a ajuda de Sor Loras e de Sor Humfrey. Lorde Tyrion, Mão da Rainha, irá reunir forças nas Terras Ocidentais. Lorde Blackfyre imagina que estará de volta em três meses. —Tudo isso? – Perguntou Sansa, preocupada." "-Eu espero estar à altura das expectativas dele. – Murmurou Daenerys e Jon a olhou – Pensou em minha oferta? – Perguntou ela e ele sabia que ela se referia ao casamento. Tinha tomado uma decisão, mas muita coisa tinha acontecido desde então. Precisava falar com ela – Sua irmã Sansa me contou que há muito tempo um rei Stark teve apenas uma filha. Ele proclamou que o filho dela seria seu herdeiro. Ele o nomeou um Stark e o garoto levou o Norte, se tornando rei depois dele. – Explicou Daenerys. Jon concordou, pois já tinha ouvido essa história. Tanto a versão Stark quanto a versão Selvagem dela, já que o pai do garoto era Bael, um rei prá-lá-da-Muralha – Eu não posso ter filhos. – Disse ela e Jon a olhou curioso." Eu confesso que eu até gostava de Jonerys até o final da série, agora não sei muito o que pensar. O que vocês acham? Beeeeijos! Nos vemos em breve. O próximo capítulo já está quase pronto.