Blackfyre

81 With The Dead


Notas iniciais
Não tem banner. Primeiro capítulo de 2020. Espero que gostem Perdão pela demora. Beijos. Comentem, ok?

With The Dead

“Então estou mesmo grávida?”

“Sim, mas receio que seu corpo ainda está fragilizado, Vossa Graça. Repouso absoluto, acima de tudo. Ou isso ou, tanto Vossa Graça quanto o bebê podem acabar não sobrevivendo.”

Quando pressionou os joelhos fazendo Viserion esquivar da primeira lança, aquele diálogo com o Meister lhe ocorreu de imediato. Mirou o tal Rei da Noite, o reconhecendo de seus pesadelos. Mais uma flecha saiu de sua aljava e foi posta em seu arco. Um dos caminhantes entregou outra lança para o Rei da Noite, que a colocou na mira. Esticou a linha do arco e fez o mesmo. Atirou a flecha e então pressionou o lado direito do pescoço de Viserion, fazendo-o girar no ar. A lança cruzou o ar, rápida demais, prevendo a manobra e Shiera largou a flecha que já tinha pego, para se segurar com mais firmeza no dragão.

O escutou gritar quando foi atingido e sentiu a fera despencar.

—Voe, Viserion. Voe. Por favor, voe. – Pediu agarrada às escamas pontudas que se desprendiam do pescoço da magnífica criatura. Ele chorou, tentando bater as asas, com a lança de gelo fincada entre a asa e o torso. – Voe, por favor. Voe! VOE! – Gritou e ele conseguiu abrir as asas, mas estavam próximos demais do chão. Viserion planava para longe de todos e quando caiu no chão, foi desengonçado e com um baque forte. A queda foi amortecida pela neve e pelas asas, mas ainda assim abrupta.

“Repouso absoluto acima de tudo.”

Mesmo com a neve estando muito profunda, o choque com o chão foi forte demais. Foi jogada com força para o chão, mesmo tentando se segurar. Caiu pesadamente na neve e sentiu o corpo todo contrair de dor. Ficou tonta, perdida no silêncio. Duvidava que estava silencioso, mas sua cabeça girava com as palavras do Meistre martelando em sua cabeça. Os pedidos de Robb para que não se atrevesse a atravessar a Muralha. Tentou respirar fundo, mas seu corpo todo doeu. Tinha afundado na neve e provavelmente estaria até bastante escondida, mas sabia que não poderia ficar ali. Sentiu o chão vibrar e o olho dourado de Viserion a encarou. Ele soltou um rugido choroso, tentando retirar a lança do Rei da Noite de si mesmo.

Isso a fez se levantar. Ainda sentia o corpo doer, mas precisava sair dali. O herdeiro do Norte precisava que ela saísse dalí. Afastou a neve, abrindo caminho até o dragão. Viserion conseguiu tirar a lança de sua asa e Shiera subiu nas costas dele. O dragão rosnou novamente e ela gritou.

—Vamos! Voe, voe! – Disse desesperada. Ele abriu as asas, mas viu que o lado ferido parecia repuxar. Viserion correu, batendo as asas escamosas e levantou voo. Mas foi um voo desengonçado e fraco. Shiera olhou para a direção da Muralha, para o Sul e tentou fazer com que ele voasse pra lá, mas Viserion caiu mais uma vez, bruscamente, não avançando muito. Ele soltou um rugido lamentoso e ela notou que ele sangrava pela ferida causada pela lança de gelo. Podia sentir que a ferida doía e ele não estava acostumado a isso. Quando ele caiu no chão, precisou se segurar com muita força, para não cair. Sentiu os braços esfolarem contra o couro de dragão e os dedos sangrarem também – Viserion... – Lamentou e o dragão rosnou, mirando o próprio ferimento. Shiera olhou ao redor, tentando pensar. Precisava de um plano e precisava ser rápida. Para voltar para a Muralha, precisaria atravessar o exército de mortos. Mas se fosse para Oeste, poderia chegar ao litoral. Talvez conseguisse chegar à Ilha dos Ursos, pelo mar, apesar de não fazer ideia de como iria atravessar o oceano. Viserion não poderia carregá-la. E definitivamente não poderia deixá-lo morrer. Se ele morresse, seria uma arma a mais para o Rei da Noite – Viserion, me escute. Você precisa fugir. – Escorregou pelo ombro dele e caiu no chão, quase torcendo o pé. Segurou o focinho do dragão e o olhou nos olhos – Você precisa fugir. Eu o proíbo de morrer. – Disse com firmeza – Volte para Winterfell. Aegon estará lá e Daenerys também. Sozinho, com um peso a menos, pode voar por mais tempo. – Disse torcendo para que ele a entendesse. Quando Robb falava com Vento Cinzento, ou quando Jon falava com Fantasma, os lobos pareciam entender. Esperava que Viserion entendesse também.

Ele a olhou em seus olhos, como se lesse a sua alma. Sorriu para ele e o tocou com a testa. Vai ficar tudo bem. Vá.

Ele rosnou e então tocou seu rosto com a cabeça, como se pedisse afagos. Numa despedida. Se perguntou se o veria de novo. Ele abriu as asas e ela saiu do caminho. O observou correr e ganhar os céus de maneira desengonçada. Mas sem ela nas costas, o voo dele foi mais alto e mais comprido. Desejou boa sorte a ele e então se virou em direção a Sudoeste. O tempo em que ficara na Muralha lhe permitiu aprender mais sobre a Patrulha e seus Castelos. Se conseguisse chegar em Torre Sombria, talvez conseguisse voltar sã e salva para Winterfell. Engoliu em seco, ignorando as dores no corpo e seguiu viagem. O vento lambia seus cabelos e Shiera rezava em silêncio, pedindo que os Deuses Antigos a protegessem. Sempre que passava por um represeiro, mesmo que não tivesse um rosto, parava para pedir proteção.

Andou com dificuldade pela neve, quase em seus quadris. Com a espada, tentava abrir caminho, mas era difícil e cansativo. Depois do que pareceu uma eternidade, chegou a um represeiro maior, que tinha um rosto entalhado. Sentindo-se enfraquecida e com as dores no corpo a aumentar, resolveu se sentar para descansar. Suas costas e a barriga doíam horrores e isso a fazia ter calafrios. Seu corpo já denunciava sua gravidez e mais do que nunca ela desejou nunca ter deixado os salões de Winterfell.

Ajoelhou-se em frente do represeiro e olhou para trás, ouvindo o vento levar seus cabelos. Só via neve e montanhas, por todos os lados. Era lindo, mas desolador. Ao menos todos estavam a salvo. Daenerys os levara dali. Aegon, Valerion, Jon e Robb. Hoster e Humfrey. O tal Thoros e o garoto chamado Gendry. Todos estavam sãos e salvos àquela hora. Juntou as mãos e fechou os olhos, pedindo que os deuses a ajudassem. Foi quando um corvo pousou ao seu lado. Foi tão repentino e tão próximo, que se assustou. Se arrastou para longe dele e ele, para sua total surpresa, falou.

—Robb!

—O que? – Perguntou imaginando que tinha entendido errado. Mas o corvo pulou mais para perto dela, totalmente desprovido de medo.

—Robb! Robb!— Repetiu ele e ela abriu a boca em choque.

—Você... Você vai me guiar até Robb? Vai me mostrar o caminho seguro? – Perguntou e o corvo apenas seguiu repetindo.

Robb! Robb! Robb! Robb!

E então levantou voo. O seguiu com o olhar e o corvo pousou ali perto, para voltar a gritar.

—Robb! Robb!

Mirou o represeiro, que a encarava com aquele semblante choroso, cheio de seiva a escorrer dos olhos talhados, como se chorasse sangue. Só pode ser uma mensagem dos deuses. Se levantou, mas sentiu a barriga doer horrivelmente. Foi tão forte, que seus joelhos cederam e ela caiu no chão.

—Droga. – Rosnou, mas o corvo parecia indiferente para com sua dor.

—Robb! Robb! Robb! Robb! Robb!

Respirou fundo e se colocou de pé, usando a bainha da espada para lhe ajudar. Caminhou em direção do corvo, que voo para algum lugar não muito longe. Ele pousou numa pedra e a olhou para voltar a gritar.

—Robb! Robb! Robb!

—Eu sei. Estou indo. – Disse lamentando e sentindo dor. Caminhou até o corvo, que voou para outro ponto um pouco mais distante. Ele a olhou e esperou, repetindo o nome de Robb e Shiera sentiu outra pontada na barriga.

“Repouso absoluto acima de tudo.”

Algo escorria por suas pernas, mas não se atreveu a olhar. Sentia medo e tudo o que se obrigou a fazer foi seguir aquele corvo, que a esperava, impaciente, gritando o nome de Robb. Começou a chorar, sentindo dor, com o corpo dando espasmos, mas não parou. Seguiu em frente, sabendo que se se parasse ou que se perdesse o corvo de vista, seria seu fim. Ele a guiava para Sudeste e ela não sabia o que faria para evitar o exército. Confiou a si mesma aos deuses, afinal, aquela era a terra deles.

O Corvo a guiou até um bosque e Shiera se viu incapaz de continuar sem descansar primeiro. Seu corpo caiu em frente a vários represeiros, cada um com um rosto diferente. Cada um chorando seiva vermelha. Cada um a olhando com semblantes austeros. Chorou de dor, se encolhendo e então levantou o vestido o suficiente para ver seus tornozelos. Sentiu um calafrio e arfou de leve ao ver sangue. Não estava realmente surpresa.

—Por favor, não... – Lamentou querendo chorar e sua barriga doeu. Uma pontada absolutamente dolorosa. Deitou na neve, sentindo-se desesperada e culpada – Por favor. Meus Deuses. Ajudem-me, por favor, me ajudem. Eu fui idiota. Eu fui inconsequente. Por favor, por favor, por favor...

—Robb! Robb! Robb! Robb! – Chamou o corvo, mas seu corpo doeu mais uma vez e sentiu algo parecido como as cólicas em seus primeiros dias de sangue de lua. Sabia que seu corpo, em breve, expulsaria o bebê que tinha dentro de si. Assim com outrora expulsara o filho de Roose Bolton, graças ao chá que Maege Mormont tinha lhe oferecido. Chorou em lamento e sua voz se espalhou pela floresta. – Robb! Robb! Robb! Robb! – Exigiu o corvo, mas ela já não conseguia se mover. Chorou e lamentou. E por fim gritou.

—ROBB! ME AJUDE!

**

Seu corpo inteiro doía. Seus pulsos estavam amarrados, seu peito estava exposto. Os braços abertos, a cabeça pendendo sem forças para manter-se firme, caindo sobre o peito arranhado e ferido. Respirar doía muito. Estava bem certo de que quebrara alguma costela. Levantou o olhar, num esforço absurdo e viu a criatura o olhar com satisfação. Parecia ser feita de gelo. E de morte. Os olhos azuis num brilhante assustador.

Não era o Rei da Noite. Mas era uma criatura como ele, de armadura negra, a pele repuxando sobre os ossos, parecendo ser de gelo. Engoliu em seco e olhou ao redor. Pilares de gelo se erguiam ao seu redor, com pedras sendo dispostas numa espécie de espiral. Ele estava bem no centro. A criatura o encarava com um semblante neutro, inexpressivo. Tentou se soltar ou praguejar, mas as cordas em seus pulsos estavam firmes e a mordaça em sua boca o impediam. A criatura se ajoelhou a sua frente o encarando. Ela o tocou no peito e pressionou o local. A encarou de volta, sem reagir, mas nada aconteceu. A criatura se levantou e lhe deu as costas, se afastando.

Tentou olhar para o alto. O céu cinzento escurecia. Fazia frio, muito frio, e ele estava sem a camisa. A espada de aço valiriano que encontraram na caverna estava ali também. Jazia no chão, inútil, quebrada, assim como ele. Se perguntou a razão por ainda não estar morto. Por que o tinham levado até ali? Fechou os olhos e pensou em Arianne, em Valerion e em Shiera. Pensou em Daenerys também. Precisava sair dali. Precisava voltar para eles. Se remexeu, ignorando a dor que sentia ao fazer isso, mas suas amarras não cederam. Estava absolutamente preso.

**

Se lembrava de cair. Escorregar pelas escamas, se segurar na mão de Humfrey e ver no olhar dele que não conseguiriam manter o aperto. Viu no olhar dele um pedido de desculpas quando as mãos escorregaram uma pela outra. Então caiu. Enquanto caía lembrava de muitos momentos. Mas foi tudo em um flash. Seu corpo estava quente e não sentia medo. Sentia-se protegido de certa forma. Olhou para baixo, abrindo as mãos e pernas, mirando a copa dos represeiros que enfeitavam de vermelho a imensidão branca do Norte. Não estava realmente tão alto. Verdade ou não, tentou manter esse pensamento em mente. Eu posso sobreviver. Manteve o pensamento em Winterfell e suspirou.

O chão se aproximou depressa e Robb engoliu em seco. Iria cair na copa das árvores e tentaria se agarrar nos galhos, para amortecer a queda. Os altos represeiros acertaram seu corpo primeiro. Os galhos mais finos, as folhas mais altas. Foi quando tentou ficar em pé. A neve pode ajudar a segurar o impacto... Lembrava de ter pensado isso.

Mas a neve não estava tão funda e, apesar de tentar se segurar nos galhos dos represeiros, não foi o suficiente para garantir uma boa aterrissagem. Caiu de pé e, ao tocar o chão, ouviu os ossos estalarem. O som foi mais assustador do que qualquer coisa, pois não sentiu tanta dor. Seu corpo caiu para o lado e Robb sentiu que ficaria inconsciente. Sonhou com visões no fogo, com Shiera a ninar uma criança. Um sorriso feliz no rosto. Se prendeu a esse pensamento e ele se manteve em sua mente até ficar tudo absolutamente escuro.

Acordou algum tempo depois, deitado na neve fofa. Folhas e neve tinham amortecido a queda graças à tempestade dos dias anteriores. Mas não o suficiente para que não se quebrasse. O gosto do sangue estava em sua boca e uma sede sem precedentes o assolava. Tentou se mover e notou, com alarde, que as pernas não responderam ao desejo. Tentou movê-las, mas não houve resultado. Pensou em Bran e respirou fundo. Precisava voltar a Winterfell, mas aquela era uma hipótese muito improvável. Além disso, Shiera tinha morrido.

Cerrou o punho, entristecido, desolado. Sua rainha e seu herdeiro. A mulher que amava. Estavam ambos mortos. Vieram para salvá-lo e sacrificaram suas vidas por isso. Devia a eles uma vida longa, mas no lugar disso, pereceria sozinho, além da Muralha. Não existia a menor possibilidade de voltar pra casa. Arfou, lamentando e fechou os olhos cheio de pesar. E a imagem de chamas surgiu em sua mente. No fogo, dentro de si, via Shiera embalando uma criança. É isso que precisa fazer.

Abriu os olhos, surpreso. Não era a primeira vez que ouvia aquela voz. Já a ouvira em sonhos. Imaginava ser a voz de R’hllor. Estava vendo Shiera em uma visão, mas ela havia morrido. Piscou, com o coração acelerado.

—Eu não morri, afinal... Talvez ela também tenha sobrevivido. – Olhou para cima, vendo-se cercado pelas árvores coração, com a barriga colada ao chão e as costas recebendo pequenos flocos de neve que caíam por entre as folhas vermelha dos represeiros. Os Deuses Antigos o observavam – Onde ela está? – Perguntou puxando o corpo para frente. Um esforço absurdo que fazia com que tudo em si doesse. Tudo doía. Tentou de novo e de novo, sem achar que conseguiria fazer mais uma vez. E quando perdeu o fôlego, ouviu um grito feminino. Um grito cheio de agonia e extremamente familiar.

—ROBB! ME AJUDE!

Se arrastou, pois, suas pernas não respondiam. Nunca parara para imaginar o quão pesado era e no quanto suas pernas eram fortes por serem capazes de permitirem algo tão complexo como correr ou pular. Apenas com os braços, puxava o corpo adiante, na direção daquele choro e daquele pedido. Estava absolutamente convencido de que iria morrer, mas, aparentemente, R’hllor ainda tinha algo para ele. Algumas lágrimas escorriam por conta de seu esforço, mas se obrigou a avançar mais um pouco. Apoiando-se nos cotovelos, levantou o corpo e esticou o pescoço, o máximo que conseguiu. Viu a silhueta dela, em meio às árvores. O corpo dela se remexia como se chorasse.

Esticou a mão, tentando alcançá-la, mas a verdade é que ainda estava muito longe. A escutou gritar de dor e a viu virar para ficar com a barriga para cima. Ela segurava a barriga e se contorcia, parecendo sofrer. Lembrou do dragão caindo com ela e se lembrou do Meister de White Harbor falando que ela precisava de repouso. Se forçou a ir mais para frente, puxando suas pernas imóveis, se perguntando como Bran aguentara tanto tempo viver daquela maneira. Se lembrava do garoto dizer que preferia estar morto e se lembrou de repreendê-lo.

Robb não queria morrer. Seria Rei Robb, O Quebrado, se isso lhe permitisse viver ao lado dela. Era tudo o que desejava, viver ao lado dela pelo resto de sua vida. Mas sabia que o “resto de sua vida” não tardaria a chegar. Mas ao menos morreria lutando por um propósito. Estaria satisfeito por estar com eles. Por poder ajudá-los. Shiera e aquele bebê que ela ainda não tinha colocado no mundo.

—Shiera... – Arfou. Ela virou o rosto, aos prantos e o viu, finalmente.

—Robb... – Ela soltou um gemido, o rosto vermelho e inchado de chorar – O bebê está morrendo, Robb... Me ajude, por favor. – Pediu ela e ele tentou se arrastar até ela, mas se viu no limite de suas forças. Shiera então foi forte por ele. Com dificuldade ela se levantou e tropeçou até ele – O que houve, Robb? – Ela o ajudou a se virar e ele pode olhá-la melhor.

—O Rei da Noite tentou derrubar o dragão em que estávamos... Eu não consegui me segurar. – Ele engoliu em seco, fazendo uma careta – Eu caí. – Shiera fechou os olhos e se curvou sobre ele, parecendo sentir dor.

—Eu sinto muito, Robb. – Lamentou ela se deitando ao seu lado na neve, o abraçando, ao mesmo tempo que repousava a cabeça sobre seu braço. Como se não estivessem perdidos e feridos no meio do nada, mas em suas camas, em Winterfell. E o fato dela ser quente fazia com que a ilusão se fizesse ainda mais forte – Eu nunca deveria ter saído de Winterfell. – Murmurou ela o abraçando com força e soltando um gemido. O corpo dela estava tenso e ela se encolhia de dor. Shiera cheirava a sangue tanto quanto ele – Eu sinto tanto. Eu matei o nosso filho. Eu matei o herdeiro do Norte. – Chorou ela – Me perdoe, por favor. – Virou o rosto para mirá-la e soltou um suspiro.

—Você é muito teimosa, Shiera. – Ralhou ele e ela chorou fazendo careta. Tocou a barriga dela, sentindo-a muito dura – Eu não vou conseguir voltar pra Winterfell. – Murmurou e ela o olhou parecendo em pânico. Ela negou com a cabeça, discordando, mas antes que ela pudesse argumentar, ele a segurou com firmeza – Estamos longe da Muralha. Eu estou sangrando por dentro. Minhas pernas não funcionam. Se os Outros não me matarem, algum bicho mata. Ou até mesmo o frio. Eu não vou sobreviver, Shiera. Eu vou morrer aqui. – Ela o olhou desolada e o abraçou com força.

—Morreremos os dois então. – Disse ela, decidida e Robb engoliu em seco.

—Eu queria... Poder... Ver nosso bebê crescer. – Lamentou ele e ela arfou chorando em silêncio – Queria poder dar irmãos a ele, para que ele tivesse com quem brincar. Eu queria tantas coisas, meu amor. Eu sinto muito.

—Robb, não fale assim. – Chorou ela.

—Cuide bem dele. Ensine-o a ser um bom rei ou rainha. – Pediu Robb e ela o olhou confusa.

—Robb... A qualquer momento meu corpo vai expulsá-lo. Eu estou em trabalho de parto. – Chorou ela – Ele não vai viver para ser um rei. – Lamentou ela aos prantos e o beijando nos lábios – Eu sinto muito, é culpa minha.

—Shiera... Shiera... – Chamou enquanto ela chorava abraçada a ele. Ela o olhou com desespero e desolação no olhar e Robb se obrigou a ser forte pelos dois – Me escute, meu amor. Me escute. – Disse sentindo dor. Shiera concordou o olhando sem esperanças –Eu... Eu já te contei como me trouxeram de volta à vida? – Perguntou e ela negou – Lorde Beric Dondarion já tinha sido ressuscitado seis vezes por Thoros de Myr quando ele me concedeu a própria vida. Eu já estava morto há mais de um dia. Thoros não quis tentar me ressuscitar, então Lorde Beric o fez, entregando-me a bênção que R’hllor tinha lhe dado. – Explicou Robb e Shiera engoliu em seco. Compreensão perpassou os olhos dela e ela se levantou de leve, apoiando-se nos cotovelos.

—O que aconteceu com Lorde Beric Dondarion quando ele fez isso? – Perguntou ela e Robb a olhou com intensidade. Sabia o preço, mas estava mais do que disposto a pagar – Não, Robb. Não. Eu o proíbo. – Disse ela com firmeza. Suspirou e a afagou no rosto, muito preparado a morrer pelos dois.

—Shiera.

—Não. Não vou deixar você morrer, Robb. Por favor, não faça isso comigo. – Chorou ela desesperada – Eu não vou aguentar perder você outra vez. Não me faça enterrar você de novo. – Chorou ela e Robb suspirou.

—Eu quero fazer isso, Shiera. Pelo nosso filho ou filha. – Pediu ele e Shiera arfou de novo – Eu não vou sobreviver de qualquer maneira, então me deixe salvá-lo. – Pediu sentindo um nó na garganta e Shiera negou com a cabeça.

—Não. Morreremos os três aqui. Por favor. – Pediu ela e Robb negou com a cabeça.

—Minha senhora. – Sussurrou enquanto ela ficava de joelhos ao seu lado. Ela o olhava desolada, perdida em dor. A dor de um aborto que poderia acontecer a qualquer minuto. E duvidava muito que ela sobreviveria ao aborto, caso ele acontecesse. Não ali, no meio do nada – Por favor. – Ele engoliu em seco, sentindo que a própria chama que o mantinha vivo parecia prestes a apagar. Era por isso que R’hllor o trouxera de volta. Fora por ela. Por Shiera e pelo filho que ela traria ao mundo. O futuro da Casa Stark – Quando nos casamos, eu prometi proteger você. Eu te coloquei sob minha proteção. E eu falhei antes. Eu falhei mais de uma vez e você sofreu tanto. – Ele se ergueu, apoiando-se nos braços, sentindo-se muito fraco e cansado – Me deixe fazer isso agora. Por favor. Pelo nosso filho. Eu não pude salvar Ned, me deixe salvar este, agora. Por favor. – Shiera chorou de novo, negando com a cabeça e Robb engoliu em seco. Ela o olhou nos olhos e o beijou nos lábios. O beijou com paixão e desespero. E rosnou de dor o apertando contra si, sem ser capaz de parar de beijá-lo. E ele soube que ela o amava demais e isso fez com que sentisse ao menos confortado – Cuide dele. – Pediu e ela concordou – Jura pra mim. Jura que vai cuidar dele e de si mesma.

—Juro.

**

Shiera olhou para aquele homem e chorou. Ele tinha tanto amor em seus olhos azuis. Queria ter tido mais tempo com ele. Queria ter tido a vida ao lado dele. Queria dar a ele muitos filhos. Queria poder envelhecer ao lado dele e ver seus filhos e filhas tornarem-se adultos e donos de suas próprias vidas. Queria ver Robb enciumando-se de ver uma filha começar a dar atenção aos rapazes. Queria vê-lo encher-se de orgulho ao ver um filho indo bem nas aulas com espadas. Queria ter mais uma noite com ele, embaixo nas cobertas, sentindo os beijos e afagos dele. Queria poder mostrar a ele o quanto ela poderia ser dele e apenas dele.

Mas ela sabia, por mais que não quisesse ver, ela sabia. Ela via. Ele estava morrendo, ali, em seus braços. O sangue vazava por seus lábios. Ele estava pálido, a coluna estava quebrada. Lamentou e o puxou para ajudá-lo a se sentar, porque ele não tinha forças para fazer isso sozinho. Olharam nos olhos um do outro e Shiera o abraçou, trazendo-o para perto de si. Abraçá-lo aliviava a dor que sentia.

—Eu te amo, Shiera. – Sussurrou ele afagando sua barriga. Shiera o apertou ainda mais contra si, lamentando o que estava para acontecer – Eu estou feliz que veio. Não se culpe. – Murmurou ele – Eu teria caído mesmo se não tivesse vindo. Ao menos, agora, eu pude te ver uma última vez. Agora eu posso fazer algo por vocês.

—Robb. Você me salvou. – Disse ela o olhando – Me salvou de Roose Bolton, me salvou das minhas próprias trevas. Me salvou de mim mesma. Você não precisa fazer nada por mim.

—Preciso sim. E eu quero pedir perdão a você, também. – Murmurou ele e Shiera o olhou confusa.

—Você não precisa me pedir perdão por absolutamente...

—Eu te machuquei. Eu te enforquei e te fiz tão infeliz que você achou melhor morrer a continuar comigo. E depois eu parti para guerra. Eu morri e te deixei nas garras de Roose Bolton. – Ele a olhou nos olhos e a afagou na bochecha – Eu nunca me perdoei por isso. E sempre me culpei por não poder te dar todo o tempo que você precisava para se curar. Por ter pressionado você a me dar um herdeiro, quando era claro que você não estava pronta pra isso. – Ele engoliu em seco – Eu sinto muito, Shiera. Me perdoe.

Sentiu um certo alívio ao ouvir aquilo tudo. Sorriu para ele e concordou com um aceno de cabeça, o beijando nos lábios com paixão.

—Eu te perdoo, mas preciso que me perdoe também. – Murmurou e Robb a olhou nos olhos – Por ter amado Jon Snow. Por... Por ter desejado a ele no teu lugar, mesmo que estivéssemos casados. Eu... Eu confesso que... – Engoliu em seco, envergonhada e se sentindo culpada – Mais de uma vez eu pedi para que ele me sequestrasse e me levasse embora. – Lembrou-se da Ilha das Faces e suspirou, envergonhada – Chegamos a acordar que fugiríamos depois da guerra, apesar que eu desisti de tudo. Lá em Dragonstone, eu disse a Jon que não queria nada com ele e que meu coração seria apenas seu. E eu cumpri com isso, Robb. Eu juro que nunca mais me permiti nada com Jon e...

—Shh. – Riu ele a beijando na testa – Eu te perdoo. – Murmurou ele e Shiera sentiu-se quase leve. Por que tinham demorado até aquele momento para falar tudo aquilo? Por que precisava estar prestes a perdê-lo para sempre para que se livrassem de toda aquela carga. Robb a olhou nos olhos mais uma vez e ela sentiu o ventre doer. Gemeu de dor e Robb suspirou – Cuide de Jon, Bran e Sansa. Cuide de Winterfell e cuide de nosso filho. – Ele a olhou novamente, com olhos brilhantes, cheios de uma intensidade calorosa – Eu te amo, Shiera. – Disse ele e ela sentiu uma lágrima descer por seus olhos. Robb chorava também. Ele voltou a afagar sua barriga e lhe beijou os lábios. Com carinho e devoção.

O beijou de volta se lembrando daquele garoto irritante que ele fora, lá em Winterfell, a enfadar-se com seus livros, com comentários irritantes. Mas também, com sorrisos bonitos. Com beijos roubados. E com a infância sendo-lhe roubada prematuramente. Viu o menino virar um homem. Viu o jovem juntar um exército e agir como um lorde. O viu ganhar respeito e admiração, nunca perdendo uma batalha que fosse. Viu aquele jovem se tornar um Rei. Bardos cantariam sobre o amor deles por toda a eternidade. Ele passou a beijar seu pescoço e então se curvou para sua barriga. Shiera o ajudou a alcançá-la e Robb sussurrou algo, muito baixinho. Palavras que ela nunca chegou a compreender. E então ele lhe beijou o ventre. Sentiu-se quente. Um calor estranho, vindo dos lábios de Robb. A mão dele a segurava na barriga inchada com firmeza. O beijo dele foi longo e Robb pareceu perder as forças. Suas dores cessaram e Robb escorregou, ficando muito pesado. Tentou segurá-lo, mas ele caiu para o chão lentamente.

—Robb? – Perguntou. Mas ele tinha os olhos fechados, caído no chão, muito frio. Cristais de gelo enfeitavam seus cabelos. Shiera passou os dedos pelo rosto dele e arfou – Robb? – Chamou de novo, mas ele não respondeu. Se curvou sobre ele e deitou a cabeça sobre o peito dele, mas este estava imóvel e não era possível ouvir o coração – Oh, Robb... Por favor, fale comigo... Pois eu te escutaria mesmo se me custasse as orelhas. – Chorou entrelaçando os dedos com os dele. Seu corpo não doía mais. Era como se ele a tivesse curado e lhe dado mais uma chance. Beijou as mãos dele e então os olhos e por fim os lábios – Eu cuidarei dele, Robb. Eu direi o pai e rei corajoso que você foi. Ele terá muito orgulho de ti. Eu juro, meu amor.

Shiera pegou a espada de Robb, retirando o cinto dele. Depois prendeu a espada em volta da própria cintura. Robb parecia quase dormir. Sereno. Tocou sua própria barriga e a afagou. Mirou Robb por mais alguns segundos e então se virou. Precisava sair do bosque e procurar o céu. Assim acharia o sul e rumaria para a Muralha.

Andou sem se esforçar demais, num ritmo tranquilo. Ainda estava absolutamente triste. Não conseguia parar de chorar. Estava tão frio que suas lágrimas congelavam em suas bochechas, por mais que não sentisse realmente frio. Um vento mais forte bateu contra seu corpo e escutou o farfalhar de asas. Se interrompeu, olhando ao redor e diversos corvos pousaram sobre os galhos dos represeiros. Pegou o arco e contou quantas flechas ainda tinha. Apenas sete. Engoliu em seco e preparou um tiro.

—Corra!— Gritou um dos corvos. Em seguida ele foi acompanhado pelos outros, começando um coro que a assustou – CORRA! CORRA! CORRA! CORRA!

Se virou e se preparou para correr quando Robb a encarou. Gritou de susto e ele a segurou com firmeza.

—Robb. Você... Você está vivo? – Perguntou com um sorriso de alívio. Mas ele não tinha expressão. Os olhos dele ainda eram azuis, mas um azul estranho, brilhoso demais. Como os olhos dos Caminhantes. Sentiu um frio na espinha e entendeu o que estava acontecendo – Oh, não... Robb... Por favor. Não. Ele não! – Chorou tentando se soltar. Não tinha como ter colocado fogo nele. Não sabia fazer essas coisas. Ele a puxou com firmeza, com uma força que ela não era capaz de contestar. Ele a arrastou para fora do bosque, deixando os corvos para trás. O arranhou e tentou se soltar. O chutou e gritou, mas ele não pareceu notar o seu esforço. Do lado de fora do bosque estava a imagem de seus pesadelos. Os Caminhantes e os Outros. Os mortos de pé, sem fazer ruído. Os Caminhantes eram três. Estavam montados em aranhas. Eram os mesmos da batalha de antes. Nenhum deles tinha lanças, e ela imaginava que as tinham gastado tentando acertar os dragões – Não. Robb, por favor. Acorde. Não se deixe dominar. Me deixe ir, por favor. – Implorou, mas o morto que a segurava já não era mais Robb. Ele não se importou com seus pedidos. O Rei da Noite desmontou e veio andando calmamente em sua direção. Shiera tentou se soltar, mas foi em vão. Ele a olhou friamente e parou quando estava absolutamente próximo. Robb a segurou pelos pulsos, ficando atrás de si, mantendo suas mãos em suas costas. Shiera engoliu em seco, sabendo que não tinha para onde correr. De nada tinha adiantado a segunda chance que Robb lhe havia dado. O sacrifício dele fora em vão. O Rei da Noite olhou seu ventre inchado e o tocou. Ele deu um sinistro sorriso e Shiera sentiu cada fio de cabelo seu se arrepiar. Ele levou a mão para sua barriga e Shiera tentou recuar, mas Robb não permitiu – Não machuque meu bebê, por favor. Não. Não. Não. – Lamentou ela e ele suspirou. Os olhos gelados dele foram até seu rosto e, contra tudo o que ela jamais teria imaginado, ele a afagou na bochecha de maneira carinhosa.

E então ele falou. Um idioma estranho, que ela não foi capaz de compreender. Ele olhou para trás e os mortos se aproximaram para amarrar seus pulsos e tornozelos. Um deles a colocou na aranha gigante em que o Rei da Noite estava montado e então eles seguiram para o Norte. Com que razão, ela só podia imaginar uma. A história que o Fantasma de Coração Alto tinha contado. Sobre como algo do Norte pegara o corpo de Danny Flint para usá-lo contra a Patrulha da Noite. Contra o Lorde Comandante. Se remexeu, mas não conseguiu se soltar. Olhou para o Sul e lá no longínquo horizonte viu a linha azulada que era a Muralha. Engoliu em seco e fechou os olhos. Como faria para voltar a Winterfell? Como fugiria dali?

**

Edd olhava para a cena sem saber muito bem como reagir a aquilo. Ficou encarando o lobo, que arranhava o portão parecendo aflito.

—Lorde Comandante, o que vamos fazer? – Perguntou Pyp. Edd soltou um lamurioso muxoxo, coçando a cabeça. Era um dos lobos gigantes dos Stark. Sabia que Jon tinha um, mas o dele era branco. Shiera tinha dois, apesar que, um era do marido dela. E o garoto que tinha sido morto na Muralha tinha um todo negro, que tinha sido morto também, inclusive.

—Abram a porcaria do portão. – Disse dando de ombros.

—Mas... Vamos deixar ele... Ir? – Perguntou Grenn, que tinha voltado há pouco tempo do castelo de Atalaialeste do Mar – Como vai voltar?

—Abriremos a porra do portão, SE ele voltar.

—Por que ele quer ir pra lá? Todo mundo quer vir pro lado de cá. – Questionou Pyp e Edd soltou um suspiro.

—Talvez nem todo mundo tenha voltado nas costas do dragão. – Murmurou Edd – Temos algum idiota que sabe ler e escrever aqui? Chamem o Cetim.

—Cetim? – Perguntou Pyp.

—Ele foi intendente do Jon. Ele sabe ler e escrever e é mais inteligente que a maioria dos homens aqui. – Resmungou Edd – Me colocaram como Lorde Comandante, agora tratem de me obedecer, inferno. Eu não pedi por isso.

—Pra quem vai escrever, Edd? – Perguntou Pyp.

—Pra Winterfell, é claro.

**

Sansa se sentou em sua cama sentindo-se cansada. Administrar o castelo não era uma tarefa fácil e sempre fora ruim com os números. Para seu horror, Arya sempre fora muito melhor nisso. Mas ao menos ela tinha dois Meisters para ajudá-la na tarefa. Qyburn e Emyr. Qyburn era muito bom com curativos. Mas Meister Emyr o julgava por ter ido longe demais em alguns estudos. Mas como Sansa permitira que ele ficasse, ainda mais por o ex-Meister ter ajudado Robb quando ele fora capturado, Meister Emyr não criou caso com ele. O aceitou como um auxiliar, sem reclamar.

Mas quem era o responsável pelos corvos era Meister Emyr e Sansa se perguntava se a missão em Porto Real teria dado certo. Conhecia Cersei o suficiente para saber que ela não ajudaria. Mas ficaria mais do que satisfeita caso ela não atrapalhasse o Norte na luta contra os Caminhantes Brancos.

Com um suspiro, se colocou a desfazer suas tranças. Walda estava com ela, pois tinha se tornado sua dama de companhia. Sentia falta de Jeyne Pole, mas nunca mais voltara a vê-la, desde que os Lannister capturaram seu pai, em Porto Real. Walda estava dobrando seu vestido, quando ouviu um bater na porta. As duas se entreolharam e Sansa fez um sinal com a cabeça, indicando que ela deveria abrir a porta. Sem questionar, Walda foi calmamente em direção à porta e abriu. Era Meister Emyr e ele parecia muito cansado.

—Meister Emyr. – Cumprimentou Sansa e Walda saiu do caminho, para voltar a cuidar das roupas da Rainha do Norte.

—Vossa Graça. – Disse o Meister se curvando de leve – Desculpe interromper teu merecido descanso, mas duas cartas de direções diferentes chegaram. Sansa respirou fundo. Seriam notícias de Valerion e de mais alguém. Se perguntou se ele tivera a coragem de cumprir com sua promessa. A de deixar Myrcella e se tornar seu esposo.

—Algo do Sul, imagino? – Perguntou calmamente.

—Sim. De Harrenhal. – Comunicou o Meister e Sansa se levantou com as tranças apenas parcialmente desfeitas. Walda parou ao seu lado, parecendo querer ouvir o que ele tinha a dizer – Lorde Valerion escreveu que recuperou seus dois herdeiros e os levou para Harrenhal. Ele disse ainda que possui um contingente de doze mil homens, entre eles, Lannister, Dorneses e Blackfyre. – Explicou ele – Lorde Valerion deixará parte das forças em Harrenhal e partirá para a Campina, na intenção de juntar mais homens com a ajuda de Sor Loras e de Sor Humfrey. Lorde Tyrion, Mão da Rainha, irá reunir forças nas Terras Ocidentais. Lorde Blackfyre imagina que estará de volta em três meses.

—Tudo isso? – Perguntou Sansa, preocupada.

—A Campina é muito grande, Vossa Graça, e Lorde Mace Tyrell está em Porto Real. Convencer os lordes a irem contra o desejo dos Tyrell não será fácil. No entanto, ele acredita que os Lannister não se arriscarão a nos atacar. Eles devem permanecer em Porto Real.

Sansa concordou com um aceno de cabeça.

—Será mesmo? Boa parte de nossas tropas estão espalhadas por aí. Não seria uma excelente oportunidade para nos atacar? – Perguntou Walda.

—Cersei viu os dragões. – Murmurou Sansa – Ela certamente estará tentando pensar numa maneira de vencê-los.

—Nossos números são muito maiores que os dela. – Disse Meister Emyr – Além das forças de Daenerys, temos a Companhia Dourada, que segue a Jon Connington agora. Além disso temos as tropas Nortenhas, o Vale, os Senhores do Rio e Dorne. Cersei está sem muitas opções.

—Cersei não irá se render. – Insistiu Sansa – Alguma notícia de Myrcella?

—Nada por hora. Mas tivemos outra carta. – Respondeu Lorde Emyr.

—De nossos lordes nortenhos? – Perguntou Sansa.

—Não, senhora. Da Muralha. Um dos lobos apareceu por lá. Queria atravessar o portão e ir para as terras selvagens. O Lorde Comandante disse que era um lobo cinzento e que eles abriram o portão. O lobo correu até sumir de vista. – Sansa piscou achando aquilo uma tolice sem tamanho.

—Seria o lobo de Robb? – Perguntou Walda – Humfrey disse que ele sumiu. Que tinha saído para caçar e que não voltara mais. – Murmurou ela e Sansa deu de ombros. Aquilo não significava coisa alguma.

—Mais alguma coisa, Meister? – Perguntou. O velho senhor negou com a cabeça – Certo. Assim que tiver mais notícias de Lorde Blackfyre, me avise.

**

Jon andou até Daenerys, que observava os arredores, no alto de uma torre. Jon parou ao seu lado e suspirou, mirando a vista da sacada. Anos atrás, seguira Talisa por corredores, vindo parar em alguma daquelas torres. Dentro de um quarto, com uma linda donzela. Lembrava de ter perdido a noção dos limites, se permitindo ser ousado. Chegou a tentar tirar o vestido dela, mas ela não o permitiu. Se lembrou então de outro momento, em outra torre. Logo antes de ser nomeado Lorde Comandante. Quando ele e Shiera passaram a noite juntos fazendo amor.

Afastou aqueles pensamentos, pois era doloroso pensar naquilo. Agora precisava ser forte por Sansa.

—Jon. – Murmurou Daenerys. Ele suspirou e parou ao seu lado – Eu nunca tinha visto um castelo tão grande. – Confessou ela. Jon sorriu se lembrando de algo que lhe disseram há muito tempo atrás, quando ele visitara Harrenhal pela primeira vez.

—Costumava ser ainda maior. – Disse ele e Daenerys o olhou, surpresa – Mas Lorde Haegon Blackfyre, ao reformar o castelo, o demoliu em algumas partes para refazê-lo de novo. Ele o reconstruiu menor. – Informou e Daenerys concordou com um aceno de cabeça.

—Esse é um castelo grande demais para não pertencer a um Lorde Protetor. Farei Valerion Lorde das terras Fluviais. Ele abriu mão de muita coisa e sofreu demais. Perdeu os pais e os irmãos. – Sussurrou ela e Jon ficou cabisbaixo – Aegon o tinha em alta estima, Jon. – Informou ela e Jon a olhou curioso – Sempre falou bem de você.

—Ele a tinha em alta estima também. – Concordou Jon – Falou que tinha grandes esperanças de que você governaria com justiça e honra. – Ele olhou adiante – Que seria uma grande rainha.

—Eu espero estar à altura das expectativas dele. – Murmurou Daenerys e Jon a olhou – Pensou em minha oferta? – Perguntou ela e ele sabia que ela se referia ao casamento. Tinha tomado uma decisão, mas muita coisa tinha acontecido desde então. Precisava falar com ela – Sua irmã Sansa me contou que há muito tempo um rei Stark teve apenas uma filha. Ele proclamou que o filho dela seria seu herdeiro. Ele o nomeou um Stark e o garoto levou o Norte, se tornando rei depois dele. – Explicou Daenerys. Jon concordou, pois já tinha ouvido essa história. Tanto a versão Stark quanto a versão Selvagem dela, já que o pai do garoto era Bael, um rei Pra-lá-da-Muralha – Eu não posso ter filhos. – Disse ela e Jon a olhou curioso.

—Quem disse? – Perguntou ele e Daenerys soltou um suspiro triste.

—Uma bruxa. Há muito tempo.

—Pensei que não acreditasse nesse tipo de coisa. – Murmurou e ela sorriu tristemente.

—Nisso eu acredito, pois estive com outros homens depois da maldição dela e nunca engravidei. – Explicou ela. Jon suspirou, sentindo a tristeza que ela transbordava – Os únicos filhos que eu terei em vida serão os meus dragões e um me foi tirado. – Ela falava parecendo segurar o choro. – Você entende isso?

Ele concordou com um aceno de cabeça.

—Todos nós perdemos algo naquele dia. – Murmurou ele.

—Jon, me escute. – Pediu ela e ele a olhou – Você entende o quanto é importante pra mim que se case comigo? – Perguntou ela segurando a sua mão com doçura – Eu sei que você não quer ser rei. Sinceramente isso é até melhor, porque eu tenho muitas mudanças a fazer no Reino. Muitas coisas que eu quero reformar. E eu não iria querer que meu marido interferisse nisso, mas... – Jon engoliu em seco se lembrando que Valerion falava que seria importante que ele segurasse Daenerys caso ela passasse dos limites, afinal, ela era uma rainha estrangeira – Você é a maior esperança da minha família. Você tem sangue real. Você é filho de Rhaegar Targaryen. – Ela engoliu em seco – Poderemos escolher alguém para que você engravide. Alguém que nos dará um herdeiro com sangue Targaryen e que ensinaremos a ser um bom monarca. Uma pessoa justa, honrada, gentil e corajosa. – Disse ela o olhando com intensidade – Alguém que irá cuidar do reino e levará o nome de nossa família adiante. Você entende isso?

Ele engoliu em seco e pensou em Shiera. Queria não pensar nela, mas simplesmente aconteceu. Daenerys o olhava, esperando alguma resposta e Jon suspirou.

—Eu entendo isso. – Disse ele e Daenerys continuou a encará-lo com ansiedade, sabendo que ele ainda tinha coisas a dizer sobre aquilo. Ele só não sabia por onde começar.

—Você a amava demais, não é? – Perguntou ela e ele concordou – Como a conheceu? – Perguntou Daenerys e ele sorriu levantando o olhar para onde, muitos anos atrás, tendas coloridas foram montadas, para receber o torneio de Harrenhal.

—Foi aos arredores desse castelo. – Disse. E a história daquele encontro começou a escapar de seus lábios, sem que pudesse evitar.

**

Myrcella subiu na mais alta torre da Fortaleza Vermelha. Ele tinha ido embora, levado seus homens e os herdeiros do Trono. Tinha perdido a guerra. Os homens de Daenerys tinham ido embora. Parte das tropas Lannister tinham deserdado. Até mesmo seu pai e sua mãe tinham discutido, porque Cersei queria manter todos os homens em Porto Real, enquanto Jaime queria marchar para o Sul, para enfrentar os mortos. Myrcella não tinha dito uma palavra sobre nada. Não havia o que ser dito.

Sua coroa não iria durar. Caso os mortos vencessem, não teria soldados o suficiente para proteger a capital. Mas caso eles perdessem, Daenerys viria com seus três dragões e seu insuperável exército. Até mesmo seu querido tio a tinha abandonado, se juntando a Valerion. Todos a tinham abandonado. Todos a tinham traído. Ficara sozinha. Subiu na janela da torre e olhou lá embaixo. Sua coroa estava sobre a mesa, com uma carta de despedida. Não sentia que valeria a pena viver. Se uniria a Tommen. Fechou os olhos. Abriu os braços. Pulou. Durou poucos segundos. Não foi capaz de contar até dez.

O chão a acertou com força e então toda a dor foi-se embora.

E assim morreu Myrcella Baratheon, Primeira de seu nome. Rainha de Westeros. Assim se cumpriu parte da profecia de Maggy, a rã:

“O Rei e eu teremos filhos?”

“Oh, sim. Ele dezesseis, e vós três. De ouro serão as suas coroas e de ouro as mortalhas. E quando as vossas lágrimas vos afogarem, o valonqar enrolará as mãos na vossa pálida garganta branca e estrangular-vos-á até vos roubar a vida.”

**

Shiera sacudiu-se quando finalmente a colocaram no chão. Os mortos tinham lhe dado leite para beber, além de carne de corvo crua. Sua barriga remexia-se, enojada e enjoada. Tinha vomitado um pouco e a vontade de ir ao banheiro a atormentara. Mas os mortos marchavam incessantes. Em algum momento, não aguentou segurar e sujou-se, mas os mortos não ligaram para o mau cheiro.

O vento ia ficando mais e mais frio e seu sangue de dragão não foi o suficiente para mantê-la aquecida. Tremia, completamente desconfortável sobre a aranha, mas os mortos a levaram até uma caverna, onde a despiram e a enfiaram em uma nascente de água quente, dentro de um fosso de pedra. Em seguida saíram deixando-a só. Lavou-se da melhor maneira que conseguiu e ficou ali, nua, esperando que algo acontecesse. Meister Luwin, muito tempo atrás, lhe ensinara que higiene íntima era ainda mais importante durante a gravidez. Se tivesse uma infecção, poderia acabar tendo um parto prematuro.

Estava assada, dolorida e de luto. O sacrifício de Robb para salvar o filho de ambos tinha sido sua última prova de amor. Se abraçou dentro da água quente da caverna, sentindo-se solitária e infeliz. Se permitiu chorar um pouco, lavando-se ali, desejando poder voltar no tempo. Quando ainda estava na Muralha. Poderia ter marchado para Last Hearth, o castelo da Casa Umber e se reorganizado lá. Poderia ela mesma ter reunido os clãs das Montanhas e então feito uma aliança com Stannis. E quando Robb voltasse a Winterfell, ficaria sempre com ele e Ned. Salvaria o filho e daria a ele irmãos. Não deixaria Robb atravessar a Muralha e ficaria com ele até o fim de sua vida.

Mas talvez isso significasse que aquela noite na torre da Rainha, naMuralha, não teria acontecido.

Arfou, sentindo-se culpada. No fim, marido e mulher perdoaram-se por suas falhas. Gostaria de ter tido mais tempo com ele.

Ouviu passos e ficou alerta. Era o Rei da Noite quem se aproximava. Os dois trocaram um olhar e ele falou algo naquela língua estranha, mas não foi capaz de compreendê-lo. Então ele tentou de novo, mas era outra língua estranha. Por fim, ele suspirou e se ajoelhou na borda do fosso e lhe estendeu a mão. Ficou imóvel, sem reagir e ele falou novamente, num tom calmo e gentil. Mas de nada adiantou, pois não era capaz de compreendê-lo.

—Eu não sou aquela mulher. Me leve de volta. Eu não sou Danny Flint. – Disse recuando para longe dele. Só conseguia se lembrar das histórias de Coração Alto – Eu não quero ser uma de vocês. Me deixe ir. Eu preciso voltar para Winterfell, por favor.

Ele lhe lançou um sorriso que ela julgou cruel. Ele se esticou e a alcançou, a puxando do fosso com surpreendente facilidade. Fora da água estava absolutamente frio e Shiera estava nua. Escondeu sua nudez da melhor maneira que conseguiu e encolheu-se de medo e frio, ainda presa pelo aperto da criatura. Ele lhe disse mais alguma coisa naquela língua estranha e ela só pode se deixar guiar pelo tom dele. Parecia calmo e gentil, então imaginou que por enquanto estava a salvo. Ele lhe afagou o rosto e desceu a mão pelo seu corpo, como se fossem íntimos. A mão dele pousou sobre sua barriga inchada e ele falou mais alguma coisa. Havia um brilho ambicioso nos olhos dele e ela não gostou nada daquilo.

—Não machuque o meu filho, por favor. – Pediu, apesar de ele provavelmente não entender uma palavra que fosse. A criatura de gelo a puxou, por fim, a guiando para a entrada da caverna. Tinham lhe trazido outras roupas, que tinham uma aparência nobre. Peles bonitas e quentes. Se vestiu, tanto as calças, quanto a camisa. Depois as peles e botas. Um capuz passou a lhe proteger a cabeça e as orelhas. O Rei da Noite a montou em uma outra aranha gigante e montou com ela em seguida. Seu arco, sua espada e a espada de Robb estavam amarrados em couro, sendo levadas por outra daquelas criaturas. – Pra onde estamos indo? O que vai fazer comigo? – Perguntou, tendo medo. Mas ninguém lhe deu uma resposta e, no lugar disso, voltaram a marchar.

Ao cair da noite, luzes coloridas tomaram o céu. Pareciam serpentes de diversas cores, a passear pelos céus numa beleza sem igual. Rosa, verde, amarelo e azul pintavam o céu e Shiera suspirou. Apesar de estar com medo e perdendo as esperanças de algum dia voltar viva para casa, aquele era um lindo espetáculo. O Rei da Noite interrompeu a marcha e a observou. Ele disse mais alguma coisa e apontou para o céu.

—É lindo. – Disse simplesmente e ele adicionou algum outro comentário a isso, antes de continuar a marchar. Estava perto de amanhecer, quando chegaram em um lugar estranho. Podia ver um represeiro ali, mas ele estava visivelmente morto. Não conseguia sequer imaginar como um represeiro poderia ter nascido num lugar tão ao norte. Se aproximaram do lugar e ela notou várias grandes pedras, dispostas seguindo um padrão de uma espécie de espiral. O mesmo padrão dos Represeiros da Ilha das Caras. Sentiu um frio lhe subir a espinha e imaginou que aquele era o lugar onde ele a pretendia levar desde o início – O que viemos fazer aqui? – Perguntou sem muita esperança de receber uma resposta que tivesse algum significado. O Rei da Noite desceu da aranha e a ajudou a descer também. – O que está acontecendo? Não tem nenhum morto que fala a minha maldita língua? – Perguntou ela e o Rei da Noite sorriu o mesmo sorriso cruel da caverna.

Shiera estremeceu sentindo muito frio e muito medo. O Rei da Noite a puxou pelo braço, a guiando para o local estranho. Se perguntou se ele faria algum tipo de ritual estranho com ela. Se iria transformá-la em algo como ele. Engoliu em seco, tentando resistir, mas simplesmente não podia competir com a força dele. Olhando ao redor, viu que outras criaturas como o Rei da Noite se aproximavam. Todos muito parecidos e com aspectos cruéis. O Rei da Noite a colocou no chão, ao lado de um homem que estava amarrado. As outras criaturas a seguraram e a amarraram em uma das pedras e a obrigaram a abrir as pernas. Shiera engoliu em seco, desesperada e o Rei da Noite se ajoelhou a sua frente.

O encarou, temendo pela criança que carregava no ventre. Tinha jurado que protegeria aquela criança e que a ensinaria a ser um bom rei ou rainha. Como poderia cumprir aquela promessa?

—Por favor. Por favor. Eu faço qualquer coisa. Só me deixe voltar para Winterfell. – Pediu ela. O Rei da Noite sorriu e a afagou na barriga, para em seguida pegar um punhal feito de algo parecido com gelo. No mesmo momento se lembrou da lança que acertara Viserion. – Por favor, não machuque meu bebê. Por favor, por favor... – Implorou.

—Shi... Shiera... – Levou um susto tão grande que sentiu seu bebê remexer-se dentro de si. Olhou para o lado, para o homem que estava ali amarrado.

—Aegon? – Murmurou em choque. Seu irmão mais velho suspirou e sua cabeça caiu molemente sobre o peito – O que você fez com ele? – Perguntou raivosa, jogando-se contra o Rei da Noite. Mas ele, permaneceu parado, imóvel. Sem mudar de expressão ele cortou de leve seu braço para que seu sangue quente escorresse pela lâmina. Uma fumaça branca saiu da lâmina quando o líquido rubro a tocou e Shiera prendeu a respiração.

—Onde está o chifre? – Perguntou uma voz feminina. Shiera piscou, em choque, e se virou da melhor maneira que conseguiu, para ver uma mulher de pé, atrás de si.

—Que chifre? Quem é você? O que está acontecendo? – Perguntou angustiada e a mulher, que parecia estar na casa dos cinquenta anos e parecia ter tido uma vida absolutamente difícil, se ajoelhou a sua frente, ao lado do Rei da Noite.

—Eu sou uma mãe e uma viúva que vivenciou a crueldade dos homens. Você a sentiu também. A crueldade deles nos marca para sempre. – Disse ela segurando sua mão, cujos dedos, meses atrás, tinham sido quebrados por Roose Bolton – Nós vamos fazê-los pagar. Todos eles. Até que não haja memória de homem algum sobre a terra. Apenas o silêncio. E a morte.

—Você é um humano. O que pensa que está fazendo? Me explique o que está acontecendo! – Exigiu e a mulher a olhou de maneira sombria.

O vento soprou frio e cortante e Shiera mirou aquela mulher. Seus olhos eram castanhos, seu rosto era enrugado e queimado pelo frio. Seus cabelos eram praticamente cinzentos, com apenas alguns fios escuros. Magra e com um nariz quebrado que parecia ter cicatrizado muito mal.

—Não importa quem eu sou. Só me diga. Onde está o chifre.

—Eu não faço a menor ideia! – Rosnou Shiera – Nem sei do que raios você está falando! Por que está ajudando ele? – Perguntou furiosa e a mulher suspirou. Ela a olhou com um olhar gélido como o inferno – Como pode estar do lado dos mortos?

—Como poderia dar as costas para meus filhos, netos e bisnetos? – Perguntou ela e Shiera franziu o cenho, sem entender – Eles são minha família e a sua maldita Patrulha da Noite nunca mais irá nos machucar de novo. – Garantiu a mulher e Shiera piscou surpresa. Um dos Caminhantes lhe trouxe uma tigela com uma sopa. O conteúdo era marrom, tingido com algo vermelho, como sangue. Seu estômago embrulhou e a mulher misteriosa lhe ofereceu a tigela – Coma tudo, ou mataremos o seu bebê. – Ameaçou ela e Shiera engoliu em seco.

Que os deuses me ajudem...

Notas finais
Sem prévias, porque eu ainda não escrevi XD Beijão!!! =D
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.