Blackfyre

35 O Dragão e a Montanha


Notas iniciais
Olá, amores! Como prometido (quase aos 48 do segunto tempo), mais um capítulo pra vocês! To sentindo que teremos rages hsuahsaus Mas espero que vocês gostem. Próximo capítulo teremos a Muralha. Beijos^^

O Dragão e a Montanha

Seu estômago roncou de fome. O rato podre que lhe deram para jantar estava intocado, como todos os outros. Estava ali, preso, há quinze dias... tempo o suficiente para trazer o Montanha de volta para Porto Real. Margaery e Loras lhe prestaram visitas. Nenhum dos dois acreditando que ele tinha assassinado Joffrey. Os dois estavam convictos que aquilo tinha sido um movimento desesperado para salvar Tyrion. Perguntaram diversas vezes sua razão para ter feito aquilo, mas ele não revelou o que eles esperavam ouvir.

Ele não disse que tinha visto Olenna Tyrell envenenar o vinho, e nem diria, não ainda. Caso contrário as chances de ter a chance de lutar por sua vida seriam menores do que ter a garganta cortada enquanto dormia.

Tyrion o visitara diversas vezes, assim como Oberyn Martell. Oberyn chegou a lhe oferecer ajuda e ele ficou feliz por aceitar.

—Te darei meu melhor amolador de espadas para cuidar de sua lâmina, pequeno dragão. – prometeu Oberyn – Mas tenha cuidado para não se cortar com ela.

Fosse o que fosse o veneno que o príncipe de Dorne pensou em colocar em sua espada, só esperava que causasse um efeito rápido. Tentaria cortar um pedaço que fosse do oponente e então tentaria esquivar do Montanha até que ele se cansasse e se distraísse...

A cada dia que passava se convencia mais e mais que seu pai não moveria um dedo para ajudá-lo.

—Velho filha da puta. – resmungou sozinho... ele ao menos poderia ter vindo para lhe desejar boa sorte... ou talvez ele tivesse fugido com Myrcella, como ele queria que o velho fizesse... assim teria uma boa refém contra os Lannister. Em contra partida, isso significava que ninguém lhe traria comida daquela vez. E estava morrendo de fome.

Estava pensando nos sons famintos de seu estômago, quando escutou passos. Encarou a porta com desconfiança, pegando uma pedra qualquer para se defender, caso fosse necessário... mas era apenas Myrcella e Varys. A princesa vinha vestida de cozinheira, com uma capa marrom sem graça, mas trazia consigo uma adorável cesta cheia de comida. Varys se retirou sem dizer palavra e Myrcella se aproximou enquanto se levantava. Ela o puxou para beijá-lo e ele foi cortês de beijá-la de volta. Se tinha alguém que tinha se empenhado em mantê-lo vivo, esse alguém era Myrcella...

Seria tão mais fácil caso se apaixonasse por ela, pelos Sete Infernos. Mas continuava com os pensamentos em Sansa Stark. E se perguntou se quando a tivesse como esposa... seria tão bom quanto suas expectativas colocavam a situação...? Torcia para que sim... ou tudo seria um grande desapontamento.

—Myrcella... – sussurrou a afastando – Estou morrendo de fome... – lamentou e ela lhe mostrou a cesta.

—Foi tudo o que eu consegui. Carne, linguiça, torta de pombo, queijo, um pouco de cerveja... – disse ela mostrando a cesta – Pão e um creme de ervas muito gostoso. – garantiu ela.

—Você é a Donzela encarnada, meu amor. – murmurou se sentando. Myrcella se sentou em seu colo e foi lhe dando de comer, como se estivessem em um jardim ensolarado e não em uma fétida cela, nas masmorras. Estava tudo muito gostoso, principalmente o creme de ervas, misturado no pão. A cerveja combinava perfeitamente e foi excelente para ajudar a engolir tudo. Quando matou a cerveja, Myrcella tirou uma garrafa de vinho de sua cesta e ele fez uma careta – Eu não sou tão fã de vinho. – confidenciou a ela.

—Por favor, beba comigo. – pediu Myrcella. Valerion concordou com um aceno de cabeça – Quero fazer algo especial hoje. – disse ela suspirando e dando um gole direto do gargalo. Valerion a olhou, curioso e pegou a garrafa quando ela lhe ofereceu.

—E o que seria? – perguntou ele. Ela não respondeu. Apenas acenou para a garrafa com o queixo. Deu um belo gole e Myrcella pegou a garrafa para beber. Apenas quando tomaram tudo, que guardaram suas coisas na cesta. Estava para se despedir dela, quando a princesa o puxou – Vossa Graça? – perguntou confuso. Myrcella sorriu e o puxou novamente.

—Silêncio. – exigiu ela e ele concordou.

Saíram da cela e foram se embrenhando nos corredores escuros das masmorras, cada vez mais longe da saída e dos guardas. Entraram em uma das celas e Myrcella deu alguns tapinhas na parede. Um garoto apareceu e abriu a parede. Valerion olhou aquilo, completamente surpreso.

—Uma passagem secreta? Pra onde leva? – perguntou. Myrcella colocou o dedo em frente aos lábios e ele a seguiu. Andaram por sinuosos corredores e subiram mais de um lance de escada, para então saírem num lugar escondido, num estoque das cozinhas. Myrcella empurrou a pedra para o alto e alguém deu passagem para ela. Saíram do chão direto para as cozinhas e Varys o olhava completamente desconcertado.

—Vossa Graça... ai, ai, ai... – lamentou Varys – Não era isso que tínhamos...

—Isso fica apenas entre eu e você, Varys. – disse Myrcella, pegando um capuz qualquer que tinha ali e jogando sobre a cabeça de Valerion – Venha. – disse ela de maneira autoritária e Valerion suspirou, preocupado, mas não desobedeceu. Myrcella o guiou pelo castelo e os dois foram até a Arcada das Donzelas, onde Daena Targaryen ficou confinada por ordem do marido Baelor I. Se perguntou se os encontros dela com o primo Aegon, que acabaram gerar Daemon Blackfyre, tinham acontecido ali, naquela arcada.

—O que estamos fazendo aqui? – perguntou ele, confuso. Myrcella suspirou, abrindo a porta da arcada e entrando. Valerion a seguiu, desconfiado de onde ela iria querer chegar. Andaram até um bonito quarto confortável, onde Lady Margaery costumava ficar com suas primas, quando não estavam nos jardins. Haviam umas poucas velas apagadas e uma tina cheia de água.

—Acha que tem chance de vencer Sor Gregor? – perguntou Myrcella.

—Sim. – respondeu ele – Tenho um plano. – adicionou. Myrcella se aproximou, o olhando nos olhos. Estava bem escuro ali, a única iluminação era uma vela que Myrcella trazia. A princesa colocou o toco de vela em cima de uma mesinha e então suspirou.

—Um plano melhor do que assumir a culpa pelo assassinato do meu irmão? – perguntou ela. Valerion sorriu sem jeito.

—Eu não achei que meu pai fosse ficar assistindo. Eu realmente achei que ele tentaria me ajudar. – explicou Valerion e Myrcella suspirou novamente.

—Minha mãe acredita que foi você quem matou Joffrey... mas meu avô acha que não foi. Mas ele tem certeza de que você sabe quem é o culpado. – disse ela e Valerion suspirou – Quem envenenou meu irmão, Valerion? – desviou o olhar. Ainda não era hora de dar aquela informação – Eu não amava Joffrey... ele era um monstro, mas... o modo como ele morreu... como ele ficou... foi... foi tão horrível... – suspirou Myrcella e Valerion engoliu em seco – Me diga quem foi, Valerion... foi Sansa?

—Não... – murmurou ele – Sansa jamais faria isso. – disse se afastando da princesa. Myrcella o abraçou por trás e ele a afagou nas mãos – Por que gosta tanto de mim, Myrcella? – perguntou se sentindo péssimo por não corresponder aos sentimentos dela. Myrcella deu a volta para ficar frente a frente e sorriu.

—Não mandamos nos nossos corações, não é? – perguntou ela segurando sua mão. Concordou com um aceno de cabeça – Eu não pude evitar de continuar amando você, apesar de tudo... assim como você não foi capaz de esquecer Sansa Stark. – disse ela, simplesmente. Valerion piscou, surpreso, mas não negou. Apenas suspirou vencido.

—Você sabia, então...

—Desde aquele dia no porto. – concordou Myrcella – Quando fui lhe prestar uma visita. – adicionou ela – Eu sempre soube que você amava Sansa... mas eu sempre tentei ser a única em seu coração... e um dia eu sei que serei. – disse Myrcella – Porque você é meu e eu sou sua. – adicionou ela se afastando e desatando os cordões do corpete.

—Myrcella, não... – murmurou segurando a mão dela.

—Eu quero. – disse ela, decidida.

—Mas... mas é melhor não. Eu nem sei se sobreviverei ao dia de amanhã... não é justo com você.

—Mas eu quero, Valerion. – disse ela, com sua famosa real teimosia.

—Myrcella.

—Eu quero! – insistiu ela – Por favor, Valerion. Eu fui leal a você de maneira que você não foi para comigo. Eu estou indo contra a minha família para te ajudar. – disse ela o olhando nos olhos – Esqueça Sansa. Por essa noite e por todas as outras. O que ela já fez por você? Ela não passa de uma menina boba, sempre precisando de proteção. Eu sou uma princesa. Eu posso protegê-lo. Você só precisa deixar. – disse ela e Valerion engoliu em seco. A princesa desamarrou os cordões e tirou o vestido. Tirou todas as peças de roupas, até que ficasse completamente nua. Parecendo ligeiramente envergonhada, ela se abraçou, esperando pela ação dele.

Talvez fosse morrer no dia seguinte.

Talvez Myrcella tivesse razão...

Mas talvez sobrevivesse... talvez voltasse para Harrenhal... talvez voltasse para Sansa... e então? O que iria acontecer?

Ela está casada com Tyrion... eu o salvei. Ela não pode ser minha enquanto for casada com ele...

—Myrcella... – ele se abaixou e pegou o vestido dela – Eu não posso fazer isso com você. Você merece que... que seja alguém que te ame completamente e unicamente. Eu não sou essa pessoa.

—Eu não vou esperar por essa pessoa. – disse ela – Tudo o que eu terei na vida será um casamento arranjado, para forjar alianças... assim como foi com Joffrey e como vai ser com Tommen. Eu não quero isso. Eu quero você. Seja meu, por favor. – pediu ela o olhando nos olhos. Valerion ainda estava com o vestido dela nas mãos, mas Myrcella puxou o tecido e o jogou no chão. Depois ela desamarrou os cordões de seu surrado calção e tirou suas vestes simples de prisioneiro. Ficou nu em frente a ela, sentindo-se perdido – Venha. Você precisa de um banho. – disse ela o empurrando para a tina. Valerion entrou e notou que a água estava até bastante morna – Eu pedi para Bry me ajudar... – explicou ela e Valerion concordou. Myrcella acendeu as velas com o toco que tinha trago e então lhe lavou os cabelos com óleos perfumados e esfregou sua pele suja e suada com um pano grosso. Quando ela se virou para pegar qualquer coisa, aproveitou para lavar suas partes íntimas, pois não a queria fazendo isso. Não sabia como fazer... estava mesmo com uma dívida para com ela, mas não estava muito disposto a dar a ela o que ela queria... iria magoá-la e gostava o suficiente dela para não querer isso. Logo Myrcella voltou com mais óleos para deixá-lo limpo e quando eles terminaram, ela lhe estendeu uma toalha. Valerion desejou poder cortar os cabelos, que já caíam sobre seus olhos, assim como fazer a barba, que já estava bem grande para seus padrões. Sempre preferira manter o rosto com a barba bem rente... sem falar que estava com piolhos, graças aos seus dias na prisão e não achou que o agradável banho de Myrcella fosse o suficiente para se livrar de todos eles – Venha para cá. – disse ela enquanto ele se secava. Queria que seu corpo não reagisse à nudez dela, mas não foi possível. Se sentiu terrível por estar duro como uma rocha, mas foi inevitável. Ela o estava afagando e massageando, enquanto os dois estavam sós e nus. Não tinha como seu corpo não responder – Pare de ser tão tímido. Venha. – riu ela e ele suspirou, desistindo de se conter. Ela queria. Ele queria... aquilo seria o problema de Valerion de uns dias depois... Myrcella o levou para um tapete macio, cheio de almofadas de veludo – Está um pouco frio, não acha?

Ele franziu a testa.

—Está com frio? – perguntou ele, surpreso, pois estava morrendo de calor.

—Sim... – respondeu ela – Queria acender a lareira.

—Não acho uma boa ideia. Pode nos denunciar. – riu ele e Myrcella concordou com um aceno de cabeça. Ela se deitou no tapete e sorriu.

—Me esquente, então?

Ela tentava parecer muito segura de si, mas quando ele tocou sua cintura, notou que tremia. Valerion engoliu em seco, um pouco ansioso e decidiu falar uma última vez, antes de seguir com aquilo.

—Myrcella. Você tem certeza que é isso o que você quer? E se eu morrer amanhã?

—Então espero que me engravide hoje. – disse ela e ele piscou, surpreso – Assim terei algo seu e meu pelo resto de minha vida. – disse ela tranquilamente – E pedirei a Tommen que o legitime. Não me casarei com outro homem que não seja você, Valerion. Sou sua pra sempre... por favor, seja meu, também.

Ele pensou em Sansa mais uma vez... quando a beijou pela primeira vez, de verdade... aquele beijo antes da batalha de Água Negra, no pequeno bosque sagrado... depois pensou nas noites que fugira para o quarto dela, para se afogar em seus beijos mais doces e gentis... lembrou do dia em que a salvara daqueles brutos que tentaram estuprá-la. Lembrou-se de quando lutou com Sor Meryn e com Cão, para protegê-la de Joffrey. Lembrou do dia do casamento de Tyrion e dela, do quão infeliz se sentiu... então se lembrou que jurara a ela, no dia em que a tirara de Porto Real, que os dois se encontrariam em Harrenhal.

—Eu amo Sansa Stark. Eu sinto muito. – murmurou desviando o olhar do de Myrcella. A princesa bufou, contrariada e se levantou, indo em direção às próprias roupas. Se perguntou se ela iria se vestir e deixá-lo ali e se seria capaz de achar o caminho de volta para a própria cela. Mas então escutou um som de tecido sendo rasgado e isso o fez olhar Myrcella novamente. Ela voltou com um pedaço de tecido e se sentou em seus quadris – Vossa Graça? – perguntou surpreso, com o corpo fervendo pela proximidade dela. Myrcella colocou o tecido em seus olhos e suspirou.

—Talvez essa seja sua última noite aqui, Valerion. – disse ela numa voz sussurrada – Então, essa noite, eu serei a sua Sansa, se é isso o que...

—Myrcella...

—Cale a boca e me deixe falar. – ralhou ela e ele sorriu. Algo nela lhe lembrou Shiera e a própria mãe – Eu quero fazer isso. Mas se você vai se sentir culpado olhando para meu rosto, então não olhe pro meu rosto. Seja dela, essa noite... mas caso você derrote Sor Gregor amanhã... então você será meu. – disse ela terminando de vendá-lo. Valerion não estava disposto a esse compromisso, mas Myrcella selou o acordo beijando seus lábios. A beijou de volta, pois não estava em posição de pensar a respeito.

Deitou-se no tapete e Myrcella deitou-se sobre ele, decidida e confiante. Passeou as mãos pelo pequeno corpo dela. A cintura era tão fina que parecia que poderia rodeá-la apenas com suas mãos. Mas os seios eram firmes, pequenos e macios contra seu corpo. O traseiro dela era firme e redondo, empinado e macio. Os cabelos dela caiam numa cascata de cachos dourados sobre seu rosto. Virou com a princesa, para deitar-se sobre ela e beijá-la da maneira que ela e ele desejavam. Ainda estava vendado, mas decidiu que aquilo era ridículo. Tirou a venda e mirou Myrcella nos olhos. Ela o olhou de volta e os dois se beijaram novamente, por muito tempo, de maneira intensa. Quando seu corpo já não aguentava mais, possuiu a garota de maneira calma e gentil. Myrcella fez uma careta de dor e ele a beijou novamente, para deixá-la confortável, mas logo ela mesma o puxava contra si, querendo mais e mais.

Sabia que precisava descansar para enfrentar Sor Gregor, mas não seria capaz de dormir. Ele e Myrcella passaram toda a noite entre beijos e afagos. Ela parecia gostar do sexo, pois era ela quem o procurava quando estavam descansando. Despejou sua semente nela pelo menos quatro vezes, antes da aurora.

Bry tinha deixado para ele sua roupa para a batalha. Roupas leves e a proteção de couro. Sua armadura estaria a lhe esperar lá na arena de combate, fosse onde fosse. Mirou Myrcella por alguns segundos e apreciou a silhueta dela pela luz amarelada que entrava pela janela. Aquilo tinha sido insensato e iria contra todos os seus planos. Ela deveria ser sua refém, não sua amante, muito menos esposa. Como iria apoiar a causa nortenha agora?

Bufou zangado consigo mesmo e decidiu que havia coisas mais urgentes para se preocupar... saber se viveria para resolver aquela situação, por exemplo. Naquele dia enfrentaria o Montanha. Engoliu em seco e se vestiu. Depois foi até Myrcella e a acordou com gentileza.

—Você precisa ir... – sussurrou para ela. Myrcella se espreguiçou, parecendo cansada – Eu conto com seu favor quando for enfrentar Sor Gregor. – murmurou. Myrcella sorriu e concordou. A princesa se vestiu e saiu, deixando que Valerion tivesse tempo para tirar um breve cochilo. Acordou quando Bry o sacudiu – Bry, espero que tenha trago meu café da manhã... – disse com um sorriso e Bry fungou.

—Eu trouxe, senhor. Coma. – murmurou ele parecendo muito assustado.

—O que houve, Bry? – perguntou tentando parecer tranquilo, por mais assustado que estivesse.

—Eu vi Sor Gregor... ele é um monstro. – choramingou Bry – Você consegue derrotar aquela coisa?

Valerion suspirou, mirando seu escudeiro e sorriu.

—É claro. Eu tenho um plano. – mentiu deslavadamente e Bry suspirou, aliviado.

—Eu torço pela sua vitória, senhor. – disse Bry. Valerion concordou com um aceno de cabeça e comeu seu desjejum com vontade. Poderia ser sua última refeição, afinal. Depois saiu, junto de Bry, para ir até onde o esperavam – Estão todos procurando pelo senhor. Estão falando que fugiu. – disse Bry e Valerion deu uma risadinha – Mas eu chamei os soldados Blackfyre para escoltarem o senhor até a arena. A montaram lá fora. Nobres e plebeus vão poder assistir. É onde aconteceu o torneio da Mão Stark. – explicou Bry.

—E você fez como eu te pedi? – perguntou baixinho. Bry concordou com um aceno de cabeça.

—Sim, senhor. – respondeu ele e Valerion suspirou. Tinha pedido ao garoto para falar com o maior número possível de cidadãos de Porto Real. Com os pobres que ajudara e alimentara, para que eles soubessem que ele enfrentaria a própria morte naquele dia. Esperava ter o apoio e torcida dos de baixo nascimento. Cersei jamais iria subestimar as pessoas comuns novamente... não depois do que acontecera quando mandaram Myrcella para Harrenhal.

—Obrigado, Bry. Lembrarei sempre de sua lealdade. – murmurou Valerion e Bry fungou de novo, limpando um pouco de catarro que escorria de seu nariz com um lencinho – Eu não vou morrer, Bry, fique tranquilo. – disse Valerion, apesar de seu desjejum parecer lutar para sair de seu estômago.

Logo encontraram sua escolta Blackfyre e depois de andarem poucos metros, uma pequena força Lannister apareceu para guiá-lo para a batalha. Seguiu sentindo o coração acelerar, desesperado. Sua mão suava de nervoso, seu peito ia e vinha, acompanhando sua respiração acelerada. Escutou os gritos dos plebeus gritando seu nome assim que deixou o castelo. Eles esticavam as mãos, lhe desejando boa sorte, jogando flores e folhas. Pegou uma rosa vermelha e a levou consigo.

—Lannisters assassinos! – gritou um plebeu.

—Deixem Lorde Valerion! – gritou outro e Valerion sorriu. Lorde Valerion... eu gosto disso...

—Blackfyre! – gritou uma mulher e logo esse grito ecoou por todos os lados, até que Valerion chegasse em seu objetivo – Blackfyre! Blackfyre! Blackfyre! Blackfyre!

Parecia que Porto Real tinha apenas uma voz e essa voz lhe apoiava. Sentiu o estômago se remexer ao pensar nisso. Ele tinha o apoio das massas. Sempre trabalhara para ter o apoio delas. Era um rapaz querido. Que isso pesasse em Cersei, caso ele ficasse gravemente ferido e os Lannisters tentassem livrar-se dele. Que ela se lembrasse da vez que a população enfurecida tinha atacado a todos, quase invadindo a Fortaleza Vermelha.

Ficou de frente à família real, que estava numa tenda alta, montada para seu conforto. O príncipe de Dorne o olhava com interesse, de mãos dadas com Elaria Sand. Cersei estava ao lado de Tommen, que parecia um pouco verde. Tywin o seguia com os olhos furiosos, provavelmente por ele ter conseguido “fugir” de sua cela. Margaery estava lá, junto de Loras e Mace Tyrell.

Mas então olhou para Myrcella e sorriu. Avançou o máximo que conseguiu e se ajoelhou em frente a ela.

—Para você. – disse olhando para ela, colocando a rosa no chão.

Myrcella sorriu e Valerion se levantou, indo para junto de Bry. O garoto o ajudou a vestir sua armadura e Valerion voltou a se sentir nervoso, por mais que Porto Real gritasse seu nome. Percebeu que Cersei olhava o tempo todo para os milhares de plebeus que vieram assistir, preocupadamente. Isso lhe roubou um sorriso cheio de satisfação.

—Vejo que nada abala seu bom humor. – disse uma voz à sua esquerda. Se virou e notou que era Tyrion. Valerion sorriu e concordou.

—Todos eles gritam meu nome. – disse tranquilamente.

—Como saiu de sua cela? – perguntou Tyrion – Os guardas juram que você pegou fogo e saiu voando para fora das masmorras.

—Oras... tem sua resposta, então. – riu Valerion enquanto Bry ajustava suas ombreiras.

—Como fez? – insistiu Tyrion.

—Ora, meu velho amigo. Por acaso não acredita em mágica? – perguntou Valerion e Tyrion suspirou colocando uma jarra de vinho em cima da mesa.

—Um pouco de vinho antes da luta?

—Só se beber comigo. – disse calmamente. Tyrion concordou e os dois beberam uma meia taça, depois de brindar – Pela minha vitória.

—Pela sua vitória. – concordou Tyrion, para então beber mais uma taça – Você acha que consegue vencer?

—Eu espero que sim, ou Porto Real ficará realmente desapontada com os Lannister... – riu travesso – Você deveria ter deixado a cidade.

—Não. Eu precisava estar aqui, apoiando um dos poucos amigos verdadeiros que eu tenho. – disse Tyrion, muito sério e Valerion sorriu, tocado por aquelas palavras.

—Obrigado, Tyrion.

—Eu quem agradeço. – disse ele. Os dois apertaram as mãos e Tyrion o olhou com um significativo olhar.

—Tyrion... caso eu morra... – ele engoliu em seco – Cuide da minha família, está bem? – pediu um tanto abalado.

—Ele não precisa prometer, porque o senhor não vai perder! – ralhou Bry e Valerion respirou fundo. Ele e Tyrion trocaram um olhar e Tyrion concordou com um aceno de cabeça. Foi quando o Montanha entrou – Eu nunca vi um homem tão grande em toda a minha vida. – lamentou Bry, enquanto terminava de ajustar sua armadura.

—Tamanho não vai importar quando ele estiver deitado no chão. – disse Valerion.

—Que os deuses te ajudem... – murmurou Tyrion.

—Está pronto, senhor. – murmurou Bry. Valerion procurou por sua espada, mas notou que havia um dornês ainda passando um pano úmido nela, para “limpá-la”. Veneno...

O Alto Septão veio anunciar o início da disputa, enquanto Valerion esperava que sua espada ficasse pronta.

—Diante de deuses e homens, nós determinaremos a culpa ou inocência deste homem, Valerion Blackfyre. – disse o Alto Septão enquanto Valerion encarava seu inimigo. Nem parecia humano... Sor Gregor parecia algo saído de um terrível pesadelo... – Que a Mãe seja misericordiosa, que o Pai faça a merecida justiça, que o Guerreiro guie a mão dos campeões...

Mas Tywin Lannister fez um aceno com a mão, fazendo com que tocassem as trombetas, interrompendo o Alto Septão. Valerion respirou fundo e o rapaz dornês lhe entregou Dragonblood.

—Valerion. – chamou uma voz de pesado sotaque. Valerion se virou e viu o príncipe Oberyn – Faça-o confessar seus crimes contra minha irmã. Faça-o pagar. – pediu o príncipe – E terá a gratidão eterna de Dorne.

—Não sei como poderia fazê-lo confessar. – murmurou e o príncipe de Dorne sorriu.

—Confie em sua espada... e pressione Sor Gregor. O irrite. O apurrinhe. O deixe puto. – riu ele – E então o faça se arrepender de ter saído do cu da mãe dele.

Valerion concordou com um aceno de cabeça e respirou fundo. Foi quando alguém puxou seu rosto e lhe roubou um beijo. Reconheceu o cheiro da princesa Myrcella e a beijou de volta.

—Eu te amo. – sussurrou ela e Valerion engoliu em seco. Mirou o fundo dos olhos verdes dela.

—Você foi a melhor coisa que me aconteceu em Porto Real. – murmurou de volta e ela sorriu – Espero viver pra... pra te ver sorrir pra mim assim novamente, Myrcella.

Os dois se abraçaram, mas Valerion logo se afastou, mirando Sor Gregor.

—Está pronto, garoto? – perguntou outra voz. Se virou e viu seu pai.

—Finalmente resolveu dar as caras. – ralhou Valerion. Seu pai lhe estendeu um elmo em forma de dragão.

—Derrote-o, Valerion. – pediu seu pai. Valerion suspirou, concordando, e pegando o elmo.

Depois se virou em direção ao Montanha. Engoliu em seco a cada passo dado. Cada metro vencido era mais um grito de Blackfyre vindo da multidão. Ficou frente a frente contra seu oponente. O Dragão e a Montanha. Qual cairia primeiro?

Preciso acertar um golpe... e depois ganhar tempo. Preciso fazer com que ele baixe a guarda.

—Sabe quem eu sou? – perguntou e Sor Gregor avançou.

—Um homem morto! – gritou ele atacando e Valerion desviou com um rápido movimento de pés.

—Meu nome é Valerion Blackfyre. – disse em alto e bom tom – Eu quero trazer justiça a esse mundo! – gritou e esquivou novamente de outro avanço de Sor Gregor – Você matou a princesa Ellia. Você a estuprou, a matou e matou os filhos dela. Os filhos do príncipe Rhaegar! – rosnou e desviou novamente de outro golpe. Acertou com força a espada nas costas de Sor Gregor, mas não foi o suficiente para quebrar a armadura dele – Você a estuprou, a matou e matou suas crianças! – acusou pulando para trás, desviando de mais dois golpes dele. Girou para o lado, deixando Gregor passar direto, para acertá-lo novamente nas costas. A armadura amassou dessa vez, quase cedendo contra a lâmina de aço valiriano de Dragonblood – Confesse! Confesse! – gritou esquivando-se de mais um golpe. Defendeu dois golpes, mas Sor Gregor era forte demais e o derrubou no chão. Rolou para o lado, escapando da pesada espada de seu oponente e o acertou de qualquer jeito nas canelas, desprotegidas de aço. O couro pesado cedeu e quando ficou de pé e encarou sua lâmina, notou que Dragonblood experimentara sangue.

—Cale a boca, maldito. – rosnou Sor Gregor. Ele avançou mais uma vez, mas agora estava mais lento por conta do ferimento na perna. Esquivou-se novamente, e de novo e de novo, depois girou o corpo, indo parar atrás da Montanha, para feri-lo na outra perna. Afastou-se ligeiro, em um pulo e se colocou em pose de combate.

—Confesse. Você a estuprou, a matou e matou os filhos dela! – gritou Valerion. Sor Gregor avançou novamente e Valerion esquivou, para acertá-lo no braço. A cota de malha rompeu, incapaz de conter o golpe de aço valiriano, e o sangue da Montanha começou a pingar para o chão – Confesse! – gritou Valerion, mas Sor Gregor avançou. Defendeu os três golpes dele e esquivou do quarto, para acertar a cintura do homem, mas a armadura foi o suficiente para protegê-lo. Pulou para longe rápido o suficiente para se esquivar de outro golpe e defendeu mais uns três, antes de contra atacar, ferindo o outro braço de Sor Gregor – Você a estuprou, a matou e matou os filhos dela! – acusou e Sor Gregor gritou, num rosnado furioso. Ele o atacou de novo, os golpes ligeiramente mais fracos e bem mais lentos. Valerion sorriu sentindo a esperança de vencer. Mas o último golpe foi subestimado e arrancou seu elmo. Escutou Myrcella gritar, mas logo readquiriu a posição de combate, sentindo um filete de sangue lhe descer pela testa – Você a matou! Você a estuprou! Você matou os filhos dela! – gritou e Sor Gregor avançou de novo.

—Cale a boca! Cale a boca! Cale a boca! – gritou ele, avançando, furioso. Defendeu todos os golpes, se esquivou do último e o acertou com força na coxa, enfiando a espada profundamente ali. Sor Gregor deu um grito sofrido e Valerion arrancou a espada da carne de seu oponente. A Montanha ruiu, sem ser capaz de sustentar seu próprio peso, a coxa sangrando por demasia. Cersei gritou um sonoro “NÃO” e Valerion respirou fundo.

—Eu agradeço aos deuses. – murmurou, antes de ficar atrás de Sor Gregor e fincar Dragonblood na canela menos ferida dele – Confesse! Você a matou! Você a estuprou e você matou as crianças dela. – rosnou atrás de Sor Gregor, que estava de joelhos, bufando muito. Tomou o cuidado de ficar longe dele caso ele conseguisse se levantar. – Tywin Lannister desejou casar Cersei com Rhaegar Targaryen, mas Aerys fez pouco da proposta e casou o filho com uma princesa. Tywin não gostou, não é? Então ele mandou você cuidar dos herdeiros de Rhaegar, não foi? E você cuidou! Você matou a princesa Elia, você a estuprou e matou os filhos dela. – arrancou a espada da perna dele e Sor Gregor se virou com surpreendente velocidade. Sentiu a mão dele em seu pescoço e o ar fugiu de seus pulmões. Escutou Myrcella gritar de novo e viu o olhar enfurecido de Sor Gregor.

—Eu matei as crianças dela! – rosnou Sor Gregor apertando seu pescoço. Sentiu como se seus olhos fossem saltar para fora – Eu a estuprei e então eu... – mas ele se calou. O aperto em seu pescoço afrouxou e Valerion olhou para baixo. Tinha fincado sua espada direto no coração de Sor Gregor.

—A matou. – disse retirando a espada e recuando para longe dos braços poderosos de Sor Gregor Clegane. Ele o olhou, com os olhos vermelhos e cheios de surpresa.

—E a matei... – murmurou ele antes de cair pesadamente no chão. Valerion segurou sua espada e a fincou no pescoço de Sor Gregor, ficando de joelhos e agradecendo aos deuses.

—Eu sobrevivi... – murmurou chocado consigo mesmo.

A população gritou de alegria. Todos gritavam seu nome. Quando ficou de pé, olhou ao redor. Myrcella aplaudia de pé, extremamente feliz, ao contrário da mãe e avô. Tommen parecia completamente chocado. Tyrion gritava de alegria, socando o ar. Oberyn olhava satisfeito e seu pai o encarava como se fosse a primeira vez que o visse de verdade. Pegou a espada Dragonblood e saiu da arena, indo direto para onde a população que gritava seu nome vibrava. Fez uma mesura, os agradecendo e todos gritaram mais eufóricos ainda. Depois voltou até seu pai e o olhou com mágoa.

—Você conseguiu. – riu seu pai – Eu sabia que iria conseguir... – adicionou ele.

—Sabia? – perguntou zangado. – Sabia?!

—Sim, sabia. Eu vi. – riu ele e Valerion cerrou os dentes, fechou o punho e socou o rosto do pai o mais forte que conseguiu.

—Você é um filho da puta! – gritou furioso – Me deixou sozinho, de novo! Você não liga pra nada além de si mesmo! Não venha me bajular! – rosnou enfurecido – Eu nunca mais vou contar com você de novo! – jurou furioso e estava para voltar a seus aposentos, quando foi chamado de volta, para receber o perdão de Tommen.

O pequeno rei jurou perdoá-lo, apesar de não parecer culpá-lo por algo, para início de conversa. Cersei olhava Valerion extremamente furiosa e ele achou sensato se preparar para deixar Porto Real o mais rápido possível. Voltou para seus aposentos, guardou sua armadura e seus pertences. Estava terminando de organizar seus documentos sobre transações comerciais e posses de estoques, quando a porta se abriu e seu pai entrou. Bufou, furioso, e continuou a arrumar suas coisas como se ele nunca tivesse entrado.

—Eu vi o que você fez ontem a noite. – murmurou ele – Eu sei que não fugiu de sua cela. Foi solto... por Myrcella... o que vai fazer em relação a isso? – perguntou ele. Valerion bufou, lembrando-se da noite anterior e se sentindo um cretino – Parece que não sou só eu que aparentemente não pensa nos outros.

—Foi completamente diferente. – resmungou envergonhado. Deveria ter convencido Myrcella a não fazer aquilo... mas tinha sido fraco...

—E permita-me perguntar... ainda devo sequestrar Myrcella? Vai partir o coração da princesa em milhões de pedaços? – perguntou ele e Valerion piscou, com uma ideia lhe ocorrendo. Se levantou e mirou o pai sentindo mais raiva do que nunca.

—Você... você quem ajudou Myrcella a me manter vivo, não foi? – perguntou furioso. Seu pai sorriu, encostando-se na porta – Você sabia que eu não... não iria...

—Não iria dizer “não” caso ela fosse a pessoa a cuidar de você. Sim, eu posso ter ajudado Myrcella nisso... e garantido que você seria leal a ela se lhe roubasse a virtude, afinal você é um bom garoto e não vai deixar a doce menina pagar com a própria reputação pelo crime de ter se apaixonado por você...

Valerion bufou, furioso, e avançou contra o pai, novamente. Mas Lorde Haegon, por mais velho e doente que estivesse aparentando estar, esquivou-se e o jogou contra a porta.

—Seu...

—Cale a boca e escute, Valerion. Eu não passei anos planejando tudo isso, pra manter o reino a salvo, pra você e sua irmã jogarem tudo para o alto em momentos egoístas. Não pense que eu não me importo com vocês. Eu me importo. E muito. Mas eu não posso colocar a vida de vocês acima do reino. O reino merece uma chance para poder se defender. – explicou ele e Valerion rosnou, tentando se soltar – Nunca mais ouse me desafiar, Valerion. Eu te coloquei no mundo... se tem alguém que tem o direito de tirar sua vida... esse alguém sou eu. – Seu pai o virou, para que pudessem se encarar, olho no olho – Eu cresci em Braavos. Abandonado e sozinho. Tive que conquistar meu lugar no mundo. Eu me tornei ninguém e foi assim que eu consegui chegar aqui. Você quer o Trono de Ferro? Então eu vou te dar a primeira lição que um rei deve ter. O reino é sua responsabilidade. Quer ser rei? Arque com as responsabilidades disso, ou só será mais um Blackfyre idiota, levado por uma ambição imbecil, que morrerá sem conquistar absolutamente nada. Entendeu?

Notas finais
EEEEEEEEEEEEEEEEEEEITAAA E agora, heim? XD Vamos para a prévia? "-Robb? – perguntou Jon. Shiera o olhou confusa – Robb, é você?" Veeeege Vejo voês nos comentários. Próximo capítulo sai quarta feira! Mil beijos! Titia ama vocês