Blackfyre

79 Norte dos Lobos


Notas iniciais
Hello, peoples. Espero que não tenham desistido de mim kkkk Desculpem mesmo pela demora. Juro, juro, juro que o próximo capítulo não vai demorar pra ser postado. Ele já está pronto! Quero agradecer a todos os MUITOS comentários que o último capítulo teve. Significou muito pra mim e me ajudou demais a continuar com a história. Confesso que eu demorei demais para voltar a postar porque eu não gostei muito de como a série terminou. Espero que o tio George faça um trabalho melhor. Mesmo que termine do mesmo jeito, que pelo menos seja melhor construído. Já aviso que o fim de Blackfyre vai ser diferente do que aconteceu na série, apesar de uma coisa ou outra se repetir (mas não vou falar o que) Bem. É isso! Espero que gostem do capítulo. Comentem, ok? Beijos. #PartiuLer

Capítulo 79

Norte dos Lobos

Sansa estava aflita, vigiando os céus. Já tinha mais de um dia que Daenerys e Shiera tinham partido nos dragões. Bran não queria nem sair do Bosque, mas Sansa insistira que ele fosse dormir e descansar. Shiera a deixara responsável por Winterfell. Ela era a Stark de Winterfell, já que Bran parecia nem se considerar humano, mais. E tinha tanta coisa pra fazer.

A maior parte dos Lordes já tinha chegado a aquela altura, Loras viera com lorde Karstark. Ele parecia enfraquecido, mas lorde Umber dissera que seu meister certamente teria cuidado bem dele. Agora tanto Sansa quanto Loras pareciam duas sentinelas, vigiando os céus. Robb precisava voltar. São e salvo. Ele, Jon e Valerion. Não tinha ido rezar por eles porque há muito desistira de rezar. Já não acreditava mais em deuses.

—Algum sinal deles? – Perguntou Loras. Sansa negou com um triste acenar de cabeça.

—Mas eles vão voltar. – Disse convicta.

—É bom mesmo. – Disse Loras – Se ele morrer só porque eu não pude ir com ele... – Ele baixou a cabeça – Não estava preparado para o Inverno nortenho. – Suspirou o bonito cavaleiro. Sansa escolheu o silêncio, olhando para cima – Diga-me, princesa. – Pediu ele e Sansa o olhou. Era ainda estranho pensar em si mesma como princesa. Mas era o que era, já que Robb era um rei. Loras pigarreou e sorriu de maneira travessa – Há algo entre Vossa Graça e Valerion?

Sansa sentiu o coração acelerar e se lembrou da noite anterior à partida dele.

—Apenas promessas, afinal, ele está casado com Myrcella.

—Ele não a ama. Apenas era grato a ela, pelo menos até ela enlouquecer. Ele nunca disse isso em voz alta, mas acho que ele torcia para que ela morresse no parto. Ela era terrível com ele. – Disse Loras – O pensamento dele era sempre sobre o Sul. Alguém que não o conhecesse talvez achasse que era preocupação para com a irmã. Mas eu o conheci. Ele te ama, minha senhora. – Disse Loras e Sansa deu um sorriso confiante.

—Eu sei disso.

—E o que sentes por ele? Se não for indelicadeza de minha parte perguntar. – Adicionou ele com uma reverência. Sansa mirou novamente o céu e finalmente viu o que tanto desejava ver. Sorriu, cheia de expectativa e ignorou a pergunta de Sor Loras.

Desceu os degraus de madeira que circundava os muros internos de Winterfell e correu até o pátio. Mas antes que pudesse chegar notou que algo ruim certamente acontecera. Apenas via duas criaturas e não três. Theon logo apareceu ao seu lado, assim que se viu no pátio. Ele parecia ter constatado o mesmo que ela, mas a expressão dele era de ainda mais pesar. O dragão ausente era justamente o dragão que Shiera havia montado. Sansa escondeu a boca com as mãos pensando em Robb. Ele devia estar devastado. Shiera esperava o herdeiro do Norte. O herdeiro dele. Robb perdeu dois filhos? Não. Não pode ser...

O dragão negro pousou e o primeiro a descer das costas dele foi Jon. Ele ajudou Humfrey e depois Tormund a descer. Gendry e Valerion ajudaram a descer um garotinho que se contorcia, amarrado, com um saco na cabeça. E então Daenerys desceu também, parecendo completamente infeliz. Escutou passos apressados e viu Arianne vir correndo. Sansa engoliu em seco, mirando o grupo. Não. Falta Robb. Onde está Robb?

—Aegon? – Chamou Arianne passeando os olhos por eles. Jon engoliu em seco e Valerion se adiantou – Eu tenho uma notícia maravilhosa para ele. Onde ele está? – Perguntou a dornesa, mas não houve resposta. E aquele silêncio tinha um peso imensurável.

—Onde estão Robb e Shiera? – Perguntou Sansa, apesar da resposta ser bastante óbvia – Eles estão com Viserion, em alguma outra missão?

Jon a olhou parecendo completamente infeliz.

—Minhas senhoras. Eu realmente sinto muito. – Murmurou Valerion se abraçando, com a voz falha. Arianne prendeu a respiração. Jon desamarrou uma enorme espada que vinha presa nas costas e parecia prestes a oferecê-la a alguém, quando Valerion o segurou – Ele deu a espada a você, Jon. – Disse Valerion com convicção. Jon mirou a espada parecendo ainda mais infeliz – Aegon morreu como viveu. Com coragem, lutando e protegendo aqueles que lhe eram importantes. – Disse Valerion – Shiera morreu quando os Caminhantes brancos mataram o dragão em que ela voava.

—Não. Não pode ser! E Robb? – Perguntou Theon, aflito.

—Robb morreu também. – Murmurou Valerion e Humfrey se adiantou até Sansa.

—Perdoe-me, Lady Sansa. Eu tentei salvá-lo. – Lamentou ele – Todos viram como eu tentei.

—Ele quase caiu do dragão, pra morrer junto com o rapaz. – Murmurou Tormund – Estávamos fugindo do Rei da Noite quando o dragão virou de uma vez. Quase que eu caí também. Nunca mais quero voar numa besta dessa. – Adicionou ele parecendo absolutamente sincero.

Os lordes nortenhos já vinham se unir ao grupo. Arianne olhou para Daenerys, parecendo desesperada. A morena segurou as mãos da loira, como se suplicasse que ela desmentisse tudo aquilo.

—Diga-me, Vossa Graça. Diga-me que isso é mentira. – Implorou ela – Eu carrego em meu ventre o filho dele. Não me diga que Aegon não estará aqui pra vê-lo nascer.

Sansa piscou, surpresa. Ela estava grávida? Aquilo só deixava toda a situação ainda mais triste. Daenerys abraçou Arianne enquanto os outros Lordes nortenhos se aproximavam.

A criança que eles tinham amarrado se contorcia no chão, fazendo sons grotescos. Sansa olhou para o corpo e notou que não era uma criança. Era metade de um corpo que realmente se movia.

—Onde está Robb? – Perguntou Lorde Jon Umber.

—E Shiera. Onde está a rainha? – Perguntou Lorde Karstark. Sansa respirou fundo e engoliu em seco.

—Mortos. – Respondeu Jon, parecendo infeliz. Fez-se muito silêncio ali e então uma fria tristeza assolou a todos.

—Morreram juntos? – Perguntou Lorde Karstark e Jon concordou com um aceno de cabeça – Ora, os dois se amavam, não poderia ser diferente. – Lamentou ele – Eu sinto muito, Lady Sansa. Lorde Valerion.

—E quem governará o Norte? Brandon? – Perguntou Lorde Umber. Jon olhou para Sansa, mas antes que ele ou ela respondessem, Valerion se adiantou.

—Senhores. Esta é uma noite difícil para todos nós. Poderiam esperar um momento para resolver esse assunto. Amanhã, numa reunião, talvez. Sei que é algo urgente, mas... Eu gostaria que o Norte se permitisse um momento de luto. Há muito o que ser pensado agora.

Sansa engoliu em seco, sentindo-se tonta. Bran não iria querer levar o castelo. E se ele cedesse a posição, a responsabilidade de guiar o Norte seria dela.

—Valerion tem razão. – Disse Daenerys – Vamos todos dormir e descansar. Apesar de termos conseguido a prova que eu exigi e que Cersei precisará ver para aceitar a trégua... o preço foi por demais amargo. Vamos procurar um pouco de consolo em nossas mentes por hoje.

Sansa engoliu em seco e Humfrey a puxou por um abraço. Como se fossem bons amigos e ele quisesse consolá-la. Estava para afastá-lo, quando o escutou sussurrar.

—Preciso falar contigo e com teu irmão Bran, ainda hoje. – Pediu ele. Ele suspirou e a apertou um pouco contra si, para então soltá-la – Eu realmente sinto muito, Lady Sansa.

Piscou meio sem jeito e mirou Jon. Ele já estava indo a caminho do Bosque. Engoliu em seco e deu as costas a todos.

—Theon, cuide dos convidados e guie-os para aposentos apropriados.

—Eu? – Perguntou ele.

—Meu irmão precisa de mim. – Disse Sansa se referindo a Jon. Theon piscou e olhou para o Bosque, entendendo o que ela queria dizer. Escutou Valerion fungar perto de sor Loras, que dava tapinhas no ombro dele. Lidaria com isso depois. Jon era sua família. Correu até o bosque e o escutou gritar.

—POR QUE?!

O alcançou segundos depois. Ele estava de joelhos, em frente ao represeiro. Ele socava o chão, desolado e Sansa sentiu os olhos encherem-se de água. Pensou em Robb e sentiu o coração doer. Era a segunda vez que escutava que seu irmão estava morto. Sentia-se muito só naquele momento e sentia que precisava de Jon tanto quanto ele precisava dela.

—Eu sinto muito, Jon. – Murmurou ficando de joelhos ao lado dele.

—Ele estava do meu lado, no maldito dragão. E eu não pude fazer nada. Ela veio nos salvar, estava lá. Mas eu também não pude fazer nada... – Lamentou Jon – Eu vi os dois morrerem na minha frente.

Sansa abraçou o irmão e o sentiu soluçar em seu ombro.

—Eu sinto tanto, Jon. – Murmurou Sansa, se lembrando da última conversa que tivera com Shiera antes de Robb e os outros partirem para além da Muralha. Sobre ela amar Jon. Será que ele a amara também? Mesmo depois de todo aquele tempo?

Se lembrava de quando apenas era uma tola garotinha. Quando Robb, Theon e Jon voltaram de Harrenhal. Jon estava mais distante e quieto do que o costume. Ela e Arya queriam saber o que teria acontecido. Então Robb contou que Jon conseguira uma armadura e justara escondido no torneio, derrubando cavaleiros e lordes. Ele só foi derrotado por Jaime Lannister, mas foi o mais aclamado da disputa assim mesmo. E quando lhe foi perguntado quem era a mais bela donzela do mundo, ele respondera que era Shiera. Ele derrotara todos aqueles senhores mais velhos, quando tinha mais ou menos uns quinze anos. Sansa ficou encantada ao pensar que ele fizera isso por amor à donzela filha de Lorde Haegon. Ficou sonhando que um dia um cavaleiro do Sul viria e faria o mesmo por si.

Jon arfou em seus braços e chorou sem conseguir se conter. Se perguntou quanto daquelas lágrimas seriam para Robb e quantas seriam para Shiera. Ela, pelo menos ela, deveria ter ficado em Winterfell. Como eu fiquei. Eu também tinha um amado e irmãos correndo perigo. Ela não deveria ter ido. Abraçou Jon com mais força e ele chorou ainda maia alto, completamente infeliz.

—Por que ela foi? – Perguntou Jon – Ela deveria ter ficado aqui, sã e salva. Era o que eu queria. Era o que Robb queria. Ele a viu morrer também. Ele não merecia vê-la morrer. – Jon engoliu em seco, parecendo aflito. Sansa o afagou nos cachos negros e macios.

—Shhhh... – Sussurrou sentindo-se triste – Vamos, Jon. Vamos dormir. Temos muito o que resolver amanhã. Winterfell precisará de você. Para todos os efeitos, você ainda é o filho de Lorde Eddard Stark.

Jon a olhou, ambos ainda de joelhos.

—Winterfell é sua, se Bran não a quiser.

—Pode ser minha, mas vou precisar de sua ajuda, Jon. Não sou uma líder militar. Você sim. – Disse Sansa. Jon ainda parecia um pouco fraco. O ajudou a se levantar e sentiu o peso dele sob seus ombros. Ele parecia ter perdido todas as forças – Vamos, Jon. Nós precisamos nos unir. Precisamos ser fortes. Por Shiera e por Robb. Posso saber lidar com lordes, posso saber administrar um castelo. Mas não sei traçar táticas de guerra e nem sei lutar com espadas. Não sei liderar tropas. Precisaremos um do outro!

Jon respirou fundo e se empertigou. Ele fungou e Sansa tirou um lenço das vestes para secar as lágrimas do rosto dele. Ele parecia completamente desolado, destruído.

**

Valerion estava indo em direção ao Septo, mas sentiu uma mão em seu braço.

Era Humfrey.

—Eu a amava. – Disse ele e Valerion piscou – Sua irmã. Eu a amava. Eu cheguei a pedir a mão dela em casamento. Eu a amava mais do que qualquer coisa nesse mundo. Mas agora nós não temos tempo para isso. Para luto. Eu sei que você teve mais perdas que a maioria. Mas os Sete podem esperar, Valerion. – O olhou enfadado.

—Esperar pelo que?

—A Espada. A Espada do Caminho de Dorne. Ela está aqui. – Disse Humfrey. Valerion piscou, surpreso.

—Não. Nós achamos a espada. Ela ficou com Aegon. Estava quase destruída.

—Não acho. Nós achamos os Filhos da Floresta. Eles disseram que Brandon esteve lá. Brandon Stark. Ele trouxe a espada para Winterfell. – Explicou Humfrey – Os Stark não confiam em mim. Mas confiam em você. Vamos falar com o garoto. – Pediu Humfrey e havia súplica no pedido dele – Eu falei com Sansa, mas não a encontro em lugar nenhum. Então vamos nós dois. Não vamos deixar essa missão ter sido em vão. Ter sido um fracasso. Se Shiera morreu, pelo menos que fosse para que nós tivéssemos sucesso. – Pediu ele.

Valerion engoliu em seco, mas concordou.

—Vamos.

Andaram a passos rápidos, por mais que Valerion desejasse apenas dormir e jamais acordar. Ele era o último. O último dragão negro. Com exceção do bebê ainda não nascido de Arianne. Mas aqueles estavam se mostrando tempos muito perigosos para bebês, nascidos ou não. Pensou novamente em seu filho com Myrcella, mais uma vez se perguntando se haveria algum bebê. Engoliu em seco e decidiu que não poderia esperar muito mais. Assim que o Norte elegesse um líder, ele voltaria para Porto Real. Se precisasse matar Cersei e Jaime Lannister, o faria. Mas não deixaria que mais sangue seu fosse derramado.

Chegaram no quarto de Brandon e Humfrey bateu na porta, apressado.

—Ele não vai abrir a porta pra nós. – Riu o rapaz, abrindo a porta e Valerion o seguiu. Brandon dormia tranquilamente e Valerion o sacudiu com delicadeza, pelo ombro. Os olhos dele se abriram lentamente e ele os olhou parecendo inexpressivo – Olá, Brandon. Lembra de mim?

—Shiera e Daenerys chegaram a tempo? – Perguntou ele com serenidade.

Para alguns, sim.

—Elas vieram ao nosso socorro. – Respondeu Humfrey – Brandon. Quando você estava além da Muralha. Você ficou escondido numa caverna, certo? – Perguntou ele e Brandon respondeu com um aceno afirmativo de cabeça – Foi lá que seu lobo gigante e seu cavalariço morreram? – Perguntou Humfrey e Brandon respondeu em silêncio, mais uma vez com um aceno de cabeça, sem expressar sentimento algum. Ele parecia distante de tudo – Certo. Quando vocês saíram de lá... – Humfrey respirou fundo – Vocês trouxeram uma espada com vocês?

Bran franziu o cenho, parecendo tentar se lembrar.

—Não tenho certeza. – Confessou ele – Mas acho que Meera deve saber responder.

—Quem é... – Começou Valerion.

—Entendo. Perdoe-me por atrapalhar seu sono. Volte a dormir. – Cortou Humfrey se endireitando e o puxando para fora do quarto. Começaram a andar a passos apressados pelos corredores.

—Você vai me explicar quem é Meera?

—Meera Reed. Filha de Howland Reed. – Explicou Humfrey – Foi ela quem cuidou de Bran enquanto ele estava por aí. Ela e o irmão, mas o garoto não sobreviveu. – Humfrey engoliu em seco e Valerion se contentou a andar atrás dele.

—E você sabe onde fica o quarto dela?

—Sei onde fica o quarto de todas as belas donzelas de Winterfell.

—Eu realente duvido.

—Eu tenho uma boa memória espacial, você ficaria surpreso. – Murmurou Humfrey. Andaram até uma porta qualquer, que Humfrey deu duas batidinhas. De maneira muito mais educada do que tinha sido com Brandon, inclusive. Depois de uns instantes Lorde Reed apareceu e pode entender o porquê da educação. Valerion se lembrou dele. Ele era um dos lordes Nortenhos que tinham vindo recepcioná-los pouco antes – Lorde Reed. Perdoe-me pelo horário. Mas é de suma importância que eu fale com sua filha. – Pediu Humfrey e Valerion concordou com um aceno. Lorde Reed, que era um homem muito baixo e atarracado, concordou, recuando e abrindo mais a porta.

—Meera. Esses dois senhores precisam falar com você. – Sussurrou o homem. A menina estava sentada na cama, usando roupas masculinas. Os cabelos eram curtos, na altura dos ombros, com perfeitos cachos castanhos. Ela os olhava com curiosidade, mas o rosto dela também estava marcado por uma tristeza e melancolia que Valerion entendia bem.

—Sim? O que posso fazer por vocês?

—Lady Reed. Por um acaso, quando voltaste das terras geladas além da Muralha. – Humfrey respirou fundo, cheio de expectativas – Por um acaso pegaste uma espada e a trouxeste contigo?

Meera concordou com um aceno de cabeça.

—Podemos ver tal espada? – Perguntou Valerion.

—Claro. Ela está bem ali. – Disse Meera apontando para uma lâmina em cima de uma mesa, próxima à janela. Humfrey quase não esperou que ela apontasse. Num piscar de olhos já estava pegando a espada. Valerion notou que a bainha da espada era absolutamente nova. Mais nova que o punho. Humfrey estudava justamente isso. Ele lhe lançou um sorriso e lhe mostrou o detalhe da extremidade do punho. Era o mesmo desenho que tinham visto na parede da caverna. Um círculo com várias linhas. Humfrey parecia uma criança prestes a abrir um presente especial. Mas o Luto não permitiu que Valerion sorrisse. Humfrey foi retirando a bainha da espada, lentamente, querendo prolongar a expectativa. A lâmina era escurecida, apesar de definitivamente parecer um metal. Ela tinha um brilho muito bonito, apesar de ser escura – Definitivamente não é uma lâmina normal. É do tamanho da minha espada, mas é pelo menos três vezes mais leve. – Garantiu ele – Segure.

Valerion suspirou e o obedeceu.

—Sim. Muito leve. – Concluiu. Humfrey soltou um muxoxo como se desaprovasse sua falta de entusiasmo. Depois tomou a espada de sua mão, para estudá-la mais um pouco.

—Essa espada foi feita para um punho feminino. Ou, pelo menos, para uma mão menor. – Murmurou ele – Lady Reed. – Ele olhou para Meera com uma paixão febril nos olhos – Não sei se teria palavras para explicar-te o quão importante essa espada é.

—Não precisa. Eu imaginei. Levando em conta o lugar onde a encontrei e como ela é diferente. – Murmurou ela – Foi feita pelos Filhos da Floresta, não foi?

—Essa seria minha hipótese. Na verdade. – Humfrey cortou o ar com a espada, avaliando o peso e equilíbrio dela – Minha hipótese sugere outras loucuras mais para essa lâmina. Nossa jornada ao além da Muralha tinha, como um dos objetivos, encontrar essa espada. Mas ela estava aqui, todo esse tempo. Estava aqui, embaixo do meu nariz. – Ele suspirou – Se eu soubesse, baixas poderiam ter sido evitadas. Eu sinto muito pela sua perda, Valerion. – Valerion mirou a lâmina negra da espada e suspirou – Lady Reed. Seria petulância de nossa parte se pedíssemos para que nos cedesse essa espada?

—Vocês do Sul falam muito complicado. – Ralhou ela e Valerion quase sorriu – Levem. Se precisa dela, fica com ela.

Humfrey sorriu embainhando a lâmina, para em seguida fazer uma mesura educada e extremamente formal.

—Meus agradecimentos, Lady Reed. Se conseguirmos dar cabo a toda a tragédia que nos espera, e caso eu viva para ver isso, devolverei a espada. – Prometeu ele e Meera ficou ligeiramente corada.

—Ah, ok... Não precisa se abaixar tanto, sor. – Murmurou ela, pois Humfrey ainda estava curvado. Ele se endireitou e fez uma mesura não tão solene a Lorde Reed.

—Obrigado pela compreensão. Não os importunarei mais. Boa noite.

Humfrey abriu a porta e Valerion quase precisou correr para alcançá-lo.

—E o que você vai fazer agora? – Perguntou Valerion.

—Pedir sua ajuda para convencer Jon Snow a se casar com Daenerys. – Disse Humfrey o olhando com um sorriso cretino.

—Que? Por que? – Perguntou franzindo o cenho.

—Não há mais impedimento para que isso aconteça. E se Jon se casar com Daenerys, o Norte o aceitaria como rei. O reino estará quase todo unificado, faltando apenas os Lannister. Quanto menos lutarmos entre nós, mais chances de sobreviver teremos. – Explicou ele. Valerion suspirou e cruzou os braços.

—Jon não vai estar se sentindo romântico. Ele amava minha irmã.

—Sim, notei. – Disse Humfrey dando de ombros e Valerion piscou, o encarando – Eu os flagrei trocando juras de lealdade no Bosque. Mas o modo como ele olhava Shiera não parecia que era apenas devotado a ela, se é que me entende.

—Hum... – Valerion suspirou – Eles têm uma longa hist....

—Eu estou ciente. – Cortou Humfrey parecendo ligeiramente incomodado. Ele suspirou e mirou a espada – Vou descansar. Meu corpo implora por uma boa cama. Amanhã entregarei isso a Jon. Podemos dizer que conseguimos tudo o que procurávamos além da Muralha. – Disse ele com pesar. Valerion baixou o olhar e pensou nos irmãos – Eu amava Shiera, mesmo que ela não me amasse de volta. Garanto-lhe, meu lorde. – Valerion engoliu em seco. Agora que Aegon estava morto, aquele título parecia absolutamente real. Não era algo que estava fingindo ser. Ele era mesmo. Ele era, incontestavelmente, o Lorde de Harrenhal. A única pessoa que poderia tentar se colocar em seu caminho era Arianne.

—Humfrey. Preciso de um conselho.

—Meu? – Perguntou o rapaz parecendo verdadeiramente surpreso.

**

Estavam no Salão Principal de Winterfell. Os lordes nortenhos faziam muito barulho como sempre. Jon estava sentado no cadeirão que pertencera a Lady Catelyn, tempos atrás. Sansa estava de pé, falando com os Lordes. Eles tinham implorado a Bran que participasse daquilo, mas ele não quis. Deixou claro que não abriria espaço para que o nomeassem Lorde de Winterfell. Então era tudo tarefa de Sansa. Tanto ela quanto Theon pareciam terrivelmente abatidos. Ele mesmo estava absolutamente abatido. Tinha sonhado com Shiera mais uma vez. Sonhara que a beijava naquela floresta cheia de represeiros. Seu pensamento estava distante dali. Seu pensamento estava na Muralha, no escuro, entre prateleiras. Estava na Torre da Rainha em Castle Black, cercado por cachos negros, lábios rosados e cheiro de lavanda. Lavanda e groselha. Estava em Harrenhal, a cavalgar até a orla de uma ilha. Depois pousou em um beijo entre galhos de represeiros.

Amava Robb e sentiria falta dele. Ele era seu irmão. Mas era Shiera quem não deixava seu pensamento. E sua tristeza e saudade eram tamanhas que não sobrara espaço dentro de si para se sentir culpado. Lembrou-se de certa vez, anos atrás, quando dançou com uma Lissandra Rivers. Não precisou de muito tempo para desmascará-la. Engoliu em seco se lembrando do juramento que fizera para ela, antes de se tornar um membro da Patrulha da Noite. Um beijo debaixo do represeiro selara a promessa. Os deuses ouviram e jamais deixariam que ele quebrasse aquele juramento.

Sentiu um peso em sua coxa esquerda e viu que era Fantasma quem colocara a pata ali. Ele o olhava com seus grandes olhos vermelhos. O afagou na cabeça e procurou por Vento Cinzento, mas o lobo não estava ali. O lobo não saía dos portões de Winterfell, olhando para a estrada, à espera de seu mestre. Era triste, mas belo, o amor do lobo por Robb.

Um grito desafiador o fez despertar de seu devaneio. Piscou, procurando pelo dono da voz estrondosa e viu que era Lorde Jon Umber.

—Pois eu digo! Não! Eu jurei minha espada a Robb Stark. Eu aceitei seguir outra pessoa antes, mas não vai acontecer de novo. Foi ao jovem lobo que eu dobrei o joelho. E enquanto eu não ver o corpo dele, não aceitarei que ele está morto e não dobrarei o joelho para outra pessoa.

-Fique à vontade para ir procurar o corpo dele, Lorde Umber. Mas cuidado para não acabar encontrando mais do que espera. – Rosnou Jon. Sansa sorriu, agradecida e Jon se levantou, com um suspiro – Robb está morto. Cabe a nós nos conformar com isso. Temos que lutar com o que temos. E nós temos Lady Sansa.

—Que é casada com Tyrion Lannister. – Disse uma menina de seus aparentes onze ou dez anos. A garota tinha uma cara de que poderia atacar e morder qualquer um que a irritasse – Isso pode nos prejudicar.

—Nós estamos em guerra. Esses são tempos duros. – Disse Maege Mormont, ficando de pé ao lado da menina. Jon imaginou que a menina fosse neta dela – Não duvido de sua capacidade, Sansa. Eu, como mulher, posso dizer que sexo não impede alguém de liderar. Eu segui Shiera até o fim. – Maege suspirou – Mas você não entende nada de guerra. Você pode liderar Winterfell e ir aprendendo sobre essas coisas no devido tempo. Mas não temos tempo. – Maege suspirou – Talvez devesse escolher alguém que lidere o Norte em seu lugar. Eu sugiro Richard Karstark. Ele sempre foi leal à Casa Stark.

Sansa suspirou, parecendo zangada.

—Perdoem-me, meus lordes. – Disse uma voz lá do fundo. Jon o procurou com o olhar. Era Humfrey. Ele estava de pé, ao lado de Valerion, que até ali tinha apenas observado em silêncio. Loras estava lá também, em sua magnífica armadura branca. Daenerys estava ausente, pois fazia companhia a uma desolada Arianne Martell, preferindo não se meter no que os Nortenhos decidissem, mas ele sabia que no final, assim que escolhessem um líder, ela iria pedir que dobrassem o joelho – Mas o que faz com que vossas senhorias pensem que Lady Sansa não sabe ponderar sobre guerras? Até onde tive conhecimento, ela acompanhou e aconselhou Lorde Blackfyre na reconquista de Riverrun. Além disso, ela o resgatou de Porto Real, bem debaixo do nariz da rainha Cersei. – Ele sorriu e fez uma reverência educada para Sansa e os lordes nortenhos miraram Valerion.

Ele não parecia ter prestado atenção.

—Hum? – Perguntou ele.

—Estava falando sobre a habilidade de liderança de Lady Sansa, meu Lorde. – Repetiu Humfrey e Valerion concordou.

—Ela cuidou de Harrenhal melhor do que eu poderia ter feito. – Concluiu Valerion e Humfrey mirou os nortenhos, que trocaram murmurinhos.

—De planos e tramas, Shiera tinha a mão cheia. – Disse Jon Umber – É como Lady Maege disse. Para levar um castelo, não tenho dúvidas que Lady Sansa tenha grande competência. Mas liderar um reino, na guerra. Esses são outros pontos. – Ele deu um passo à frente – Eu me disponho a liderar o Norte. Sempre fui o homem de confiança de seu irmão.

—Tem a cabeça quente demais. – Acusou Lorde Glover – Por isso perdeu os dedos.

—Lorde Karstark é o homem para esse serviço. – Disse Lorde Ryswell. E uma gritaria generalizada começou, com ameaças de ir embora e acusações sobre lealdade açoitando o ar nortenho de inverno. Jon mirou sua irmã, que parecia ligeiramente enfadada. Sabia que Sansa era boa em lidar com um lorde de cada vez. Se ela tivesse tido tempo para conversar previamente com os lordes, não estariam passando por isso. Mas tinha sido tudo muito repentino.

—Senhores. – Chamou Lorde Manderly – SENHORES! – Gritou ele, mas ninguém quis ouvi-lo.

—BASTA! – Gritou Jon, socando a mesa com os dois punhos. E o salão foi silenciando aos poucos – Escutem! Parem com essa bagunça!

Os lordes do Norte pareceram censurados e ligeiramente constrangidos.

—Lobo Branco, Lady Sansa. Se me permitem a palavra? – Pediu o imensamente gordo Lorde de White Harbor, o mais rico senhor nortenho. Sansa concordou com um aceno de cabeça.

—Tem a palavra, Lorde Manderly. – Disse Sansa.

—Isso não é a mesma coisa de anos atrás, quando um menino convocou os vassalos. Isso não é o início de uma guerra. Todos nós devemos lealdade à Casa Stark. Não somos nós quem devemos escolher qual de nós deve liderar. – Ralhou ele sem se levantar – O Norte sempre foi liderado por um Stark. Fosse ele um velho, ou uma criança. Mais de uma vez tivemos um Stark jovem demais na posição de senhor, liderando o reino em momentos difíceis. – Disse ele – Lady Sansa nada fez que fosse digno de desconfianças de nossa parte. A infância lhe foi arrancada há muito. O que vejo ao olhar para ela, não é uma menininha assustada. Eu vejo alguém que conhece parte dos nossos inimigos, melhor que qualquer um aqui. Não devemos olhar apenas para o Norte. Nossos inimigos estão no Sul também. Então, peço aos meus conterrâneos que acalmem os ânimos. – Ele fez uma pausa suave e respirou fundo, com o queixo balançando molemente debaixo de uma parca barba branca – Então diga-me, minha senhora. Acredita que pode ser uma líder militar? Ou acha que não seria a melhor opção? Peço humildemente que deixe o orgulho de lado e pense no melhor para o reino. Mesmo que não acredite que seja apta a liderar o Norte na guerra, Winterfell precisará de alguém competente. Esse castelo irá abrigar tropas imensas no inverno e organizar isso é bastante difícil. E não imagino ninguém melhor que a senhora para lidar com outros castelos e negociar mantimentos. Já vi como fez um bom trabalho nesse âmbito quando Robb estava fora. Preciso apontar-lhe que não haverá como continuar esse trabalho se for seguir o exército. – Lorde Manderly suspirou – Eu não sou um homem de marchar para guerras. Sou velho e gordo, todos podem ver isso. Mas não posso ser subestimado. Sou um excelente administrador. Antes do Casamento Vermelho eu já tinha conseguido construir uma pequena frota para o Norte e não parei de construir navios de guerra. Além disso tenho negociado com Essos mantimentos para o inverno. Não para o meu castelo, mas para outros que precisarem. Não há um homem aqui no Norte que possa questionar minha importância. E caso aponte alguém para levar o reino, saiba que de maneira alguma os homens aqui irão olhá-la com desrespeito.

Sansa fez silêncio por um momento e pareceu pensar sobre aquilo. Então ela levantou a cabeça e mirou os Lordes com atenção.

—Agradeço por sua sabedoria, Lorde Manderly. – Disse ela e Jon não pode deixar de lembrar da Senhora Catelyn. Sansa tinha uma aura de solenidade que parecia esmagar Jon naquele momento. A Rainha do Norte. Firme e forte, como Shiera foi— Eu acredito que não caberá a mim liderar o Norte militarmente. Shiera certamente faria isso, mas essa é uma tarefa que não poderei acrescentar. Mas... – Ela respirou fundo – Eu, como filha de Lorde Eddard Stark e irmã de Robb Stark, creio que a tarefa de apontar um líder que eu julgue digno e competente, me cabe. Tenho certeza que Lorde Umber e Lorde Karstark são experientes e aptos a liderar o Norte, mas ninguém seria melhor para essa missão, ao meu ver, do que Jon Snow. – Disse Sansa e Jon piscou, surpreso, olhando para ela – Jon esteve em todos os conselhos de meu pai, desde criança. Ele cresceu com Robb, ele treinou com Robb. E quando Robb partiu para a guerra, Jon estava na Muralha, enfrentando perigos com os quais só podemos imaginar. Ele protegeu a Muralha de Mance Rayder ao lado de Shiera, ele enfrentou o exército dos mortos. Ele selou uma aliança inédita entre a Patrulha da Noite e o Povo Livre. Ele tem o respeito de ambos. Além disso, tanto Robb quanto Shiera confiavam nele. No cerco às Gêmeas, Aegon Blackfyre, o maior espadachim e general que conheci, deixou Jon responsável por uma das falanges. Jon, mais de uma vez se provou competente nesse quesito e além disso, ele tem sangue Stark. Ele é meu irmão, não importa o que se diga sobre o nascimento dele. Então, Jon. Você aceita a tarefa de ser o líder militar do Norte? Aceita ser o general das tropas de sua rainha? – Perguntou Sansa.

Jon piscou, surpreso e mirou os Lordes. Lorde Umber não pareceu gostar muito disso, mas Lorde Karstark se aproximou e bateu no peito.

—Tem meu respeito e minha lealdade, Lobo Branco. – Jurou ele. Os outros Lordes foram fazendo o mesmo, um após o outro, até que só sobrasse Lorde Jon Umber.

O gigante Lorde de Last Hearth soltou um som parecido com um rosnado e mirou Jon com alguma desconfiança.

—Não seguirei um bastardo.

Os lordes estavam para começar a reclamar e gritar, quando Jon os cortou.

—Ele tem razão. – Disse e todos olharam surpresos para ele – Não sou um Stark. – Juntou o ar para falar o que realmente era, quando Sansa segurou sua mão e o olhou nos olhos.

—É pra mim.

—Oh, que a Velha me dê paciência. – Resmungou Humfrey lá do outro lado do salão e Valerion acabou rindo da explosão dele – Se você não é um Stark, é o que?

Jon olhou dele para Sansa. Sansa o olhava com intensidade. Ela me pede segredo?

—Jon. – Cortou Valerion e os olhares foram todos para ele – Não importa o nome. A Rainha Sansa te nomeou o general das forças dela. E Lorde Umber. Desrespeitar assim as ordens de sua suserana não me parece sábio. Se for desrespeitar a Rainha, eu mesmo irei cortar os dedos que lhe sobraram nas mãos.

Lorde Umber pareceu realmente indignado e sacou a espada. Uma enorme espada que a maioria dos homens são seria capaz de erguer. Tão grande quanto Gelo originalmente fora. Mas de aço, pesado e rústico.

—Não aceitarei ameaças de um garoto Sulista!

—Já derrotei homens maiores que o senhor. – Disse Valerion desencostando da parede e sacando Dragonblood. Loras tinha um olhar assassino e mirava Lorde Umber sem nem mesmo piscar – Eu fui o homem que colocou a Montanha de joelhos. Não sou um reles garoto sulista. Eu sou Valerion Blackfyre, Lorde de Harrenhal. E se o senhor não mostrar o devido respeito à Lady Sansa, eu cortarei mais do que simples dedos do senhor! – Não pareceu uma ameaça vazia e Jon notou que Humfrey deu dois passos discretos para longe de Valerion.

—Lorde Umber, Lorde Blackfyre. – Pediu Sansa. Os dois a olharam – Não é momento para brigar entre nós. Já temos inimigos o suficiente. – Ela respirou fundo e olhou friamente para Lorde Umber – Lorde Umber. Você fez um voto de que seria obediente à minha família. Dobre o joelho e seja honrado. Se for me desafiar... – E Jon escutou um rosnado. Ele olhou para o lado e viu Lady, com os pelos arrepiados. Mesmo sendo a menor da ninhada, Lady ainda era maior do que qualquer lobo comum. E ela estava com os dentes à mostra, perigosa e selvagem, de uma maneira que Jon nunca havia visto antes. Fantasma andou ao lado dela, muito maior e mais intimidador. Mas ele não rosnou. Apenas mostrou os dentes, parecendo prestes a saltar – Espero que tenha alguma sabedoria nas suas próximas palavras, meu Lorde.

Jon Umber mirou Sansa e Jon. Depois mirou Lady e Fantasma, para então sorrir parecendo se divertir.

—E o que você tem a acrescentar sobre isso, Bastardo? – Perguntou ele e Jon seguiu calado – Quieto e perigoso, como seu lobo. Está bem. Nesses termos, se é o que a minha rainha deseja. Não serei eu o Umber a ser acusado de deslealdade. – Ele sorriu de maneira desafiadora – Mas é sempre bom testar essas crianças que tão cedo se tornaram adultas. – Ele olhou para trás, para Valerion e os dois guardaram as espadas – Se você for metade do que seu irmão e do que seu pai foram, ainda é mais do que muitos homens que eu conheço, rapaz.

—O senhor me honra com tais elogios. – Disse Valerion e Lorde Umber pegou três canecas e encheu-as de cerveja.

—Para que não reste dúvidas. Vamos brindar.

Valerion pegou um copo e os dois miraram Jon. Mirou Sansa e ela acenou o encorajando. Então desceu o degrau e foi até Lorde Umber. Os três brindaram os copos e beberam. E foi como se nenhum insulto tivesse sido proferido.

Depois disso Sansa falou sobre as provisões que cada Casa deveria mandar a Winterfell e houve muitos lordes que reclamaram por ter que ceder demais, mas Sansa conseguiu convencer a todos de seus termos. Ela é boa nisso. Pensou a observando. Estava sentado no lugar de honra, à direita dela. Mais do que sequer sonhei. Um lugar de honra na mesa dos Stark. Mas o preço a pagar foi tão caro...

Só desejava que aquilo acabasse.

Depois de discutirem a situação da comida e de mantimentos, Sansa lhe deu a palavra para discutir sobre tropas. Quis saber quantos homens o Norte poderia dispor. Uma quantidade definitivamente insuficiente. Falou com Tormund sobre o número de selvagens, mas mesmo que somasse tudo com as forças da Patrulha, ainda eram números de menos. Não era pessoal nem mesmo para encher os seis castelos em melhores condições na Muralha. Ele tinha colocado pessoal em outros castelos quando ainda era Lorde Comandante, mas apenas o suficiente para que tudo funcionasse o mínimo possível. Não sabia como os Mortos iriam vir. Sua ideia era encher todos os dezenove castelos da Muralha. E caso um lugar fosse atacado, esse castelo convocaria os outros.

—Lorde Valerion. Quantos soldados Harrenhal poderá providenciar? – Perguntou Jon.

—Precisarei refazer uma recontagem e convocá-los em Porto Real. – Disse Valerion – Está na hora de marchar para o Sul e pegar o que é meu. – Disse ele – E gostaria de levar o morto.

—Acho que esse é o momento de ir pedir trégua a Cersei. – Disse Sansa. Valerion concordou parecendo um tanto sem cor – Jon, por mais que o Norte precise de tropas, acho que seria bom que uma boa parte do Norte marchasse a Porto Real. Cersei não aceitará essa trégua facilmente. Ela precisa pensar que não há outra opção.

—E não há mesmo. – Disse Valerion – Se ela causar problemas eu a matarei. – E então todos pareceram ligeiramente surpresos – É melhor, para a segurança dela, que ela não cause problemas.

—Talvez, para evitar desastres, devêssemos pedir uma audiência com ela. – Disse Humfrey se adiantando – Eu posso entrar em Porto Real e ser o mensageiro. Afinal eu sou um Hightower. Loras pode ir comigo, já que é um membro da Guarda Real. Seremos emissários do interesse coletivo. E nossas famílias, pelo menos em teoria, estão apoiando Porto Real. De longe somos as duas pessoas com mais chances de entrar e sair vivas, sem causar rebuliço.

—Você se acha apto para tal missão? – Perguntou Sansa, arqueando uma sobrancelha. Humfrey mirou Valerion por um segundo e então Jon sentiu o olhar dele.

—Se for do interesse de Vossa Graça, sentir-me-ei honrado. – E então ele fez uma profunda reverência, com os olhos baixos. Tinha reparado que boa parte da travessura e alegria dele tinham morrido com Shiera.

Sansa mandou que chamassem Daenerys, que estava nos aposentos de Arianne, e então falaram que era hora de encarar Cersei. Daenerys concordou e Lorde Manderly convidou a todos para o porto de White Harbor.

Quando tudo aquilo finalmente terminou, Jon deixou o salão com toda pressa. Fantasma trotou o acompanhando e Jon o afagou na orelha. A passos apressados foi andando pelo pátio de Winterfell, lembrando-se de seus treinos com Robb. O fantasma dele parecia estar em todos os lugares.

—Jon. Espere. – Chamou Valerion. Interrompeu o passo e viu que Loras e Humfrey também se aproximavam – Precisamos falar com você.

—Olhe. – Mostrou Humfrey, erguendo uma espada qualquer – É a espada que estava na caverna. Estava com Brandon todo o tempo. – Ele a desembainhou pela metade e Jon pode notar o aço negro – Creio que deve ficar contigo. – Disse ele.

Jon engoliu em seco. Longclaw em seu cinto e Blackfyre em suas costas. Já era um fardo pesado demais.

—Já tenho espadas o suficiente.

—Mas... tu es o príncipe que foi prometido. – Disse Humfrey – A lâmina é tua.

—Não. Fique com ela. – Disse olhando para Valerion. O rapaz piscou.

—Eu já tenho Dragonblood.

—Então dê a Sansa. Não sei. Não me importo. Fique você com ela. – Disse para Humfrey.

—Escute. Eu também sofro com a morte deles. – Ralhou Humfrey empurrando a espada contra seu peito – Minha infância foi ao lado dela e foi a minha mão que falhou em segurar Robb Stark. Pegue a maldita espada e faça com que as mortes deles não sejam em vão. É o mínimo que podes fazer. E tu. – Ele olhou zangado para Valerion, que piscou surpreso – Já que tens a Rainha em tão grande estima, vá perguntar a ela o que raios foi aquilo! – Ele afinou a voz e segurou sua mão – Você é um irmão pra mim... Oh, pelas brabas do Estranho. Me poupe. Era o momento perfeito! – Ele jogou as mãos para o alto – Os nortenhos não têm noção das coisas. Jon deveria ter saído coroado daqui e então alguém chamaria Daenerys e ela iria propor sangue e fogo ou uma aliança de casamento. E pronto. Norte e Sul unidos. Mas nãaaaaao. A Rainha do Gelo teve que fazer isso.

—Humfrey. – Cortou Valerion.

—O que?

—Cale a boca. – Ralhou Valerion. O rapaz soltou um suspiro e falou num tom mais brando – Como você está, Jon? – O olhou, surpreso pela pergunta – Saiu quase fugido lá de dentro.

—Imagino que quase tão mal quanto você. – Respondeu e Valerion suspirou.

—É difícil pensar que eles estão mortos. – O rapaz cruzou os braços, olhando para os portões de Winterfell – Eu vi meu pai morto. Eu joguei o corpo dele ao mar, que era como ele queria que fosse quando ele morresse. Mas... Eu não vi nem o corpo de Aegon, nem o de Shiera. – Ele engoliu em seco – Eu queria voltar lá, para recuperar os ossos deles..., mas provavelmente eles já devem fazer parte do exército do Rei da Noite. Rezo aos Deuses que eu não volte a vê-los.

Jon engoliu em seco, lembrando-se de seu sonho. Aegon e Shiera, mortos, com os olhos azuis e a pele como gelo.

—Eu realmente sinto por vossas perdas. – Murmurou Sor Loras Tyrell.

Jon suspirou e mirou o portão, procurando por Vento Cinzento. Mas ele não estava lá. Andou até um guarda e o cutucou no ombro.

—Onde está o lobo do rei? – Perguntou. Fantasma farejou o chão.

—Saiu pra caçar já faz algum tempo. – Disse o guarda, despreocupado – Os lobos sempre fazem isso, mas sempre voltam. Não se preocupe, senhor.

E então Fantasma fez algo que não costumava fazer. Ele uivou.

E Jon entendeu. Robb se foi, assim como Vento Cinzento. Não sobrou nada para ele aqui em Winterfell.

**

Estava sentado em seu quarto sentindo imensa saudade dos dois irmãos. Partiriam na manhã seguinte para Dragonstone, onde ficariam até que Humfrey e Loras fizessem os arranjos para encontrar Cersei. Valerion mirou sua armadura vermelha e engoliu em seco achando-se muito pequeno para ela.

—Sou o Lorde de Harrenhal. Pelo menos até que o bebê de Arianne nasça. – Olhou para o céu claro e estrelado. Serviu-se de mais um pouco de vinho e suspirou, mirando o copo de madeira. Pensou em Myrcella por um momento, mas aquele pensamento não se sustentou em sua mente. Queria saber se seu filho estava bem. Se estava vivo. Seria um menino ou uma menina? E que nome Myrcella teria dado a eles? E se ela não era vista no castelo, se era Cersei quem governava, talvez isso significasse que Myrcella estava morta. Que ele era viúvo.

Mas aquele pensamento não lhe trazia alegria.

Não queria passar a vida com Myrcella, mas tampouco lhe desejava o mal. Deu um gole em seu vinho e suspirou, cheio de pesar. Era coisa demais para perder. O filho, a esposa, os irmãos, os pais. Tudo num breve espaço de tempo. Pensou em Hoster, que morrera de maneira terrível do outro lado da Muralha. Em frente aos meus olhos. Deixei meu irmão para trás naquele túnel, não salvei meu amigo dos mortos e então vi minha irmã morrer quando ela veio me salvar. E nem ao menos recuperei os ossos dela. Engoliu em seco e pensou no pai. Chegou a prever isto, meu pai? Por isso que sempre que falávamos sobre a morte que viria com o Inverno, ficavas recluso? Será que foi por isso que me separaste dos meus irmãos? Me deixando com Stannis, um homem sem gentileza no coração? Por isso me deixaste enfrentar o Montanha, sem oferecer-me ajuda? Porque desejavas que eu aprendesse a seguir sozinho?

Tocou suas costas, que estavam retalhadas pelo açoite. Estava sem a camisa, apenas no calção de dormir. Tocou uma das cicatrizes, onde sua pele era lisa, numa textura estranha. Sentiu o relevo onde a pele sofrera um rasgo. Onde a carne cedera ao contato com o couro afiado. Engoliu em seco, lembrando-se do sorriso gentil do Alto Pardal, antes de ordenar que o torturassem mais um pouco. Lembrou da fome, lembrou do medo, lembrou da sede.

Lembrou de seu pai contando como tivera uma vida difícil. Ele tivera uma irmã mais velha, chamada Visenya. Mas ela morreu quando ele era muito novo e seu pai nunca entrou em detalhes do como. Apenas disse que tinha sido o tio. O tio matara seu pai e sua irmã, mas morrera lutando contra Sor Barristan Selmy. Valerion, então, imaginou seu pai. Completamente sozinho, sem dinheiro. A única coisa que ele possuía eram uns trapos que ficavam enrolados em Blackfyre.

Ele treinou sozinho, foi para Braavos. E então se tornou ninguém. Abandonou o próprio nome. Lá conheceu um garoto chamado Valerion. Os dois treinavam espadas todos os dias. Então recebeu um pedido para que assassinasse o capitão de um navio. Ele e Valerion se candidataram a tripulação. Piratearam, beberam e saquearam com aqueles homens e ficaram assim por um ano. Até que seu pai finalmente matou o capitão e tomou o navio para si. E ele tinha apenas treze anos.

O que eu conquistei aos treze anos? Nada. Absolutamente nada. Se não fosse por Tyrion, provavelmente ainda seria um virgem.

Deu mais um gole em seu copo e sua porta se abriu, sem que batessem antes. Levantou o olhar, achando que só poderia ser Loras. Mas era Sansa e ela entrava com Lady. A ruiva trazia um baú, que parecia relativamente pesado, que colocou sobre sua cama.

Engoliu em seco e notou que ela não vinha disfarçada daquela vez. Não era como aquela outra noite. Estava em frente à Rainha do Norte.

Lembrou-se de Humfrey a dizer que deveria questioná-la sobre Jon. Talvez ela simplesmente não soubesse sobre ele. Suspirou, ficando de pé e fazendo uma mesura.

—Vossa Graça. Não esperava recebê-la. – Murmurou com simplicidade. Sansa o olhou da cabeça aos pés e se aproximou um passo.

—Não vejo sua coroa, Rei Regente. – Disse ela e Valerion suspirou – A perdeu na campanha ao Além da Muralha?

—Não. Apenas a entreguei ao homem que deveria usá-la. Mas me parece que Jon não gosta de coroas. – Explicou e Sansa sorriu para ele.

—Sabe do nascimento de Jon?

—Surpreende-me que tu saibas. – Respondeu. Sansa suspirou e se aproximou ainda mais, desamarrando os cordões da capa que usava. Não uma capa simples de tecido pesado. Mas veludo coberto com pele de lobo cinzento. Lady caminhou até o tapete e andou em círculos em cima dele, antes de se deitar, como se estivesse acomodando-se para passar a noite.

—Jon me contou no dia do casamento de seu irmão.

—Então... Por que não deixou que ele falasse a verdade aos lordes? – Perguntou curioso. Sansa pendurou a capa em uma cadeira. O vestido dela era de um azul profundo, bordado com um lobo prateado. O cabelo dela caía como fogo trançado sobre o vestido e parecia mais brilhante que a chama de sua vela, ou que o fogo que ardia nos archotes. Os olhos dela brilharam, refletindo aquele fogo e Valerion suspirou achando-a magnífica.

—Preciso de Jon aqui. Como filho de Lorde Eddard Stark. Pelo menos até que ele ganhe o respeito dos nossos lordes, caso contrário, irão rechaçá-lo. – Sansa o olhou com intensidade – Nortenhos não se impressionam com nomes e títulos. Muito mais importante são as ações de um homem. Jon já era visto com alguma desconfiança. Muitos o chamavam de o Amante da Rainha. Ele precisa conquistar o respeito deles. E ser o filho de Lorde Eddard é um facilitador. Vale lembrar o que os Targaryen fizeram ao meu avô e tio. E também... poucos irão engolir que Rhaegar não sequestrou Lyanna. Passaram anos ouvindo a versão de Robert, de sequestro seguido de estupro e morte. Ninguém tem os Targaryen em alta estima aqui. Daenerys chegou aqui assustando a todos com três dragões. E ela levou a rainha que todos adoravam e voltou sem ela e sem Robb. Os únicos nortenhos que voltaram foi o bastardo e o selvagem. – Sansa suspirou – Fiz por Jon.

—Eu criei um pequeno monstro. – Riu Valerion, orgulhoso.

—Não se dê tanto crédito. Você apenas me colocou na direção certa. Mas meu crescimento foi por minha conta.

—Não duvidarei disso nem por um segundo, minha senhora. – Murmurou e Sansa sorriu parecendo triste – O que houve?

—Ver você partir de novo. – Murmurou Sansa e Valerion engoliu em seco – E agora para o Sul... para... – Ela suspirou e o tocou no peito. Valerion sorriu e a afagou no rosto – Ela é sua esposa, afinal.

—Sansa. – Respirou fundo e a olhou com carinho – Eu sou Lorde de Harrenhal e você é a Rainha do Norte. Como faremos isso dar certo?

—Não serei rainha por muito tempo. – Disse Sansa – Daenerys ainda tem dois dragões. Não é como se eu pudesse bater o pé e insistir que o Norte será livre. Não vou arrastar quem sobreviver aos mortos numa guerra contra Daenerys.

—Não sabe se Daenerys sobreviverá aos mortos. Eles mataram um dos dragões. O que Shiera estava. Foi assim que ela morreu. – Explicou e Sansa o olhou com solidariedade.

—Sinto muito pelos seus irmãos.

—E eu pelos seus.

—Apenas Robb morreu.

—Não. Arya desapareceu. Rickon foi morto. Bran... O que raios aconteceu com o Bran? – Perguntou Valerion. Sansa suspirou.

—Eu não sei. Mas agora ele tem... visões. – Explicou ela. Sentiu as duas mãos dela sobre seu peito e os dois suspiraram – Valerion.

—Sim?

—Volte pra mim. Não fique com Myrcella.

—Não ficarei.

—Jura?

—Juro. – Respondeu com um sorriso. Tocou a testa com a dela e suspirou – Sou teu, minha amada Lady Sansa.

A viu sorrir e mordiscar o próprio lábio. Sorriram um para o outro e olharam-se nos olhos. O beijo que vieram a trocar foi simplesmente natural. Não era como se houvesse outra opção entre eles. Envolveu sua amada em seus braços e sentiu os dela abraçarem seu pescoço. A afagou na cintura sentindo um fogo selvagem queimar em seu peito. Aquele beijo se prolongou por um bom tempo, afinal nada no mundo era mais doce do que os lábios dela. Mas eram jovens e a juventude é impaciente. Logo suas mãos suplicavam por algo mais do que o toque do veludo escuro que encobria a nudez de sua amada. Logo, os dedos finos dela não se contentaram apenas com seus ombros e com seu peito.

Não queria faltar com o respeito para com ela, mas a compostura logo se tornou inviável. Procurou pelos cordões às costas dela e quando os encontrou e puxou, Sansa não pareceu oferecer resistência. Foi puxando os cordões, querendo ver-se livre deles e quando o vestido se mostrou folgado o suficiente, o puxou para baixo. Sansa o ajudou a se livrar do vestido e logo a teve apenas no vestido debaixo. Suspirou ao vê-la assim e tomou seus lábios novamente. As unhas de Sansa arranharam sua barriga e repousaram sobre seus cordões. Os dedos dela estavam trêmulos, mas desfizeram o nó que prendia a calça.

Valerion sentiu-se livre do aperto, mas a calça não caiu por suas pernas.

—Valerion. – Sussurrou Sansa.

—Minha senhora? – Perguntou arfando, perdido em paixão. Não haveria nada, absolutamente nada, que pudesse recusar a ela. Suas mãos a apertaram nos seios médios e delicados. Macios e empinados como somente os seios de uma donzela poderiam ser. Escutou Sansa soltar um gemido quando afagou com o polegar um dos mamilos, ainda por cima do vestido.

—Quero pedir-te algo. – Sussurrou ela e Valerion engoliu em seco.

—Não há nada que eu possa negar a ti, Sansa. Peça e farei. Imploro apenas que não seja cruel comigo e que não use do amor que tenho por ti como ferramenta para algo injusto. – Disse a olhando nos olhos – Porque temo que não serei capaz de negar-te nada. Mesmo que me peça a cabeça de alguém. – Se ajoelhou diante dela, a beijando na curva do quadril – A senhora, e apenas a senhora, tem a mim e a Harrenhal de joelhos. – Afinal, Jon respondia a ela. Não era uma mentira, no fim das contas.

—Fará qualquer coisa que eu pedir? Mesmo que seja algo desonroso?

—Coloco minha honra em tuas mãos, pois confio que jamais faria com que eu me visse preso a um juramento deste tipo. – Disse sendo absolutamente honesto. Estava rodeado de desgraças e Sansa era o que havia de melhor. Era um sonho de primavera quando preso em um tormentoso inverno. Faria qualquer coisa para evitar de perdê-la.

—Não sou tão perfeita e inocente quanto imaginas, meu senhor. – Murmurou Sansa. Valerion, ainda de joelhos a olhou intensamente.

—Não importa, confio em ti. Mais do que em qualquer um. Não me sobrou mais ninguém além de ti, Sansa.

—Então faremos que haja mais alguém. – Disse ela e Valerion engoliu em seco. Ela estava sugerindo o que ele achava que ela estava sugerindo?

—Como assim?

—Faça-me um filho. Agora.

Valerion piscou, surpreso. Era o que ele tinha imaginado, mas ainda assim era uma grande surpresa.

—Lady Sansa?

—Prometeu que não me negaria um pedido.

—Mas será um bastardo, meu amor. – Murmurou.

—Não. Será minha garantia de que deixará Myrcella e se casará comigo. – Disse Sansa com firmeza – Em breve Jon será Rei. Ele legitimará meu bebê, que se chamará Stark e levará a família. Se não for Jon, será Daenerys. E, caso nenhum dos dois puder fazer isso, eu mesma o legitimarei, como Rainha do Norte. E então, darei um herdeiro a Harrenhal. Podemos ficar viajando de um castelo para o outro, pois entendo que são dois castelos difíceis de administrar. Será assim que faremos. – Disse Sansa com convicção.

Valerion se colocou de pé e pensou em Myrcella. Engoliu em seco e respirou fundo.

—E se meu filho com Myrcella ainda estiver vivo?

—Então terás já um herdeiro para Harrenhal. – Disse Sansa, sem vacilar – Como já te prometi antes, o amarei e criarei como meu, desde que mantenha Myrcella longe de mim. Longe de nós. Desde que seja meu.

Valerion suspirou, pensando em Myrcella. Ela fez muito por mim, mas eu fiz muito por ela, também. Acho que já posso considerar minha dívida paga.

—Minha amada Lady Sansa. Tu me amas?

—Amo. – Respondeu ela o olhando nos olhos.

—Então cederei à tua vontade, porque além de ser tua vontade, é a minha também.

Valerion respirou fundo e abraçou Sansa a beijando novamente. Ela desamarrou o cordão do próprio vestido de dormir e despiu-se dele. Valerion a admirou nua, sob a luz dos archotes. As coxas eram grossas e longas, pois Sansa era muito alta. O quadril era largo e redondo, com a curva da cintura sendo delicada e bem desenhada. Os seios eram maiores dos que o de Myrcella, salpicados por adoráveis sardas aqui e ali. Os mamilos rosados eram um convite para todo tipo de travessura. Sansa tinha um longo pescoço, fino e delicado, alvo e convidativo para beijos. O rosto dela estava muito vermelho e os olhos estavam baixos, evasivos, envergonhados.

Valerion suspirou, pois aquilo era maravilhoso. Toda ela era maravilhosa. Como uma pintura. Engoliu em seco, apaixonado e ardendo em paixão. Entendo porque a Donzela nunca me permitiu esquecê-la. Tem minha gratidão, oh, divindade.

Valerion despiu-se também de seu calção e Sansa o observou. Sentiu os olhos dela o estudarem. Da última vez estava muito escuro, mas naquele momento o quarto estava iluminado. Deu tempo a ela, para que ela se preparasse. Aquele não era um jogo estranho a ele, mas ela era uma donzela. Quando ela finalmente terminou de estudá-lo, para mirá-lo nos olhos, Valerion a levantou pelas coxas e a jogou na cama. A beijou longamente, sentindo a pele quente dela por baixo de si. Sentiu seu membro apertar-se entre sua barriga e a dela e sentiu-se desesperado para selar logo o ato. Mas se obrigou a ter paciência.

As mãos de Sansa pareciam estudá-lo, mas temiam tocar suas costas. Quando ela finalmente o fez estremeceu. A olhou nos olhos e ela fez o mesmo.

—Estou pronta. – Disse ela. Concordou. Se posicionou entre as pernas dela e Sansa fechou os olhos, prendendo a respiração.

—Sansa. – Ela suspirou e o olhou – Não precisa ter medo. – Disse a afagando na perna – Serei gentil e carinhoso. – A beijou carinhosamente a mordiscando nos lábios – Olhe pra mim. – Ela o fez e ele entrou.

O rosto dela se contorceu numa mistura de emoções. Ficou dentro dela sem se mexer, para acostumá-la com seu tamanho. Um gemido sofrido escapou da boca dela e ele sentiu as unhas de sua senhora o arranharem de leve. Começou a sair de dentro dela e o corpo de Sansa se contraiu. Quando voltou a entrar, a boca dela abriu formando um oval perfeito, deixando escapar mais um gemido baixinho. A beijou no pescoço, fazendo aquilo de maneira lenta e contida. Somente quando ela o puxou contra si, arfando e ardendo em desejo, deixou sua paixão ser extravagada em movimentos mais fortes.

As vozes dos dois se misturaram na noite. A cama balançava ao ritmo deles e Valerion notou que o baú ainda estava ali em cima. Mas a cama era grande o suficiente para que ele não atrapalhasse. Respirou fundo, tentando pensar em outra coisa e se distrair. Porque os deuses fizeram homem e mulher funcionarem de maneira diferente durante o sexo. O clímax do homem vinha fácil e rápido. Mas a mulher era como acender uma fogueira. Precisava de tempo, até o fogo firmar e arder de verdade. E ele queria que Sansa experimentasse tudo o que ele poderia oferecer.

Então fechou os olhos, movendo-se ininterrupto, com a voz dela, entregue a gemidos, soando como música em seus ouvidos. Engoliu em seco, quase sem ar, sentindo o suor molhar sua pele, mas de modo algum desejou parar. Mergulhou o rosto no adorável busto dela, diminuindo o ritmo das estocadas, para recuperar algum fôlego e garantir que seu orgasmo não viesse. Sansa o puxou pelos cabelos e ele sentiu o salgado sabor do suor dela. Até mesmo o gosto e o cheiro do suor dela eram bons. Subiu seus beijos até o pescoço da ruiva, para então se colocar de joelhos entre as pernas dela.

Sansa parou de joelhos e o olhou, sem parecer entender. Dobrou as pernas dela, as colocando em seus ombros, mas fazendo com que ela mantivesse as coxas muito juntas. E então meteu-se novamente dentro dela. Sansa arqueou as costas e soltou um grito que provavelmente poderia ter acordado umas muitas pessoas no castelo. Se perguntou se deveria parar, mas não lhe seria lúcido. Escutar o modo como ela se movia e como ela se remexia era maravilhoso. E notou que mesmo que pensasse nas piores coisas, não seria capaz de adiar o momento final por muito mais tempo.

Quando se viu prestes a explodir, a estocou com mais força, quase desesperado, por um momento confuso sobre se os gritos dela eram de prazer ou de dor. Mas naquele momento não havia mais nada em sua mente. Apenas aquele calor imenso. Não conseguiu de evitar de rosnar um gemido e seu corpo tremeu, perdendo a força. Fechou os olhos, tremendo de leve, sentindo leves espasmos. Depois ficou apenas tentando respirar. Pelos deuses... sentiu-se ligeiramente tonto e escutou uma risadinha.

—Você fez uma cara muito engraçada. – Murmurou Sansa. Respirou fundo, sentindo que o Norte tinha ar de menos.

—Fiz? – Perguntou sem fôlego. Sansa se sentou e o puxou para um beijo – Gostaste?

—Sim. Foi ótimo. – Riu Sansa. Valerion sorriu feliz e fechou os olhos. Ótimo. Foi ótimo – Poderia colocar esse baú no chão, para termos mais espaço?

—Certo. Dê-me apenas um momento. – Disse tentando se recuperar. Sansa concordou, mas ele logo se levantou, para rodear a cama e pegar o baú. Assim que o ergueu, sentiu coisas rolarem dentro dele. Coisas pesadas como pedras – O que tem aqui dentro?

—Eram de sua irmã. – Respondeu Sansa. Valerion piscou, surpreso e colocou o baú no chão, para abri-lo. Eram ovos. Ovos de dragão. Ela os trouxera de Harrenhal. Valerion engoliu em seco, mirando os dois. O negro e púrpura o lembrou de Shiera, por conta dos olhos e do cabelo. O pegou primeiro, sentindo que estava quente. Sempre foram quentes, mornos, na verdade. Mas agora tinha a impressão de que estavam mais quentes do que se lembrava. Talvez fosse simplesmente por ter muito tempo desde que o pegara pela última vez. O colocou no baú e pegou o outro. Aquele era o favorito de Aegon. Azul e pérola. O maior de todos era um branco com uma listra dourada, que provavelmente ainda estava trancado no armazém de Harrenhal. Valerion suspirou, mirando aquele ovo. Em teoria, ele pertencia a Aegon. O irmão o conquistara no Torneio de Harrenhal. Certa vez sonhara em competir como um cavaleiro misterioso, como certa vez acontecera em Harrenhal, muito antes dele nascer. Sonhou que ganharia de todos, defendendo a honra da irmã, conquistando Silverfang e aquele ovo. Mas Humfrey o machucara num treino, por acidente. O rapaz estava muito desolado com alguma coisa. Imaginava que ele e Shiera tinham tido um desentendimento. E a tristeza dele fortaleceu o golpe, incapacitando que Valerion competisse. Foi quando ofereceu seu cavalo e armadura a Jon Snow e ele lutara em seu lugar. Justara bem, inclusive, caindo apenas para Jaime Lannister. E pensar que o romance dele com Shiera começara ali. Por conta daquele ovo. Aquele ovo que atraíra até mesmo Lorde Eddard Stark. Valerion devolveu o segundo ovo, que estava igualmente quente. Os depositou no baú e sentiu-se triste, vazio. Só – Gostaria que ficasse com eles. Afinal, eram da sua irmã. – Murmurou Sansa. Valerion fechou o baú, sentindo um enorme peso nas costas.

—Shiera os trouxe pra cá. Deixe-os aqui. – Murmurou Valerion. Sansa piscou, surpresa – Se o inverno for duro por demasiado, e as provisões não forem o suficiente, peça a Lorde Manderly que venda os ovos para trocar por comida.

—Trocar ovos de dragão por comida? Isso é loucura. – Riu Sansa.

—Não podemos comer pedra. E é isso o que essas coisas são. Pedras.

—Pedras quentes. Mesmo aqui, em Winterfell. – Murmurou Sansa – Acho que há magia nelas, Valerion. – Adicionou ela e Valerion negou com a cabeça pensando no pai e nos irmãos. E por último, na senhora sua mãe.

—São apenas pedras. – Disse convicto, antes de se deitar ao lado de sua amada. Sansa puxou as cobertas e os dois se esconderam embaixo delas. Repousou a cabeça no travesseiro, sentindo-se sonolento. Sansa repousou a cabeça em seu peito e logo Valerion estava a escorregar para o mundo dos sonhos. Mas antes que o fizesse, sentiu Sansa tocá-lo de maneira nada comportada – Minha senhora?

—Não tenho sono. – Disse ela com um sorriso.

Vejo que não dormirei muito essa noite. Pensou com um sorriso no rosto logo antes de afogar-se nos beijos dela.

**

O dia seguinte fazia muito frio. Mas o céu estava aberto e não nevava. Arianne desejava voltar para Dorne e Valerion não contestou a palavra dela. Nem Daenerys. A Mãe dos Dragões montou e voou para longe, até sumir nos céus, alegando que os encontraria em Dragonstone. Sansa preparara uma comitiva e Jon, Valerion, Humfrey e Loras prepararam-se para partir. Gendry disse que os esperaria em Winterfell e Tormund tinha partido para a Muralha, a fim de organizar os Selvagens.

Valerion mirou sua amada Lady Sansa por muito tempo, antes de finalmente seguir a comitiva que partiria a White Harbor, junto com lorde Manderly e seus homens. Eram aproximadamente duas mil pessoas e ele achava um número suficiente. Cavalgaram por um dia inteiro, até acamparem num lugar espaçoso, próximo a um rio. Humfrey não estava com a espada que tinham pego com Meera e Jon tampouco. Logo ficou sabendo que Jon a deixara em Winterfell. Mas ele ainda usava Longclaw no cinto e Blackfyre nas costas.

Havia ainda um clima muito pesado pela morte de Shiera e de Robb. Quando estavam ao redor das fogueiras, preparando uma refeição antes de adormecerem, um dos bardos de Lorde Manderly começou a tocar Senhora de Olhos Violetas e o Jovem Lobo. A grande maioria dos nortenhos conheciam a música e acompanharam o canto, com muitos parecendo se emocionar no final da canção. Eles amaram a minha irmã, assim como amaram Robb. Espero que um dia amem Jon. Valerion viu que Jon preferira não ficar com os senhores, se afastando para perto do Rio. Fantasma estava sentado, ao lado dele e era quase tão alto quanto Jon. É o maior de todos os lobos.

Andou até o rapaz e viu que ele parecia pensativo.

—Daenerys veio ter comigo, essa noite. – Disse Jon. Valerion o encarou, parte curioso, parte receoso – Ela quer que o Norte dobre o joelho.

—Cedo ou tarde irá dobrar. Sansa não vai fazer o povo dela lutar contra as forças da Daenerys. Você viu o exército dela.

—Vi. E eu entendo isso. – Jon engoliu em seco – Mas os lordes nortenhos não vão dobrar o joelho para um governante do Sul.

—Vão se a Rainha deles se dobrar. Fizeram isso com Aegon, o Conquistador. Farão o mesmo agora. O Inverno está aqui, não é tempo para batalhas. Eles estarão saindo de várias guerras, não vão querer lutar uma outra.

Jon fez silêncio por um tempo e olhou para o céu estrelado.

—Ela sugeriu que o Norte talvez preferisse dobrar o joelho para outro rei. Um rei de sangue Targaryen e Stark. – Murmurou Jon – E ela relembrou que Harrenhal teria mais apreço por esse rei. Assim como as Terras Fluviais, o Vale. Talvez até a Campina. – Jon sorriu parecendo triste e Valerion suspirou.

—Eu prefiro lutar por alguém que nasceu e cresceu aqui. Que já me provou sua força, valor e coragem... do que por uma rainha estrangeira.

Jon engoliu em seco e mirou mais uma vez o céu.

—Ela entende que agora, um casamento comigo parece ainda mais promissor do que antes.

—Ela refez a oferta? – Perguntou, surpreso. Daenerys não parecia do tipo que pedia a mesma coisa mais de uma vez. Jon concordou com um aceno de cabeça.

—De certa maneira. Caso eu não concorde, ela acredita que eu viria a me tornar uma ameaça. Mas caso eu concorde, seríamos uma aliança forte. Eu protegeria Sansa. – Jon soltou um suspiro – Conversei com Bran, ontem à noite. Ele falou que viu o momento em que eu nasci. Quando minha mãe me entregou a Lorde Eddard e pediu que ele cuidasse de mim. – Jon suspirou – Meu verdadeiro nome é Aegon Targaryen.

—Certamente tem um som melhor que Jon Targaryen..., mas eu até que gosto de Jon Snow. – Riu Valerion – Então... você vai aceitar se casar com ela?

Jon baixou o olhar, parecendo triste, mirando os próprios sapatos.

—Sua irmã está morta... eu a amava.

—Tenho escutado isso com alguma frequência... – Murmurou.

—Bem... – Jon engoliu em seco – Shiera está morta. Se for o melhor para o reino... – Jon suspirou e engoliu em seco – Decidimos que será depois de derrotar o Rei da Noite. Se o derrotarmos.

Valerion colocou a mão no ombro de Jon e suspirou.

—Iremos derrotá-lo. – Garantiu Valerion – E então você será o rei do Trono de Ferro.

—Ela será a Rainha do Trono de Ferro. – Disse Jon.

—Vocês dois serão. Você precisará ajudá-la a entender como as coisas funcionam por aqui. Você soube o que ela fez em Astapor, Yunkai e Meereen.

—Talvez seja isso o que Westeros precisa. Algo novo. Uma mudança. Para melhor.

—Entendo, Jon. Mas saiba que muito sangue foi derramado para que Daenerys mudasse as cidades velhas. Não acha que Westeros sangrou o suficiente? – Perguntou calmamente – Você, como esposo e rei, terá a obrigação de ser o contrapeso dela. Não sabemos se essa mulher é louca como o pai dela foi. – Valerion suspirou – Reger um reino não é fácil. Acredite. Eu fiz isso por um tempo. Sempre sonhei em ser rei. Mas precisou ficar um mês naquela maldita cadeira para que eu nunca mais desejasse me sentar lá de novo.

Jon suspirou e concordou com um aceno de cabeça.

—Farei o melhor para as proteger as pessoas.

—Acredito que sim, afinal. Você é o escudo do reino. – Disse se referindo aos votos da Muralha.

—Minha Patrulha acabou. – Discordou Jon.

—Quando se tem responsabilidades como as nossas, Jon, ela nunca acaba.

Em uma semana chegaram em White Harbor. Em três dias chegaram em Dragonstone, pois o tempo estava excelente para viajar. Humfrey e Loras navegaram até Porto Real, na intenção de falarem com Tyrion. Valerion notou que Daenerys pedia que Jon andasse muito com ela. Viu que ela procurava conhecê-lo e Jon confidenciou que era exatamente isso.

—Ela parece ter bom coração. – Disse Jon e Valerion sorriu.

—Sim. Pude vê-lo admirando o bom coração dela. – Brincou e Jon bufou.

—Não temos tempo pra isso.

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Valerion de ombros.

No dia seguinte, Humfrey e Loras voltaram a Dragonstone.

—Está tudo certo. – Disse Humfrey – Cersei concordou em nos receber para acordar ou não a trégua. – Humfrey, Jon, Valerion e Loras miraram o continente.

—Como se sente voltando para Porto Real? – Perguntou Loras.

—Não sei como responder. – Disse Valerion.

—Bem. Tenho uma notícia que talvez te anime. – Riu Humfrey. Mas havia uma ponta de cruel malícia no sorriso e no olhar dele. Valerion o olhou, curioso – Myrcella está viva, assim como seus dois filhos. Gêmeos. Um menino e uma menina. Parabéns, meu jovem. – Riu Humfrey lhe dando três tapinhas no ombro.

Valerion suspirou e baixou o olhar. Aquilo poderia deixar as coisas um tanto quanto complicadas. Mas não mudava seu plano. Ele iria ficar com Sansa. Se Myrcella ainda estava louca, ele levaria as crianças com ele, para Harrenhal.

Notas finais
Yei! Valerion e Sansa finalmente aconteceu pra valer. Agora vamos torcer pro princeso não dar pra trás não é? Vamos para umas prévias? "Respirando fundo, andou até seu esposo. Valerion a olhava temeroso. Ficou de frente para ele e ele a afagou no rosto, para então puxá-la para um abraço. —Pelos Sete, Myrcella. Cheguei a pensar que estavas morta. Nem uma palavra ou notícia ouvi de ti. – Lamentou ele e Myrcella engoliu em seco, o abraçando de volta." Os dois vão se reencontrar, finalmente hohohohoho "-Myrcella. – Valerion a olhou. Sua mente era uma confusão. Ainda estava com o morto rosnante em mente – O Reino já sangrou demais. Eu recomendo que dobremos os joelhos. Daenerys perdoará sua família. —Perdoará? – Riu Cersei – Pelo que? – Perguntou ela com um sorriso cínico." E, por último: "-Não se preocupe, querida. Não vim por você. Vim pelas crianças. – Disse Oberyn Martell se aproximando um passo. De imediato Lady Merrywater estendeu Daena. —Então tome." TIA VÊNUS, PARE DE MATAR CRIANÇAS!!! Quais suas apostas para o próximo capítulo? E, mais importante... Que coisas que aconteceram na série vocês querem ver adaptadas aqui para a fic? Só preu ter uma noção mesmo. Beijos, queridos leitores. Titia ama vocês!