Blackfyre

25 Nas Garras Dos Leões


Notas iniciais
A esperança é a última que morre! Advinha quem voltou?! Meu amigo achou o HD e Blackfyre está de volta depois desse longo hiatus. Sem delongas! Aqui vai o capítulo!!!

Nas Garras dos Leões

Quando a aia passou a esponja por suas costas suadas fechou os olhos. Respirou fundo sentindo as mãos suaves e macias esfregarem sua pele cheia de hematomas. Sempre fora um garoto vaidoso e nunca tivera bons parceiros para treinar. Mas agora os tinha. Loras e o irmão mais velho, Garlan. Apanhava bastante dos dois nos treinos de espada e de justa, mas não se importava. Queria que sua perícia com a espada fosse tão boa quanto sua perícia com as palavras. Sentiu os dedos finos da aia alisarem seus cabelos sedosos e isso lhe arrancou um sorriso.

—Seus cabelos são mais macios do que os de qualquer outra donzela que eu já tenha conhecido, meu Lorde.

—Não sou um Lorde. – riu baixinho.

—É um membro do Pequeno Conselho, então devo tratá-lo como um Lorde. – bajulou ela lhe massageando o pescoço. Os dedos dela passearam por seus ombros e então desceram por seu peito. Quando ela seguiu descendo a mão, a segurou com firmeza no pulso – Meu lorde?

—Nunca tinha visto uma aia com as mãos tão macias. – murmurou ele a olhando com um sorriso travesso. A aia não corou. Tinha os cabelos cor de fogo e os olhos azuis, com um sorriso doce e travesso.

—Talvez não tenha visto tantas aias? – sugeriu ela. Valerion sorriu.

—Olhe pra mim... eu já vi muitas aias. – disse a olhando travesso – Aias, filhas de lordes, camponesas e putas. Muitas putas. E todas elas tinham as mãos como as suas. – disse astuto e o sorriso dela vacilou enquanto ela o mirava parecendo surpresa – O que Lorde Baelish deseja... Ros?

A puta sorriu, enquanto se erguia, parecendo ligeiramente surpresa.

—O senhor parece muito bem informado. – disse ela dando a volta em sua tina e Valerion sorriu, com os braços apoiados na borda da tina onde se banhava.

—Eu sou um membro do Pequeno Conselho. Eu preciso ser bem informado. – disse casualmente – Mas novamente, o que Lorde Baelish deseja?

Ross suspirou e se sentou em sua cama.

—Apenas que eu fique de olho em você.

Ela me acha um jovem estúpido?

—Sabe, Ros... eu não gosto que mintam pra mim. As pessoas devem ser honestas umas com as outras em um relacionamento. – disse tranquilamente e ela o olhou surpresa.

—Relacionamento?

—Claro. – se levantou da tina e ela o observou caminhar até o roupão que estava pendurado em um cabide – Eu ouvi bastante sobre você.

—Hoster Rivers. – suspirou ela como se entendesse. Esperta.

—Sim, Hoster Rivers. Somos bons amigos, ele e eu. – riu Valerion pegando um figo na fruteira – Você é esperta. Gosto disso. – adicionou calmamente – É esperta o suficiente para saber que Petyr não valoriza você, não é? – Valerion pegou a fruteira e caminhou até a ruiva, que o olhava analiticamente – Sabe que ele não vê você como algo maior do que um reles objeto. – ofereceu a fruteira para ela e ele pegou um pêssego. Mordeu seu figo, apreciando o sabor doce e a olhou esperando uma resposta. Ros suspirou e girou o pêssego em seus dedos.

—Sei que ele não é um homem que se deva trair. – murmurou ela.

—Não... ou ao menos não é um homem que deva descobrir que foi traído. – riu ele. Ros o olhou relutante – Eu teria usos melhores para você, minha senhora. – disse gentilmente – Poderia vê-la como uma parceira, uma sócia... e não um objeto, algo que eu possa usar e então jogar fora. – ele suspirou – Alguém na sua posição poderia me revelar bons segredos. – adicionou calmamente desejava a chance de conversar com aquela mulher desde que puta favorita de Robert, Megan, falara sobre ela. Ros desviou o olhar, parecendo preocupada – Pense nisso. – disse indo até a porta – E chame meu escudeiro. Preciso que ele me ajude a me arrumar. Tenho uma reunião no Conselho em alguns minutos.

Ros se levantou e suspirou. Quando estava para abrir a porta para ela, a mulher parou.

—Que tipo de parceria sugere? O quão protegida eu estaria? – perguntou ela, curiosa.

—Estaria protegida por mim. Não é o suficiente?

—É? – questionou ela – Eu não sei. – rebateu ela se retirando de seu quarto.

Deu de ombros e foi se vestir. Logo seu escudeiro apareceu. Um menino magrelo, que conhecera no porto. Filho de um dos muitos que tinha ajudado. Um rapaz esperto, moreno, olhos castanhos, cabelos escuros e lisos. No momento ele estava careca, pois antes estivera cheio de piolhos. Tinha seus dez anos e era magro e baixo, com um dente que ainda estava nascendo. O garoto o olhava com extrema devoção, pois com o dinheiro que recebia sendo seu escudeiro, podia manter a família e ainda tinha a esperança de consagrar-se cavaleiro um dia.

Cersei e Joffrey detestavam o garoto e debochavam por seu baixo nascimento. Joffrey chegara a dizer que ele seria o Cavaleiro das Pulgas, um dia. Mas o menino, de nome Bry, não se importava. Seu maior receio era que ele fosse um dos passarinhos de Varys, mas estava quase convencido que não era. O tinha conhecido no Porto, quando ajudara a família dele a ter o que comer. Os passarinhos de Varys, até onde sabia, eram órfãos.

Bry o ajudou a se vestir, lhe aparou a pequena barba que estava lhe cobrindo o maxilar, lhe entregou seu broche em forma de dragão negro. O garoto o olhava com profunda admiração e provavelmente sonhava com o dia em que se tornaria cavaleiro. Mas antes disso precisava aprender muita coisa. O estava ensinando a ler e a lutar, além de conversarem bastante sobre o código de honra de um cavaleiro.

Quando ficou pronto, mirou Bry e notou que ele estava bastante apresentável. Em seguida foram marchando pelos corredores do castelo. Andava com Bry em seus calcanhares, seguidos por quatro soldados Blackfyre, todos com armaduras negras e capas vermelhas. Todos com o dragão negro desenhado nos mantos. O tilintar das armaduras deles o faziam se sentir seguro. Pela primeira vez em muito tempo sentia-se seguro, apesar de não ser idiota a ponto de relaxar. Tinha aprendido que todos os sorrisos podiam conter segundas intenções. Todos menos o de Lady Sansa.

Sentiu um frio na barriga ao se lembrar da proposta de Olenna Tyrell... outro calafrio ao imaginar Lady Margaery. A proposta tinha sido bem simples. Um golpe aos Lannister e a Joffrey. Os Blackfyre se tornariam reis, ele se casaria com Margaery e Sansa casaria com Willas, o filho mais velho de Mace Tyrell. E Willas seria herdeiro de Winterfell e de Jardim de Cima, pois eles retirariam o direito de herança de Robb, Brandon e Rickon Stark. Uma recompensa aos Tyrell por sua ajuda.

Se Jardim de Cima se unisse a Harrenhal, os Lannister estariam encurralados. Mas seria uma aliança ainda mais forte se pudessem unir-se aos Stark. Mas os Tyrell queriam o Norte. Eles queriam Winterfell e eles queriam Sansa.

E esta talvez tenha sido sua jogada mais tola. Ele havia negado. Não apenas por Sansa, é claro. Ele recordou que Shiera, sua irmã, era a senhora de Winterfell, esposa de Robb e o filho dela era o herdeiro do Norte. Lady Olenna parecia ter esquecido desse pequeno detalhe. Ou talvez simplesmente não se importasse. Ela sugeriu que Shiera viesse a Porto Real e virasse dama de companhia de Margaery, mas ele sabia que Shiera jamais o perdoaria se concordasse com aquilo.

Mas não havia motivos para lamentar aquilo. Lady Olenna pareceu verdadeiramente surpresa com sua recusa e em seguida, ligeiramente preocupada. Mas o mais difícil viera depois. Margaery passou a flertar com ele. E muito. E céus, como ela era sedutora. E como Lorde Tywin o estava vigiando com mais afinco, simplesmente era impossível ver Sansa. Até mesmo escalar a janela dela a partir da sua lhe parecia mais arriscado do que já era. Precisava manter-se concentrado e fiel a sua donzela. Precisava jogar direito para ganhar aquele jogo. Voltar para casa, com Sansa como sua esposa. Mesmo que isso significasse trair o Trono de Ferro.

Finalmente chegou na Sala da Mão do Rei, na Torre da Mão. Seus homens ficaram do lado de fora e ele entrou no aposento. Passou pelo Salão da Mão que era uma sala comprida com um teto alto e abobadado, e possuía lugar para duzentas pessoas. A sala privativa de audiências da Mão não era tão grande como a do rei, mas possuía tapetes de Myr, reposteiros nas paredes, e um ar de intimidade. Apenas Lorde Tywin tinha chegado, então colocou-se em seu lugar, abrindo seu livro de anotações. Lorde Tywin estava ocupado rabiscando pergaminhos, então não perdeu tempo com ele. Passou a revisar seus dados, vendo o que era relevante comentar na reunião. Sendo o Mestre das Leis, era sua incumbência garantir que as decisões do Conselho fossem legais, além de ser o responsável pelas colheitas. Ele também estava intimamente envolvido com o casamento de Joffrey e Margaery, o que lhe estava tirando o sono. Era muita coisa para resolver, muitos convidados para organizar e, principalmente, precisava dar um jeito de manter a Paz do Rei entre os convidados, que não eram assim tão amigos dos Lannisters, ou dos Blackfyre.

Logo os outros membros foram chegando. Kevan Lannister, Meistre Pycelle, Cersei... o último a chegar foi Tyrion, que parecia cansado por conta dos degraus que precisava subir.

—Está atrasado. – ralhou Tywin. Tyrion interrompeu o passo, olhando para Cersei, que tinha um sorriso vitorioso no rosto. Suspirou, sem saber o que poderia estar causando aquele sorriso, mas sabia que nada de bom significaria.

—O que ela está fazendo aqui? – perguntou Tyrion e aquela era uma pergunta válida. Cersei já não era necessária, já que Tywin a tinha dispensado das reuniões. Mas ela estava lá e não parecia que iria sair. Outra coisa estranha era que Mace Tyrell não estava ali.

—O assunto que temos que conversar também diz respeito a ela. – respondeu a Mão e Tyrion o olhou questionador. Valerion deu de ombros e os dois suspiraram, com o anão indo se sentar na ponta oposta ao pai, como sempre fazia.

Ele colocou seu livro de Mestre da Moeda sobre a mesa e suspirou.

—Ficará contente em saber que após uma conversa com Lady Olenna, poupei à Coroa centenas de milhares no casamento.

—Deixe isso pra lá. Vamos ao que é importante. – cortou Lorde Tywin e Valerion piscou surpreso. Tyrion parecia igualmente surpreso. Ele engoliu em seco e voltou a falar.

—Como Mestre da Moeda, poupar é importante. – disse ele e Valerion concordou mentalmente. Tyrion respirou fundo e mirou a irmã – Pare com isso. – ralhou ele – Está me deixando desconfortável.

Provavelmente porque Cersei ainda estava sorrindo enquanto olhava para ele.

—Sua irmã descobriu que os Tyrell tramam o casamento de Sansa Stark com Sir Willas Tyrell. – olhou preocupado para Lorde Tywin, mas continuou em silêncio. Eu neguei a proposta, é verdade, mas não falei a respeito com a Mão. Isso seria traição. Como eles sabem disso?

Tyrion se sentou mais confortavelmente e não o olhou. Valerion sentia o estômago inquieto, se perguntando o que sairia dali. Será que estou em apuros?

—Muito bem. – disse Tyrion, calmamente, como se pisasse num lago congelado, com a superfície fina demais – Ela é muito bela. Provavelmente vai se enfadar com ele, já que ele é manco. Não é exatamente o herói das canções que ela gosta de ouvir.

—Pare com as piadas. – ralhou a Mão.

—Não foi uma piada. – disse Tyrion.

—Trago-os à casta real e retribuem tentando roubar a chave para o Norte.

—Desculpe. – murmurou Valerion – Como assim? Pensei que minha irmã fosse a chave para o Norte.

Lorde Tywion o olhou por desprezíveis segundos e o sorriso vitorioso de Cersei pareceu crescer ainda mais em seu adorável rosto cruel.

—Pelo que eu me lembro, Sansa tem um irmão mais velho e um sobrinho, além de dois irmãos mais novos. Como ela pode ser a chave para o Norte? – perguntou Tyrion.

—Os Tully e os Frey marcharam de volta para casa. – explicou Tywin Lannister e Valerion sentiu o estômago remexer novamente – O jovem lobo perdeu metade de seu exército. Ele logo morrerá.

—Robb Stark vem ganhando batalhas com um exército menor há algum tempo, senhor. – disse apreensivo.

—Eu tenho um plano para Robb Stark e para seus irmãos. Até mesmo para seu filho e esposa. – disse Tywin, calmamente e Valerion sentiu uma ira sem precedentes.

Se fosse Aegon, teria retirado a espada e matado aquele homem ali mesmo. Mas respirou fundo e falou sem disfarçar a raiva.

—O que vai fazer com minha irmã e meu sobrinho? – perguntou Valerion.

—Roose Bolton cantou para mim uma canção diferente da sua, Sor Valerion. Uma canção que me pareceu fazer bastante sentido. – explicou Tywin.

—Roose Bolton? – perguntou franzindo o cenho.

—Roose Bolton. – concordou Tywin – Ele me contou que foi ele quem convenceu Shiera a decapitar Lady Catelyn e foi ele quem está organizando o retorno de Jaime para Porto Real. – explicou Lorde Tywin e Valerion sorriu desdenhoso.

—E vai acreditar nele e não em mim?

—Vou. – respondeu Tywin, num tom seco – Com os meninos Stark mortos, isso é, os irmãos e o filho de Robb Stark, Sansa é a herdeira legítima de Winterfell e eu não vou dá-la aos Tyrell. – explicou Lorde Tywin e Valerion bufou furioso.

—O exército Tyrell nos ajuda a vencer a guerra. – insistiu Tyrion – Acha sábio negar-lhes isso? – ele perguntou sem encará-lo e Valerion mirou seu livro de anotações, sentindo-se furioso e traído.

—Não há o que negar. – disse Tywin e tanto Valerion quanto Tyrion o encararam, confusos – Isso é uma trama. Tramas não são públicas. Os Tyrell não farão isso antes do casamento de Joffrey. – Tywin olhou para cada um deles – Precisamos agir primeiro e evitar esta união.

—Como nós faremos isso? – perguntou Tyrion.

—Casando Sansa Stark antes. – disse Lorde Tywin. Valerion sentiu borboletas na barriga e Tyrion sorriu.

—Bem... tenho certeza que ela ficará satisfeita com Valerion. Ele é o tipo de cavaleiro que as donzelas gostam de ouvir canções sobre. – disse Tyrion e Valerion franziu o cenho, duvidando muito de que ele era o noivo que Lorde Tywin tinha em mente.

—Eu estou prometido à princesa. – murmurou e então olhou para o amigo. Cersei deu um sorriso ainda maior e todos olharam o anão, que pareceu entender o que estava sendo proposto.

Ele olhou para cada um dos presentes e então mirou o pai.

—Não fala sério. – disse ele e Valerion imaginou sua doce e amada Sansa, indo se casar com seu bom amigo Tyrion.

Engoliu em seco, mascarando seus sentimentos, cada vez mais tentado a sacar a espada e degolar todos os Lannisters ali, mais o patético Meistre, que apenas mirava tudo em silêncio, coçando o queixo fraco. Pensou no sorriso de sua Sansa, nos seus olhares e em seus doces beijos. Engoliu em seco e respirou fundo, ficando em silêncio, absorvendo aquele terrível pesadelo.

—Falo sim. – murmurou Tywin.

—Joffrey arruinou a vida dela desde que degolou o pai dela. – disse Tyrion, parecendo acuado – Agora que ela se livrou dele, você a dá a mim? – perguntou ele – Isso é cruel, até para você! – adicionou ele, desgostoso – A dê a Valerion! Ela gosta dele. Sempre foram amigos, ele a defendeu de Joffrey, lutou contra...

—Você vai maltratá-la? – perguntou a Mão e Valerion teve certeza que ele não mudaria de ideia – A felicidade dela não é da minha conta ou da sua.

—Ela é uma criança! – rosnou Tyrion.

—Ela já menstruou. Nós já conversamos sobre isso. – riu Cersei.

—Pronto. Ouviu? – perguntou Tywin, como se isso encerrasse a questão – Vocês casarão e você a engravidará. Você é capaz disso.

—E se eu recusar? – perguntou Tyrion.

—Queria uma recompensa por sua bravura em batalha. – respondeu Tywin – Sansa Stark é melhor do que você poderia esperar. E você já deveria ter se casado.

—Eu era casado. – rosnou Tyrion e Valerion sentiu uma profunda mágoa em sua voz – Ou você não lembra?

Por um momento se perguntou o motivo de Tywin Lannister ter pedido sua presença naquela reunião.

—Bem demais.

—Deveria agradecer aos deuses. É mais do que merece. – debochou Cersei.

—Tyrion vai fazer como eu ordeno... – disse Tywin e então ele se voltou para a filha – Assim como você.

Fez-se um momento de silêncio na sala.

Cersei o olhou parecendo apenas levemente curiosa, mas Valerion sabia que ela tinha se assustado com aquela sentença do pai.

—Como assim?

—Você. Eu vou oferecê-la em casamento a Balon Greyjoy, ou ao filho dele. – explicou Tywin – Para fazer uma aliança com eles e afundar de vez a rebelião Nortenha.

—Robb Stark acabou com os homens de Ferro. Balon Greyjoy não tem força para mais nada. – disse Valerion.

—Mas o filho dele é o homem de confiança da sua irmã. E tem um fraco por mulheres bonitas. Você ainda é bonita. – disse Tywin, indiferente – Não quero que sobre aliados ao Jovem Lobo.

—Eu não... – começou Cersei.

—Theon Greyjoy é o herdeiro das Ilhas de Ferro. Tenho intenção de dar a ele algumas terras a mais. A parte Norte, até o Gargalo. Tyrion manterá o resto do Norte. Com isso não haverá mais....

—Não farei isso. – cortou Cersei com mágoa na voz.

—Fará sim. – disse a Mão, firmemente e ele ficou quase satisfeito por o sorrisinho de Cersei ter desaparecido de seu rosto – Você ainda é fértil. Precisa casar e procriar.

—Sou a rainha regente! – disse ela num tom um tanto alto – Não uma reprodutora!

—VOCÊ É MINHA FILHA! – gritou Tywin e Valerion se recordou de seu pai falando com Shiera, em Winterfell – Fará o que eu ordeno. Casará com Theon Greyjoy, cessando os boatos nojentos sobre você de uma vez por todas.

Cersei engoliu em seco, parecendo prestes a começar a chorar.

—Pai... não me force de novo. – pediu ela e Valerion pensou novamente na irmã.

—Nem mais uma palavra. – rosnou a Mão – Meus filhos... vocês mancharam nosso nome por muito tempo.

Fez-se silêncio uma vez mais. Apenas o respirar de Cersei e Tyrion, num misto de fúria e infelicidade, era escutado. Valerion parecia não respirar. Parecia ter perdido essa capacidade no exato momento em que ouvira que Sansa casaria com seu amigo.

Logo Tyrion... enfiaria uma adaga afiada nas costelas de qualquer um, menos nas dele. Ele é meu amigo. Um dos meus melhores amigos. Um dos poucos que eu confio nessa merda de cidade.

—E o que vamos fazer a respeito de Myrcella? – perguntou Cersei – Valerion mentiu pra você. Ele não é tão leal quanto pensamos. Ele não é digno da minha filha.

—Não sou. – disse num sussurro furioso – Cancele o noivado, eu não ligo. – sibilou – Não sou eu quem ficará de coração partido.

—Ficará no dia em que Tyrion se meter entre as coxas de Sansa Stark. – debochou Cersei e ele perdeu a paciência. Se levantou e apontou para o rosto da rainha.

—Eu arrisquei a minha vida para salvar o seu filho. – rosnou furioso.

—Não fez mais que sua obrigação. – rebateu Tywin Lannister – Ele é seu rei.

—Meu rei? – perguntou com um sorriso zangado. Pensou em muitas coisas para responder naquele momento. Pensou em fazer pouco da bastardice de Joffrey. Ou de falar que seu rei era Robb Stark. Ou Stannis. Stannis, o verdadeiro rei de Westeros. Tywin Lannister o olhou como se esperasse suas próximas palavras e então ele entendeu, um pouco tarde, que aquilo não passava de um teste. E ele precisava contornar aquilo – Meu rei me garantiu que minha irmã estaria a salvo. – sibilou – Mate Robb Stark se quiser, eu não dou a mínima para ele. Mas minha irmã. O meu sobrinho, o MEU sangue. – rosnou – Eles ficarão a salvo.

—Ou o que? – sibilou Lorde Tywin.

—Ou os leões vão aprender que não podem trair dois dragões. Não sem perder uma Mão. – disse furioso. Depois virou-se para Cersei – Você fica rindo de mim, porque Sansa Stark vai se casar com seu irmão. Não se esqueça que a felicidade de sua filha está nas minhas mãos. Eu seria mais doce no seu lugar, Cersei. – sibilou – Porque as muralhas de Harenhall são grandes demais. – Depois se virou para Lorde Tywin – Case Sansa com Tyrion, eu não ligo. Ela nunca passou de uma distração para mim. Mas se minha irmã se ferir, acabou, Lorde Tywin. Aegon vai ficar sabendo disso e ele vai vir com a frota de Volantis. Meu pai se unirá com Stannis e nós mataremos Joffrey e qualquer um que ostentar o símbolo Lannister, não duvide disso.

—É um grande tolo se acha que pode nos ameaçar desse jeito. – rosnou Cersei e Valerion sorriu.

—Sou? – perguntou ele – Os Tyrell tramam pelas suas costas. Lisa Arryn não sai do Ninho. Os Martell odeiam vocês, os Stark odeiam vocês, os Tully odeiam vocês, os Greyjoy não tem mais forças, os Baratheon os querem mortos. Eu não faria pouco de nossa aliança no lugar de vocês. – disse furioso segurando seu livro de anotações – Aqui está o que precisa saber sobre as colheitas, senhor Mão. Faça bom proveito. – disse jogando o livro de qualquer jeito em cima da mesa e se virando para sair.

—Onde pensa que vai? Eu não permiti que saísse. – rosnou Lorde Tywin, que ficara todo o tempo em silêncio, apenas o observando.

Se virou com frieza e descaso para os Lannister. Não conseguiu mirar Tyrion, no entanto.

—O que deseja?

—Myrcella deve voltar para Porto Real. Escreva a seu pai que o casamento de vocês acontecerá aqui, na cidade. – disse a Mão do Rei. Valerion deu um sorriso divertido.

—Como quiser, senhor Mão. Devo mandar a data do casamento? – perguntou sabendo que ele não ousaria desafiar seu pai antes do casamento de Joffrey.

—Ele virá pro casamento do Rei, sem dúvidas. – disse Lorde Tywin.

—Sim, virá.

—Que ele traga Myrcella, então.

—Com prazer. – retrucou – Algo mais?

—Sim, Meistre Pycelle está aqui para enviar o corvo a Harrenhal. Venha aqui e escreva exatamente o que eu ditar.

Foram rápidos minutos escrevendo a carta. Seu pai saberia que era algo que fora forçado a escrever, pelo formato de sua letra. Um código simples que tinham criado quando ainda estavam juntos na capital. Detalhes que Tywin e Pycelle não saberiam decifrar. Escreveu palavra por palavra e então foi liberado.

Bufou e saiu de lá, sabendo que precisava agir e rápido. Mas precisava ser cauteloso como nunca. Seus passos estavam sendo vigiados completamente. Seus homens o seguiram pelo castelo e ele soube que precisaria arriscar. Caminhou até um corredor vazio e parou diante de uma janela. Hoster, que agora usava o manto Blackfyre no lugar do Lannister, se aproximou, enquanto os outros guardas ficaram a certa distância, juntos com Byr.

—Você parece prestes a matar alguém. – sussurrou Hoster. Concordou com um aceno de cabeça.

—Eu preciso que você mande uma mensagem pra mim. – disse baixinho – E precisa ser antes do casamento de Joffrey.

—Que mensagem? Pra quem? – perguntou Hoster, baixinho.

—Pra minha irmã.

—Difícil, mas não impossível. – murmurou ele.

—Ela está cercada de inimigos. – murmurou Valerion – Não podem saber que é uma mensagem minha. – disse e Hoster acenou positivamente – Não podem nem mesmo saber que é uma mensagem. Você vai ter que interpretar muito bem, Hoster. – adicionou, mirando a cidade pela janela.

—Eu sou bom nisso. – murmurou Hoster – O que quer que eu faça?

—Ainda sabe tocar alaúde? – perguntou baixinho.

—Sei. Fui eu quem te ensinou, ou se esqueceu?

—Ótimo. – disse o cortando – Eu vou compor uma música para minha irmã. Você deve tocá-la e cantá-la por ai, pro caso de você morrer antes de chegar em Winterfell.

—E como sua irmã vai saber que é uma mensagem sua? – perguntou Hoster. Valerion suspirou.

—Porque ela já conhece a melodia e a música vai ser sobre ela. – respondeu olhando o porto – Que todos os bardos desse mundo aprendam a música e a toquem sem parar. – pediu mirando o mar.

**

Yunkai mandou seu representante para negociar. A fileira de Imaculados formava um enorme corredor até desaparecer de vista. Aegon estava de pé do lado esquerdo da Khaleesi, que estava sentada numa cadeira confortável, rodeada por seus dragões. As pequenas feras já tinham quase dois metros de comprimento de uma ponta da asa até a outra.

Viserion sibilou ao lado de Dany, desejando comer mais carne e os irmãos o imitaram. Aegon sorriu e pegou um pedaço de bife, entregando para Viserion, causando ciúmes nos outros dois, mas não ligou. Viserion era seu garoto favorito e sempre que podia lhe dava mais atenção.

O representante de Yunkai se aproximava, seguido de uma grande comitiva de escravos e Aegon teve certeza que aquilo faria com que Dany desprezasse ainda mais o homem que se aproximava. Ele era alto, magro, com os cabelos curtos, a pele morena e os olhos verdes. Vinha vestido em vestes pomposas de cor creme e azul turquesa com dourado. Vários anéis de ouro enfeitavam seus dedos e um semblante sério emoldurava seu rosto moreno e sem barba. Quando ele já estava bem próximo, Missandei o apresentou.

—Aproxima-se o nobre Grazdan mo Eraz, daquela antiga e honrada casa, mestre dos homens e orador dos selvagens, para oferecer termos de paz. – anunciou ela. Aegon colocou a mão no cabo da espada o olhando com um semblante fechado, assim como Sor Jorah e Sor Barristan. Assim que o homem ficou há poucos metros da Khaleesi, os dragões gritaram ruidosamente, o intimidando e o Grazdan recuou um passo – Nobre lorde. Está na presença de Daenerys Nascida da Tormenta, da Casa Targaryen, Rainha dos Ândalos e dos Primeiros Homens. Khaleesi do Grande Mar de Grama, Rompedora de Algemas e Mãe de Dragões.

Fez-se silêncio por um momento e Daenerys sorriu.

—Pode aproximar-se. Sente-se. – um dos servos de Daenerys trouxe uma cadeira e o nobre se sentou, olhando desconfiado para tudo ao redor – O nobre lorde aceitará um refresco? – o nobre concordou com um aceno de cabeça e Missandei lhe ofereceu uma taça de vinho, que ele bebeu rapidamente, em um gole só.

O homem respirou fundo, tomando ar, e começou:

—Antiga e gloriosa é Yunkai. Nosso império era velho antes dos dragões despertarem na antiga Valíria. – disse ele e Aegon bocejou – Muitos exércitos fracassaram diante de nossas muralhas. – os dragões se agitaram de novo e Daenerys se curvou para pegar um pedaço grande de bife, que estava guardado numa cesta com tampa – Não encontrará uma conquista fácil aqui, Khaleesi. – sua rainha jogou o pedaço de carne para o alto e os três dragões voaram para pegar. Rhaegal foi o que mais demorou para reagir, enquanto Viserion e Drogon voaram juntos para cima do pedaço de carne, sibilando e batendo as enormes asas. Rhaegal partiu para cima dos dois e Viserion acabou ganhando a disputa pelo pedaço de carne, arrancando um sorriso orgulhoso de Aegon. Grazdan parecia que iria se borrar a qualquer momento, pois olhava assombrado para as três criaturas.

—Ótimo. – disse Daenerys, descontraída, como se o que Grazdan tivesse dito não passasse de bobagem – Meus Imaculados precisam de prática. Fui instruída a sangrá-los cedo.

—Se sangue é o que deseja, sangue jorrará. – disse o homem e Aegon alisou o punho de sua Blackfyre com o polegar. Ansiava por uma boa batalha, como aquela em Astapor. Blackfyre também. Ambos queriam sangue e o calor da guerra. Ele amava o calor da guerra, nascera para aquilo. Era quando sentia que estava exatamente onde deveria estar – Mas por que? – perguntou o homem e Aegon soltou um muxoxo, recebendo olhares censuradores de Jorah e de Barristan – É verdade que cometeu selvagerias em Astapor. Mas os Yunkai são complacentes e generosos. – ele bateu palmas e dois pares de escravos vieram rapidamente, trazendo, cada um, um enorme baú – Os sábios mestres de Yunkai enviaram um presente para a rainha de prata. – os escravos abriram os baús e viram lá várias barras de ouro maciço – Há muito mais esperando-lhe no convés do seu navio. – garantiu ele e Daenerys o olhou surpresa.

—Meu navio? – perguntou ela com um sorriso gentil.

—Como eu disse, somos um povo generoso. Terá tantos navios quanto precisar.

—E o que pede em troca?

—Tudo o que pedimos é que faça uso destes navios. Leve-os de volta para Westeros, onde é seu lugar. Deixe-nos conduzir nossos assuntos em paz.

Aegon suspirou, desejando que ela aceitasse a oferta. A olhou desejoso daquilo, mas ela não o olhava. Ela olhava para os escravos ajoelhados atrás de Grazdan. Suspirou sabendo qual seria a resposta dela. Um grande “não”.

—Também tenho um presente para você. – disse Dany e Grazdan a olhou curioso – Sua vida.

—Minha vida?

—E as vidas de seus sábios mestres. Mas também quero algo em troca. Libertará cada escravo em Yunkai. Cada homem, mulher e criança deverá receber tanta comida, roupas, e propriedades quanto puder carregar, como pagamento por todos os anos de servidão. Depois de todos os escravos partirem, vocês abrirão os portões e permitirão que meus Imaculados entrem na cidade e a revistem, para assegurar que ninguém permanece em escravidão. Se fizerem isso, Yunkai não será queimada nem saqueada, e nenhum dos membros de seu povo será molestado. Os Sábios Mestres terão a paz que desejam e terão demonstrado serem realmente sábios. O que diz?

—Digo que é louca.

—Ah, sou? – Dany encolheu os ombros e disse – Dracarys.

Os dragões responderam. Rhaegal silvou e soltou uma baforada de fumaça, Viserion tentou morder e Drogon cuspiu uma chama rodopiante, vermelha e negra. Esta tocou a prega do tokar de Grazdan e a seda pegou fogo em meio segundo. Marcos de ouro derramaram-se pelos tapetes quando o enviado tropeçou na arca, gritando pragas e batendo no braço até que Barristan lhe despejou um jarro de água em cima, para apagar as chamas.

—Jurou que eu teria salvo-conduto! – lamentou-se o enviado de Yunkai.

—Será que todos os yunkaitas se lamuriam tanto por causa de um tokar chamuscado? – perguntou Aegon com deboche.

—Comprarei um novo para você... se entregar seus escravos dentro de três dias. – prometeu Dany – Caso contrário, Drogon dará um beijo mais quente. – Torceu o nariz. – Você se borrou. Deixe o ouro e vá, e assegure-se de que os Sábios Mestres ouçam a minha mensagem.

Grazdan mo Braz colocou o dedo em riste.

—Lamentará essa arrogância, vadia. Esses lagartinhos não a manterão a salvo, garanto. Encheremos o ar de flechas se eles chegarem a menos de uma légua de Yunkai. Acha que é muito difícil matar um dragão?

—É mais difícil do que matar um feitor. Três dias, Grazdan. Diga-lhes. Ao fim do terceiro dia, entrarei em Yunkai, quer me abra os portões, quer não.

—Vossa Graça. – chamou Aegon tendo uma ideia um tanto audaciosa. Dany o olhou curiosa – Poderia sugerir que desse alguns barris de vinho a eles enquanto ponderam a respeito?

—Não queremos o seu vinho, puta. – rosnou Grazdan.

—Então talvez os Segundos Filhos. – disse se referindo à companhia de Mercenários que protegia Yunkai. Dany o olhou curiosa e ele a olhou de volta. A rainha sorriu e concordou com um aceno de cabeça. Quando Grazdan saiu da tenda, Daenerys dispensou os outros, menos ele. Sor Jorah o olhou desconfiado antes de sair.

—Por que quer presentear nosso inimigo com vinho? – perguntou ela. Aegon sorriu.

—É mais fácil derrotar nossos inimigos quando eles estão bêbados, Vossa Graça. – respondeu Aegon. Daenerys sorriu e concordou com um aceno de cabeça.

—E acredita que eles irão vir aqui receber o presente?

—Claro. Eles vão querer discutir os termos das batalhas. – Garantiu Aegon – Quem luta por ouro não admitiria perder para uma mulher. – riu ele. Daenerys sorriu também.

—Quanto tempo até que eles fiquem bêbados?

—Depende da sede deles. – respondeu Aegon. Daenerys sorriu travessa e ele sentiu o corpo se arrepiar por inteiro.

—Está com sede, Sor?

—Sempre estou. – disse e ela deu uns tapinhas nas almofadas ao seu lado, convidando-o para se sentar. Obedeceu se perguntando se finalmente mataria aquela imensa sede que vinha sentido, mas Daenerys apenas lhe serviu uma taça de vinho. Manteve a perna estrategicamente dobrada, para que ela não soubesse o que passava em sua cabeça, enquanto tomava o delicioso vinho que a rainha lhe oferecera – Posso liderar o ataque?

—Prometi que daria a eles três dias. – disse Dany com um sorriso que ele julgou provocante e sedutor. A menina que ele conhecera no casamento de Drogo era agora uma mulher. Uma linda mulher... e ainda iria deixá-lo louco.

—Diremos aos mercenários que queremos suas respostas pela manhã. Não faremos nenhuma promessa a respeito desta noite. Os Corvos Tormentosos estarão discutindo sobre a sua proposta. Os Segundos Filhos estarão bêbados com o vinho que demos a eles. E os yunkaitas julgam que têm três dias. Vamos pegá-los com a cobertura desta escuridão, pois a lua é nova. Encurralar seus líderes e render os Corvos e os Segundos Filhos, juntando suas forças às nossas. – explicou ele. Dany o olhou com as sobrancelhas arqueadas – Eu pensei que era uma boa ideia... mas não sou exatamente bom em ter ideias. Sou bom com a minha espada.

—É um homem experiente em batalha, Sor Barristan disse que seu desempenho contra os homens de ferro foi incrível, na Rebelião de Balon Greyjoy. Sor Jorah me disse que é o espadachim mais habilidoso dos Sete Reinos.

—As pessoas falam demais. – murmurou dando de ombros e tornando o vinho de uma vez só para dentro.

—Mas já ganhou muitos torneios, não é? – perguntou ela, teimosamente. Aegon concordou com um aceno de cabeça.

—Fiz meu nome nesses torneios. Comecei participando como escudeiro de meu pai. Com treze anos participei do primeiro. Com dezesseis, assim que me consagrei cavaleiro, ganhei o primeiro. Depois disso, perdi poucos, mas não participei de tantos assim. – Ele suspirou – Depois de ganhar o meu primeiro torneio, ganhei doze, dos quinze onde participei. E um deles perdi por estar bêbado demais para montar. – explicou casualmente, não era mentira – Mas o maior torneio que venci, foi o de Harrenhal, que meu pai deu em homenagem à minha irmã. – contou brincando com a taça vazia. Dany a encheu novamente e sorriu.

—Conte-me, Aegon. – pediu ela e ele notou que ela não o chamara de Sor.

—Meu pai resolveu dar um torneio, anos atrás. O prêmio seria um ovo de dragão e uma espada de aço valiriano. – explicou ele e Daenerys o olhou chocada.

—Um ovo de dragão? Seu pai...

—Quatro ovos. Ele tem quatro ovos. Dois conseguiu em Asshai. Um em Volantis. O outro, ele conseguiu em Valíria. – explicou Aegon lembrando da história – Quando ele era um jovem rapaz, apaixonado por uma jovem donzela. Minha mãe era filha de um dos homens mais ricos de Volantis e meu pai era famoso por sua habilidade com a espada e por sua paixão pelo mar. Ele trabalhava para Volantis, caçando piratas e tinha conseguido uma grande fortuna. Foi quando ele conseguiu o primeiro ovo de dragão. Um pirata o tinha. Ele iria dar o ovo para minha mãe, como presente... como prova de amor. Mas ela não precisava daquilo. De algo que ele já tinha. Ela queria algo que ele não tinha. Algo que seria impossível de conseguir, porque ela julgava que para ele, amor era algo impossível de se sentir. Ela achava meu pai um homem cruel e vaidoso demais. – explicou Aegon e Dany o olhou com profunda atenção – Então ela pediu algo impossível. Uma pedra... uma pedra da própria Valíria. Então ele zarpou com seus homens, todos pedindo para que ele não fizesse isso, mas ele estava louco de amor. – riu Aegon, sabendo que se encontrava da mesma maneira por sua rainha. Daenerys o olhou com atenção, absorvendo cada palavra.

—E ele foi até lá? Achei que era um lugar amaldiçoado.

—E é. – murmurou Aegon, soltando um suspiro – Ele chegou lá... o mar era bravio demais, perigoso demais... e o cheiro. O mar de Valíria cheira a morte e é perigosíssimo de se navegar. Meu pai era muito querido por seus homens, mas eles ameaçaram deserdar caso ele insistisse em prosseguir... – Aegon suspirou – Apenas um homem concordou em ir com ele.

—Quem? – perguntou Dany.

—Seu melhor amigo. Valerion Vassar. Irmão mais velho da minha mãe. – respondeu Aegon e Dany o olhou surpresa – Meu pai nomeou meu irmão em honra a ele.

—O que seu pai encontrou lá? – perguntou a rainha. Aegon franziu o cenho.

—Muitos tesouros. Aço valiriano, um ovo de dragão, entre outras coisas. Livros em línguas estranhas, artefatos, um berrante... tomos de magia. Encontrou pessoas também, mas ele nunca falou muito a respeito delas.

—Existem pessoas vivendo lá? Como? – perguntou Daenerys. Aegon deu de ombros.

—Eu não sei se estavam vivas ou mortas, também. Ele deixou escapar apenas uma vez e tornou-se sombrio depois. – explicou ele – Mas... o que importa era que ele conseguiu muita coisa lá. Inclusive tristeza, pois meu tio morreu em Valíria e meu pai nunca quis contar o que houve com ele. Nem mesmo para minha mãe, a quem ele amou profundamente. – explicou Aegon – Os ovos em Asshai ele conseguiu depois da morte dela, numa viagem que fez. Mas obviamente, nenhum deles nunca chocou, ou eu seria Rei de Westeros a essa altura. – brincou antes de matar o vinho de sua taça.

—Seria? – perguntou Daenerys.

—Seria melhor do que Robert, mas não muito melhor, admito. Mas saberia montar um bom Pequeno Conselho, para me ajudar a governar. E disporia a escutá-lo, ao contrário do Usurpador.

—A quem chamaria?

—Não vai gostar da minha resposta. – riu Aegon. Daenerys o olhou como que insistindo que ele respondesse – Tywin Lannister, é claro. Ele seria meu Mestre da Moeda ou minha Mão do Rei. – Daenerys torceu o nariz, com desaprovação – Eu disse que não iria agradar... – Aegon deu uma risada – Tywin Lannister tem muitos defeitos, mas ele é um bom administrador. Eu me casaria com a neta dele se isso o convencesse a ser minha Mão. Um rei precisa fazer sacrifícios. – deu de ombros – Eu queria que ele e meu pai fossem a Mão do Rei e o Mestre da Moeda. Qualquer um dos dois serviria bem para qualquer um dos cargos. – ele deu um suspiro – Varys seguiria sendo meu Mestre dos Sussurros, claro. Eu colocaria meu irmão Valerion no Pequeno Conselho também... ele é muito inteligente, o meu irmão. E nasceu para as intrigas da Corte. A Corte não é a Corte se não tem intrigas, um dia saberá disso melhor que ninguém. – riu ele e Dany concordou.

—Quem mais? – perguntou ela.

—Barristan seria meu Senhor Comandante da Guarda Real. – continuou ele – E deixe-me ver... deixaria Valerion como Mestre das Leis e... colocaria um Greyjoy ou um Redwyne como Mestre dos Navios. Provavelmente o Redwyne. – adicionou dando de ombros.

—Me lembrarei de todos esses nomes quando conquistar Porto Real, Aegon. – disse ela com um sorriso – Mas devo adicionar um Mestre de Guerra, para que assuma a cadeira. – adicionou ela. Aegon sentiu as bochechas corarem.

—Teria três Blackfyre como membros do Pequeno Conselho, minha rainha? Não acho que seja sensato. Poderia desagradar os outros Lordes.

—Então eu o colocaria no lugar de seu irmão, já que não o conheço. Certamente fará parte de meu Pequeno Conselho. É meu homem de confiança. – garantiu ela.

—O Pequeno Conselho não é lugar para um homem como eu. – riu Aegon – Ficaria melhor vestindo o branco, protegendo-a de qualquer perigo. – disse tranquilamente – Sou impaciente e impulsivo demais, Vossa Graça.

—Não tanto. – riu Daenerys bebendo seu vinho também – Eu gostei da sua ideia... sobre o ataque surpresa. Vou chamar Sor Jorah, Sor Barristan e Verme Cinzento.

—Certo. Obrigado pelo vinho, Vossa Graça. – disse ficando de pé e colocando o cálice em cima da cadeira onde Grazdan tinha se sentado – Vou chamar Verme Cinzento, Sor Jorah e Sor Barristan. – andou até o final da tenda, mas a voz de sua rainha o fez se virar.

—Sor Aegon. – a olhou achando-a simplesmente deslumbrante naquele vestido leve e branco, com um cinto de cobre, incrustado de belas pedras de ônix e fios dourados.

—Sim, Vossa Graça.

—Quando tivermos mais tempo, depois de libertarmos os escravos... não precisa ser tão cuidadoso. Seja mais impulsivo e impaciente. – corou de leve, coçando a barba – E talvez seja melhor se arrumar de maneira mais confortável nas calças antes de deixar a tenda. – corou ainda mais e sorriu puxando suas partes eretas para cima, e jogando a blusa por cima, para que nada ficasse à vista – Melhor assim.

—Melhor assim. – disse sem jeito, deixando a tenda, com o coração batendo acelerado. Conquistaria Essos em uma semana.

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Notas finais
Próximo capítulo na sexta! Beijos