Blackfyre

31 Medindo Forças


Notas iniciais
Olá, amores! Desculpem a demora, eu explico o que aconteceu Eu tava sem internet, porque o cabo da net do meu prédio (da net não, da Vivo) estragou. Eu tava vivendo do 3g do meu celular, mas ele esgotou e eu tive que esperar a VIVO vir arrumar o cabo. Mas agora eu voltei! Vou postar mais um capítulo cheio de tretas ahsuahsuahsausha Beeeeeeeeeeeeijos e pariu ler obs: Obrigada a todos os que comentaram!!!! Teve bastante comentários, fiquei super feliz!

Medindo Forças

Valerion estava no Septo de Baelor, orando para os Sete. Era a melhor maneira de evitar Sansa, Margaery, Myrcella, Cersei, Tyrion, Tywin ou o pior de todos: seu pai.

Passara a manhã praticamente toda lá, absorto em pensamentos. Pensamentos esses que teimavam em divagar para a noite anterior com Margaery. Pelos Deuses, Valerion. Você está no Septo!

Mas não adiantava, por mais que se esforçasse, a noite anterior vinha lhe assombrar. Eu sou mesmo um garoto idiota. Foi coisa de uma noite. Não posso ficar pensando demais nisso. Ela vai casar com Joffrey. E eu já tive problemas o suficiente apaixonado pela noiva de Joffrey. Em dias muito frios, seu braço ainda calejava de leve onde o bastardinho lhe acertara uma flecha. Suspirou pedindo que os Deuses lhe ajudassem a se livrar daqueles pensamentos que só lhe trariam problemas, mas como sempre, só recebeu o silêncio. Os Deuses agiam em silêncio. Acreditava piamente nisso.

—Novamente aqui, meu Lorde? – perguntou o Alto Septão o olhando com interesse – Não é comum vermos lordes bem nascidos durante tanto tempo aqui. – se perguntava a quem ele iria reportar isso. A seu pai, a Lorde Tywin, a Tyrion, a Varys ou a Cersei? – Os Deuses deram-lhe respostas às suas perguntas?

Acho que me deram mais perguntas... pedi para ficar em paz com Sansa, mas no lugar disso levam Margaery para minha cama... seria esse um sinal divino para que eu desista? Mas no lugar de dividir suas aflições, respondeu.

—Sim... só preciso de coragem para agir como eles desejam... – murmurou pensando em como seguiria com todas aquelas dúvidas.

—Se é o caminho que os Deuses lhe mostraram, então segue, rapaz. Pois é o melhor caminho. – garantiu o Alto Septão. Valerion concordou com um aceno de cabeça, distraído.

Ficou quase uma hora ali, depois que o Alto Septão o deixou em paz. Chega de me esconder. É hora de lidar com as consequências dos meus atos...

Deixou o Septo e Bry logo veio lhe fazer companhia durante a caminhada de volta para a Fortaleza Vermelha.

—Senhor. O jovem Sor Loras pede que se encontre com ele nos jardins, para treinarem novamente.

—Há quanto tempo ele pediu isso? – perguntou curioso.

—Disse que seria depois do almoço que torce para que tenha com ele e a família. – respondeu Bry – Mas seu pai o espera para o almoço no porto, no navio dele... e Lorde Tyrion também o convidou para almoçar, em agradecimento pelo que fez por ele... e a Rainha também o convidou, visto que está noivo da princesa Myrcella. Ela quer discutir os detalhes de seu casamento com ela, pois a princesa floriu. – Valerion interrompeu o passo, sentindo a mão de Cersei apertar ao redor de seu pescoço.

—Cersei vai me envenenar antes de me oferecer um gentil jantar. Diga a eles que eu almoçarei com os Tyrell primeiro. Depois verei Myrcella e então Tyrion e por último meu pai. – disse sentindo uma pequena vertigem no estômago. Bry concordou e apertou o passo, para ir na frente. Respirou fundo várias vezes antes de entrar na tenda dos Tyrell. Estava muito bem vestido, com vestes negras e douradas, com o dragão de três cabeças bordado em linhas negras brilhantes por todo o colete. Suspirou uma vez mais e avançou, tentando parecer o mais normal possível – Boa tarde a todos.

—Oh, Sor Valerion. Venha. Sente ao meu lado. – pediu Margaery sorrindo e vindo lhe segurar o braço. Tentou controlar a expressão de seu rosto, mas sentiu as orelhas ferverem de constrangimento, coisa que nunca antes tinha acontecido. E ele notou que Lady Olenna o mirava com um olhar cheio de divertimento – Onde passou a manhã, Sor Valerion? Eu e minhas primas sentimos saudades. – disse ela com gentileza, se sentando e o olhando com atenção. Como se nada no mundo além dele existisse. Lady Myrcella o olhava daquele mesmo modo, mas havia uma diferença. O olhar da princesa era verdadeiro. Sentia que Lady Margaery estava tecendo uma rede ao seu redor e que estava simplesmente caindo...

—Estive no Septo. – respondeu se sentando ao lado dela. Não via necessidade para mentir.

—Por que? – perguntou Lady Olenna com um sorrisinho – Andou pecando e precisou pedir perdão aos Deuses?

Corou completamente, sem conseguir evitar e achou que poderia tentar se aproveitar disso. Fingir-se de interessado em Lady Margaery, para ver onde aquilo iria parar. Então a olhou por um milésimo de segundo, mas logo voltou a mirar Lady Olenna, como se tivesse sido um reflexo que não pudera controlar.

—Não. Procurando respostas para algumas dúvidas pessoais.

—Diga-me, Valerion. Seu pai já parou de reduzir o dragão da Casa Blackfyre em um cachorrinho adestrado? – perguntou a velha e Valerion a olhou curioso – “O Dragão Negro Obedece”. Ele já repetiu isso tantas vezes que as pessoas vão começar a acreditar que são essas as palavras dos Blackfyre.

Valerion riu sem jeito.

—Falando nisso, quais são as palavras dos Blackfyre? – perguntou Megga Tyrell, uma das primas de Margaery, alta e gorducha.

—Forjados em Sangue. – respondeu uma voz vinda da entrada da tenda. Valerion sentiu um arrepio lhe subir a espinha e notou que era seu pai. Ele parecia menos doente naquela tarde, apesar de ainda estar muito magro e pálido – Se importa se eu acompanhar o almoço, Lady Olenna. Fiz um convite para meu filho para almoçarmos, mas creio que não chegou a tempo. – disse Lorde Haegon com um sorriso gentil. Estou completamente enrascado...

—Claro, Sor Haegon. Por favor, sente-se. – pediu Margaery. Seu pai sorriu simpático e Valerion escondeu seu nervosismo, mesmo que estivesse atento aos sinais.

—Lady Margaery. Está estonteantemente bela. – disse seu pai se aproximando para beijar a mão da futura rainha.

—Estonteantemente... – riu Lady Olenna – Trate de escrever uma carta com esse elogio para seu filho mais velho. Quando Aegon volta para tomar seu lugar? – perguntou ela e seu pai ficou sombrio, como sempre ficava quando mencionavam Aegon.

—Aegon não vai me suceder. Valerion vai. – disse seu pai.

—Mas que mania essa de hoje em dia. No meu tempo era o filho mais velho quem herdava as coisas do pai. Não o do meio, o caçula ou um tio. – riu Lady Olenna e seu pai sorriu.

—Engraçado dizer isso quando resolveram apoiar Renly antes de Stannis e Joffrey.

—Nem me fale... diga isso para o idiota do meu filho. – debochou a velha e Margaery sorriu.

—Vovó. Não diga essas coisas. O que Lorde Haegon pensará de nós?

—Que somos espertos e não sonsos, como todo mundo aqui parece ser. – respondeu ela e a tenda recebeu outra visita. Agora era Myrcella. Valerion quis sumir.

—Sor Valerion. Lorde Haegon. – disse ela se aproximando e parando em frente à Alla, que estava sentada ao seu lado – Por favor, levante-se. – disse ela com uma voz um tanto zangada – Eu quero sentar ao lado do meu noivo.— disse ela e pareceu tanto com Cersei que ele teve vontade de se levantar e ir embora.

Alla obedeceu, completamente sem jeito e Myrcella se sentou no lugar dela o olhando com interesse.

—Boa tarde, minha senhora. – disse timidamente e Margaery sorriu, como se nada pudesse fazê-la mais feliz do que receber Myrcella. Perfeito. Só falta Sansa aparecer para a refeição também.

—Oh, princesa. Que bom que resolveu se unir a nós nessa tarde agradável. – disse Margaery e Myrcella a olhou desconfiada.

—Por que veio almoçar com ela e não comigo? – perguntou Myrcella, mais uma vez parecendo terrivelmente com Cersei e Valerion suspirou.

—Recebi o convite deles primeiro. – respondeu calmamente.

—Escutei que está passando muito tempo com os Tyrell. – continuou Myrcella, obviamente com ciúmes. Sorriu ligeiramente nervoso, mas Margaery veio ao seu socorro.

—Sim. Valerion e meu irmão Loras se tornaram grandes amigos. Sempre fazem demonstrações de seus talentos com a espada para todas nós, não é mesmo, meninas? – perguntou ela e as primas dela concordaram animadas.

—Sor Valerion é tão galante em sua armadura. Já o viu lutar, princesa? – perguntou Alla.

—No torneio da Mão do Rei. Ele derrotou Loras. – disse ela com firmeza e Valerion concordou.

—Foi um golpe de sorte. Loras é melhor lanceiro que eu, apesar que me arrisco a dizer que sou melhor na espada que ele. – disse servindo um pouco de suco para si.

—Princesa, posso pedir que chamem Loras, para que veja uma demonstração conosco? – perguntou Margaery com um sorriso amável, se debruçando sobre ele para segurar a mão de Myrcella. Se lembrou completamente da noite anterior e precisou imaginar Lady Olenna sem roupas para não permitir que o volume em seu calção aumentasse.

—Isso seria interessante. Escutei que aprimorou bastante sua habilidade com a espada, filho. – disse seu pai.

—Sim. Treino todos os dias com Loras e Garland. – concordou calmamente – Mas Garland ainda é melhor do que eu. Imagino que só Aegon teria chances contra ele.

—Aegon é assim tão fantástico quanto todos dizem? – perguntou Margaery colocando a mão em sua coxa. Lady Olenna sem roupas. Lady Olenna sem roupas, caindo numa carroça de esterco. Lady Olenna sem roupas, numa carroça de esterco, beijando Tyrion.

—Ele é. – disse simplesmente – Eu nunca vi um espadachim igual... – disse pausadamente – Dizem que uma boa espada ajuda um homem a ser um bom espadachim... e a espada dele é uma espada de reis, a Blackfyre.

—Não existe espada igual a aquela. – concordou Lorde Haegon – Não mais. Outras como ela ficaram em Valíria e desapareceram na Perdição, já que os Targaryen foram a única família que dominava dragões que fugiram antes da destruição de Valíria.

—E você, quando foi até lá, encontrou dessas espadas? – perguntou Megga, com os olhos brilhantes e seu pai concordou.

—Vi. E as trouxe. – respondeu ele e Valerion piscou surpreso. Seu pai não era de contar o que tinha encontrado, feito e visto em Valíria – Mas já não eram mais espadas. Eram pedaços retorcidos de ferro. Coisas velhas e destruídas, que apenas o melhor dos ferreiros pode reforjar. – explicou ele.

—E o que mais encontrou lá, Lorde Haegon? – perguntou Alla. Valerion mirou seu pai com curiosidade, mas ele não respondeu a aquela pergunta. Ficou sombrio, mirando o próprio cálice de vinho. Valerion suspirou, sabendo que jamais ficaria sabendo o que raios acontecera em Valíria... mas não havia o que ser feito. Se seu pai não ia falar, e não havia quem o obrigasse a fazer o contrário – Desculpe-me se o aborreci, meu Lorde. – murmurou Alla, constrangida.

—Não se deixe incomodar pela curiosidade de minha prima, Lorde Haegon. – pediu Elinor, a melhor amiga de Margaery. Seu pai deu um sorriso gentil, mas triste e suspirou.

—Está tudo bem. Não se preocupem com o passado de um velho. – riu seu pai – Eu devo me retirar, afinal não fui convidado para a refeição. – ele se levantou e o olhou – Valerion, assim que puder, estarei te esperando em meus aposentos. – murmurou seu pai.

—Ora, vamos, seu velho chato. Sente essa bunda murcha na cadeira e coma conosco. – ralhou Lady Olenna com um sorriso divertido – Eu o convido agora para comer, então coma.

Seu pai piscou surpreso com os modos da senhora, mas Valerion sorriu por já estar acostumado. Fez a refeição, tentando dar mais atenção a Myrcella, notando que ela estava mesmo bem bonita. Uma versão ainda mais bem feita de Cersei, já que não tinha o coração amargo dela. Poderia até chegar a amá-la um dia, mas esse dia não era aquele a presença dela o enfadava. Mas, sob o olhar atento e incansável do pai, não pode fazer nada além de flertar com ela, apesar disso o deixar desconfortável com Lady Margaery. E quando eu estiver perto de Sansa? Como essa situação vai ficar? Perguntou-se atordoado...

Depois do almoço, os Tyrell desejaram caminhar pelos jardins, apreciando a luz da tarde. Seu pai acompanhou Lady Olenna e Valerion se viu obrigado a acompanhar Myrcela, enquanto Lady Margaery vinha logo atrás, com suas primas. Caminharam por longos minutos, apreciando o morno sol da tarde, escutando os passarinhos cantarolarem ao redor, nas copas verdes das árvores. Myrcela usava um vestido verde, muito bonito, com bordados prateados, num padrão belo e discreto. O verde parecia fazer os olhos dela brilharem mais, como fogo vivo, além de destacar seus carnudos lábios rosados. Os compridos cabelos dourados caíam por suas costas delgadas, em cachos perfeitos, dignos de uma realeza. Além disso ela trazia um colar de ouro muito bonito, com um pingente do dragão Blackfyre.

—Presente de meu pai? – perguntou pegando o pingente. Myrcella concordou.

—Afinal em breve serei uma Blackfyre. – disse ela com um sorriso feliz – Apesar de minha mãe não gostar muito disso. – Valerion a olhou curioso – Ela disse que você se apaixonou por Lady Sansa. – adicionou ela num discreto tom censurador. Não perdeu tempo negando aquilo e apenas desviou o olhar – Mas tudo bem, porque você será meu e eu serei sua. Sansa está bonita, mas eu estou mais, não estou? – perguntou ela e Valerion suspirou, tentado a dizer que não gostava de loiras.

—São belezas diferentes. – murmurou ele – Sua beleza, a de Sansa e a de Margaery...

—O que Margaery tem com isso? – perguntou Myrcella, franzindo as sobrancelhas e Valerion sorriu.

—Absolutamente nada. – garantiu – Só digo que vocês são igualmente bonitas, mas de maneiras diferentes. Sansa tem uma beleza mais inocente e pura. Margaery parece mais adulta e sensual...

—E eu? Que tipo de beleza eu tenho? – perguntou ela. Valerion sorriu e a olhou tentando ser gentil.

—Além da óbvia beleza física, você tem uma beleza da nobreza. Algo quase sobrenatural. – disse repetindo as palavras que Humfrey Hightower usara para descrever Shiera – Sem falar em todo o seu modo e personalidade. Sinceramente, você quem deveria herdar o Trono de Ferro. Não Joffrey e nem Tommen. A Tommen falta pulso, a Joffrey falta sanidade... mas você seria perfeita para o papel.

—E você, coincidentemente seria meu rei. – riu ela com divertimento e Valerion sorriu.

—Detalhes... meros detalhes. Estou falando do melhor herdeiro de Robert para o Trono de Ferro. – disse calmamente e Myrcella sorriu novamente – Diga-me, minha senhora. O que achou de Harrenhal? – perguntou tranquilamente.

—Grande. Muito grande. – respondeu ela – É deveras um castelo para reis. – adicionou ela e Valerion concordou.

—Sim... e se não for bem administrado, cairá em ruínas.

—Mas tenho certeza que faremos um bom trabalho.

A Longa Noite voltará antes que você se torne a senhora de Harrenhal.

—Tenho certeza que sim. – riu Valerion com seu sorriso charmoso e Myrcella corou desviando o olhar, colocando uma mecha de cabelo dourado atrás da orelha. Sorriu como se a estivesse achando adorável, quando notou que Cersei se aproximava com suas damas de companhia. Seu sorriso então se tornou algo maldoso e ele mirou Myrcella, disfarçando – É tão graciosa quando se perde em timidez, minha senhora. – murmurou e Myrcella o olhou com as bochechas rubras – Graciosa demais para não receber um beijo. – adicionou e Myrcella o mirou surpresa. Porém, antes que ela pudesse fazer qualquer coisa, tomou seu rosto e lhe roubou um beijo de seus lábios. A princesinha derreteu em seus braços, o envolvendo ao redor do pescoço, num momento de entrega, como se estivesse esquecendo onde estava. Lady Margaery e suas primas passaram pelos dois, dando risadinhas e logo ficou tudo muito silencioso. Aquele silêncio que antecede o momento em que um leão pularia sobre sua presa – Senti falta de seus doces lábios, minha senhora. – sussurrou afastando-se de leve e Myrcella o olhou completamente apaixonada.

—Mas terá que esperar seu casamento para continuar a prová-los, Sor Valerion. – escutou a voz sibilada de Cersei. Myrcella pulou para longe de si e Valerion retirou sua mão de sua real fina cintura. Cersei o olhava com os olhos injetados de raiva, por mais que sorrisse.

—Vossa Graça. Perdoe-me. – murmurou fazendo uma reverência – Mas meu casamento já está para chegar. Não vejo que problema há em um pouco de cortejo. – disse calmamente e Myrcella se endireitou ao seu lado. Cersei o olhou parecendo mais zangada ainda, mas ele não teve medo.

—Cortejo sim. Palavras doces, trocas de olhares, passeios de braços dados. Nada mais do que isso. – rosnou ela e Valerion olhou para Myrcella com um sorriso insolente. Myrcella corou violentamente e Cersei a puxou de maneira quase brusca pelo pulso. A princesa ainda olhou para trás, para ele, e ele lhe lançou uma piscada com um sorriso divertido. Quando a princesa se afastou, mirou seu pai, que o olhava com desconfiança, sob o olhar divertido de Olenna Tyrell.

Soltou um suspiro e estava para se retirar, quando Joffrey apareceu, seguido de perto por sua Guarda Real. Loras sorriu divertido e Valerion sorriu de volta, acenando de leve.

—Myrcela, mãe. Venham cá. – disse Joffrey se aproximando – Estou querendo fazer um jogo. – disse ele vindo em sua direção e o herdeiro Blackfyre sentiu-se tentado a sair correndo – Valerion venha cá. Você vai fazer parte do meu jogo. Ei, você. – disse ele se virando para um servo Tyrell que trazia uma travessa cheia de taças com água e sucos – Arrume algo para seu rei se sentar e alguma coisa para me fazer sombra. Rápido ou arrancarei suas mãos. – disse ele e o homem concordou num aceno de cabeça assustado.

—Que tipo de jogo tem em mente, meu senhor? – perguntou Valerion prevendo um desastre, enquanto seu pai se aproximava curioso com Lady Olenna.

—Um combate. Entre você e Loras. Agora. – disse ele com um sorriso cruel e divertido.

—Que grande ideia, meu amor. – disse Margaery se aproximando de Joffrey com um sorriso gentil – Eu e minhas primas adoramos ver as lutas de Loras e Valerion. – adicionou ela, parecendo feliz e empolgada. Joffrey sorriu cruelmente e Valerion teve certeza que ele não planejava algo simples assim.

—Permita-me pedir ao meu escudeiro que me traga a armadura. – disse Valerion, se virando para Bry, que se aproximava sempre tentando ser eficiente.

—Não será necessário. – riu Joffrey mirando Valerion, que sentiu um arrepio lhe subir a espinha.

—Vossa Graça? – perguntou confuso.

—Você enfrentará Loras sem armadura. – explicou Joffrey e Valerion sentiu-se como se tivesse pulado um degrau por acidente.

—Senhor... isso é injusto. – disse Loras, franzindo o cenho – Não posso lutar completamente vestido enquanto Valerion não usa nem mesmo uma cota de malha.

—Prefere lutar sem armadura também? – perguntou Joffrey e Valerion notou que o sorriso de Margaery morreu, quando ela adquiriu uma expressão preocupada. Cersei sorriu com divertida satisfação e Myrcella escondia a boca com as mãos. Loras baixou os olhos, repreendido e Joffrey continuou – Usarão suas espadas. O vencedor ganhará um prêmio. Todos aqui poderão apostar em um campe...

—Isso não vai acontecer, Joffrey. – disse seu pai, ao lado de Lady Olenna. Valerion olhou dele para Joffrey, que parecia simplesmente ofendido.

—O que foi que você disse? – perguntou ele, parecendo irritado.

—Eu disse que isso não irá acontecer. – repetiu seu pai, calmamente. Joffrey sorriu zangado e mirou as pessoas que assistiam, para então encarar seu pai novamente.

—Quem você acha que é para me contrariar? Eu sou o rei!

Seu pai sorriu de maneira extremamente gentil e amigável.

—Eu sou o homem que tem um exército maior que o seu, dentro da sua cidade. – explicou ele calmamente – O mesmo vale para os Tyrell. Sem falar que são eles quem estão alimentando o seu povo. – seu pai então se aproximou de Joffrey e sorriu – Então, como eu disse... isso não vai acontecer.

—Como ousa ameaçar seu rei dessa maneira? – perguntou Joffrey, completamente ofendido – Eu sou o seu rei e vocês vão fazer como eu disser. Sou eu quem mando em todos vocês e eu quero ver Sor Valerion e Sor Loras lutando de maneira desafiadora.

—Eu te desafio a ordenar isso de novo. – disse o senhor seu pai e Joffrey engoliu em seco. Olhou ao redor, notando a grande maioria de soldados Blackfyre, que ele não tinha notado antes. Vários homens de capas negras, com o dragão de três cabeças bordado em alto relevo, com linhas negras, mas brilhantes. Olhou novamente para o rei, que parecia notar exatamente isso. Sor Meryn Trant puxou a espada, num aviso para Lorde Haegon, mas ele apenas sorriu – Guarde isso, antes que eu mate você, Trant. Não passa de um moleque. Vocês sabem que nenhum membro dessa Guarda Real seria capaz de me matar antes que eu cortasse a garganta de Joffrey.

Os membros da guarda miraram Joffrey, que engoliu em seco.

—Vossa Graça? – perguntou Meryn Trant, parecendo nervoso.

—Cersei, leve Joffrey para seus aposentos. Ele não parece estar muito bem. Valerion, vamos. Temos assuntos para tratar. – disse seu pai com uma calma sem limites – Obrigada, Lady Olenna, pelo agradável momento.

—Oh, eu quem agradeço pelo espetáculo. – riu ela parecendo satisfeita.

Valerion acompanhou o pai, passando por uma furiosa Cersei Lannister. Os guardas Blackfyre foram se reunindo, para a proteção dos dois, os cercando por todos os lados.

—Isso não foi sensato. Joffrey é louco, pai. – murmurou em choque com o que tinha visto.

—Louco, mas covarde, pelo que Myrcella me contou. – rebateu ele – Andou tendo problemas com esse tipo?

—Muitos. Eu não tenho sua reputação e nem tinha tantos guardas. Quantos homens trouxe?

—Dois mil. – respondeu ele, calmamente – Precisava fazer uma comitiva para a princesa Myrcella, o que serviu como desculpa para trazer tantos homens. O restante ficou em Harrenhal, protegendo nossas terras.

—Entendi. – murmurou ansioso, sem querer conversar com o pai – O que deseja falar comigo?

—Nada. Só quis tirá-lo de lá. – respondeu seu pai com um sorrisinho – Vamos procurar Tyrion e beber um pouco. Sinto falta de uma boa conversa regada a vinho... poderia até mesmo aproveitar para cantar uma música para Lady Sansa... sobre uma donzela de olhos violetas e um jovem Stark... – e seu pai lhe lançou um sorrisinho. Valerion sorriu também, o olhando – A música não para de ser tocada em canto nenhum, pelo que escutei. – adicionou seu pai e Valerion concordou com um aceno de cabeça.

—Você soube do que aconteceu com Robb? – perguntou curioso.

—Sim, eu soube. – respondeu o senhor seu pai – Terrível. Lorde Wader Frey me convidou para fazer parte do esquema, mas recusei-me prontamente... um homem que mata seus convidados da maneira como ele fez... ofendeu o Norte, ofendeu os Stark, ofendeu os Deuses... o Norte não vai esquecer e Lorde Frey sofrerá por seus atos...

—Que notícias interessantes tem das Terras Fluviais? – perguntou curioso e seu pai suspirou.

—Há pequenas rebeliões por todo o lado. – murmurou seu pai – Muitos se recusam a baixar a cabeça para os Frey. Riverrun resiste, liderada por Brynden Tully, por mais que Edmure tenha sido pego como refém... e agora temos essa Irmandade sem Bandeiras...

—O que é isso?

—Beric Dondarion e Thoros de Myr lideram uma irmandade que não está juramentada a nenhum senhor. Dizem cuidar do povo.

—E o fazem?

—Sim. – respondeu seu pai, para sua surpresa – Capturam soldados, independentemente do rei que servem, confiscam seus bens e os utilizam para ajudar as pobres vilas destruídas pela guerra. Protegem essas mesmas vilas de saqueadores... mas o mais curioso é o que dizem sobre Lorde Beric.

—Eu achei que ele estivesse morto. – confessou enquanto se aproximavam mais e mais da Fortaleza Vermelha.

—Dizem que ele não pode morrer. Thoros de Myr invoca o poder do Senhor da Luz e o traz de volta. Algo sinistro e perigoso, na minha opinião... – murmurou Lorde Haegon – Os mortos deveriam permanecer assim... mortos.

—E suas visões sobre o inverno, pai?

—Seguem da mesma maneira. Cada vez mais mortais e sem volta. – suspirou ele – Sabes que teu irmão matou Viserys.

—Sim. – respondeu Valerion.

—Eu vi teu irmão, ao lado de um herdeiro Targaryen. Dois dragões, um vermelho e um negro, enfrentando o Rei da Noite, salvando Westeros da Longa Noite. O Dragão Vermelho portará a espada que trará a luz de volta e o Dragão Negro estará ao seu lado, selando uma aliança que jamais morreria, salvando a todos do terrível inverno. – explicou seu pai – Mas Aegon matou o último Targaryen vivo.

—Pai... – murmurou Valerion – Ainda existe a garota Targaryen... ela, talvez...

—Não. – cortou seu pai – Eu vi dois dragões homens. Era seu irmão e outro Targaryen. Seu irmão sabia da profecia, mas sua falta de fé o cegou e ele destruiu nossa esperança.

—Espero que não esteja pensando em simplesmente aceitar o inevitável. – ralhou Valerion.

—Não. – discordou seu pai – Eu estou pensando em possibilidades para cumprir essa minha profecia... de outra maneira. – explicou seu pai e Valerion o olhou – Eu vi dois dragões de cores diferentes... precisaremos de dois dragões... se seu irmão casar com Daenerys e pegar os estandarte dela para si... minha profecia se cumpriria. – explicou ele, calmamente – Mas para isso seu irmão precisa parar de segui-la como um cachorro e tomar uma atitude. Como eu disse anteriormente... – ele parou e os homens Blackfyre pararam – Senhores. Afastem-se dez passos e virem-se de costas. – ordenou Lorde Haegon e Valerion observou a obediência deles. Seu pai então o olhou com atenção e disse num sussurro, quase inaudível – Você será meu herdeiro, Valerion. Você herdará Harrenhal... pois a Aegon entregaremos os Sete Reinos. Ele se sentará no Trono de Ferro.

Valerion sorriu, mas seu sorriso não alcançou seus olhos. O Trono de Ferro. O que Aegon sabia sobre o Trono de Ferro? O que ele sabia dos problemas de Porto Real? Sempre que algo problemático surgia para que ele precisasse resolver, Aegon pegava um barco e sumia no mundo. Essa não era a atitude de um rei...

—Pai... – murmurou, cauteloso – Aegon não será melhor que Robert. – disse ansioso.

—Não preciso que seja. Só preciso que ganhe a guerra. Como Robert fez. – disse seu pai – Daenerys quem governará.

—Uma garota criada de forma marginalizada? O que ela sabe sobre reger uma cidade, um reino? Quanto mais sete? – disse sentindo algo estranho dentro de si. E teve total certeza que seu pai notara. Ele respirou fundo e negou com a cabeça.

—Acha que seria um rei melhor? – perguntou ele, curioso.

—Eu tenho certeza disso. – murmurou confiante – As pessoas já me conhecem. Elas me são gratas. Eu tenho uma reputação boa e estou envolvido nos assuntos do Pequeno Conselho. Eu como rei e você como minha Mão... poderíamos vencer qualquer ameaça vinda do Norte. – disse baixinho. Seu pai lhe olhou com um sorriso.

—Cuidado Valerion... está tentando correr, antes mesmo de aprender a andar. – murmurou seu pai, retomando a caminhada.

Não... estou querendo voar...

**

Quando Shiera viu a Muralha pela primeira vez, perdeu o fôlego e caiu do cavalo, desmaiando. Acordou já dentro de Castle Black, numa cama quente, aos cuidados de Talisa. Seu pequeno Ned dormia ao seu lado, num tranquilo sono inocente, enquanto seus soldados protegiam a porta. Porém, Talisa não notou quando acordou, então ficou muito quieta, sentindo-se estranha.

Tinha tido sonhos perturbadores. Sonhou com o Rei da Noite, roubando crianças numa floresta de gelo, para tocar-lhes a face, as amaldiçoando com sua magia negra. Sonhou com Aegon afagando um enorme dragão cor de creme, com tons de dourado, enquanto pronunciava seu nome, numa promessa de que estava a caminho, mesmo que parecesse triste por isso. Depois viu Valerion, cercado de inimigos, sacando sua espada, pronto para se defender, lutando até o último resquício de energia. Depois sonhou com a Muralha e com o enorme exército de Mance Rayder. Os viu chegando, com gigantes e criaturas parecidas com seus elefantes de guerra, mas maiores e peludos, com presas gigantescas. Sonhou com Bran, Jojen, Meera e Osha, atravessando a Muralha por um túnel escondido e subterrâneo, indo em direção ao Norte, para o destino deles, fosse qual fosse.

Tinha mentido para Jon. Ela encontrara Brandon. Mas ele explicou que precisava ir. Precisava encontrar o Corvo de Três olhos. Ela explicou que ele era o herdeiro de Ned, que ele poderia ter que herdar Winterfell. Mas Bran abdicou de seu direito de herdeiro e falou que seu destino não era em Winterfell. Era no norte, onde poderia aprimorar suas habilidades. Ela ainda tentou convencê-lo do contrário, mas ele estava decidido e ela o deixou ir. Apenas Nym e Hoster sabiam disso, mas juraram manter segredo. Bran quis ser dado como morto e assim eles o fizeram.

Aproveitou o momento para recordar sua fuga de Winterfell. Como esconderam Ned num saco de pano, amarrado a um cavalo, como se fosse alguma provisão. Bolton nem mesmo notou que o bebê que ela deixara para trás não tinha o mesmo tom de cabelo de Ned. Walda ficou pra trás, para cuidar do bebê falso... se perguntava que destino terrível ela iria ter por conta disso. Não confiava em suas outras duas damas de companhia, então nada lhes disse. Só pode contar com Walda e ela desempenhou seu papel bem o suficiente para que tivessem tempo para fugir.

Descobrira que nunca houvera um ataque por parte dos Homens de Ferro. Fora apenas um estratagema para tirar seus soldados do castelo. Hoster explicara que Roose e Walder Frey tinham um plano. Frey mataria Robb, nas Gêmeas, numa traição imperdoável. Roose esperaria apenas isso para forçá-la a se casar com ele, assim ele se tornaria regente de Winterfell até a maior idade de Ned... ou então ele mataria Ned antes disso, quando ela engravidasse e lhe desse um herdeiro. Os Lannister deram Winterfell para Roose e o proclamaram Protetor do Norte. Agora ela precisava recuperar tudo de volta, apesar de ter menos homens e praticamente nenhum aliado.

Tirara todos seus soldados de Winterfell, abandonando a fortaleza no último momento. Sentia que tinha traído as pessoas de lá, mas não poderia ter feito diferente. Era a vida de seu filho em jogo... e ela tinha conseguido salvar Rickon. Só não sabia o que faria com ele. O garoto tinha um gênio selvagem e impetuoso, quase agressivo. E o lobo do garoto não era diferente. Vento Cinzento e Lady tinham que atacá-lo para mantê-lo sob controle quase todo o tempo.

Soltou um suspiro, sabendo que não poderia ficar muito mais tempo deitada. Tinha coisas para resolver. Era a Rainha do Norte, a Rainha Regente. O legado de Robb dependia dela. Sentiu imensa saudade do marido e se perguntou se a morte dele tinha sido rápida ou lenta. Esperava que ele não tivesse sofrido muito. Jurou em silêncio que esmagaria a Casa Frey e a Casa Bolton. Não descansaria antes de fazer isso.

Levantou-se finalmente e Talisa a olhou receosa.

—Shiera. Como está? – perguntou ela e Shiera ficou de pé, sentindo-se muito forte.

—Incrivelmente bem.

—Você desmaiou e começou a tremer assim que nos aproximamos de Castle Black. Ficaram todos muito preocupados com você. Principalmente Jon Snow. – riu ela e Shiera sentiu o rosto queimar. Mas não tinha tempo para aquilo.

—Não me importa, Jon Snow. – murmurou por mais mentirosa que aquela sentença fosse – Eu preciso falar com o Lorde Comandante da Muralha.

—Então... já que você mencionou... – murmurou Talisa e Shiera a olhou – Pelo que fiquei sabendo, o Lorde Comandante foi assassinado por desertores, pra lá da Muralha.

Shiera piscou, chocada.

—E quem está no comando da Muralha agora? – perguntou confusa – Não tem ninguém?

—Tem um tal de Bowen Marsh. – explicou Talisa – Os homens o chamam de Velha Romã. – adicionou ela com um sorrisinho – Mas quem manda mesmo aqui na Muralha, enquanto o chefe de verdade não aparece, é um tal de Sor Allister Thorne... E ele não ficou nem um pouco feliz por nos receber. Disse que não deveriam ter mulheres na Muralha. – explicou ela – E ele não parece gostar do Jon, também. – adicionou Talisa – Ele está sendo julgado agora. Por deserção.

—Mas ele não desertou. Apenas se infiltrou. E fez bem, caso contrário não saberíamos sobre os selvagens antes que fosse tarde demais! – disse apreensiva. Talisa deu de ombros.

—Eu concordo, mas... esse mundo de homens é confuso. Vai entender... – Talisa suspirou – E aparentemente, Jon andou tendo intimidade demais com uma Selvagem, quebrando seus votos. – explicou ela e Shiera sentiu uma pontada dolorosa de ciúmes. Não é problema meu. Eu casei com Robb e lhe dei um filho. Jon Snow pode fazer o que quiser que não é da minha conta.

—Talisa. Me ajude a me arrumar. Preciso falar com esse Sor Allister. – disse tirando a areia dos olhos.

—Vai ser difícil já que deixamos seu guarda roupa pra trás. – riu Talisa – Mas eu vou ver o que eu posso fazer.

Talisa lhe ajudou a arrumar os cabelos e lhe entregou o único vestido realmente bonito que tinha levado em sua fuga. E ele nem era grande coisa, por ser de moda sulista, deixando seus ombros a mostra, além de um decote provocante. Era completamente negro, com detalhes em vermelho, em padrões curvilíneos, que apontavam movimento, como fumaça. Mas colocou uma capa feita de pele de lobo ao redor dos ombros e a coroa que usava como rainha. A de Robb era muito mais bonita, mas era o que tinha. Prendeu seu arco de aço valiriano, assim como algumas flechas nas costas. Sua espada no cinto do quadril e uma adaga escondida nas sandálias de cordão, nada condizente com o frio da Muralha.

Mas já não sentia frio. Sentia-se quente, como há muito não se sentia.

—Bem... os Nortenhos não gostam de moda sulista, mas é o que temos. – murmurou Talisa, suspirando.

—Eles vão ter que aceitar que têm uma rainha sulista. Mas é até bom... eu não sinto frio, talvez esse dom sobrenatural imponha mais respeito da parte deles.

—Seu exército vai impor respeito, não seus braços desnudos... seu decote talvez... – brincou Talisa com um sorrisinho divertido e Shiera sorriu achando graça. Se aproximou da amiga e segurou suas mãos com carinho.

—Escute, Talisa... não saia desse quarto e não deixe Ned sozinho, está bem? – pediu Shiera a olhando com atenção – Você conhece a música de Bravo Danny Flint. – adicionou preocupada e Talisa respirou fundo, concordando com um aceno de cabeça.

—A garota que se passou por garoto para servir à Patrulha da noite. – concordou ela – Fizeram uma bela música sobre a história, mas o que aconteceu com ela não foi nada bonito.

—Exatamente. – disse apertando as mãos da amiga – Não se esqueça. Estamos em constante perigo e você é uma das pessoas que eu mais confio. Você, Nym e Theon.

Talisa concordou e quando se virou, a escutou chamar.

—Shiera... um segundo. – murmurou ela e Shiera se virou – A maior frota de Westeros ainda é dos homens de Ferro. Com a morte de Robb, eles vão se rebelar novamente. – disse ela e Shiera concordou com um aceno de cabeça – Balon Greyjoy não aceitou que Robb lhe desse independência, em troca de ajuda, mas... e se você casasse com Theon?

Shiera sorriu e negou com a cabeça.

—Não. Isso colocaria Ned em perigo. Se eu me casar novamente... devo tomar muito cuidado na hora de escolher um marido. – murmurou baixinho. Talisa concordou com um aceno de cabeça e Shiera se virou para seu bebê. Ned sorriu para ela e ela o beijou na testa, achando fofo o espirro que ele deu em seguida. Entregou seu pequeno tesouro à melhor amiga e então deixou o quarto. O vento frio lhe acertou em cheio, mas nem mesmo fez com que sua pele se arrepiasse. Respirou fundo, apreciando o cheiro dali. Um cheiro selvagem, gelado e cheio de energia. Podia sentir que era a Muralha que lhe dava forças. Acreditava que era isso. Magia antiga fora usada para erguer aquele lugar e ela tinha uma magia antiga em si, mesmo que de fonte diferente... olhou ao redor e viu Theon, mais seus dez Imaculados, que costumavam fazer sua guarda. Se aproximou deles e disse – Quero dez arqueiras e mais dez Imaculados fazendo guarda nessa porta. Ninguém entra e ninguém sai sem que eu dê a ordem pessoalmente.

—Sim, Vossa Graça. – disse o Imaculado, batendo continência antes de se retirar rapidamente. Shiera olhou para Theon, que parecia muito abatido, provavelmente graças às notícias sobre Robb.

—Onde está Hoster? – perguntou para ele.

—Está cantando lá dentro. Disse que não gosta do frio do Norte. – explicou ele – Não posso discordar. – adicionou Theon com um sorriso triste. Shiera o afagou no rosto, com empatia e os dois suspiraram.

—Sente falta dele, não é? – perguntou com carinho e Theon concordou com um aceno de cabeça – Eu também sinto... mas precisamos ser fortes. Por ele e por Ned. Temos que reconquistar o Norte.

—Tem ideia de como fará isso? – perguntou Theon e Shiera negou com um aceno de cabeça.

—Sinceramente... não. Mas teremos tempo pra isso depois. – Theon o olhou confuso – Eu sou a Rainha Regente, se quero que o Norte me siga e lute por mim e por meu filho, eu devo merecer a lealdade deles. E começarei protegendo o Reino de Mance Rayder e seus Selvagens.

—Vamos ficar aqui na Muralha?

—Por enquanto. – concordou ela. Esperaram até que a guarda de seu filho chegasse e então ela foi avançando com Theon à sua direita. Os dez Imaculados a seguiram e logo Zoltan e Nym se uniram ao seu comboio. Recebeu olhares famintos dos homens da Patrulha, mas nem sequer lhes dirigiu um olhar. Shiera estivera acomodada numa torre redonda de quase trinta metros de altura, com merlões no topo de onde podia-se observar o portão e o começo da escada de madeira que sobe a Muralha.

Marchou com Theon até um Salão feito de pedra negra. Theon abriu a porta e ela entrou com a cabeça erguida e passos firmes. Antes de sua entrada, os homens estavam conversando, parecendo agitados, mas calaram-se ao notar sua presença. O salão era grande, com vários escudos nas paredes, com diversos brasões diferentes, de famílias que já nem existiam mais, ou que ainda ditavam sua influência pelos Sete Reinos. Leões vermelhos, dourados e xadrezes, corujas, cordeiros, donzelas e tritões, garanhões, estrelas, baldes e fivelas, homens esfolados, enforcados e os homens em chamas, machados, espadas longas, tartarugas, unicórnios, ursos, penas, aranhas e cobras e escorpiões, e uma centena de outros encargos heráldicos que adornavam as paredes, blazonados em mais cores do que qualquer arco-íris jamais sonhou. Parou seu olhar diante um escudo com o lobo gigante e suspirou pensando em Robb. Notou que não havia dragões negros ali, o que era bastante óbvio, pois nenhum Blackfyre jamais se juntara a Patrulha da Noite, mas isso fez com que se sentisse só. Sou uma Stark agora. Meu estandarte é o lobo gigante, já que Robb jogou seu manto em meus ombros, na noite em que juramos ser um do outro até o fim de nossas vidas.

Tinha cumprido com sua parte do trato... mas isso não a instigava a procurar outro marido. Na verdade, essa ideia a enojava.

Mas voltou seus pensamentos para o que importava. Jon estava de pé, em frente a uma grande mesa, cheia de homens em vestes negras, como ditava as leis da Patrulha da Noite. Um deles, um homem careca, com uma barba branca e o nariz torto estava de pé, parecendo zangado.

Shiera parou exatamente ao lado de Jon Snow, sem olhá-lo, com as palavras de Talisa a importunando... sobre ele ter se deitado com uma garota selvagem. Ele tentou tirar meu vestido, aquela vez, em Harrenhal... eu deveria ter deixado. Estaria casada com ele, protegida pelos muros do castelo, com a bênção de meu pai, com um marido ainda vivo...

Ou talvez ele tivesse morrido com Robb, nas Gêmeas...

Afastou aqueles pensamentos assim que Theon a anunciou.

—Aqui está Rainha Regente, Shiera Stark, Primeira de seu nome. Rainha e Protetora do Norte, esposa de Robb Stark, mãe do herdeiro de Winterfell. – disse ele e ela mirou aqueles homens sentados a mesa.

O primeiro da mesa era um velho, com cabelos compridos e grisalhos e certamente era a tal Velha Romã que Talisa tinha falado a respeito. Bowen Marsh... os Marsh são uma família leal a Winterfell... aos Stark. Isso é bom... O segundo era o careca, que estava em pé. O terceiro era um homem corado, robusto, com ralos cabelos brancos e uma expressão de insatisfação no rosto. O quarto era um velho, tão velho quanto se poderia ser. Parecia mais velho até mesmo que Naerys Otherys, o castelão de seu pai, o homem que praticamente o criara e que Aegon apelidara de Velho Tartaruga. Parecia ter mais de cem anos, era careca, enrugado, encolhido e aparentemente cego, pois seus olhos eram enevoados, brancos como o leite. Além disso ele tinha uma longa corrente, cheia de elos coloridos e ela entendeu que ele era um Meistre. Ao lado dele havia um outro homem robusto, com a barba salpicada de fios brancos, bem feita e rente ao queixo. Todos ali, com exceção do careca, pareciam ter passado por momentos difíceis. Suas rugas de cansaço eram profundas, daquelas que denunciam tempos difíceis. Imaginou que o careca era algum fidalgo que se juntara há pouco à Patrulha da Noite, mas por ter elevado nascimento, fora promovido rapidamente.

Respirou fundo e mirou o homem que deveria ser Bowen Marsh.

—Boa tarde, meus nobres senhores da Patrulha da Noite. – disse com a voz alta, porém sem arrogância. Tentava soar como Catelyn, com a voz firme e solene, e por mais que fosse feminina, tomava os salões e fazia com que os homens se calassem para ouvir – Recebemos a notícia de que a Patrulha precisava de ajuda. Estávamos a caminho de Harrenhal, para resolver assuntos da Guerra, mas... – fez uma pausa e finalmente mirou Jon Snow. Ele estava mais alto e mais bonito, com o cabelo comprido e ondulado e uma barba por fazer cobrindo-lhe o rosto. Ele já não tinha rosto de garoto, mas sim de homem e isso a desconcentrou de leve – Meus homens flagraram Jon Snow numa luta contra os Selvagens ao Sul da Muralha e o trouxeram para mim. Ele explicou a situação, que suponho que seja de conhecimento de vocês. Então, como Rainha do Norte e responsável pela segurança do reino, eu vim aqui oferecer meus homens e minha ajuda. – disse calmamente – Tenho poucos homens, pois meu marido sofreu uma terrível traição por parte de seus aliados, e nossa casa foi tomada pelos Bolton, mas será uma honra lutar ao lado de tão nobres homens. – fez outra pausa e notou um sorriso desdenhoso por parte do careca. O Meistre sorriu gentil e os dois homens das extremidades pareceram suspirar com alívio. Mas o homem que deveria ser Allister Thorne a olhava completamente impassível – Quatrocentos dos melhores arqueiros do reino. Quatrocentos antigos Imaculados, que agora são soldados libertos, e aproximadamente quatrocentos homens de infantaria. – outra pausa, mirando os duros homens a sua frente.

—E o que quer em troca? – perguntou Bowen Marsh.

—Podemos começar por não executando Jon Snow. – disse com um sorriso amável – Quando ele teve tanto trabalho para conseguir reunir tantas informações úteis e ainda conseguir ajuda para a Muralha. – respondeu e o careca sorriu com desdém novamente, mas o ignorou, por mais irritante que fosse – E gostaria que acomodassem meus homens enquanto não marchamos de volta para nossa guerra contra o sul. Conversarei sobre negociações quando elegerem um novo Alto Comandante.

—Eu sou o Comandante em exercício. – resmungou Thorne.

—Mas não é oficialmente o Alto Comandante da Patrulha da Noite. Essas são minhas exigências e verão que são bem razoáveis.

—Mas podem aumentar a qualquer momento. – sibilou o careca e Shiera perdeu a paciência, por mais que mantivesse um semblante calmo e solene.

—Desculpe, mas qual o seu nome, Sor?

—Sou Janos Slynt. – respondeu ele.

—Senhor Janos, o que tem contra minha presença aqui? – perguntou calmamente e Janos riu com desdém.

—Você se intitula rainha, quando não passa de uma usurpadora. Só existe uma rainha nos Sete Reinos e ela se chama Cersei Lannister.

—Engraçado você dizer isso quando, historicamente, a Patrulha da Noite não se envolve com a política de Westeros. – riu ela – Diga-me, Sor Slynt...

—Lorde Slynt. Eu sou um Lorde. – rosnou ele e ela riu com deboche.

—Claro. – murmurou – O que você quer que seja o destino de Jon Snow? – perguntou ela.

—Ele é o filho bastardo de um traidor e merece morrer por ter quebrado seus votos. – rosnou ele.

—Mesmo que tenha feito isso por ordem de um irmão da Patrulha?

—Não importa. – rosnou ele.

Shiera sorriu ternamente e olhou para Jon de maneira travessa. Ele a olhava ligeiramente constrangido.

—Suponho que tenha bons amigos na corte de Porto Real. Amigos poderosos. – disse calmamente. Janos concordou com um sorriso arrogante.

—Sou amigo pessoal da rainha.

—E mesmo assim veio parar aqui. – disse com um sorriso gentil, o alfinetando e ela notou que o Meistre deu uma risadinha – Não deve tê-la agradado tanto assim. – adicionou, fazendo-o corar e arrancando uma risada nada discreta de Theon – Eu devo me sentir intimidada pelas suas amizades em Porto Real, imagino. Mas sabe... Jon Snow é meu amigo pessoal e eu cuido dos meus amigos. – se virou preguiçosamente – Nym.

—Sim, senhora. – riu ela pegando o arco e todos menos o Meistre levantaram de uma vez. Eram apenas quatro contra Theon, Zoltan, Nym, seus dez Imaculados e ela mesma.

—Quem acha que está em melhores condições de proteger amigos, Lorde Slynt? Eu ou a rainha Cersei? – perguntou amavelmente e Slynt gaguejou parecendo ter se assustado – Me desrespeite mais uma vez e eu arranco sua cabeça fora, eu fui clara o suficiente? – ele concordou com um aceno trêmulo de cabeça – Bom. Nym. – e sua arqueira baixou o arco – Foi uma excelente conversa, senhores, mas eu vou me reunir com meus homens de confiança para planejar um ataque pela retaguarda dos selvagens. Mas deixarei alguns homens aqui, pois meu bom amigo Jon disse que o inimigo pretende atacar Castelo Negro pelo sul e pelo norte. A Patrulha vai precisar de nós. Então... se me derem licença. – virou-se para Jon que sorria discretamente. Sorriu para ele também e então marchou para fora do salão, sentindo algo que tinha tentado enterrar durante muito tempo lutar para libertar-se.

**

Estava mais uma vez no Septo de Baelor. No fim das contas sua conversa com o pai não tinha tido nada de assustadora. Sim, foi repreendido por seu comportamento com Sansa, mas seu pai entendeu que algumas vezes homens fazem loucuras em nome de um sentimento chamado amor. Ele apenas tinha pedido que se conformasse que Sansa Stark estaria para sempre longe de seu alcance.

Claro, ele não sabia de seus planos mirabolantes...

O Alto Septão o olhou com curiosidade, provavelmente se perguntando o que ele tanto buscava ali. Na verdade, nem mesmo Valerion sabia o que buscava ali. Mas se sentia mais calmo e protegido no Septo. As pessoas rezavam com vozes sussurradas e isso dava ao lugar um ar de tranquila serenidade. Ficou lá praticamente toda a manhã, pois era o único lugar onde poderia ficar sozinho, perdido em seus próprios pensamentos.

Quando deixou o septo, notou uma dama de companhia sair correndo para reportar a alguém, mas ela usava um manto negro sobre o rosto e ombros e ele não a reconheceu. Se ela iria reportar a Cersei, Margaery ou Myrcela, não sabia dizer.

Agora que não era mais membro do Pequeno Conselho, com o retorno de seu pai a Porto Real, tinha muito mais tempo livre. Voltou a seu quarto, onde pegou uma das roupas de Aegon que seu pai lhe tinha trazido. Colocou uma negra, com belos bordados num vermelho muito escuro, colocando uma corrente de ouro com uma cabeça de dragão esculpida com maestria. Um rubi representava um pequeno e brilhante olho. Não pegou uma capa dessa vez, mas colocou um grande anel em forma de cabeça de dragão, feito de aço escuro enegrecido. Depois passou um pouco de perfume e respirou fundo.

Almoçou com Myrcela, sendo guardado por Osmund Kettleblack, já que os membros da família real deveriam sempre estar em companhia de um membro da guarda real. Flertou com sua noiva durante toda a refeição, apesar de estar com vontade de passar um tempo com Sansa ou com Loras, treinando a habilidade com a espada. Mas fingiu que nada no mundo o alegraria mais do que estar ali com a princesa.

Até tentou beijá-la, mas ao escutar Sor Osmund sacar a espada, achou melhor deixar pra lá. Myrcella sorria parecendo muito feliz com seu flerte, então se convenceu que já tinha feito o suficiente com aquele teatro. Depois da refeição, disse que iria se encontrar com Loras, para o treino deles, mas que antes teria um tempo para uma caminhada. Perguntou se a princesa gostaria de acompanhá-lo e ela aceitou contente. Passearam pelos jardins e ele teve uma ideia para aborrecer Cersei. Segurou uma das mãos de sua noiva e sussurrou em seu ouvido.

—Quero beijar-lhe os lábios, princesa, mas Osmund não nos permitirá.

—Queria poder dispensá-lo, mas ele não desobedeceria às ordens de minha mãe.

—Você desobedeceria?

—Sim. – riu ela, corando de leve.

—Ele usa uma armadura pesada e nós não. O quanto consegue correr? – perguntou com um sorrisinho e Myrcella sorriu também – Vamos?

E ela correu na frente.

Correu atrás dela, escutando Osmund Kettleblack resmungar e xingar atrás deles, exigindo que parassem de correr e o esperassem, mas tal como tinha imaginado a armadura pesada não permitia que ele corresse rápido o suficiente e logo conseguiram despistá-lo, próximos à Arcada das Donzelas. Quando chegaram lá, pararam para respirar, rindo da travessura com Kettleblack e enquanto Myrcella ria, a empurrou contra a parede e lhe roubou um beijo.

Mas não um simples beijo, casto e inocente. A beijou com o desejo de um homem por uma mulher. A mordiscou nos lábios, a prensando com os quadris, enquanto afagava a fina cintura da garota com o polegar. Desceu os beijos para o pescoço dela e roubou um gemido tímido da princesa, que segurou suas vestes com força, o puxando contra seu delicado corpo real.

Sorriu ao se afastar para olhá-la nos olhos e notou o desejo adolescente nos olhos dela.

—Disseste que Margaery tem uma beleza sensual... eu também a tenho? – perguntou ela, por um momento voltando a ser aquela jovem princesinha insegura que ele conhecera. Sem aquela pose de leoa que ela adquirira e a deixava parecendo Cersei Lannister.

—Até quando fazes algo bobo como respirar, meu amor. – murmurou. Era parcialmente verdade, mas sabia que ela ainda não o encantava como Sansa o fazia com um simples sorriso tímido. Lembrava de beijar Sansa em segredo em seu quarto durante toda a noite, louco para fazer mais do que deveria. Mas sempre se conteve e agora ela estava casada com Tyrion – Não existe donzela mais bela em todos os Sete Reinos. – sussurrou para ela antes de lhe beijar novamente os lábios, com desejo.

Myrcella era uma garota bonita e ele era homem. Claro que haveria desejo, mesmo que não se comparasse com o que sentia por Sansa.

A princesa o beijou de volta, com o coração batendo tão acelerado que era capaz de senti-lo contra seu peito. Voltou a beijá-la no pescoço, a mordiscando de leve e Myrcella jogou a cabeça para trás, dobrando a perna. A segurou na coxa e a prensou novamente com os quadris, roubando-lhe outro gemidinho. Mas antes que pudessem ser flagrados, afastou-se dela, parecendo sentir muito... por parte até sentia.

—O que foi? – perguntou ela. Valerion sorriu e respirou fundo.

—Não quero desrespeitá-la, minha senhora. Iremos casar em breve e então não precisaremos nos conter... vamos encontrar Sor Osmund antes que comecem a correr rumores sobre sua reputação. – explicou a beijando nas mãos – Sou muito devoto aos Sete para macular sua imagem dessa maneira.

Myrcella o olhou apaixonadamente e lhe beijou mais um pouco, antes de voltarem para os jardins, onde Sor Osmund os encontrou com um péssimo humor.

—Acho melhor correr antes que ele nos alcance. – riu Myrcella e ele fez uma reverência antes de sair correndo. Voltou a seus aposentos e encontrou Bry treinando sua escrita, como o tinha ordenado que fizesse.

—Senhor. – disse ele parecendo satisfeito consigo mesmo – Já transcrevi três páginas desse livro que você me mostrou. – disse ele de maneira simples e nada rebuscada, afinal ele crescera na Baixada das Pulgas.

—Muito bom, Bry. Mas agora vou precisar de meu escudeiro. Tenho um treino com Loras e gostaria que convidasse Lady Sansa para assistir. – disse polidamente.

Bry o olhou desconfiado e Valerion notou censura em seu olhar.

—Passou um tempão com a princesa e agora quer flertar com Lady Sansa que é casada! – ralhou ele e Valerion deu uma risadinha.

—Só quero dar uma distração para minha amiga Sansa. – discordou pegando sua armadura de treino – Venha aqui e me ajude a vestir, Bry.

Estava quase pronto quando um arauto apareceu, abrindo a porta. O reconheceu como um homem de seu pai.

—Lorde Haegon de Harrenhal quem entra.

—Certo. – disse com o braço esticado e o cotovelo apoiado na cabeça de Bry, enquanto ele prendia as amarras da lateral de sua armadura. Seu pai entrou, em vestes completamente negras, com bordados em alto relevo, que brilhavam dependendo de como a luz batia sobre elas. Ele o olhou curioso e suspirou – Olá, meu pai. Estou indo para um treino de espadas com Sor Loras. Gostaria de observar-me?

—Claro. Escutei que andou aprimorando sua habilidade. Gostaria de ver o quanto. – disse seu pai o olhando de cima a baixo – Vai estrear sua nova espada?

—Num treino? Não. Usamos espadas sem fio. – explicou calmamente – Quando fazemos demonstrações para Lady Margaery e suas primas, nunca usamos espadas com fio, para evitar assustá-las com sangue.

—Entendi. – riu seu pai com um sorriso calmo – Escutei que você fugiu por aí com a princesa Myrcella...

—Andou fazendo amizade com Varys? – perguntou surpreso.

—Não precisei. Sor Osmund Kettleblack saiu xingando e perguntando por vocês por todo o lado. Cersei ameaçou arrancar a cabeça dele se ele não encontrasse vocês logo. O que foi fazer com ela?

—Demonstrar meu carinho por minha noiva? – perguntou com um sorriso sarcástico. Bry terminou de amarrar sua placa de peito e estava para colocar as ombreiras, quando seu pai fez um sinal para que ele não o fizesse.

—Saiam. Quero um momento a sós com meu filho. – disse ele. O arauto obedeceu prontamente, mas Bry fez de conta que não ouviu.

—O senhor não manda em mim. Eu só respondo ao senhor Valerion. – disse ele de forma tão petulante que seu pai até piscou surpreso. Valerion deu uma risada e logo seu pai o acompanhou.

—Confio plenamente em Bry. – disse tranquilo.

—Mas eu prefiro que ele saia. Sob tortura um garoto pode falar muitas coisas, por mais leal que seja. – explicou seu pai e Valerion concordou com um aceno de cabeça.

—Está bem. Nos dê uns minutos, Bry. – disse calmamente e Bry lançou um olhar rancoroso ao Lorde de Harrenhal antes de sair – O que houve?

—Pare de tentar aborrecer Cersei. – disse num tom baixo – Não desrespeitou a princesa, não é?

—Pai, eu sou um cavaleiro. – disse fazendo-se de ofendido, apesar de ter um sorriso sarcástico no rosto.

—Aegon também era, mas arranjou bastardos por aí, não foi? A cada dia que passa você fica mais parecido com ele. Tanto aqui – ele passou a mão por seu rosto – quanto aqui – depois em sua testa – e aqui. – ele colocou a mão sobre seu peito.

—Aceitarei como elogio, parte dessa insinuação. – riu Valerion – Não fiz nada de demais e nem nada que a princesa não quisesse. Ela mesma me defenderá da mãe. Só nos beijamos. – disse tranquilamente – Preciso mostrar interesse, não é? Nada melhor do que mostrar o interesse de um homem para uma mulher. É mais fácil do que falar mil palavras de amor, pois essas seriam mentirosas. O desejo é autêntico. – disse tranquilamente e seu pai suspirou.

—Bem... eu espero que você saiba o que está fazendo. Cersei é uma mulher perigosa, você sabe.

—Sei. – disse calmamente – Agora, se foi só isso, chame Bry, para que ele termine de me vestir.

Logo estava andando ao lado de seu pai para o treino de espadas. Loras já o esperava, em sua bela armadura branca, entalhada com rosas douradas. Cumprimentou Lady Margaery e suas primas e logo começou o embate de espadas. Minutos depois Lady Sansa apareceu, acompanhada de seus guardas Lannister e sua aia, que era Shae. Sorriu para ela e recebeu um sorriso de volta, mas logo estava de volta no treino. Derrotou Loras uma vez e depois outra, mas na seguinte foi derrotado. Estava no quarto embate, quando escutaram palmas.

Ele e Loras se interromperam e miraram um homem alto e esguio, com uma barba que contornava seu rosto em uma linha quase fina, além de um bigode. Ele tinha a pele morena e os cabelos escuros e curtos, com feições exóticas. Era obviamente um dornês, por mais que nunca tivesse visto um.

—Impressionante. – disse ele com um sotaque diferente, confirmando suas suspeitas sobre ser um dornês – Seu filho é bastante habilidoso, Haegon.

—Oberyn Martell. – riu seu pai levantando-se de seu lugar para cumprimentar o homem – Conhece meu filho Valerion?

—Espero conhecê-lo e cultivar sua amizade. Não seria sensato fazer o contrário com um lutador tão habilidoso. – riu Oberyn com um sorriso travesso e Valerion imaginou que ele estava sendo sarcástico.

Passou o resto da tarde com o pai e Oberyn, conversando sobre Dorne, entre outras coisas. Oberyn o olhava com interesse praticamente todo o tempo e de maneira estranha. Ficou ligeiramente constrangido com os olhares dele, mas não fez menção a isso.

—Diga-me, Lorde Haegon. – disse Oberyn, comendo algumas tâmaras – O quanto seu filho está envolvido nas políticas de Harrenhal.

—Bastante. Mas não tudo... não ainda. – respondeu seu pai, calmamente e Oberyn sorriu de maneira enigmática. Tudo bem, você não está envolvido nos meus planos tampouco.

—E quando pretende colocá-lo a par de tudo?

—Em breve. – respondeu seu pai, simplesmente, deixando-o deveras curioso, mas não recebeu mais informações.

Notas finais
No próximo capítulo: Casamento Púrpura! Alguém aceita uma prévia? "Céus, ela é tão maravilhosamente linda... Os cabelos eram de um rico ruivo outonal, os olhos, de um profundo azul Tully. A mágoa tinha lhe dado um aspecto assombrado e vulnerável e isso a tornava ainda mais bela. Ficou tanto tempo a olhá-la que só voltou a si quando seu pai lhe beliscou na orelha. —Pare com isso, Valerion. – ralhou ele e Valerion sentiu-se um garotinho mal criado. Entraram no Septo e se posicionaram para assistir ao casamento. Myrcella estava lá na frente, próxima a Tommen, ao lado de Joffrey. Ela acenou com um sorriso e ele acenou de volta, apesar de não sentir vontade alguma de fazer isso. Myrcela estava bonita, afinal era uma garota bonita, mas em nada se comparava com sua amada Lady Sansa." Shauhsauhsa Mais uma? "-Por que me olha assim? Temos que ser amigos. Em breve seremos irmãos. – debochou Joffrey e Valerion sentiu o lábio repuxar de raiva – Claro, minha irmã não é a mulher que você queria. Quantas vezes olhou a esposa do meu tio, hoje? – perguntou ele com divertimento e Valerion aproximou-se um passo. —Cale a boca, Joffrey. – rosnou baixinho. —Ou o que? – perguntou ele." É TRETA! É TRETAAAA! Próximo capítulo na quarta feira! Beeeeijos Titia ama vocês!