Blackfyre

8 Jogo Dos Tronos


Notas iniciais
Yeeei! Blackfyre recebeu sua primeira recomendação! Eu tenho o costume de sempre postar quando recebo recomendações, mesmo que eu tenha postado no dia anterior, e recomendar o novo capítulo para o/a leitor/leitora que tiver recomendado! Então, Lady Luna Stark, esse capítulo é todo seu =D Espero que gostem e continuem comentando, plz! Beijosss!!! #PartiuLer

Jogo de Tronos

—Você é um grande tolo, Ned Stark. – riu Haegon e Ned sentiu mais uma vez saudades de casa e do Norte – Um tolo honrado e bem intencionado... mas ainda assim um tolo. – disse ele enquanto andavam lado a lado pelo corredor do castelo – E eu sou um tolo ainda maior por gostar de você.

—Você jurou fidelidade ao Trono de Ferro, Haegon.

—Sim. – concordou Haegon o olhando parecendo cansado. Haegon parecia gostar tanto de Porto Real quanto ele. A cada dia que passava o homem parecia ficar mais e mais velho, mais e mais cansado... e Ned pensava que a cada dia que passava ele lembrava menos Rhaegar e mais Aerys. Que os deuses fossem bons e não deixassem o Lorde de Harrenhal enlouquecer também – E eu honrei esse juramento todas as vezes, quando Robert pediu. Todos os anos e todos os meses com todos os impostos devidamente bem pagos. Eu cheguei até a pagar os prêmios do Torneio da Mão, apenas para ajudar a coroa a não se endividar. Eu dei o prêmio.

—Você achou que seu filho ganharia o torneio. – disse Ned, olhando Haegon com atenção.

—Se fosse Aegon, sim. Eu teria achado e teria pagado três vezes mais o valor que eu paguei, porque eu tenho certeza que nenhum homem seria capaz de derrotá-lo. Não com uma lança, montado num cavalo de guerra... mas era Valerion e Valerion não é Aegon. Os deuses são bons. – murmurou o homem, parecendo cansado e Ned se lembrou de sua senhora Catelyn, que costumava falar isso. Céus, que os deuses sejam bons, porque o Inverno está chegando— Aegon está com os Targaryen... pelo que Varys me contou, ele ajudou a matar Viserys. Que isso acalme a ira de Robert. Os Dothraki nunca atravessarão o mar por uma mulher. Sem Viserys, os Targaryen não voltarão ao trono... e Robert só terá você e suas conspirações para aborrecê-lo.

—Eu não inventei isso, Haegon. Você viu o livro.

—Eu não estou dizendo que não acredito em você, Ned. Eu não sou idiota. No exato momento em que você me mostrou aquele livro, eu notei. Joffrey, Myrcela e Tommen não são quem Cersei diz que são... mas você é tolo, muito tolo. Já está aqui há quase um ano e ainda não aprendeu a jogar.

—Isso não é um jogo, Haegon.

—Oh, Ned. É justamente o que é. Um jogo sangrento, injusto, cruel. E você cometeu um erro. Você não deveria ter avisado Cersei. Sua mulher prendeu Tyrion, você exigiu que Tywin comparecesse para responder pelos crimes de Sor Gregor... e agora você conta para a rainha o que você descobriu... você é ingênuo demais.

—O que acha que eu deveria fazer?

Haegon o olhou com aqueles olhos violetas. Várias rugas começavam a surgir no rosto dele e era capaz de discernir alguns fios brancos em sua barba, escondidos no meio dos fios platinados. Será que eu envelheci tanto quanto ele nesses meses todos aqui?

—Em primeiro lugar, você deveria ter pedido desculpas a Lorde Tywin pelo terrível mal entendido e pedido a Catelyn que deixasse o filho dele ir. Tyrion jamais faria algo contra seu filho. Eu te disse isso meses atrás. – disse Haegon – Quanto a Sor Gregor, você deveria ter fingindo-se de cego, por cortesia a Lorde Tywin, pelo insulto que sua esposa fez.

—E deixá-lo impune por ter destruído aquela vila e matado aquelas pessoas?

—Entenda, Ned. Você não pode salvar a todos. – ralhou Haegon – Mas quanto a Cersei... você certamente não deveria tê-la avisado.

—E o que eu deveria ter feito?

—Durante a noite, com seus homens e os meus, porque eu teria te dado meus homens pra isso, você deveria prender os príncipes, a princesa e a rainha. Eu mandaria as crianças para Volantis e eu te garanto que Robert jamais colocaria um dedo nelas. E Cersei deveria ficar presa até o retorno de Robert. – explicou Haegon – Já que é tão refém da própria honra, era isso o que você deveria fazer. Eu lutaria uma guerra ao seu lado, com Robert, contra os Lannister. Porque é isso o que aconteceria. Tywin jamais iria aceitar isso e Robert iria querer sangue Lannister. Você poderia ter aconselhado Robert a perdoar a dívida de todos a Lorde Tywin, caso ele se opusesse à coroa. Os Lannister são fortes, mas não podem enfrentar Westeros inteira. Eu não sei o que Tywin iria querer, na verdade. Mas você deveria ter deixado que Robert matasse Cersei e Jaime. – disse Haegon e Ned discordou dele. Nunca agiria daquele jeito, na calada da noite, para separar crianças de sua mãe... – Mas o mais sensato que você poderia ter feito, era ter deixado isso pra lá. – disse Haegon e Ned achou aquilo o fim.

—A honra jamais me permitiria...

—Você não sabe jogar, Ned. Vai condenar a todos nós. Vai nos jogar em uma guerra sem fim e...

—NED! – escutaram uma voz e os dois se viraram. Era Renly quem vinha, ensanguentado e parecendo muito alarmado. Olhou para Haegon, que parecia surpreso e confuso – É Robert... – disse ele ofegante – Estávamos caçando... um javali... – ele não terminou, apenas os olhou desesperado e deu meia volta.

Não olhou para Haegon, mas ambos começaram a segui-lo. Haegon foi cortês o suficiente de acompanhar seu passo lento e manco pela perna ferida, mas isso não fazia com que o achasse mais honrado pelo o que ele tinha sugerido. Logo chegaram no quarto do rei. Ele estava deitado, obviamente ferido. Suado e pálido. Joffrey estava sentado ao seu lado, com cara de choro, segurando sua mão. Sor Barristan Selmy estava lá, assim como Cersei e Meistre Pycelle.

—Deveria ter passado mais tempo com você... – sussurrou Robert para Joffrey, que parecia lutar para não chorar – Para ensiná-lo a ser um homem... – sussurrou ele com dificuldade – Acho que nunca foi meu destino ser um pai. – adicionou ele e Haegon suspirou pesadamente. Talvez você esteja certo, velho amigo.

—Robert... – murmurou Haegon e Robert os olhou. Notou que Cersei ficou tensa, mas seu olhar permaneceu em Robert.

—Vá... – murmurou o rei para Joffrey – Você não quer ver isso... – Joffrey se levantou, olhando para Robert com dor e mágoa no olhar. Em seguida se levantou e saiu. Cersei o acompanhou com os olhos, mas não deu sinal de que sairia dali. Ned se aproximou, com a perna latejando mais do que nunca, chocado com o quanto que Robert parecia fraco – A culpa é minha... muito vinho... eu errei o ataque. – ele falava pesadamente e com muita dificuldade.

—Maldição, Robert. – ralhou Haegon – Não poderia ficar sóbrio nem para caçar?

—Oh, vá cheirar um monte de bosta. Eu estou morrendo, não precisa vir me dar sermão. – riu Robert com os dentes sujos de sangue – Já basta o que eu vou ouvir do Ned. – Ned se aproximou lentamente e tirou o cobertor do caminho para observar a ferida. Estava feio, fedendo, sangrando muito. Ele vai morrer... tinha sido profundo demais – Está fedendo. – engasgou-se Robert e Ned desviou o olhar sentindo por aquilo. Lembrando dos dias felizes no Ninho da Águia, quando ele e Robert não passavam de dois garotos – Fede como a morte. – disse Robert enquanto Ned voltava a cobri-lo com o cobertor – Não ache que não consigo sentir o cheiro dela. – Robert deu uma risada sofrida – Mas eu me vinguei do desgraçado, Ned. Enfiei minha faca no meio da cabeça dele. Pergunte a eles se não fiz isso. Pergunte. – disse ele orgulhosamente e Ned olhou para Barristan, que estava ao lado de Haegon. Barristan concordou com um aceno triste de cabeça, enquanto Haegon meneava a cabeça negativamente. O clima era tenso e sombrio. Rei estava morrendo – Quero o maior banquete funeral que os Sete Reinos já viram. – disse Robert e Ned sentiu-se ainda mais cansado, com o pesar e com a dúvida o corroendo – E quero que todos comam o javali que me pegou. – todos ficaram em constrangido silêncio – Agora, saiam, todos. Quero falar com o Ned.

Cersei ficou mais agitada e se aproximou do marido.

—Robert, meu querido... – começou ela com uma voz doce e atípica.

—Saiam todos! – ordenou Robert e Ned sentiu-se ainda mais perdido. Sentiu Haegon lhe dar dois tapas nos ombros, como se lhe desejasse sorte. Robert tossiu fazendo careta e Haegon andou até Cersei.

—Vossa Graça. Sua dor deve estar sendo profunda. Permita-me acompanhá-la. – pediu Haegon dando um olhar significativo para o nortenho, que se perguntou se ele só estava tentando distrair Cersei para lhe dar algum tempo, ou se ele estava armando algo com ela. Achava a segunda opção pouco provável, já que Haegon nunca gostou muito dos Lannister.

—Eu posso ir sozinha. – disse Cersei, mas Haegon a olhou nos olhos.

—Eu sei que pode, Vossa Graça. Mas permita-me esse favor.

Cersei suspirou e concordou com um aceno de cabeça. Ned recebeu um olhar preocupado de Renly, que logo os seguiu para fora do quarto. Barristan saiu também, seguido por um demasiadamente lento Meistre Pycelle.

Quando ficaram sozinhos no quarto, Ned suspirou e se sentou com alguma dificuldade.

—Seu grande idiota... – ralhou Ned.

—Papel e tinta. – disse Robert – Estão na mesa. Escreva o que direi.

**

Cersei se perguntava o que Lorde Haegon iria fazer.

A primeira vez que o vira, ainda era muito jovem, dias antes de seu casamento. Ele estava com a esposa e o filho mais velho e ela o achou muito bonito. Ainda mais bonito que Robert, mas não tão bonito quanto Rhaegar fora.

Mas agora ele já não era mais tão belo. Ele não estava envelhecendo bem. Haviam rugas demais em seus olhos, seus cabelos estavam salpicados de branco, o que lhe dava a aparência de estar manchado. Ele já não era tão forte e robusto e havia um pouco mais de barriga nele do que se lembrava, apesar de não ser nada de demais, nada comparado a Robert. As mãos dele tinham calos e cicatrizes, ele parecia sempre sombrio e pesaroso... mas os olhos dele ainda pareciam cheios brilho e vida.

—Rei Robert estará morto em breve. – murmurou Haegon com o semblante tão sombrio do que quando comentavam de seu filho mais velho, Aegon.

—Sim... e Joffrey será rei. – disse Cersei estudando o rosto dele, mas não conseguiu ler nada. Ele continuava do mesmo jeito – Você jurará fidelidade ao seu rei Joffrey, não vai?

Haegon parou de andar e olhou para os lados, mas estavam sozinhos no corredor. Então ele olhou pela janela.

—Stark me contou sobre você e Jaime. – disse ele – Joffrey não é filho de Robert.

—E eu suponho que você vai me aconselhar a fugir para longe da ira de Robert? – perguntou zangada. Haegon a olhou com o cenho franzido.

—Não. – respondeu ele e ela o olhou com o nariz empinado – Caso Ned conte a Robert, eu juro que vou manter suas crianças a salvo. – disse ele calmamente – Independentemente das ordens de Robert. Ned tem uma irritante obcessão com honra. Se Robert exigir o sangue dos três, Ned vai se sentir obrigado a obedecer, mas eu não vou deixar que ele machuque os...

—Você acha que eu preciso da sua proteção? – perguntou Cersei. Haegon a olhou ligeiramente surpreso – Já te ocorreu que talvez seja você quem precise da minha proteção?

—Sua arrogância não conhece limites, Cersei. – riu Haegon abandonando o semblante sombrio e sorrindo com divertimento. Isso o deixou muito mais jovem do que ele vinha aparentando ser – E por que eu precisaria da sua proteção? Por que meu filho está do outro lado do mar? Ele matou Viserys Targaryen, que era o que Robert queria. Ou talvez você ache que eu e Valerion precisamos de proteção, por que estamos aqui em Porto Real... eu já fugi daqui uma vez, Cersei, eu faria de novo. Ou talvez fosse minha filha, muito distante daqui, em Winterfell... me diga, que tipo de proteção você acha que eu preciso?

Sentiu-se um pouco insultada por ele. A arrogância dele a irritava.

—Eu em breve serei a rainha regente.

—Ned será rei regente, até que Joffrey tenha idade de governar. Na improvável hipótese de que Ned terá um pingo de inteligência e irá deixar esse seu segredo para lá. Eu adoraria isso. Ele poderia tentar ensinar o seu filho a ser um bom rei, enquanto colocava o reino em ordem. Seria a melhor opção para nós... mas eu duvido que isso vá acontecer.

—Você vai ajudar Ned a me derrubar? A passar por cima de Joffrey? – perguntou Cersei. Haegon soltou um suspiro e negou com a cabeça.

—Ned é um tolo. E eu não gosto de me prejudicar, arriscando o pescoço por um tolo. Robert nunca deveria tê-lo convocado para ser a Mão do Rei. Ele deveria ter chamado o seu pai. – disse ele a surpreendendo de leve.

—Achei que não se desse com o meu pai, lorde Haegon.

—Uma coisa é não achá-lo simpático, outra coisa é achar que ele não é competente. Seu pai seria uma excelente Mão do Rei. E ele faria o conselho escutá-lo no lugar de escutar Robert. – Haegon suspirou de novo, voltando a olhar pela janela – Robert foi um péssimo rei. Espero que Joffrey seja melhor do que ele.

—Você quer que Joffrey seja rei.

—Quero, Vossa Graça. – disse Haegon e Cersei não soube o que pensar daquele homem – Desde que Stannis não soubesse da verdade. Eu não quero uma guerra. Mas se Stannis souber, pode esperar que ele vai vir atrás do trono.

—Ele pode vir, o reino não irá apoiá-lo... você apoiaria?

—Stannis será o rei de direito quando Robert morrer... eu jurei fidelidade ao Trono de Ferro. – disse Haegon – Caso ele não tome conhecimento, eu não serei o homem a abrir o bico. Mas se ele convocar o reino... eu sinceramente não sei o que farei, Vossa Graça. Por isso eu vim aqui para falar com você.

—Achei que não precisasse de mim, Sor. – riu Cersei com um sorrisinho no rosto.

—Eu não preciso, não se preocupe. – devolveu ele e seu sorriso morreu, transformando seu rosto em uma expressão arrogante novamente – Mas eu não vejo motivos para não tentar resolver tudo de maneira pacífica. Eu luto pra sobreviver desde que vim ao mundo, Cersei. E só parei quando Robert conquistou o trono. Eu não quero voltar a lutar agora.

—O que você quer?

—Caso Lorde Eddard resolva não contar a Robert, por pena... eu aconselharei que ele faça o melhor pelo reino... e não espalhe esse segredo.

—E se Lorde Eddard se recusar a te escutar? – perguntou Cersei o olhando com atenção.

—Eu não farei nada. Eu servirei ao Trono de Ferro e a quem se sentar nele. – respondeu Haegon – Seja essa pessoa Joffrey, ou Ned, ou Stannis. Mas se Stannis disser que ele é o herdeiro de Robert... eu posso decidir fingir que não concordo com ele com uma condição.

—Que condição? – perguntou Cersei.

—Case sua filha com Valerion. – respondeu Haegon.

—Valerion viverá aqui...

—Valerion viverá em Harrenhal, castelo que pertencerá a ele no dia que eu morrer. – discordou Haegon – Sua filha será dona do maior castelo de Westeros. Dona de uma das maiores frotas e senhora de uma das terras mais férteis. Sem falar no ouro da casa Blackfyre.

Cersei ficou olhando para ele, se perguntando o que ele estava tramando.

—Você se acha muito esperto...

—A vida me ensinou que eu sou. – discordou Haegon.

—Você mandou seu filho mais velho atrás de uma aliança Targaryen, noivou sua filha com o herdeiro de Ned Stark e agora que noivar seu outro filho com a minha filha... você sempre terá um filho pra ajudar o resto da família. O que está tramando, Lorde Haegon?

—Sangue e Fogo. Fogo e Sangue. – respondeu ele – Eu quero que minha família sobreviva. E agora, se me dá licença, eu vou falar com Ned Stark.

**

Quando Ned saiu do quarto do rei, os mesmos que estavam no quarto com ele antes o esperavam, com exceção de Cersei. Ele olhou para Haegon, que ainda tinha o mesmo semblante sombrio de sempre.

Olhou para Pycelle, ainda preocupado e cansado. Só queria voltar para o Norte, para a casa... mas sabia que isso não aconteceria tão cedo. Precisava trazer Stannis para Porto Real primeiro e só então estaria livre para partir.

—Meistre, dê ao rei leite de papoula. – o Meistre parecia se arrastar de tão lento, com suas correntes tilintando enquanto o fazia.

Renly baixou a cabeça, preocupado e levemente abatido. Barristan parecia derrotado. Varys estava ali também, com seu semblante de sempre. Haegon cruzou os braços e soltou mais um suspiro. Renly seguiu o Meistre, indo ver o irmão.

—Ele estava confuso pelo vinho. – murmurou Barristan – Ele mandou a gente... se afastar, mas... – Ned o olhou com atenção. Barristan soltou um pesaroso suspiro – Eu falhei com ele...

Ned suspirou, mas Haegon quem falou.

—Ninguém poderia ter protegido Robert de si mesmo. – disse ele e Ned não teria encontrado palavras melhores – Robert não é, nem nunca foi, sensato. Ainda mais depois do vinho.

—Me pergunto, Sor Barristan, quem deu o vinho para o rei? – perguntou Varys daquele jeito dele... frases soltas, cheias de significados.

—Seu escudeiro, é claro. – respondeu Sor Barristan.

—O garoto Lannister? – perguntou Haegon e Ned sentiu um frio lhe subir a espinha – Me pergunto se ele teve alguma conversa com a rainha. – adicionou ele lhe dando um olhar severo – Sabemos como Cersei odeia que Robert beba tanto, certamente ela deve ter pedido para que ele tentasse moderar a sede de Robert. – Ned sabia que ele dizia aquilo, mas sabia também que ele queria dizer exatamente o contrário. Sentia até que era uma maneira do homem censurá-lo por ter falado com Cersei e a alertado sobre o que iria fazer... mas a aquela altura, Robert já tinha saído para caçar... ela não poderia ter dado instruções para o primo depois...

—Tão prestativo o garoto... – murmurou Varys – Eu espero que o pobre garoto não se culpe.

O que significa que você acha que ele é culpado.

Ned ficou absorvendo aquela informação por alguns segundos.

—Sua Graça mudou de ideia sobre Daenerys Targaryen. – disse Ned e Haegon o olhou com muito interesse. – Qualquer acordo que tenham feito... cancele. Agora.

—Eu lamento informar que esses passarinhos já voaram. Aparentemente ela já está morta. – disse Varys. Ned olhou para Haegon, que olhava Varys com atenção. Como se calculasse alguma coisa.

**

Andavam pelo mercado, que estava cheio de gente. Daenerys andava a sua frente com suas aias e com alguns companheiros de sangue de Khal Drogo.

Aegon, agora com os cabelos em sua cor natural e a barba feita andava olhando as coisas, desejando ardentemente comer algumas laranjas. Mas só via figos, uvas e romãs. Laranjas e limões costumavam nascer em Dorne, no outro continente...

Jorah disse que iria para o porto ver se havia alguma carta para ele. Aegon não tinha cartas para enviar ou receber, portanto escoltava sua rainha, pela primeira vez sem o olhar atento de Mormont. Rainha Daenerys I Targaryen, Nascida da Tormenta. Rainha dos Ândalos e dos Primeiros Homens. Senhora dos Sete Reinos e Protetora do Reino. Acabou dando uma risada enquanto pensava sobre isso. Uma linda garotinha, com o filho de um bárbaro na barriga... Ela também jamais se sentará no Trono de Ferro... mas cá estou eu a segui-la e a chamá-la de Vossa Graça, apenas esperando o dia em que ela atacará Westeros... isso é, nunca. Pensou amargurado.

Escutou um homem vender vinho doce de Lys e se recordou que era o favorito de seus irmãos. Ele preferia o da Árvore, mas decidiu andar até o homem para comprar uma garrafa. Vou bebê-lo quando Daenerys e Drogo conquistarem os Sete Reinos. Ou, mais provavelmente, enviarei de presente para meus irmãos.

—Quanto pelo vinho? – perguntou Aegon.

—Gosta do vinho de Lys, Sor? – perguntou Dany.

—Não, mas meus irmãos sim. – respondeu se lembrando de Shiera e Valerion – Os dois.

—Então eu quero provar. – riu ela. Aegon concordou com um dar de ombros e mirou o vendedor, que olhava a Khaleesi com interesse. Não o julgou num primeiro momento. Ela era mesmo muito bela. Mas então notou que não era luxúria no olhar dele.

—Minha senhora... você é de Westeros? – perguntou o vendedor.

—Sim. – respondeu Daenerys.

—Você tem a honra de falar com a Rainha Daenerys, Nascida da Tempestade. – disse Doreah, a ex-puta de Lys, que Viserys presenteara a Dany.

—Princesa... – murmurou o vendedor, fazendo uma reverência.

—Levante-se. – riu Dany, gentilmente. Gentil demais para uma rainha...— Eu ainda quero provar desse vinho.

—Isso aqui? – perguntou o vendedor jogando o líquido no chão. Aegon o olhou ainda desconfiado. – Não, não. Isso é lixo. Indigno de uma princesa. – respondeu ele – Eu tenho um tinto seco. O néctar dos deuses. – disse ele. Normalmente se interessaria, pois gostava de tintos secos... mas algo naquele homem o deixou desconfiado. O modo como ele olhava sua rainha não era normal – Deixe-me dar um barril! – disse ele empolgado e Aegon ficou ainda mais desconfiado. Um vendedor dando uma mercadoria que aparentemente era muito cara? Isso não fazia o menor sentido – Um presente!

Um presente. Eu fiz comércio como Aegon Blackfyre a vida inteira, velejando, vendendo e comprando. De Westeros a Essos e nenhum vendedor nunca me ofereceu um presente. Não sem que eu comprasse muito dele primeiro.

—Você me honra, Sor. – disse Dany enquanto o homem ia pegar um barril de seu estoque.

—A honra... é toda minha. – disse ele trazendo o barril. Um dos companheiros de sangue de Drogo pegou o barril e o vendedor olhou para Daenerys – Muitos em sua terra natal rezam pelo seu retorno. – disse ele para Dany. Mas então ele o olhou – Você deve ser o príncipe Viserys, não é? – se eu estivesse bêbado, ele estaria morto— Sim, sim. O legítimo rei de Westeros! – riu o vendedor e Aegon sentiu algo remexer-se em seu estômago. Algo que gostou muito de ouvir aquilo – Que você conquiste sua casa de volta, Vossa Graça. Que seu reinado seja longo e próspero.

Aegon engoliu em seco e deu uma risadinha.

—Eu não sou Viserys Targaryen. – disse para o vendedor – E o Trono de Ferro não me pertence e nem nunca vai pertencer. Eu sou apenas uma das espadas de Daenerys. – disse com a voz firme.

—Oh, me perdoe... é que vocês são parecidos... o cabelo, os olhos... oh... você é um Blackfyre? – perguntou o vendedor e Aegon sorriu zangado. Deveria ter continuado sendo Viserys.

—Não. Eu venho de Lys, Sor. – respondeu olhando para o vendedor, sabendo que ninguém nunca acreditaria naquilo. Ele não mentia muito bem. Shiera e Valerion sim, mas ele não.

Teve certeza que o vendedor não acreditara.

—Bem... espero que goste do vinho, Khaleesi. – disse o vendedor o ignorando e passando a olhar para Dany.

—E eu espero poder retribuir sua bondade algum dia. – respondeu ela.

—Só um momento, Khaleesi. – riu Aegon – Peça que Rakharo me sirva um gole desse vinho. – disse ele.

—Esse vinho não é pra você. É pra... – começou o vendedor, mas Aegon tirou uma faca de aço valiriano do bolso e colocou em baixo do pescoço do vendedor.

—Cale-se. – rosnou e o homem levantou as mãos, assustado – Doreah, me sirva um gole. – disse olhando desconfiado para o vendedor. Daenerys o olhou confusa.

—Há algo errado? – perguntou Dany.

—Estou morrendo de sede. – riu Aegon – E sabe... eu quero ver esse vinho. – o vendedor olhou nervoso para todos e Rakharo abriu o barril, lhe servindo um copo.

—O que está acontecendo? – perguntou Jorah, se aproximando.

—Esse vendedor decidiu dar um barril de seu melhor vinho para nossa Khaleesi, assim que escutou seu nome. Isso me deixou curioso. – riu Aegon e Jorah olhou secamente para o vendedor.

Rakharo abriu o barril e o vendedor arfou.

—Meu senhor... seria um crime servir um vinho dessa qualidade sem deixá-lo respirar primeiro! – disse ele.

—Cale-se. – ralhou Aegon cheirando o vinho. O cheiro era muito bom, sem dúvida. Ele ofereceu o copo para Jorah, que o cheirou também. Os dois se entreolharam, concordando que não havia cheiro suspeito, mas não se convenceram.

—É doce, não? – perguntou o vendedor, nervosamente – Consegue sentir o cheiro das frutas? – Jorah o olhou de novo – Prove-o, senhor. Prove e me diga se não é o melhor vinho que já tomou.

Jorah, por um momento, pareceu que beberia o vinho e Aegon o olhou preocupado.

—Jorah! – disse, mas o velho urso estendeu o copo para o vendedor.

—Você primeiro. – disse ele.

O vendedor suava de nervoso.

—Eu? – perguntou ele – Não sou digno de tomá-lo. Além disso, só um mercador ruim bebe sua própria mercadoria.

—De um mercador para outro. – riu Aegon – Esse foi o maior saco de merda que eu escutei hoje.

O vendedor o olhou novamente.

—Você é o Jovem Dragão Negro.

—E você é um homem morto. – rosnou Aegon pressionando a faca contra o pescoço do homem – Beba. Se eu estiver sendo paranoico, lhe darei essa faca de aço valiriano. Agora beba.

—Mas senhor... eu...

—Você vai beber. – sibilou Daenerys de forma nada gentil, mas autoritária. Aegon a olhou de canto de olho. Agora falou como uma rainha.

Aegon se afastou e o vendedor pegou o copo. Ele levantou o vinho como se brindasse e, quando estava para beber, jogou o copo no chão e tentou correr. Aegon sorriu e arremessou sua adaga, que girou no ar, acertando o vendedor no início das costas. Ele gritou e caiu no chão. Os companheiros de sangue de Drogo o levantaram e Aegon pegou sua faca de volta.

—Khal Drogo vai gostar de conhecer o homem que tentou matar sua Khaleesi. – riu Aegon limpando o sangue da faca nas vestes do homem.

Horas depois, o homem estava amarrado numa tora, depois de ter sido devidamente espancado. Aegon e Jorah andavam ao lado de Daenerys enquanto ela mirava o homem que tentara matá-la com veneno.

—O que vão fazer com ele? – perguntou ela. Notou que não havia pena ou compaixão em sua voz. Mas também não havia alegria com a desgraça alheia. Se fosse Viserys, ele estaria rindo cruelmente do destino desse homem...

—Quando o Khalasar for andar, ele será amarrado num cavalo, forçado a acompanhar o ritmo o tempo que aguentar. – respondeu Jorah.

—E quando ele cair? – perguntou a Khaleesi.

Aegon a olhou com atenção.

—Quando cair, caiu... o cavalo não vai ligar. – respondeu Aegon.

—O Rei Robert ainda me quer morta. – murmurou Daenerys.

—Por isso eu preferiria que não soubessem da minha presença aqui. – murmurou Aegon – Eu temo pelos meus irmãos. Sou um traidor do reino. – disse mirando a Khaleesi.

—Pensei que ele me deixaria em paz agora que meu irmão se foi. – disse ela.

—Ele nunca vai te deixar em paz. – disse Jorah.

—Por que? – perguntou ela.

—Seu pai nunca nos deixou... – murmurou Aegon se lembrando dos assassinos que tinham vindo por eles, quando ele era apenas um garotinho – Por que Robert deixaria? Você por acaso desistiu de fazer Drogo atravessar o mar, Khaleesi? – perguntou Aegon a olhando com atenção.

Ela se virou para olhá-lo.

—E se eu tiver, Sor Aegon Blackfyre? – perguntou ela o olhando nos olhos. Céus. Tão bonita. Por que ela precisa ser tão bonita?— Caso eu queira passar o resto dos meus dias aqui...? O que você faria? Voltaria para Westeros e me esqueceria?

Como se fosse possível esquecer um rosto tão bonito. Aegon suspirou olhando Daenerys. Eu sou mesmo muito estúpido. Meus irmãos ficaram com toda a inteligência para eles. Eu sou apenas uma espada sem cérebro.

—Não, há menos que me mande embora, Vossa Graça. Eu jurei minha espada a você e ficarei ao seu lado até que dispense meu serviço.

—Nunca mais voltaria pra casa? Passaria o resto dos dias comigo? – perguntou ela.

Eu teria me casado com você se aquela maldita tempestade não tivesse me atrasado.

—Ficarei ao seu lado, Vossa Graça. Serei sua espada, como prometi. E se isso significa nunca mais voltar para Westeros... que assim seja. Não estou aqui por um simples voto feito. Estou aqui porque quero servir a pessoa certa, e não a um porco covarde que manda assassinos atrás de uma garota e seu bebê.

Por um momento se esqueceu que o pai dela tinha feito o mesmo com ele, mas torceu para que ela não se lembrasse disso também.

—Obrigada, Sor... eu vou me lembrar sempre disso. – disse ela – Eu prometo que vou nos levar para casa, por mais que leve algum tempo. – prometeu ela com um sorriso gentil.

Ela não deveria ter um sorriso tão gentil. Rainhas não deveriam sorrir assim... apenas esposas deveriam sorrir assim... maldita tempestade.

Escutaram os outros Dothraki entrarem na tenda. Tratou de não olhar tanto para ela. Se Khal Drogo notasse seus olhares, seria seu fim. Ela se casou com ele. Eu cheguei tarde demais. Os planos todos mudaram. Todos...

Drogo olhou para sua Khaleesi com preocupação e se aproximou, para avaliá-la. Ficou de pé, ao lado de Jorah, um pouco mais para trás. A mão descansando no cabo de sua espada. O Khal a chamou. Minha lua e minhas estrelas. E perguntou algo a olhando com atenção. Seu péssimo dothraki imaginou que ele estava perguntando se ela estava machucada, pois Dany negou com um aceno de cabeça. O Khal a beijou na testa e ele notou o quanto ela era pequena perto dele.

Drogo olhou então para ele e para Jorah. Aegon o olhou de volta, sem medo.

—Jorah, o ândalo. Aegon, o Corsário... soube do que vocês fizeram. – disse ele num péssimo idioma comum. Depois ele falou em Dothraki e ele entendeu a palavra “cavalo”. Olhou para Jorah e o urso traduziu.

—Ele disse que podemos escolher o cavalo que quisermos e ele será nosso.

—Não quero cavalos. – disse Aegon – Eu quero minha rainha a salvo. – disse de volta, encarando Drogo – Robert não vai parar até tê-la morta. E se um dia Robert morrer, eu conheço o filho dele. Joffrey não vai parar até vê-la morta também.

Drogo olhou de maneira questionadora para Jorah, que traduziu. Drogo então começou a falar e a falar, olhando para Daenerys e Jorah, e para Aegon também. Mas não entendeu nada além de “O garanhão que montará o mundo”, o título que o filho de Dany tinha recebido.

Ele continuou falando e falando, enquanto os outros homens vibravam. Daenerys parecia emocionada e contente. Inclinou-se um pouco para o lado de Jorah e sussurrou.

—Vamos voltar pra casa?

—Vamos.

—Eu te pago uma cerveja quando chegarmos lá.

Jorah o olhou de canto de olho. Ele era sempre sério, mas sorriu torto.

—Feito.

E no dia seguinte, finalmente deixaram Vaes Dothraki.

**

—Lorde Haegon. – chamou Renly.

—Sim, garoto? – perguntou o senhor seu pai. Valerion e Lorde Haegon estavam conferindo alguns números e vendo o quão mais ricos estavam depois da última viagem a Myr e Lys por parte de seus homens. Valerion olhou curioso, mas Haegon adquiriu o ar sombrio que sempre tinha quando ia falar com alguém além dele – Vejo que se lavou.

—Eu preciso saber de que lado você está. – disse Renly. Valerion olhou para seu pai, curioso. Também queria saber. Seu pai lhe contara que Joffrey era fruto de incesto. Contara também que deveria continuar o jogo de flerte com a princesa Myrcela e ele esperava que seu pai não inventasse de casá-lo com uma bastarda Lannister – Do meu, do meu irmão ou do de Cersei.

Seu pai se sentou de maneira mais confortável na cadeira e olhou Renly com atenção.

—Não sei o que quer dizer. – murmurou – Do seu lado ou do seu irmão? Certamente está falando de Stannis... o que está me perguntando?

—Eu sei que você sabe, Haegon. Você sabe de Cersei e Jaime.

—E você é muito estúpido de falar isso assim. – disse seu pai – E por um acaso você pretende concorrer ao Trono passando por cima do seu irmão?

—Tirar os Sete Reinos de Cersei e dar ao Stannis? – perguntou Renly – Você conhece Stannis. Ele não inspira amor ou lealdade. Você acha mesmo que ele é o melhor para o povo? Para as pessoas a quem governamos? – Renly respirou fundo – Ele não é um rei.

Haegon soltou um suspiro e pegou sua pena.

—Robert proclamou Ned Stark como guardião do reino. – murmurou Haegon – O veado, o leão e o lobo estão prestes a lutar um contra o outro.

—E o dragão, o que fará? – perguntou Renly.

—O dragão vermelho é diferente do negro. – murmurou seu pai – Eu servirei o Trono de Ferro, seja quem for que ficar com ele. Fale com Ned e tente colocar algum juízo nele.

—Como, sor? – perguntou Renly. Valerion olhou o rapaz – Cersei nunca vai deixar de ver a mim ou a Stannis como ameaça. Ou eu conquisto o Trono, ou eu estou morto. E eu não estou interessado em morrer, meu Lorde.

Haegon suspirou e Valerion o olhou sem saber o que seu pai faria.

—Ned me pediu espadas. Eu neguei. E ele é o mais correto em tudo isso. – disse Haegon – Eu não vou me rebelar contra o Trono de Ferro, muito menos por sua causa, Renly. – disse ele – Mas se você conquistar o Trono, terá minha espada.

—Então ajudará Cersei. – disse Renly – Não entende, Sor? Se você se recusar a agir, estará ajudando a ela!

—Estarei? – perguntou Haegon – Escute. Você é um rapaz jovem, bonito. Com uma excelente amizade com uma das famílias mais importantes do reino, os Tyrell. Você é o Lorde de Ponta Tempestade e é muito mais querido que Stannis. Stannis não seria um rival pra você, apenas os Lannisters.

—Ponta Tempestade não pode contra Rochedo Casterly e Harenhall... mesmo com a ajuda de Jardim de Cima. – disse Renly – Eu preciso da sua ajuda, Sor. – disse ele se aproximando. Valerion olhou novamente para o pai.

—Uma aliança entre Ponta Tempestade, Jardim de Cima e Harrenhal seria invencível. Nem mesmo se o Rochedo se unisse a Winterfell... o que eu duvido muito que fosse acontecer... – comentou Valerion.

—Isso mesmo. – riu Renly e Valerion recebeu um olhar atento de seu pai.

—Se por um acaso... eu concordasse em lhe entregar os sessenta homens que eu tenho aqui... o que você faria com Joffrey, Myrcela e Tommen? – perguntou o senhor seu pai.

—Os manteria reféns. Assim poderia ajudar a dobrar o Rochedo e...

Seu pai deu uma risada desdenhosa e balançou a cabeça.

—Vocês parecem que não conhecem Tywin Lannister. – disse ele – Escute, Renly. Meu castelo fica entre Rochedo Casterly e Pedra do Dragão. E eu não estou lá para organizar meus homens. Nenhum dos meus filhos está lá. Meu castelo está vulnerável. Entre ameaçar Lorde Tywin ou ficar fora disso... eu prefiro ficar fora disso. Boa sorte com seus planos.

Renly bufou, mas não se deixou convencer.

—Eu preciso do seu apoio. – disse Renly.

—Desculpe, garoto... mas se por algum motivo eu resolvesse me meter nessa história toda, eu acho que apoiaria Stannis... – disse seu pai – Ele é o rei de direito.

—Stannis não é um rei, Lorde Haegon. Ele é um homem sem empatia. Você não entende? Ele não é o rei que Westeros precisa. – Renly soltou um suspiro e se empertigou – Eu sou.

Valerion concordaria com ele, mas olhou para o pai no lugar disso. Ficaram em silêncio por alguns segundos. Seu pai se levantou e olhou Renly atentamente.

—Quantas batalhas você já lutou, Renly? – perguntou ele.

—Isso não...

—Quantas? – repetiu ele – Quantas guerras você lutou? Você é um garoto. Stannis é um comandante. – Renly baixou os olhos, parecendo amuado – Mas eu concordo que ele não seria um bom rei. Sim, ele levou homens à guerra duas vezes. Destruiu a frota dos Greyjoy, conquistou Pedra do Dragão...

—É um bom soldado, todos sabem. Mas o senhor, melhor do que ninguém, deveria entender que ser um bom soldado não significa ser um bom rei. Robert foi um grande soldado, mas foi um péssimo rei.

—O que te faz pensar que seria melhor que Robert? – perguntou Haegon.

—Eu não ficaria bebendo sem parar, correndo atrás de putas e endividando o reino, só pra começar! – disse Renly – Eu me importo com o povo. Eu sei fazer política de verdade. Eu cresci no conselho. Eu sei como funciona.

Valerion olhou de seu pai para Renly.

—O que Lorde Stark disse disso? – perguntou Haegon. Renly suspirou.

—O mesmo que você. – respondeu ele – Basicamente.

Valerion viu seu pai olhar no fundo dos olhos de Renly.

—Escute, garoto. Eu admito que preferiria ver o reino nas suas mãos do que nas mãos dos Lannisters, e isso inclui aquele moleque idiota do Joffrey. Eu preferiria ver você como rei do que Stannis. Céus, o reino não aguentaria Stannis... – Valerion suspirou – Ele seria uma boa Mão do Rei... mas ele certamente não aceitaria isso. – Haegon olhou para o filho, que se levantou, atento – Vamos, Valerion. Vamos falar com Lorde Stark. – disse ele.

—E quanto a Renly? – disse Valerion olhando para o irmão caçula do rei e sua aposta para melhor monarca.

Renly encarou seu pai com esperança.

—Eu não farei promessas. – disse seu pai parecendo cansado – Eu preciso falar com Ned. Mas aconselho você a se preparar, garoto. – disse ele para Renly. Valerion viu Renly sorrir – E pelo amor dos Sete, dos Antigos e do Senhor da Luz... não saia feliz daqui. Os espiões estão em todos os lugares, você sabe.

—Eu sei. – disse Renly controlando o próprio rosto e saindo carrancudo. Seu pai fez o mesmo e Valerion o seguiu. Os dois foram até a Fortaleza Vermelha, onde a Mão do Rei ficava.

—O que vamos falar com Ned? – perguntou Valerion.

—Vamos nos oferecer para levar as filhas dele para Harrenhal. – respondeu seu pai – E tentar colocar algum juízo na cabeça dele. Céus.

Assim que chegaram lá, encontraram Mindinho. Seu pai o olhou desconfiado e os dois entraram ao mesmo tempo. Ned estava falando com um de seus homens e o dispensou assim que eles entraram.

—Meu Lorde Protetor. – disse Mindinho com aquele jeito cheio de troça dele. Seu pai apenas se sentou numa cadeira.

—E você achava que não podia piorar, Ned. – riu ele – O que quer de nós?

Valerion piscou, pois não sabia que tinham sido convocados, mas fez-se de entendido.

—O rei não tem filhos legítimos. – disse Ned.

—Oh, Ned. – praguejou seu pai.

—Joffrey e Tommen são bastardos de Jaime Lannister, assim como Myrcela. – continuou Ned, como se ele não tivesse dito coisa alguma.

Mindinho estava concentrado, como que digerindo aquilo.

—Então... quando o rei morrer... – começou ele.

—O trono passa ao seu irmão, Lorde Stannis. – disse Ned e seu pai revirou os olhos.

—É o que parece... – Mindinho andou pela sala – A menos que...

—Não há nada disso. – cortou Ned.

—Vamos, Ned. Stannis vai queimar o reino. Ele não sabe como administrar... – começou seu pai.

—Stannis é o legítimo herdeiro de Robert. – insistiu Ned.

—Mas ele não chegará ao trono sem sua ajuda. – disse Mindinho.

—Ele não chegará ao trono e ponto. – discordou seu pai – Stannis não sabe fazer política ou alianças. Ele não sabe negociar. Ele não pode ser um rei sem saber essas coisas, Ned. Você está amarrando uma corda ao redor do seu pescoço.

—Eu concordo com Lorde Haegon. O mais sábio seria negar o trono a Stannis e dá-lo a Joffrey. – disse Mindinho.

—Ou a Renly. – disse Valerion. Seu pai o olhou com censura e Baelish sorriu – Eu odeio Joffrey. – resmungou ele.

—Sim, todos sabem disso, garoto. – riu Mindinho – Sua amada foi prometida a ele, não é?

Valerion corou e nem se deu ao trabalho de negar.

—É claro que esse compromisso caiu por terra. Não é? – perguntou Haegon – A menos que você concorde com Mindinho e deixe Joffrey reinar. – todos olharam para Ned, que parecia completamente desgostoso com eles.

—Algum de vocês tem algum fiapo de honra? – perguntou ele.

—Eu penso no povo, Ned. O povo irá sangrar. Stannis nos arrastará para guerra. – insistiu Haegon.

—Agora você é a Mão do Rei e Protetor do Território. Você tem todo o poder, precisa apenas pegá-lo. Faça as pazes com os Lannister, solte o Duende. Case sua filha com Joffrey... – Valerion estava apoiando o que Baelish falava, até antes dessa última parte, mas ninguém lhe deu atenção – Poderemos nos livrar de Stannis depois. E se Joffrey causar problemas no trono...

—Nós o aturaremos. – cortou seu pai e todos o olharam – Ou você acha que podemos mudar de rei como uma de suas putas muda de roupa? – perguntou ele – Joffrey será um rei tão louco quanto Aerys... mas não podemos simplesmente nos livrar dele.

—Claro que podemos. Se ele causar problemas, nós revelamos seu segredo e colocamos Renly em seu lugar. – disse Mindinho.

—Você disse... nós? – perguntou Ned.

—Precisará de alguém para te ajudar, te garanto. Não concorda, Lorde Haegon? – Seu pai olhou para Mindinho e sorriu para ele, sem responder – Meu preço será razoável.

—O que está sugerindo é traição. – disse Ned.

—Somente se perdemos. – disse Mindinho.

—Isso é verdade, Ned. – disse seu pai – Se Robert tivesse perdido a guerra, vocês seriam todos traidores. Mas como ganharam, vocês foram os salvadores do reino.

—O que acha de tudo isso, Lorde Haegon? – perguntou Ned.

—O que você acha, Ned?

—Eu acho curioso. – ele olhou para Mindinho – Me manda fazer as pazes com os Lannisters. As pessoas que tentaram matar meu filho... – ele adicionou mexendo na adaga que aparentemente tinha sido usada para matar Bran depois que ele caiu da torre.

—Nós só fazemos as pazes com os inimigos, senhor. – disse Mindinho – Por isso que chamamos “fazer as pazes”.

—Não... – murmurou Ned e Valerion viu seu pai suspirar – Não farei isso.

—O que fará então? Além de se condenar, é claro. – ralhou seu pai. Ned Stark soltou um muxoxo – Será Stannis e guerra?

—Não tenho escolha. – respondeu Ned.

—É claro que tem. – disse seu pai – Só não tem estômago para fazê-la.

—Stannis é o herdeiro. – insistiu aquele homem, teimosamente e Valerion descobriu de onde Sansa tirara toda sua teimosia.

—Por que nos chamou aqui, Lorde Eddard? Não foi por nossos conselhos. – disse Mindinho.

—Você prometeu à Catelyn que iria me ajudar. – disse Ned Stark a Mindinho e então olhou para seu pai – E você prometeu lealdade ao Trono de Ferro. Você deve a Robert. – Seu pai fez uma careta discreta, mas que não passou despercebida – A rainha tem uma dúzia de cavaleiros e uma centena de soldados. Muito mais do que o suficiente para vencer o que sobrou da minha guarda.

—Você vai pedir meus homens? – perguntou seu pai – Não serão o suficiente, Ned. – disse ele – Eu posso tirar você e suas filhas daqui em segurança e levá-los para Pedra do Dragão. Lá você e Stannis decidem como sangrar melhor o reino. Mas, por favor, não me peça para enfrentar os homens da rainha aqui, porque eu não quero fazer isso.

—Só os seus homens não serão o suficiente. – concordou Ned para seu pai. Então ele se virou para Mindinho – Preciso da Patrulha da Cidade. Eles têm dois mil homens, que juraram defender a paz do rei.

—Você conta demais com os juramentos que os homens fazem, Ned. – disse seu pai e Valerion concordou com isso.

—Olhe pra você... – riu Mindinho para Ned – Sabe o que quer que eu faça... sabe o que precisa ser feito... mas não é honrado, então... as palavras travam na sua garganta. – Mindinho respirou fundo, se sentando na cadeira que tinha ao lado da que seu pai se sentara – Quando a rainha proclamar um rei e a Mão outro... qual paz os mantos dourados vão proteger? A quem eles vão seguir? – ele fez uma pausa dramática. – Ao homem que lhes pagar.

—Lorde Haegon tem muito dinheiro. – disse Ned e seu pai bufou.

—Eu estou a um passo de te estapear, Ned. – ralhou seu pai, mas os três riram.

—Você patrocinará, Haegon? – perguntou Mindinho.

Valerion olhou para seu pai, que suspirou.

—Me diga depois quanto custou a lealdade dos homens, Mindinho. – seu pai se levantou e olhou para Ned – Você está cometendo um erro, Ned. – disse ele – Deixe Joffrey reinar. E se ele não for um bom rei, o conselho escolherá Renly, como Mindinho falou. Você vai nos arrastar para uma guerra e minha filha está prometida a seu filho...

—Eu não vou desonrar Robert dessa maneira, nem trair Stannis. – insistiu Ned Stark.

—Não é questão de trair ou desonrar, Ned. É pensar nas consequências antes de usar honra como escudo para não fazer o que é verdadeiramente certo para o povo, mas para um punhado de Lordes bem nascidos.

Contudo, Ned não deu ouvidos.

Logo os três saíram da fortaleza e começaram a descer as escadas, mas Mindinho parou no caminho. Seu pai o olhou como se esperasse que Mindinho fosse parar.

—De que lado está, Lorde Haegon? – perguntou Mindinho.

—Eu lhe devolvo a mesma pergunta, Baelish. – respondeu ele. Mindinho sorriu para ele e voltou a descer os degraus.

—Eu só acho curioso como um lorde tão conhecido por ser convalescente com seus súditos pode aceitar tão facilmente o decreto de guerra que Eddard Stark deseja.

—Eu nunca prometi apoiar Ned. – cortou seu pai e Valerion o olhou chocado. Mindinho sorriu o olhando dois degraus abaixo – Eu apenas disse que pagaria os soldados que você conseguisse. Tenha certeza de contar isso pra Cersei quando for reportar essa reunião para ela.

Mindinho sorriu de novo e os três seguiram descendo as escadas em silêncio. Valerion estava cada vez mais perdido.

Seu pai o guiou de volta para seu aposento e Valerion fechou a porta.

—Pai, eu estou confuso. A quem nós vamos ajudar? Não vamos ajudar Ned, vamos? Nós vamos apoiar Renly ou Cersei?

Seu pai lhe olhou com um semblante cansado e suspirou.

—Sente-se, Valerion. Há mais uma coisa que eu preciso lhe contar.

No dia seguinte, Renly fugiu com Loras e cinquenta homens. Ned Stark foi preso por traição, quando Rei Robert morreu, por tentar usurpar o trono.

E seu pai não moveu um dedo para ajudá-lo.

Notas finais
E aí? Estão gostando? Estão com raiva do Haegon? ahsuahsuahsaus Aqui é GoT. Ninguém é bonzinho e perfeito aqui. kkkk Espero que estejam gostando. Beijos e obrigada mais uma vez, Lady Luna Stark. Amei a recomendação!