Blackfyre

57 Dragões e Profecias


Notas iniciais
Oi, Lindezas! Sumi? Sumi. Mas é que além de estar fazendo faculdade, eu já estou dando aula e ser professora é dose. Final de semestre pra mim é duplamente corrido ahsuahsuahsas Não tive tempo de responder os comentários, mas li cada um deles e vou respondê-los - tentarei - no final de semana, ok? Beijos! #PartiuLer

Dragões e Profecias

—Conte-nos, Lorde Reed... o que aconteceu na colina de Coração Alto? – perguntou Shiera – Eu escutei mais de uma vez sobre uma bruxa que assombrava uma colina das Terras Fluviais. Será que ela ainda vive? – perguntou Shiera e Howland concordou com um aceno de cabeça.

—Ela ainda vive. – concordou Howland – Na mesma colina, esperando o fim dos tempos. E acreditem ou não, não está muito diferente daquela última vez, há quase vinte anos. – murmurou ele – Continua anã, enrugada, com os olhos vermelhos e os longos cabelos brancos, quase a arrastar no chão. Com a mesma energia estranha, com as mesmas feições cheias de pesar e com o mesmo desejo de escutar sempre a mesma canção. Eu me lembro daquele dia, quando Aegon correu assustado... Rhaegar pediu que seu amigo grifo fosse atrás do menino e que cuidasse dele... o grifo nunca desobedecia seu príncipe, então ele foi. – Howland olhou para cima e suspirou – E então os dois maiores dragões daquela época foram devorados pela própria curiosidade... por mais que estivessem ambos bem-intencionados... é triste lembrar o que aquele fim de tarde ocasionou... tanta guerra... tanto sangue... – Howland suspirou – Lembro de quando Haegon ficou de joelhos, cavando a terra com as próprias mãos, chorando desolado, pedindo perdão... eu estava ao lado dele, vendo Rhaegar morto. Haegon o enterrou, apesar de todos cantarem que ele o queimou. Ele foi enterrado. Ele levou o dia inteiro cavando a margem do Tridente com as próprias mãos. Marcou o lugar e então anos depois, voltou ali e recolheu os ossos do príncipe, o enterrando de vez em Harrenhal.

—Como sabe disso? – perguntou Aegon, surpreso.

—Porque ele se sentiu responsável. – riu Howland... – eu preciso contar do início. – ele suspirou – Estava um dia relativamente quente, na época da Falsa Primavera. Os dias pareciam longos, os bosques estavam verdes e florindo. A neve derretia em todos os lados. Lorde Whent, de Harrenhal organizara o maior torneio da história, com prêmios ainda mais impressionantes dos que os oferecidos por Lorde Tywin, no torneio de Lannisporto, em comemoração aos dez anos de reinado de Aerys... mas antes de ir para Harrenhal, Rhaegar e sua pequena comitiva de confiança encontraram-se com Haegon, próximos à Colina de Coração Alto. Eu já estava lá, levado pela minha curiosidade. Queria ver a bruxa da qual todos falavam. Mas ela não queria falar comigo. Dizia que os dois homens importantes ainda não haviam chegado... – ele fez uma pausa – E então foi como você disse. – ele olhou para Aegon – Perguntaram se eu deveria ser morto ou retirado de lá, mas o Fantasma disse que eu seria importante... a última testemunha viva de todos os momentos chave... Ela previu seu futuro e você correu... e então ela olhou para Haegon e Rhaegar... Os dois eram muito parecidos... Alguém poderia dizer que eram irmãos. Eu mesmo, antes de entender quem chegava, pensei isso... Aquele dia... só de me lembrar daquele dia... me encho de calafrios...

**

Haegon e Rhaegar miraram o Fantasma. Não estava muito feliz com o que escutara sobre o destino do filho e trabalharia para evitar que ele morresse. Aegon era seu único filho e seu mundo, junto com sua amada senhora Rohanne. A velha anã olhava dele para o príncipe, sacudindo a cabeça, tomada por sentimentos ruins, atormentada com as próprias visões.

Detestava as profecias dela quando ela ficava daquela maneira.

—E então? – perguntou Rhaegar, se colocando de joelhos – Soube que você tem o dom de ver o futuro. – murmurou ele. A anã o olhou com seus olhos vermelhos e Haegon a olhou atentamente – Pode contar o meu? – perguntou ele e ela sorriu.

—Seu futuro ainda não está escrito. Ainda é incerto. – respondeu ela – E o momento que definirá tudo ainda está para chegar.

—Por favor. Explique. – pediu Rhaegar, sempre muito educado e com uma humildade que não cabia em um príncipe. Mesmo depois de tudo o que passara, jamais se ajoelharia para alguém daquela maneira. Se ajoelhara uma vez para Aerys, e fora o suficiente por uma vida toda – Conte-me o que eu preciso saber para deter o terror que se aproxima.

Haegon sentiu o estômago dar um salto. Estava de braços cruzados, ligeiramente desconcertado com a postura do príncipe, e quando escutou aquilo não conseguiu deixar de olhá-lo. Ele sabia do Terror? Via aquilo todas as noites, tomando o mundo inteiro. Primeiro Westeros, do Norte até o Sul. Tudo tomado por impetuoso inverno. Depois, passando pelo braço de Dorne, Essos também iria ser tomada. E uma escuridão sem fim tomaria o mundo e tudo seria reduzido a gelo, morte e escuridão.

Mas como que o jovem Targaryen poderia saber sobre aquilo. Sobre seus pesadelos? Jurava que aqueles sonhos eram a maldição que o feiticeiro em Valíria tinha lhe aplicado. Havia algo a ser feito contra aquela visão? Uma escapatória para o fim funesto que ele havia predito para todo o mundo, cogitando até mesmo fugir para outro continente, ainda mais longe que Essos. Para Sothoros, no sul, por mais brutal que o continente fosse. Torcia para que a noite e o frio não o seguissem até ali. Nunca lhe tinha ocorrido que alguma coisa poderia ser feita para impedir o terrível desastre climático, além daquelas coisas que viriam com ele... Frias, com armaduras de gelo, olhos brilhantes e azuis, com um coração tão negro quanto um céu sem lua e sem estrelas.

—Vocês dois têm uma ideia do que está por vir. – sussurrou a velha olhando dele para Rhaegar – Você viu nos livros... – ela disse olhando Rhaegar nos olhos. Ele de joelhos era quase do mesmo tamanho que ela – E você viu em seus sonhos. Os soldados da morte. O fim de toda a vida. – ela murmurou enigmática. Rhaegar a olhava focado, enquanto Haegon se sentia surpreso.

—Há registro dessas coisas em livros? Isso já aconteceu antes? – perguntou, surpreso.

—Sim. – respondeu ela – Mas não tão poderoso como será agora. – ela respirou fundo – Há muitos anos... quando os Primeiros Homens começaram a chegar e a lutar contra os Filhos da Floresta, houve guerra e então paz. Na Ilha das Caras, próxima do grande castelo de Harren. Mas então eles vieram. A noite tomou o céu e se recusou a ir embora, um inverno que durou gerações começou. A vida foi se extinguindo, mães matavam suas crianças para não vê-las morrer de fome e suas lágrimas congelavam ainda em suas bochechas, antes que pudessem alcançar o chão. Todos rezavam para que o frio fosse embora, mas ele não foi e trouxe algo pior com ele. Os Outros.

—Outros? – perguntou Haegon. Sor Dayne deu uma gargalhada e Richard engasgou. Mas Rhaegar estava sério e concentrado.

—Os Caminhantes Brancos são apenas uma lenda, velha. – riu Arthur, mas Rhaegar o olhou com desaprovação e ele se calou.

—Eles existiram. – murmurou o rapaz que estava lá desde antes deles chegarem – Meu povo sempre fala sobre eles. Quase acabaram com a raça humana... mas veio o grande herói e os derrotou.

—Sim, mas não foi uma derrota completa. – murmurou a velha, andando de um lado para o outro – Os Caminhantes Brancos vieram, com um ódio descontrolado por tudo o que era vivo. E quando suas lâminas matavam, sua magia levantava os cadáveres, que voltavam a uma semivida. Eles escravizavam os mortos, que lutavam por eles. Os homens aprenderam a queimar seus mortos, para que os Caminhantes não tivessem maneiras de trazê-los de volta. Mas não havia como lutar contra eles. Não havia o que ser feito. E então ele veio. Um homem, um grande líder, muito humilde... – ela olhou para ele com desdém – Ao contrário de você. – e Haegon corou de leve – Ele não exigiu uma coroa, nem se definiu um chefe. Ele pediu ajuda, pois tinha um plano insano. Ele reuniu um grupo, que decidiu segui-lo por sua coragem. O Último Herói e sua companhia marcharam para o Norte, em busca dos Filhos da Floresta... – Ela se interrompeu por um momento, como se doesse falar sobre aquilo. Então respirou fundo e continuou – Mas a companhia foi atacada de novo, de novo e de novo. Gigantes, que não compreendiam o que aqueles humanos faziam ali... criaturas, procurando um pouco de comida que vinha de bom grado para seus territórios... e também os Caminhantes brancos e seus mortos. Um a um, todos foram perecendo, mas o herói sobreviveu e encontrou os Filhos da Floresta. Eles, impressionados com sua coragem, determinação e valor, concordaram em ajudar a derrotar... os Caminhantes. – ela fez uma pausa novamente, como se estivesse sem ar – Eles contaram como ferir um Caminhante e deram ao rapaz as armas para isso. Então eles foram para o Sul, formar um último exército. E juntos, Primeiros Homens, Gigantes, Filhos da Floresta... os vivos... juntos eles derrotaram os mortos e a luz voltou a brilhar, na Batalha da Aurora. Mas os Caminhantes não morreram. Eles recuaram. Recuaram para as terras onde o Inverno é eterno. Os homens então formaram a Patrulha da Noite e com a ajuda daqueles aliados, construíram a Muralha. Gelo e magia a compõem. E eles fizeram isso não para proteger as terras do Sul dos povos do Norte. Mas para estarem preparados para deter os Caminhantes quando eles voltassem. Porque eles voltarão. Um grande verão, como nenhum outro, virá. Longo o suficiente para que crianças cresçam sem conhecer o verdadeiro frio. E quando esse verão acabar, virá um Inverno ainda mais perverso do que qualquer um que vocês, ou os pais de vocês, já tenham visto. E com ele, virão os Caminhantes. Ainda mais fortalecidos. Ainda mais poderosos. Ainda mais decididos a causar destruição. E eles não vão parar no Norte. Eles não vão parar em Dorne. Eles não vão parar em Westeros e nem em Essos e nem em lugar nenhum. Eles não vão parar até terem conquistado tudo o que há para ser conquistado. E o mundo perecerá na escuridão e no frio. O mundo será dos mortos. – terminou ela e Haegon sentiu o corpo tremer. Fechou os olhos e se viu como nos seus sonhos. Na Fortaleza Vermelha. Uma Fortaleza Vermelha, destruída, amaldiçoada, com neve caindo dos céus. Ao se virar os viu. Os monstros de olhos azuis. E um deles era... – Você os vê. – disse a velha e ele abriu os olhos – Você sabe a verdade. – sussurrou ela. Haegon engoliu em seco.

—Senhora. Eu sou o homem que irá pôr um fim nisso? – perguntou Rhaegar – Eu me preparei a vida toda para isso. Eu estudei e me fortaleci. Me tornei um guerreiro competente... sou eu? Eu sinto em meus ossos que terei um papel importante nisso.

—E terá, mas não é você. Você não é o príncipe que foi prometido. Gelo e Fogo, a canção dele será Gelo e Fogo. – disse a velha – Ele virá nascido de sal e fumaça. Pois bem. Temos Sal e Fumaça bem aqui. – riu ela olhando para os dois. Haegon cerrou o cenho.

—Desculpe, o que? – perguntou confuso.

—Depois que a estrela vermelha rasgar o céu, o príncipe que foi prometido virá forjado em sal e fumaça. – explicou ela – Você nasceu num navio, cresceu no mar. Sua reputação como pirata o precede onde quer que vá. Você é o sal. – ela olhou para Rhaegar – E você, que nasceu na tragédia de Solarestival. Nasceu em meio ao fogo e gritos e morte. Você é a fumaça. E da linhagem de vocês virá o verdadeiro príncipe que foi prometido.

Ficaram em silêncio por alguns segundos. Haegon olhou para Rhaegar. O príncipe tinha uma filha, Rhaenys. Ele tinha Aegon. Mas...

—Deveríamos unir nossas casas? – perguntou Rhaegar se levantando e olhando para ele. Sentiu um aperto no peito, com a lembrança da primeira profecia daquela noite – Rhaenys e Aegon irão gerar o príncipe que foi prometido. Eles têm idades próximas. – disse o príncipe, como se o acordo já estivesse para ser selado. Mas Haegon não concordou.

—Sinto muito, Rhaegar. Mas isso não vai acontecer. – murmurou Haegon e ele sentiu os olhos postos sobre ele. Rhaegar o olhou confuso e Haegon engoliu em seco. Gostava muito do rapaz e a última vez que se permitira afeiçoar por alguém como se deixou por Rhaegar, tinha sido com Valerion. Ainda lembrava do amigo morrendo em seus braços, vítima de um de seus golpes de espada. O olhando com terror nos olhos. Não queria brigar com o príncipe, que era simplesmente o melhor homem que já conhecera. Algumas vezes se perguntava se não tinha simplesmente ficado louco e o estava imaginando. Pois ele era o príncipe perfeito que jamais sonhara em ter – Seu pai me baniu de Westeros, sua filha é proibida ao meu. E o último Blackfyre que foi convocado para se casar com uma Targaryen, foi morto deslealmente.

—Isso não é verdade. – disse Rhaegar – Ele se candidatou a rei e Corvo de Sangue o matou quando ele chegou. Não havia casamento envolvido. E quando eu for rei, Rhaenys e Aegon se casarão de maneira legítima. Ela não será proibida ao seu garoto. Pense bem. Poderíamos findar definitivamente as brigas entre nossas famílias, além de cumprir com o que a profecia...

—A resposta é não, Rhaegar. – cortou Haegon – Não envolva meu garoto nisso. – disse decidido – Há outra opção? – perguntou ele para a velha – Uma que não envolva uma guerra onde meu filho morrerá por uma mulher?

—Seu filho morrerá por uma mulher, não necessariamente uma esposa, ou alguém por quem ele se apaixone. Pode ser por uma filha, uma irmã... ele morrerá por amor, isso é fato. Uma maneira bela de morrer.

—Pois eu prefiro que ele morra por estar velho demais. – disse angustiado – Como eu o salvo disso? – perguntou desesperado.

—Não salva. Eu vi o que vi. – murmurou ela – O príncipe que foi prometido nascerá de um de vocês dois. E nenhum dos dois viverá o suficiente para vê-lo lutar. Nenhum de vocês viverá para enterrar seus filhos. Um morrerá sabendo que fez o que precisava fazer, enquanto o outro morrerá em dúvida, muito tempo depois, se perguntando se foi o suficiente... e nem todas as visões do mundo poderão dizer se foi. – anunciou ela e Rhaegar e Haegon se olharam – O dragão tem três cabeças, pois esses dois dragões terão três. Quatro morrerão antes do tempo. Duas por traições, uma pelo destino, outro pela mágica. Um viverá para governar, o outro viverá para guiar. Lembrem-se disso. – ela suspirou – Um de vocês conhecerá o amor, muito em breve. Aquele que o conhecer, poderá escolher entre uma vida mais longa, mas infeliz, sabendo que o mundo perecerá em breve... ou poderá escolher o amor e então concluir a profecia. Sangue e morte virão de sua escolha, guerras e intrigas. O reino sangrará. Mas o príncipe que foi prometido virá e dele será a canção de Gelo e Fogo. Se escolher o amor, não viverá mais do que alguns poucos anos e toda uma guerra será creditada a sua escolha. Mas o mundo terá a chance de lutar e vencer, por mais que nada seja certo. Pode ser que o sacrifício seja feito e o Príncipe que foi prometido não seja capaz de vencer no final. O dragão tem três cabeças, três dragões lutarão no final. Mas não há como saber se eles viverão. E é isso que eu tenho a dizer... essas foram todas as visões. – ela suspirou, parecendo exausta – Agora cante aquela música, Haegon... eu preciso muito escutá-la, para descansar...

—Tua matemática não bate. – riu Arthur e todos o olharam – Disseste que três dragões lutarão no final, mas que Haegon e Rhaegar não viverão para tal batalha. Quatro dos filhos dos dois morrerão antes do tempo. Apenas dois viverão para lutar. Mas disseste que terão três dragões na última luta. Como?

—Um filho dos nossos filhos, talvez. – sugeriu Rhaegar. Ele olhou para Aegon – Vamos unir nossas casas. – insistiu ele. Haegon recuou um passo – Eu vou convocar um conselho com os Lordes nesse torneio de Harrenhal. Foi para isso que eu patrocinei Lorde Whent. – disse Rhaegar e todos o olharam – Eu vou pedir que prestem atenção em meu pai. Para pedir o apoio deles para destituí-lo do poder. Ele já não está mais em condições de reinar.

—Não deveríamos conversar sobre isso com aquele estranho presente. – Disse Richard.

—Não se preocupem com ele. – murmurou a velha – Mas eu quero a minha música.

—Mais uma pergunta. – disse Haegon – Eu devo casar um dos meus filhos com um dos filhos dele? – perguntou ele apontando sem a menor educação para o rosto de Rhaegar.

A velha bufou e se sentou no chão.

—Eu vejo que seus filhos sofrerão por amor. Os seus também. – murmurou ela para Rhaegar e para Haegon – Juntos ou separados, não importa. O filho do sal e o filho da fumaça... seus destinos se cruzam, mais de uma vez. Mas se terminam juntos, eu não sei. Não há como saber. Existem muitos outros fios para serem levados em consideração... e eu não sei dizer o quanto eles irão se entrelaçar. Mas de todo modo... eu vejo muita dor no futuro de todos vocês... mas chega de perguntas. Eu quero a minha música.

**

Shiera olhou para Howland e suspirou.

—Isso foi muita informação.

—Eu perdi bastante coisa. – riu Aegon – Já pensou? Eu quase fui noivo da Rhaenys. – riu ele e Shiera concordou – E todos nós vamos morrer. – riu ele dando de ombros – Acho que vou voltar pra Essos e aproveitar enquanto podemos.

Não sabia se ele estava falando sério ou se era apenas uma amostra do humor ácido do irmão.

—Eu não acredito nesse tipo de coisa. – disse Jon.

—Nem eu. – concordou Robb – Coisas demais foram ditas aí. Sem falar que... Rhaegar não teve três filhos. Apenas dois. – adicionou ele.

—Sim. Pensei o mesmo. A matemática não bateu. – concordou Shiera – Mas... o modo como ela falou as mortes. Duas mortes por traição, uma pelo destino, outra pela magia. – ela engoliu em seco – Rhaenys e Aegon, filhos de Rhaegar morreram pela traição de Tywin Lannister.

—Então, eu você, ou Valerion morreremos por magia e por destino. – murmurou Aegon – Lembra quando eu falei sobre você entrar na pira para chocar ovos de dragão? Era apenas uma brincadeira, ouviu? – sibilou ele a olhando muito sério e Shiera sorriu.

—Bem, eu já morri uma vez. Mas fui ressuscitada por Theon, que soube tirar a água dos meus pulmões. – disse ela.

—Então você morreu por destino ou por mágica? – perguntou Aegon.

—Parem de falar essas coisas. São apenas bobagens. – ralhou Robb – Quer saber quem é filho de Gelo e Fogo? Ned. Eu sou gelo, por ser Stark. Você é Fogo, por ser uma Blackfyre. Ele é o filho do gelo e do fogo e nem por isso vamos dar uma espada a ele e pedir que ele lute. São profecias vazias. – insistiu ele e Howland suspirou – E furadas. Rhaenys e Aegon morreram por traição? Ok. Mas, e o terceiro filho de Rhaegar?

—Sim... sim... o terceiro filho de Rhaegar. – murmurou Howland – Eu me lembro que Haegon e Rhaegar brigaram muito feio antes do torneio e Haegon foi embora. Ele iria participar como um cavaleiro desconhecido, mas desistiu e foi embora. Só o vi novamente durante a Rebelião de Robert. – ele suspirou – Mas Rhaegar ficou para as justas, derrotando todos os homens com quem justava. Um atrás do outro, os oponentes caíram. E quando ele ganhou a final, contra Barristan, o Ousado, o povo vibrou de alegria pelo príncipe, que era tão amado. – Howland suspirou – Mas os sorrisos e aplausos cessaram quando ele passou direto pela esposa e... entregou a coroa de rosas para Lyanna Stark, a proclamando rainha do amor e da beleza. – ele olhou mais uma vez para a estátua de Lyanna e Shiera seguiu o olhar dele – Robert ficou furioso, Ned achou uma imensa falta de respeito. Brandon queria socar a cara do príncipe e Benjen apenas ria das bochechas coradas de Lyanna. Os olhos dela pousaram sobre os do príncipe, que também só tinha olhos para ela. Um escândalo... – ele suspirou de novo – Mas aquele ano era o ano da falsa primavera. O inverno voltou de vez, dois meses depois e durou quase um ano.

—Oberyn me contou que a irmã mandava muitas cartas para ele, antes da Rebelião explodir. – murmurou Aegon – Ela e Rhaegar eram infelizes no casamento. Ela sentia que o estava perdendo e não sabia o que podia fazer para tê-lo de volta. Pouco tempo depois da última carta, Rhaegar tomou Lyanna e a levou para Dorne.

—Tomou? – perguntou Robb – Que nome bonito para sequestro seguido de estupro. – caçoou Robb.

—Duvido que ele tenha feito isso. – discordou Aegon.

—E não o fez. – concordou Howland. Shiera olhou para o homem, surpresa – Eu a ajudei a fugir de Winterfell, porque ela me pediu muito. Ela não queria se casar com Robert. Ela o desprezava. Eu a entreguei a Rhaegar, próximo à Ilha dos Rostos. Então ela partiu com ele de boa vontade para Dorne. Rhaegar conheceu o amor e escolheu o amor. Ele me confiou uma carta, que eu enviei à Cidadela. Um pedido de anulação do casamento dele com Elia Martell. Eu obedeci e voltei para Atalaia da Água Cinzenta, me perguntando se deveria ter mesmo feito aquilo ou não. Eu sabia o que iria acontecer. Rhaegar sabia o que iria acontecer... mas era a única chance de vermos o príncipe que foi prometido. Eu tinha medo do futuro e tinha muita devoção por Lyanna. Queria que ela fosse feliz. A queria longe de Robert, que não a merecia... enquanto Rhaegar era tudo o que se dizia de bom sobre ele. Talvez até mais. E ela o amava.

—Eu disse que eles tinham fugido juntos. – riu Aegon.

—Se eles fizeram isso, porque nosso pai nunca nos contou a respeito? – perguntou Jon. Howland suspirou.

—Lutamos a guerra, lado a lado. Eu, Ned, Haegon... Haegon odiava Robert e Robert o odiava, mas Haegon tinha um exército forte e navios imponentes. Além de dinheiro. Então fizemos uma aliança e Haegon lutou lealmente por Ned, Robert e Jon Arryn. Mas quando Robert matou Rhaegar, Haegon mudou. Ele não quis ir até a Fortaleza Vermelha e então se arrependeu, porque ele acreditava que poderia ter salvo Rhaenys e Aegon. Então ele tentou salvar o príncipe Viserys e a grávida rainha Rhaella. Mas ele não conseguiu chegar a tempo. Passou muito tempo tentando localizá-los... mas logo se convenceu que não havia motivos para isso. Estávamos todos condenados, pois a terceira cabeça do dragão de Rhaegar nunca chegara a nascer... ou é o que pensávamos. – Howland suspirou e olhou novamente para Lyanna – Quando a guerra terminou, fomos para Dorne, para uma última batalha. Chegamos na torre onde Lyanna estava. A Torre da Alegria. E ela estava sendo guardada por três membros da guarda Real. Aquilo nos surpreendeu, mas lutamos assim mesmo. Foi uma baralha difícil. Muito difícil. E por mais que fôssemos sete contra três, apenas eu e Ned sobrevivemos, e ainda assim, feridos. Subimos os degraus e encontramos Lyanna, com duas damas de companhia. Damas de Ashara Dayne, pelo que descobrimos depois. Lyanna estava deitada na cama e havia muito sangue. – ele fez uma pausa, engolindo em seco – Um bebê chorava baixinho no colo dela. Se parecia com ela o garoto... ainda parece na verdade. – ele suspirou de novo – Ela pediu que Ned cuidasse do menino e mantivesse o segredo. “Se Robert descobrir sobre ele, irá matá-lo... você o conhece, Ned. Prometa-me”. – ele se calou por um momento.

—Rhaegar e Lyanna tiveram um filho? – perguntou Aegon, chocado e Shiera pensou em seu sonho. Ela olhou para a estátua de Lyanna e então para o caixão atrás dela – E que fim ele teve?

—Lyanna morreu na torre, mas antes nos contou que ela e Rhaegar se casaram numa cerimônia secreta. Nós fomos até o castelo dos Dayne e contamos tudo a Ashara.

—O herdeiro de Rhaegar está em Dorne? – perguntou Robb – Se for o caso, com todos os Baratheon mortos... ele é o verdadeiro rei dos Sete Reinos.

—Com mais direito até mesmo que Daenerys. – sussurrou Shiera olhando o caixão e em seguida para Jon. Sua mente trabalhava rápido e ela se lembrou da primeira vez que vira o rosto dele, em seus sonhos. Regendo um exército. Liderando os homens contra os mortos.

—Voltamos para o Norte e Ned simulou que tinha engravidado uma mulher qualquer em Dedos... e quando ele voltou para Winterfell, para conhecer o próprio filho... ele apresentou seu bastardo. E exigiu que não fossem feitas perguntas sobre ele. – finalizou Howland.

Então todos olharam para Jon, que parecia ligeiramente atordoado.

—O... o que? – perguntou ele.

—Ned decidiu que você jamais saberia a verdade. Ele te criou como filho dele. Mas isso era mentira. Agora ele está morto, um bastardo senta no Trono de Ferro, os mortos marcham contra nós. E eu acho que passou da hora do Príncipe Que Foi Prometido retornar. – murmurou ele. Jon deu um sorriso como se estivesse achando que aquilo era uma piada.

—Eu vi isso, em meus sonhos. Só não sabia que era isso. – murmurou Shiera – Lembra? Em Harrenhal. Eu disse que tinha visto você liderando um exército contra os mortos. Eu sonho com você muito antes de te conhecer. – sussurrou ela indo de vez até o caixão de Lyanna. Tentou abri-lo, mas era pesado demais. Aegon se uniu a ela e eles abriram o caixão de pedra. Havia um esqueleto em roupas puídas, segurando um objeto brilhante, porém empoeirado. Shiera se curvou sobre o caixão e pegou o objeto. Aegon tomou de suas mãos e limpou da melhor maneira que conseguiu, usando a capa. Então ele sorriu e exibiu o objeto prateado.

—É a harpa de Rhaegar. – disse ele a mostrando para todos.

—Que Ned enterrou aí, para mostrar a Jon um dia. – concordou Howland.

—Não... isso é loucura. Não faz sentido algum. – disse ele.

—Não foi você quem falou que sonhava com as Criptas. Que andava por aqui procurando por algo. Bem... isso é o que você procurava. Sua identidade. – riu Shiera.

—Eu não sou... não... eu sou filho de Eddard Stark.

—Você é filho de Lyanna Stark e Rhaegar Targaryen. Você é o verdadeiro rei de Westeros e o legítimo dono do Trono de Ferro. – discordou Shiera.

—Isso é insano. – rosnou Jon recuando – Não. Não pode ser verdade! Olhem pra mim! Eu não tenho nada de Targaryen! – riu ele como se pensasse que estivessem todos loucos.

—Você tem uma liderança nata e inspira seus homens de uma maneira que eu nunca vi. – discordou Aegon – Nunca imaginei que um dia veria os selvagens torcerem por um membro da Patrulha da Noite. Mas eles gritaram seu nome quando estava praticando espadas com Robb.

—É diferente, eu...

—Papai sempre fez questão que você fosse treinado comigo, e muitas vezes te deixou assistir comigo, as reuniões com os Lordes. Ele fez questão que tivesse um estudo apropriado a um senhor. Ele te deu atenção que um Lorde não daria a um bastardo. Ainda mais se já tivesse mais de um filho homem legítimo. – discordou Robb.

—Se é assim por que ele nunca contou para a senhora Catelyn? – questionou Jon.

—Porque a raiva dela te manteria seguro, enquanto se ela visse você com sobrinho dele, causaria desconfianças. – respondeu Aegon – Sangue frio da parte dele. – Aegon parou por um momento e se virou para Howland – Meu pai sabia sobre Jon? – perguntou ele e Howland o olhou de cenho fechado – Ele ofereceu a mão de Shiera a ele. Eu fui perguntar para ele o motivo disso... e ele falou que Jon tinha tudo o que ele gostaria num príncipe. Então eu o lembrei que ele era apenas um bastardo e ele falou: “Algumas vezes as pessoas são muito mais do que aparentam ser”.

—Mas depois ele mudou de ideia. Não queria de modo algum que eu me casasse com Jon. – disse Shiera.

—O que pode ter acontecido em um ano? – perguntou Aegon.

—Coração Alto aconteceu. Soube que seu pai foi para lá novamente... mas não sei o que ela previu pra ele. – respondeu Howland calmamente – Mas pelo pouco que eu conheci de Haegon Blackfyre, ele era um homem que respeitava previsões. Tanto as próprias quanto as do Fantasma.

—Isso nos traz a um ponto delicado. – riu Shiera – O Norte dobrará o joelho ao verdadeiro rei de Westeros? – perguntou ela olhando para Robb, que respirou fundo – E Harrenhal? Irá fazer o mesmo, ou apoiar uma pessoa que tem menos direito ao trono, como a irmã mais nova de Rhaegar?

—Eu não respondo por Harrenhal. – disse Aegon desviando o olhar.

—Certo. Quem a companhia Dourada vai apoiar então? – perguntou ela olhando para o irmão.

—Digo que ela não apoiará um homem que recusa a aceitar a si mesmo. – disse Aegon.

—E o Norte fará o mesmo. Se Jon não quer clamar o Trono de Ferro... – ele deu de ombros – Além do mais... vai ser difícil provar tudo isso. Temos apenas a sua palavra Howland.

—Temos a minha palavra, os arquivos da Cidadela... e isso. – disse ele tirando um pergaminho do bolso – Uma carta que Rhaegar escreveu antes de partir para guerra, afirmando que se casou com Lyanna Stark e que ela esperava um filho dele. Temos a palavra de uma filha de um pescador, que recebeu uma bolsa de dinheiro para falar a quem perguntasse depois de muita insistência que ela quem parira o bastardo de Eddard Stark... e temos a palavra de Ashara Dayne.

—Ela está morta. – discordou Shiera – Se jogou de uma torre.

—Ela vive. Em Essos. – discordou Howland – Junto com Jon Connington, o melhor amigo de Rhaegar. Ele sabe a verdade também.

—Jon Connington? – perguntou Aegon franzindo o cenho – Esse também está morto. Morreu de tanto beber, em Essos, depois de ter sido exilado pelo rei Aerys.

—Ele está vivo. Conversei com ele não faz muito tempo. – discordou Howland – Ele se passou por morto e assumiu outra identidade, mas segue bastante reconhecível. Está disposto a defender a verdade, depois de colocar os olhos no suposto herdeiro.

—Se ele sabe a verdade... – começou Shiera.

—Ele escutou o mesmo que eu disse a vocês. E não só de mim. Ele escutou de Haegon. – murmurou Howland – Respondendo à sua pergunta, Aegon, sim, Haegon sabia a verdade. Não sei como ou quando ele descobriu. Mas se ele contou esse segredo a alguém, certamente foi à...

—Naerys. – murmuraram Aegon e Shiera, em uníssono.

—Escutem. – ralhou Jon – Isso é insano. Eu sou um Nortenho. Eu sou filho de Eddard Stark. Isso tudo é uma loucura, um mal-entendido.

—Então olhe em meus olhos, garoto, e me chame de mentiroso. – desafiou Howland.

—Não quero acusar ninguém de falar mentiras... mas... mas... isso é, simplesmente...

—Sempre quis saber sobre a sua mãe. Agora que sabe sobre ela, não a aceita? – perguntou Robb – Nosso pai sempre falou muito bem de Howland Reed. Sempre falou que ele era seu Lorde de maior confiança. Sempre disse que ele lhe salvou a vida, na batalha da Torre da Alegria. Você sabe disso. Você escutou isso, da boca dele, tanto quanto eu. – disse Robb e Jon olhou para a estátua de Lyanna.

—Precisamos ir para Harrenhal. – murmurou Aegon – Valerion nos espera nas Gêmeas, certo? Vamos encontrá-lo lá, terminar de dar um jeito no que sobrou dos Frey e então partimos todos para Harrenhal. Naerys poderá nos contar tudo isso e ainda mais. E então você não vai poder fugir de si mesmo. – riu seu irmão e Shiera concordou com um suspiro.

—Acho que Jon precisa de um tempo. – disse Robb dando dois tapinhas nos ombros dele – Vamos dar esse tempo a ele.

Howland concordou e Robb começou a se afastar. Aegon o seguiu, assim como Howland. Shiera entregou a tocha para Jon, já que Robb levava a outra. Mas ele prendeu a tocha na parede e segurou sua mão antes que se afastasse. Olhou para ele, sentindo o coração bater mais forte. Os passos de Robb já estavam bem distantes.

—Me encontre no Bosque Sagrado mais tarde, por favor. – sussurrou Jon. O olhou, surpresa e concordou com um aceno de cabeça. Depois segurou o vestido e correu para alcançar Robb, que a esperava no final do corredor.

O pequeno grupo deixou as criptas e Shiera suspirou sentindo a cabeça pesar.

—Vamos manter isso em segredo por enquanto. – murmurou Aegon.

—O que vai fazer? – perguntou Shiera – Em relação à Daenerys.

—Não sei ainda. – murmurou Aegon – Eu imagino que se ela acreditar em toda essa história, no mínimo ela vai querer conhecer Jon para, educadamente, pedir que ele saia do caminho. Ou talvez não tão educadamente... ela tem um grande exército.

—O Norte apoiaria Jon, não apoiaria? – perguntou Shiera e Robb fechou a cara – Com Jon no Trono de Ferro, conseguiríamos paz e independência, agradando os Lordes Nortenhos, além de garantir que toda Westeros nos ajudaria contra os Outros. – disse ela e Robb a olhou um pouco acusador.

—Certeza de que esse é o único motivo que te faz querer apoiar Jon? – perguntou ele.

—Que motivo faria com que você não quisesse apoiar? – devolveu. Robb bufou e desviou o olhar e Shiera bufou também – Eu vou ver o Ned. – disse ela num tom seco e começou a marchar para o quarto do filho. Logo sentiu que alguém a seguia e notou que era Robb. Ficou em silêncio, mas quando entraram num corredor vazio, ele segurou sua mão.

—Pelos deuses, Shiera. Por quanto tempo ficaremos assim? – perguntou ele a olhando com aflição. Desviou o olhar – Eu estou tentando. Mesmo. Mas... mas me mata ver como olha pra ele. – lamentou Robb e ela sentiu um frio lhe subir a espinha – Me mata como tenta protegê-lo a todo custo. Não é justo, Shiera.

—Não é justo? – perguntou zangada – Vem reclamar para mim falando que não estou sendo justa contigo? – perguntou puxando o pulso – Me solte.

—Não. – disse Robb – Estou cansado disso.

—Eu preciso de tempo.

—Não há mais tempo. – disse Robb e ela notou que os olhos dele estavam cheios de água – Escolha agora. Ele ou eu. Se a resposta for ele, por mais que me doa... – ele engoliu em seco – Eu arrancarei a cabeça dele. – isso a fez parar de tentar se soltar.

—O que?

—Você é minha rainha, minha esposa. Se Jon tentar roubar você de mim... – ele fungou e ela notou duas lágrimas saírem de seus olhos para se esconderem em sua barba ruiva – Eu não vou perdoá-lo. Eu já o perdoei por deserdar da Patrulha, mas ele se mostrou um ingrato. Eu vou matá-lo. É isso o que quer?

—Como pode me perguntar algo assim? – perguntou em choque – Vai simplesmente matar o seu irmão?

—Ele não é meu irmão. – murmurou Robb. Ele a puxou e ela sentiu-se envolta por seus braços fortes – É a última coisa que desejo, mas... mas se Jon não respeitar nosso casamento...

Se lembrou do momento com Jon, no quarto, e se sentiu terrível. Engoliu em seco e empurrou Robb, com toda delicadeza.

—Jon Snow não tem nada a ver com meu comportamento, Robb. – disse querendo proteger Jon – E saiba que me magoa não poder esperar que eu me recupere do que aconteceu. Você viu o meu estado... você viu o que Bolton fez comigo e com minhas amigas.

—Não posso passar por isso de novo. – murmurou ele – Quando nos casamos, não era a mim que você desejava. Era Jon. Eu te conquistei aos poucos, Shiera. Eu dei tudo de mim. Não há mais nada de novo para lhe oferecer... apenas mais do mesmo... e aparentemente não é o suficiente. – disse ele.

Shiera suspirou, sem saber o que sentir. Apenas odiando a si mesma e continuou andando. Logo escutou os passos de Robb. Ele a seguia, mas num passo muito lento. Talvez não a seguisse realmente. Talvez só estivesse andando sem rumo. Caminhou sem parar até o quarto do filho e abriu a porta. O grito entalou em sua garganta. O horror tomou seu corpo e ela despencou no chão, recuando. Seus olhos encheram-se de água e depois de segundos de choque, o grito finalmente saiu. Se levantou, gritando sem parar e correu até Theon e Talisa. Tinham cortado a garganta dela e a esfaqueado repetidas vezes no ventre. Theon estava no chão, ensanguentado, com o sangue pingando no chão, sem parar. Não se preocupou, no entanto, em ver se qualquer um deles estava vivo. Apenas gritou procurando por seu bebê. Chorou desesperada e puxou os cabelos. Quando não o encontrou, caiu no chão e gritou ainda mais, tentando se ferir. Tentando se machucar, na esperança de que isso fizesse seu coração doer menos.

Robb entrou de uma vez e ela o olhou desesperada, completamente em prantos. Robb teve a frieza de se ajoelhar em frente a Theon, para testar seu pulso. Ele foi até o corredor em seguida e gritou, chamando ajuda. Depois ele também procurou pelo quarto, enquanto Shiera chorava, sem chão, sem entender como o mundo podia ser tão cruel. Seu bebê havia sido levado. Urrou de dor e lamento e fincou as unhas nos braços, numa tentativa de se abraçar e de voltar para realidade. Mas estava fora de si. Só sabia chorar e gritar, lamentando sua miserável existência.

Robb se jogou ao seu lado e a abraçou com força.

—Eu vou encontrá-lo. Eu juro. Eu juro que vou encontrá-lo.

—Meu bebê... levaram meu bebê, Robb... – chorou o abraçando de volta e de repente, ser casada com Roose Bolton não tinha sido nada ruim. Não comparado ao que sentia naquele momento – Por favor, Robb, por favor... eu faço qualquer coisa... mas me devolva o meu filho. Eu quero o meu filho. Por favor... – chorou desesperada, agarrada a ele e Robb a apertou com mais força ainda.

—Eu vou achá-lo. – jurou ele, ficando de pé. Vento Cinzento e Lady entraram no quarto, atraídos pelo barulho, em seguida vieram Jon, Fantasma e Aegon. Aegon se jogou no corpo de Theon, para averiguar se ele estava bem – Ele ainda está vivo. Jon. Chame os guardas. Aegon, chame um meistre, rápido. – ordenou Robb, enquanto Shiera puxava os cabelos, perdida em desespero, olhando ao redor, procurando por seu pequeno Ned – Jon. Olhe isso. – disse Robb mostrando algo para Jon.

Shiera estava atordoada demais para prestar atenção. Apenas balançava de um lado para o outro. Depois voltou a olhar debaixo da cama, chamando pelo filho. Olhou os armários e então caiu em prantos de novo. Alguém a levou para o próprio quarto e lhe abraçou na cama, mas não conseguia prestar atenção. Tinha enlouquecido. Tinha certeza que sim.

Notas finais
Jogo essa bomba aqui e me retiro em silêncio logo depois das prévias... "-Onde ele está? – perguntou Robb. Roose o encarou com um sorrisinho sádico. —Já foi esfolado, Robb Stark? Acho que não... então acredite. Não há dor pior. Imagine o medo que o pobre Ned vai sentir, toda vez que ver Ramsay se aproximar com uma faca. Você lembra dos gritos, não lembra? De quando estava aqui dentro? Não é o tipo de coisa que se esquece... assim como a minha doce esposa... aaah... – Roose soltou um suspiro – Aquela ali eu realmente não vou esquecer." Fui Titia ama vocês ♥